sexta-feira, 26 de maio de 2017

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 137/?

À procura da VERDADE nos livros Proféticos

ISAÍAS – 14/17

- “Desprezado e rejeitado pelos homens, homem do sofrimento 
e experimentado na dor (…) Todavia eram as nossas doenças que 
ele carregava, eram as nossas dores que ele levava às costas (…) 
ele estava a ser trespassado, por causa das nossas revoltas, esmagado 
pelos nossos crimes. Caiu sobre ele o castigo que nos dá a paz; e 
pelas suas feridas é que fomos curados. (…) Foi oprimido e 
humilhado mas não abriu a boca; tal como o cordeiro, ele foi levado 
para o matadouro (...). Foi preso, julgado injustamente; e quem se 
preocupou com a vida dele? Pois foi suprimido da terra dos vivos 
e ferido de morte por causa da revolta do meu povo (…) embora 
nunca tivesse cometido injustiça e nunca a mentira estivesse na sua 
boca. No entanto, Javé queria esmagá-lo com o sofrimento: se ele 
entrega a sua vida em reparação pelos pecados, então conhecerá os 
seus descendentes, prolongará a sua existência e, por meio dele, o 
projecto de Javé triunfará.” (Is 53)
- O texto é fundamental para o Cristianismo. E comenta-se: “É o 
quarto Cântico do servo de Javé (…) e, com ele, atingimos o cume da 
obra de Isaías. (…) Ao narrar a paixão de Jesus, os evangelistas 
tiveram presente este cântico; muitos dos seus pormenores parecem 
cumpridos na vida e morte de Jesus.” (ibidem) Talvez ou… certamente! 
Aliás, Jesus parece ter sido fadado para cumprir estas velhas Escrituras. 
No entanto, ficamo-nos pelo “parece”, pelo “talvez”! O problema é o 
mistério da Redenção querida por Javé e “imposta” ao seu servo. 
Como poderemos esquecer o grito de Cristo: “Pai, se é possível, 
afasta de mim este cálice…”? Ou então, aquele, na cruz, em 
estertores de morte: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste”? 
Não era o mesmo Jesus? O Jesus dos milagres? O Jesus divino? Ou 
então, era homem umas vezes e Deus, ou Filho de Deus, outras? 
Admite-se que um Filho de Deus descido à Terra, tenha dois 
comportamentos para nos confundir? Finalmente: Que projecto de 
Javé enfim triunfará?!… E onde? Na Terra, neste minúsculo Planeta 
que vagueia no espaço, ou no Céu de todos os espaços e da inefável 
eternidade? (Quando, no NT, falarmos de Jesus, havemos de 
constatar que a invenção da sua divindade redentora, a partir da 
qual nasceu a religião cristã, é totalmente desprovida de senso e, 
mesmo, de humanidade: como admitir que um Deus tenha um filho, 
o envie à Terra e o faça sofrer uma morte e morte de cruz para salvar 
um ser vivo, por acaso racional, chamado Homem?...) A apologia do 
sofrimento – ao longo dos séculos apanágio da doutrina da Igreja – é 
de uma irracionalidade total!
- “Por um instante te abandonei, mas com imensa compaixão, torno a 
chamar-te. Num ímpeto de ira, por um momento escondi de ti o meu 
rosto; agora, com amor eterno, volto a compadecer-Me de ti, diz Javé, 
teu redentor.” (Is 54,7-8)

- Que Javé é este que claramente se diverte com este jogo de ora 
abandona ora torna a chamar, ora tem ímpetos de ira e esconde o rosto 
ora se compadece em amor eterno? Que eternidade? Que redenção? 
Que pecado? Que vida? As perguntas repetem-se em catadupa, sem 
qualquer hipótese de resposta… E um Deus sem respostas – como 
são todos os deuses de todas as religiões conhecidas, pois todos 
inventados pelo Homem – obviamente, não é Deus!

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 136/?

