segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 147/?

À procura da VERDADE nos livros Proféticos

JEREMIAS 7/15

- “Dirás o seguinte: Assim diz Javé: «Se não Me obedecerdes 
seguindo a lei que vos dei e se não obedecerdes às palavras dos 
meus servos, os profetas, que sem cessar vos envio, se não os 
escutardes, então vou fazer deste Templo o que fiz ao santuário 
de Silo e desta cidade farei um objecto de maldição para todos os 
povos da Terra.» Os sacerdotes, os profetas e todo o povo ouviram 
Jeremias dizer isto no Templo de Javé. Depois, (…) os sacerdotes 
e os profetas prenderam-no, dizendo: «Tu deves morrer (…) Este 
homem deve ser condenado à morte porque profetizou contra esta 
cidade. (…)». «Foi Javé que me mandou profetizar contra este 
Templo e esta cidade (…) Agora, emendai a vossa conduta e 
acções: obedecei a Javé, vosso Deus e Javé desistirá das ameaças
que proferiu contra vós.»” (Jr 26,4-13)
- O falar contra as autoridades religiosas do tempo ia-lhe custando 
a vida. Naquele tempo, nos tempos de hoje, que diferença? Mas, 
se acaso eles tivessem emendado a conduta, o “castigo” - invasão 
e destruição de Jerusalém - não se teria concretizado? Duvidamos 
fortemente, perante a sede de poder de Nabucodonosor.
- “Quanto a vós, não deis ouvidos aos vossos profetas e adivinhos, 
intérpretes de sonhos, feiticeiros e magos que vos dizem: Não
ficareis submetidos ao rei da Babilónia. Porque eles profetizaram 
mentiras (…)” (Jr 27,9-10)
- Certamente seriam apenas vozes com ideias diferentes das de 
Jeremias sobre a proximidade dos acontecimentos. Mas aqui, não 
há dúvidas: Jerusalém caiu mesmo nas mãos do rei da Babilónia! 
Jeremias … acertou!
- “Hananias (…) que era profeta (…) falou (…) diante dos sacerdotes 
e de todo o povo, dizendo: Assim diz Javé dos exércitos, o Deus de 
Israel: Vou quebrar o jugo do rei da Babilónia. Dentro de dois anos, 
farei voltar para este lugar todos os objectos do Templo de Javé (…) 
Jeremias disse ao profeta Hananias: Escuta-me, Hananias: Não foi 
Javé que te mandou e levaste este povo a acreditar numa mentira. Por 
isso, assim diz Javé: Vou retirar-te da face da terra; ainda este ano 
morrerás porque pregaste a revolta contra Javé. E Hananias morreu 
nesse mesmo ano.” (Jr 28,1-17)
- Obviamente, também Hananias falava em nome de Javé mas… 
não acertou. Tal desacerto custou-lhe a própria vida, não pela mão 
dos homens mas do próprio Javé. Que verdade haverá nisto? Não 
expressaria Hananias apenas uma opinião à moda dos profetas que 
tudo colocavam na boca de Javé? Tanto o amor como o ódio? Aliás, 
aqui, o mesmo texto que profetiza a morte de Hananias revela o 
cumprimento da profecia. É, pelo menos, confuso!
- “Assim diz Javé dos exércitos, o Deus de Israel, a todo o povo que 
levei de Jerusalém para o exílio na Babilónia: Construí casas para 
morardes, plantai pomares e comei os seus frutos, casai-vos, gerai 
filhos e filhas, arranjai esposas para os vossos filhos e maridos para 
as vossas filhas (…) Multiplicai-vos em vez de diminuir. Lutai pelo 
progresso da cidade para onde vos exilei e rezai a Deus por ela, pois 
o progresso desse lugar será também o vosso progresso.” (Jr 29,4-7)
- É espantoso como os judeus cumpriram, então como hoje, tal conselho 
de Javé. Espalhados por todo o mundo, têm o mundo nas mãos pois 
souberam criar riqueza, apoderar-se dos sistemas produtivos dos países, 
dominar bancos, petróleos, ouro, diamantes… Só lhes falta conseguir 
a “Terra Prometida”. Mas também para que querem eles uma Terra 
Prometida? Não têm a Terra inteira a seus pés? Não é a Terra inteira 
a sua Terra Prometida? 
Se pensassem assim, bastar-lhes-ia um pedaço de Jerusalém para se 
sentirem felizes e terem a tão desejada paz, no perene conflito em que 
estão enleados até à medula, sem conseguirem libertar-se das teias da 
guerra e do ódio… Mas parece que aí não chega a sua enorme e 
reconhecida inteligência e sagacidade. Ou… perversa maldade?!
Quanto à profecia, mais uma vez, estamos perante uma interpretação 
puramente religiosa da História.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 146/?

