sexta-feira, 20 de maio de 2022

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 349/?

 

À procura da VERDADE nos Evangelhos 

Evangelho segundo S. JOÃO – 43/?

 – “«Agora, o Filho do Homem vai ser glorificado e também Deus será nele glorificado. E se a glória de Deus vai aparecer no Filho, também aparecerá no Pai. Tudo isto vai acontecer sem demora.»” (Jo 13,31-32)

– Perceberam? Perceberam alguma coisa além de que aquilo que não perceberam vai acontecer sem demora?

Estranho! Estranhíssimo! Como é que João acaba esta ceia sem se referir à instituição da Eucaristia com a partilha do pão e do vinho, dando a comer dele e a beber a todos os discípulos? Os três outros evangelistas referem-no. A igreja considera este momento o ponto alto da vida de Jesus, celebrando na missa este partilhar do pão e do vinho, cumprindo a ordem-desejo de Jesus: “Fazei isto em memória de Mim.” E João nada refere?

É! Há momentos importantes a que uns parecem dar importância, outros não. Mas, nos anos que se seguiram à morte de Jesus, e enquanto João foi vivo, certamente comemorava-se a sua morte e ressurreição com a partilha do pão. Era este o gesto que de algum modo identificava os cristãos.

– Poderíamos ainda perguntar: “Como é que aquele pão e aquele vinho, já corpo e sangue de Jesus, segundo a Fé (e é preciso ter muita fé para acreditar numa invenção destas!), não “redimiram” o desgraçado do Judas que também os saboreou… e não alterou o rumo dos acontecimentos?” (Lc 22,21) Teríamos de repetir, cinicamente, que tal seria impossível pois era preciso que as Escrituras se… cumprissem!

–“«Meus filhos, vou ficar convosco só mais um pouco. Ireis procurar-Me e Eu digo-vos agora o que já disse aos judeus: para onde Eu vou vós não podeis ir. Dou-vos um mandamento novo: amai-vos uns aos outros. Assim como Eu vos amei, também vós deveis amar-vos uns aos outros. Se tiverdes amor uns para com os outros, todos reconhecerão que sois meus discípulos.»” (Jo 13,33-35)

– O “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei” é sem dúvida um grande mandamento! Um mandamento novo! Um mandamento que anula a omnipotente Escritura! Que pena que a Escritura não tivesse podido ser toda anulada, para que Jesus não tivesse que morrer tão cedo e… de tal modo! Mas certamente, se um de nós lá estivesse e dissesse tal coisa a Jesus, não sei se não ouviria, em voz agastada: “Vade retro, Satanás, que Me estás tentando a não cumprir a vontade de meu Pai!” E era pena! Muita pena! É que aquele de nós que o fizesse só quereria ser simpático! Só quereria que nada daquela violência nonsense acontecesse. Só quereria que Jesus ficasse mais tempo connosco para esclarecer todas as nossas dúvidas. Só quereria… Tantas coisas, meu Deus! Tudo menos a incompreensível morte de Jesus para obedecer a umas Escrituras, seguindo-se a complicada ressurreição cuja (in)veracidade em breve atormentará o nosso espírito…

Mas, mais uma vez, Jesus não respondeu a uma pergunta-chave! Não nos diz para onde vai. Apenas que não podemos ir para onde Ele vai…

Ou então, dir-nos-á que vai para o Pai e… ficamos na mesma… ignorância! É pena, não é?!

quinta-feira, 12 de maio de 2022

Da possível hipótese de um Deus-Criador do Universo, da Terra e do Homem, neles

 

Que credibilidade merecerá tal hipótese?

(E voltamos ao eterno dilema entre criacionistas e evolucionistas)

 É, sem dúvida, aliciante admitir um Deus-Criador do Universo, da Terra e do Homem, neles. Muitos dos mistérios da vida ficariam explicados.

Mas que tal seja a VERDADE da Vida e de tudo o que a rodeia estará longe de qualquer consenso porque sem qualquer base científica que a sustente.

