quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

NATAL!

 Da verdade histórica à realidade que se vive

E foi mais um Natal! E houve a consoada com comidas excelentes e melhores bebidas e... muitas prendas! Adultos e crianças deliciaram-se com inúmeras benesses de encher o corpo e a alma.

Do Menino Jesus..., nada! Talvez, em algumas casas, ainda escondido num presépio no canto da sala, sala pequena para tantos comes e bebes e prendas!

Mas a história é interessantíssima: 

A PARTIR DA INVENÇÃO DE UM FACTO, UMA GRANDE PARTE DA HUMANIDADE - a que a outra parte não fica indiferente!- FAZ FESTA DE RUAS ENFEITADAS, LOJAS ENGALANADAS, MOVIMENTOS DE SOLIDARIEDADE, REUNIÕES DE FAMÍLIAS, PARTILHA!

Já toda a gente sabe - a começar por todos os papas, bispos, padres e leigos empenhados no ensino do catecismo - que o Natal não existiu. A narrativa evangélica de Lucas é pura ficção, baseada em lendas sobre o nascimento de antigos deuses egípcios e gregos.

Resumindo o que terá sido a História: 

Em Nazaré da Galiléia, houve um casal, José e Maria, que teve um filho, nascido em Belém por causa do recenseamento imposto, por aqueles dias, pelo ocupante romano, fazendo deslocar as pessoas das suas terras até Jerusalém. A gravidez de Maria terá acontecido normalmente dentro do casal ou poderá Maria ter sido vítima de estupro por algum soldado ao serviço do Império. Deram ao menino o nome de Jesus. Nada se sabe ao certo acerca da data deste nascimento. Por isso, a Igreja aproveitou-se do facto para impor o 25 de Dezembro, tentando fazer esquecer as festas em honra dos deuses solares antigos que, nesta época - e aqui no hemisfério norte - se "preparavam" para fazer crescer os dias, tendo sido o mais curto, no solstício de Inverno, a 21 ou 22 de Dezembro.

Mas... uma Virgem a dar à luz, numa gruta, no rigor do Inverno, um Menino-Deus, tendo sido engravidada pelo Espírito Santo... é bonito demais e magnificamente emocionante para que tal "facto" não seja celebrado por todo o mundo, o crente e o não crente. E acresce que há todo o encanto de uma criança e de uma jovem mãe escolhida pelo Divino para fazer descer o Céu à Terra. Simplesmente fantástico! Oportunidade a não perder! (pensaram os criadores das religiões cristãs).

E aí temos o Natal, emoldurado pelos países nórdicos com a árvore de Natal, o pinheiro - bem podia ser uma oliveira ou uma giesta... - mais o Pai-Natal e suas renas pela cocacola.

E é bom! E é bonito! E é excelente época para o comércio que recupera, neste mês, o que não fez durante quase um ano. E todos ficam felizes.

Então...VIVA O NATAL! VIVA A FESTA! VIVA A HARMONIA E A SOLIDARIEDADE! VIVA O ESPÍRITO FAMILIAR E... NATALÍCIO!

E não é que todos temos vontade de ser um pouquinho melhores, mais simpáticos e tolerantes, mais altruístas, menos egoístas!...


domingo, 15 de dezembro de 2024

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 415/?

 

 À procura da Verdade nas Cartas de Paulo – 415/?

 2ª Carta aos TESSALONICENSES -1/1

 – Pequena carta.

Anotemos apenas: “O Senhor Jesus virá do Céu com os seus anjos poderosos, no meio de uma chama ardente. Virá para se vingar daqueles que (…) não obedecem ao Evangelho. O seu castigo será a ruína eterna.” (2Ts 1,7-9)

– Continua Paulo com a mesma obsessão da carta anterior. Mas poderemos perguntar se fala por metáforas ou de um Céu real, uns anjos reais, uma chama real. O que, obviamente, é pura invenção.

  Depois, não conseguiu dar-nos um Cristo sem desejos de vingança, à boa maneira do Javé do A.T…

  Enfim, novamente o temor… Então – terão pensado os seus interlocutores – fosse ou não verdade o que ele dizia, fosse ou não fosse credível, melhor mesmo era ser-se bom e agir conforme os seus ensinamentos, pois isto do Além e do que pode cair do Céu… nunca se sabe… não é?!!!

– “A vinda do ímpio vai acontecer graças ao poder de Satanás, com toda a espécie de falsos milagres, sinais e prodígios.” (2Ts 2,9)

– Novamente! Símbolo ou… realidade? O que será um falso milagre, um falso sinal, um falso prodígio? Bem nos parece que é mais uma paranoia de Paulo, obcecado que estava com a vinda iminente de um Cristo vingativo e… salvador!

    Essa paranoia leva-o a não se esquecer do malfadado Satanás, mais uma personagem inventada pelos judeus de então e que teve grande aceitação em tempos de obscurantismo medieval. Lembram-se?

– Agora, a frase cheia de ensinamento para os preguiçosos e os que querem viver à custa do trabalho dos outros: “Quem não quer trabalhar não tem direito a comer.” (2Ts 3,10)

– Uma terminação em beleza! Em cheio contra o pecado da… preguiça e do parasitismo social! Continuamos é a ficar-nos pela… Terra. O Céu… continua tão longe, tão inatingível!…Ou tão camuflado pelas ideias delirantes de Paulo!

sábado, 30 de novembro de 2024

A misteriosa força da VIDA

 Haverá assunto mais fascinante para ocupar a nossa inquieta mente?

Nos animais, manifesta-se no impulso incontrolável que leva os machos, sejam quais forem os “truques” ou “artimanhas” usados, a fecundarem as fêmeas – fêmeas também elas receptivas – para que a espécie não se extinga. E – vejam só! – a fecundação dá-se pela transmissão de toda a carga genética de para novo indivíduo, através de dois elementos microscópicos: um espermatozoide e um óvulo. Simplesmente fantástico! É que nessa simbiose microscópica, vai uma colossal carga de informação que dita e ditará, dentro da espécie, tudo o que o novo ser dali resultante será, no corpo e na alma…E, para tal, teve de previamente “inventar” um masculino e um feminino. Estranho, ou mais fantástico ainda, é que haja espécies que não precisem de tal artefacto: os hermafroditas que se autofecundam por falta de diferenciação de sexo.

Mas o maior mistério desta FORÇA que nos encanta quando pensamos nela é a sua “invenção” do poderoso ADN para cada espécie. É que o ADN tudo controla na espécie: desde o tamanho, à forma, ao sabor, ao cheiro, ao tempo de vida, ao instinto vital…,TUDO! Mas como? – perguntamos, inquietos por nada perceber!

No entanto, muito tempo antes de haver animais, a VIDA fez o seu caminho – longo caminho, ao que se sabe: 3.5 mil milhões de anos! – desde a matéria inanimada à animada, à bactéria, aos unicelulares, pluricelulares, complexos, fungos, plantas e animais de toda a espécie que invadiram terra, mar e ar, presumindo-se que tenha começado em lagunas e águas termais, reinventando-se, continuamente, sempre em evolução, espécies aparecendo e desaparecendo, conforme os habitats em que proliferaram ou apareceram, havendo milhares de milhões de espécies com as formas mais bizarras, sobretudo no mar, inimagináveis pela mente humana, desembocando neste ser bem complexo no corpo, mas mais complexo na alma, por ser racional, único animal que, até agora, para tal estádio evoluiu: o Homem.

E, evoluindo, criando os ramos animais, plantas e fungos, “obrigou” à total interdependência entre os três, todos lutando até ao limite das suas capacidades, sejam elas arbóreas, fúngicas ou animais, para se manterem vivas o mais tempo possível, reproduzindo-se continuamente até à morte inevitável.

A morte é o selo que acompanha todo o ser vivo, no acto do seu aparecimento: desaparecimento após um certo tempo de vida – aquele que lhe foi determinado pelo ADN, na concepção – e de ter visto ou saboreado a luz do sol, ter respirado o ar da atmosfera e bebido a água que lhe ajudou a “lubrificar” o sangue ou seiva que o trouxe vivo, durante esse tempo.

Até se poderá dizer que também “contribuiu” para a construção do TEMPO: só há tempo para quem começa. Quem não começa ou nunca existirá ou sempre existiu!

Claro que o TEMPO é uma categoria, juntamente com o ESPAÇO onde se organiza e reorganiza, sempre em movimento, a matéria e a energia que compõem o Universo e onde a saga da VIDA se desenrola – ao que se sabe – apenas num pequeno astro chamado Terra. O ESPAÇO será infinito. O TEMPO existe para o que é Matéria ou Energia, pelo facto de estarem em contínua mudança e movimento. Pergunta-se: será este movimento eterno, i.é, nunca começou porque sempre existiu, TUDO SE TRANSFORMANDO, NADA SE CRIANDO NEM NADA SE PERDENDO PORQUE SIMPLESMENTE NÃO TEM PARA ONDE PERDER-SE NA INFINITUDE DO ESPAÇO?

