sábado, 22 de abril de 2017

Fátima, altar do mundo


É um facto: Fátima tornou-se o maior centro de peregrinação do mundo. E, dentro do espírito do capitalismo selvagem que nos governa, estando o Homem escravo e ao serviço do dinheiro – quando o dinheiro deveria ser libertador e estar ao serviço do Homem – é uma óptima fonte de receitas para o turismo local e nacional e, obviamente, para a Igreja Católica: são milhões!
Mas o fenómeno é religioso. Tem origem numa suposta aparição da Virgem Maria a uns pastorinhos (bizarra aparição, pois só Lúcia ouve, vê e fala com a Virgem, Jacinta só a vê e Francisco só a ouve…), tudo envolto numa nebulosidade que só se percebe tendo em conta o factor religioso-turístico que acarretaria consigo. E, se os seus mentores fossem vivos, constatariam que as suas expectativas não só não foram goradas mas em muito suplantadas, contribuindo para isso o relevo que foi dado às supostas aparições, primeiro, pela Igreja local e nacional, depois, vendo a oportunidade religioso-monetária, já de grande sucesso em outros santuários de outras partes do globo, pela Igreja do Vaticano.
Muito já se escreveu sobre Fátima: uns em defesa, outros em acérrimos ataques. Tem predominado a sua “verdade”, pela Fé dos crentes e pelas emoções que a ida a Fátima – um local sagrado, onde o divino está presente! – provoca nos peregrinos. Grandes emoções onde a razão e a análise crítica ficam completamente de fora…
No muito que foi dito e escrito, têm-se referido fontes da época, relatos dos acontecimentos, relatos da Lúcia sobre o fenómeno (Francisco e Jacinta nunca abriram a boca…). Mas não vimos uma análise crítica ao teor da mensagem de Fátima, suposta mensagem enviada por Deus através da Virgem à humanidade. Ora, a nosso ver, é aí que se deve centrar o âmago da questão e da procura da Verdade. Vamos por partes:
1 – O Homem não pode acreditar que Deus anda por aí, de vez em quando, a enviar-lhe mensagens, directamente ou através da Virgem ou de anjos, de um modo nebuloso e sem qualquer credibilidade. Neste caso, através de umas crianças altamente dependentes de uma catequese a todos os títulos retrógrada e fundamentalista, como era a existente à época (1917). Ora, ser inteligente que se presume seja – a máxima inteligência! – de certeza que não seria tal processo que Deus utilizaria para se comunicar com os Humanos.
2 – Historicamente, existiu Maria, mãe de Jesus, mas a Virgem Maria, Mãe de Deus, não. Foi uma invenção dos primeiros cristãos e assim propagada através destes dois milénios. Isto é fácil de provar, histórica e racionalmente. Transcrevo o que escrevi, aqui, no meu texto de 04/03:
«Mateus refere, em 1,22-23, as palavras do Anjo para convencer José: “Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: Vede: a Virgem conceberá e dará à luz um filho. Ele será chamado Emanuel, que quer dizer: Deus está connosco.” Mas os textos não batem certo. Mateus - ou o Anjo? - não foi exacto na transcrição do profeta Isaías que diz: “A jovem concebeu e dará à luz um filho (…)”; e, com toda a certeza, não era virgem!… Onde nos poderiam levar os comentários a tal pequena-enorme troca de “jovem” por “virgem”? Onde? No entanto, é esta passagem bíblica que está na base do cristianismo já que aponta para o acto essencial que foi o nascimento de Jesus, Filho de Deus, concebido, por obra e graça do Divino Espírito Santo, no seio de Maria Virgem (como se ensina no catecismo e se reza no Credo católico, nas missas). E é a esta Virgem-mãe inexistente que todo o cristianismo presta devoção e erigiu santuários e altares por todo o mundo… o que, embora comovente por nos fazer lembrar a nossa mãe e a mãe dos nossos filhos, não deixa de ser um enorme atentado à Verdade.»

