segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 155/?

À procura da VERDADE nos livros Proféticos

JEREMIAS 15/15

- “Espada contra os caldeus (...) contra os habitantes de Babilónia; 
contra os seus chefes e contra os seus sábios. Espada contra os seus 
adivinhos para que enlouqueçam. Espada contra os seus valentes para 
que se amedrontem. Espada contra os seus cavalos e carros, e contra 
a multidão que ali se encontra para que fiquem como as mulheres. 
Espada contra os seus tesouros para que sejam saqueados. Espada 
contra os seus canais para que fiquem secos, porque é um país de 
ídolos que se gloria dos seus espantalhos. Por isso, aí habitarão hienas, 
chacais e avestruzes; nunca mais será habitada nem povoada de 
geração em geração (…) Ninguém mais ali habitará nem Homem 
algum nela residirá. Olhai! Um povo vem do Norte, uma grande nação 
e reis numerosos surgem das extremidades da Terra: armados de arcos 
e dardos, são violentos e sem compaixão. Os seus gritos ressoam como 
o mar, avançam a cavalo, formados em ordem de batalha, como se 
fossem um só Homem contra ti, Babilónia.” (Jr 50,35-42)
- Alongámo-nos… de propósito. Compraz-se o autor em literatura 
retórica, com aprazível fulgor! As guerras seduzem-no e convidam-no 
a afulgorar a escrita… Mas além da total ausência de divino na 
encenação, espanta aquele afirmar categórico - na realidade, totalmente 
falso: “Ninguém mais ali habitará…” Enfim,… contradições!
- “Fugi da Babilónia; salve-se quem puder! Não morrais pelo seu crime, 
porque é a hora da vingança de Javé, é o pagamento que a Babilónia 
merece.” (Jr 51,6)
- Ainda não basta de “vingança de Javé”, Jeremias? Que tristeza, santo 
Deus!
- “Tu, Babilónia, foste o martelo, a minha arma de guerra: contigo 
martelei nações, contigo destruí reinos, contigo martelei o cavalo e 
o cavaleiro, contigo martelei o carro e o cocheiro, contigo martelei 
homens e mulheres, contigo martelei velhos e jovens, contigo martelei 
rapazes e raparigas, contigo martelei pastores e rebanhos, contigo 
martelei lavradores e juntas de bois, contigo martelei governadores 
e prefeitos. Mas retribuirei à Babilónia (…) todo o mal que eles fizeram 
a Sião.” (Jr 51,20-24)
- Para além da fastidiosa repetição do “martelei”, também repetimos 
que não entendemos definitivamente um Javé que se serve de Babilónia 
para castigar e depois a castiga por ela ter “castigado”! E ainda se apela 
para o “Olho por olho, dente por dente”. Que exemplo é este vindo 
de Javé? Não é esta norma “divina” que Israel continua hoje aplicando, 
ao retaliar atentados de que é vítima? Não somos tentados a concluir que 
esta Bíblia teve afinal, mais influência nefasta que benéfica, na conduta 
global dos Homens, apelando continuadamente para a vingança, para a 
retaliação?
A Igreja deveria rever a sua posição quanto a considerar sagrada, por 
divinamente inspirada, esta Bíblia do AT. É que, além de nada ter a ver 
com o evangelho e as ideias de Jesus, não descortinamos, nela, qualquer 
inspiração divina.
- “De Babilónia, saem gritos de socorro (…) porque Javé destrói 
Babilónia (…): os seus guerreiros serão presos e os seus arcos serão 
quebrados, porque Javé é um Deus que retribui e lhes dará o seu 
pagamento. Embriagarei os seus ministros e conselheiros, prefeitos e 
militares; eles dormirão um sono eterno e nunca mais acordarão - oráculo 
do Rei, cujo nome é Javé dos exércitos.” (Jr 51,54-57) “Ele deitou fogo 
ao Templo de Javé (…)” (Jr 52,13)
- Enfim, basta de Javé e a sua amada-odiada Babilónia! Basta!… Mas, 
caro Javé, nem o teu Templo escapou à tua ira? Como é possível?

