sexta-feira, 7 de julho de 2017

Eu e o meu corpo


Perdoem-me ter de referir alguns dados que são do conhecimento geral mas que importa salientar para nos inserirmos no contexto.
Pensando na dicotomia clássica: alma e corpo, este aparece-nos como um conjunto de máquinas fantásticas, no interior e no exterior, máquinas que nos trazem vivos, desde a pele, até aos sistemas respiratórios, circulatórios, digestivos, auditivos, de visão, etc., etc., tendo uma configuração específica para cada humano, dos cabelos aos pés, todos semelhantes – pois humanos – mas todos diferentes.
A alma, por outro lado – a psiqué para os gregos, a anima para os latinos – significa espírito, sopro vital, inteligência (ou inteligências nas suas diversas valências: matemática, musical, rítmica, poética, etc.), emoção, sentimento (ou os sentimentos de amor, ódio, inveja, ganância, tristeza, alegria, o sorriso…), vontade, carácter ou maneira de ser, capacidade de decisão, consciência (ou consciência de si, o EU), conhecimento…
Mas facilmente nos apercebemos de que a alma não é autónoma do corpo, só por ele existindo, o mesmo acontecendo com o corpo que não sobrevive sem a alma, embora possa “viver” artificialmente, apoiado em máquinas, como acontece no estado de coma.
A imagem que melhor evidencia a dicotomia clássica será o do cadáver: ali está um corpo sem… alma – sopro vital. A alma deixou de existir no momento em que as funções da máquina-corpo cessaram. Mas o corpo continua corpo: dos cabelos aos pés. Sem vida, no entanto. E por pouquíssimo tempo: a degradação pode ser retardada, mas é inexorável: a Terra – ou a Natureza donde afinal veio e da qual se alimentou toda a vida – reclama a sua rápida reintegração nela.
O ser humano, como qualquer ser vivo – pese embora a sua especificidade de ser racional, com capacidade de raciocínios abstratos e conscientes – é, pois, um inseparável conjunto daquelas duas realidades.
No entanto, dadas as descobertas feitas acerca do cérebro – órgão altamente complexo, composto por milhares de milhões de neurónios e sinapses – concluiu-se que todas as propriedades da alma se encontram ali sediadas. Lógico será concluir que a alma é… o cérebro. Aliás, afecte-se este em uma qualquer das suas partes (lóbulos) e logo desaparece a valência da alma que aí se localiza e onde é activada. O cérebro comanda ainda uma boa parte da actividade corporal (a nível interno do organismo, os órgãos funcionam ou parecem funcionar automaticamente…), desde o localizar a dor, à cedência ao vício, ao instinto de conservação da vida, obrigando o corpo a fugir do perigo ou a ter a apetência sexual necessária para a reprodução da espécie, às sensações de fome, sede, etc., a todos os prazeres físicos ou espirituais…
Se há interdependência vital entre alma e corpo, há também interferência desta naquele e deste naquela. Preocupações, paixões, medos…, qualquer sentimento forte faz bater mais forte o coração, tira a vontade de comer, leva o corpo para o desleixo ou a cometer loucuras, arruinando a saúde.
Ponho-me em frente ao espelho e olho o meu corpo: ali estou eu! Melhor: eu e o meu corpo. Primeiro, vejo aquelas carnes com as formas moldadas pela Natureza e pelo ADN que me coube em sorte, mais ou menos potenciadas pelo meu empenho ou falta dele; depois, olhando mais profundamente, saio daquele corpo, ficando em seu lugar, primeiro um corpo sem alma, depois, o esqueleto que o sustém e articula; enfim, indo ainda mais longe no tempo próximo-futuro, vejo apenas um montículo de cinzas que, espalhadas pela Natureza que o alimentou, irão integrar-se em outros seres vivos ou não vivos, no eterno retorno do mesmo ao mesmo através do diverso, nada realmente se criando, nada se perdendo, mas tudo se transformando, como acontece desde sempre e para sempre… E nós a fazer parte desta Odisseia, deste Milagre que é a VIDA! Simplesmente FANTÁSTICO!
Então, para quê querer uma eternidade? Para quê querer o impossível: um ser criado num dado momento do Tempo a prolongar-se pela eternidade ou pelo infinito? Para quê um Céu ou um Inferno? É de sorrir aos que vendem tais ilusões e chamar-lhes simplesmente loucos. Loucos talvez não sejam, sobretudo os gurus, pois encontraram um modo de vida agradável, ganhando a mesma vida de mãos limpas, vendendo essas ilusões… Um modo até “simpático”, se não fossem as muitas desgraças e crimes que acompanham tais teorias religiosas, como relata a História antiga e actual. E, para admiração/espanto dos não crentes, esses gurus continuam a convencer centenas de milhões de que as ilusões que apregoam são a VERDADE sobre a realidade humana…
A crença afecta a alma. Indirectamente, mas muitas vezes, também o corpo. Quer pelas falsas promessas de que o sofrimento é redentor e salvífico e leva à eternidade num qualquer Paraíso junto de Deus…, levando à martirização, quer pela paz de espírito e panaceia que tal esperança gera nos mesmos crentes. Não sabemos é a até que ponto há a liberdade de acreditar!

