domingo, 24 de junho de 2018

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 178/?




À procura da VERDADE no livro de JOEL
 1/2

- Diz-se na introdução: “Nada sabemos do tempo em que viveu 
o profeta Joel. (…) Mas uma expressão une o livro todo: o dia 
de Javé, isto é, o juízo final. (…) Deste modo, uma praga de 
gafanhotos observada atentamente serviu a Joel para anunciar o 
juízo final.” (ibidem)
- A história do juízo final é uma daquelas histórias cheias de 
mistérios, logo, sujeitas a tantíssimas interpretações, o que 
aconteceu ao longo destes dois mil anos de cristianismo. Que 
veracidade se conterá nela? Lembram-se do ditado medieval 
popular “Aos mil chegarás mas dos mil não passarás?” que se 
transformou, no milénio findo, em “Aos dois mil chegarás mas 
dos dois mil não passarás?” Ora, estamos perante mais uma 
invenção, fruto da imaginação de alguns homens, supostamente 
iluminados ou inspirados, a partir de um qualquer facto 
catastrófico natural, homens que tudo ignoravam acerca da Terra 
e do Universo e da Vida que, de certeza – certeza baseada na 
lei científica das probabilidades – a haverá em abundância por 
tempos e espaços, tempos e espaços que nada nos garante que 
não sejam eternos e infinitos. Mas… vamos ler!
- “Ah! Que dia! De facto, o Dia de Javé está próximo e vem como
 devastação do Todo-poderoso. (…) Farei prodígios no Céu e na 
Terra: sangue, fogo e colunas de fumo. (…) Vou reunir todas as 
nações do mundo, (…) abrirei um processo contra elas, por causa 
de Israel que é meu povo e minha propriedade. (…) Ficareis 
sabendo que Eu sou Javé, vosso Deus, que moro em Sião, meu 
santo monte. E Jerusalém será santa; os estrangeiros nunca mais 
passarão por ela.” (Jl 1,15-3,17)
- Obviamente, tal não aconteceu: Jerusalém foi abandonada logo 
no ano 70, aquando da destruição do Templo pelos romanos e, 
depois, ocupada por muitos povos invasores, sendo palco de 
sangrentos confrontos aquando das cruzadas, na Idade Média. 
Aquele inicial “De facto, o dia de Javé está próximo” é uma 
afirmação totalmente gratuita que o autor deveria ter 
simplesmente transformado em “De facto, parece que…” E a saga 
limitativa de Javé-Israel continua como antes, sem qualquer 
universalismo que os cristãos pretendem dar à Bíblia.
Comenta-se: “Com o julgamento, começa para o povo de Deus 
uma era paradisíaca, cheia de paz e prosperidade. Os últimos 
inimigos foram vencidos e a vida dos mártires inocentes foi 
vingada. Doravante, o povo terá a vida em plenitude, porque 
Javé habitará para sempre no meio dele.” (ibidem)
- A confusão entre o real e o simbólico, presente aliás em todos 
os comentadores bíblicos de índole parcial cristã, permanece. 
“Deus mora em Sião” significa que o “seu povo” cumpre a Lei 
de Moisés? Porque isto de se afirmar uma coisa e depois dizer 
que é símbolo ou fantasia ou… poesia, nada nos aproveita à 
realidade que procuramos e que é a essência da vida! E, se é 
símbolo, caro comentador, que significa a vida paradisíaca, cheia 
de paz e prosperidade? Enfim, onde está a santidade de 
Jerusalém? Nos seus templos? Na sua desgraçada História? 
Na morada de Javé, mais uma vez não real mas simbólica, 
criação certamente da classe sacerdotal para incutir medo-veneração 
ao ignorante povo, levando-o a doar as primícias ao Templo, 
sem protestar, mas com um sorriso nos lábios?
Enfim, o que dizer daquele “folclore” todo de devastação, sangue, 
fogo, fumo e muitas outras megalomanias “inventadas” pelo autor 
para criar um clima de terror e de medo à volta do suposto Juízo 
Final? Que seja um artifício literário, aceita-se. Que seja de 
inspiração divina, não. 

terça-feira, 19 de junho de 2018

Onde a Verdade da Bíblia? -Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 177/?