3 – Analisando criticamente a mensagem de Fátima (toda ela revelando uma catequese fundamentalista e retrógrada imposta àquelas crianças, como já dissemos), constatamos a impossibilidade de ser uma mensagem vinda do Céu, significando Céu uma entidade de onde emanam mensagens cheias de humanidade e de verdade. Nem de um ponto de vista humano nem de um ponto de vista teológico, sendo de admirar como é que a própria Igreja a aceita como sua... Ambos os aspectos foram, aqui, escalpelizados, em 12 pequenos textos publicados entre 05/05 e 01/09 de 2011, sob o título “A (in)verdade de Fátima”. Sem mais delongas, remetemos para a sua leitura. (Ver arquivo do blog)

Em nome da VERDADE!

sábado, 15 de abril de 2017

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 132/?


À procura da VERDADE nos livros Proféticos 


ISAÍAS – 9/17

 - “Naquele dia, cantar-se-á este cântico na Terra de Judá: 
Nós temos uma cidade forte. Para a defender, Javé 
construiu muralhas e baluartes. (...) Confiai sempre em 
Javé, pois Javé é uma rocha para sempre. (…) Por ti suspira 
a minha alma a noite toda (…) Javé tu nos governarás na 
paz pois és Tu que realizas tudo o que fazemos. (…) Fizeste 
crescer a nação, Javé, (…) e manifestaste a tua glória (…).” 
(Is 26,1-15)
- Como entender que é Javé que realiza tudo o que fazemos? 
Depois, o mundo é comandado por homens e, infelizmente, 
bem mal comandado, como nos dá testemunho toda a História, 
tanto a antiga como a quotidiana. Mas… há mais oráculos 
para ler!
- “Ai da coroa soberba dos bêbedos de Efraim! (…) Sacerdotes e 
profetas estão confusos pela bebida, andam confusos nas suas 
visões, divagam nas suas sentenças. (…)” (Is 28,1 e 7)
- Que sacerdotes? Que profetas? É difícil de entender que o 
todo-poderoso Javé não estivesse com eles!…
- “Ai de Ariel, Ariel, cidade onde David acampou! (…) E Eu, 
então, vou apertar Ariel e só haverá choro e lágrimas. (…) O 
Senhor disse: Este povo aproxima-se de Mim só com 
palavras e só com os lábios Me glorifica, enquanto o seu 
coração está longe de Mim. (…) Por isso, continuarei a realizar 
maravilhas e prodígios; a sabedoria dos seus sábios fracassará 
e a inteligência dos seus inteligentes apagar-se-á. (…)” 
(Is 29,1 e 13-14)
- Socorramo-nos do comentário acerca deste oráculo: “Ariel é 
um antigo nome poético de Jerusalém. A cidade conhecerá a 
visita de Deus através das tropas assírias no ano 701 a.C., 
quando estas a sitiaram completamente. A situação era 
humilhante, sem saída, mas Deus libertou-a, enviando uma 
peste que obrigou o exército assírio a bater em retirada. Isaías 
vê nesse facto a intervenção do próprio Javé que arranca a 
cidade santa das mãos do inimigo.” (ibidem) Nós diríamos 
apenas que “confundir” visita de Deus com visita das tropas 
assírias é… é absurdo embora aceitável dentro da linha bíblica.
- “Ai de vós filhos rebeldes! - oráculo de Javé. Fazeis planos 
que não nascem de Mim, fazeis acordos sem a minha 
inspiração (…) Olhai: Javé em pessoa vem de longe! A sua ira 
é ardente e o seu furor é intolerável. (…)” (Is 30,1 e 27)
- Comenta-se: “Em 702 a.C., Ezequias, rei de Judá, envia 
embaixadores ao Egipto para pedir apoio contra a Assíria. O 
profeta critica violentamente essa atitude (pois) o Egipto, 
nessa época, era uma potência decadente (…)” (ibidem) 
Nós retorquiríamos: Tudo bem, profeta Isaías! Mas, porquê 
afirmas ser Javé que desaprova tal pedido de apoio? Não é 
apenas a tua “democrática” opinião, tão válida certamente 
como a contrária?
- “Ai daqueles que vão até ao Egipto em busca de ajuda e 
confiam nos cavalos. (…) Como ave que abre as asas para 
proteger os filhotes assim Javé dos exércitos protegerá Jerusalém. 
(…)” (Is 31,1 e 5)

- E Isaías não desiste, tal era a sua descrença na ajuda egípcia! 
Mas que o faça abusivamente em nome Javé, é inaceitável. A 
imagem da ave de asas abertas é… bonita!

sábado, 8 de abril de 2017

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 131/?

