sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Quem me chamou Jesus Cristo? O Menino Jesus existiu? (10/?)

III
A situação histórica
    Na Palestina do meu tempo, uma das famílias mais preponderantes era a dos Herodes. O primeiro deles que interessa para a minha história é Herodes o Magno que reinou, desde o ano 37 a.C. até ao ano 4 a.C., com o apoio dos romanos a quem devia o título de rei dos Judeus. Sanguinário, embora grande construtor, devendo-se-lhe a restauração do Templo, ser-lhe-á atribuída pelo evangelho de Mateus a matança dos inocentes para se livrar do novo rei ou Messias que lhe foi anunciado por uns magos vindos do Oriente. Pura invenção do evangelista, como já referi. Sucede-lhe um outro Herodes, seu filho, o Antipas, que viria a provocar um grande sururu ao apaixonar-se por Herodíade, mulher do seu irmão Herodes Filipe, de cujo enlace havia uma filha já casadoira de nome Salomé. Para poder casar-se com ele, e não partilhar o mesmo leito nupcial, Herodíade obrigou-o a repudiar a legítima esposa. Ora esta era filha do poderoso rei Aretas e, vendo-se repudiada pelo marido, foi queixar-se a seu pai que, cioso dos direitos e pergaminhos da filha, logo provocou Antipas criando, com os seus soldados, conflitos de fronteiras. Os conflitos rapidamente se avolumaram, chegando ao confronto e à invasão da Galileia, com declaração de guerra total. Antipas só não foi derrotado porque vieram em seu auxílio as tropas romanas estacionadas na Síria, levando assim a melhor sobre Aretas que foi destituído pelo imperador. Entretanto, tetrarca e administrador da Galileia e da Pereia desde 4 a.C., reinado que ainda se iria prolongar até 39 d.C., Antipas acedeu a um estranho pedido da sua amada. Tudo se passou, segundo Mateus 14,6, no baile da festa do seu aniversário: lançando Herodíade para os braços do rei a sua bela filha Salomé, diz-lhe ele, de cabeça perdida e em alta voz para que o mundo testemunhasse a generosidade: “Pede-me tudo o que quiseres, minha bela, que eu to darei!” A jovem, com o sorriso mais malandro do mundo, já industriada na arte de cativar os homens, disse a pedido da mãe: “Quero que me sirvas, num prato, a cabeça de João Baptista!” Estranhou o pedido Antipas. Achou bizarro, estrambólico, estapafúrdio mesmo, mas compreendeu, expelindo um “Ah!...” É que João Baptista era um empecilho ao seu casamento com Herodíade, já porque não se cansava de anunciar a toda a gente: “O Reino de Deus está próximo! Convertei-vos e arrependei-vos, pois o machado encontra-se junto à raiz da árvore. E toda a árvore que não der bom fruto será cortada e lançada no fogo que nunca se extingue.”, já porque censurara abertamente Antipas, dizendo-lhe: “Tu cometes pecado e serás réu, anátema de Javé, se te casares com a mulher do teu irmão!”. O rei, não esperando tão estranho, tenebroso pedido, ficou por momentos perplexo, franziu o sobrolho, arregalou os olhos. Não podendo, no entanto, recusar aquela enormidade, e para ficar tranquilo com a sua consciência, cumprindo a palavra dada, invocou para si a questão da pax publica, isto é, a manutenção da ordem entre o povo a que se obrigara perante os romanos ocupantes. E esta era tarefa realmente importante a cumprir, juntamente com a da recolha dos tributos pagos religiosamente a César, o todo-poderoso imperador de Roma que, no seu caso, foram vários, desde Octaviano Augusto que se tornara imperador após a batalha de Actium, em 31 a.C., passando por Tibério que sucedeu a Augusto em 14 d.C., e ainda, nos dois últimos anos do seu reinado, Gaio Calígula que sucedeu a Tibério em 37 d.C. Aliás, foi Calígula que em 39 veio a destituir e a desterrar Antipas, acusado de conspirar contra Roma. Ora João Baptista era nitidamente um agitador e tinha cada vez mais prestígio e poder junto das massas de seguidores, também eles acreditando num fim último muito próximo e na vinda do Reino de Deus, expressão inspirada que ia ao encontro das expectativas do povo de Israel: para uns, a restauração do reino das doze tribos com a ajuda de Javé, como antigamente; para outros, um reino do Céu desconhecido, mas tremendamente apelativo. Tal movimento poderia facilmente degenerar em rebelião e criar-lhe problemas a si e ao seu poder real. Assim, decidiu, bradando para os seus lacaios: “Em nome da pax publica, que se prenda e se corte a cabeça a João Baptista!” Grande foi o burburinho pela sala. Mas logo, remetendo-se ao silêncio, todos se conformaram, compreensivos, com a real ordenação! Claro que a decisão só foi tomada pela premente exigência de Herodíade e o solene comprometimento do rei. Não fora isso, não tivera a paixão ocupado em Antipas o lugar da razão, e João Baptista, apesar de suposto agitador de massas, ainda teria vivido muitos mais anos para apregoar o fim dos tempos, tornando-se certamente o meu braço direito em tão difícil missão. É que também eu acreditava nesse fim, chegando o evangelista a pôr na minha boca: “Não passará esta geração sem que tudo isto aconteça!” Ora, o meu “isto”, obviamente, não se concretizou, nem naqueles tempos, nem nestes tempos...