À procura da VERDADE no livro de OSEIAS
 2/2


 - Ali, no Templo gerido pela classe sacerdotal corrupta, até o 
pecado gerava chorudas receitas… Logo, quanto mais pecado… 
Depois, que dizer das múltiplas prostituições dos sacerdotes, 
quer entendidas em sentido simbólico, como a adoração de 
falsos deuses, quer no sentido real do termo?
- Finalmente, perante tantas infidelidades à Aliança, por parte de 
Israel, a Bíblia, aparece-nos como o grande esforço de Javé - 
pela mão dos autores intervenientes - para que o povo abandone 
de vez os ídolos, cuja adoração é estapafúrdia e imprópria de 
seres inteligentes, que não crentes…, e definitivamente se volte 
para as leis que a Aliança comporta. Mas afinal… quem é este 
Javé, Deus de Israel? Esta a grande interrogação para a qual 
bem quiséramos ter uma resposta com sentido… Mas não, não 
temos resposta. E, assim, perdemo-nos nos meandros de uma 
fé muito pouco esclarecida, fazendo do mistério a sua grande 
base de apoio!
- Uma derradeira pergunta: Não gera perplexidade o movimento 
de pessoas e negócios gerados à volta dos templos e santuários? 
Antigamente… como hoje? E qual a causa? E qual o efeito? 
De qualquer modo, que se negoceia à custa de Deus, da Virgem 
ou dos santos, de Buda ou de outra divindade qualquer, é 
evidente verdade… Diabólica verdade!…
- “Quando Israel era menino, Eu amei-o. Do Egipto, chamei o 
meu filho; e no entanto, quanto mais Eu o chamava, mais ele se 
afastava de Mim: oferecia sacrifícios aos baals, queimava 
incenso aos ídolos.(…) O meu povo é difícil de se converter 
(mas) (…) não Me deixarei levar pelo ardor da minha ira (…).” 
(Os 11,1-9)
- Constata-se que Israel insiste em incensar os ídolos, 
certamente porque estavam ali presentes em imagens de 
madeira, barro, ferro ou ouro; Javé era invisível: falava pelos 
profetas que, pertencendo normalmente à classe sacerdotal, não 
deveriam ter muita credibilidade. Aliás não tiveram tantas 
religiões - e talvez mais a católica - de socorrer-se de imagens 
para materializar o que é espiritual? O esforço da Bíblia para 
mudar as mentalidades é grande. O sucesso parece 
nitidamente pouco. Mas… o amor de Javé permanece.
- É comovente aquele quase lamento de Javé: “Como poderia 
Eu abandonar-te, Efraim?” (Os 11,8)
- Para o nosso espírito universalista, continuará sempre sem 
explicação esta exclusividade de Israel ao qual um Deus se 
“dedica” tão exclusivamente, perdoe-se-nos a redundância… 
A perca de credibilidade num Deus da Terra e do Universo, de 
todo o tempo, de todo o espaço, da… eternidade e do infinito, 
é enorme!
- “Israel, volta para Javé, teu Deus, pois caíste por causa dos teus 
pecados (…)” (Os 14,2)
- É um grito quase angustiado não se sabe se de Oseias, se de 
Javé. Comenta-se: “A esposa infiel (Israel) não só é reprovada e 
censurada pelo esposo fiel (Javé) irado, mas é também (…) 
convidada a retomar o seu amor verdadeiro e deixar os seus 
amantes, a sua prostituição.” (ibidem)
- E nós, no termo de mais um livro, continuamos sem a Verdade 
que ansiosamente procuramos, nesta Bíblia tão, tão, tão fechada 
em torno de um Israel-Javé, como que jogando ou “brincando” 
ao pecado-castigo ou à idolatria-fidelidade…



sábado, 9 de junho de 2018

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 176/?