À procura da VERDADE nos livros Proféticos 

ISAÍAS – 8/17

- “Naquele tempo, Tiro ficará esquecida durante setenta 
anos - a duração da vida de um rei - e no fim dos setenta 
anos, poderá ser aplicada a Tiro aquela canção da prostituta: 
Pega na cítara, percorre a cidade, prostituta esquecida. 
Toca com habilidade, canta muitas canções, para ver se 
alguém ainda se lembra de ti. Então, (…) ela voltará aos 
seus ganhos de prostituta e vender-se-á a todos os reinos da 
face da Terra. O seu lucro, o seu ganho de prostituta, será 
consagrado a Javé, de modo a não juntar dinheiro nem 
enriquecer, pois será tudo daqueles que moram na presença 
de Javé, para eles comerem, beberem e se vestirem com 
todo o luxo.” (Is 23,15-18)
- Interessante o que diz o “nosso” comentador: “O profeta 
usa uma expressão que ironiza a sorte de Tiro: era uma 
prostituta afamada e agora precisa apelar por todos os 
meios a fim de ser reconhecida. Os vv. 17-18 são um 
acréscimo e mostram que Tiro há-de readquirir a sua 
grandeza, mas para servir ao projecto de Javé e não 
para se gloriar da própria auto-suficiência.” (ibidem) 
Ora, temos mais um acréscimo! Mais uma confusão 
na sacralidade bíblica! E que dizer desta insistência na 
imagem da prostituta? Será assim tão próprio dum livro 
dito sagrado?! E ainda, que dizer dos que moram com Javé 
comerem e beberem e se vestirem com todo o luxo, usando, 
aparentemente, o dinheiro que não é seu? Também 
é… simbólico?
- “Javé vai arrasar a Terra e devastá-la; lançará confusão em 
toda a sua superfície e dispersará os seus habitantes. (…) A 
Terra está profanada sob os pés dos seus moradores: eles 
transgrediram as leis, violaram os seus mandamentos e 
romperam a aliança eterna. Por isso, a maldição devorou 
a Terra e os seus moradores recebem o castigo (…) (Is 24,1-6)
- A propósito dos cap. 24-27, comenta-se: “Estes capítulos 
são comumente chamados «Grande Apocalipse de Isaías». 
Foram escritos bem mais tarde e naturalmente não são do 
profeta. Este Apocalipse inspirou-se provavelmente numa 
catástrofe política de alguma nação, entre os séculos V e IV a.C. 
O texto apresenta o julgamento final do Universo e a 
instauração do Reino de Deus.” (ibidem) Ora bem: se foram 
escritos bem mais tarde, porque fazem parte do texto inspirado 
de Isaías? E também foi instrumento divino de inspiração a 
tal crise política do s. V ou IV? Novamente, a confusão 
bíblica a instalar-se, sendo totalmente legítimo duvidar de 
que haja, por aqui, qualquer tipo de inspiração divina…
- “A Terra será toda arrasada, a Terra será sacudida 
violentamente, a Terra será fortemente abalada. (…) Naquele 
dia, Javé julgará no Céu o exército do Céu; e na Terra, os reis da 
Terra.” (Is 24,19)
- Que Terra? Que Céu? Que exército? Que… Javé?! E onde 
a inspiração divina de todas estas catástrofes anunciadas que 
certamente fizeram parte do imaginário, talvez doentio, de Isaías?
- “Javé dos exércitos vai preparar no alto deste monte 
(a montanha de Sião) um banquete de carnes gordas, um 
banquete de vinhos finos, de carnes suculentas, de vinhos 
refinados. (…) O Senhor Javé enxugará as lágrimas de todas 
as faces e eliminará da Terra inteira a vergonha do seu 
povo - foi Javé quem o disse.” (Is 25,6-8)
- Como é que Javé poderá ser considerado Deus Universal se se 
preocupa apenas com enxugar as lágrimas do “seu povo”? É 
sempre um Javé partidarizado, este Javé da Bíblia, não é? O 
banquete, claro, embora apele à gula e à gulodice, será simbólico. 
Mas… símbolo de quê?