À procura da VERDADE nos livros Proféticos

JEREMIAS 6/15

- “Por isso, assim diz Javé dos exércitos: Já que não ouvistes as 
minhas palavras, mandarei convocar todas as tribos do Norte - 
oráculo de Javé - e também o meu servo Nabucodonosor, rei da 
Babilónia, para virem contra este país, contra os seus habitantes 
e contra todas as nações vizinhas. Vou condená-los todos ao 
extermínio (…) O país inteiro será entregue à destruição e desolação 
e o povo ficará escravo do rei da Babilónia durante setenta anos. 
Depois (…) castigarei o rei da Babilónia e o seu povo - oráculo 
de Javé - (…) por causa dos seus crimes. Vou transformá-lo em 
desolação permanente.” (Jr 25,8-12)
- Tais palavras apresentam um Javé que parece andar divertindo-se 
castigando ora uma ora outra nação. Ridículo para um Deus-Deus 
que deveria estar muito acima de todas estas pequenas - que 
serão sempre pequenas por maiores catástrofes ou destruições que 
sejam - questiúnculas entre povos que se guerreiam e se destroem 
conforme o poder que cada um consegue alcançar. E sempre 
num pequeno lapso de tempo da História. Depois, como considerar 
isto profecia se foi escrito depois dos factos terem acontecido? Aliás, 
aquela precisão dos 70 anos é… de mestre profético! Perante tais 
considerandos, porque temos estes textos como “Livros Sagrados”, 
Livros da Fé? Ah, que Fé baseada em tão fracas bases, Santo Deus! 
E não deixa de ser interessante - ou melhor, intrigante - o pagão 
Nabucodonosor, arrasador de nações, ser chamado de “servo” por 
Javé. Só porque vai servir de mão divina para castigar Israel pelos 
seus pecados? É… inadmissível! Alguns dirão que é tudo simbólico, 
tudo metafórico. Mas, como nos havemos de entender com isto de 
às vezes ser simbólico e, outras vezes, nas mesmas circunstâncias, 
ser real?
- “Assim me disse Javé, o Deus de Israel: Toma de minha mão esta 
taça de vinho da minha ira e dá a beber dela a todas as nações às quais 
te envio. (…) Eu tomei a taça da mão de Javé e fiz que bebessem dela 
(…) Jerusalém, (…) Judá (…) Egipto (…) Hus (…) Ascalon, Gaza, 
Acaron (…) Azoto, Edom, Moab (…) Amon (…) Tiro (…) Sidónia 
(…) Dadã, Tema e Buz (…) Zambri (…) Elam (…) Media (…) Norte 
(…) Um após outro fiz com que todos os reinos que existem sobre a face 
da Terra bebessem. E o rei da Babilónia beberá depois deles.” 
(Jr 25,15-26)
- Só perguntamos: E os outros povos da Terra quase todos 
desconhecidos de Jeremias, mas certamente não de Javé? Não 
“gostariam” também eles de “provar” de tal vinho da ira de Javé?! 
Acaso concebe-se um Javé-Deus hipotecado apenas na salvação ou 
castigo de um povo tão pequeno, numa parcela da Terra tão pequena, 
num espaço do Universo que não tem qualquer significado?!
- “Eu convocarei a espada contra todos os habitantes da Terra (…) Tu 
porém, anunciarás todas estas coisas e dir-lhes-ás: Javé ruge lá do alto, 
da sua santa morada (…)” (Jr 25,29-30)