À procura da VERDADE nos livros Proféticos

ISAÍAS – 13/17

- “Desce e senta-te no pó, jovem Babilónia. Senta-te no chão, 
sem trono, capital dos caldeus, pois nunca mais te chamarão doce 
e delicada. (...) Tira o véu, levanta a saia, mostra as pernas, 
atravessa os rios. Que o teu corpo fique descoberto e se vejam as 
tuas partes íntimas. Eu vou vingar-Me e ninguém se oporá, diz o 
nosso Redentor que se chama Javé dos exércitos, o santo de Israel. 
(…) (Is 47,1-4)
- Simbólica embora, a sensualidade das imagens quase encanta… 
Mas é a derrota de Babilónia! É o castigo de Javé! É a continuidade 
non-sense de Deus a intervir na História. Inaceitável, em termos 
universais da cultura humana. E, cúmulo dos cúmulos: um Deus 
que elege a vingança como sua atitude predilecta.
- “Javé chamou-me e (…) disse-me: Israel, tu és o meu servo; por 
meio de ti mostrarei a minha glória. (…) Faço de ti uma luz para as 
nações para que a minha salvação chegue até aos confins da Terra. 
(…) Aos teus opressores farei comer a própria carne; e com o 
próprio sangue eles se embriagarão, como de vinho novo. Então todas 
as criaturas saberão que Eu sou Javé, teu salvador e que o teu 
redentor é o Poderoso de Jacob.” (Is 49)
- Imaginemos, por absurdo, que Isaías não era israelita. Acaso teria 
elegido Israel como servo de Javé? Que lógica divina haverá ao 
condicionar-se Deus a um povo? E que povo, valha-nos Deus! 
Depois, aquele gostinho do “profeta” pelo macabro… E é pelo sangue 
derramado que Javé se mostra salvador e redentor? Afinal, onde 
estará a salvação e a redenção, não da humanidade, mas deste 
homem concreto, desta mulher concreta, de ti, de mim, de cada 
Homem? No cumprimento da Lei mosaica? No seguimento das 
máximas dos Livros sapienciais? No adorar a Javé e não aos ídolos? 
Mas o que é isso de adorar a Javé? Que diferença realmente há 
entre venerar e adorar? Ajoelhas-te diante de uma imagem ou 
diante do Santíssimo Sacramento: a uma veneras, a outro adoras… 
Sabes distinguir? E realmente para que serve cumprir a 
Lei? - bradaríamos com Job? Para não sermos punidos? Para receber 
o prémio da “Terra Prometida”? Na Terra ou no Céu? Que Céu, que 
vida eterna se não há certezas nenhumas de um Céu ou de uma vida 
eterna, seja minha, seja tua, seja de qualquer Homem? E, no meio de 
tantas perguntas, nos perdemos, se perde a Bíblia, nós morrendo na 
angústia das incertezas, a Bíblia, “lutando” pela sobrevivência de 
Israel, sempre com o auxílio do guerreiro braço de Javé…
- “Desperta! Desperta! De pé, Jerusalém! Tu que bebeste da mão de 
Javé a taça cheia do seu furor, um cálice embriagador, que bebeste e 
esvaziaste. (…) Vou retirar da tua mão o cálice embriagador; nunca 
mais beberás a taça do meu furor. Vou passar esta taça para as mãos 
daqueles que te fizeram sofrer, daqueles que te diziam: Curva-te para 
passarmos por cima de ti.(…) Desperta! Desperta (…) Jerusalém, 
cidade santa! Pois nunca mais entrarão em ti o não circuncidado e o 
impuro.” (Is 51-52)
- Como Te enganaste, Javé! Se viesses cá neste virar de milénio, 
apenas uns dois mil e quinhentos anos passados, que dirias ao ver a 
tua Santa Jerusalém - ou que fizeram tua! - o pomo da discórdia entre 
povos e religiões que disputam a mesma terra, a mesma cidade, a 
mesma capital! E sabes qual é um desses povos? - O teu eleito Israel! 
Ou… que se dissera ser teu eleito! Ainda anda por ali o teu furor, 
castigando?! É: Isaías “profetizou” para os do seu tempo! Continuou a 
“invenção” de um Javé para os do seu tempo, como convinha a um povo 
auto-proclamado eleito de Javé! E que mais poderia ele fazer, senão 
consolar os seus? Se não conhecia da Terra senão o Médio Oriente? 
Se não sabia que a Terra é redonda e que gira à volta do Sol? E que é 
um minúsculo planeta perdido num Universo incomensurável? Que 
“profetizaria” ele se existisse neste terceiro milénio? É que um 
Javé-Deus, Senhor do visível e do invisível, Senhor do 
desconhecido - que é de certeza bem maior que o conhecido e 
visível - não pode, não pode estar limitado a um povo que ora castiga 
ora abençoa a seu belo prazer! Nem pode desconhecer a História 
passada e futura, sabendo, pois, aonde levaria o Homem, a Ciência e o 
Conhecimento. Mas, não! É um Deus completamente desconhecedor 
destas fantásticas realidades a que nós, os do terceiro milénio, já tivemos 
o privilégio de aceder. Ah, que Javé-Deus tão “feito” à imagem e 
semelhança do Homem do seu tempo, do Homem existente aquando 
da escritura da Bíblia!

Enfim, e mais uma vez: Que dizer de um Deus, que se quisera único 
e universal, que exclui da “sua cidade santa” o não circuncidado e o 
impuro? – Não! Não é Deus!

sábado, 13 de maio de 2017

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 135/?