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 130/?


À procura da VERDADE nos livros Proféticos

ISAÍAS – 7/17

- “Vou varrer Babilónia com a vassoura da destruição - oráculo de 
Javé dos exércitos. (…) “O clamor espalhou-se por todo o território 
de Moab e os seus gritos chegam até Eglaim e Beer-Elim, pois a água 
de Dimon está cheia de sangue. (…) O alarido das nações ecoa como 
estrondo de muitas águas. No entanto, Javé ameaça-as e elas fogem 
para longe; voam sobre os montes como palhas dispersas pelo vento, 
como cisco no redemoinho. (…) A terra de Judá será um terror para 
os egípcios (…) que oferecerão sacrifícios e oferendas e até farão 
promessas a Javé e hão-de cumpri-las. Javé ferirá os egípcios. Ele 
vai ferir e depois curar. (…)” (Is 14-19)
- Aqui, afirma-se: “Trecho em prosa acrescentado ao livro original 
de Isaías, em época posterior depois que muitos judeus se 
refugiaram no Egipto e formaram comunidades em vários lugares.” 
(ibidem) E nós voltamos a perguntar: Um livro inspirado não fica 
desacreditado com acrescentos? Acaso poderíamos nós acrescentar 
agora alguma coisa, um oráculo, por exemplo, para reclamar a ira 
do Senhor sobre Israel ou sobre o Egipto ou outro país árabe da 
zona do eterno conflito que é o Médio Oriente, quando estes se 
interdevoram em guerras? E seria também de inspiração divina? E 
não faria de fé bíblica como nos ensinaram que o de Isaías fazia? De 
cada vez que nos interrogamos seriamente sobre a inspiração divina 
da Bíblia, ficamos sem respostas. Melhor: concluímos que não há 
inspiração divina nenhuma… E nós bem quiséramos que fossem de 
uma vez banidos os mistérios que nos angustiam, que Deus realmente 
se revelasse! Não em sonhos ou visões, como diz Isaías de si próprio, 
mas aqui e agora a cada ser humano, em cada tempo e em cada 
lugar, para que não andássemos enganados por outros homens que se 
dizem iluminados e que nos exploram sentimentos e alma, 
vendendo-nos o produto das suas imaginações… Mas… a realidade 
nua e crua é esta: NENHUMA CERTEZA!
- “Então Javé falou por intermédio de Isaías, filho de Amós, como já 
lhe havia dito antes: Vai, despe esse pano de saco e tira as sandálias 
dos pés. Assim fez Isaías, que começou a andar nu e descalço. Depois, 
Javé disse: Assim como Isaías meu servo, andou nu e descalço durante 
três anos, esse facto será um sinal e um exemplo para o Egipto e a 
Etiópia. Pois é assim que o rei da Assíria vai levar os captivos do 
Egipto, os exilados da Etiópia, jovens ou velhos: estarão nus 
e descalços com as nádegas descobertas (a vergonha do Egipto)” 
(Is 20,2-4)