E assim, terminámos mais um livro da Bíblia. E, se viemos à procura 
da VERDADE, essa VERDADE, com este livro de Jeremias, parece ter 
ficado ainda mais longe… bem mais longe…

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 154/?

À procura da VERDADE nos livros Proféticos

JEREMIAS 14/15

 - “Não tenhas medo, meu servo Jacob - oráculo de Javé - porque 
Eu estou contigo: vou arrasar todas as nações por onde te espalhei. 
Não te vou aniquilar. Vou castigar-te com justiça (…).” (Jr 46,28) 
“Todos gritam e a população do país geme, ouvindo o tropel dos 
cavalos dos guerreiros mais valentes do inimigo, ouvindo o rumor 
dos seus carros, o barulho das suas rodas. (Jr 47,2-3)
- Definitivamente, este é um Javé que gosta de destruir e se “diverte”, 
brincando aos castigos com as nações, a começar pelo povo eleito, 
Israel… Nota-se até um certo comprazimento no sofrimento do 
Homem, por parte de Javé! E o que dizemos não é blasfémia, 
é ao que nos “obriga” o autor “sagrado”!
- “Chegarão dias - oráculo de Javé - em que farei ouvir gritos de guerra 
em Rabat, capital de Amon; a cidade tornar-se-á um montão de ruínas 
e os outros povoados serão destruídos pelo fogo. Então, Israel 
despojará os que o despojaram, diz Javé.” (Jr 49,2)
- Obviamente, não é Javé mas Jeremias quem o diz. Continua o gostinho 
da destruição, evidenciando-se aqui o “Olho por olho dente por dente” 
de cuja justiça não se duvida, embora Jesus venha propor o dar a outra 
face! Ah Israel, como não sei se és eleito de Javé ou… amaldiçoado desde 
sempre e para sempre!
- “Assim diz Javé: Vamos! À luta contra Cedar! Vamos destruir os 
orientais. Tomai as suas tendas e rebanhos, lonas e objectos, carregai 
os seus camelos (…)” (Jr 49,28-29). “Farei com que os elamitas 
tremam diante dos seus inimigos (…) Vou trazer a desgraça sobre eles, 
o furor da minha ira - oráculo de Javé. Mandarei a espada persegui-los 
até acabar com eles.” (Jr 49,37)
- Estamos perante o “Javé dos exércitos”, um Javé que nada tem de 
divino… E o genocídio é total! Afinal, quantos povos não pereceram 
“às mãos de Javé”?…
- “Por causa do furor de Javé, nunca mais será habitada: o país inteiro 
será uma ruína. E quem passar por Babilónia, assobiará, assustado 
com tanta desgraça. Arqueiros todos, estai a postos para atacar 
Babilónia por todos os lados. Atirai contra ela, sem poupar as vossas 
flechas pois ela pecou contra Javé (…) Esta é a vingança de Javé: 
vingai-vos dela. Fazei dela o mesmo que ela fez.” (Jr 50,13-15)
- Furor, ira, pecado… Aliás, que pecado cometeu Babilónia? O ter sido 
o braço de Javé para castigar Isarel dos seus pecados? Que confusão de 
pecados! Mas, a propósito de 50,1-51,64, ainda se comenta: “Jeremias 
sempre considerou a Babilónia como um instrumento de Deus e sabia 
que, cedo ou tarde, ela perderia o seu domínio. (…) Como Babilónia, 
todas as nações opressoras têm os seus dias contados, na História, 
pois o projecto de Deus é libertar todos os explorados e oprimidos.” 
(ibidem)
- E nós perguntamos: O saber de Jeremias vinha-lhe da sua intuição 
política ou… de Javé? E o projecto de Deus é libertar os explorados 
e oprimidos de quem? Dos outros Homens? Não são esses explorados 
e oprimidos que, ao longo da História, se têm levantado do chão e com 
as suas próprias forças das armas ou da palavra - e os seus mártires - 
têm mudado o seu destino? Que Deus os tem vindo libertando? Não se 
acabam tiranias com revoltas populares tantas vezes reprimidas 
com sangrentos massacres e genocídios? Esta infeliz – mas muito 
conveniente! – ideia de meterem Deus na História nada explica 
e deixam-no totalmente desacreditado…

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 153/?