- Que Terra? Que alto? Que morada? Que rugir de Javé? Se a Terra é 
minúscula partícula no espaço, se o céu não tem alto nem baixo, se 
Deus - a existir - está em toda a parte? Ah, que Deus tão pequenino 
estes bíblicos criaram! Deus, por ser infinito e eterno contém tudo 
o que existe fora e dentro do espaço – espaço infinito – e todo o tempo, 
tempo que só existe para os que participam no ciclo: nascimento, 
crescimento, morte. Defini-lo-íamos como O TODO ABSOLUTO ONDE 
TUDO SE INTEGRA, DO ÁTOMO ÀS ESTRELAS, AO UNIVERSO 
QUE NÃO PODERÁ SER SENÃO INFINITO. (Aliás, se o Universo, 
do qual conhecemos apenas uma pequeníssima parte, não é infinito, o 
que haverá para além dele?). A Bíblia está toda ela construída sobre a 
ignorância total da realidade Terra-Universo e não merece, por isso, 
qualquer credibilidade, como os teólogos, num exercício intelectualmente 
desonesto, “impõem” às populações ignorantes. Lamentável! 

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 145/?

À procura da VERDADE nos livros Proféticos 

JEREMIAS 5/15

 - “Assim fala Javé dos exércitos, o Deus de Israel: (…) 
Encheram este lugar com sangue de inocentes e construíram lugares 
altos para Baal, para queimarem os seus filhos no fogo em 
holocausto a Baal. Eu nunca mandei fazer tal coisa, nem disse, 
nem me passou pelo pensamento. Por isso - oráculo de Javé - (…) 
vou fazê-los cair ao fio da espada diante do inimigo (…) vou 
entregar os seus cadáveres como alimento às aves do céu e às feras. 
(…) Farei com que devorem a carne dos próprios filhos e filhas. 
Devorar-se-ão entre si por causa do cerco que os inimigos lhes vão 
impor.” (Jr 19,3-9)
- Como? Como é possível Javé dizer que nunca Lhe passou pelo 
pensamento sacrificar vidas humanas, condenando os sacrifícios 
humanos a Baal e logo a seguir afirma o que é quase mais horrível 
ou horripilante que fará com que eles devorem os próprios filhos 
e filhas? Não é exactamente ou ainda pior holocausto… de vidas 
humanas?
- “Tu me seduziste, Javé, e eu deixei-me seduzir. (…) A palavra de 
Javé tornou-se para mim motivo de vergonha e de escárnio o dia 
inteiro. (…) Maldito seja o dia em que nasci. Que jamais seja bendito 
o dia em que minha mãe me deu à luz. Maldito o homem que levou 
a notícia a meu pai, dizendo: Nasceu-te um filho varão!, enchendo-o 
de alegria. Que essa pessoa sofra (…) ouça gritos (…) Porque não me 
fez morrer no ventre materno? (…) Porque saí do ventre de minha 
mãe? Só para ver tormentos e dores e terminar os meus dias na 
vergonha? (Jr 20,7-18)
- Aqui, Jeremias desespera! Enfim, é… humano. Mas que culpa tem 
quem levou a notícia a seu pai, para que seja maldito, sofra…, ouça 
gritos?! Este Jeremias parece não saber medir as palavras. Não! Não é, 
não pode ser profeta inspirado pelo divino…
- “Dias virão - oráculo de Javé - em que farei brotar para David um 
rebento justo. Ele reinará como verdadeiro rei e será sábio, pondo 
em prática o direito e a justiça no país. (…) É este o nome com 
que será chamado: Javé, Nossa Justiça”. (Jr 23,5)
- Quem será este “Javé, Nossa Justiça”? - Ciro que libertou Israel 
do cativeiro da Babilónia? Ou, como refere Jo 10, o próprio Jesus 
Cristo, quinhentos anos depois? David! Quem poderá esquecer o que 
este rei - de tanta consideração bíblica - fez a um dos seus 
generais em tempo de guerra? Simplesmente isto: Mandou-o colocar 
sozinho na frente de batalha para que fosse ferido e morto. 
Porquê? Porque David se havia apaixonado e dormido com a mulher 
dele enquanto ele defendia a pátria longe do palácio real… 
(2Sm 11,15). Grande herói! Grande exemplo!...
- “Entre os profetas da Samaria, vi coisas absurdas (…) Entre os 
profetas de Jerusalém, o que Eu vi era horrível: cometem adultério 
e praticam a mentira, dão a mão aos malfeitores (…) Assim diz 
Javé dos exércitos: Não presteis atenção às palavras dos profetas que 
para vós profetizam (…) Eu não enviei nenhum desses profetas (…) 
Eu não lhes falei e no entanto, eles profetizam. Se eles tivessem 
assistido às minhas deliberações e tivessem levado ao meu povo a 
minha mensagem, o povo teria desistido do seu mau caminho, teria 
deixado o mal que praticava.” (Jr 23,13-22)