Aqui está um dos muitos mistérios deste Maravilhoso Universo que a toda-poderosa CIÊNCIA jamais desvendará e ao qual nós tivemos o privilégio de vir conhecer, com a vinda à VIDA.

Pena ou… simplesmente BELEZA?

domingo, 24 de novembro de 2024

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 414/?

 

 À procura da Verdade nas Cartas de Paulo 

 1ª Carta aos TESSALONICENSES – 1/1

 – Volta a repetir-se Paulo: “Deus não nos chamou para a imoralidade mas para a santidade (…) e vós já aprendestes a amar-vos uns aos outros.” (1Ts 4,7-9)

    Depois, repete Jesus Cristo, a propósito do Dia da Vinda do Filho do Homem, e explica: “Nós, que ainda estaremos vivos, por ocasião da vinda do Senhor, não teremos nenhuma vantagem sobre aqueles que já tiverem morrido. De facto, à ordem da voz do Arcanjo e ao som da trombeta divina, o próprio Senhor descerá do Céu. Então, os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, que estivermos ainda na Terra, seremos arrebatados com eles para as nuvens, ao encontro do Senhor nos ares. E então, estaremos para sempre com o Senhor.” (1Ts 4,15-17)

– Quem terá acreditado em Paulo? Com que autoridade afirma tais coisas? Terá ele percebido bem o que Cristo disse?

    É que Cristo falou por metáforas ou símbolos, e Paulo, aqui, interpreta tudo à letra! E, como morreu cedo, não pôde constatar que, afinal, não ouve qualquer ordem de qualquer arcanjo, nem se fez ouvir nenhuma trombeta, nem ninguém foi ter com o Senhor ao meio das nuvens…

    Então, em que ficamos? Merece ou não merece Paulo credibilidade? E se aqui é óbvio que não a pode merecer, porque há-de merecê-la noutras afirmações?

    Mais uma vez, constatamos que Paulo não tem credibilidade para ser doutor da Igreja e ser pedra basilar dos seus fundamentos e ensinamentos. É uma completa paranoia aquilo que ele afirma, sem qualquer assento na realidade quer religiosa quer científica, continuando a acreditar que o Céu é lá em cima – “por cima das nuvens”! – onde habitaria Deus com todo o seu séquito de anjos e santos e o seu filho Jesus Cristo que para lá subira após a ressurreição… Já não falando na “aterradora” confusão de mortos e vivos aquando da suposta vinda iminente de Deus à Terra…

    Aliás, revela uma total ignorância acerca do que naquele tempo já se sabia sobre a Terra e o Universo. De qualquer modo, a Igreja, em tempos modernos em que se sabe que não há lá em cima nenhum, nem nenhum Céu, nem nenhum Inferno lá em baixo, continua, entre outras barbaridades à luz da Ciência, a dizer no Credo que Jesus Cristo, depois de ter nascido de uma Virgem – como os deuses antigos – morreu, ressuscitou, desceu aos Infernos e subiu ao Céu, onde está sentado à direita de Deus-Pai…” Parece-nos inadmissível tal comportamento e que haja tantos “doutores” da Igreja que assinem por baixo ou… se calem!

– Pela simpatia da frase, sem comentários, damos-lhe luz de texto: “Irmãos, já há algum tempo que estamos separados de vós, longe dos olhos mas não do coração.” (1Ts 2,17)

E assim nos despedimos desta carta de um simpático mas ignorante Paulo…

domingo, 17 de novembro de 2024

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 413/?


 À procura da Verdade nas Cartas de Paulo 

Carta aos Colossenses – 1/1

 – “Ouvimos falar da fé que tendes em Jesus Cristo e do vosso amor por todos os cristãos por causa da esperança daquilo que vos está reservado no céu.” (Cl 1,4-5)

– Ora aí está o que Paulo conseguiu com todo o seu empenho em pregar Jesus Cristo: a crença nesse Jesus Cristo e o amor aos cristãos com a promessa de um céu em troca. 

    Realmente, quem, tendo a certeza de que o Céu existe, e que para lá chegar basta crer em Cristo e amar o próximo, não segue tal caminho? Aliás, agimos por estímulos de mais-valias: ganhamos um céu, com isto ou aquilo? – Então, façamos isto ou aquilo! Mas... será esta a Verdade de Jesus Cristo? Será esta a Verdade do… Céu? Quem pudera saber! E todos correríamos a abraçar essa Verdade! E… a morrer mais depressa para tal Céu mais depressa alcançarmos! E a matar este pobre corpo - este admirável corpo pelo qual somos e que possui um cérebro que nos permite pensar tudo isto!… - pois é tropeço, empecilho para que alcancemos a plenitude eterna! Realmente, que interessa o tempo, seja o que for do tempo, face à eternidade em bem-aventurança?… Que interessa???

    Em todas estas cartas, só nos espanta a grande inspiração de Paulo. Totalmente convicto de que tudo estava em Cristo, assim O pregou, O explicou, O apresentou…, falando, argumentando, concluindo, não poucas vezes com alguma incongruência. A mais notória é o apelar para as Escrituras quando lhe parece oportuno, criticá-las e combatê-las quando lhe parece que já foram ultrapassadas, como no cumprimento à letra da Lei ou da circuncisão que tantas dores de cabeça lhe acarretou, no seu confronto com os judeus ortodoxos.

    Mas aí tinha de seu lado o mestre Jesus Cristo que também fez o mesmo, por exemplo, com o sábado…

– “Quando Cristo Se manifestar, Ele que é a nossa vida, então vós também vos manifestareis com Ele na glória.” (Cl 3,4)

– Quantos colossenses terão entendido tais palavras, já não falando de todas as outras? O que é certo é que são palavras bonitas e palavras de esperança numa qualquer glória! Ora, quem não gosta da glória! E… manifestar-se nela com o Filho de Deus?! Haverá “promessa” mais aliciante? Quem não se deixaria seduzir?

    Repete-se, depois, Paulo, falando tanto da fornicação, da impureza, da maledicência… como da bondade, da humildade, da mansidão. Pena é que repita o “Mulheres sede submissas aos vossos maridos, pois assim convém a mulheres cristãs.” (Cl 3,18)… E o “Escravos, obedecei em tudo aos vossos senhores.” (Cl 3,22)

    Paulo seria bem mais revolucionário, se ali tivesse dado a vida pela igualdade entre homens e mulheres, igualdade entre todos os seres humanos, onde não deve nem pode haver senhores e escravos, mas simplesmente… seres humanos!

    Mas é tão difícil ao Homem não ser lobo para o outro homem, o tal “Homo homini lupus” dos latinos!…

 

segunda-feira, 11 de novembro de 2024

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 412/?

 

 À procura da Verdade nas Cartas de Paulo – 412/?

Carta aos Filipenses - 2

 ….Mas Paulo continua:

– “Quero conhecer a Cristo, o poder da sua ressurreição, para me tornar semelhante a Ele na sua morte, a fim de alcançar, se possível, a ressurreição dos mortos. (…) Ele vai transformar o nosso corpo miserável, tornando-o semelhante ao seu corpo glorioso, graças ao poder que Ele possui de submeter a Si todas as coisas. (…) Não vos inquieteis com coisa alguma, pois a vinda do Senhor está próxima.” (Fl 3,10 e 21; 4,5-6)

– Aquele “se possível” revela alguma falta de fé de Paulo na sua própria ressurreição. Humildade ou… incerteza que também nós partilhamos?

    E voltamos ao Dia do Senhor! Crença de que estaria ali para acontecer, talvez levado pela afirmação do próprio Jesus que afirmou: “Não passará esta geração sem que tudo o que vos anuncio tenha acontecido.” (Mt 10,1-8;10,23;16,28)? Mas… afinal… nada veio! Nada a não ser a morte para todos os que nasceram - que a Suprema Lei da Vida a tanto obriga!… De vinda de Cristo… do Dia da Ira… do Julgamento Final… NADA!

    É! Um grandíssimo NADA!…

    Então, que valor dar a tais palavras quer de Paulo quer do próprio Jesus Cristo? E se são simbólicas, são símbolo de quê? Aliás, já todos sabemos – embora os crentes continuem a dizer que acreditam! – que não houve ressurreição nenhuma das narradas na Bíblia – e são uma boa dezena! – nem tão pouco a de Cristo. Tudo invenções cujos fundamentos não são mais que falácias para enganar os incautos, melhor, os que não querem pensar criticamente os textos que tais supostos factos relatam.

