sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 205/?


À procura da VERDADE nos Evangelhos 

Evangelho segundo S. MATEUS – 1/?

– Mateus pretende dar cunho inequivocamente histórico à descendência de Jesus: “Assim, as gerações desde Abraão até David são quatorze; de David até ao exílio na Babilónia, quatorze gerações; e do exílio na Babilónia até ao Messias, quatorze gerações.” (Mt 1,17) Mas, parece totalmente questionável esta precisão “quatorze”, como tendo alguma validade histórica. Seja qual for o conceito de geração para Mateus, basta dizer que de Abrão (c.1900 aC) a David (c.1000 aC) vão c. 900 anos e de David ao Exílio (580 aC) vão c.420.
–“A origem de Jesus, o Messias, foi assim: Maria, sua Mãe, estava prometida em casamento a José e, antes de viverem juntos, Ela ficou grávida pela acção do Espírito Santo. José, seu marido, era justo. Não queria denunciar Maria e pensava em deixá-La, sem ninguém saber. Enquanto José pensava nisso, o Anjo do Senhor apareceu-lhe em sonho e disse: «José, filho de David, não tenhas medo de receber Maria como esposa, porque Ela concebeu pela acção do Espírito Santo. Ela dará à luz um Filho, ao qual darás o nome de Jesus, pois Ele vai salvar o seu povo dos seus pecados». Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: «Vede: a Virgem conceberá e dará à luz um Filho. Ele será chamado Emanuel, que quer dizer: Deus está connosco.»” (Mt 1,18-23)
– Singela, lírica, quase romântica, esta origem de Jesus Cristo… A Virgem fica grávida do Espírito Santo e dá à luz, sem que José tenha qualquer intervenção: “Quando acordou, José fez como o Anjo do Senhor havia mandado: levou Maria para sua casa e, sem ter relações com Ela, Maria deu à luz um Filho. E José deu-Lhe o nome de Jesus.” (Mt 1,24-25)
O problema é misturar-se o divino com o humano, em fronteiras difusas. E, obviamente, estamos perante um milagre! O primeiro grande milagre do Novo Testamento: nascido de uma Virgem, com a intervenção do Espírito santo… Aqui, Mateus teve necessidade de apelar para as Escrituras. Mas o passo referido nada prova, trocando deliberadamente o vocábulo “jovem” por “virgem”. Veja-se: “Pois ficai sabendo que Javé vos dará um sinal: A jovem concebeu e dará à luz um filho e chamá-lo-á Emanuel.” (Is 7,14).
Percebe-se que Mateus apele para o Javé das Escrituras. Mas sabemos como os próprios autores “sagrados” O maltrataram e descredibilizaram, tornando-O motor da história das guerras em que intervieram os israelitas e povos vizinhos, quer como vencedores, quer como vencidos! E perdendo-se em manifestações de iras, ódios e forças descomunais, afirmando o seu poder com supostos milagres, quando faltavam forças para dominar o “inimigo”! Completamente hipotecado a um povo, dito “eleito”, o povo de Israel…
Depois, quem era realmente aquele Anjo do Senhor que aparece em sonhos a José? Real ou… inventado por Mateus, falando em sonhos como falaram os anjos de Javé no Antigo Testamento? Tudo bem mais parece ser produto da fértil imaginação criativa de Mateus. Se é que há anjos…
Outra “certeza” de Mateus: “Jesus é o Messias.” Mas a afirmação é totalmente gratuita, sem que apresente qualquer prova credível… Nem se percebe bem o que ele entenderia por Messias: libertador do povo de Israel, para a Terra, do jugo romano ou… para o Céu?
Enfim, Mateus começa como irá continuar, sem objectivos de veracidade histórica mas com intuitos claros de firmar na Fé os aderentes à nova religião que, ora ali, se ia iniciando. E tais fins justificavam todos os atropelos à História, substituída esta pela criatividade da fantasia.
Resta dizer que os evangelistas, sobretudo Lucas, apresentarão Jesus, o Messias, como nascendo milagrosamente à moda dos deuses solares antigos – deuses nascidos do conúbio de outros deuses com virgens terrestres – para tentar convencer, assim, os crentes da sua origem divina. Obviamente, uma falácia…


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 204/?