- Esta Bíblia é realmente um poço de encenações/contradições… Então, 
é simbólico ou foi mesmo verdade que Isaías andou por ali três anos 
mostrando as… “vergonhas” a quem não quis desviar os olhos? É 
simbólico ou foi mesmo verdade que os egípcios e os etíopes foram 
levados pelos assírios, mostrando as nádegas? Acreditamos ou não 
acreditamos? Vamo-nos rir com tal brejeirice ou vamos ficar perplexos, 
porque não viemos aqui – isto é, analisar criticamente a Bíblia – para 
rir, já que a “coisa” – a nossa salvação ou condenação eterna – é muito 
séria? Haja paciência de quem se debruça sobre estes temas que, sem 
qualquer pejo e numa total desonestidade intelectual, a Igreja continua a 
vender-nos como sendo de inspiração divina, dizendo que a Bíblia é a 
palavra de Deus, a palavra da salvação, como se reza nas missas de 
domingo…

sábado, 25 de março de 2017

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 129/?

À procura da VERDADE nos livros Proféticos

ISAÍAS – 6/17

- “Oráculo contra Babilónia, recebido em visão por Isaías (…) 
Gritai porque o dia de Javé está a chegar; Ele vem com a 
violência do Omnipotente (…) Estão apavorados, cheios de dores 
e aflições (…)” (Is 13,1-8)
- Comenta-se a propósito dos capítulos 13 a 23: “Estes capítulos 
agrupam uma série de oráculos (…) Pertencem a circunstâncias 
históricas bastante diversas e alguns são feitos por discípulos de 
Isaías. Apresentam uma visão da História a partir da fé: a História é 
governada por Javé que dirige os acontecimentos e age através 
das nações.” O oráculo contra Babilónia, “trata-se de um oráculo do 
final do exílio (560-540 a.C.)” (ibidem).
- Apenas duas perguntas: 1 – Havendo, pelo menos, dois Isaías, um 
dos meados do séc. VIII a.C. e outro – os discípulos? – dos meados 
do séc. VI a.C., em qual deles esteve a inspiração divina? 
2 -  História é governada por Javé? Que provas palpáveis, racionais, 
que não de fé, existem? E, nestas questões históricas, a Fé é tão 
frágil e tão pouco consistente… É: com a Fé, a VERDADE 
desaparece na penumbra dos horizontes sem respostas…
- “Assim jurou Javé dos exércitos: Como planeei, assim se cumprirá; 
aquilo que decidi, realizar-se-á: liquidarei a Assíria dentro da 
minha Terra; no alto da minha montanha, espezinharei a sua 
cabeça (…)” (Is 14,24-25)
- Volta-se a comentar: “Em 701 a.C., o exército de Senaquerib 
invade o Reino de Judá e cerca Jerusalém. Uma epidemia, porém, 
faz com que as tropas assírias se retirem.” (ibidem). Mais uma vez 
constatamos: 1 - não saber se as profecias são anteriores ou 
posteriores aos factos; 2 – que explicar os acontecimentos 
históricos, profetizados ou não, com a vontade de Javé, não nos 
merece qualquer credibilidade. Mas há mais oráculos:
- “Oráculo contra Moab: numa só noite, foi (…) destruída (…); 
contra Damasco: deixará de ser cidade e transformar-se-á num 
montão de ruínas. (…); contra o Egipto (…): atiçarei egípcios 
contra egípcios (…); contra Babilónia (…): o traidor foi traído e o 
devastador devastado. (…); contra Duma (…), contra a Arábia (…), 
contra Tiro (…). (Is 15,1 - 23,1)

- O nosso comentador explica (ibidem) estes oráculos com vários 
factos ocorridos à época: guerras entre a Assíria e Judá, Damasco, 
Egipto, etc... Mas, como para Isaías, a História é comandada 
por Javé que determina os acontecimentos, os oráculos 
parecem-nos mais imaginosas obras de exercício literário, figurativas, 
simbólicas, belas umas, outras nem tanto, do que profecias de 
inspiração divina. Por isso, nem nos servem a nós, nem muito 
menos a… Deus! Aliás, mesmo que houvesse qualquer tipo de 
profeta neste Isaías, porque apelar para a inspiração divina? Divina, 
porquê? Mais contundente: para quê?!

sábado, 18 de março de 2017

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 128/?