    Enfim, e para nos despedirmos desta Carta, perguntemos, repetindo-nos: “Se Paulo pregava a Boa Nova, que Boa Nova é aquela que muito pouca gente queria aceitar, metendo Paulo na cadeia, não uma, por qualquer equívoco, mas muitas vezes? E o açoitaram, flagelaram, perseguiram, maltrataram, também não poucas vezes?”

    É, pelo menos, estranho! É uma espécie de mundo às avessas! O “mundo” de então não recebeu Cristo… não recebeu a sua mensagem… não recebeu os seus enviados, matando-os, torturando-os…, quando a mensagem era de… amor… de paz… de salvação eterna! Quem entenderá tal paradoxo, tal nonsense?

   Haverá uma explicação, talvez óbvia: “O que eles pregavam – a ressurreição dos mortos – era de tal modo absurda e aberrante e contra todas as evidências e leis da Natureza que não era possível admitir tais pregadores numa sociedade já ela cheia de contradições e guerras religiosas.

quinta-feira, 31 de outubro de 2024

A gente vai embora!

 Com muita pena nossa!

 Como alguém já disse, na hora em que estava partindo: “Não tenho medo de morrer, tenho pena de deixar de viver.”

O Outono lembra-nos estas coisas que, triviais embora, por tão normais, nos deixam numa certa tristeza, numa certa melancolia: vêem-se folhas pelo chão estendidas, outras pelo ar balançando ao vento, que, de amarelas – velhas! – foram deitadas fora pela própria árvore.

Assim, nós! Um dia, cedo ou tarde, a VIDA descartar-nos-á, como peças que já não lhe interessam, sendo RAINHA SOBERANA NO ADN QUE DÁ A CADA SER VIVO! Foi o que aconteceu connosco no acto do nascimento, melhor, da concepção no ventre da mãe, em que o ADN nos determinou, à partida, o nosso ciclo vital.

E podemos presumir quando será o fim, mas nunca a data certa! Essa pertence ao mistério ou ao acaso ou… à própria VIDA!

Com o “A gente vai embora”, haverá uma certa vontade de tudo deixar correr, e de vivermos por aí “aos caídos”, que o mesmo é dizer, “vivendo de outros, decidindo não ter onde cair mortos, tais os sem-abrigo na sua filosofia existencial de subsistência no dia-a-dia, até um dia em que o corpo se cansar de viver. Poucos embora!

A maior parte “puxa” pelo lado energizado, com ambições, vontade de fazer coisas, quer pelo prazer de as fazer quer pelo prazer de as ver feitas devido ao nosso espírito de iniciativa e de inovação.

Mas… nesse comportamento espectável da maioria, quantos desmandos, quantos atropelos a nós próprios e aos que nos rodeiam, desde a pequena sociedade que é a família ao grupo de trabalho, ao país, ao mundo! O Homem é tão imperfeito!

De qualquer modo, sejas santo, sejas diabo, vais embora. Não tens escolha! Assim, tens de escolher semeares amor e paz ou ódio e discórdia, unir num abraço e sorriso fraternos ou fazeres a guerra, derramando sangue quase sempre inocente, ceifando vidas e com elas tantos sonhos que ficaram por realizar.

E se vais embora de qualquer jeito, porque tanta competição desenfreada que só te traz preocupação e frustrações, mesmo com a vã glória de teres superado o teu adversário? Porque corres tanto, te afadigas tanto, te matas tanto com trabalho cujos frutos vais deixar para os outros, outros que estão mortinhos para ocupar o teu lugar, caindo no mesmo erro de ignorantes: o dia deles de ir embora chegará sem apelo nem agravo, nem qualquer excepção: a certeza do desaparecimento eterno é a única certeza que temos no nascimento.

Vivessem todos, interiorizando o “A gente vai embora!” e seria a fraternidade Universal e o Paraíso na Terra, o único Paraíso possível, já que o outro pertence ao reino da fantasia!

Ah, como SABER VIVER É UMA ARTE E UM ACTO DE INTELIGÊNCIA!

quinta-feira, 24 de outubro de 2024

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 411/?

 

 À procura da Verdade nas Cartas de Paulo

Carta aos Filipenses - 1

 Carta aos FILIPENSES

 –“Chegareis assim íntegros e inocentes ao Dia de Cristo.” (Fl 1,10)

– Quem teria sido o primeiro a falar no “Dia da Ira”, “Dia do Juízo Final”, “Dia do Filho do Homem”, chamado aqui por Paulo de “Dia de Cristo”? Talvez não interesse pesquisar. Parece que se perde na memória dos tempos bíblicos… Importa é notar que o apelo ao temor de tal dia é propiciador de boas obras e de fuga ao pecado… Quem tiver pecado, naquele dia não se salvará! Jesus há-de empolgar os efeitos catastróficos de tal Dia do Juízo Final. Veja-se, por exemplo, Mt 24,42-45; 25,13.

    O temor!… De Deus ou do Juízo Final ou do Além… Da recompensa eterna ou do castigo eterno: “Vinde benditos de meu Pai…” (Mt 25, 34-40) Não necessita o Homem de um temor de um castigo para não cair no desregramento total? Na total promiscuidade de valores e costumes? Na total avareza, luxúria, inveja, corrupção, só não matando o seu irmão se não puder, explorando-o no corpo e na alma sem se importar que para isso o outro morra, desde que ele viva? Ah, a natureza humana, como parece frágil e facilmente corrompível!

    E foi esse temor, o temor de Javé, utilizado no A.T., nomeadamente por Moisés, para dominar aquele povo a quem o próprio Javé chamava “povo de cabeça dura”.

– “Para mim, o viver é Cristo e o morrer é lucro. (…) O meu desejo é partir desta vida e estar com Cristo, o que é muito melhor.” (Fl 1,21-23)

– Era mesmo apaixonado por Cristo este Paulo… Ah, se ele pudesse cá vir dizer-nos onde está agora! Ah, se ele pudesse falar e expressar toda a sua felicidade de finalmente ter o Cristo que tanto defendeu, pregou, deu a conhecer, com todos os mistérios a Ele inerentes, sem no entanto, nunca de tal nos convencer!… Ah, se ele pudesse! Ah… se Deus “pudesse” deixá-lo vir cá convencer-nos agora sim, totalmente, de que o Céu de Deus Pai existe e é a recompensa eterna para os justos! Ah… se… Mas - ó desespero! ó raiva! ó total frustração! - ficamo-nos sempre pelos Ses… E Paulo ou o próprio Cristo não virão mesmo. Disso temos a total certeza!

    Mas então, que Deus é este que tudo pode mas não pode fazer um pequeno, pequeníssimo milagre de mostrar o Céu à Terra, melhor, mostrar-Se aos Homens? Poderemos continuar a acreditar nele, na sua real existência, no seu total poder?…

….É! É a VERDADE de que continuamos à procura. E nem Jesus Cristo nos consegue, nos conseguiu dar respostas… A pergunta é sempre a mesma: 

“Se não há nada – MESMO NADA! – que prove a existência de um Céu, porque milhões – biliões! – continuam a acreditar nos seus pregadores, pregadores que, obviamente, lucram com tal pregação e vivem dela, como ofício, sendo os primeiros a saber que tal Céu, tal Cristo, tal Deus, são tudo invenções do cérebro de uns quantos humanos?”

sábado, 19 de outubro de 2024

E fui à Missa! Por dever de ofício ou camaradagem...

 Claro, a mesma fé de sempre! Sem sentido...

Somos filhos do Universo, deste Universo, conjunto de matéria/energia, vogando num Espaço que se crê infinito e eterno (simplesmente porque não se pode conceber de outro modo...) organizado em galáxias, cada uma com os seus milhares de milhões de estrelas. E somos constituídos pelos mesmos elementos das estrelas, neste corpo que sustenta o nosso espírito.

A nossa galáxia tem cerca de 500 mil anos-luz de diâmetro, supondo-se que o seu centro seja um gigantesco buraco negro cujo diâmetro será "apenas"  de 1 ano-luz, ou seja, 9 triliões de quilómetros...

E nesta saga da matéria organizada deste Universo - pois no Espaço infinito haverá milhares de milhões de outros! - apareceu um astrozinho chamado Terra, onde desabrochou, há cerca de 3.5 mil milhões de anos a VIDA, vida que, de evolução em evolução, gerou um ser chamado Homem. E aí estamos nós!...

O Homem - que estará em evolução para outras formas, pois no Universo tudo está em evolução, nada estando parado - tem utilizado o seu cérebro para inventar uma imensidade de coisas, quer pela curiosidade e prazer da descoberta que lhe é inata, quer pela necessidade de sobrevivência. E chamou-lhe Ciência.