No final, como filosofia de vida, para a alma e para o corpo, será o slogan latino “Carpe diem!” – VIVE O MOMENTO! Sem nos esquecermos, claro, quer no prazer, quer no trabalho, de que temos coração…

domingo, 2 de julho de 2017

Existir: drama ou a glória de ter vindo à vida? 2/2


                                                                      
A realidade que somos e em que nos movemos
(Texto fundamental: a VERDADE DO HOMEM)

CONCLUSÕES:
1 – Haverá, por esse Universo, incontáveis planetas de estrelas, onde haja 
condições para aparecer vida, tal como na Terra. Logo, também espécies 
inteligentes como a nossa. O grande problema de contacto: as distâncias, 
medidas em anos-luz, que nos separam de tais planeta.
2 - A VIDA chegou à “produção” do Homem, na Terra, por evolução, 
sobrevivendo sempre o mais forte e o mais bem adaptado ao habitat onde 
proliferou, continuando a ser um mistério a tremenda biodiversidade que 
conhecemos, havendo ainda muitas espécies desconhecidas. Em termos 
cósmico-temporais – o TEMPO conhecido – o Homem apareceu há apenas 
alguns minutos…
3 - Se tudo está em evolução – os seres vivos, desde o seu início em que 
da matéria brotou a vida… – é racionalmente aceitável que a evolução 
continue até que a Terra desapareça, absorvida aquando da transformação 
do Sol numa gigante vermelha, facto que ocorrerá daqui a c. de 4,5 mil 
milhões de anos. Interessante a pergunta: que tipo de HOMEM haverá 
nessa altura? Ou já terá desaparecido, como tantas espécies que todos os 
dias se extinguem?
4 – Cada um de nós é único e irrepetível. Objectivamente, somos, no rolar 
da vida – energia em perpétuo movimento que se manifesta onde haja 
condições para que aconteça – fruto do acaso, da união de um dado 
espermatozoide (num acto em que estiveram em competição c. de cinco
milhões de candidatos…) com um óvulo.
5 – Dramática a pergunta: “Afinal, para quê viemos à vida?” – A resposta 
nua e crua: “Para nada! Foi apenas por acaso! Tal como acontece com 
qualquer outro ser vivo.”
6 – Perguntas não menos dramáticas: “O que fazemos aqui? Donde viemos 
e para onde vamos?” – As respostas – subjectivamente cruéis – são simples: 
“Aqui, fazemos parte da evolução da energia em perpétuo movimento, 
nascendo, vivendo, morrendo. Viemos da matéria energizada ou em 
movimento e voltamos para essa mesma matéria. Sem deixar rasto e, 
numa perspectiva cósmica, sem que tenhamos tido qualquer interesse 
para o Universo. Aliás, nem qualquer interesse para a Terra, onde os 
rios corriam, quando cá chegámos, correm e continuarão a correr, 
impávidos e serenos, ignorando completamente a nossa passagem, 
quando nos formos…”
7 – Ainda mais dramáticas: “Que faremos de todos os nossos sonhos, dos 
nossos sentimentos, das nossas relações, das nossas fantasias, dos nossos 
desejos, dos nossos amores, dos nossos conhecimentos, das nossas 
emoções?” – Resposta também nua e crua: “Não faremos nada; tudo é 
bom para a vida; tudo se perde na morte!”
8 – E ainda e enfim: “O que fazer do nosso desejo louco de eternidade 
num Paraíso de delícias, após a morte?” – “É para esquecer! A 
eternidade não nos é possível, seja com este corpo, seja com esta alma, 
esta razão, esta emoção. Somos totalmente matéria. O espírito ou alma 
(razão e emoção) que parece existir em nós, não é mais do que uma 
elaboração do cérebro, neurónios e sinapses, logo fruto da matéria, logo 
matéria! Morrerá com a morte de todo o corpo.”
9 – A realidade vista de outro ângulo: Somos um pontinho no Planeta 
Terra, Terra que é pontinho no sistema solar, sistema solar que é 
pontinho na Galáxia Via Láctea, Galáxia que é um pontinho neste 
Universo, o único conhecido. Essa a nossa real dimensão, essa a nossa 
VERDADE: um pontinho, aparecendo e logo desaparecendo no TEMPO…
10 – E quem quiser dar um sentido à mesma VIDA, bem pode 
socorrer-se do slogan: “Fazer um filho, plantar uma árvore e escrever 
um livro.” Três objectivos que apontam para o perpetuar a espécie 
(oxalá sem se tornar espécie infestante, predadora de tudo quanto é 
comestível…) o colaborar com a Natureza que lhe alimentou a vida e, 
enfim, participar, com as suas ideias, na evolução da raça humana, 
enquanto sociedade, que deveria caminhar para a fraternidade universal, 
logo, lutando contra tudo o que apela à violência gratuita de irmão 
contra irmão, num grandíssimo “NÃO!” às guerras, ao fabrico de 
armas, à fome, à injustiça!
11 – Enfim, já que viemos à VIDA, que seja gloriosa a nossa vinda! 
Que nenhum momento dela se perca, vivendo-a intensamente e o melhor 
que soubermos e pudermos, não nos deixando levar só pelo sentimento ou 
pela emoção! Nem… pelas pequenas coisas! O melhor mesmo é 
DELICIARMO-NOS COM O BELO QUE NOS RODEIA E NOS 
CONVIDA, DO ÁTOMO ÀS ESTRELAS, AO UNIVERSO, em total 
“open mind” connosco e com os outros, dando à VIDA O SENTIDO 
QUE MAIS NOS APROUVER! AGRADECIDOS!... SORRINDO!…


sábado, 24 de junho de 2017

Existir: drama ou a glória de ter vindo à vida? 1/2



                                                       
A realidade que somos e em que nos movemos

(Texto fundamental sobre a VERDADE DO HOMEM)