À procura da VERDADE no livro de OSEIAS
 1/2

- Diz-se na Introdução: “O profeta Oseias exerceu a sua actividade (…) 
entre os anos 782-753 a. C. Toda a pregação de Oseias está impregnada 
de uma experiência pessoal tão profunda que se tornou para ele um 
símbolo (Os 1 e 3). Ele amava de todo o coração sua esposa, mas ela 
deixou-o para se entregar a outros amantes. Esse amor não 
correspondido ultrapassou o nível de frustração pessoal para ser uma 
enorme força de anúncio: o profeta apresenta a relação entre Deus, 
sempre fiel e cheio de amor, e o seu povo, que O abandonou e preferiu 
correr ao encontro dos ídolos.” (ibidem)
- Que poderemos dizer de tal interpretação? A comparação-símbolo: 
Oseias-esposa e Deus-seu povo, é interessante e talvez fácil de aquilatar. 
Vem na sequência bíblica das infidelidades a Javé por parte de Israel 
que é castigado pela ira do mesmo Javé mas que Este vai perdoando, 
pelo muito amor que tem ao seu povo, embora noutros textos se diga 
que é para salvar a honra do seu Nome santo. Mas… trar-nos-á 
alguma coisa de divino tal comparação-símbolo? Não é forçado – e 
totalmente arbitrário – dizer que o que se passava na casa de Oseias 
era símbolo do que se passava entre Javé e Israel?
- “Javé disse a Oseias: Vai, toma uma prostituta e gera filhos da
prostituta porque o país se prostituiu, afastando-se de Javé.” (Os 1,2)
- Na mesma linha, se comenta: “(…) A própria vida familiar de Oseias 
e o drama que a atravessa têm valor profético: o Senhor desposou o 
seu povo Israel e, apesar da resposta infiel, não rompe com ele e 
continua a nutrir por ele amor terno e renovador.” (ibidem)
- E nós: Realmente pouco ou nada se evoluiu. O livro é antigo: pouco 
mais de duzentos anos distante de David. Israel continua a considerar-se 
o povo de Javé, a violar as suas leis, a ser castigado e… a ser perdoado. 
Passar daqui para outros mundos, outras verdades, para a VERDADE… 
já não conseguimos.
- “Embora ninguém acuse, ninguém conteste, eu acuso-te, 
sacerdote! (…) Porque rejeitas o conhecimento, Eu também te 
rejeitarei como meu sacerdote. (...) Esses sacerdotes vivem do pecado 
do meu povo e querem que o povo continue a pecar. (…) Eu não vou 
castigar as vossas filhas por se prostituírem nem as vossas noras por 
cometerem adultério, pois vós mesmos andais com prostitutas e 
sacrificais com as prostitutas sagradas. (…) Ouvi isto, sacerdotes; 
presta atenção, casa de Israel; escuta, casa do rei! A sentença é contra 
vós. (…) Como bandidos na emboscada, um bando de sacerdotes 
assassinam pelo caminho de Siquém e cometem horrores.” (Os 4,4-6,9)
- Comenta-se: “O alvo principal são os responsáveis (pela 
infidelidade de Israel à Aliança): sacerdotes, profetas e reis. (...) Os 
sacerdotes, (…) Oseias acusa-os de responsabilidade e negligência 
na ignorância do povo. Este multiplica as faltas e terá de oferecer 
mais sacrifícios pelo pecado (…) com proveito para a avidez 
sacerdotal (v.8). (…) A História de Israel está pautada por infidelidades 
à Aliança, crimes e traições. Grupos sacerdotais e santuários 
partilham responsabilidades e não escapam à acusação.” (ibidem)
- Perante tal afirmação, oferece-se-nos dizer: É preciso coragem para 
denunciar, para acusar a forte e influente classe sacerdotal corrupta e 
gananciosa, aproveitando-se da ignorância e crendice do povo! 
Naquele tempo, nestes tempos… numas religiões mais, noutras menos.
(Perdoem-nos os que, a ela pertencendo, não pertencem à raça de 
víboras assim chamada por Jesus Cristo, e em tudo são bem 
intencionados e que, digamos em abono da justiça, nos parecem ser 
a maior parte!)

(Continuaremos a análise deste excerto no próximo texto)

sábado, 2 de junho de 2018

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 175/?