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Intermezzo tempestivo

E foi Natal! Festa em família, cada um dele desfrutando conforme as posses que a crise permite. E em muitas consoadas – em quantas não houve? – houve bacalhau e cabrito ou peru, rabanadas, bolo-rei, iguarias várias, vinhos correntes e licorosos. Saciados, despedidas feitas, foi o inevitável regresso a casa, com prendas recebidas, prendas dadas, que tudo, mesmo o bem-bom, acaba com a voragem do tempo. Fica o gostinho...
Os crentes, e ainda resistentes, foram à “Missa do Galo”. O padre falou! Como de costume, nada disse além de glosar, comentar os evangelhos, supostos repositórios da verdade acerca do Menino Jesus.
Ora, já todos sabemos – a começar pelos padres que tal continuam a pregar nas Igrejas – que o Natal não existiu, que todo o cenário narrado por Lucas não tem qualquer crédito: imita as narrativas, ao tempo correntes, sobre o nascimento dos deuses solares, cujas festas eram celebradas desde a longínqua antiguidade, em todo o norte de África, Médio Oriente, indo até à Pérsia (actual Irão), até à Índia. E ele queria, a mando de Paulo, transformar aquele Jesus, Jesus que nem ele nem Paulo conheceram, num novo Khrisna e assim impô-lo às novas comunidades nascentes na nova religião paulina, a que se veio chamar de cristã, sem haver Cristo nenhum real para tal facto. Pois, se o cristianismo nasce de um Paulo “iluminado”, é facto que, devido aos ventos favoráveis da História, cujo protagonista principal é o imperador romano Constantino que, por interesse político, decide impô-lo a todo o império, nos chega como uma verdade, verdade que, afinal não existe, mas que se perpetua pelas igrejas, na boca dos sacerdotes, a mando do todo-poderoso Papa que os comanda de Roma. Discutir da sua veracidade? – Nunca! Isso seria pôr em causa uma “verdade” de séculos, pelo menos desde 325, data do Concílio de Niceia convocado por Constantino e onde, entre outros dogmas, contra a vontade de muitos dos bispos então presentes, se compôs/aprovou o inacreditável Credo católico, também, por isso, chamado de “niceno”, Credo já “cozinhado” por alguns padres e bispos durante os três séculos que o precederam. Três séculos, notaram bem?!
Remeto, quanto a esta questão, e para não me repetir, para textos anteriores já aqui publicados. Para mais pormenores, bastante seguros, veja-se, na Int., a wikipedia: credo niceno.
Mas foi Natal! E foi a Festa da Família! E foi bonito! E são sempre lindas de encantar as melodias invocando a “Noite Santa”, o “Deus Menino que se fez carne e habitou entre nós”! Ora, como finalmente, o que interessa será o espírito do Natal, o espírito de partilha, de fraternidade, de solidariedade..., viva o Natal! E... festejemo-lo com toda a alegria e o maior sorriso do mundo, enquanto, para isso, tivermos o alento da vida! Então, sem quaisquer ressentimentos religiosos, para todos, o MELHOR NATAL POSSÍVEL!

sábado, 22 de dezembro de 2012

Quem me chamou Jesus Cristo? O Menino Jesus existiu? (9/?)