1 – Esqueçamos tudo o que dizem as religiões acerca do Homem 
para nos debruçarmos sobre o que ensina a Ciência, pois só a Ciência 
nos torna sábios e conhecedores da REALIDADE. As religiões, com os 
seus deuses antropomórficos, i. é, criados à imagem e semelhança do 
Homem (os seus céus, infernos, eternidades…), não merecem qualquer 
credibilidade, sendo as “verdades” que afirmam e apregoam, fruto apenas 
da fantasia e da emoção, nada tendo de racional.
2 – A VERDADE é que, quando nos olhamos e sentimos, facilmente nos 
apercebemos de que:
2.1 – somos um ser vivo composto por biliões de partículas de matéria e 
de energia;
2.2 – aparecemos num dado momento do Tempo, vindos do Nada, com a 
certeza absoluta do desaparecimento em um momento posterior, 
regressando ao mesmo Nada;
2.3 – partilhamos o nosso estar aqui e agora com biliões de outros 
seres – os inanimados (dos átomos às estrelas) transformando-se muito 
lentamente, e os animados sujeitos ao mesmo imperativo rápido, o mesmo 
ciclo inexorável do nascimento, vida e morte;
2.4 – tudo o que nos diz respeito se passa num pequeno astro – a 
Terra – astro que pertence ao TODO ONDE TUDO SE INTEGRA E SE 
TRANSFORMA, incluindo o UNIVERSO;
2.5 – não conseguimos percepcionar nem as distâncias, nem a 
grandiosidade do Universo conhecido;
2.6 – ignoramos completamente se o TODO EXISTENTE É OU NÃO 
INFINITO E ETERNO, numa total incapacidade de conceber o infinito 
(sem contornos e limites) e o eterno (sem princípio nem fim) – exactamente 
porque pertencemos ao Tempo e ao Espaço, perguntando-nos: 
“Se tudo teve um princípio, o que houve antes desse princípio? Se tudo 
tem um fim, o que há para lá do fim?”. Sob um ponto de vista matemático, 
poderemos dizes que tudo se move dentro do infinito. É que, se 
considerarmos um ponto e fizermos passar por ele, uma linha recta 
imaginária,essa linha perde-se no infinito; aliás, não só uma, mas um 
número infinito delas…
2.7 – Deus só tem sentido se se considerar ser esse TODO ETERNO E 
INFINITO ONDE TUDO SE INTEGRA, SE MOVE E SE TRANSFORMA; 
nós também, obviamente.
3 – A Ciência já pôs ao nosso dispor:
A – a HISTÓRIA deste Universo – o único conhecido; B – as DISTÂNCIAS 
nele observáveis, desde as infra-atómicas às inter-galácticas.
A – HISTÓRIA
C. 13,5 mil milhões de anos – nasce, com o Big Bang, este Universo, o 
único conhecido,
C. 5 mil milhões de anos – nasce o sistema solar,
C. 4,5 mil milhões de anos – nasce o Planeta Terra,
C. 3,5 mil milhões de anos – aparece a VIDA na Terra,
 C. 200 milhões de anos – aparecem os dinossauros,
 C. 65 milhões de anos – desaparecem os dinossauros,
 C. 5 milhões de anos – aparecem os hominídeos,
 C. 50 mil anos – aparece o sapiens sapiens do qual somos nós os 
descendentes.
C. 10 mil anos – aparecem as religiões panteístas e politeístas
C. 3 mil anos – aparece a religião monoteísta judaica, seguida da 
cristã (c. 2 mil anos) e da muçulmana (c. 1400 anos)
B – DISTÂNCIAS
1 - Imperceptíveis, quando falamos de nano ou infra-atómicas – inimagináveis
2 - Detectáveis e mensuráveis microscopicamente, quando entre átomos ou 
moléculas – imagináveis
3 - Facilmente mensuráveis, no domínio do material quotidiano, do insecto, ao 
Homem, aos objectos pequenos ou grandes que nos rodeiam – mensuráveis
4 - Mensuráveis mas difíceis, quando não impossíveis de imaginar:
4.1 - Diâmetro da Terra – c. 12.700 kms
4.2 - Diâmetro do Sol – c. 1.400.000 Kms
4.3 - Diâmetro do Sistema solar – c. 5.000.000.000 kms
4.4 - Diâmetro da Galáxia Via Láctea – c. 100.000 anos-luz
4.5 - Diâmetro deste Universo - desconhecido
4.6 - Distância à estrela mais próxima (Próxima Centauri) – c. 4 anos-luz
4.7 - Distância da Via Láctea à Galáxia mais próxima, 
Andrómeda – c. 2 milhões anos-luz
4.8 - Distâncias inter-galácticas (milhares de milhões de 
galáxias!) – desconhecidas
4. 9 - Dimensões das muitas nebulosas conhecidas e buracos 
negros – desconhecidas
4.10 - Distância deste Universo a outros Universos hipoteticamente 
existentes – totalmente desconhecidas

Esta a nossa realidade, este o nosso mistério que, afinal, não é mistério 
nenhum. Tudo está muito claro: somos um SER INEXORAVELMENTE 
A PRAZO, tendo vindo à vida na imparável voragem em que se movem 
matéria e energia, num aparente caos ou numa harmonia perfeita, sendo 
fruto da contínua transformação em que tudo se move no TODO 
INFINITO E ETERNO!

terça-feira, 20 de junho de 2017

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo testamento (AT) - 140/?