À procura da VERDADE no livro de DANIEL
4/4

Vamos a outra história religiosamente “exemplar”:
- “Os babilónios tinham um ídolo chamado Bel. Com ele, gastavam 
todos os dias, doze sacas da melhor farinha de trigo, quarenta ovelhas 
e seis ânforas de vinho. O rei adorava esse ídolo. (…) Daniel só 
adorava o seu próprio Deus. (…) O rei disse: E achas que Bel não é 
um deus vivo? 
Não vês quantas coisas ele come e bebe todos os dias? Daniel sorriu e 
disse: (…) Por dentro, Bel é de barro e por fora é de bronze; ele nunca 
comeu ou bebeu coisa alguma. Furioso, o rei mandou chamar os 
sacerdotes de Bel e disse-lhes: Se não me disserdes quem come toda 
essa comida, morrereis. Se me provardes que é Bel quem come tudo 
isso, então Daniel morrerá por ter dito uma blasfémia contra o deus 
Bel. (…) Eram setenta os sacerdotes de Bel, sem contar as mulheres e 
as crianças.” (Dn 14,3-9)
- É fácil adivinhar quem morreu!… A estultícia do rei é muita e a 
insensatez dos ídolos incompreensível, apesar de sábios egípcios, 
fenícios, gregos, romanos… neles terem acreditado. Acreditaram ou 
acomodaram-se… E muita daquela comida deveria ser transaccionada 
no mercado negro, pois não teriam os sacerdotes tantas mulheres e 
tantos filhos que tanto comessem e bebessem diariamente!… 
Ou… sabe-se lá!
- Depois, que dizer de setenta sacerdotes para o culto? Se no Templo de 
Javé, havia excessos, aqui ultrapassavam-nos todos! É que isto de viver 
à custa do Templo - com maiúscula ou com minúscula - no dolce fare 
nientefoi sempre bom modo de vida para alguns - perdoem-me aqueles 
que se entregam de corpo e alma aos irmãos e nada mais deles 
pretendem senão servi-los.
Outra história ainda, a do dragão:
- “Havia um dragão enorme adorado pelos babilónios. O rei disse a Daniel: 
Não podes dizer que é de bronze, porque está vivo, come e bebe.” 
(Dn 14,23-24) “Daniel pegou em pez, sebo e crinas (…) preparou bolos e 
atirou-os para a boca do dragão, o qual engoliu aquilo e rebentou.” 
(Dn 14,27)
- Não sabemos o que há de veracidade neste dragão. O autor conta que, 
tendo-se, então, o povo revoltado contra o rei, Daniel foi de novo parar à 
cova dos leões, donde de novo foi salvo pelo anjo do Senhor.
Nós, a uma distância de dois mil e duzentos anos – coisa nenhuma em 
relação ao Tempo Universal! – descrendo dos ídolos de barro, ouro ou 
madeira, por baseados em demasiado nonsense, parece-nos que fomos 
levados a criar um outro – a quem chamamos Deus – e que dizemos 
invisível, vivo e verdadeiro, ao qual atribuímos forma humana, 
sentimentos humanos, reacções humanas, não sendo humano “apenas” 
facto de estar para além da matéria e ser omnisciente, omnipotente 
e eterno. 
Haverá nesta concepção divina algo de verdade, a VERDADE que 
procuramos? Não tendo respostas, a vontade dos crentes – assim 
Madre Teresa de Calcutá! – é de perguntar a esse invisível Deus:
«Porque não Te mostras, ó DEUS VERDADEIRO, e continuas 
escondido de nós, nós que tanto quiséramos conhecer-Te? É que é este 
querer, esta sede de Te encontrar a única força que nos move para 
continuarmos procurando-Te. Acaso poderemos ter sede de alguma 
coisa inexistente? Se não houvesse água, poderíamos desejá-la? O 
raciocínio poderá não colher. Mas, que é a única coisa a que podemos 
agarrar-nos para não soçobrarmos e desistirmos para sempre de Ti, é 
bem verdade. Por isso, mostra-Te para não soçobrarmos na Fé!»

Para os racionalistas, tudo se torna mais fácil: não há angústias divinas 
porque, para eles, Deus não é o “humanoide superior” que as religiões 
criaram, mas sim o TODO ABSOLUTO, INFINITO E ETERNO, TUDO 
CONTENDO ESTEJA OU NÃO FORA DO TEMPO E DO ESPAÇO, 
TUDO SENDO PARTÍCULAS DELE. E sentem-se felizes por saberem 
que, como partículas vivas que são, fazem parte desse DEUS.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

O Corpo de Deus, uma festa com sentido?