À procura da VERDADE nos livros Proféticos 

ISAÍAS – 12/17

 - “O ferreiro trabalha o ídolo com a fornalha e modela-o com o 
martelo (…) O carpinteiro mede a madeira, desenha a lápis uma 
figura e trabalha-a com o formão e aplica-lhe o compasso. 
Faz a figura com medidas do corpo humano e com rosto de 
homem, para que essa imagem possa estar num templo (…) 
O próprio escultor usa parte dessa madeira para se aquecer e 
cozer o seu pão; e também fabrica um deus e diante dele se 
ajoelha (…) Com uma parte acende o fogo, assa a carne nas 
brasas e mata a fome; também se aquece ao fogo e diz: Que 
coisa boa! (…) Depois, com a outra parte faz um deus (…) e 
faz uma oração, dizendo: Salva-me, porque és o meu deus.” 
(Is 44,12-17)
- A sátira é brilhante. E escrita com elegância. Realmente, 
como foi, como é possível que o Homem seja capaz de adorar, 
prostrar-se de joelhos diante de um objecto-imagem saído das 
suas próprias mãos e chamar-lhe deus? Mas não foi isso que 
fez ao longo da História, desde as mais remotas eras? Não é 
isso que fazem os crentes em frente do santo da sua devoção 
ou em frente da Virgem ou de Cristo pregado na cruz? Que 
diferença fazem estas imagens dos ídolos contra os quais 
Javé, pela boca de Isaías, satirizava… humoristicamente? Não 
são mãos de carpinteiro ou escultor ou ferreiro que fabricam 
tais imagens de santos, da Virgem ou de Cristo crucificado? 
E quando se referem ao Espírito Santo, não fazem uma pomba? 
E do Deus-Pai, não fazem um velho de aspecto venerando, 
com as suas longas barbas brancas? E quantas estátuas-imagens 
da Virgem, nas suas diferentes facetas de grávida, de mãe, de 
Sra da Conceição, de Sra de Fátima, de Sra de Lourdes, de Sra 
negra, de…? E já nem falamos dos quadros célebres de 
pintores, com personalidades ou cenas religiosas… Se Isaías 
cá voltasse e visse tantos santos nos altares, não sei se 
bradaria de novo por Javé, invectivando tais usos tão pios e tão 
decorativos das nossas igrejas actuais! Mas convinhamos: uma 
igreja sem estátuas, sem quadros, sem figuras, seria uma igreja 
bem mais triste, quer pesada nas largas paredes com poucas 
janelas e nas colunas de grossuras descomunais para sustentar 
as pesadíssimas abóbodas, no estilo românico, quer elegante com 
belas e rasgadas janelas de vitrais de cores inolvidáveis em sinfonia 
de luzes e matizes, emolduradas por elegantes nervuras e colunatas, 
no estilo gótico…
- “Assim diz Javé, o teu Redentor, que te formou desde o ventre 
de tua mãe: Eu sou Javé que faço tudo: sozinho eu estendi o céu e 
firmei a Terra. (…) Eu digo a Ciro: Tu és o meu pastor e realizarás 
tudo o que Eu quero. Eu digo a Jerusalém: Tu serás reconstruída
e ao Templo: Tu serás reedificado desde os alicerces.” (Is 44) “Eu 
sou Javé e não existe outro. Eu formo a luz e crio as trevas; sou o 
autor da paz e crio a desgraça. (…) Fora de Mim, não existe 
outro Deus. Não existe Deus justo e salvador a não ser Eu. 
Voltai-vos para Mim e sereis salvas todas vós, extremidades da 
Terra, pois Eu sou Deus e não existe outro.” (Is 45)
- A insistência na unicidade persiste. Repetidamente. 
Enfadonhamente! Realmente, Deus a existir tem de ser único e 
vivo e invisível, sem a forma humana com que sempre o quiseram 
moldar. Mas aí a Bíblia teve a sua culpa, ao dizer que “Deus 
criou o Homem à sua imagem e semelhança.” Assim sendo, 
se o Homem é feito à imagem e semelhança de Deus, lógico 
é dizer que Deus é semelhante ao Homem! Boa ou má, é a 
lógica desta nossa “querida” Bíblia! Mas… o que é um 
Deus-salvador, um Deus-redentor, um Deus justo? Aliás, justo 
este Javé? Como, se é totalmente parcial a favor de Israel, o seu 
povo eleito?!


sábado, 6 de maio de 2017

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 134/?