À procura da VERDADE nos livros Proféticos 

JEREMIAS 13/15

- “Assim diz Javé: Eu derrubo o que Eu mesmo construí, arranco 
o que Eu mesmo plantei e isto em toda a Terra.” (Jr 45,4)
- Porquê constrói Javé para derrubar e planta para arrancar? E onde 
é “toda a Terra” para o profeta? Mais umas quantas afirmações sem 
sentido e que, de certeza, não manifestam qualquer inspiração divina…
- “Vamos, cavalos, depressa com os carros; que partam os guerreiros; 
etíopes e líbios armados de escudo e ludianos que retesem o arco. 
É hoje o dia do Senhor Javé dos exércitos: dia de vingança para se 
vingar dos seus inimigos. A espada devora, fica saciada e embriaga-se 
de sangue, porque isto é um sacrifício para o Senhor Javé dos 
exércitos (…)” (Jr 46,9-10) “Palavra que Javé dirigiu ao profeta J
eremias quando Nabucodonosor, rei da Babilónia, veio para derrotar 
o país do Egipto.” (Jr 46,13)
- Até dá um certo gosto a ler este excerto, apesar do demasiado sabor 
a sangue de que tanto a Bíblia “gosta”… Mas será a derrota do Egipto 
um sacrifício a Javé? Para que queria Javé tal sacrifício, tal holocausto? 
Se os sacrifícios de animais já tinham pouco valor para um Deus único 
e verdadeiro - e como tal se apregoa Javé - este é um nonsense completo! 
Depois, fica a pergunta: Foi profecia ou pura constatação/dedução dos
 factos que iam acontecendo? E, a propósito de 46,1-51,64, comenta-se: 
“Na visão profética, Javé, o Deus do povo eleito, é igualmente Rei e Juiz 
de toda a História. Dirige os acontecimentos em vista da realização do seu 
projecto. Para tanto, move as nações como instrumentos e colaboradores 
(…)” (ibidem)
O exegeta repete-se mas nós voltamos a questionar: Que validade tem 
uma História em que Javé é Rei e Juiz? Mesmo para Israel ou o 
auto-proclamado “povo eleito”? E a História universal ou a História 
dos outros povos que o profeta desconhecia? E a História dos mundos 
que desconhecemos? Não se torna Javé, como um pequeno Deus - 
embora maior do que os antigos ídolos de ouro, prata ou madeira - 
ao interferir apenas naquela História local, que nem a Terra toda 
abarca, quanto mais o infindável Universo? E qual o projecto de 
Deus? E o que é isto de considerar as nações como instrumentos de 
Javé para ora castigar ora libertar outras nações, sempre através de 
derramamento de sangue humano? Não é uma visão simplista da 
História em vez da realidade que é o Homem que, pela sua 
maldade e sede de poder é “lobo devorador do outro Homem”?
-“Porque é que Ápis fugiu e o teu touro sagrado não resiste? Foi 
porque Javé o derrubou.” (Gr 46,15)

- Claro que não foi Javé mas… os soldados de Nabucodonosor! 
E… deixemo-nos de linguagens simbólicas que nos afastam da 
realidade nua e crua: Homens, apenas Homens delapidando e 
trucidando outros Homens.!

sábado, 4 de novembro de 2017

Que sentido para a VIDA?