O corpo de Deus, o meu corpo

Se nada nas religiões faz sentido ou tem sentido, além da emoção de se “ter respostas” para o sofrimento supremo, o Grande Desconhecido e o Além pós-morte, na religião católica, vamos celebrar um non-sense total: o “Corpo de Deus”.  É que, Deus, pela própria definição de Ser Espírito, Infinito e Eterno, não tem corpo. Quando muito deveria dizer-se – aliás é isso que se pretende celebrar – Corpo de Cristo, com base na crença de que Cristo supostamente se actualiza, alma e corpo, na hóstia consagrada em cada missa. Em boa verdade, se Cristo é o Filho de Deus e é Deus com o Pai e o Espírito Santo (no mistério da suposta trindade divina…), dizer Corpo de Cristo será o mesmo que dizer Corpo de Deus. E, assim, temos um Deus humanizado, com um corpo que não se sabe bem o que é mas que se pretende que seja o do seu suposto filho que se humanizou.
No entanto, sejamos claros: 1 – Não merece qualquer credibilidade a afirmação de que Deus seja uno e trino em pessoas. A trindade foi uma invenção dos primeiros padres da Igreja, pegando em algumas afirmações de Jesus e que vêm nos evangelhos, havendo já conhecimento de outras trindades divinas, entre as quais a hindu: Brama, Vixnu e Shiva, esta de características bastante diferentes. 2 – É absurdo considerar que Deus tem/teve um Filho, pela sua própria essência de Ser Único, Infinito e Eterno. 3 – É não menos absurdo pensar que Deus, a um dado momento da História da humanidade, se tenha lembrado de querer salvá-la de um suposto pecado original, pecado que, a não ser remido, a condenaria à morte eterna. 4 – Ainda mais absurdo é Deus ter feito encarnar esse seu Filho e condená-lo depois ao suplício mais atroz do seu tempo, considerando-o acto de sofrimento necessário para a redenção do Homem. 5 – Também é absurdo que Deus só se tenha lembrado de salvar a humanidade, há cerca de dois mil anos, quando o Homem existe há uns quatro milhões… 6 – E absurdo dos absurdos é atribuir sentimentos a este Deus que necessita de actos de redenção, sendo o seu suposto filho chamado de Redentor, cognome que conservará enquanto houver cristandade.
Tudo isto – que, em parte, se repete no Credo católico que se reza nas missas – é sequência dos ensinamentos da Bíblia – Antigo e Novo Testamento – ensinamentos que, como temos vindo a provar ao longo destes anos, aqui no blog, não merecem qualquer credibilidade. É que não houve nem Adão nem Eva, nem Paraíso nem serpente, nem Maçã proibida, nem pecado original nenhum, sendo tudo fantasiado pelos judeus escritores ou colectores de histórias orais da cultura da sua época. Pois o que sabemos, com bastante certeza científica, é que o primata Homem veio por evolução duma estirpe dos da sua espécie. Mais nada!
Ora, sendo pura fantasia o que a Bíblia narra e baseando-se as religiões cristãs na mesma Bíblia, teremos de concluir, com a honestidade intelectual que é nosso timbre, que toda a construção religiosa não passa também ela de fantasia. Infelizmente, fantasia imposta aos crentes como a Verdade Absoluta.
E aí temos a Festa do Corpo de Deus!
E o meu corpo? – Esse, sim, esse é real! E é por ele que eu vivo, é ele que me permite pensar, amar, emocionar-me. É ele que me dá tudo o que tenho, numa inseparável dicotomia com a alma ou o espírito que não é mais do que o cérebro, onde todas as prerrogativas da alma ou do espírito se localizam: vontade, inteligência, raciocínio, consciência, capacidades cognitivas e de linguagem, sentimentos de amor ou ódio, de inveja ou egoísmo.
Assim sendo, no dia do Corpo de Deus, esqueçamo-nos desse corpo inexistente e cuidemos do nosso, pois, cuidando dele, cuidamos da Vida a que tivemos o privilégio de aceder, nesta saga misteriosa que contempla o Universo onde nos integramos, donde viemos e para onde voltaremos, após o termo dos nossos dias, no eterno retorno do mesmo ao mesmo através do diverso. Lindo, não é?!
Então, viva o SORRISO!

domingo, 27 de maio de 2018

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 174/?