À procura da VERDADE nos livros Proféticos 

ISAÍAS – 17/17

- “Levanta-te, Jerusalém! (…) Tu sugarás o leite das nações, 
sugarás a riqueza dos reis. Então, saberás que Eu sou Javé, que 
te salva, o teu Redentor, o Forte de Jacob. (…) Vou dar-te como 
inspector a paz, e como capataz a justiça. Não se ouvirá mais 
falar de violência na tua terra, nem de opressão ou terror no teu 
território.” (Is 61)
- Que justiça é esta de Javé que “manda” Jerusalém sugar o leite 
das nações e as riquezas dos reis? E… até quando durou esta 
“profecia” e esta fala de Javé? Que diria Javé se hoje ali estivesse 
em Jerusalém, onde impera a violência e o ódio, entre árabes e 
judeus, até nos olhos das crianças? Logo, Isaías apenas falou 
para os do seu tempo o que, obviamente, nada interessa aos 
vindouros: nós!
- “Javé envia esta mensagem até aos confins da Terra: Dizei à capital 
de Sião: Olha, aí vem o teu salvador; com Ele vem a tua recompensa 
(…) Serão chamados Povo santo, Redimidos de Javé. E tu serás 
chamada a Procurada, a Cidade Não Abandonada.(…) Pois chegou 
o dia da vingança que estava no meu coração (…) Então, pisei os 
povos com ira, amassei-os com o meu furor, derramando o seu 
sangue pelo chão.” (Is 62-63) “Javé, Tu és o nosso Pai: O teu Nome 
é desde sempre, nosso Redentor. (…) Tu vais ao encontro daqueles 
que praticam a justiça e sempre se lembram dos teus caminhos. 
Acontece porém, que ficaste irritado connosco, porque há muito 
tempo pecamos contra Ti e fomos rebeldes.” (Is 63-64) “Olhai! Eu 
vou criar um novo céu e uma nova terra. As coisas antigas nunca 
mais serão lembradas (…) Farei de Jerusalém uma alegria (…) e 
alegrar-me-ei com o meu povo. Nela nunca mais se ouvirá choro 
ou clamor. (…) Farei correr para Jerusalém a prosperidade como um 
rio e a riqueza das nações como torrentes que transbordam. (…) e 
os que comem carne de porco, répteis e ratos, todos eles perecerão 
juntamente com as suas práticas e os seus projectos - oráculo de Javé. 
(…)” (Is 65-66)
- Enfim, com estas tristíssimas tiradas repetitivas de Isaías: 
o “Povo Santo”, a vingança, a ira, o furor de Javé ávido de sangue, 
o pecado, Jerusalém onde nunca mais haverá choro mas apenas 
alegria, prosperidade e riqueza, o específico “pecado” de comer carne 
de porco…, acabámos mais um livro da Bíblia, um dos mais 
importantes pelas repercussões que vai ter no NT. Mas tudo 
continua localizado no tempo do pós-exílio, tudo repetido do 
antigamente, tudo apontando para um Javé humanizado, partidário, 
injusto…, um Javé antípoda de Deus!


E, ao “vermo-nos livres” de mais um livro desta Bíblia que, a cada 
análise crítica, mais credibilidade perde, como contendo qualquer tipo 
de VERDADE ou como sendo de inspiração divina…, só mais umas 
perguntinhas: 1 – Porque há-de ser Jerusalém o símbolo, na Terra, 
da supostamente existente “Jerusalém celeste”, se não é mais que 
uma cidade histórica como Babilónia, Atenas ou Roma, onde o conflito 
entre povos se arrastou – se arrasta! – ao longo da História? 
2 – Porquê - e já nos vamos repetindo tanto! - porquê a história de um 
povo haveria de constituir a base da salvação eterna do Homem? 
(Isto, caso houvesse eternidade, claro!) Não é evidente, para 
todos os que quiserem ser intelectualmente honestos, que, lendo a 
Bíblia, não descortinamos mais do que palavras endeusadas com 
Javé em tudo quanto é lugar, decisão, vitória, derrota, massacres, 
devastações?! Realmente, que mensagem nos trouxe Isaías, além de 
um relato de factos históricos onde introduziu Javé como 
motor - causa e efeito - dessa mesma História? Tudo se passa com 
Javé, em Javé, por Javé. Não é demais? Não é, sobretudo, uma 
interpretação abusiva, por ser religiosa, da História? 

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 139/?