E será possível admitir um geocentrismo e um antropocentrismo, baseados no facto de a Terra estar plena de VIDA, todo o ser vivo tendo um ADN próprio e o Homem ter um ADN tão específico, em que uma pequeníssima diferença dos outros seres vivos faz toda a diferença, dando o grande salto para a inteligência abstracta, a consciência e o livre arbítrio?

Vejamos:

1 – A matéria e energia que constituem o Universo que nos é dado perceber e que a Ciência tem vindo a desvendar, são de tal dimensão e dispersão em aglomerados de astros, desde as estrelas com seus planetas às galáxias, às nebulosas, à matéria escura, que não temos qualquer hipótese de saber se a Terra e o Homem nela serão uma singularidade. Afirmá-lo seria de uma total insensatez. Será muito mais sensato inferir do muito (que é tão pouco, santo Deus!) que conhecemos deste Universo visível que haverá muitas “Terras” e muitos seres vivos nelas, com ADNs semelhantes ou com ainda mais capacidades que as que conhecemos nos seres vivos, no topo dos quais está, por enquanto, o Homem. (Não esqueçamos que a evolução continua e tudo está em contínua mudança/transformação, incluindo obviamente a espécie humana, integrada que está no Tempo universal e na contínua evolução da qual, aliás, foi resultante).

2 – Admitir um Deus-Criador do Universo e também criador de uma singularidade, nesse Universo, da Terra e do Homem, seria totalmente redutor, apoucando-se tal personagem, como se fosse um humanóide superior que se divertia (e já falamos de emoções ao modo humano) a experimentar ADNs de diversos tipos nos seres vivos que, directa ou indirectamente (por evolução das capacidades energéticas da matéria) iria criando. Mas incapaz de controlar o todo-poderoso livre arbítrio com que brindara o Homem… Ora, tal personagem nunca poderia ser Deus cuja definição engloba o ser ETERNO E INFINITO, OMNISCIENTE E OMNIPOTENTE, logo, TODO-PODEROSO.

3 – É perfeitamente compreensível e aceitável intelectualmente que o Homem tenha vindo por evolução de um ramo dos primatas e que o seu ADN tenha adquirido especificidades como a inteligência capaz de abstrações e de construções inventivas, bem como a consciência moral e da sua própria finitude, por pertencer ao Tempo, e ainda o seu livre arbítrio (cuja liberdade nem sempre é total porque condicionada por imensos factores endógenos e exógenos).

Uma comparação/explicação estará no nosso próprio cérebro. Ele não é senão matéria e, no entanto, produz ideias, tem emoções, controla o livre arbítrio e a consciência, estando nele sediadas todas as capacidades do ser vivo. A experiência desta realidade é fácil de confirmar: basta qualquer parte do cérebro ser afectada, para que as funções que lhe estão atribuídas – cálculo, raciocínio, emoções, vontade, linguagem, etc. – deixem de existir.

(A razão pela qual não houve mais evoluções do tipo da do Homem, em primatas, talvez um dia venhamos a encontrá-la).

4 – Desconhecemos totalmente a dimensão deste Universo, em matéria e energia. Só sabemos já medir distâncias em anos-luz de milhões e de milhares de milhões. Mas algum dia conseguiremos saber onde acaba e para onde vai, já que está em contínua expansão, por efeitos do Big Bang? E são colossais as dimensões de matéria e energia e as distâncias impossíveis de percepcionar pela nossa limitadíssima inteligência…

5 – Sabemos também que tudo está em perpétuo movimento, em contínua transformação, desde os átomos às galáxias, seres vivos e não vivos, nada sendo hoje o que foi ontem nem o que será amanhã. Assim, talvez pudéssemos admitir um Deus-Criador que deu à matéria a energia necessária para desabrochar em vida, quando os movimentos tectónicos, telúricos ou astrais para tal tivessem capacidade ou oportunidade. Mas teria de ser realmente um SER INFINITO E ETERNO, OMNIPOTENTE E OMNISCIENTE, a própria matéria e a mesma energia que tudo enformam e movimentam fazendo parte d’Ele, podendo definir-se como O TODO ONDE TUDO SE INTEGRA, sendo Ele o ESPAÇO INFINITO onde esse tudo actua, desde sempre e para sempre. ETERNAMENTE!