Preâmbulo 3
Ainda antes do texto

– Não sabemos, com total certeza, se Jesus considerava “sagradas” e, portanto, intocáveis, porque de inspiração divina, as Sagradas Escrituras. Por um lado, diz: “Não venho abolir as Escrituras mas dar-lhes pleno cumprimento. “ (Mt 5,17) Por outro, corrige-as, não poucas vezes, transformando, por exemplo, o “olho por olho, dente por dente” no amor ao próximo - amigos e inimigos - impensável no A T: “Se amardes os vossos amigos que merecimento tereis? Amai pois os vossos inimigos e tereis uma recompensa no Céu!” (Mt 5,46; Lc 6,27-35) “O primeiro dos mandamentos é: amar a Deus sobre todas as coisas; e o segundo é semelhante a este: amarás o teu próximo como a ti mesmo.”
Enfim, cita Jesus não poucas vezes, as Escrituras, para em parte fundamentar, em parte justificar a sua actuação. (Mt 11,10; 13,12-17; 15,8 e 19; 22,37-39; etc.) Os evangelistas, também. E é certamente no Evangelho de S. Mateus que encontramos mais vezes citadas as Escrituras para tentar “provar” que Jesus é o Messias anunciado. (Mt 1,23; 2,6-e 18; 3,3, 4,15-16; 8,17; 19,4-9; 26,31; etc.)
– Iniciando-nos na análise ao NT, lê-se na Introdução, e ficamos perplexos perante a insanidade e a gratuitidade das afirmações: “Através da sua palavra e acção, Jesus inaugurou a nova aliança ou, por outras palavras, o Reino de Deus. (…) Em Jesus, Deus quer reunir toda a humanidade como uma família. (…) Essa grande reunião, onde tudo é partilha e fraternidade no amor, é o Reino de Deus que, semeado na História, vai crescendo até que se torne realidade para todos.” (ibidem)
Realmente, olhando o que se passa à nossa volta, dois mil anos volvidos, nem aliança nem Reino de Deus se manifestam entre os Homens. E, se olharmos a História, então o cenário é muito pior! Então, o fracasso da iniciativa de Deus de enviar à Terra o seu Filho Salvador parece total! 
– Também se afirma – o que é de estranhar num exegeta comprometido: “Os Evangelhos (…) não são biografia ou História, mas sim um anúncio para levar à fé em Jesus, isto é, ao compromisso de continuar a sua obra, pela palavra e acção. (…) O Apocalipse de São João (…) apresenta Jesus ressuscitado como Senhor da História e mostra como os cristãos, em tempo de perseguição, devem anunciá-Lo e testemunhá-Lo sem medo, enfrentando até a própria morte.” (ibidem)
E nós concluímos: Portanto, não sendo biografia nem História, não merecem qualquer credibilidade acerca do que narram sobre a vida e história de Jesus. No entanto, não é isto que pensa a Igreja nem o que manda ensinar na catequese… Quanto a Jesus ser o Senhor da História, parece-nos cair na tentação bíblica do Antigo Testamento, em que Javé-Deus é tão Senhor da História que tudo comanda e dirige, desde os castigos infligidos aos judeus, nas derrotas sofridas, como nas vitórias alcançadas, prémios pelo seu bom comportamento diante do mesmo Javé-Deus. Mas sabemos que tais vitórias e derrotas nada têm a ver com Javé: foram simplesmente ditadas pela História dos povos intervenientes.
– Mais desconcertante ainda é o que o “nosso” comentador acrescenta: “O Templo é sem dúvida o centro de Israel. (…) No Templo, habita o Deus único, santo, puro, separado, perfeito. (…) O Homem torna-se tanto mais puro quanto mais perto estiver de Deus. (…) Percebe-se, então, o poder dos sacerdotes na sociedade judaica. (…) Essa autoridade dos sacerdotes sobre o povo acaba por legitimar e reforçar o Templo que se torna não só o centro religioso mas também o centro económico e político. (…) O Templo possui imensas riquezas (o Tesouro) e toda a cúpula governamental age a partir daí (o Sinédrio) (…). A religião torna-se instrumento de exploração e opressão do povo.” (ibidem)
Exactamente! Tal como durante todo o Antigo Testamento! Por isso, dissemos que aquele Javé-Deus que tudo ordenava, que ordenava todos aqueles ritos de holocaustos e ofertas pelo pecado – aliás denunciados uma vez pelo profeta (Os 4,8) – não passaria de invenção de sacerdotes e patriarcas que assim legitimavam perante o povo, o seu poder, os seus abusos, as suas exigências do dízimo e das primícias, tudo em nome e por ordem de Javé-Deus! Ah, como viveram à sombra do Templo tantos e tantas, a coberto de Javé, santo Deus!… E – espanto dos espantos! – já noutros contextos o dissemos – como continuamos a ter como sagrados, de inspiração divina, tais textos que tal defendem e em que tal baseiam a história “divina” de um povo!
Pior! Como continuamos a considerar tais textos como o fundamento da nossa fé e da nossa vida eterna, pois foram essas Escrituras que prepararam a vinda do Senhor, do Messias, de Jesus Cristo?! E… que O levaram à morte!
Mas, sem perdermos a esperança de encontrar a VERDADE, vamos então, à análise crítica dos Evangelhos!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 203/?