    Brilhando como discípulo em tais escolas, deixava-se fascinar pelas filosofias, as matemáticas, as literaturas, as astronomias, e deliciava-se a confrontar as mitologias dos diferentes povos para avaliar com o seu espírito crítico até que ponto tinham algo de verdade ou era tudo invenção humana. Tentando então situar o Homem perante tais realidades, sentia-o perturbado, dependente das forças incontroláveis da Natureza, dependente sobretudo dos mistérios que envolviam Céus e Terra; e ele, Nicodemos, não vislumbrava para esses mistérios qualquer luz que lhe viesse do largo conhecimento das Sagradas Escrituras em que havia sido instruído desde a sua meninice. Parecia-lhe um mundo irreal aquele com que se deparava. Um mundo muito mais de fantasia que de verdadeiros milagres realizados por deuses que tinham sido seriados, inventados, esculpidos pelos Homens e a quem agora os mesmos Homens prestavam honras de verdade e de vassalagem. E lembrava-se dos diversos deuses de madeira, de barro, ouro ou prata que os Israelitas fizeram com as próprias mãos, ao longo dos séculos, desde logo na travessia do deserto, vindos do cativeiro do Egipto, elevando-os depois sobre um pedestal, prostrando-se diante deles e adorando-os, prestando-lhes culto e homenagem, “deuses” contra os quais Javé, o Deus único e verdadeiro, tanto lutara e pelos quais tantos castigos deixara que acontecessem ao seu “povo eleito”. E, apesar da rebeldia inconsequente própria da juventude, manifestava espírito atento, inconformado, gostando de contestar e questionar a herança recebida, analisando com argúcia o que dizia respeito à vida da sociedade ou à do Homem como indivíduo, neste caso, análise de si próprio. Realmente parecia-lhe o cúmulo da estupidez humana o Homem criar um deus de barro, madeira, ouro, cobre ou prata ou, mais sofisticadamente, na própria mente, e depois prostrar-se diante dele e adorá-lo, atribuindo-lhe atributos de todo-poderoso e de eterno, habitando um todo-misterioso mas apelativo Paraíso!...
    Os anos da efémera juventude rapidamente passaram. E, regressado a Jerusalém, já em idade casadoira, ali se enamorou, como manda a tradição judaica, por bela judia de olhos verdes e longos cabelos negros que faria desejar a qualquer muçulmano, que a lobrigasse, tê-la como virgem a multiplicar por cem no Paraíso das Delícias prometido por Maomé aos que se imolam pela causa da sua religião em nome de Alá...
    Mas o casamento não o prendeu na santa cidade. Cumpridos os deveres conjugais, deixando na sua terra a bela judia grávida, atraído mais pela aventura e o desconhecido do que pelo negócio, partiu com o pai até aos confins do Oriente, numa das caravanas que levavam meses nas transacções, difíceis que eram à época as deslocações e viagens.
    Uma vez chegado a tão longínquas paragens, decidiu deixar o pai embrenhado nos meandros dos complicados negócios, e ir falar com sacerdotes e monges, gurus e mestres, os dalai-lamas de hoje, tentando decifrar o que havia de interessante naquelas filosofias e religiões, nos conhecimentos que tinham de medicinas alternativas, segredos que levavam a curas milagrosas sem terem de apelar para o divino... Aliás, sempre se interrogara sobre a veracidade de todos aqueles milagres que as Escrituras narravam, desde a vara de Moisés que, tocando a rocha, fez dela jorrar água, ao maná do deserto, às curas mirabolantes, chegando-se à ressurreição de mortos – nesta então é que não acreditava de modo algum – embora lhe parecessem credíveis as curas de epilépticos e endemoninhados pela imposição das mãos por sábios aplicadores de tais conhecimentos.
    Destas suas experiências e aprendizagens me deu conta quando, regressado, encontrando-me no Templo, me convidou para sua casa e aí me propôs um périplo de vida que me encantou e que eu, sem hesitar, decidi seguir, a partir da minha juventude.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Quem me chamou Jesus Cristo? O Menino Jesus existiu? (8/?)

II
Aquele que me permitiu o caminho
    Nicodemos era filho de um rico comerciante de Jerusalém cujos negócios se estendiam por todo o Império Romano da Ásia Menor, mas também pela Grécia e Roma, indo até à Pérsia, à Índia, à China, ao Tibete, tornando-se conhecedor das várias civilizações e culturas dessas regiões e dos povos com quem comerciava, não tendo, no entanto, tempo, ocupado que andava com os múltiplos negócios, de se dedicar ao estudo dessas riquíssimas e diversificadas culturas e civilizações: a grega e a romana, de um lado, a dos povos da Ásia Menor e a dos que habitavam lá mais para Oriente, do outro. Por isso, via no filho, Nicodemos, alguém que poderia de algum modo colmatar a falha nos seus conhecimentos, tornando-o simultaneamente muito mais apto para herdar o seu vasto império comercial.
    Assim, após uma boa escola rabínica em Jerusalém, onde o filho se iniciou nas primeiras letras, decidiu enviá-lo para a capital do Império, pois era lá que era ministrado não só o ensino da língua e dos clássicos latinos, desde a poesia de Ovídio, Horácio e Virgílio à história de Tito Lívio, à retórica de Cícero, às ideias mirabolantes do jovem filósofo Séneca, mas também a cultura grega com os seus poetas e dramaturgos como Sófocles, Ésquilo e Eurípedes, matemáticos como Euclides, Pitágoras e Tales de Mileto, filósofos como Sócrates, Platão e Aristóteles, sem esquecer o eloquente orador Demóstenes, o escritor de ingénuas fábulas Esopo, o filósofo do prazer Epicuro, o historiador Xenofonte, o vetustíssimo Heródoto a quem já chamavam o pai da História, e o ainda mais vetusto Homero com as suas Ilíada e Odisseia. E nem mesmo faltavam simpósios sobre tácticas de guerra inspiradas em famosos generais e estrategas militares como os romanos Júlio César, Octávio Augusto, Marco António, e os gregos Milcíades, Temístocles, Epaminondas, levando aqui vantagem o grande macedónio Alexandre. Depois, os deuses de um e de outro império, e também os dos egípcios, persas e babilónios. Todos nomes de grandes homens e grandes deuses, cada um com as suas histórias, doutas personagens que fariam as delícias de qualquer intelecto que quisesse saborear e imbuir-se dos doutos ensinamentos que legaram aos “pobres” mortais seus vindouros.
    Muitos foram, pois, os ensinamentos que Nicodemos bebeu, muita a bagagem adquirida, muito o espírito crítico obtido nos vários anos que passou nas escolas da capital do Império, levando ao mesmo tempo vida boémia e folgada onde corria o vinho e pontuavam mulheres, alinhando nas farras e diatribes em que se envolviam os muitos amigos que tinha, pois não lhe faltava o dinheiro. O pai, tendo nele uma embevecida confiança, dava-lhe tudo quanto ele dizia necessitar para viver na grande metrópole. E não foi em vão tanta generosidade. Nicodemos, apesar de amante da boémia e do folguedo, de modo algum descurava o Ginásio e, sobretudo, os Paedagogia e o Ateneum onde os mestres impunham o seu saber.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Interregno, mais um!