Simultaneamente, porque o Desconhecido lhe é e sempre será inalcançável, criou, para satisfazer uma parte do seu espírito - aquela que não consegue aceitar esse Desconhecido - criou deuses. Até aí, tudo bem. Problema foi quando começou a adorar e a depender psicologicamente dos deuses que tinha criado. Um contra-senso total e inexplicável aos olhos da Razão. 

Pior: para se justificar, às incongruências das suas crenças chamou-lhes mistérios, apelando para a fé. As religiões têm todas esta matriz. A religião católica, com os seus ritos e cerimónias, é mestra em tais contra-sensos.

A Missa onde, além de leituras de uma Bíblia, dita palavra de Deus, mas que é apenas um conjunto de textos sem qualquer valor hstórico-factual, temos um Credo, onde obrigam os fiéis a declarar acreditar nas coisas mais inacreditáveis, como dizer que Deus teve um filho e que esse filho nasceu de uma virgem por obra e graça de um sósia desse mesmo Deus, chamado Espírito Santo. Uma baralhação total para quem pensa.

E, depois de dizerem que aquele bocado de pão - a hóstia -  e aquele golo de vinho - o cálice - são realmente o corpo e o sangue daquele filho de Deus imolado numa cruz para salvar o Homem e dar-lhe uma inexistente vida eterna num Céu inexistente ou num inferno também inventado..., o sacerdote afirma solenemente: "EIS O MISTÉRIO DA FÉ!

É a prova provada de que eles afirmam algo que não tem qualquer sentido e não tem qualquer credibilidade: é mistério e é de fé. Conclusão: não vale NADA!

Mas continuam a elevar os braços e os olhos para o Céu, como se houvesse alguém lá em cima que lhes desse ouvidos ou crédito.

Com franqueza, racionais como somos e críticos de todas as formas de alienação do espírito, não sabemos o que pensar dos milhares de milhões que se deixam levar por tais pregadores destas irracionalidades. HAJA DEUS!


sábado, 12 de outubro de 2024

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 409/?

 


 À procura da Verdade nas Cartas de Paulo 

Carta aos Efésios - 2

 – Não era Paulo meigo nos conselhos que dava aos seus fiéis!… Escutai: “Fornicação, impureza e avareza não sejam nem assunto de conversa entre vós, pois isso não convém a cristãos. Também não é conveniente que entre vós se digam piadas indecentes, picantes ou maliciosas. Em vez disso, dai graças a Deus. (…) Nenhuma pessoa imoral, impura ou avarenta terá lugar no Reino de Cristo e de Deus.” (Ef 5,3-5)

    Não sabemos o que dizer! Só sabemos que as anedotas picantes são as que mais provocam o riso… apesar de um certo pudor que continua - até quando? - a existir entre os sexos de contarem picantes ou maliciosas em face de uns ou de outros… E rir é terapêutico, é salutar… Quem se poderá rir de alguém que está dando graças a Deus?!…

    Mas os tempos são bem diferentes, muitíssimo diferentes dos tempos de Paulo! Talvez não pedisse este tipo de perfeição aos cristãos de agora…

    Talvez também seja por isso que o Espírito foi inspirar para outras paragens… Com cristãos destes que não têm pejo de se rir de impudicícias ou de amesquinhamentos do sei irmão que não viu um boi à frente do nariz ou confundiu a montanha com o rato…

    Até Cristo amaldiçoou aquele que troçasse do seu irmão… (Mt 5,12)

    Enfim, a perfeição parece não ser fácil! Pena é - e já nos vamos maçadoramente repetindo - pena é não sabermos o que é realmente o Reino de Deus e, sobretudo, como agindo numa Terra, num dado tempo, alcançamos ou perdemos a vida eterna! Mas isso…

– “As mulheres sejam submissas aos seus maridos (...) Maridos, amai as vossas mulheres (…) Cada um de vós ame a sua mulher como a si mesmo e a mulher respeite o seu marido.” (Ef 5,22-32)

    Não conseguiu Paulo libertar-se do machismo do seu tempo e dos milénios que o precederam. Mas aquele “amar a mulher como a si mesmo” é um grande passo para a igualdade dos direitos entre homens e mulheres, mesmo na família…

    Igualdade de direitos que em poucas partes do mundo certamente se concretizará. O homem sempre quererá dominar pela força, qual leão selvagem que não abdica da sua condição de mais forte…

– “Escravos, obedecei aos vossos senhores (…) como a Cristo.” (Ef 6,5)

    Também aqui Paulo não foi capaz de se insurgir contra esta aberração da condição humana em que uns são feitos escravos de outros seus iguais… Pregando a igualdade perante Deus, acaso o matariam mais depressa se defendesse na vida real tal igualdade?

    Certamente! Aliás, na dita civilização cristã, há quanto tempo foi abolida a escravatura? E não continuam hoje outras escravaturas do dinheiro, do sexo, da fraqueza, do trabalho forçado?

    Em outras civilizações ou crenças, nem é bom falar… O escândalo é enorme, descomunal, inacreditável...

sábado, 5 de outubro de 2024

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 408/?

 

 À procura da Verdade nas Cartas de Paulo 

Carta aos Efésios  1 

– Voltemos ao início desta carta, com olhos mais benevolentes:

Começa Paulo, imitando textos do A.T., com um louvor a Deus-Pai e Deus-Filho. E, tal como no A.T., a tendência é de humanizar Deus, cumulando-O de atributos humanos: “… benevolência da sua vontade… seu Filho querido… livre decisão que havia tomado… o seu projecto…” (Ef 1,5-11)

    Ó meu Deus, é tão difícil acreditar num Deus assim humanizado!… Tão difícil!

– “Deus manifestou a sua força poderosa e eficaz em Cristo, quando O ressuscitou dos mortos e O fez sentar-Se à sua direita no Céu, muito acima de qualquer principado, autoridade, poder e soberania. (…) Deus colocou tudo debaixo dos pés de Cristo e colocou-O acima de todas as coisas, como cabeça da Igreja, a qual é o seu corpo.” (Ef 1,20-23)

    A inspiração de Paulo deixa-nos infelizmente com palavras de exaltação de Cristo por Deus sem explicar o que é ser ressuscitado, mas sobretudo, o que é estar sentado à direita no Céu… Também há esquerda e direita no Céu? É mais uma vez linguagem simbólica? Também há acima e abaixo, principados e outros poderes para haver esse acima e abaixo?… A que realidade verdadeira corresponde esta descrição-visão-inspiração de Paulo? A que Céu? A que Deus?

    É! Era isto que queríamos saber! Mas… mais uma vez se goraram as nossas espectativas!…

– “Na pessoa de Jesus Cristo, Deus ressuscitou-nos e fez-nos sentar no Céu.”.(Ef 2,6)

    Mas… como? Que Céu? Só com carradas de Fé é que conseguimos, não diremos entendê-lo mas, pelo menos, aceitá-lo… Ora a fé não nos leva a lado nenhum, a não ser à irracionalidade.

– “Foi por revelação que Deus me fez conhecer o mistério que acabo de expor brevemente.” (Ef 3,3)

    É o mistério de Jesus Cristo. Que tipo de revelação? Uma visão? Um sonho? Como actuava realmente o Espírito naqueles Apóstolos, naquele Paulo? Sobretudo, porque é que o Espírito não Se nos revela hoje de modo a também nós podermos compreender o mistério de Jesus Cristo? Aliás, os que tal carta de Paulo leram teriam compreendido o quê?

    Mais contundente: “Teriam atingido o paraíso? Já chegou para eles o juízo final? Onde os poderemos encontrar neste momento do tempo que para eles já é eternidade, portanto sem referentes de um antes e um depois, porque para eles tudo é apenas… depois?”

    É! Iniciaram no tempo a tal semirecta que se continuou pela eternidade sem se ver dela o fim… Tal como todo o ser vivente… Tal como nós que tal conseguimos pensar… E, se outra realidade não houver, esta de podermos pensar tudo isto já é uma excelente realidade!…

    Nem sequer nos lamentaremos com Paulo dizendo que se Cristo não ressuscitou, nós somos os mais infelizes dos Homens… (1Cor 15,13-53) Não! Somos felizes por podermos pensar que poderemos ser… “semirectas”, de preferência num Céu! Se o formos… que bom! Se tudo se acabar ali num fim anunciado para todos os seres que têm o privilégio de ter vindo à vida, fica-nos o gostinho de poder ter tido sonhos de eternidade…

terça-feira, 24 de setembro de 2024

E o Eu cósmico?