- Não é estranho que haja por ali tantos falsos profetas? Não teria 
o povo realmente dificuldade em saber distinguir os bons - neste 
caso e neste tempo, só se fala de Jeremias  - e os falsos que 
superabundavam e também falavam em nome de Javé? E que 
credibilidade nos merece este Jeremias que se vem revelando falso, 
ignóbil, sanguinário? Depois - e já atrás perguntámos - será que se 
Israel se arrependesse, não teria sido igualmente invadido pelo rei da 
Babilónia e feito prisioneiro? Não estaremos apenas perante mais 
um subterfúgio religioso para explicar a História?

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 144/?

À procura da VERDADE nos livros Proféticos 

JEREMIAS 4/15

- “Assim diz Javé: Maldito o Homem que confia no Homem 
e que busca apoio na carne e cujo coração se afasta de Javé. (…) 
Bendito o Homem que confia em Javé e em Javé deposita a sua 
segurança.” (Jr 17,5 e 7)
- Realmente, em que Homem se pode verdadeiramente confiar? 
Por outro lado, o que é isso de confiar em Javé? Que segurança nos 
oferece Javé, no concreto-real da vida terrena e sobretudo na eterna 
se é que ela existe? Se o recorrer a Deus, numa aflição, traz lenitivo 
ao corpo e consolação à alma, já que a fé remove montanhas…, que 
nos adianta realmente evocá-Lo na morte, se não nos deu, dá (ou 
dará?) certezas do Além? Se tudo fica no absoluto segredo dele e dos 
seus mistérios que a nós NADA adiantam? É que é mesmo… NADA! 
Um grandíssimo, infinito, eterno NADA! E a pergunta é sempre a 
mesma, sempre repetida, sejam quais forem as palavras com que se 
formule: “Se Javé-Deus-Pai realmente existe e se nele e com Ele e por 
Ele nascemos ou existimos e se para Ele caminhamos e com Ele 
passaremos a eternidade, porque não nos dá Ele certezas indubitáveis 
de que realmente é, foi e será sempre assim para todos os Homens? 
Porquê? Não é a falta de resposta que nos leva à incredulidade? Não 
podemos culpar o próprio Deus (ou o deus que as religiões nos têm 
vendido) por esta frustração nossa e de toda a gente tenha ou não 
tenha fé? Se o enviar de Jesus Cristo à Terra - ai os problemas que este 
enviar à Terra nos coloca, ao sabermos que o Universo terá outras 
incontáveis “Terras” onde haverá Homens iguaizinhos a nós ou 
diferentes, pouco importa, mas inteligentes e que certamente terão as 
mesmas dúvidas existenciais que nós! - teve por objectivo divino, como 
apregoam as religiões cristãs, que parecem ser as menos falsas…, a 
redenção-salvação eterna do Homem e se, após dois mil anos passados, 
mais de dois terços da Humanidade pouco ou nada conhecem de Jesus 
Cristo, e dos que O conhecem, poucos são os que não soçobram na Fé 
perante tantas dúvidas que se colocam à nossa inteligência, limitada 
embora mas não totalmente estúpida, não podemos - não devemos! - falar 
de fracasso de Deus, que é, pela sua própria natureza, inadmissível? É 
sinceramente, mais uma acha que nos leva à descrença total! E nós que 
quiséramos tanto acreditar num Deus que nos desse um céu e uma 
eternidade feliz!
- “Assim diz Javé: Por amor à vossa vida, evitai transportar cargas em dia 
de sábado (…) santificai o dia de sábado, conforme a ordem que dei aos 
vossos antepassados (…) Se não Me obedecerdes e não santificardes o 
sábado, se em dia de sábado carregardes pesos ao entrar pelas portas de 
Jerusalém, então deitarei fogo a essas portas; ele queimará os palácios de 
Jerusalém e nunca mais se apagará.” (Jr 17 21-27)
- Novamente a obsessão pelo sábado. Como é possível fazer dele depender 
toda uma vida? Toda uma cidade? Toda uma nação? Simplesmente ridículo! 
Não há metáfora que salve tal aberração.
- “Eles (os contemporâneos de Jeremias) disseram: Vamos tramar um 
plano contra Jeremias (…) Escuta-me, Javé e ouve o que dizem os meus 
adversários. (…) Lembra-Te de que me apresentei diante de Ti para interceder 
por eles, para desviar deles a tua ira. Por isso, agora, entrega à fome os seus 
filhos, lança-os ao poder da espada; que as suas mulheres fiquem sem 
filhos e viúvas, que os seus maridos sejam mortos pela peste e os seus 
jovens atingidos pela espada no combate (…) pois eles abriram uma 
cova para me prenderem (…) Mas Tu, Javé, (…) não deixes impune a 
injustiça (…); executa-os no momento da tua ira.” (Jr 18,18-23)
- Lindo, Jeremias! Como é que Javé te fala tendo tu tanto ódio contra 
os teus irmãos, embora adversários? Ainda continuas com o “olho 
por olho, dente por dente” de Talião? Melhor: Não queres que morra toda 
uma povoação para salvar a tua pele? Terá ouvido Javé a tua súplica 
cheia de ódio? Não te terá corrigido? Como desacreditas o Javé que 
apregoas com palavras mas que atraiçoas com o coração!… Como te 
revelas um… falso profeta! E – sem maldade, mas pura análise 
crítica – a pergunta: “Como pode todo um povo crente – judeus e 
cristãos – ter Jeremias como um profeta, homem que fala em nome 
de Deus, e considerar divino o seu livro de supostas profecias?”