Ausente. Cheguei. Do fim do mundo: a Patagónia Austral. Um mar de belezas naturais com neves eternas, glaciares tremendamente belos, mas recuando dos vales para as montanhas devido ao aquecimento global. A Natureza num dos seus mais belos esplendores.
Pela tarde, na FNAC do Colombo, mais uma apresentação do livro de Anselmo Borges “Quem foi, quem é Jesus Cristo”, assessorado por Maria de Belém (que pouco de interessante disse) e a sumidade em estudos bíblicos, Carreira das Neves (que falou biblisticamente, sem nada acrescentar de concreto ao que não se sabe sobre quem foi Jesus Cristo).
Conclusão: nem A. Borges nem Carreira das Neves ultrapassaram o impasse essencial em que vegeta o cristianismo: as suas obscuras, confusas, nebulosas origens, sabendo eles, melhor que ninguém, que os evangelhos não são documentos históricos, logo pouco contando para se saber quem foi JC, nada de verdade havendo nos inúmeros milagres ali proclamados atribuindo-se a sua autoria ao mesmo JC, a acabar na sua suposta ressurreição - base de todo o cristianismo nas palavras de Paulo, o seu grande fundador - mas nitidamente não o querendo admitir, pois continuam no erro crasso da Igreja que é: fazer exegese, análise, interpretações da Bíblia, neste caso do NT, sem pôr em causa a própria Bíblia como história de factos que mereçam alguma credibilidade onde assentar a fé dos crentes. Sobretudo no essencial: Jesus Filho de Deus, nascido de uma Virgem por obra e graça do Espírito Santo, num povo problemático – o povo judeu – (aliás, poderia ser outro?!!!), numa época problemática política, social e religiosamente para o mesmo povo. É o eterno argumento incontornável do Tempo, ou da oportunidade no Tempo, a que Carreira das Neves mais uma vez não soube responder, como AB se esquiva, sempre que com ele é confrontado, a fazê-lo: porque enviou Deus o seu Filho há dois mil anos e não hoje com todas as novas tecnologias da informação? porque naquele povo e não em outro mais pacífico? porque só há dois mil anos quando o Homem existe há vários milhões? porque ressuscitou sendo apenas visto por meia dúzia de amigos e não todo o mundo conhecido de então se Ele vinha para redimir todo o mundo e salvar todos os Homens, levando-os para o Reino de Deus, Reino que não se sabe bem o que é? porque para redimir o Homem de um pecado original inexistente (só vem na Bíblia que não é livro histórico, mas de crenças religiosas fantasiadas pelos seus escritores/autores/inventores)?
Enfim, mais uma vez, se fugiu à Verdade ou não se quis encarar a Verdade: o cristianismo tem bases de barro e contra isso não há exegese ou interpretação da Bíblia que valha à Igreja ou a qualquer dos seus representantes. No entanto, vão vendendo livros, falando de um Jesus que apenas foi um judeu de ideias revolucionárias para o seu tempo, pagando com a vida a defesa de tais ideias..., mas tornado em mito - o Cristo, o Ungido, o Messias, o Filho de Deus - pelos seus seguidores, sobretudo Paulo, livros alguns até bem escritos, mas que nada dizem que interesse à problemática do Homem: ser um Ser do Tempo e querer prolongar-se pela eternidade!... Que ingenuidade ou fatuosidade a "deste" Homem, Santo Deus!

sábado, 24 de novembro de 2012

Quem me chamou Jesus Cristo? O Menino Jesus existiu? (7/?)