Nesta nossa sociedade plasmada pelo cristianismo, tivemos direito
 a um feriado – o Dia de Todos os Santos – e a um convite, no dia 
seguinte, a nos lembrarmos dos que já partiram. Não vamos falar sobre 
a morte – termo lógico para tudo aquilo que um dia começa, do átomo, 
aos seres vivos, às estrelas – mas do sentido da VIDA.
É evidente que todo o indivíduo, tendo vindo à VIDA, deveria ter um
 papel importante a desempenhar enquanto tal. Aos seus próprios olhos 
e aos olhos da comunidade em que apareceu e, conforme as culturas ou 
civilizações, mais ou menos importante, mais ou menos significativo. 
Numas, nas menos evoluídas ou mais primárias, será apenas mais um 
que foi gerado no ventre de sua mãe e que há-de criar-se bem ou mal e 
andar por aí até morrer. Nas outras, as mais evoluídas, terá um estatuto 
bem mais nobre: aprenderá em escolas, formar-se-á, contribuirá com 
ciência, saber e trabalho para melhorar o mundo que o viu nascer.
Também é evidente que todo o indivíduo nasce com uma certeza – a única 
certeza absoluta: um dia, mais cedo ou mais tarde, dependendo do seu 
ADN e do seu modus vivendi, morrerá!
Então, qual o sentido para a Vida, já que acabará inexoravelmente na morte? 
Ou: por quê e para quê existimos? Perguntado de outra forma: Que 
interesse tem o mundo na nossa existência? Ou ainda: Se não tivéssemos 
existido, viria daí algum mal ao mundo? Ou, de forma mais positiva: Pelo 
facto de termos existido, veio algum bem ao mesmo mundo?
As perguntas levam-nos ao âmago da questão. Houve indivíduos – 
sabemo-lo pela História –  que teria sido bem melhor para a Humanidade 
que nunca tivessem existido: todos os tiranos, todos os corruptos, todos 
os déspotas, todos os escravizadores, todos os algozes, todos os inventores 
de instrumentos de tortura e todos os que os mandaram inventar, todos os 
inventores e construtores de armas, todos os defensores e mandantes da 
guerra, todos os construtores de impérios, regados com o sangue dos 
vencidos, todos os inventores de falsidades afirmando-as como verdades… 
Sem eles, a Humanidade que temos hoje seria muito diferente, obviamente 
para melhor, porque muito mais humana, emocional e racionalmente.
Por outro lado, houve Homens que foram determinantes para o avanço e 
progresso da Humanidade, tendo feito descobertas que catapultaram o 
Homem para o conhecimento de realidades totalmente desconhecidas, 
do átomo, ao genoma, ao Universo. E que fantástica a realidade que nos 
rodeia e da qual fazemos parte! E que fantástico podermos pensar tudo isto 
e sabermos fazer parte de tudo isto!
A tese anterior leva-nos a outra pergunta: afinal, o que ou quem é o Homem?
 – A resposta é simples: um ser vivo, inteligente, ser que tem tanto de bom 
como de mau e que, muitas vezes, evidencia, tanto para si como para o seu 
semelhante, mais a parte malévola que a bondade. Daí a tão imperfeita – a 
todos os níveis – Humanidade actual.
Mas, na verdade, cada um de nós, individualmente, nada interessa ao mundo 
ou à Humanidade, muito menos ao Universo cujas dimensões nos são 
completamente desconhecidas, embora saibamos que são descomunais ou 
mesmo infinitas, apontando para um nunca começo – logo, um nunca fim – 
tendo existido desde sempre e para sempre…

Resta-nos o SABER VIVER e a ALEGRIA perante a inevitabilidade da 
Vida a que tivemos o privilégio de aceder e o SORRISO perante a 
inevitabilidade da morte que é inexoravelmente indissociável da mesma Vida…

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 152/?