 

Personagem que deu título a um livro por nós publicado na Europa-América, há uns anos

    O Eu Cósmico é essa nossa consciência indefinida mas essencial, que por aqui vai dialogando connosco… Personagem de fronteira, interroga-se incessantemente: “Afinal, o que faço eu aqui? Donde venho e para onde vou? Acaba-se esta vida ali com a morte ou prolonga-se pela eternidade? Vimos de Deus e vamos para Deus ou somos fruto da Acaso, do Destino, da Natureza e caminhamos para o… NADA, como qualquer ser vivo que, logo que nasce, tem como única certeza absoluta que um dia morrerá?”

    E como é persistente e não desiste facilmente, anda à procura da Verdade, por todo o lado onde a possa encontrar ou onde lhe disseram que a encontraria: na Ciência, na Religião, no próprio Homem, na Natureza, no Tempo, no Espaço, na Eternidade, no Universo que certamente será único num Espaço que tudo leva a crer que seja infinito…

    E é “cósmico” porque tenta projectar-se no Cosmos, sair desta minúscula-pequena Terra onde nos encontramos, ir até além das estrelas e olhar de lá para cá… Assim, a visão da vida, das gentes, das sociedades, da Terra, toma a sua real dimensão – totalmente insignificante! – que, real embora, não deixa de ser afectada por uma realidade muito mais alargada, porque ao nível das grandes distâncias, dos grandes astros, dos inúmeros mundos desconhecidos… mundos que, embora desconhecidos, temos quase a certeza de que povoam o imenso, o imensíssimo Universo…

    Assim, com que dimensão nova sentimos a nossa querida vida! Os nossos “queridos” e “importantíssimos” problemas do dia-a-dia! As nossas “magnas” preocupações! As nossas zangas e o nosso desperdício de minutos, horas, dias que estamos zangados connosco e com os outros, perdendo assim VIDA que nunca mais será possível recuperar, simplesmente porque nada é repetível mas tudo fluindo na inexorável voragem do tempo que não pára, tudo a cada momento se recriando!...

    Aliás, parar seria morrer, como toda a gente diz, mas poucos se darão conta do fundo de tal Verdade. Imaginemos que o Sol parava, a Terra parava, O Universo parava… Quem daria o arranque para novo movimento?

    E seria sempre noite onde fosse noite naquele momento e sempre Sol de rachar onde então o Sol brilhasse…

    Afinal, nada pára porque nada pode parar! Nem tu, nem eu, nem… o Universo…

    E surge a perguntas das perguntas: “Quem é que pôs tudo isto em movimento?” Só esse Alguém poderá decidir se o pode parar de novo! Só Ele terá o poder de, parado, o voltar a animar… E… chegamos a… Deus!

    Alguém quererá argumentar e provar facilmente que este DEUS não é, não pode ser o das religiões que fizeram de Deus nada mais nada menos que um humanoide superior que cria, comanda, protege, amaldiçoa e ama esse ser vivo que dá pelo nome de Homem?

sexta-feira, 9 de agosto de 2024

Embora em férias, o nosso espírito não descansa!

 À procura da VERDADE sobre a eternidade

 Ao longo dos tempos, filosofias, teologias, exegéticas, hermenêuticas… todas nos andaram “enganando”, dizendo possuir a VERDADE. Uns a VERDADE da Bíblia, outros a VERDADE de Jesus Cristo, outros a VERDADE de Alá, outros, a VERDADE de um Buda, outros ainda, a da trindade Brama, Visnhu e Shiva. E comprometeram o seu Deus com o Tempo que assiste à Terra e ao Universo, quando Deus tem forçosamente de estar fora dele, senão nega-se a Si Mesmo.

É que temos de definir Deus como Ser Omnipotente e Omnisciente - pode e sabe tudo - Omnipresente - está em toda a parte, Terra e Universo - Eterno - nunca teve começo nem terá fim e Infinito – contém tudo o existente no Espaço e no Tempo. O Homem, defini-lo-emos como ser que aparece e desaparece no tempo, numa relação incontornável de um antes e um depois, desaparecendo com a frustração pensada - porque ser racional - e sentida - ai as emoções! - de se prolongar na eternidade sem saber se realmente se prolonga…

Então, onde está a VERDADE da vida eterna, eternidade que, consciente ou inconscientemente ambicionamos? Diríamos que “Se Deus existe realmente, não poderia ter-nos dado um desejo sem que ele pudesse de algum modo ou de alguma forma realizar-se.” Ou será que apenas nos podemos perpetuar nos filhos que na Terra deixamos, Terra que está condenada a desaparecer no turbilhão do desaparecimento do Sol, daqui a uns cinco mil milhões de anos? Não nos impedem as distâncias de nos prolongarmos noutros sistemas solares? Não ficariam mesmo assim - prologando-nos nos nossos filhos, sejam eles da carne ou do espírito - os nossos desejos novamente frustrados? Que pensarão, sentirão os nossos vindouros que assistirem à agonia da Terra que acompanhará inexoravelmente a agonia do Sol?

Depois, há os que não deixam nada de seu - inúmeros! quase todos! - nesta sua efémera passagem pela Terra. Que identidade deles permanecerá? Apenas pó? Que será feito daquela pequena ou grande capacidade de pensar, de se emocionar perante o Belo, o Firmamento, o Mistério, DEUS?!

É! Precisamos mesmo que Deus realmente exista para nos dar certezas! E - repetindo-nos! - se precisamos realmente que Ele exista, não existirá mesmo? Haverá melhor argumento do que este? Não ultrapassará os de S. Tomás de Aquino, do Ser Perfeito e Necessário, do Motor primeiro, da Causa primeira?

A Bíblia!… Que grande efabulação se fez a partir da Bíblia! Que Jesus Cristo se apresentou aos Homens como Messias, o Filho do Homem, o Filho de Deus!… Que Igreja, que santos, que mártires, que civilização - a ocidental judaico-cristã!… Que humanismo mas também que despotismo imperaram baseados em tais credos!…

Depois, teólogos e exegetas quiseram convencer-nos de mudanças no pensamento de DEUS!… Como se Deus fosse mutável com o Tempo e o pensamento dos Homens e que agora fosse um Deus-X para os Homens que ainda pensam que o Sol anda à volta da Terra e que o Céu é lá em cima… e, depois, um Deus-Y para os outros que vão evoluindo conforme as descobertas da Ciência!… Como tal Deus – sem dúvida, o Deus da Bíblia – se descredibiliza! Como nos parece muito mais aceitável e credível o Deus de Santo Agostinho nas Confissões quando ele ainda se questionava e questionava a Fé nas Escrituras! (Confissões, Liv.VI) ou, então, o Deus “proposto” pela Ciência: O TODO ONDE TUDO SE INTEGRA, ESPAÇO E TEMPO, tudo sendo partículas d’Ele, estando aí a nossa possível eternidade: centelha de vida que apareceu e desapareceu como individualidade, mas que permanece para sempre nessa partícula de Deus que um dia foi… 

Bonito, não é?!

 

quarta-feira, 10 de julho de 2024

Confessamos a Deus todo-poderoso e ao mundo...

 Estamos cansados de lutar! Vamos de férias!

 Mas a luta pela VERDADE continua. A Verdade da Vida, a verdade do Universo, a Verdade de Deus e a Verdade do Homem em toda esta maravilhosa e misteriosa saga!

Vimos falando de Paulo que pregava a vida eterna, a ressurreição dos mortos, o Céu, Deus sentado no seu trono, com Cristo à sua direita, etc., etc.

Comparamo-lo com alguém que dissesse que a Terra era quadrada. É que não é pelo facto de Paulo pregar a vida eterna no Céu ou por esse alguém dizer que a Terra é quadrada que isso seja verdade. As provas possíveis dizem o contrário. A Terra é fácil de constatar que é redonda; a vida eterna – frustração das frustrações! – nada mas mesmo nada leva a crer que exista. Os mortos vão-se e nunca mais voltam testemunhar seja o que for. Portanto, bem podem os gurus das religiões afirmar a sua existência que nunca passarão de sinos que soam e se perdem no vento…

Mas… as férias! E cada um tem e goza as suas de acordo com tantos e tantos, os mais diversos factores que as determinam ou condicionam.

Nós já vamos nas quatro décadas de vida. Por isso, serão bem mais pacatas do que há vinte ou quarenta anos!

Mas, em qualquer idade, fazem bem! Ao corpo e à alma. É, para todos, a mudança de uma rotina que se instala e fastidia.

Só resta sermos capazes de tirar o melhor partido delas e termos energias psico-físicas para atirarmos para trás das costas tantas coisas que, mesmo nas férias, querem ensombrar-nos a alegria e o sorriso de viver!

Ah! Temos que ter forças para mandarmos para o raio que o parta o diabo que, a cada passo se intromete nos nossos neurónios com chatas mesquinhices, ocupando-os com um simples mas potente pensamento:

«Somos ainda vida! E não por muito mais tempo, seja qual for a idade, que a vida é sempre curta, mesmo que vá para além de uns aparentemente longos 100 anos! E – mais contundente e arrasador de qualquer ideia de pessimismo, ou frustração – não teremos outra oportunidade. Foi só esta! É só esta! Uma vez perdida, perdêmo-la para sempre! E é uma pena, caramba!...»

segunda-feira, 1 de julho de 2024

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 407/?