À procura da VERDADE nos livros Proféticos

ISAÍAS – 11/17

 - “Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus. Falai ao 
coração de Jerusalém, gritai-lhe que já se completou o tempo 
da sua escravidão, que o seu crime já foi perdoado, que já recebeu 
da mão de Javé o duplo castigo por todos os seus pecados.” 
(Is 40,1-2)
- E comenta-se: “(…) Isaías profetiza entre as primeiras vitórias de 
Ciro (ano 550) e a sua entrada na Babilónia (539), acolhido como 
libertador.(…) Terminou o tempo da escravidão e começa um novo 
êxodo. Os Evangelhos sinópticos citam o texto para falar da 
libertação definitiva trazida por Jesus Cristo (Mt 3,3; Mc 1,3; Lc 3,4) 
(…). Ciro, rei dos persas, domina a Ásia Menor e avança triunfalmente. 
(…) Para o profeta, Ciro torna-se o instrumento de Deus Javé (…)” 
(ibidem) Apenas duas anotações: 1 – Afinal, Isaías profetizou o quê? 
2 – E que validade tem a comparação que os sinópticos fazem entre 
Ciro e Jesus?
- “Eis o meu servo a quem Eu amparo, o meu escolhido; nele a minha 
alma se compraz. Eu coloquei sobre ele o meu espírito (…) Assim 
diz o Deus Javé (..) Eu, Javé, chamei-te para a justiça (…) Eu sou Javé: 
este é o meu nome. Não vou dar a outro a minha glória nem vou 
ceder a minha honra aos ídolos (…). Cantai a Javé um cântico novo! 
(…) Javé avança como um herói, como guerreiro acende o seu 
ardor; solta gritos de guerra, mostrando-se forte contra os seus inimigos. 
(…) Recuarão cobertos de vergonha aqueles que confiam nos ídolos, que 
dizem às estátuas: Vós sois os nossos deuses.” (Is 42)
- E comenta-se: “Quem é esse servo? Aqui, sem dúvida, Ciro. No 
contexto geral e segundo a versão grega, Israel. Para o Novo testamento, 
o próprio Jesus. (…) (Mt 3,17; 12,17-21; 17,15)” (ibidem). Ora bem: 
comparar Ciro que liberta os israelitas do cativeiro com Cristo também 
Ele libertador, aceita-se. Mas Israel… que libertação ofereceu ou 
oferece à humanidade? Chamar guerreiro a Javé, é o mesmo de sempre: 
inadmissível! E que ídolos deixaram os Homens de adorar? Acaso 
o Deus invisível conseguiu implantar-se no coração humano? Não se 
“exigiu” que logo se fizessem dele estátuas de aspecto venerando? Ou, 
como na Bíblia, encarnado na Arca da Aliança que até falava com a 
voz de Deus? Aliás, um Deus invisível não é uma utopia? Não precisa o 
Homem de um referente?
- “(…) Assim diz Javé (…): Ó Israel, não tenhas medo (…) pois Eu sou 
Javé, teu Deus, o santo de Israel, o teu Salvador. Para pagar a tua 
liberdade, dei o Egipto, a Etiópia e Sabá em troca de ti, porque és 
precioso para Mim, tens valor e Eu amo-te; dou homens por ti e povos 
em troca da tua vida. (…) Eu, Eu sou Javé e fora de Mim não existe 
nenhum salvador. (…) Eu sou o primeiro e sou o último; fora de Mim, 
não existe nenhum outro deus. Existe alguém como Eu? Que fale, que 
Mo explique e exponha. Quem de antemão anunciou o futuro, 
quem nos predisse o que vai acontecer?” (Is 43-44)
- Entre as muitas perguntas possíveis: Porque é que Javé tem de se 
afirmar tanto como Deus único? E tenha de “lutar” tanto para que, 
como tal, seja reconhecido? E tenha em tanta exclusividade Israel, 
mostrando uma injustiça inaudita para com os outros povos?


sábado, 29 de abril de 2017

Onde a Verdade da Bíblia? Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 133/?

À procura da VERDADE nos livros Proféticos – 133/?