    Respondi, sem me atemorizar, na minha irreverência de adolescente:
    − Muitas são as perguntas a que quereis que eu responda, senhores. Pois bem: contar-vos-ei primeiro quem sou, de onde venho e onde aprendi de cor toda a Escritura. Depois, discutiremos as vossas, as minhas ideias.
    Embora contrariados com este rematar de “Depois discutiremos as vossas, as minhas ideias”, mas vencidos mais pela curiosidade do que pela repulsa natural causada pela sobranceria algo insolente do jovem que eu era, nada disseram e aguardaram o meu discurso que começou assim:
    − Eu sou Jesus, filho de um carpinteiro de Nazaré. Nasci há doze anos em Belém de Judá mas desde que me conheço que vivo com meus pais e meus irmãos naquela cidadezinha da Galileia.
    Não gostaram os Doutores daquele nascer em Belém. Eu manifestava saber fora do comum, dissertação não própria de tão pouca idade. Como já estavam fartos do frequente aparecimento de messias, dizendo-se enviados por Deus para salvar e libertar Israel, havendo no ar a ideia de fim dos tempos e da vinda de um reino libertador para todo o sempre do Povo de Israel do jugo de outros povos, naquele caso, do jugo romano, e como as Escrituras profetizavam que Belém seria o berço do Messias (Aqui, todos sabiam de cor o oráculo de Javé colocado na boca do profeta Miqueias: «Mas tu, Belém de Efrata, tão pequena entre as principais cidades de Judá, é de ti que sairá para Mim aquele que há-de ser o chefe de Israel!»), poderiam estar perante mais um que se apresentaria como tal e que, em breve, lhes iria trazer muitas dores de cabeça. Se por um lado todos aqueles “sábios” ansiavam pelo Messias, por outro, todos O temiam por não saberem o que lhes aconteceria a eles e aos seus poderes, benesses e regalias... No entanto, continuaram ouvindo:
    − Desde pequenino que lá em casa se lêem os Textos Sagrados. De tal modo que, mesmo indo à sinagoga apenas aos sábados, já não há sentença, ditame, salmo ou versículo que não saiba de cor, podendo sobre eles falar e discutir o tempo que vos aprouver.
    Arregalaram-se-lhes os olhos de espanto e, embora descrentes das minhas palavras, disfarçaram a custo a inveja de tamanha memória. É que eles, apesar da já tão provecta idade, ainda tinham de se socorrer dos pergaminhos para citarem, na íntegra, textos com que pretendiam provar afirmações que iam proferindo. Claro que não me intimidei:
    − Meus pais e eu descemos até Jerusalém. Eles foram às suas vidas e eu vim ao Templo, não para orar a Javé mas curioso por saber do que se discutia aqui, ouvir os vossos sábios comentários, conhecer as vossas altíssimas ideias na interpretação dos Santos Profetas.
    Sorriram. Gostaram daqueles “sábios comentários e altíssimas ideias”. E, sem mais, para me experimentarem e ao mesmo tempo cativados pela simpatia de tão estranha personagem que eu era, uma espécie de jovem-luz no meio daquela velharia falante, para sentirem o prazer de presenciarem memória tão prodigiosa, cada um ia-me propondo que recitasse este e aquele texto, esta e aquela profecia, provérbio, salmo ou cântico, esperando a todo o momento que eu me enganasse ou me engasgasse por algum lapso de memória, acabando-se-me, em risos de troça, a prosápia que alardeara, dando azo a gozo e sorrisos displicentes. Mas, para espanto de todos, tal não aconteceu. E grande foi o desassombro daqueles sumos dignitários rendidos, boquiabertos, às minhas intervenções e tiradas, voz de adolescente, a ponto de se esquecerem de trocar ideias sobre os textos sagrados com tão estranho e cativante “fenómeno”. Prolongou-se sim o espectáculo de solicitações e recitações até que todos se deram por satisfeitos acabando, no entanto, por me convidarem a voltar sempre que quisesse. Se possível, no dia seguinte. Seria um bem-vindo do Templo! Com tal convite, demorei-me por ali três dias, sem sequer de tal decisão ter avisado os meus pais que andaram aflitos à minha procura, não me encontrando na caravana que já caminhava de regresso a Nazaré.
    Por entre aqueles dignitários, encontrava-se alguém que iria ter uma influência decisiva na minha vida: o fariseu Nicodemos, um dos mais novos de tão distinta assembleia de anciãos.

sábado, 17 de novembro de 2012

Quem me chamou Jesus Cristo? O Menino Jesus existiu? (6/?)