À procura da VERDADE no livro de DANIEL
3/4


A deliciosa história da “Casta Susana”:
- “(…) Joaquim (…) tinha casado com uma mulher de nome Susana 
(…) que era muito bonita (…). Joaquim era muito rico e tinha um 
grande jardim ao lado da sua casa. Os judeus costumavam reunir-se 
ali (…). Nesse ano, tinham sido nomeados dois juízes, chefes de 
família conselheiros do povo (…). Eles frequentavam a casa de 
Joaquim. 
(…) Depois de o povo se ter ido embora (…), Susana saía para 
passear no jardim (…). Os dois anciãos (…) começaram a 
cobiçá-la. (…) Estavam totalmente apaixonados por ela (…) 
(com) desejos de manter relações sexuais com ela. (…) Ambos 
esperavam uma ocasião oportuna, quando um dia ela (…) teve 
vontade de tomar banho no jardim (…) Não havia mais ninguém 
a não ser os dois anciãos que estavam escondidos, a observar Susana. 
(…) As empregadas fecharam os portões do jardim e saíram (…) 
Os dois homens (…) foram ao encontro de Susana e disseram-lhe: 
(…) Nós desejamos-te. Aceita e entrega-te a nós. Se não aceitares, 
vamos acusar-te, dizendo que um jovem estava aqui contigo e que foi 
por isso que mandaste embora as empregadas. Susana deu um 
suspiro e disse: A coisa está complicada para mim de todos os 
lados: se eu fizer isso, estou condenada à morte; se o não fizer, sei 
que não conseguirei escapar das vossas mãos. Mas eu prefiro 
dizer “Não!” (...) Então, os dois anciãos contaram a sua história. (…) 
No outro dia, quando o povo se reuniu na casa de Joaquim, (…) 
disseram: Chamai Susana (…). Aqueles malvados mandaram 
tirar-lhe o véu (…) só para poderem inebriar-se com a sua beleza 
(…), puseram as mãos sobre a cabeça de Susana (…) e disseram: Nós 
andávamos a sós pelo jardim, quando chegou Susana com duas 
empregadas. Depois ela fechou os portões do jardim e mandou as 
empregadas embora. Então um jovem foi ao seu encontro e 
deitou-se com ela. (…) Ao ver essa imoralidade, corremos para junto 
deles. Vimos os dois agarrados um ao outro, mas não pudemos 
segurar o jovem, que (…) fugiu. Segurámos Susana e perguntámos-lhe 
quem era o jovem mas ela não quis dizer-nos. (…) A assembleia 
(…) condenou Susana à morte. Então Susana disse em alta voz: Deus 
eterno, (…) Tu sabes muito bem que eles deram falso testemunho contra 
mim (…) Ao ser conduzida para a morte, o Senhor despertou o santo 
espírito de um jovem de nome Daniel. Ele gritou forte: Eu não tenho 
nada a ver com a morte dessa mulher. Estou inocente.” (…) Todo o 
povo se apressou a voltar para trás. (…) Daniel disse: Afastai-os um 
do outro que eu vou interrogá-los. (…) (E) disse a um deles: Homem 
envelhecido, (…) se realmente os viste, diz-me: debaixo de que 
árvore os viste abraçados? Ele respondeu: Debaixo de um lentisco. (…) 
Depois de o mandar embora, Daniel pediu para trazerem o outro. (…) 
Diz-me: debaixo de que árvore os viste abraçados? Ele respondeu: 
Debaixo de um carvalho. (…) Depois, todos se ergueram contra os 
dois anciãos, pois pelas suas próprias bocas, Daniel tinha provado que 
eles estavam a mentir. (…) E foi assim que (…) os condenaram à 
morte e salvaram uma pessoa inocente. (…)” (Dn 13)
- O conto é… perfeito! O relato é sóbrio de meios, sem artifícios, claro. 
Uma pequeníssima novela com intriga bastante, que valeu a pena ler 
na íntegra. E comenta-se: “O objectivo da narrativa é mostrar que 
Deus não abandona os inocentes que clamam por Ele.” (ibidem). 
De acordo, claro. Mas… que fazemos com esta bela história exemplar 
da suposta protecção divina? Aliás, porque apelar para uma protecção 
divina e não referir apenas um Daniel inspirado que soube usar uma 
artimanha para condenar quem deveria ser condenado, fazendo-se 
justiça? Tal interpretação é muito mais humana e muito mais credível.  