22/04/17
ISAÍAS – 10/17

- “Um rei reinará conforme a justiça e os chefes governarão 
conforme o direito. (…) Mulheres despreocupadas, levantai-vos 
e escutai a minha voz. (…) Daqui a um ano e alguns dias, 
vós (…) ficareis abaladas, porque a vindima será perdida e a 
colheita frustrada (…). Será derramado outra vez sobre nós um 
espírito que vem do alto. Então, o deserto tornar-se-á um jardim 
(…) No deserto habitará o direito e a justiça habitará no jardim.” 
(Is 32,1,9 e 15)
- Certamente, houve, ao longo destes cerca de três mil anos 
que nos separam de Isaías, reinos de justiça e conforme o direito. 
Mas, infelizmente, a História dá-nos conta de tiranias sem conta 
que tiveram de tudo menos direito e justiça. Assim, ficamo-nos 
pela beleza do desejo… Mas quem não quisera que os desertos, 
todos os desertos do mundo virassem jardins? Os reais mas 
sobretudo os que existem no coração do Homem?! A expressão 
“Daqui a um ano e alguns dias…” irrita pela tentativa de precisão 
profética.
- “Ai de ti, devastador que ainda não foste devastado, ladrão 
que ainda não foste roubado. Pois, quando acabares de destruir, 
tu é que serás destruído; quando tiveres acabado de roubar, então 
tu é que serás roubado.” (Is 33,1)
- Repete-se! Mas soa bem o trocadilho, embora a verdade 
histórica desminta que aconteça de tal modo…
- “Aproximai-vos, nações para ouvir; povos, prestai atenção, (…) 
pois Javé está irado contra todas as nações e enfurecido contra todos 
os seus exércitos. Já os destinou todos à eliminação total, já os 
entregou à matança. Os seus mortos são lançados fora, dos cadáveres 
exala mau cheiro e os montes ensopam-se com o seu sangue; o 
exército do céu desmancha-se, o céu enrola-se como um pergaminho 
e os seus astros caem como as folhas da parreira, como as folhas 
da figueira, pois a espada de Javé ficou embriagada no céu. Vede: 
ela precipita-se sobre Edom, um povo que destinei à destruição. 
A espada de Javé está a pingar sangue, está banhada de gordura, 
cheia do sangue de cordeiros e cabritos, da gordura do lombo dos 
carneiros, para que se ofereça um sacrifício a Javé em Bosra, uma 
enorme matança no país de Edom. Com eles, morrem também 
búfalos, bezerros e touros. A sua terra empapa-se de sangue, o 
chão está banhado de gordura, pois este é um dia de vingança 
para Javé, é um dia de acerto de contas em favor de Sião. (…)” 
(Is 34,1-8)
- Que estilo sanguinolento, santo Deus! Que oráculo! Que… Javé! 
Para quê referência a tantos animais e sangue? Após mais este 
chamado “Pequeno Apocalipse de Isaías”, “crítica às grandes 
potências cuja falência se anuncia”, no dizer do “nosso” comentador, 
segue-se um apêndice histórico (Is 36-39). E continua-se 
comentando: “Estes capítulos reproduzem com pequenas 
diferenças, a narrativa histórica de 2Rs 18,13-20,19, que relata 
a acção de Isaías na altura da campanha assíria contra Jerusalém. (…) 
O profeta age esclarecidamente numa situação trágica para o país 
e a sua capital. (…) Afirma a confiança em Javé acima de todas 
as alianças humanas (…). No confronto entre o poderoso rei pagão 
e o Deus Javé, que protege Jerusalém, o triunfo é de Javé: o exército 
bate em retirada por causa de uma epidemia (…).” (ibidem) 
Obviamente, não sabemos onde descortinar a inspiração divina, 
nesta narrativa mais ou menos histórica, de Isaías que se repete, de 
seguida:
- “Naquela mesma noite, o Anjo de Javé feriu no acampamento dos 
assírios cento e oitenta e cinco mil homens. De manhã, ao acordar, só 
se viam cadáveres. Seneraquib, rei da Assíria, foi-se embora e (…) 
quando estava de bruços fazendo a sua adoração no templo do seu 
deus Nesroc, os seus filhos (…) assassinaram-no à espada (…).” 
(Is 37,36-38)

- A pergunta será sempre a mesma ou semelhante: Porque haveremos 
de acreditar que é realmente Javé o autor da História de Israel? Mais 
simplesmente: Não exprimia Isaías apenas as suas ideias, ao 
manifestar-se contra as alianças, usando o nome de Javé para convencer 
os seus leitores da razão que o assistia? 