6 – E, sendo Deus o Espaço infinito, pode nele existir não apenas este Universo – que já é colossal! – mas milhares de milhões de milhões de outros, sendo inesgotáveis a matéria e a energia que os informam e formam, embora mensuráveis e sujeitas ao Tempo, nas suas diversíssimas formas de seres, vivos ou não vivos, sejam átomos sejam estrelas...

7 – Forçados que somos – pelos factos – a admitir que tudo está em contínuo movimento e contínua transformação, não sabemos como será/estará a Terra e, nela, o Homem, por exemplo, daqui a mil milhões de anos. E poderíamos fazer n perguntas sobre o assunto. Apenas uma, para exemplo: “Como será o cérebro e como se comportará ele naquele tão longínquo tempo?”

CONCLUSÃO – Adoramos viver neste tempo tão fantástico, apesar de todos os horrores que o Homem continua a praticar contra o seu semelhante e contra a sua Mãe-Terra. Mas que felicidade o poder pensar tudo isto, tentando descobrir a VERDADE da VIDA, desta nossa Vida tão curta mas tão cheia de magia!

quinta-feira, 5 de maio de 2022

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 348/?

 

À procura da VERDADE nos Evangelhos 

Evangelho segundo S. JOÃO – 42/?

 – Jesus lavando os pés aos seus discípulos é bela lição de humildade. “«Compreendestes o que acabei de fazer? Vós dizeis que Eu sou o Mestre e o Senhor. E tendes razão porque o sou. Pois bem: Eu que sou o Mestre e o Senhor, lavei-vos os pés; por isso, vós deveis lavar os pés uns aos outros. Dei-vos o exemplo: vós deveis fazer a mesma coisa que Eu fiz. Garanto-vos: o servo não é maior que o senhor nem o mensageiro maior do que aquele que o enviou. Se compreendestes isto, sereis felizes se o puserdes em prática.»” (Jo 13,12-17)

– A mensagem é bonita! Servir… Mas… quem não preferirá ser servido a servir?!…

No entanto, parece que o Céu é muito mais para os que servem do que para os que são servidos…

Só não se percebe porque é que Jesus refere que o servo não é maior que o senhor. Parece óbvio. Divino seria dizer: “Perante Deus, o senhor não é maior que o servo e aquele que envia não é maior que o mensageiro.” A lógica humana ficaria, assim, abalada pela lógica… divina!

– E voltamos de novo, às palavras enigmáticas: “«Eu conheço aqueles que escolhi mas é preciso que se cumpra o que está na Escritura: ‘Aquele que come o pão comigo é o primeiro a trair-me!’ Digo isto agora antes que aconteça para que, quando acontecer, acrediteis que Eu Sou. Garanto-vos: quem recebe aquele que Eu envio, recebe-Me a Mim e quem Me recebe recebe aquele que Me enviou.» Depois de dizer estas coisas, Jesus ficou profundamente comovido e disse com toda a clareza: «Garanto-vos que um de vós vai trair-Me.» (…) É aquele a quem Eu vou dar o pedaço de pão que estou ensopando no molho.» Então pegou no pedaço de pão ensopado e deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes. Logo que Judas comeu o pedaço de pão, Satanás apoderou-se dele. E Jesus disse-lhe: «Faz depressa o que pretendes fazer.»” (Jo,13,18-27)