 À procura da Verdade nas Cartas de Paulo 

Carta aos Efésios 1 - 2

 Pedimos desculpa aos cristãos por sermos tão críticos e demolidores do Cristianismo. Mas não temos alternativa perante a VERDADE dos factos. A consolação é que todas as outras religiões foram também inventadas por homens, mais ou menos sábios, mais ou menos espertos ou ambiciosos, qual Maomé que fundou o maometismo com fins políticos e de enriquecimento e que, agora, devido às suas leis rígidas passadas de pais para filhos, subjuga cerca de 2 biliões de seres humanos.

Posto isto, vamos a Paulo!

– “Fornicação, impureza e avareza não sejam nem assunto de conversa entre vós… O mesmo se diga de piadas indecentes, picantes ou maliciosas… Nenhuma pessoa imoral, impura ou avarenta terá herança no Reino de Cristo ou de Deus.” (5,3-6)

– Até se louva a elevada bitola do comportamento humano proposta por Paulo. Agora, excluir do Céu os que dizem piadas picantes, é que parece exagerado. (Embora o Céu não exista…)

– “As mulheres sejam submissas aos seus maridos. O marido é a cabeça da mulher como Cristo é a cabeça da Igreja. E assim como a Igreja está submissa a Cristo, assim as mulheres sejam submissas em tudo aos seus maridos.” (5, 22-24)

– E viva o machismo! Mas Paulo parece arrepender-se a seguir, em frases como:

– “Os maridos devem amar as suas mulheres como aos seus próprios corpos.” “Cada um de vós ame a sua mulher como a si mesmo.”(5,25-33)

– “Rezai incessantemente no Espírito com toda a espécie de orações e súplicas, vigílias, intercedendo por todos os cristãos. Rezai também por mim…”(6, 18)

– Nos muitos anos que nos dedicamos ao estudo das religiões, nunca percebemos o apelo incessante dos seus gurus à oração. É para pedir o auxílio de Deus para a vida do dia-a-dia (5 vezes ao dia rezam os muçulmanos)? É para louvar a Deus? E os católicos que, além de Deus e da Virgem, têm tantos santinhos e anjinhos a quem rezar?

Já aqui defendemos que o rezar dá conforto à alma do orante e paz e reconciliação consigo mesmo, pensando que está a reconciliar-se com Deus ou os santos. E isso é muito bom! Na verdade, Deus não atende nem súplicas nem orações, por muitas que sejam, simplesmente porque Ele não é o BOM HUMANO SUPERIOR que orienta lá do Céu (inexistente) a humanidade cá em baixo. E quem reza, salva-se, quem não reza condena-se ou fica sem sorte. Não! Já o dissemos: o Homem é um pequeno ser insignificante na saga universal, sem qualquer importância a que o Deus realmente verdadeiro não pode estar especialmente ligado. 

Mais interessante ainda: sendo Deus o TUDO onde TUDO se insere, o Homem é uma pequena partícula de Deus, partícula que apenas evolui e se transforma de acordo com as leis da vida onde apareceu, neste tremendamente imenso Universo, perdido algures, no Espaço Infinito que se confunde com o mesmo Deus!

Mas também nos questionamos: porque não permanecer vivos, depois da morte, numa qualquer forma de vida consciente, mas sem matéria - essa já se fora!... - portanto, em espírito?

Ah, que pena que a falta de informação por parte desses supostos espíritos nos deixe nesta eterna e frustrante incerteza!...

domingo, 23 de junho de 2024

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 406/?

 À procura da Verdade nas Cartas de Paulo 

Carta aos Efésios 1 - 1

Citemos algumas “tiradas” significativas desta carta:

– “Deus nos predestinou para sermos seus filhos adoptivos por meio de Jesus Cristo, conforme a benevolência da sua vontade.”

 “Por meio do sangue de Cristo é que fomos libertos e nele as nossas faltas foram perdoadas.”

 “Deus fez-nos conhecer o mistério da sua vontade, a livre decisão que havia tomado outrora.”

 “Em Cristo, recebemos a nossa parte na herança conforme o projecto daquele que tudo conduz, segundo a sua vontade (Deus).”

 “A sua força poderosa, Ele manifestou-a em Cristo quando o ressuscitou dos mortos e o fez sentar-se à sua direita no Céu. (1, 1-20)

– Basta! As afirmações de Paulo, além de serem absolutamente pessoais e sem qualquer suporte de Verdade, revelam a concepção que ele tinha de Deus: um humanoide superior, benevolente ou não, com vontade disto e mais aquilo, um Deus que, obviamente, não é Deus, Ser infinito e eterno, o Tudo onde Tudo se integra.

Convencido como está de que Jesus é realmente filho desse Deus (humanoide!), vai arquitectar toda a sua argumentação, nesta carta e nas seguintes, em torno desse facto, misturando o humano e o divino sem qualquer lógica.

Enfim, pressupõe como verdade a ressurreição e a existência do Céu como lugar onde há um trono de Deus com direita e esquerda. Aliás, faltou-lhe alguém para sentar à esquerda de Deus… E, como sabemos, tudo isso é FALSO!

– “Foi por revelação que Deus me fez conhecer o mistério que acabo de expor.” (1,3)

– Ora aqui está mais uma razão para não acreditar em Paulo: é que não há revelações de Deus a nenhum humano. Só os paranóicos têm – melhor, pensam ter – tais revelações!

O caricato disto é que nos estamos ocupando de um paranóico, simplesmente porque é um dos doutores da Igreja e dos cristãos…

Mais caricato ainda é que todo o Cristianismo está construído sobre uma enorme FLASIDADE. Vejamos:

1 – Jesus foi simplesmente um judeu sábio do seu tempo que, a dado momento, começou a pregar as suas teorias de fraternidade universal, porque todos filhos do mesmo Deus-Pai (ideia de Deus também de um humanoide superior).

2 – Meia dúzia de outros judeus ouviram-no e seguiram-no e começaram a dizer que ele era o Cristo anunciado pela Bíblia (AT).

3 – As ideias eram simpáticas e, por isso, bem acatadas pelo povo.

4 – Os seus seguidores começaram mesmo a dizer que ele era o Filho de Deus.

5 – Jesus, embora não acreditando – ele nunca disse que o era! – foi-se convencendo dessa realidade, até porque tinha dons especiais de curar doentes.

6 – PRONTO: estava lançado o CRISTIANISMO que seria promulgado, primeiro por Paulo, depois pelos evangelistas, evangelistas que inventaram toda a espécie de histórias, nomeadamente milagres, para darem credibilidade aos supostos factos: JESUS CRISTO, FILHO DE DEUS, MORTO NUMA CRUZ, PELA REMISSÃO DOS PECADOS DOS HOMENS E RESSUSCITADO AO 3º DIA PELO MESMO DEUS-PAI QUE O CONDENARA ÀQUELE SOFRIMENTO ATROZ!

Pergunto: COMO É POSSÍVEL? COMO É POSSÍVEL QUE TÃO TREMENDA FALSIDADE se impusesse e tenha agora, 2.100 anos depois, mais de 2 biliões de seguidores?

É caso para dizer:

AQUELES JUDEUS SÃO MESMO UM POVO-CHAVE NA CONDUÇÃO DA HUMANIDADE!

sexta-feira, 7 de junho de 2024

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 405/?

 

À procura da Verdade nas Cartas de Paulo 

Carta aos Gálatas – 2

–“Quando, porém, chegou a plenitude dos Tempos, Deus enviou o seu Filho. Ele nasceu de uma mulher, submetido à Lei para resgatar aqueles que estavam submetidos à Lei, a fim de que fôssemos adoptados como filhos. A prova de que sois filhos é que Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho que chama: «Abba, Pai»! Portanto, já não és escravo mas filho; e se és filho, és também herdeiro por vontade de Deus.” (4, 4-8)

– Ah, Paulo, como dizes coisas sem qualquer nexo, embora pareça que tal exista ao concluíres que já não somos escravos mas filhos, logo herdeiros, logo por vontade de Deus!

E o que é essa plenitude dos Tempos? – Obviamente, no teu tempo, pensava-se que o mundo iria, em breve, acabar. O próprio Jesus disso estava convencido, ao afirmar “Não passará esta geração sem que tudo isto aconteça…” Aliás, este medo do mundo acabar foi sendo lembrado ao longo dos tempos. Pelo ano mil, dizia-se: “Aos mil chegarás mas dos mil não passarás!”