sábado, 22 de abril de 2017

Fátima, altar do mundo


É um facto: Fátima tornou-se o maior centro de peregrinação do mundo. E, dentro do espírito do capitalismo selvagem que nos governa, estando o Homem escravo e ao serviço do dinheiro – quando o dinheiro deveria ser libertador e estar ao serviço do Homem – é uma óptima fonte de receitas para o turismo local e nacional e, obviamente, para a Igreja Católica: são milhões!
Mas o fenómeno é religioso. Tem origem numa suposta aparição da Virgem Maria a uns pastorinhos (bizarra aparição, pois só Lúcia ouve, vê e fala com a Virgem, Jacinta só a vê e Francisco só a ouve…), tudo envolto numa nebulosidade que só se percebe tendo em conta o factor religioso-turístico que acarretaria consigo. E, se os seus mentores fossem vivos, constatariam que as suas expectativas não só não foram goradas mas em muito suplantadas, contribuindo para isso o relevo que foi dado às supostas aparições, primeiro, pela Igreja local e nacional, depois, vendo a oportunidade religioso-monetária, já de grande sucesso em outros santuários de outras partes do globo, pela Igreja do Vaticano.
Muito já se escreveu sobre Fátima: uns em defesa, outros em acérrimos ataques. Tem predominado a sua “verdade”, pela Fé dos crentes e pelas emoções que a ida a Fátima – um local sagrado, onde o divino está presente! – provoca nos peregrinos. Grandes emoções onde a razão e a análise crítica ficam completamente de fora…
No muito que foi dito e escrito, têm-se referido fontes da época, relatos dos acontecimentos, relatos da Lúcia sobre o fenómeno (Francisco e Jacinta nunca abriram a boca…). Mas não vimos uma análise crítica ao teor da mensagem de Fátima, suposta mensagem enviada por Deus através da Virgem à humanidade. Ora, a nosso ver, é aí que se deve centrar o âmago da questão e da procura da Verdade. Vamos por partes:
1 – O Homem não pode acreditar que Deus anda por aí, de vez em quando, a enviar-lhe mensagens, directamente ou através da Virgem ou de anjos, de um modo nebuloso e sem qualquer credibilidade. Neste caso, através de umas crianças altamente dependentes de uma catequese a todos os títulos retrógrada e fundamentalista, como era a existente à época (1917). Ora, ser inteligente que se presume seja – a máxima inteligência! – de certeza que não seria tal processo que Deus utilizaria para se comunicar com os Humanos.
2 – Historicamente, existiu Maria, mãe de Jesus, mas a Virgem Maria, Mãe de Deus, não. Foi uma invenção dos primeiros cristãos e assim propagada através destes dois milénios. Isto é fácil de provar, histórica e racionalmente. Transcrevo o que escrevi, aqui, no meu texto de 04/03:
«Mateus refere, em 1,22-23, as palavras do Anjo para convencer José: “Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: Vede: a Virgem conceberá e dará à luz um filho. Ele será chamado Emanuel, que quer dizer: Deus está connosco.” Mas os textos não batem certo. Mateus - ou o Anjo? - não foi exacto na transcrição do profeta Isaías que diz: “A jovem concebeu e dará à luz um filho (…)”; e, com toda a certeza, não era virgem!… Onde nos poderiam levar os comentários a tal pequena-enorme troca de “jovem” por “virgem”? Onde? No entanto, é esta passagem bíblica que está na base do cristianismo já que aponta para o acto essencial que foi o nascimento de Jesus, Filho de Deus, concebido, por obra e graça do Divino Espírito Santo, no seio de Maria Virgem (como se ensina no catecismo e se reza no Credo católico, nas missas). E é a esta Virgem-mãe inexistente que todo o cristianismo presta devoção e erigiu santuários e altares por todo o mundo… o que, embora comovente por nos fazer lembrar a nossa mãe e a mãe dos nossos filhos, não deixa de ser um enorme atentado à Verdade.»

3 – Analisando criticamente a mensagem de Fátima (toda ela revelando uma catequese fundamentalista e retrógrada imposta àquelas crianças, como já dissemos), constatamos a impossibilidade de ser uma mensagem vinda do Céu, significando Céu uma entidade de onde emanam mensagens cheias de humanidade e de verdade. Nem de um ponto de vista humano nem de um ponto de vista teológico, sendo de admirar como é que a própria Igreja a aceita como sua... Ambos os aspectos foram, aqui, escalpelizados, em 12 pequenos textos publicados entre 05/05 e 01/09 de 2011, sob o título “A (in)verdade de Fátima”. Sem mais delongas, remetemos para a sua leitura. (Ver arquivo do blog)

Em nome da VERDADE!

sábado, 15 de abril de 2017

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 132/?


À procura da VERDADE nos livros Proféticos 


ISAÍAS – 9/17

 - “Naquele dia, cantar-se-á este cântico na Terra de Judá: 
Nós temos uma cidade forte. Para a defender, Javé 
construiu muralhas e baluartes. (...) Confiai sempre em 
Javé, pois Javé é uma rocha para sempre. (…) Por ti suspira 
a minha alma a noite toda (…) Javé tu nos governarás na 
paz pois és Tu que realizas tudo o que fazemos. (…) Fizeste 
crescer a nação, Javé, (…) e manifestaste a tua glória (…).” 
(Is 26,1-15)
- Como entender que é Javé que realiza tudo o que fazemos? 
Depois, o mundo é comandado por homens e, infelizmente, 
bem mal comandado, como nos dá testemunho toda a História, 
tanto a antiga como a quotidiana. Mas… há mais oráculos 
para ler!
- “Ai da coroa soberba dos bêbedos de Efraim! (…) Sacerdotes e 
profetas estão confusos pela bebida, andam confusos nas suas 
visões, divagam nas suas sentenças. (…)” (Is 28,1 e 7)
- Que sacerdotes? Que profetas? É difícil de entender que o 
todo-poderoso Javé não estivesse com eles!…
- “Ai de Ariel, Ariel, cidade onde David acampou! (…) E Eu, 
então, vou apertar Ariel e só haverá choro e lágrimas. (…) O 
Senhor disse: Este povo aproxima-se de Mim só com 
palavras e só com os lábios Me glorifica, enquanto o seu 
coração está longe de Mim. (…) Por isso, continuarei a realizar 
maravilhas e prodígios; a sabedoria dos seus sábios fracassará 
e a inteligência dos seus inteligentes apagar-se-á. (…)” 
(Is 29,1 e 13-14)
- Socorramo-nos do comentário acerca deste oráculo: “Ariel é 
um antigo nome poético de Jerusalém. A cidade conhecerá a 
visita de Deus através das tropas assírias no ano 701 a.C., 
quando estas a sitiaram completamente. A situação era 
humilhante, sem saída, mas Deus libertou-a, enviando uma 
peste que obrigou o exército assírio a bater em retirada. Isaías 
vê nesse facto a intervenção do próprio Javé que arranca a 
cidade santa das mãos do inimigo.” (ibidem) Nós diríamos 
apenas que “confundir” visita de Deus com visita das tropas 
assírias é… é absurdo embora aceitável dentro da linha bíblica.
- “Ai de vós filhos rebeldes! - oráculo de Javé. Fazeis planos 
que não nascem de Mim, fazeis acordos sem a minha 
inspiração (…) Olhai: Javé em pessoa vem de longe! A sua ira 
é ardente e o seu furor é intolerável. (…)” (Is 30,1 e 27)
- Comenta-se: “Em 702 a.C., Ezequias, rei de Judá, envia 
embaixadores ao Egipto para pedir apoio contra a Assíria. O 
profeta critica violentamente essa atitude (pois) o Egipto, 
nessa época, era uma potência decadente (…)” (ibidem) 
Nós retorquiríamos: Tudo bem, profeta Isaías! Mas, porquê 
afirmas ser Javé que desaprova tal pedido de apoio? Não é 
apenas a tua “democrática” opinião, tão válida certamente 
como a contrária?
- “Ai daqueles que vão até ao Egipto em busca de ajuda e 
confiam nos cavalos. (…) Como ave que abre as asas para 
proteger os filhotes assim Javé dos exércitos protegerá Jerusalém. 
(…)” (Is 31,1 e 5)