terça-feira, 15 de agosto de 2017

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 143/?

À procura da VERDADE nos livros Proféticos

JEREMIAS 3/15

- “Eles dizem: Somos sábios, temos a Lei de Javé. Mas a caneta 
falsa do escriba transformou em mentira a Lei de Deus. Os sábios 
ficaram confusos (…) pois do primeiro ao último são todos ávidos 
de lucro; do profeta ao sacerdote, todos praticam a mentira.” 
(Jr 8,8-10)
- Foi assim no tempo de Jeremias, foi assim no tempo de Cristo! 
E hoje? – Novamente, a desilusão e o não-acreditar nos homens, 
sobretudo nos que detêm o poder. E daí que tantos males venham 
ao mundo. Mas não é profecia, não, é uma constatação…
- “Quem me dará no deserto um abrigo de viajantes? Então, deixaria 
o meu povo e iria para longe deles, pois todos eles são adúlteros, 
um bando de traidores. (…) O que manda no país é a mentira e não 
a verdade. (…) Cada um guarde-se do seu próximo e não confie em 
nenhum dos irmãos, pois todo o irmão engana o seu irmão e todo o 
amigo espalha calúnias. (…) A sua língua é uma flecha envenenada: 
em tudo o que dizem só há maldade. Cada um fala de paz ao 
próximo mas, no íntimo, arma-lhe ciladas. Não deveria Eu puni-los 
por estas coisas? - oráculo de Javé. Não deveria Eu vingar-Me de um 
povo como este?” (Jr 9)
- Espanta que não haja justos! Espanta que nem as crianças se salvem 
da ira - ou da frustração? - de Javé! É que há sempre excepções! 
Aquando da invasão e destruição de Jerusalém, pagou tanto o justo como 
o injusto, tanto o rico como o pobre, tanto o órfão e a viúva como 
os senhores perversos, falsos profetas, sábios amantes do lucro. Então, 
que Deus é este que castiga igualmente uns e outros? É! Isto não passa 
de uma interpretação religiosa - mas falazmente religiosa - dos factos 
históricos de então! Senão, Deus nega-Se a si próprio!
- “Tu és justo, Ó Javé, para que possa discutir contigo. No entanto, 
gostaria de fazer-Te uma pergunta do direito: Porque é que o 
caminho dos ímpios prospera e os traidores vivem todos em paz? 
Tu plantaste-os e eles criaram raízes; e agora crescem e produzem 
frutos. (…) Arranca essa gente como ovelhas para o matadouro.” 
(Jr 12,1-3)
- O problema da prosperidade do ímpio e do sofrimento do justo já 
foi debatido por Job e… sem resposta de Javé! Enfim, mais uma 
frustração bíblica ou divina…
- “Por causa do grande número de pecados que cometeste é que 
levantaram a tua saia para te violentarem. (…) Agora, sou Eu que 
te levanto a saia à altura do teu rosto para que os outros possam 
ver as tuas partes vergonhosas. Os adultérios que cometes, os gemidos 
de prazer, a vergonha da tua prostituição (…) Ai de ti, Jerusalém, se 
não te purificas!” (Jr 13,22 e 26-27)
- Novamente, o gosto pelas imagens apelativas de sexo!… Levarão elas 
ao temor ou à luxúria? E que gemidos de prazer no “enlevo” da 
prostituição teve Jerusalém?!…
- “Palavra que Javé dirigiu a Jeremias, por ocasião da seca (…)” (Jr 14)