– Judas, a julgar pelos Evangelhos e pelas palavras do próprio Jesus Cristo, teve um destino de azar: “escolhido” desde todo o sempre para ser discípulo de Jesus e “poder” assim ser o seu traidor, “ajudando” Deus-Pai ao cumprimento das Escrituras. A pergunta é sempre incontornável: “Se Judas não tivesse existido, acaso as Escrituras se teriam cumprido? Ou, dito de outro modo, não foram as Escrituras que “obrigaram” Judas a existir e a atraiçoar?” Ou ainda, mais perfidamente e mais cinicamente: “Se Jesus já sabia que Judas o iria trair, porque o escolheu como discípulo?” Não o tivesse escolhido e tudo ficaria na paz do Senhor! Ou teria de haver sempre um Judas qualquer?!…”

Mais uma vez, Jesus evoca a Escritura. Que respeito! Que obediência! Mas a frase poderia aplicar-se a qualquer tipo de traição: de um amigo, de um filho, de um parente, de um sócio… que partilhasse o mesmo pão e depois… Nunca saberemos porque é que Jesus, evocando o Pai, se deixa fazer vítima da Escritura! Nunca!…

Estranho! Estranho que Jesus ainda evoque, perante os discípulos, este seu milagre-profecia de indicar previamente quem o iria trair, para que, quando se realizasse, eles acreditassem que Ele era Deus! Então, todos os outros milagres muito mais espectaculares não foram suficientemente convincentes? Como poderemos deixar de perguntar: “Se não foram totalmente convincentes para quem viu, como quer Jesus que nós, sem vermos nem um deles, acreditemos nele?”

E novamente, receber o Filho será a mesma coisa que receber o Pai!… Alguém entendeu? Alguém entende?…

E ainda apressa Judas a fazer aquilo que tem de fazer… a mando das Escrituras!… Pobre Judas! Porque não sentiu Jesus compaixão por ele? Porque não o ajudou a ultrapassar a sua vontade de ter umas trinta moedas de prata… ali brilhando nas suas mãos gulosas de dinheiro?…

Não! Não voltemos à “heresia” de dizer que assim não se cumpririam as “malfadadas” Sagradas Escrituras!…

quinta-feira, 28 de abril de 2022

“Novíssima” teoria da REALIDADE ABSOLUTA e OBJECTIVA ou teoria do… TUDO

 

O que a Ciência nos ensinou até ao momento

 Do que sabemos acerca do Universo, onde o Homem veio a aparecer, por evolução das espécies, na saga da VIDA, há apenas uns escassos milésimos de segundo, se considerarmos o Tempo Universal, poderemos concluir com bastante grau de certeza, que:

1 – O ESPAÇO é infinito. Logo, é eterno. É que é impossível ser concebido como algo que tenha princípio e fim ou que tenha começado algum dia, no Tempo.

2 – Se o Espaço é infinito, o Universo de que nos apercebemos poderá não estar sozinho na infinitude do Espaço. Depois, quantos universos houve antes dele? Quantos haverá ao mesmo tempo que ele? Quantos mais se seguirão por toda a eternidade? – Obviamente, perguntas sem resposta…

3 – Este Universo – do qual conhecemos uma pequeníssima parte, a parte visível, que dizem ser apenas cerca de 5%, sendo nos outros 95% invisível por ser constituído de matéria “escura”, isto é, não visível – terá tido início, no Big Bang, há cerca de 14 mil milhões de anos; logo, como qualquer “ser” que começa, terá forçosamente de ter um fim, enquanto o “ser” que agora é.

4 – Como a matéria visível que constitui o Universo é tão colossal que não há qualquer hipótese de o seu volume ser percepcionado por uma mente humana – basta atentar nos milhares de milhões de milhões de biliões de estrelas cuja luz de muitas os telescópios conseguem alcançar e até medir – muito menos se conseguirá percepcionar o volume da restante matéria, a escura invisível, deduzindo-se apenas que é quase incomensurável. Embora, como mensurável, tenha de ter uma medida, não sendo, portanto, infinita!