À procura da VERDADE nos livros Proféticos

ISAÍAS – 16/17

- “Jejuais entre rixas e discussões, dando socos sem piedade. 
Não é jejuando desta forma que fareis chegar a vossa voz lá 
acima. (…) Curvar a cabeça como se fosse uma vara, deitar-se 
de luto na cinza… É a isto que chamais jejum e dia agradável a 
Javé? O jejum que Eu quero é este: acabar com as prisões injustas, 
desfazer as correntes do jugo, pôr em liberdade os oprimidos e 
despedaçar qualquer jugo; repartir o pão com quem passa fome, 
hospedar em casa os pobres sem abrigo, vestir aquele que se encontra 
nu e não se fechar à sua própria gente. Se fizeres isto, a tua luz 
brilhará como a aurora, as tuas feridas vão sarar rapidamente. A 
justiça que praticas irá à tua frente e a glória de Javé acompanhar-te-á.” 
(Is 58,4-8)
- Belo programa, apontando a fraternidade universal. Mas, apesar 
deste alerta de Isaías, velho já de mais de dois milénios, a Igreja 
oriunda do NT, sempre defendeu a teoria do sofrimento físico redentor 
e salvador, do agrado de Deus, e ainda hoje continua, 
escandalosamente, a não desaprová-lo, ao permitir, por exemplo, 
o triste espectáculo dos peregrinos de Fátima dando voltas, de 
joelhos ensanguentados, à capelinha das aparições, cumprindo 
promessas… Javé não quer holocaustos, como antigamente, nem 
jejuns, nem cabeças curvadas, nem luto na cinza… Ele quer o que mais 
tarde Jesus Cristo chamará de mandamento novo - afinal, não tão 
novo assim: amar o próximo, simplesmente. Mas, permanecem as 
perguntas: Se assim fizermos, que recompensa teremos? E onde? 
E em que vida? São perguntas a quem nem Jesus Cristo dará resposta 
credível…
- “Se não desrespeitares o dia de sábado e não tratares de negócios no 
meu dia santo; se disseres que o sábado é um dia agradável e honrares 
o dia consagrado a Javé; se o respeitares deixando de viajar, de buscar 
o teu próprio interesse e de tratar de negócios, então Javé será a tua 
delícia, farei que sejas levado em triunfo sobre os lugares mais altos 
da Terra, e sustentar-te-ei com a herança de teu pai Jacob. Assim falou 
a boca de Javé.” (Is 58,13-14)
- Sempre foi tradição bíblica haver um dia consagrado a Javé, desde 
aquele em que teve de descansar após a criação: “E ao sétimo dia 
descansou.” (Gn 2,2) Mas… existe o sábado por “imposição” de Javé 
ou porque o Homem precisa de um dia por semana para descansar? Ou, 
simplesmente, para quebrar a rotina de uma semana de trabalho? Não há 
dúvida: os autores bíblicos “inventaram” um Javé à imagem e 
semelhança do Homem, que teve de descansar ao sétimo dia, dia que 
agora precisa de ser respeitado. E, mais prosaicamente, teria de haver 
um dia para que as pessoas fossem ao Templo deixar a sua dádiva a 
Javé, que o mesmo é dizer aos sacerdotes…
- “Eis que o braço de Javé não é curto para salvar, nem os seus 
ouvidos surdos para ouvir. Pelo contrário, as vossas culpas é que 
cavaram um abismo que vos separam do vosso Deus (…) Ele 
vestiu-se de justiça (…), revestiu-se com a veste da vingança, cobriu-se 
com o manto da indignação. Pagará a cada um de acordo com o que 
merece: ódio contra os seus adversários, castigo para os seus inimigos.” 
(Is 59)
- O mesmo “tristinho” Javé de sempre! Tão semelhante ao Homem, 
santo Deus: com braços, ouvidos, sentimentos de justiça, vingança, 
indignação, ódio… E repetimos as perguntas de há pouco; onde pagará 
Javé a cada um conforme o que merece? E em que vida?



sexta-feira, 2 de junho de 2017

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 138/?

À procura da VERDADE nos livros Proféticos

ISAÍAS – 15/17

- “Todos vós que tendes sede, vinde buscar água. Vinde 
também vós que não tendes dinheiro: comprai e bebei sem 
dinheiro e bebei vinho e leite sem pagar. (…) Ouvi-Me com 
atenção (…) Dai-Me ouvidos, vinde a Mim, escutai-Me e 
vivereis.” (Is 55,1-3)
- As palavras são… bonitas! O sonho de ter água, vinho e leite,
 ali, em dádiva, é gostoso! Faz lembrar o sonho de um 
Paraíso de delícias que sempre povoou as fantasias dos 
humanos. Mas… onde a realidade? Que palavras de vida eterna 
tem Javé que nos serenem as nossas dúvidas, pois certezas só 
continuamos a ter as palpáveis, neste tempo e neste espaço, tão 
exíguo um e tão fugaz o outro? “… e vivereis.” Viveremos onde?
 Como? Na Terra ou no Céu? No corpo ou no espírito? E… 
que Terra? Que Céu? Com que rosto? Com o nosso ou com o de 
outrem, no eterno retorno do mesmo ao mesmo através das 
diversas conexões de átomos e moléculas, gerando 
eternamente seres animados ou inanimados diferentes, 
acabando-se a nossa individualidade ali com a morte? Sem 
deixar rasto? Então, onde a VIDA que nos propões, Javé? 
Onde? Tudo poesia! Tudo emoção sem qualquer suporte na 
realidade que somos…
- “Assim diz Javé: Observai o direito e praticai a justiça, 
porque a minha salvação está para chegar e a minha justiça 
vai manifestar-se. (…) Aos estrangeiros que aderiram a Javé 
para Lhe prestar culto, para amar a Javé e serem seus servos, 
que observam o sábado sem o profanar e ficam firmes na 
minha aliança, Eu levá-los-ei para a minha montanha santa, 
vou fazê-los felizes (…)” (Is 56)
- Também aqui se comenta: “É o Terceiro Isaías, profeta 
anónimo que actuou em Jerusalém, nas primeiras e difíceis 
décadas após o fim do exílio (entre 537 e 520), enfrentando 
o desânimo da esperança, devido ao atraso da reconstrução, o 
culto dos ídolos, a divisão entre irmãos (judeus) e a presença 
de estrangeiros. (…) O exílio mostrou que Javé não está ligado 
exclusivamente a uma terra e a uma nação. (…) Essa abertura 
ultrapassa as restrições previstas pela Lei (Dt 23,2-9) e começa 
a quebrar um nacionalismo fechado.” (ibidem) E nós apenas 
perguntamos: 1 - Como sabemos que este anónimo é… 
“profeta” e… “inspirado”? 2 - O universalismo de Deus 
levou tantos séculos de Bíblia e de intervenção de Javé a 
chegar? E não é um universalismo tíbio onde impera 
a Lei do sábado?
As grandes palavras de Javé parecem ser o DIREITO e a 
JUSTIÇA. Mas chegarão ao Céu e à eternidade quem praticar 
o direito e a justiça? Ou ficar-se-ão, como todo o mortal, por 
esta vida, por esta Terra? E não tinham as civilizações vizinhas, 
apesar dos seus deuses todos de pedra, barro, madeira ou metal, 
os seus códigos de honra, direito e justiça? Acaso poderiam 
viver em sociedade de outro modo? Onde a novidade de um 
Javé? Bem quiséramos que a novidade fosse o alcançar da 
VIDA, a vida eterna. Mas essa fica na penumbra dos sonhos e 
da fantasia…
- “Aproximai-vos, vós, filhos de feiticeira, descendência de 
adúltera e de prostituta. De quem escarneceis vós (…)? Porventura 
não sois filhos ilegítimos, geração bastarda? Não sois vós que 
buscais a ardência do sexo ao pé dos carvalhos ou debaixo de 
qualquer árvore frondosa? Sacrificais crianças à beira dos rios e 
nas fendas das rochas. (…) Colocaste a tua cama numa colina 
alta e elevada e subiste para lá para oferecer sacrifícios. E ainda 
achas que Me agradas com essas coisas?” (Is 57,3-7)