Adolescência e juventude
I
Uma ousada iniciativa
    Apareci, vindo por detrás de uma das grossas colunas do Templo, onde disfarçadamente ouvia as discussões dos “mestres” e, antes que eles me interpelassem, levantei a voz:
    − Permitam-me que expresse a minha opinião, senhores, sobre os assuntos de que vos ocupais. Penso que não deveríamos alimentar mais em nós o espírito de retaliação, continuando a fazer apelo ao “olho por olho, dente por dente” dos primórdios das Escrituras dos nossos antepassados, o povo hebreu comandado por Moisés, e bem desapreciado por Javé no Êxodo, quando diz: «Vejo que este povo é um povo de cabeça dura.»..., mas deveríamos falar do amor ao próximo a que nos exorta o mesmo Javé também falando a Moisés e dirigindo-se ao mesmo povo que já qualificara de modo tão depreciativo. Vem no Levítico, escrito um pouco mais perto de nós no tempo, embora todos saibamos que para Javé o tempo não é tempo mas apenas um momento da eternidade: «Não guardes ódio contra o teu irmão. Não sejas vingativo nem guardes rancor contra os teus concidadãos. Ama o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou Javé.» Notem, digníssimos doutores, que Javé parece comprazer-se em chamar os nossos antepassados de “cabeça dura” pois, repetindo-se pouco depois, fala assim a Moisés, ainda no Êxodo: «Diz aos filhos de Israel: Sois um povo de cabeça dura. Se vos apanhasse mesmo só um momento, exterminar-vos-ia.» E o tema é retomado mais tarde pelo profeta Ezequiel, falando ainda Javé: «Os filhos de Israel não me querem ouvir. Têm a cabeça dura e o coração de pedra». Deveria ser portanto um povo a quem era necessário impor normas de conduta simples para que as pudesse entender e suficientemente rígidas para que fosse governável! Quanto ao outro assunto de que faláveis, penso que, se procurarmos apenas riquezas nesta vida terrena, não conseguiremos alcançar a eterna invocada no profeta Daniel a quem o anjo Gabriel, falando em nome de Javé, revelou: «Muitos que dormem no pó despertarão: uns para a vida eterna, outros para a vergonha e a infâmia eternas. Os sábios brilharão como brilha o firmamento, e os que tiverem levado muitos aos caminhos da justiça brilharão para sempre como estrelas.» Eu, eu gostaria de ser um destes sábios que leva ao caminho da justiça e brilhará para sempre como estrela!
    Falei alto, decidido, convicto. Citando de cor. Como se tivesse estudado uma lição. E esperei a reacção de tão venerandas personagens. Os doutores da Lei, os sumos sacerdotes, os fariseus, todos os representantes do povo, sentados junto ao Santo dos Santos, voltaram-se para trás, boquiabertos, ao ouvirem a minha voz de adolescente, modelar no verbo, preciso na frase, arguto no linguajar, firme no citar de cor a Sagrada Escritura. E todos se interrogavam: «Quem é este que já fala como um Doutor sendo ainda tão jovem?» E directamente, interpelando-me:
    − Quem és tu? Donde vens? O que fazes aqui? Onde aprendeste tanto e como te atreves a contestar-nos a nós que estudamos há anos as Escrituras Sagradas? Acaso umas modestas palavras do nosso querido profeta Daniel podem contrariar todo o pensamento ao longo de séculos em que foi caldeada, escrita, esculpida a Sagrada Lei? Acaso o amor ao próximo é incompatível com a lei de talião?

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

O rosto que faltava

Saber de um livro sem lhe ver o rosto, não convida a qualquer leitura. Por isso, apresento a capa de "COMO UM RIO...", há dias anunciado. Pedidos à CORPOS EDITORA, nos seus sites. Dificuldades? - Enviar um mail para: fr.dom@netcabo.pt

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Quem me chamou Jesus Cristo? O Menino Jesus existiu? (5/?)


    Infância
    Fui o “Menino Jesus” mas não fui o “Deus Menino” ou o “Menino Deus” como simpaticamente fiquei conhecido para a História!
    Nasci em Belém de Judá, pelo ano seis antes da era cristã, ou seja, o ano 747 ab urbe condita (a.u.c.) (da fundação de Roma). O monge e matemático Dionísio o Exíguo, do séc. VI, errou em cerca de seis anos os cálculos das datações, ao pretender fazer do meu nascimento o ano um, colocando-o em 753 a.u.c. Ignorando o dia e o mês em que se deu o feliz acontecimento, a tradição começou a celebrá-lo a 25 de Dezembro, data imposta pelo papa Libério nos tempos do filho de Constantino, Constâncio II, decorria o ano 360, para cristianizar o universal culto do Sol Invictus cujos festejos tinham lugar, por todo o Império, após o solstício de Inverno, fazendo de mim o seu substituto e a verdadeira imagem do renascimento do Sol. Meus pais: José, o carpinteiro, e Maria de Nazaré.
    No meu nascimento, que não aconteceu naquela romântica gruta que Lucas inventou, não houve animais a aquecerem-me a nudez, nem anjos a cantar, pastores a adorar, magos a visitarem-me. Tais românticos acontecimentos foram piedosas invenções do evangelista para, desde pequenino, me tornarem um Krishna ao modo dos deuses solares orientais em cujos nascimentos, segundo a lenda, tais estranhos fenómenos aconteciam.
    Situando-se Belém perto de Jerusalém, aos oito dias, levaram-me ao Templo para ser circuncidado, como mandava a tradição. Aí, encontrava-se o velho Simeão que me augurou, inspirado, uma vida cheia de ideais e de sonhos para mudar o mundo, mudando o Homem. Mas certamente não fui o único a quem tais augúrios o simpático velho formulou... O nome que me deram: Jesus. Cumprida a tradição, os meus pais instalaram-se definitivamente em Nazaré, terra de minha mãe.
    Também não fugi com os meus pais para o Egipto, com medo do rei Herodes que, apesar de sanguinário, não mandou matar as crianças com menos de três anos, receando que alguma delas fosse o Cristo que lhe usurparia o trono real. Esta foi mais uma invenção do evangelista para me equiparar aos deuses já referidos cujas histórias estão cheias de peripécias e ameaças semelhantes.
    Fui menino mimado em casa por pais zelosos e austeros, mas não mais do que qualquer criança que tenha que partilhar, no lar, espaço e comida com os irmãos e irmãs que foram nascendo ao longo de mais de uma década, sendo eu o primogénito.
     Aprendi com o meu pai a arte de carpinteiro e cedo comecei a trabalhar na oficina para ajudar no sustento da família que se ia dilatando. Mas confesso que não gostava muito de tal actividade. Preferia bem mais frequentar a sinagoga onde, depois de aprender a ler, escrever e contar, me industriaram na Torá ou Livro Sagrado, repositório da nossa história, da nossa cultura, da nossa religião.
    E fui crescendo, como refere o evangelista, em idade, sabedoria e graça diante de Deus e diante dos Homens, na senda de qualquer ser humano que percorre idêntico caminho, aqui poeticamente descrito. Mas nunca pratiquei acções das que me são atribuídas por alguns evangelhos apócrifos, enquanto menino. Umas são de encantar, outras repugnantes, tão eivadas de maldade e de perversidade elas estão. De encantar, lembro aquela de eu estar, em dia de sábado, a brincar com barro, moldando formas de passarinhos que ia pondo a secar; ora, passando por ali um dos guardiães do sábado, logo me foi denunciar a meu pai que, aproximando-se com forte vontade de forte reprimenda, não teve tempo de desabafar sobre mim ira ou crueldade pois eu ordenei aos passarinhos que voassem; vendo tal feito, todos se abismaram e calaram, não sabendo mais o que dizer. Acrescentaria, brincando, que meu pai, nada tendo entendido do que se passara, chamou de estúpidos os meus detractores por confundirem pássaros de barro com pássaros reais capazes de voar... Abomináveis, lembraria duas maldições: uma que lancei sobre um companheiro de brincadeiras por ele me ter aberto as represas que eu havia feito na berma de um riacho onde brincávamos, transformando-o em árvore seca, e outra sobre um rapaz que vinha correndo na minha direcção e chocou contra mim, caindo por terra, morto...
    Aos doze anos, indo a família inteira a Jerusalém, integrada numa das caravanas que se dirigiam à Cidade Santa para a comemoração da Páscoa, ali chegados, logo me atraiu o Templo onde havia sido circuncidado e, curioso de conhecer os seus meandros e o que ali discutiam os sábios e doutores, escribas e fariseus, sacerdotes e levitas, sumos sacerdotes e representantes de outras seitas religiosas do tempo, dirigi-me até lá e entrei. Quando deram pela minha presença, estranhando certamente a coragem de um jovenzinho se aventurar por tão prestigiado lugar, logo me quiseram testar e ver os meus conhecimentos nas Escrituras Sagradas, acabando-se-me ali, mais por força da façanha cometida do que pela provecta idade, que não tinha, a despreocupada e serena meninice.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Novo interregno