Preâmbulo 2
 O Messias!

– O Messias! O Salvador! O Libertador do pecado!… Mas… Salvador de quê? Do Homem? Que Homem? O da proto-história, ou o dos tempos de Cristo, prolongando-se no de hoje? E Libertador do pecado? Que pecado? Acaso houve realmente pecado? O que é isso de “pecado original”?
Aliás, quando nas Escrituras do Antigo Testamento, se fala em Messias, o Salvador, era apenas no seu significado de Salvador terreno do povo eleito, Israel, das garras - mais uma vez! - dos seus inimigos, ou do cativeiro da Babilónia: “Mas tu, Belém (…), é de ti que sairá para Mim Aquele que há-de ser o chefe de Israel! (…) De pé, Ele governará com a própria força de Javé. (…) Ele estenderá o seu poder até às extremidades da Terra. Ele próprio será a paz. (…) Ele nos livrará da Assíria se ela invadir o nosso território e atravessar as nossas fronteiras.” (Mq 5,1-5)
Mais: foi neste sentido que o interpretaram os Apóstolos e o povo, quando a mãe de Tiago e João pediu a Jesus um bom lugar no seu Reino. (Mt 20,20; Mc 10,35) Até houve entre os Apóstolos aquela discussão de qual seria o primeiro no Reino dos Céus, tendo nós dúvidas de que não tomassem tal Reino por reino deste mundo... (Mt 18,1),  ficando eles decepcionados ou confusos, quando ouviram Jesus afirmar, perante Pilatos: “O meu Reino não é deste mundo…”.
Note-se que, na Introdução ao Evangelho de Mateus, se diz: “Jesus é o Messias que realiza todas as promessas do Antigo Testamento. Essa realização ultrapassa as expectativas puramente terrenas e materiais dos contemporâneos de Jesus, que esperavam apenas um rei nacionalista que os libertaria da dominação romana. Frustrados nas suas expectativas, rejeitam-No e entregam-No à morte.” E ainda na Introdução a Marcos: “Nessa época, tinha-se a ideia de que o Messias faria com que Israel retomasse o antigo esplendor dos tempos de David e Salomão.” (1)
Ora, o Reino!… Se não é deste mundo, de que mundo é então? - já noutros lugares perguntámos. E tantas perguntas temos sobre esse Reino, tantas!… Onde é esse Reino? No céu? Que céu? Como lá chegar? Quando? Quem de lá veio para no-lo afirmar que realmente existe, sem rodeios de parábolas ou mistérios como o próprio Jesus tudo deixou? Quem? 
A vontade é de perguntar ainda ao próprio Deus:
"Porque não envias tantos mensageiros quantos sejam necessários até que todos os Homens acreditem e… se salvem, atingindo os teus objectivos de salvação dos mesmos  Homens, mas não tendo de morrer  tão ignominiosamente e tão sofredoramente na cruz, como morreu o dito teu filho Jesus?" 
E, ainda, a propósito: "Que Pai - sendo Pai! - deixa - pior: quer, exige! - que um filho morra assim numa cruz? Houve algum objectivo para que tal tivesse acontecido? Ou, por ser teu filho, não sofreu realmente mas foi tudo aparências? Tudo fingimento?" Ao que isto nos levaria, Santo Deus-Pai! 
E, falando abertamente: "Assim, só podemos fazer conjecturas. O teu filho parece ter deixado tudo muito confuso, apelando sempre para o mistério, quando merecíamos que nos falasse mais claramente. E se, da primeira vez, não entendemos, bem merecíamos - bem merecia o Teu esforço de Salvação - que enviasses cá de novo o teu Filho ou outro mensageiro para que, enfim, todos acreditássemos e nos salvássemos, alcançando o prometido Céu, para contigo e com os anjos - que também não entendemos! - passar toda uma bem-aventurada eternidade! É que nós procuramos ser virtuosos. Nós sofremos o bastante aqui na Terra para merecermos tal Céu. Então, vá, não percas mais tempo: envia cá de novo um mensageiro credível e convincente!"
Bem, a verdade é que continuamos acorrentados na total incerteza do Além e no desejo atroz de o querer desvendar! Vamos ver se Jesus Cristo que foi, desde que o Homem é Homem, o único que parece ter tido algumas palavras de vida eterna, nos dá mais que meias-respostas, mais que uma Verdade obnubilada em mistérios, mais que parábolas que, em vez de nos esclarecerem, só nos deixam mais confundidos!…