- Não entendemos: É profecia ou comentário-interpretação do facto real 
de uma seca em Judá? E é Javé que fala a Jeremias?! Dá para sorrir…
- “Poderá o Homem fabricar deuses? Então, não são deuses. Então, não 
são deuses.” (Jr 16,20)

- Eis o grande problema das religiões e da nossa própria existência: 
existirá Deus porque nós o criámos - e então não é deus! - ou existe Ele 
realmente e não conseguimos alcança-Lo, compreendê-Lo, acreditá-Lo, 
porque Ele se refugia no mistério? Melhor: como definir Deus para o não 
conceber à nossa imagem e semelhança, que foi o que todas as 
religiões existentes no mundo fizeram?

domingo, 30 de julho de 2017

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 142/?

À procura da VERDADE nos livros Proféticos

JEREMIAS 2/15

- “Enquanto Eu lhes matava a fome, eles traíam-Me, procurando 
a casa de prostitutas; são como cavalos reprodutores, gordos e lascivos, 
cada qual relinchando pela mulher do seu próximo. E Eu não os deverei 
castigar por estas coisas? - oráculo de Javé. (…) A sua maldade 
passa dos limites: não julgam conforme o direito, não defendem a causa 
do órfão, nem julgam a causa dos indigentes. E não hei-de castigar 
tais crimes? - oráculo de Javé. Será que não devo vingar-Me de 
uma nação como esta? Coisas terríveis e abomináveis acontecem neste 
país: os profetas só dizem mentiras, os sacerdotes só querem dinheiro e 
o meu povo gosta disso!” (Jr 5)
- Jeremias “leva” Javé a “arranjar” motivos e justificações para a invasão 
de Israel, já que tudo o que acontece a Israel é a Ele que se deve. 
Serão imagens. Novamente fortemente sexualizadas! Mas… que 
profetas dizem mentiras? E os sacerdotes a só quererem dinheiro? 
E o povo a… “gostar disso”?! É de bradar aos céus!
- “Ouve também tu, ó Terra: Enviarei uma desgraça contra este povo, 
fruto das suas más acções, porque não obedeceram às minhas palavras 
e desprezaram a minha Lei (…) Eu nomeio-te examinador do meu povo 
(…) Todos são rebeldes e semeadores de calúnias: parecem bronze 
ou ferro e estão todos corrompidos.” (Jr 6,19 e 27-28)
- O mesmo estilo. Mas… não haverá na capital de Sião, nenhum justo 
que se salve, Javé? Que povo é o teu que só pratica más acções?
- “Palavra de Javé que foi dirigida a Jeremias: (…) Se cada um praticar 
o direito com o seu próximo, se não oprimirdes o estrangeiro, o órfão 
e a viúva; se não derramardes sangue inocente (…) e não correrdes atrás 
dos deuses estrangeiros (…), então Eu continuarei a morar convosco. 
(…) Vós iludis-vos (…). Roubar, matar, cometer adultério, jurar falso, 
queimar incenso a Baal, seguir deuses estrangeiros (…) e depois 
apresentardes-vos diante de Mim (…) para dizerdes: Estamos salvos! 
(…) Quando tirei do Egipto os vossos antepassados (…), a única coisa 
que lhes disse foi: Obedecei-Me e serei o vosso Deus e vós sereis o 
meu povo. (…) Eles, porém, não obedeceram, nem deram ouvidos (…) 
Então, dir-lhes-ás: Esta é uma nação que nunca obedeceu a Javé, seu 
Deus, nem aceita correcção.” (Jr 7)