É que, dia 1 de Novembro, foi o “Dia dos Fiéis Defuntos” (nome catolicamente ambíguo, pois defuntos são tanto os que foram “fiéis”, como os que o não foram...), preferindo outros o “Dia de Todos os Santos” (também nome inócuo ou sem sentido, pois haverá santos? há alguma prova credível de que eles tenham feito milagres para serem elevados aos altares, alguma prova credível de que estejam no Céu junto de Deus e dos seus anjos? – Claro que não! Tudo invenções: Céu e Deus no seu trono real, rodeado de anjos e santos, bem como o Inferno onde o simpático Príncipe das Trevas – antes Príncipe da Luz, por ter sido o Anjo mais brilhante dos Céus – Céus também inexistentes – reina e se “diverte” com os condenados...
Ora tal comemoração lembra-nos o desfecho final da Vida, de todas as vidas: a inevitável morte! “À morte ninguém escapa, nem o rei nem o papa”, diz um velho aforismo. Aliás, já alguém escreveu que é na morte que se faz justiça. Seja humana, seja divina, mas mais esta que aquela que parece só existir para os pobres, fugindo-lhe os ricos e corruptos deste mundo, por serem eles a fazerem as próprias leis que os protegem dos crimes cometidos. É triste, mas é a Verdade nua e crua! E, pensando nos defuntos, há quem faça a pergunta contundente: “Quais os teus pertences, em vida, quais os teus pertences na morte?”
Em vida, se bem vires a realidade que te assiste, nada te pertence totalmente. Tu apenas usufruis das coisas a que chamas tuas. A razão é simples: quando chegar a “hora da verdade”, nada, mas absolutamente nada levas contigo; deixas essas mesmas coisas para outros, também não para as possuírem, mas, tal como tu, delas usufruírem enquanto para eles houver vida.
Conclusão? - Nada te adianta ter muito ou ter muitas coisas. Quanto mais possuíres para além do necessário, mais preocupações – o que é igual a menor qualidade de vida! – terás para delas tomar conta. Por exemplo, se é dinheiro, andarás continuamente preocupado em não o perder, aplicando-o rentavelmente em qualquer “chamariz” bancário, quase sempre – lógica capitalista! – perverso e inseguro, embora aparente e apregoe o contrário; se são casas, lá estão as contribuições, IMIS, etc.; se são quintas, o custo da sua manutenção; se são acções da Bolsa de Valores, então, aí é que é o stress total: sempre pensando em ganhar e não perder nas apostas de subidas e descidas das cotações; etc., etc. Tudo contribuindo para não viveres ou seres livre, mas escravizado às coisas que possuis. Ah, quanto mais não vale investir no SER do que no TER! Claro, há que ter as necessidades básicas: alimentação, abrigo, educação, saúde, asseguradas. E, mais “algum” para divertimentos e prazeres que podem/devem fazer parte da vida, esta dádiva nunca por demais agradecida a Deus ou ao Destino, conforme a crença de cada um, e, para cada um, única e irrepetível! Também aqui colhe a galhofice do bem humorado: “O meu Deus é o dinheiro.” “E o diabo?” “O diabo é quando ele se acaba!”
Perante a morte, o crente dirá: “Bendita, ó morte, que me libertas deste corpo, impecilho de ver face  a face o Deus da felicidade eterna como quem viverei para sempre!”. Em igual situação, dirá o racionalista: “Pela morte, cumpro o meu ciclo, dando lugar a outros, a outras vidas, a outras formas de energia onde as minhas moléculas que agora me formam e enformam se integrarão. Tenho de aproveitar ao máximo estes momentos, cada momento de vida, pois não terei uma segunda oportunidade!...”
Ah, como seria interessante se pudéssemos harmonizar e “casar” os dois pensamentos, o do crente e o do racionalista! Deveras interessante, não lhes parece?...