Agora, diz-me honestamente: que provas tens tu de que Deus enviou o seu Filho? Aliás, sabes quem é Deus? E não sabes que, ontologicamente, Deus, por ser Infinito e Eterno, não pode ter filhos?

E, por ser Infinito e Eterno, só pode ser O TODO ONDE TUDO SE INTEGRA, ESPAÇO (também infinito e eterno) E TEMPO, MATÉRIA E ENERGIA (estes eternos, porque sempre existiram e existirão para sempre, mas finitos porque mensuráveis)?.

Tu, Paulo, fizeste d’Ele um humanoide superior, i. é., inventaste um Deus-Pai à imagem e semelhança do Homem e, tal como o Homem, pensa, emociona-se, irrita-se, ama…

Mais: ao dizeres que ele nasceu de uma mulher, é seres completamente igual aos pagãos que acreditavam que os seus deuses eram fruto de casamentos entre deuses e humanas!

E como é que Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho se o seu filho não existe porque não pode ontologicamente existir?

E ainda: como sabes que o Espírito do Filho chama Pai a Deus? Como?

Conclusão: escreves bem, Paulo! Mas tudo o que dizes são falácias, tentando tu apresentá-las como verdades. Desculpa, mas não conseguimos dizer outra coisa por, esta sim, ser a VERDADE!

Enfim, dizer que somos herdeiros – deves querer dizer herdeiros do Céu junto do Pai – é outra afirmação totalmente gratuita, pois não tens qualquer lógica na tua argumentação, aliás falaciosa como vimos.

– “As obras dos instintos egoístas são: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, feitiçaria, ódio, discórdia, ciúme, ira, rivalidade, divisão, sectarismo, inveja, bebedeira, orgias e outras coisas semelhantes. Os que as praticam não herdarão o Reino de Deus.

O fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, bondade, benevolência, fé, mansidão e domínio de si…

Com Deus não se brinca: cada um colherá aquilo que tiver semeado… Quem semeia do Espírito, do Espírito colherá a vida eterna.” (5, 19-23 e 6, 7-8)

– Tudo certo quanto aos instintos egoístas. Frutos de um Espírito malévolo. Os outros serão fruto de um Espírito bom.

Ao dizeres que “com Deus não se brinca”, insinuas que Deus é juiz e que, no fim dos tempos – fim do tempo é-o para cada um que morre – dará o castigo – Inferno – ou o prémio – A vida eterna no Céu – conforme actuaram pelos instintos ou pelo Espírito. Até seria justo se tal fosse verdade. Mas, infelizmente, nada nos leva a ter essa percepção de justiça. A pessoa morre e desaparece para sempre. Seja boa, seja má. Tenha praticado os maiores crimes ou os maiores actos de amor! Aliás, aparece e desaparece como se a sua presença na Terra não fosse necessária para nada. E é um facto: tirando alguns que por obras valorosas umas, outras horripilantes, ficam na História, todos os outros – quase todos! – são esquecidos, horas ou dias depois de se terem ido.

ESTA A VERDADE, O RESTO É PURA FANTASIA!

sexta-feira, 31 de maio de 2024

E foi a festa do Corpo de Deus

 Meu Deus, o que Vos fizeram!

Há vários anos que, por esta data, vimos referindo a incongruência desta festa religiosa do Cristianismo.

Não me querendo repetir (Confiram-se textos aqui escritos, em anos anteriores), diria apenas que a invenção de que Deus veio à Terra, incarnando num ser humano, na forma de um Filho, o tal Cristo, sendo o homem um judeu de nome Jesus, nascido de uma virgem por obra e graça do Divino Espírito Santo - outra pessoa inventada para o mesmo Deus - é, no mínimo, mirabolante.

Primeiro, significa que não se sabe definir Deus. Melhor: dizem ser um SER INFINITO e ETERNO e depois limitam-no a um humano, ignorando que o humano é um ser transitório na saga universal, pois apareceu no ciclo da VIDA, ciclo desencadeado no Planeta Terra, Planeta que depende totalmente da sua estrela, o SOL, e que irá desaparecer quando o Sol impreterivelmente morrer, daqui a cerca de 4.5 mil milhões de anos, dada a quantidade de combustível que ainda possui na sua enorme massa de hidrogénio e outros gases.

ISTO É CIÊNCIA! O RESTO É CRENÇA!

E crença sem qualquer possibilidade de prova ou de credibilidade. Aliás, todo o Credo cristão é um conjunto de crenças inacreditáveis por não poderem ser minimamente comprovadas.

Mas repetem os padres, nas missas, em momentos de comunhão, dando a hóstia aos fiéis, dizendo: "Corpus Christi", tendo previamente feito os fiéis acreditar que, no acto da consagração, aquele pedaço de pão ázimo, o pão se transformou na carne e o vinho se transformou no sangue do suposto Filho de Deus, o Cristo.

Obviamente, o facto de o padre ter sido ordenado sacerdote por outro, seja bispo ou papa, também eles ordenados por outros, não lhe dá qualquer poder de transformar o pão em carne e o vinho em sangue seja de quem for. Uma - desculpem-me, ó crentes! - burla inqualificável.

Mas é nesta burla que se baseia a festa do Corpo de Deus. Aliás, seria mais correcto dizer Corpo do Filho de Deus, o tal "Corpus Christi", embora para o caso seja absolutamente indiferente.

Mais: reduzir Deus - SER ETERNO E INIFNITO, O TODO ONDE TUDO SE INTEGRA: ESPAÇO (também ele eterno e infinito) E TEMPO, MATÉRIA E ENERGIA - a um humanóide, preocupado com sua excelência o Homem, Homem condenado ao desaparecimento inexorável, tendo aparecido, no Tempo, por evolução das espécies, num pequeno astro, é coisa que só cabe na cabeça de um paranóico.

O que é certo é que aí temos a crença, crença partilhada por milhões e que a milhões dá alento para suportar crises existenciais. E ISSO É MUITO BOM! E há festa! E há feriado!

Então, VIVA O CORPO DE DEUS!


sexta-feira, 17 de maio de 2024

O vazio que deixaremos quando nos formos

Relevante ou irrelevante?

 Que vamos partir quando chegar a nossa hora, não há qualquer dúvida. Inexoravelmente, também ninguém duvida.

E para sempre? – Aqui, intrometem-se as religiões e os seus apaniguados, afirmando crenças que, por demasiado apelativas que sejam, não passam de fantasias e ingénuas invenções de Céus lindos, infernos monstruosos, numa eternidade pelo Homem inexplicavelmente sempre desejada, após a inexorável partida, mas nunca provada como existente ou possível. Os humanos racionais só acreditarão que a eternidade com Céus e Infernos existe quando pelo menos um que morrer venha cá dizer ao mundo que ele está vivo. Mas não a um par de amigos, como dizem que fez Jesus a quem chamaram de Cristo. Sim, nas televisões de todo o mundo ou nas redes sociais de todo o mundo. Aliás, esse foi o grande erro de Jesus: não se apresentar ao mundo de então como ressuscitado. É que não foi erro. A VERDADE é que ele não poderia fazer tal manifesto simplesmente porque não (NÃO!) ressuscitou!!!

Ora, olhando o que se passa com próximos que desaparecem ou com os nossos familiares se já partiram, pais ou avós, constata-se o mesmo: a tendência, por muito dolorosa que seja a dor da partida, é a mesma: o Tempo tudo apaga, tudo faz esquecer, pois a Vida continua para os que cá ficam e as lágrimas não podem ser o que reste dessa vida.

Portanto, o vazio por nós deixado rapidamente será colmatado, se não física pelo menos psicologicamente. Irrelevante, pois!

E, na hora da partida (para não empregar a palavra-tabu “morte”), estaremos completamente sós face ao nosso fim e ao nosso dizer adeus à vida. Aliás, nesse momento final, só nos resta deixar-nos levar, oxalá sem dor, pois nada adianta nem ao Céu – que não existe – nem à Terra que já nos alimentou durante toda a vida, qualquer sofrimento, caso ainda tenhamos cérebro para o vivenciar, activo que esteja o sistema nervoso central.

Então, voltamos à pergunta que, desde o início da nossa existência consciente nunca nos deixou de azucrinar os neurónios: “Afinal, para quê existimos?”

– Já demos várias vezes resposta a tão tremenda pergunta. Contudo, não sabemos porque é que a resposta, por muito elucidativa que seja, não nos satisfaz.

É que os humanos são mesmo um caso à parte, no reino animal: têm consciência de que nascem, crescem, vivem e morrem…, coisa que muito tenuamente acontecerá com os outros animais onde prevalece o instinto vital e de sobrevivência a qualquer custo. Então, porque sermos tratados Pelo Criador de igual modo?