- Tanto quanto os ídolos, parece condenar-se aqui as diabruras do 
sexo, o adultério, a prostituição, os amantes… É! Talvez estes 
reais vícios, revelando o seu lado mais “animal”, não dignifiquem 
muito a raça humana. Ontem como hoje! No entanto, o maior 
pecado do Homem não é o da luxúria, mas o da insensibilidade 
perante a dor e o sofrimento do seu irmão. E desse pecado está 
o mundo cheio…, um mundo que, infelizmente – a História antiga 
e recente é disso um tremendo manifesto! – sempre foi governado 
por psicopatas que se impuseram pelo poder, pelo terror, pelo 
dinheiro, não procurando a fraternidade universal, dialogando, mas 
privilegiando a guerra, o saque, o abuso, a escravatura, o… sofrimento!

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 137/?

À procura da VERDADE nos livros Proféticos

ISAÍAS – 14/17

- “Desprezado e rejeitado pelos homens, homem do sofrimento 
e experimentado na dor (…) Todavia eram as nossas doenças que 
ele carregava, eram as nossas dores que ele levava às costas (…) 
ele estava a ser trespassado, por causa das nossas revoltas, esmagado 
pelos nossos crimes. Caiu sobre ele o castigo que nos dá a paz; e 
pelas suas feridas é que fomos curados. (…) Foi oprimido e 
humilhado mas não abriu a boca; tal como o cordeiro, ele foi levado 
para o matadouro (...). Foi preso, julgado injustamente; e quem se 
preocupou com a vida dele? Pois foi suprimido da terra dos vivos 
e ferido de morte por causa da revolta do meu povo (…) embora 
nunca tivesse cometido injustiça e nunca a mentira estivesse na sua 
boca. No entanto, Javé queria esmagá-lo com o sofrimento: se ele 
entrega a sua vida em reparação pelos pecados, então conhecerá os 
seus descendentes, prolongará a sua existência e, por meio dele, o 
projecto de Javé triunfará.” (Is 53)
- O texto é fundamental para o Cristianismo. E comenta-se: “É o 
quarto Cântico do servo de Javé (…) e, com ele, atingimos o cume da 
obra de Isaías. (…) Ao narrar a paixão de Jesus, os evangelistas 
tiveram presente este cântico; muitos dos seus pormenores parecem 
cumpridos na vida e morte de Jesus.” (ibidem) Talvez ou… certamente! 
Aliás, Jesus parece ter sido fadado para cumprir estas velhas Escrituras. 
No entanto, ficamo-nos pelo “parece”, pelo “talvez”! O problema é o 
mistério da Redenção querida por Javé e “imposta” ao seu servo. 
Como poderemos esquecer o grito de Cristo: “Pai, se é possível, 
afasta de mim este cálice…”? Ou então, aquele, na cruz, em 
estertores de morte: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste”? 
Não era o mesmo Jesus? O Jesus dos milagres? O Jesus divino? Ou 
então, era homem umas vezes e Deus, ou Filho de Deus, outras? 
Admite-se que um Filho de Deus descido à Terra, tenha dois 
comportamentos para nos confundir? Finalmente: Que projecto de 
Javé enfim triunfará?!… E onde? Na Terra, neste minúsculo Planeta 
que vagueia no espaço, ou no Céu de todos os espaços e da inefável 
eternidade? (Quando, no NT, falarmos de Jesus, havemos de 
constatar que a invenção da sua divindade redentora, a partir da 
qual nasceu a religião cristã, é totalmente desprovida de senso e, 
mesmo, de humanidade: como admitir que um Deus tenha um filho, 
o envie à Terra e o faça sofrer uma morte e morte de cruz para salvar 
um ser vivo, por acaso racional, chamado Homem?...) A apologia do 
sofrimento – ao longo dos séculos apanágio da doutrina da Igreja – é 
de uma irracionalidade total!
- “Por um instante te abandonei, mas com imensa compaixão, torno a 
chamar-te. Num ímpeto de ira, por um momento escondi de ti o meu 
rosto; agora, com amor eterno, volto a compadecer-Me de ti, diz Javé, 
teu redentor.” (Is 54,7-8)