5 – Como se constata que tudo está em movimento, estando toda a matéria energizada, em potência ou em acto, NADA SE PERDENDO MAS TUDO SE TRANSFORMANDO – movimento mais visível e palpável na evolução dos seres vivos, mas existindo também na matéria inanimada, do átomo ao Universo – deduz-se que o movimento, a matéria e a energia que a enforma serão eternos, actuando, no entanto, sobre entidades finitas mensuráveis, em perpétuo movimento, desde sempre e para sempre. Tudo o que existiu, existe ou existirá fará parte desta engrenagem, ora integrando-se, como entidade própria, ora dela saindo, por ter acabado o seu tempo de energia, mas nada se perdendo, simplesmente se transformando.

 Esta parece-nos ser a REALIDADE, REALIDADE de que fazemos parte e de cuja existência tivemos a sorte e o privilégio de nos aperceber. Não parece que haja qualquer outro ser vivo capaz dessa percepção, por limitados nas suas capacidades de abstracção. Isto, para já; pois, como tudo continua evoluindo, não se sabe como será constituído o mundo dos seres vivos, por exemplo, daqui a mil milhões de anos…

No entanto, para cada um de nós, essa percepção, infelizmente, não se prolongará por muito tempo, pois curtíssimo é o nosso tempo de VIDA!

Mas, pouco ou muito, resta-nos saboreá-lo todos os dias, sempre com um enorme sorriso de FELICIDADE por existirmos e por fazermos parte de tanta Beleza e de tanto… MISTÉRIO!

Há, finalmente, que colocar uma questão: Onde se situa a ideia de Deus nesta REALIDADE? Será ELE a própria REALIDADE ou o TUDO ONDE TUDO SE INTEGRA?


sábado, 23 de abril de 2022

Da impossível ressurreição de Jesus, a quem chamaram o Cristo

 


Os factos que apontam para a sua inequívoca falsidade

 A análise tem de ser feita a partir de dentro, isto é, a partir das narrativas dos evangelhos, começando, no entanto, por advertir que, ontologicamente, não é possível a nenhum ser vivo morrer e ressuscitar, pois cada um cumpre, pelas leis imutáveis da Natureza, o seu ciclo vital: nascer, viver e morrer. Portanto, nunca houve nem haverá nenhuma ressurreição. Só por magia ou na fantasia de alguns que se dizem iluminados...

Em assunto de tão magna importância para o Cristianismo, seria de esperar unanimidade naquelas narrativas. No entanto, constatamos acentuadas divergências, embora sendo constante, nos quatro, o momento do dia “primeiro dia da semana, de madrugada” e a vidente “Maria Madalena”.

Resumamos:

Mateus: Envolve o “acontecimento” de mais dois ou três milagres além de pôr dois anjos a remover a pedra e a mostrar a Maria Madalena e à outra Maria o túmulo vazio, dizendo que Jesus tinha ressuscitado e seguira para a Galiléia onde se encontraria com os discípulos.

Marcos: Mais sóbrio, fala em três mulheres: Maria Madalena, Maria mãe de Tiago e Salomé; a pedra já estava removida e dentro do túmulo estava um anjo que lhes disse mais ou menos o que os dois anjos de Mateus disseram.

Lucas: Acrescenta alguns pormenores. Fala em três mulheres específicas: Maria Madalena, Joana e Maria mãe de Tiago, mas também em outras mulheres que estariam presentes na cena; a pedra estava removida e dois homens (não anjos) com vestes brilhantes contaram-lhes mais ou menos o que Mateus e Marcos disseram. Ao anunciarem aos discípulos o acontecido, Pedro não acreditou nelas e foi constatar que o túmulo estava realmente vazio.

João: Mais prolixo e mais confuso. Coloca apenas Maria Madalena (e mais nenhuma mulher) a ir ao sepulcro; ao constatar que a pedra estava removida, Madalena foi avisar Pedro e João; estes correram e, verificando o facto, foram-se embora. Madalena continuou junto ao túmulo a chorar; entretanto, viu dois anjos lá dentro que lhe perguntaram porque chorava. Depois, o próprio Jesus apareceu-lhe como se fosse o jardineiro. Reconhecendo-o, quis abraçá-lo mas Jesus não permitiu e Madalena voltou a anunciar o acontecido aos discípulos.