Mas… não! Não podemos ter ilusões! A verdade, por muito que nos desiluda o Criador que nos deu consciência disto tudo, é que Ele não nos deu aquilo que ambicionamos: a eternidade sob uma qualquer forma, sem perder a nossa identidade, o nosso Self, como diríamos à inglesa.

E concluímos como temos feito em outras abordagens de cariz existencial: Divertamo-nos e sejamos elemento de diversão para o mundo que nos rodeia! Vivamos cada dia como se fosse o último, sendo realmente cada dia o primeiro do resto da nossa vida! Demos valor ao BOM e ao BELO que há nas pessoas e nas coisas e desprezemos com um grande SORRISO o que de mal ou mau nos acontece, mesmo que seja por nossa culpa! (Olha, não conseguimos fazer melhor? – Paciência!)

Só assim, poderemos dizer de plena consciência quando nos formos: VALEU A PENA TERMOS VINDO À VIDA! Melhor ainda: EU VALI A PENA!!! 

quinta-feira, 9 de maio de 2024

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 403/?

 À procura da Verdade nas Cartas de Paulo – 403/?

Segunda Carta aos Coríntios – 1/1

 Esta segunda carta aos Coríntios, exarada como tal no NT, parece ser a aglutinação de mais umas duas ou três. Mas isso é facto pouco relevante. O que importam são as ideias. Ora Paulo continua com afirmações que não prova:

– “Sabemos que Aquele que ressuscitou o Senhor Jesus também nos ressuscitará com Jesus e nos colocará ao lado d’Ele.”, “Não procuramos as coisas visíveis mas as invisíveis, porque as visíveis duram apenas um momento e as invisíveis duram para sempre.”, “Nós sabemos que quando a nossa morada terrestre for desfeita, receberemos de Deus uma habitação no Céu, uma casa eterna…” (4, 14 e 18, /5, 1)

– De seguida, depois do delírio que foi o seu suposto encontro na estrada para Damasco com o Jesus ressuscitado (“Salo, Salo, porque me persegues?”), descreve Paulo mais uma visão da Transcendência:

– “Embora não convenha, vou mencionar as visões e revelações do Senhor. Conheço um homem (ele) que foi arrebatado ao terceiro céu. Se estava no seu corpo ou não, não sei… Sei que foi arrebatado até ao paraíso e ouviu palavras inefáveis que não são permitidas ao homem repetir.” (12, 2-4)

– Tais visões – visões que de qualquer modo mudaram a sua vida – terão sido fruto da sua propensão para ataques de epilepsia, doença de que, ao que se diz, sofria.

A ideia da vida eterna e da ressurreição veio dar ao Humano uma visão completamente diferente da anterior hedonista/materialista: nascer, viver o melhor possível e morrer, desaparecendo para sempre – tal era o que se constatava no dia-a-dia da cidade e da família.

E se trouxe imensos benefícios, levando as pessoas a cometer menos crimes e menos “pecados” para não irem eternamente para o inferno, não evitou tremendas atrocidades de uns contra os outros, egoísmos e sadismos sobrepondo-se ao amor, à misericórdia, à solidariedade/caridade. 

E foi a separação do papado dos ortodoxos, e foram as cruzadas contra os muçulmanos, e foi o cisma com papas em Roma e Avignon, e foram os escândalos quer com a venda das indulgências – o que levou Lutero a criar o protestantismo – quer com os desmandos na Cúria com papas devassos e eleitos por compadrio, e foi a guerra dos cem anos, e foi a “santa” Inquisição, com invenção de torturas que só um cérebro extraordinariamente perverso consegue criar e, pior, pôr em prática, e foi o não acabar com a escravatura que vinha dos séculos passados, e foi a ida forçada para os conventos de homens mas sobretudo mulheres, etc. etc. etc. Neste contexto, há que louvar o judeu Jesus, a quem chamaram de Cristo, por ter tido a coragem de dizer que todos os homens eram iguais porque todos filhos do mesmo Pai que está nos Céus. E, se por um lado, isto contribuiu para a sua morte, por outro, levou à aceitação por muitos populares da nova religião nascente, apontando para um Céu idílico, por toda a eternidade, a quem acreditasse na sua mensagem…

Ora, sabemos que não há vida eterna nenhuma; sabemos que a ressurreição não é possível a qualquer ser vivo que tenha completado o seu ciclo. Então, porque continuam as igrejas a apregoar todas estas falsidades? – A resposta nem é difícil; “No dia em que deixarem de o pregar, acabam!” Mais: e a pregar aquilo – porque os consideramos inteligentes e com capacidade crítica/analítica – de que não estarão convencidos… Incapacidade ou hipocrisia?!

Mas, claro, não nos podemos esquecer das obras sociais das Igrejas, a elas devendo muitas pessoas a sobrevivência em tempos de crise, de fome e de falta de conforto no corpo e na alma. E, aqui, infelizmente, também temos de lembrar os abusos cometidos por responsáveis dessas obras sobre os seus beneficiários, sendo escandalosos os abusos sexuais sobre crianças indefesas física e psicologicamente.

 

sábado, 4 de maio de 2024

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 402/?

 À procura da Verdade nas Cartas de Paulo 

Primeira Carta aos Coríntios - 10/10

 – “Nem todos morremos, mas todos seremos transformados, num instante, ao som da trombeta final. A trombeta tocará e os mortos ressuscitarão incorruptíveis. De facto é necessário que este ser corruptível seja revestido de incorruptibilidade e que este corpo mortal seja revestido de imortalidade…” (15,51-53)

– Paulo acerta ao dizer que seremos transformados, pois os átomos e moléculas que nos compõem irão integrar-se na Natureza, donde afinal vieram, para integrar novos seres, sejam animados sejam inanimados. A trombeta, com franqueza, não é precisa aqui para nada…

Depois, perde toda a razão ao afirmar coisas que não têm qualquer suporte na realidade, nem gozam de qualquer veracidade. Por isso, nada valem. Afirmações sem provas não passam de palavras lançadas ao vento e acredita nelas quem quiser. Nós, de certeza, que não! Aliás, onde sustenta que nos são necessárias a incorruptibilidade e a imortalidade? Só no seu pensamento delirante…

Não esqueçamos que Paulo, como cidadão romano, teria certamente cultura helénica onde se aprendia a dicotomia do ser humano: corpo (corruptível porque matéria) e alma (incorruptível porque espiritual). Esta dicotomia foi assimilada pelo Cristianismo, levando a frases de santos como a de S. Francisco Xavier: “Que importa ao Homem ganhar o mundo inteiro se vier a perder a sua alma?” E continua a ser ensinada nas Igrejas e pelas religiões.

Ora, a Ciência já desmentiu tal asserção e conceito. A alma do humano – como a de qualquer ser vivo, com sistema nervoso central – não é mais que o cérebro, cérebro que, com os seus milhares de milhões de neurónios e sinapses, é a sede de todos os atributos que os helénicos colocavam na alma ou espírito: emoções e sentimentos, inteligência e aptidões, vontades e desejos, amor e ódio, bondade e perversidade, as IDEIAS, os CONCEITOS, os RACIOCÍNIOS. E – drama dos dramas para as religiões que apregoam uma eternidade para o ser humano-alma após a morte – o cérebro (alma) nasce com o corpo que o vai sustentar e alimentar durante a vida, num viver totalmente interdependente, e morre no mesmo instante em que aquele, já “cansado” de viver, “decide” acabar com a vida. (E foi uma forma suave de dizer “morrer”!) Melhor: o cérebro vai-se desenvolvendo e formando ou formatando conforme o desenvolvimento do corpo no ventre da mãe. Isto, embora já contenha em si toda a carga do ADN dos seus progenitores, passada no momento da concepção.

Conclusão: as teorias de Paulo tal como as do ensino de todas as igrejas que apregoam a vida eterna depois da morte estão erradas porque partem de princípios errados. Tão simples quanto isso!

E mais uma vez Paulo tenta sustentar as suas afirmações nas Escrituras. No caso, umas tiradas completamente delirantes de algum sacerdote com veia oratória, da época de 600 A.C., época da sua redacção, aquando no cativeiro de Babilónia que se prolongou por 80 anos: “A morte foi engolida pela vitória! Onde está a tua vitória, ó morte?”, concluindo: “Graças sejam dadas a Deus que nos deu a vitória por meio de Nosso Senhor Jesus Cristo.” (15,55-57)

Ora já sabemos que as Escrituras não têm qualquer valor, poder ou saber para que com elas se possa provar/sustentar seja o que for.

Neste sentido, cremos que serão de repudiar esses pregadores (voluntários) da divindade da Bíblia. Mas cada um é livre de acreditar no que quiser (ou, de alguma forma, lhe der jeito para ser mais feliz…) e de pregar o que quiser…