À procura da VERDADE nos livros Proféticos

JEREMIAS 12/15

- “Assim diz Javé dos exércitos, o Deus de Israel: Mandarei 
buscar o meu servo Nabucodonosor, rei da Babilónia (…) Ele 
virá para atacar o Egipto: quem está destinado para morrer, morrerá 
(...) Ele deitará fogo aos templos dos deuses do Egipto (…) Castigarei 
os que moram no Egipto como castiguei Jerusalém (…)” (Jr 43-44)
- É espantoso! Nabucodonosor - o assassino, o cruel, o devastador, 
o incendiário que foi o braço de Javé para castigar Judá e destruir 
Jerusalém – ser o “servo de Javé”! Pôr Javé a chamar “seu servo” 
Nabucodonosor, é o resultado de ter a Bíblia feito Javé o motor da 
História que afinal não passa de uma História de Homens feita pelos 
Homens, com os Homens e para os Homens, com os seus momentos 
de glória e, infelizmente, não menos momentos de loucuras, guerras, 
atrocidades de toda a ordem, pondo a sua brilhante inteligência ao 
serviço dos mais baixos e cruéis instintos de destruição e malvadez. 
Nabucodonosor arrasa o Egipto e passa a fio da espada egípcios e 
judeus que ali se haviam refugiado. Ao profeta - ou a Javé?! - apenas 
interessa castigar os judeus que não ouviram o profeta que os 
mandara ficar na sua terra e obedecer ao rei da Babilónia. Mas os 
outros? Os egípcios que morreram? Que mal fizeram eles para 
merecerem tamanho castigo? Por seguirem outros deuses? Por não 
“obedecerem” às leis de Javé? Como obedecer se O não conheciam? 
Aliás, que pecado cometeram os judeus que fugiram para o Egipto 
para escaparem à espada de Nabucodonosor que já matava em Judá?
Acaso estas perguntas são sem sentido? Como quiséramos que fossem! 
Por isso, esperamos que não haja qualquer cristão - realmente 
cristão! – que invoque sobre nós a ira divina, à boa - boa?! - maneira 
bíblica, por tanto questionamos esta Bíblia onde assenta a sua Fé! Sua, 
porque a nossa já a perdemos, logo que começámos a questionar as 
(in)verdades ditas eternas por aqueles que as inventaram…
Por outro lado, questionar nunca foi, é ou será pecado. Talvez seja 
mesmo a única maneira de termos uma Fé esclarecida e não uma 
Fé de “carneiros”, acreditando porque os outros nos dizem que é 
assim, sem… o provarem com argumentos que não deixem dúvidas à 
nossa razão. É que nós somos pessoas e não autómatos ou bonecos 
articulados! Para que a Fé seja válida, tem de abarcar toda a 
pessoa - alma e sentimentos, emoção e razão - e não ser apenas 
uma “obediência cega” a uma tradição javista, bíblica, evangélica, 
eclesiástica ou outra, em que o magister-dixitismo é tudo. 
Não é verdade?
Depois, e ainda, repetimos que não viemos aqui à Bíblia para 
questioná-la de má fé ou por motivos escusos de um ateísmo 
primário, não! Viemos exactamente à procura da VERDADE que 
nos pudesse abrir as portas do céu que tanto desejamos, sem, no 
entanto, conseguirmos vislumbrar como lá chegar. Haverá alguém 
que no-lo possa mostrar sem que para isso tenhamos de 
“enterrar-nos” numa Fé cega e sem razão que lhe valha? – Talvez 
Jesus Cristo. Mas o bom e inefável Jesus, iremos questioná-Lo 
mais tarde…


segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 151/?