- Que Javé é este que claramente se diverte com este jogo de ora 
abandona ora torna a chamar, ora tem ímpetos de ira e esconde o rosto 
ora se compadece em amor eterno? Que eternidade? Que redenção? 
Que pecado? Que vida? As perguntas repetem-se em catadupa, sem 
qualquer hipótese de resposta… E um Deus sem respostas – como 
são todos os deuses de todas as religiões conhecidas, pois todos 
inventados pelo Homem – obviamente, não é Deus!

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 136/?

À procura da VERDADE nos livros Proféticos

ISAÍAS – 13/17

- “Desce e senta-te no pó, jovem Babilónia. Senta-te no chão, 
sem trono, capital dos caldeus, pois nunca mais te chamarão doce 
e delicada. (...) Tira o véu, levanta a saia, mostra as pernas, 
atravessa os rios. Que o teu corpo fique descoberto e se vejam as 
tuas partes íntimas. Eu vou vingar-Me e ninguém se oporá, diz o 
nosso Redentor que se chama Javé dos exércitos, o santo de Israel. 
(…) (Is 47,1-4)
- Simbólica embora, a sensualidade das imagens quase encanta… 
Mas é a derrota de Babilónia! É o castigo de Javé! É a continuidade 
non-sense de Deus a intervir na História. Inaceitável, em termos 
universais da cultura humana. E, cúmulo dos cúmulos: um Deus 
que elege a vingança como sua atitude predilecta.
- “Javé chamou-me e (…) disse-me: Israel, tu és o meu servo; por 
meio de ti mostrarei a minha glória. (…) Faço de ti uma luz para as 
nações para que a minha salvação chegue até aos confins da Terra. 
(…) Aos teus opressores farei comer a própria carne; e com o 
próprio sangue eles se embriagarão, como de vinho novo. Então todas 
as criaturas saberão que Eu sou Javé, teu salvador e que o teu 
redentor é o Poderoso de Jacob.” (Is 49)
- Imaginemos, por absurdo, que Isaías não era israelita. Acaso teria 
elegido Israel como servo de Javé? Que lógica divina haverá ao 
condicionar-se Deus a um povo? E que povo, valha-nos Deus! 
Depois, aquele gostinho do “profeta” pelo macabro… E é pelo sangue 
derramado que Javé se mostra salvador e redentor? Afinal, onde 
estará a salvação e a redenção, não da humanidade, mas deste 
homem concreto, desta mulher concreta, de ti, de mim, de cada 
Homem? No cumprimento da Lei mosaica? No seguimento das 
máximas dos Livros sapienciais? No adorar a Javé e não aos ídolos? 
Mas o que é isso de adorar a Javé? Que diferença realmente há 
entre venerar e adorar? Ajoelhas-te diante de uma imagem ou 
diante do Santíssimo Sacramento: a uma veneras, a outro adoras… 
Sabes distinguir? E realmente para que serve cumprir a 
Lei? - bradaríamos com Job? Para não sermos punidos? Para receber 
o prémio da “Terra Prometida”? Na Terra ou no Céu? Que Céu, que 
vida eterna se não há certezas nenhumas de um Céu ou de uma vida 
eterna, seja minha, seja tua, seja de qualquer Homem? E, no meio de 
tantas perguntas, nos perdemos, se perde a Bíblia, nós morrendo na 
angústia das incertezas, a Bíblia, “lutando” pela sobrevivência de 
Israel, sempre com o auxílio do guerreiro braço de Javé…
- “Desperta! Desperta! De pé, Jerusalém! Tu que bebeste da mão de 
Javé a taça cheia do seu furor, um cálice embriagador, que bebeste e 
esvaziaste. (…) Vou retirar da tua mão o cálice embriagador; nunca 
mais beberás a taça do meu furor. Vou passar esta taça para as mãos 
daqueles que te fizeram sofrer, daqueles que te diziam: Curva-te para 
passarmos por cima de ti.(…) Desperta! Desperta (…) Jerusalém, 
cidade santa! Pois nunca mais entrarão em ti o não circuncidado e o 
impuro.” (Is 51-52)
- Como Te enganaste, Javé! Se viesses cá neste virar de milénio, 
apenas uns dois mil e quinhentos anos passados, que dirias ao ver a 
tua Santa Jerusalém - ou que fizeram tua! - o pomo da discórdia entre 
povos e religiões que disputam a mesma terra, a mesma cidade, a 
mesma capital! E sabes qual é um desses povos? - O teu eleito Israel! 
Ou… que se dissera ser teu eleito! Ainda anda por ali o teu furor, 
castigando?! É: Isaías “profetizou” para os do seu tempo! Continuou a 
“invenção” de um Javé para os do seu tempo, como convinha a um povo 
auto-proclamado eleito de Javé! E que mais poderia ele fazer, senão 
consolar os seus? Se não conhecia da Terra senão o Médio Oriente? 
Se não sabia que a Terra é redonda e que gira à volta do Sol? E que é 
um minúsculo planeta perdido num Universo incomensurável? Que 
“profetizaria” ele se existisse neste terceiro milénio? É que um 
Javé-Deus, Senhor do visível e do invisível, Senhor do 
desconhecido - que é de certeza bem maior que o conhecido e 
visível - não pode, não pode estar limitado a um povo que ora castiga 
ora abençoa a seu belo prazer! Nem pode desconhecer a História 
passada e futura, sabendo, pois, aonde levaria o Homem, a Ciência e o 
Conhecimento. Mas, não! É um Deus completamente desconhecedor 
destas fantásticas realidades a que nós, os do terceiro milénio, já tivemos 
o privilégio de aceder. Ah, que Javé-Deus tão “feito” à imagem e 
semelhança do Homem do seu tempo, do Homem existente aquando 
da escritura da Bíblia!