À procura da VERDADE nos livros Proféticos

ISAÍAS – 5/17

 - “Ai daqueles que fazem decretos iníquos (…) Ai de ti, 
Assíria, vara da minha ira, bastão do meu furor posto em 
tuas mãos (…) Pois bem, quando o Senhor terminar tudo 
o que está a fazer (…) em Jerusalém, vai castigar o rei da 
Assíria (…) Por isso, assim diz o Senhor Javé dos 
exércitos: Povo meu que moras em Sião, não tenhas medo 
da Assíria. (…) Só mais um pouco de tempo e o meu furor 
chegará ao fim; a minha ira vai destruí-los. (…)” (Is 10,1-25)
- Comenta-se: “Estamos no ano 701 a.C. O Reino do Norte 
(Israel) caíra em 722 nas mãos dos Assírios (…). Em 701, os 
exércitos assírios são derrotados não por Israel mas por uma 
peste que os dizima aos milhares.” (ibidem)
- É isso: Javé é o grande castigador! Com derrotas, pestes, 
doenças, intempéries… E… “comem” todos: os eleitos e os 
seus inimigos! Grande Javé! Ou… apoucado Javé? E, mais do 
que profecias, vemos aqui uma história onde se quer introduzir - 
de modo forçado, é claro! - um Javé que tão mal tratado sai de 
tanta guerra, tanta ira, tanto furor… Os textos podem ser bonitos. 
Até bem redigidos, por vezes! Mas duvidamos que Deus tenha 
realmente alguma coisa a ver com eles… É que se trata de um 
Deus que nada “interessa” a… Deus!
- “Do tronco de Jessé sairá um ramo (…) Sobre ele pousará o 
espírito de Javé: espírito de sabedoria e inteligência, espírito 
de conselho e fortaleza, espírito de conhecimento e temor de 
Javé. (…) Ele julgará os fracos com justiça (…) O lobo será 
hóspede do cordeiro, a pantera deitar-se-á ao lado do cabrito; o 
bezerro e o leãozinho pastarão juntos e um menino os guiará; 
pastarão juntos o urso e a vaca (…) e o leão comerá feno como 
o boi. O bebé brincará no buraco da cobra venenosa e a 
criancinha enfiará a mão no esconderijo da serpente. Ninguém 
agirá mal nem provocará destruição no meu monte santo, pois a 
Terra estará cheia do conhecimento de Javé, tal como as águas 
enchem o mar.” (Is 11,1-9)
- O texto é belo e comovente, mas… utópico. Também aqui se 
vive de sonhos? É um certo regressar ao paraíso perdido mas 
nunca esquecido do Génesis. Quem não sonha com um paraíso 
assim, onde claramente não há lugar para o sofrimento? 
Porém,… apenas sonhos! Nada de profético…
- “Ele erguerá um estandarte para as nações, a fim de reunir 
os israelitas exilados, para juntar os judeus dispersos dos quatro 
cantos da Terra.” (Is 11,12)
- Já nesta época, os judeus estavam dispersos pelos quatro cantos 
da Terra. Hoje, não haverá grande diferença, embora já tenham 
conseguido fundar um estado independente. Pergunta-se: foi J
avé ou o dinheiro dos judeus americanos que possibilitaram tal 
nação com o seu estandarte?
- Também se comenta: “Trata-se de um aditamento feito no tempo 
do exílio na Babilónia ou logo depois. Deus, através de um novo 
êxodo, reúne os exilados de todas as deportações e refaz a identidade 
do seu povo. (…) As divisões internas serão todas sanadas e o 
povo terá a vitória contra todos os inimigos.” (ibidem)
- Fantástico, simplesmente! Primeiro - e repetindo-nos - como se 
entende um livro inspirado por Deus com… aditamentos?! Depois, 
Deus - como se não “tivesse mais que fazer” do que apaparicar os 
judeus! - reúne todos os exilados e refaz a identidade do seu povo… 
“Seu povo”!… Que presunção - deixem-nos repetir também - que 
presunção auto-intitular-se “povo de Deus”!… E nós todos a 
aprender isto na catequese e a aceitar tal facto como revelado, como 
divino, como de Fé! É… demais!


domingo, 12 de março de 2017

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 127/?