À procura da VERDADE nos livros Proféticos 

JEREMIAS 11/15

- “Então Jeremias disse a Sedecias: Assim diz Javé dos exércitos, 
o Deus de Israel: Se saíres da cidade para te entregares aos 
generais do rei da Babilónia, conservarás a vida. Se não te entregares… 
(…) No décimo mês do nono ano de Sedecias, rei de Judá, chegou a 
Jerusalém Nabucodonosor, rei da Babilónia (…) Sedecias, (…) e 
os seus soldados (…) tentaram fugir. (…) Mas o exército dos caldeus 
perseguiu-os (…) Prenderam o rei Sedecias (…) O rei da Babilónia 
mandou matar os filhos de Sedecias ali mesmo em Rebla, diante 
dos olhos de Sedecias; e mandou matar também os nobres de Judá. 
Em seguida, furou os olhos de Sedecias e algemou-o a fim de o levar 
para a Babilónia. “ (Jr 38-39)
- A crueldade é muita. Naqueles tempos, nestes tempos! Aquilo que 
um Homem é capaz de fazer a outro Homem que domina, ultrapassa 
tudo o que uma besta fera faz a outra que domina, quase sempre - ou 
sempre? - para dela apenas se alimentar. No Homem – oh que 
tristeza! – não: é apenas a fome de satisfazer a raiva, o furor, a vingança. 
Mas… não foi esta raiva, este furor, esta vingança alimentados pelo 
próprio Javé ao longo da Bíblia? Será necessário referir mais 
exemplos do que os inúmeros que fomos apresentando e 
dissecando e repudiando…, negando-nos a aceitar que tais 
sentimentos se possam atribuir a um Javé-Deus, sem um total 
abuso do seu Nome? É! Tudo se põe na boca de Javé: as tábuas 
da Lei e o ódio contra os inimigos; o perdão dos pecados e a terrível 
vingança, sequiosa de sangue; o repúdio pelos sacrifícios 
desnecessários e o saborear o suave odor dos holocaustos… 
Seria descabido afirmar que se Javé-Deus realmente existisse não 
teria permitido tal abuso? Não será este abusar de Javé por uma 
Bíblia que para cúmulo é a base da nossa Fé, uma prova de que 
Javé-Deus - Deus me perdoe!- não existiu, tendo sido pura 
invenção dos judeus da época, por conveniências essencialmente 
políticas?! Aliás, não foi por puras razões políticas que Maomé 
inventou o seu Alá e escreveu o Corão? 
(Disso, falaremos mais tarde).
- “Nós te suplicamos: intercede junto de Javé, teu Deus, por nós (…) 
Que Javé, teu Deus, nos mostre o caminho que devemos seguir e o 
que devemos fazer. O profeta Jeremias respondeu: De acordo. 
Vou interceder junto de Javé (…) Passados dez dias, a palavra de Javé 
foi dirigida a Jeremias (…): Se decidirdes ir para o Egipto (…) a 
espada que vos amedronta aqui irá alcançar-vos na terra do Egipto; 
a fome que vos assusta aqui seguirá os vossos passos no Egipto. 
Todos os homens que decidirem partir (…) morrerão pela espada, 
pela fome e pela peste, sem que seja possível escapar ou fugir da 
desgraça que Eu farei vir sobre eles.” (Jr 42)
- Também se comenta: “Devido aos acontecimentos em Judá, (…) os 
chefes temem represálias dos babilónicos e planeiam fugir para o 
Egipto. Antes disso consultam Jeremias (…) Jeremias é claro: o povo 
deve permanecer na sua terra, servindo o rei da Babilónia. Apesar do 
seu realismo político, mais uma vez o profeta não é ouvido.” (ibidem). 
Concluímos, pois, que o “nosso” exegeta parte do princípio de que não 
é Javé que fala mas Jeremias que expõe as suas ideias e convicções 
políticas. Mas…afinal, quando é que Javé falou realmente? Nunca? 
Foram sempre Homens que colocaram as suas palavras, ideias, 
convicções na sua boca, dizendo-se, no entanto, inspirados por Ele? 
Realmente, só quem tem fé – uma fé cega! – é que acredita que foi 
Javé-Deus que falou pelos profetas; os que a não têm - porque não 
vêem quaisquer motivos para a ter – ficam, honestamente, 
dessacralizando a Bíblia sagrada, bíblia que, aliás, de sagrado pouco ou 
nada tem, como se constata.

E nós que queríamos tanto que a Bíblia fosse realmente sagrada, que 
tudo fosse realmente obra do divino, que o divino realmente existisse 
e descesse à Terra para nos levar a todos para o céu! Enfim, 
contentêmo-nos com o sonho, sempre sorrindo, porque tivemos o 
privilégio de ter vindo à VIDA!…

sábado, 14 de outubro de 2017

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 150/?