- Revela-se aqui a total frustração de Javé em relação ao seu povo. 
Que amargura real há naquele “Esta é uma nação que nunca obedeceu 
a Javé!”? Jesus, centenas de anos mais tarde, não terá melhor sorte a 
avaliar pelo que Lhe fizeram escribas, fariseus, sacerdotes, todo o 
“seu” povo… Hoje, o mundo caminha de guerra em guerra, económicas 
umas, com armas reais não poucas, onde o desprezo pelo sofrimento 
do outro impera e onde a bondade de muitos não consegue colmatar a 
maldade de tantos outros!… E nós perguntamos: Que poder tem 
Javé-Deus sobre os Homens? Temos assim tanta liberdade que o poder 
de Deus - o SUPREMO, O ETERNO, O TODO-PODEROSO - não é 
capaz de nos converter ou… convencer? Perante a realidade de uma 
humanidade totalmente injusta e insensível, na sua globalidade, somos 
levados a concluir que Javé-Deus nada tem a ver com a História do 
Homem. Nem teve um filho – Jesus Cristo – o ENVIADO DO 
PAI – que veio à Terra para salvar/libertar o mesmo Homem. Nem 
adianta cumprir os Mandamentos, se não temos certezas de uma vida 
eterna que nos compense dos sofrimentos e das privações terrestres…, 
se o destino é o mesmo para o justo e o pecador, para o pobre e para o 
rico, nada havendo realmente para além da morte… E já se faz tarde! 
É que não podemos parar o tempo e a hora da VERDADE – o tabu 
dos deuses! –  aproxima-se inexoravelmente! Então, quando alguém 
morrer, não chorem mas também não cantem aleluias. Tristezas não 
adiantam à vida que para os outros continua a cumprir-se. Alegrias, 
não há razão para elas, já que o Céu não sabemos se realmente existe, 
embora quiséramos tanto que fosse doce realidade!

terça-feira, 25 de julho de 2017

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 141/?