sábado, 19 de maio de 2018

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 173/?


À procura da VERDADE no livro de DANIEL
2/4

- “(…) Eu, Daniel, tive uma visão (…): Ouvi dois santos que conversavam 
(…) ouvi uma voz que gritava: Gabriel, explica-lhe a visão. (…) Ele disse: 
Homem, fica a saber que esta visão se refere ao tempo final (…) Eu vou 
explicar-te o que acontecerá no tempo final da ira (…)” (Dn 8)
- Comenta-se: “Mais uma visão simbólica da História (vv 2-14) explicada 
por um anjo…” (ibidem)
- Estamos perante o fantástico ou a fantasia: visão, santos, anjo, tempo 
final da ira… que, obviamente, não merece qualquer credibilidade, pois 
tudo fazendo parte do imaginário religioso, desde a antiguidade.
- “Não obedecemos a Javé, nosso Deus (…) Então, caíram sobre nós as 
maldições (…) Ouve, Senhor! Perdoa, Senhor! (…) Eu ainda estava a 
fazer a minha súplica, quando Gabriel, o homem que eu tinha visto no 
começo da visão, veio em voo rápido para perto de mim.” (Dn 9)
- A fantasia continua… E que dizer desta trilogia sempre presente em 
toda a Bíblia: pecado-castigo-súplica? Aparatoso é o voo rápido do anjo 
Gabriel! Aliás, voou donde? Veio de que céu?… É o imaginário do 
autor, na sua plenitude. Aliás, inventar anjos é como inventar uma 
qualquer personagem para um qualquer romance.
- “(…) Certa mensagem foi revelada a Daniel (…). Levantei os olhos e 
vi: era um homem vestido de linho e que tinha à cintura um cinturão de 
ouro puro; o seu corpo era como uma pedra preciosa e o seu rosto como 
um relâmpago; os seus olhos eram como lâmpadas acesas e os seus 
braços e pernas tinham o brilho do bronze polido; a sua voz parecia o 
clamor de grande multidão. (…) Ele disse-me: Daniel, homem querido, 
(…) fica de pé pois foi Deus que me enviou a ti.” (Dn 10)
- A fantasia não tem limites: tudo pode ser inventado. A designação de 
“homem querido” um tanto comprometedora... E, obviamente, é do 
puro imaginário que faz parte este anjo enviado por Deus.
- “Agora, vou contar-te a verdade (…) Então, chegará o fim. Naquele 
tempo, (…) muitos que dormem no pó despertarão: uns para a vida 
eterna, outros para a vergonha e infâmia eternas.” (Dn 11 e 12,1-5)
- Ora, aí temos a… eternidade! E, com ela, a ressurreição dos mortos e 
um céu ou um inferno… eternos! Diz-se, em comentário: “Este é um 
dos grandes textos do Antigo Testamento sobre a esperança na 
ressurreição da carne.” (ibidem) No entanto, vemos apenas afirmações, 
apenas palavras, apenas a expressão de um desejo final de justiça com 
um céu para os bons e um inferno para os maus. Provas concretas, 
nenhumas. Por isso, nada valem! E será intelectualmente desonesto 
afirmar tal como verdade ou a VERDADE do nosso fim último. 
Resta-nos alimentar o desejo de nos prolongarmos para além da 
morte…
Mas, regressando ao real humano, debruçar-nos-emos, na próxima 
dissertação, sobre uma das mais belas histórias da Bíblia, 
deliciosamente edificante, a da casta Susana.