Enfim, e mais uma vez: Que dizer de um Deus, que se quisera único 
e universal, que exclui da “sua cidade santa” o não circuncidado e o 
impuro? – Não! Não é Deus!

sábado, 13 de maio de 2017

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 135/?

À procura da VERDADE nos livros Proféticos 

ISAÍAS – 12/17

 - “O ferreiro trabalha o ídolo com a fornalha e modela-o com o 
martelo (…) O carpinteiro mede a madeira, desenha a lápis uma 
figura e trabalha-a com o formão e aplica-lhe o compasso. 
Faz a figura com medidas do corpo humano e com rosto de 
homem, para que essa imagem possa estar num templo (…) 
O próprio escultor usa parte dessa madeira para se aquecer e 
cozer o seu pão; e também fabrica um deus e diante dele se 
ajoelha (…) Com uma parte acende o fogo, assa a carne nas 
brasas e mata a fome; também se aquece ao fogo e diz: Que 
coisa boa! (…) Depois, com a outra parte faz um deus (…) e 
faz uma oração, dizendo: Salva-me, porque és o meu deus.” 
(Is 44,12-17)
- A sátira é brilhante. E escrita com elegância. Realmente, 
como foi, como é possível que o Homem seja capaz de adorar, 
prostrar-se de joelhos diante de um objecto-imagem saído das 
suas próprias mãos e chamar-lhe deus? Mas não foi isso que 
fez ao longo da História, desde as mais remotas eras? Não é 
isso que fazem os crentes em frente do santo da sua devoção 
ou em frente da Virgem ou de Cristo pregado na cruz? Que 
diferença fazem estas imagens dos ídolos contra os quais 
Javé, pela boca de Isaías, satirizava… humoristicamente? Não 
são mãos de carpinteiro ou escultor ou ferreiro que fabricam 
tais imagens de santos, da Virgem ou de Cristo crucificado? 
E quando se referem ao Espírito Santo, não fazem uma pomba? 
E do Deus-Pai, não fazem um velho de aspecto venerando, 
com as suas longas barbas brancas? E quantas estátuas-imagens 
da Virgem, nas suas diferentes facetas de grávida, de mãe, de 
Sra da Conceição, de Sra de Fátima, de Sra de Lourdes, de Sra 
negra, de…? E já nem falamos dos quadros célebres de 
pintores, com personalidades ou cenas religiosas… Se Isaías 
cá voltasse e visse tantos santos nos altares, não sei se 
bradaria de novo por Javé, invectivando tais usos tão pios e tão 
decorativos das nossas igrejas actuais! Mas convinhamos: uma 
igreja sem estátuas, sem quadros, sem figuras, seria uma igreja 
bem mais triste, quer pesada nas largas paredes com poucas 
janelas e nas colunas de grossuras descomunais para sustentar 
as pesadíssimas abóbodas, no estilo românico, quer elegante com 
belas e rasgadas janelas de vitrais de cores inolvidáveis em sinfonia 
de luzes e matizes, emolduradas por elegantes nervuras e colunatas, 
no estilo gótico…
- “Assim diz Javé, o teu Redentor, que te formou desde o ventre 
de tua mãe: Eu sou Javé que faço tudo: sozinho eu estendi o céu e 
firmei a Terra. (…) Eu digo a Ciro: Tu és o meu pastor e realizarás 
tudo o que Eu quero. Eu digo a Jerusalém: Tu serás reconstruída
e ao Templo: Tu serás reedificado desde os alicerces.” (Is 44) “Eu 
sou Javé e não existe outro. Eu formo a luz e crio as trevas; sou o 
autor da paz e crio a desgraça. (…) Fora de Mim, não existe 
outro Deus. Não existe Deus justo e salvador a não ser Eu. 
Voltai-vos para Mim e sereis salvas todas vós, extremidades da 
Terra, pois Eu sou Deus e não existe outro.” (Is 45)
- A insistência na unicidade persiste. Repetidamente. 
Enfadonhamente! Realmente, Deus a existir tem de ser único e 
vivo e invisível, sem a forma humana com que sempre o quiseram 
moldar. Mas aí a Bíblia teve a sua culpa, ao dizer que “Deus 
criou o Homem à sua imagem e semelhança.” Assim sendo, 
se o Homem é feito à imagem e semelhança de Deus, lógico 
é dizer que Deus é semelhante ao Homem! Boa ou má, é a 
lógica desta nossa “querida” Bíblia! Mas… o que é um 
Deus-salvador, um Deus-redentor, um Deus justo? Aliás, justo 
este Javé? Como, se é totalmente parcial a favor de Israel, o seu 
povo eleito?!