- E Isaías não desiste, tal era a sua descrença na ajuda egípcia! 
Mas que o faça abusivamente em nome Javé, é inaceitável. A 
imagem da ave de asas abertas é… bonita!

sábado, 8 de abril de 2017

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 131/?

À procura da VERDADE nos livros Proféticos 

ISAÍAS – 8/17

- “Naquele tempo, Tiro ficará esquecida durante setenta 
anos - a duração da vida de um rei - e no fim dos setenta 
anos, poderá ser aplicada a Tiro aquela canção da prostituta: 
Pega na cítara, percorre a cidade, prostituta esquecida. 
Toca com habilidade, canta muitas canções, para ver se 
alguém ainda se lembra de ti. Então, (…) ela voltará aos 
seus ganhos de prostituta e vender-se-á a todos os reinos da 
face da Terra. O seu lucro, o seu ganho de prostituta, será 
consagrado a Javé, de modo a não juntar dinheiro nem 
enriquecer, pois será tudo daqueles que moram na presença 
de Javé, para eles comerem, beberem e se vestirem com 
todo o luxo.” (Is 23,15-18)
- Interessante o que diz o “nosso” comentador: “O profeta 
usa uma expressão que ironiza a sorte de Tiro: era uma 
prostituta afamada e agora precisa apelar por todos os 
meios a fim de ser reconhecida. Os vv. 17-18 são um 
acréscimo e mostram que Tiro há-de readquirir a sua 
grandeza, mas para servir ao projecto de Javé e não 
para se gloriar da própria auto-suficiência.” (ibidem) 
Ora, temos mais um acréscimo! Mais uma confusão 
na sacralidade bíblica! E que dizer desta insistência na 
imagem da prostituta? Será assim tão próprio dum livro 
dito sagrado?! E ainda, que dizer dos que moram com Javé 
comerem e beberem e se vestirem com todo o luxo, usando, 
aparentemente, o dinheiro que não é seu? Também 
é… simbólico?
- “Javé vai arrasar a Terra e devastá-la; lançará confusão em 
toda a sua superfície e dispersará os seus habitantes. (…) A 
Terra está profanada sob os pés dos seus moradores: eles 
transgrediram as leis, violaram os seus mandamentos e 
romperam a aliança eterna. Por isso, a maldição devorou 
a Terra e os seus moradores recebem o castigo (…) (Is 24,1-6)
- A propósito dos cap. 24-27, comenta-se: “Estes capítulos 
são comumente chamados «Grande Apocalipse de Isaías». 
Foram escritos bem mais tarde e naturalmente não são do 
profeta. Este Apocalipse inspirou-se provavelmente numa 
catástrofe política de alguma nação, entre os séculos V e IV a.C. 
O texto apresenta o julgamento final do Universo e a 
instauração do Reino de Deus.” (ibidem) Ora bem: se foram 
escritos bem mais tarde, porque fazem parte do texto inspirado 
de Isaías? E também foi instrumento divino de inspiração a 
tal crise política do s. V ou IV? Novamente, a confusão 
bíblica a instalar-se, sendo totalmente legítimo duvidar de 
que haja, por aqui, qualquer tipo de inspiração divina…
- “A Terra será toda arrasada, a Terra será sacudida 
violentamente, a Terra será fortemente abalada. (…) Naquele 
dia, Javé julgará no Céu o exército do Céu; e na Terra, os reis da 
Terra.” (Is 24,19)
- Que Terra? Que Céu? Que exército? Que… Javé?! E onde 
a inspiração divina de todas estas catástrofes anunciadas que 
certamente fizeram parte do imaginário, talvez doentio, de Isaías?
- “Javé dos exércitos vai preparar no alto deste monte 
(a montanha de Sião) um banquete de carnes gordas, um 
banquete de vinhos finos, de carnes suculentas, de vinhos 
refinados. (…) O Senhor Javé enxugará as lágrimas de todas 
as faces e eliminará da Terra inteira a vergonha do seu 
povo - foi Javé quem o disse.” (Is 25,6-8)
- Como é que Javé poderá ser considerado Deus Universal se se 
preocupa apenas com enxugar as lágrimas do “seu povo”? É 
sempre um Javé partidarizado, este Javé da Bíblia, não é? O 
banquete, claro, embora apele à gula e à gulodice, será simbólico. 
Mas… símbolo de quê?