Estes narradores, lançada que foi a “pedra” falsa da ressurreição, tiveram de alicerçá-la com acontecimentos posteriores: as aparições de Jesus ressuscitado, mas sempre e só aos seus discípulos e a alguns escolhidos, comendo e bebendo com eles, entrando com as portas fechadas, no local onde eles se encontravam, havendo aquela cena – cena apenas narrada por João, cujo evangelho é escrito uns 50 anos após os factos, o que leva por si só a desconfiar da sua veracidade (Jo, 20, 26-27) – do incrédulo Tomé que, para acreditar, foi convidado por Jesus a meter a mão no lado do peito e o dedo no buraco dos pregos das mãos…; finalmente, puseram Jesus a subir aos Céus. Aliás, o Jesus ressuscitado era espírito que entrava em casa, estando tudo fechado, ou de carne e osso, com pés e mãos já cicatrizados dos golpes sofridos, comendo e bebendo e... falando? Não é absurdo?

Mas onde está, além dos já mencionados e outros desencontros que não referimos, o grande problema da ressurreição e a nossa convicção da sua total falta de credibilidade, é a narrativa das aparições de Jesus. Se Ele era a Luz do Mundo, teria de se mostrar, ressuscitado, a toda a gente, pelo menos a todos os daquela região. O facto de só aparecer a alguns eleitos deita por terra todos os objectivos da suposta missão de um suposto filho de Deus vindo à Terra para salvar o Homem e oferecer-lhe a Vida eterna. Só atingiria tais objectivos, se aparecesse a todo o povo, sobretudo aos seus agressores, tanto judeus como romanos. Tão simples quanto isso!

Qualquer inteligência humana era o que faria; não se pode exigir menos de uma inteligência divina…

Nem adianta Paulo, escrevendo uns 30 anos após os factos, dizer que “Se Ele não ressuscitou é vã a nossa fé.” (1Cor, 15-14). Obviamente, dando o facto como certo, queria convencer disso os crentes na nova religião que ele estava a ajudar a fundar, alicerçando-a exactamente na ressurreição dos mortos. Se lá tivéssemos estado, tê-lo-íamos contestado seguramente…

Então, poderemos concluir que as grandes bases do Cristianismo – a ressurreição e a vida eterna – assentam em fragilíssimas areias movediças…

quinta-feira, 14 de abril de 2022

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 347/?

 

À procura da VERDADE nos Evangelhos 

Evangelho segundo S. JOÃO – 41/?

 – Resultado das enigmáticas palavras proferidas por Jesus perante a multidão: “Apesar de Jesus ter realizado na presença deles tantos milagres, não acreditaram nele.” (Jo 12,37)

– O próprio João certamente, também como nós, intrigado por tal facto - realmente incompreensível, pois que tão pouca força tinham aqueles milagres para tão poucos convencerem! – refugia-se nas Escrituras: “Assim se cumpriu a palavra dita pelo profeta Isaías: «Senhor, quem acreditou na nossa mensagem? A quem foi revelada a força do senhor?» O próprio Isaías mostrou a razão pela qual eles não podiam acreditar: «Deus cegou-lhes os olhos e endureceu-lhes o coração, a fim de que não se convertam e Eu tenha que curá-los.» Isaías falou assim porque viu a glória de Jesus e falou a respeito dele.” (Jo 12,38-41)

– Não nos parece ter sido feliz João na escolha que fez das Escrituras para explicar a não crença dos judeus em Jesus Cristo. É que as palavras de Isaías são um total nonsense, postas na boca de Javé-Deus. Afinal Javé queria ou não queria que os Homens acreditassem na sua mensagem? Mesmo que acreditemos na inspiração divina dos textos bíblicos, aquelas palavras de Isaías nunca poderiam ter sido inspiradas por Deus pois se voltam contra Si próprio! E quem não estiver de acordo com tal afirmação, que prove o contrário mas… convincentemente! Aliás, já alguém, de bom senso – e imparcial! – percebeu como e porque a Bíblia é de inspiração divina?