À procura da VERDADE nos livros Proféticos

JEREMIAS 10/15

 - “Ao fim de cada sete anos, todos darão liberdade ao seu irmão 
hebreu, que haviam comprado e que já lhes havia servido durante 
seis anos. Devem dar-lhe então a liberdade.” (Jr 34,14)
- Porque é que a Bíblia sanciona a escravatura? Falta de coragem 
de Javé? Porque não apregoou, defendeu a igualdade entre todos os 
Homens perante Deus - o Criador - e os outros Homens? Seria uma 
revolução ou… uma reposição da verdade? Ou havia - há? - Homens 
que são mais Homens do que outros? O que é certo é que a escravatura 
proliferou pelos tempos fora, encheu de dinheiro os bolsos de reis e 
senhores, semeou o sofrimento em muitas gerações… Onde estava 
Javé? Onde esteve Javé para condenar? É que isto não é um problema 
menor! Bule com a dignidade humana. E foi apenas há dois mil e 
quinhentos anos! E é a actuação de um Deus eterno, omnipotente, 
omnisciente! Tais factos não deixam de causar perplexidade às nossas 
mentes inquisidoras mas não rebeldes.
- “Quando a gente de Judá tomar conhecimento de todas as desgraças 
que estou a planear fazer contra eles, talvez cada um se converta 
da sua má conduta e Eu possa perdoar as suas faltas e pecados.” 
(Jr 36,3)
- Se o castigo dos pecados era a invasão pelo rei da Babilónia, 
desejoso de glória e poder, acaso tal invasão não se teria dado se a 
gente de Judá tivesse mudado de conduta? - voltamos a perguntar.
- “No nono mês do quinto ano de Joaquim (…) foi convocado um 
jejum em honra de Javé a todo o povo de Jerusalém (…)” (Jr 36,9)
- Que jejum? E porque “precisava” Javé de um… jejum? Porquê se 
“diverte” a Bíblia a “inventar” mais sacrifícios ou sofrimentos ou 
privações para a vida quando esta se encarrega de no-los apresentar 
na rotina do dia-a-dia? A Bíblia e a Igreja que se lhe seguiu, pois 
até há pouco tempo, o jejum e a abstinência eram imposições da 
Igreja aos seus fiéis. Não em sentido metafórico de conversão, mas 
real no não comer carne ou no se abster dos prazeres da “outra” 
carne…, glorificando o sacrifício como penhor da salvação eterna.
- “(…) O rei mandou (…) prender o escrivão Baruc e o profeta 
Jeremias. Javé, porém, escondeu-os.” (Jr 36,26)
- Foi Javé que os escondeu ou foram eles que conseguiram 
ludibriar os seus perseguidores? Não é intrometer demasiado 
Javé em tudo o que é ou são questiúnculas de humanos? Se eu 
fosse Javé não permitiria que abusassem assim do meu Nome! 
Será que Javé permitiu? Melhor: não será Javé simplesmente uma 
figura gerada na imaginação dos patriarcas daquele tempo…?!
- “Sedecias, filho de Josias, sucedeu no trono…” (Jr 37)
- Aqui, comenta-se: “O texto refere acontecimentos de 587 a.C.: 
o exército babilónico cerca Jerusalém mas é obrigado a retirar-se 
diante de uma investida do exército egípcio comandado pelo faraó 
Hofra. Jeremias fora preso por um grupo nacionalista; este não 
aceitava o realismo político do profeta, que via a submissão a 
Nabucodonosor como única saída. Interrogado pelo rei, Jeremias 
desafia os falsos profetas e confirma a sua própria convicção: 
Jerusalém não escapará à dominação babilónica.” (ibidem)

- E nós, sem qualquer maldade, perguntamos: O realismo político 
era de Javé ou de Jeremias? A convicção de que Jerusalém não 
escaparia à dominação babilónica era de Javé ou de Jeremias? 
Ou este estava de tal modo impregnado do espírito de Javé que 
quando emitia uma opinião era a “opinião” de Javé que emitia 
e… vice-versa? Como poderemos aceitar tal situação sem 
contestarmos? Como? Enfim, porque é que as opiniões 
contrárias às de Jeremias eram tidas por provindas de falsos 
profetas?… Não há dúvidas: estes profetas e estes exegetas 
levam-nos a uma total descrença na Bíblia..