(1)  - NOTA: As introduções, citações e notas referidas ao longo do livro, são as da versão da Bíblia, da Sociedade Bíblica Católica Internacional, PAULUS 1993 e/ou do Novo Testamento e Salmos, da Sociedade Bíblica de Portugal, 1994


sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 202/?r-


Preâmbulo 1
Para todos os amantes da Verdade…

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida!” (Jo 14,6)

“O que é a verdade?” (Jo 18,38)

 A análise que ora iniciamos do NT interessa a todos os que se interrogam sobre Deus, a morte, o Além, a outra vida, a… eternidade! Todos os que se não contentam em acreditar porque os outros lhe dizem que é assim, mas vão à procura, para se firmarem na fé. Todos os que, embora crentes, já alguma vez duvidaram e ainda não têm certezas e quiseram tê-las. Todos os não crentes que, pelo facto de o ser ou de se afirmar como tal, não deixam de acreditar nalguma coisa que dê sentido às suas vidas.
E talvez todos bem quisessem que o NT falasse verdade, e que houvesse realmente um Deus e sobretudo um céu onde pudessem passar o “resto dos seus dias”… que é “simplesmente” a eternidade! Pois em que íntimo não se prefigura um perpetuar-se eternamente, não diria com este corpinho que inexoravelmente irá definhando com o Tempo, mas ao menos com esta alma que nos anima e faz com que nós sejamos nós e só nós e não outro qualquer que usurpe a nossa individualidade?
É que, como seres pensantes, sabemos que temos certa uma vida terrena, pois nos sentimos, nos apalpamos, nos comovemos, raciocinamos. Mas nada sabemos do que se seguirá, do que há para além das coisas e das vidas, dos corpos e das almas… e sentimo-nos no direito de saber, pois se joga neste saber, toda uma vida, toda uma eternidade, que já não é tempo porque as coisas do tempo têm forçosamente de ter um fim, como tiveram um princípio…
E, se há uma resposta, quiséramos sabê-la antes que nos vamos, pois por enquanto ainda conseguiremos remediar alguma coisa, se é que alguma coisa há a remediar e tudo não passa de um Ser que agora é e logo já não é, sem deixar rasto, nem se prolongar em coisa alguma, com qualquer identidade que o possa individualizar e que se possa sentir como ele mesmo e não como elemento de uma outra qualquer realidade, seja pedra, animal ou… estrela!
Ah, como ansiamos por tal RESPOSTA! Jesus Cristo, sendo o Messias, o Prometido desde toda a eternidade, sê-la-á? É que a Bíblia do Antigo Testamento raramente chegou à eternidade, à ressurreição, a um Céu com Deus, apesar de referências à ressurreição em Daniel (12,1-3) e 2Macabeus. (7,9.11.14.23.29; 12,43-45), prevalecendo na Sabedoria (1,15; 2,23; 6,18-19), as ideias de imortalidade e de incorruptibilidade, ao que parece, por influência da cultura helénica.
O que é certo é que Jesus Cristo, os apóstolos, Paulo, Agostinho, Xavier, todos os santos e santas - como qualquer pecador ou pecadora, que é quase toda a humanidade! - partiram. E onde estão agora? Onde? Que lugar lhes foi - nos vai! - preparar Jesus Cristo?! Há realmente um Céu? Há realmente um Inferno? Ou… é TUDO, uma grande EFABULAÇÃO, um grande NADA?!
Esta a grande interrogação para a qual exigimos de Jesus Cristo uma resposta! Ou não fora Ele o Filho de Deus!


sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 201/?



Conclusão breve e objectiva

O AT, com os seus 46 livros – nem todos (sete) tidos por 
inspirados por Deus pelos judeus – não passa de um conjunto 
de pequenos livros:
1 – Livros da Lei, o Pentateuco (cinco livros), melhor dito, 
livros das leis que a classe política e religiosa, (levitas e 
sacerdotes sempre de mão dada com o poder político), 
impunham ao povo israelita.
2 – Livros históricos (dezasseis) pouco ou nada credíveis 
do ponto de vista da real história, fortemente influenciados 
pela classe político-sacerdotal.
3 – Livros sapienciais (sete), os mais interessantes do ponto 
de vista da análise existencial do ser humano, com as suas 
dúvidas, os seus anseios, o seu desejo de prazeres, sendo 
o exemplar mais poético, o “Cântico”. Livros onde pontuam 
frases tão humanas e sem qualquer pinta de divino, como:
“Aconselho que se desfrute o melhor que a vida pode 
proporcionar, porquanto debaixo do sol não existe nada 
mais feliz para o ser humano do que simplesmente: comer, 
beber e alegrar-se. (Eclesiastes 8:15), ou “Goza a vida com a 
mulher que amas, todos os dias da tua vida” (Eclesiastes, 9-9), 
ou “Não te prives de um dia feliz, nem deixes escapar um 
desejo legítimo. Acaso, não vais deixar para os outros o fruto das 
tuas fadigas? Dá e recebe e diverte-te porque no mundo dos 
mortos não há alegria.” (Eclesiástico, 14,14-16)
4 – Livros proféticos (dezoito) apresentados na Bíblia, por 
nós seguida, sem grande ordem cronológica, sendo o último – 
Malaquias – dado por ter sido escrito nos meados do séc. 
V aC. As ditas profecias e ditas de inspiração divina, ninguém 
sabe até que ponto foram/são ou não profecias, como tentámos 
demonstrar ao longo da análise crítica aos mesmos livros.

Em modos de conclusão, é interessante referir o que o “nosso” 
exegeta diz, na Introdução ao exemplar da Bíblia que ele foi 
comentando e nós fomos citando: “O AT é uma colecção de 46 
livros onde encontramos a História de Israel (…): mostra como 
surgiu, como viveu escravo no Egipto, como possuiu uma terra, 
como foi governado, quais as relações que teve com outras nações, 
como estabeleceu as suas leis e viveu a sua religião. Apresenta os 
seus costumes, a sua cultura, os seus conflitos, derrotas e esperanças.” 
O que afirma, de seguida, não importa repetir, por desprovido de 
qualquer ponta de credibilidade.
Então, é isso e apenas isso, embora os cristãos queiram fazer da mesma 
Bíblia um livro de inspiração divina e, neste AT, um anúncio ou 
prenúncio do NT, onde apareceria Jesus que foi dito como o 
Messias, e “feito” o Filho de Deus, prometendo a salvação/vida eterna 
a quem acreditasse nele...
Uma teoria bonita se não fosse produto da imaginação e da fantasia 
de alguns, também eles ditos inspirados…
Enfim, restam-nos as palavras prè-introdutórias à mesma edição bíblica: 
“Este é um livro de verdades absolutas, de verdades para todas as 
gerações. É o Livro da Verdade.” Palavras, obviamente falsas ou sem 
sentido. É que de Verdade da Vida eterna que procurávamos que 
procurámos… NADA! Um grandíssimo NADA! Nada de 
VERDADE sobre o fim último da existência humana.





sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 200/?