– Enfim, que certeza tinha João ao afirmar que Isaías falara assim porque tinha visto a glória de Jesus e falara a respeito dele? Não foi antes mera interpretação da Bíblia que certamente também não entendia mas … tinha de aceitar como revelada?!…

– De novo… o Pai! O Pai com os seus mistérios! O Pai e um Filho a confundirem-nos cada vez mais! E se para Jesus era fácil entender o que dizia de Si e do Pai, para nós - os que deviam interessar Jesus, para os quais Jesus disse que veio! - para nós, só resta a… confusão!

– E confusão total: “«Quem acredita em Mim não é em Mim que acredita mas naquele que Me enviou. Quem Me vê, vê também aquele que Me enviou. Eu vim ao mundo como luz para que todo aquele que acredita em Mim não fique nas trevas. Eu não condeno quem ouve as minhas palavras e não lhes obedece, porque Eu não vim para condenar o mundo, mas para salvá-lo. Quem Me rejeita e não aceita as minhas palavras já tem o seu juiz: a Palavra que Eu anunciei será o seu juiz no último dia. Porque Eu não falei por Mim mesmo. O Pai que Me enviou é que Me ordenou o que Eu devia dizer e ensinar. Eu sei que aquilo que Me mandou ensinar é a vida eterna. Portanto o que digo, digo-o conforme o Pai mo disse.»” (Jo 12,44-50)

– Perceberam? Nós… nós não vimos Jesus. Mas aqueles que O viram, acaso compreenderam que, vendo-O, viam também o Pai? Que Pai?!

E se Jesus é a luz, porque continuamos nas trevas, sem ver tal luz? Nós e os do seu tempo!

E como é que Jesus quer salvar o mundo? E salvar o mundo de quê?

E o que é rejeitar as palavras de Jesus? Nós, que aqui não as compreendemos, somos considerados no rol dos que as rejeitam?

Aliás, se não as aceitarmos já temos o nosso juiz… no último dia!…

E portanto haverá julgamento e… último dia! Haverá?!

E como é que o Pai deu ordens a Jesus?

Novamente a vida eterna! Tem mesmo de existir esta vida eterna! Só nos resta descobrir como é que conseguimos acreditar que realmente exista!…

Afinal, o que é que Jesus nos ensinou? A rezar? A louvar o Pai? A amar os nossos inimigos? A perdoar não sete vezes mas setenta vezes sete? (Mt 18,22) A amar o próximo? Enfim, a amar a Deus e ao próximo como a nós mesmos? Bastando isto para termos a vida eterna? Não parece afinal tanto e… tão pouco?

Deixem-nos repetir: “Só nos resta descobrir como é que conseguimos acreditar que a vida eterna realmente exista!…” Mas isso, cremos que ficará para sempre no “segredo dos deuses”… É que Jesus bem diz “Eu sei que aquilo que Me mandou ensinar é a vida eterna.” Mas não apresenta nenhuma prova credível de que realmente exista! Apenas… palavras ocas e sem sentido!

quinta-feira, 7 de abril de 2022

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 346/?

 

À procura da VERDADE nos Evangelhos 

Evangelho segundo S. JOÃO – 40/?

 – “«Neste momento, estou muito perturbado. E o que vou dizer? Pai, livra-Me desta hora? Mas foi precisamente para esta hora que Eu vim.»” (Jo 12,27)

– Além de não entendermos esta perturbação de um “Filho de Deus” que vem fazer a vontade de seu Pai, como entender aquele “Pai, livra-Me desta hora!”, secundado com o posterior bem sentido apelo “Pai, se é possível, afasta de Mim este cálice…” do Jardim das Oliveiras? E com o ainda mais contundente lamento na cruz: “Meu Pai, meu Pai, porque me abandonaste?”