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 130/?


À procura da VERDADE nos livros Proféticos

ISAÍAS – 7/17

- “Vou varrer Babilónia com a vassoura da destruição - oráculo de 
Javé dos exércitos. (…) “O clamor espalhou-se por todo o território 
de Moab e os seus gritos chegam até Eglaim e Beer-Elim, pois a água 
de Dimon está cheia de sangue. (…) O alarido das nações ecoa como 
estrondo de muitas águas. No entanto, Javé ameaça-as e elas fogem 
para longe; voam sobre os montes como palhas dispersas pelo vento, 
como cisco no redemoinho. (…) A terra de Judá será um terror para 
os egípcios (…) que oferecerão sacrifícios e oferendas e até farão 
promessas a Javé e hão-de cumpri-las. Javé ferirá os egípcios. Ele 
vai ferir e depois curar. (…)” (Is 14-19)
- Aqui, afirma-se: “Trecho em prosa acrescentado ao livro original 
de Isaías, em época posterior depois que muitos judeus se 
refugiaram no Egipto e formaram comunidades em vários lugares.” 
(ibidem) E nós voltamos a perguntar: Um livro inspirado não fica 
desacreditado com acrescentos? Acaso poderíamos nós acrescentar 
agora alguma coisa, um oráculo, por exemplo, para reclamar a ira 
do Senhor sobre Israel ou sobre o Egipto ou outro país árabe da 
zona do eterno conflito que é o Médio Oriente, quando estes se 
interdevoram em guerras? E seria também de inspiração divina? E 
não faria de fé bíblica como nos ensinaram que o de Isaías fazia? De 
cada vez que nos interrogamos seriamente sobre a inspiração divina 
da Bíblia, ficamos sem respostas. Melhor: concluímos que não há 
inspiração divina nenhuma… E nós bem quiséramos que fossem de 
uma vez banidos os mistérios que nos angustiam, que Deus realmente 
se revelasse! Não em sonhos ou visões, como diz Isaías de si próprio, 
mas aqui e agora a cada ser humano, em cada tempo e em cada 
lugar, para que não andássemos enganados por outros homens que se 
dizem iluminados e que nos exploram sentimentos e alma, 
vendendo-nos o produto das suas imaginações… Mas… a realidade 
nua e crua é esta: NENHUMA CERTEZA!
- “Então Javé falou por intermédio de Isaías, filho de Amós, como já 
lhe havia dito antes: Vai, despe esse pano de saco e tira as sandálias 
dos pés. Assim fez Isaías, que começou a andar nu e descalço. Depois, 
Javé disse: Assim como Isaías meu servo, andou nu e descalço durante 
três anos, esse facto será um sinal e um exemplo para o Egipto e a 
Etiópia. Pois é assim que o rei da Assíria vai levar os captivos do 
Egipto, os exilados da Etiópia, jovens ou velhos: estarão nus 
e descalços com as nádegas descobertas (a vergonha do Egipto)” 
(Is 20,2-4)

- Esta Bíblia é realmente um poço de encenações/contradições… Então, 
é simbólico ou foi mesmo verdade que Isaías andou por ali três anos 
mostrando as… “vergonhas” a quem não quis desviar os olhos? É 
simbólico ou foi mesmo verdade que os egípcios e os etíopes foram 
levados pelos assírios, mostrando as nádegas? Acreditamos ou não 
acreditamos? Vamo-nos rir com tal brejeirice ou vamos ficar perplexos, 
porque não viemos aqui – isto é, analisar criticamente a Bíblia – para 
rir, já que a “coisa” – a nossa salvação ou condenação eterna – é muito 
séria? Haja paciência de quem se debruça sobre estes temas que, sem 
qualquer pejo e numa total desonestidade intelectual, a Igreja continua a 
vender-nos como sendo de inspiração divina, dizendo que a Bíblia é a 
palavra de Deus, a palavra da salvação, como se reza nas missas de 
domingo…