Como que despedindo-nos…

- E… acabámos! Aleluia! Aleluia!
Alívio? Frustração? Total desengano ou… a tal grande Alegria 
quando nos disseram “Vamos ler o Livro da VERDADE”?
Fizemos uma escolha! Muito mais poderíamos ter dito mas 
não quisemos alongar-nos maçadoramente em citações e comentários, 
quase sempre perguntas… sem respostas. Quem pudera responder a 
todas as questões, se não todas, pelo menos a maioria pertinentes, 
que fizemos ao longo destas páginas? Quem nos poderá acusar de 
má-fé e de falsos ou incompetentes exegetas mas com a presunção 
de o ser?
Não quisemos - de propósito! - embrenhar-nos em discussões 
teológicas ou de eruditos, ínfima parte não significativa da 
Humanidade! Quisemos pôr-nos, como de início advertimos, na pele 
de qualquer Homem que tem de entender a VERDADE da sua 
salvação eterna para que a vida terrena tenha algum sentido, algum 
objectivo de fim último. Não tem todo o Homem direito a entender 
tal verdade? Ou esse direito será apenas para os estudiosos e 
eruditos? Se tal fosse verdade, toda a justiça divina cairia por 
terra e Deus aniquilar-se-ia na sua própria inverdade!
Eis-nos enfim chegados… ao fim! E neste terminar de leituras e 
formulação de questões e mais questões, já vemos, já ouvimos 
coros de vozes em protesto, em ameaça com fogos do inferno, em 
anátemas de condenação eterna, em impropérios de furiosas 
excomunhões… Vindos de onde? – De tantos, desde o princípio dos 
séculos, após os primeiros textos bíblicos terem sido escritos e tidos 
por revelados: exegetas, santos que seguiram à letra profetas e 
autores sagrados, teólogos de todos os tempos, de todas as idades, 
de todos os países, judaicos, cristãos, ortodoxos, que se dedicaram 
a interpretar a Bíblia, nunca a discutindo pois, como discutir o 
que é sagrado? Como discutir a mensagem revelada? Como não 
acatar a Lei de Deus?
Todos esses nos dirão - nos diriam, se pudessem! - que a heresia tem 
limites, que não temos sequer o direito de questionar o 
inquestionável, mas tão somente de tentar entender o mistério que é 
Deus revelado na Bíblia, o Deus-Javé que aqui no Antigo Testamento 
falou pelos profetas, tal como rezam os judeus, tal como rezam 
os crentes católicos, ortodoxos, protestantes, todos cristãos, 
irmanados num Cristo que é o fruto do anúncio feito por Deus, pela 
boca dos profetas ao longo de mais de mil anos!…
Ele, Deus, por meio de Moisés, retirara o “Seu Povo” do Egipto, 
dera-lhe uma “Terra Prometida”, Terra onde nasceria o 
Rei-Salvador de Israel e de toda a humanidade, a fazer fé nos 
evangelistas, nos apóstolos, em S. Paulo, nos santos e mártires que 
deram a vida pela defesa de tal mensagem em que acreditavam com 
a força de um Divino Espírito Santo.
Mas nós teremos de responder: também nós quiséramos que tudo isso, 
tudo isto fosse a VERDADE, mas uma VERDADE incontestada, 
entendida e compreendida por todos os Homens sem excepção, 
para que todos tivessem a VIDA ETERNA, que ambicionamos. 
Infelizmente, não encontrámos na Bíblia do Antigo Testamento, 
tal VERDADE incontestada, a tal CERTEZA de que a vida 
eterna realmente existe, que Deus realmente existe, que a Bíblia e 
a sua mensagem são realmente reveladas e realmente divinas.
Pelo contrário, tudo nos pareceu demasiado humano, demasiado fora 
do divino, demasiado descrente num Deus que pouco mais era, foi, 
será ou seria que um Deus hipotecado a um povo que “jogou” com 
Ele o jogo do gato e do rato, na dicotomia perene de prémio-castigo, 
de pecado-louvor ou sacrifício de reparação, nunca passando além de 
uma relação familiar, como se de pai feroz e filhos mal 
comportados se tratasse!… De um Deus universal, de um Deus do 
Universo, nada ou… quase nada!
E então? – Então, continuamos à procura! À procura da VERDADE. 
Não para mim ou para ti ou para nós, mas para todos os Homens 
de todos os tempos de todos os lugares, da Terra, do Céu, dos 
Espaços infinitos do Universo, na universalização total de Deus que, 
por sê-Lo, não pode cingir-Se a nenhum tempo nem nenhum espaço, 
muito menos a um povo num dado espaço, num dado tempo. Iremos, 
pois, à procura da VERDADE no Novo Testamento.


sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 199/?