Por outro lado, aquele “foi precisamente para esta hora que eu vim” não faz qualquer sentido. Pois, para quê veio Ele morrer? Os teólogos dizem que foi para salvar a Humanidade. Mas salvar a Humanidade de quê? É muito difícil a uma religião explicar de forma entendível o porquê da morte do seu “ídolo”! Mas como esta religião cristã é uma realidade seguida por milhões, os seus teólogos encontram sempre uma explicação mesmo para o inexplicável ou quando se trata de um total non-sense.

– Entretanto, o maravilhoso acontece! Reza Jesus: “«Pai, manifesta a glória do teu Nome!» Então veio uma voz do Céu: «Eu manifestei a glória do meu Nome e vou manifestá-la de novo.» A multidão que ali estava ouviu a voz e dizia que tinha sido um trovão. Outros diziam: «Foi um anjo que falou com Ele.» Jesus disse: «Esta voz não se fez ouvir por causa de Mim, mas por causa de vós. Agora é o julgamento deste mundo. Agora o príncipe deste mundo vai ser expulso e, quando Eu for levantado da terra, atrairei todos a Mim.» Jesus disse isto para indicar de que morte ia morrer.” (Jo 12,28-33)

– O maravilhoso e… o enigma! Para que precisava o Pai de manifestar a sua glória? Para nos convencer de quê? Para nos levar para a vida eterna, quando nós continuamos, apesar de todas aquelas manifestações divinas, sem saber o que é seguir a Cristo, o que é desprezar a vida neste mundo para conservá-la para a tão desejada vida eterna?!…

Depois, uma voz do… Céu! Quem realmente teria falado? Que tipo de voz? Cavernosa, lenta, pausada, solene, como convinha a Deus-Pai, ou… aflautada, como de… mulher ou… de anjo? Ou foi mais um milagre de Jesus que fez ouvir a cada um dos presentes uma voz que eles identificaram como se tivesse vindo do… Céu?

O que é certo é que uns ouviram-na como se fosse um trovão, outros como se fosse um anjo a falar com Ele… (Isto, caso acreditemos em João… É que é o único evangelista a narrar tal maravilhoso acontecimento e tal resposta de Jesus.)

Contudo, o mais importante é perguntar se alguém percebeu o porquê daquela voz, o que era o Pai manifestar a glória do seu Nome, porque era então a hora do julgamento do mundo, porque o príncipe deste mundo iria ser expulso…

Aliás, que príncipe é este? O Diabo? E como é que ele iria ser expulso? Com a morte de Cristo, cujo significado e finalidade - além do cumprir das Escrituras - ninguém consegue entender plenamente?

Enfim, como é que Jesus iria atrair todos a Si quando fosse levantado da terra, interpretando João este levantamento como o modo “escolhido” por Jesus (ou por Deus-Pai?!) para morrer? Alguém entende?

– Nós não! E a multidão que escutava Jesus também não! “«A Lei diz-nos que o Messias vai permanecer aqui para sempre. Como podes dizer que é preciso que o Filho do Homem seja levantado? Quem é esse Filho do Homem?» Jesus respondeu: «A luz ainda está no meio de vós. Por um pouco de tempo. Procurai caminhar enquanto tendes a luz, para que as trevas não vos surpreendam. Quem caminha nas trevas não sabe para onde vai. Enquanto tendes luz, acreditai na luz, para que vos torneis filhos da luz.»” (Jo 12,34-36)

– Mais uma vez, Jesus “escapa” à pergunta, ali, directa… Refugia-Se na metáfora, na palavra que ninguém entende! Para quê queremos a metáfora da luz? O que é realmente tornar-nos filhos da luz?

Estranho! Se ninguém entendeu nem… entende, porquê falou Jesus de tal modo? Não é neste ponto que se joga toda a nossa Fé e toda a nossa… razão? Não é aqui que descremos completamente do… “doce”, do… “inefável” Jesus a quem apelidaram de Cristo?!