À procura da VERDADE nos livros Proféticos


ISAÍAS – 4/17

 - “Povos, armai-vos quanto quiserdes, que sereis derrotados (…) 
porque Deus está connosco. (…) Assim me disse Javé, 
enquanto me segurava pela mão e me proibia de seguir o 
caminho deste povo (…) Chamai Santo somente a Javé dos 
exércitos; só dele tende temor e terror. Ele será uma armadilha 
(…) para os habitantes de Jerusalém. Muitos tropeçarão nela, 
cairão, serão despedaçados, serão presos e capturados.” 
(Is 8,9-15)
- Mais uma vez, Javé do terror que castiga, faz cair, despedaça… 
Que tristeza de Javé, Santo Deus! Depois, Javé a derrotar os 
exércitos…, quem pode acreditar tal coisa? É que derrotas ou 
vitórias são devidas ou à inépcia de comandantes militares ou à 
superioridade do exército contrário. E haverá livro no mundo que 
de tantas guerras seja testemunho, como a Bíblia? E com Deus, 
sempre de permeio? Que insensatez! Que divino tão 
humano-selvagem-primitivo!…
- “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz (…) Porque 
nasceu para nós um menino (…) e chama-se “Conselheiro 
maravilhoso”, “Deus forte”, “Pai para sempre”, “Príncipe da paz. 
(…) e a paz não terá fim sobre o trono de David. (…) O zelo de 
Javé dos exércitos é que realizará tudo isto.” (Is 9,1-6)
- Comenta-se: “Em 732 a.C., o rei da Assíria toma os territórios da 
Galileia (…) O povo (…) teme o avanço assírio mas o profeta 
mostra que Javé libertará os oprimidos e trará a paz. Na base 
desta esperança (…), está o filho herdeiro de Acaz (…) Mateus 
reinterpreta este oráculo, vendo a sua realização na vinda de Jesus 
à Galileia (Mt 4,13-16)”. (ibidem)
- Constata-se, pois, que mais uma vez, a história anda de 
permeio com a suposta profecia de inspiração divina, sem se saber 
qual delas existiu primeiro… Ora a realidade é esta: tudo se joga 
no concreto das pessoas, na sua ganância ou perversidade e os 
oprimidos têm que se libertar pelas suas próprias forças se não 
quiserem ser sempre escravizados pelo mais forte. Ontem… como 
hoje! Depois, que paz não teve fim - e tantas vezes! - no trono de 
David? Finalmente, a interpretação de Mateus parece um tanto 
descabida, mas o apelo a este oráculo foi certamente uma boa 
forma encontrada para convencer os judeus indecisos a aderir 
ao cristianismo nascente e para os quais as Escrituras eram sagradas 
e… incontestáveis!
- “Javé, porém, fortalecerá contra esse povo o seu adversário 
Rason e incitará contra ele os seus inimigos: os arameus pelo 
Oriente e os filisteus pelo Ocidente e devorarão Israel. (…) Javé 
cortará a cabeça e a cauda de Israel (…). O notável ancião é a cabeça; 
e o profeta, mestre de mentiras, é a cauda. (…) Por isso, Javé não 
terá piedade dos jovens nem se compadecerá dos órfãos e das viúvas 
(…)” (Is 9,10-16)

- Bastante incompreensível tal oráculo. Parece que Israel estava 
orgulhoso demais e não nos caminhos de Javé. Por isso, Isaías não 
perdoa!… E os ataques a Israel sempre foram ao longo da Bíblia 
interpretados como sendo uma espécie de exercício/divertimento 
de castigo aplicado por Javé…, o que continua sendo um 
completo nonsense da atitude de Deus! Enfim, que profeta 
mentiroso seria aquele? Alguém com quem Isaías se 
incompatibilizara?… Ou que não partilhava das mesmas 
ideias… políticas?!