À procura da VERDADE no livro de MALAQUIAS – 2/2

- “Vós cansais Javé (…) quando dizeis: «Quem pratica o mal é que é 
bom aos olhos de Javé. É desses que Ele gosta.» Ou ainda: «Onde é 
que está o Deus que faz justiça?» Eis que vou enviar o meu 
mensageiro para preparar o caminho à minha frente. De repente vai 
chegar ao seu templo o Senhor que procurais (…). Quem poderá 
suportar o dia da sua vinda? (…) Ele é como fogo (…)” (Ml 2-3)
- Comenta-se: “Um dos grandes escândalos para o povo fiel é ver que, 
na perspectiva da retribuição terrestre, os maus, mesmo prejudicando 
outros, levam sempre a melhor, e ainda são respeitados. 
Malaquias responde a esse escândalo, mostrando que Deus intervirá, 
produzindo uma nova ordem, na qual a justiça será feita e o direito 
será restabelecido para todos. (…) Deus fará justiça um dia no 
grande julgamento escatológico (…). O misterioso mensageiro era 
então uma personagem esperada para os últimos tempos. Jesus 
aplicará o texto a João Baptista (cf. Mc 1,2; Mt 11,14).” (ibidem)
Nós apenas perguntaríamos: Onde e como mostra Malaquias que 
Deus reporá a justiça? Apenas… palavras! De… fé! Sem qualquer 
credibilidade.
E o “misterioso mensageiro” não passa além do mistério! Mesmo 
que Jesus Cristo dele se tenha “apropriado” para seu precursor…
- “Sim, vós enganais-Me! (…) «Em que Te enganámos»? - No 
dízimo e na contribuição. Fostes ameaçados com a maldição e, 
mesmo assim, enganais-Me! (…) Trazei o dízimo completo para 
o cofre do Templo, para que haja alimento no meu Templo. (…) Eu 
vos abrirei as comportas do céu e derramarei sobre vós as minhas 
bênçãos de fartura. Acabarei com as pragas das plantações (…) 
Todas as nações vos chamarão felizes (…)” (Ml 3,8-12)
- O dízimo inventado pelos sacerdotes do Templo perseguiu-nos ao 
longo de toda a Bíblia. Aqui, com requintes de crueldade em 
ameaças e promessas fáceis… Abominação das abominações! Como 
nos fazem tais palavras lembrar exploradoras igrejas que proliferam 
por esse mundo, vendendo caro a esperança num desconhecido mas 
apetecido céu!…
- “Para vós que temeis a Javé, brilhará o sol da justiça, que cura com 
os seus raios. (…) Calcareis os maus como poeira debaixo da planta 
dos vossos pés, no Dia que Eu preparo - diz Javé dos exércitos.” 
(Ml3,20-21)
- Assim termina Malaquias. Com mais uma afirmação sem qualquer 
credibilidade: acredita quem quiser ou… quem não quiser pensar e 
questionar. Assim terminamos nós, pedindo desculpa aos leitores de 
tanto os termos massacrado com inúmeras repetições de um 
Javé-Deus dos… exércitos!
Constatámos que, afinal, os textos que, eventualmente, se podem 
referir a Jesus Cristo são em bem pequeno número. E não 
totalmente explícitos. Quando falarmos com Jesus Cristo, 
perguntar-lhe-emos se foi assim tão necessário apelar para as 
Escrituras - leia-se Antigo Testamento - para que sofresse o que 
sofreu, aparecesse um precursor a anunciá-Lo, nascesse de uma 
Virgem (virgem ou donzela?!), fosse rejeitado na sua própria terra, 
fosse levado ao matadouro como se fosse cordeiro a abater em 
oferenda…