À procura da VERDADE nos livros Proféticos 

JEREMIAS 1/15

- Lendo a Introdução (ibidem), a impressão é de que não iremos 
mais longe do que com Isaías. A História do povo de Israel está 
presente, condiciona tudo. São factos passados entre 627 e 
586 a.C. - queda de Jerusalém e princípio do exílio na Babilónia. 
A descrença de que haja aqui qualquer coisa de divino é 
incontornável. Mas… sem alternativas, vamos ler.
- “Palavras de Jeremias, filho de Helcias, um dos sacerdotes de 
Hanatot (…). A palavra de Javé foi-lhe dirigida no décimo terceiro 
ano do reinado de…” (Jr 1,1-2)
- A identificação no tempo é perfeita. Mas… porque será a sua palavra, 
palavra de Javé? Porque não simplesmente, a sua visão dos 
acontecimentos que não as suas ideias políticas, aliás como Isaías, 
dizendo-se intérprete de Javé, pondo as suas ideias - que pecado! que 
abuso! que despudor! - na boca de Javé? Um qualquer de nós não 
poderia dizer que é Deus a falar quando exprimimos as nossas 
“sábias” opiniões? Não têm os cientistas ideias brilhantes, decisivas na 
evolução da História? Não são os poetas e artistas inspirados por divinas 
musas? Não é todo o Bom e Belo inspiração de Deus? Não se diz 
que malignas acções e ideias perversas são inspiração do diabo? Onde 
a diferença? Só porque não reclamam - humildemente! - para si, a 
inspiração divina, atribuindo a Deus tais ideias, tais inspirações?
Aliás, comenta-se, a propósito de 1,4-25,38: “Esta parte contém as 
profecias (…) de Jeremias contra o reino de Judá. (…) O tema geral é 
o confronto entre Jeremias e as estruturas sociais decadentes da sua 
época.” (ibidem)
- “Recebi a palavra de Javé que me dizia: Antes de te formar no ventre 
da tua mãe, Eu te conheci; antes que fosses dado à luz, Eu te consagrei 
para fazer de ti profeta das nações. (…) Então Javé estendeu a mão, 
tocou na minha boca e disse-me: Eis que ponho as minhas palavras na 
tua boca.” (Jr 1,5 e 9)
- Claro que tais afirmações não nos merecem qualquer credibilidade! 
A mão, o tocar, as palavras de Javé… é tudo simbólico.
- “Deitavas-te e prostituías-te no alto de qualquer colina mais elevada 
ou debaixo de qualquer árvore frondosa. (…) Como te atreves a dizer 
que nunca te contaminaste, que nunca procuraste deuses estrangeiros? 
(…) Reconhece o que fizeste, camela leviana de caminhos extraviados, 
jumenta selvagem, habituada ao deserto, farejando o vento no calor 
do cio: quem domará a tua paixão? Quem te for procurar não vai ter 
trabalho, pois vai encontrar-te sempre no mês do cio.(…) Prostituíste-te 
com muitos amantes e ousas voltar para Mim? - oráculo de Javé. 
(…) Onde é que não foste desonrada? Como viajante no deserto, 
sentavas-te à beira dos caminhos, à disposição deles (…) Continuaste 
a tua vida de prostituta e nem disso te envergonhaste (…) Viste o que 
fez Israel, essa rebelde? Ela andou por todos os altos montes e 
prostituiu-se à sombra de toda a árvore frondosa. (…) A infiel Judá, 
sua irmã, (…) também ela caiu na prostituição (…) ” (Jr 2-3)
- A obsessão por imagens com conexões sexuais, constante nos autores 
bíblicos, não deixa de nos fazer pensar num certo recalcamento sexual 
destes autores, talvez por tabus intransponíveis para a classe sacerdotal, 
embora houvesse as prostitutas “sagradas”… E, aceitando o simbolismo, 
poder-se-ia perguntar se não haveria modo mais “divino” de exprimir a 
infidelidade de Israel e de Judá…
- “Do Norte vou fazer vir uma desgraça, uma grande devastação. (…) O 
país inteiro vai ser arrasado (…) Eu decidi e não vou arrepender-Me nem 
voltar atrás.” (Jr 4)

- Jerusalém vai ser arrasada… castigada, pelos seus pecados: injustiça, 
não uso do direito, infidelidades a Javé adorando os ídolos. A História é 
real. A interpretação bíblica é religiosa. Que credibilidade merece tal 
interpretação? Porquê acreditar que é castigo de Javé? Todos os povos 
vítimas de guerras e de genocídios foram, são e serão castigados por Javé? 
Castigo dos seus pecados? De certo que não! Então, porquê admitir tal 
com Israel, há dois mil e quinhentos anos? Só porque um Isaías ou um 
Jeremias “profetizou” tal em nome de Javé? Tal como nos anteriores 
supostos profetas, também em Jeremias Javé vai ser a panaceia para 
todas as suas cogitações ou interpretações da História.