sábado, 27 de outubro de 2012

Interregno

E para apresentar o meu último livro que acaba de sair, na Corpos Editora: COMO UM RIO...
“Como um Rio...” – sendo o rio uma alegoria da vida – é um livro de quase-tese, um romance quase-romance de várias faces: a inevitável “guerra” entre Religião e Ciência ou entre Fé e Razão, a dramática angústia do ser humano em relação ao seu fim último, a luta pela sobrevivência da Fé nos crentes ou o desespero pelo cair no Nada, após os termos dos seus dias, dos não-crentes. Onde as respostas?
Estas as magnas questões vividas pelas simpáticas personagens do romance, ele, um monge que se renega quando não consegue equilibrar-se naquele drama existencial; ela, uma mutante que, de universitária, desiludida com o mundo que a traiu, escolhe o austero convento do Carmelo para se reencontrar consigo própria, daí saindo, desiludida e desiludindo a Ordem, para aquele mesmo mundo, percorrendo caminhos de lama e de glória. Mas, no fim, regressam. Ao convento. Sem respostas. Nem Céu nem Inferno, nem Deus nem o Diabo... Silêncio! Um silêncio de morte!
Esta a leitura mais profunda. Outras haverá superficiais que não terão interesse, tais como amores proibidos que perpassam pelo romance ou problemas de homossexualidade.
Então, o debate está lançado: RELIGIÃO VS CIÊNCIA ou FÉ VS RAZÃO. Se quiserem, alarguemo-lo para a análise da Verdade ou inverdade das religiões em geral e da religião católica em particular, desde as suas origens camufladas em demasiados mistérios para que nos mereçam qualquer credibilidade ou sejam resposta para o incontornável drama do Fim último do Homem, num Céu ou num Inferno que seja, numa eternidade por todos desejada, mas eternidade, segundo a razão que é o distintivo máximo da espécie humana, impossível de existir.
Para relançar a palavra, poria as seguintes Questões:
1 – Qual a dimensão da Fé para o Homem?
2 – Razão e Fé ou Ciência e Religião não são irreversivelmente inconciliáveis?
3 – As religiões são resposta credível para os problemas existenciais do Homem? Ou será a Ciência?
3.1 – Resposta das Religiões – Fé num Céu de Deus ou num Inferno do Diabo, por toda a eternidade, numa via eterna pós-mortem – tudo invenções do Homem, desde que teve consciência do Tempo e da Morte.
3.2 – Resposta da Ciência – Tudo é um eterno retorno do mesmo ao mesmo através do diverso e nós nessa engrenagem. A resposta está nas estrelas e no Universo: infinito e Eterno, confundindo-se com Deus, pois só pode haver um infinito e uma eternidade. Nós, quer queiramos quer não – custe-nos ou não – pertencemos inexoravelmente ao Tempo, e nele nos perderemos para sempre no NADA, integrando-nos na matéría universal de onde um dia tivemos a sorte de brotar, qual flor que aparece e desaparece sem deixar rasto. A flor ou qualquer ser vivo à face da Terra ou existente por esse Universo, sem dúvida habitado por muitos incontáveis seres em planetas de configuração igual à nossa querida Terra, nossa casa-mãe, nossa Pátria!
3.3 – Destas duas magnas realidades - resposa da Religião/resposta da Ciência - poderíamos concluir que ao Homem, enquanto vivente, depois da satisfação das suas necessidades básicas de alimento, abrigo, saúde e educação, só deveriam interessar duas coisas:
3.3.1 – Descobrir como sobreviver num Universo, após a morte certa da Terra com o apagar-se do Sol, daqui a 5 mil milhões de anos (interesse como espécie)
3.3.2 – Descobrir a Verdade do outro lado da Vida, o Além-Vida, o Pós-mortem. (interesse como ser individual que somos)
São dois desafios para os quais não sabemos quando teremos solução: para ter qualquer chance da atingir o Universo, teríamos de aprender a viajar à velocidade da luz; para atingir a eternidade, teríamos de não ter nascido no Tempo...
4 – Última pergunta: objectivamente, não convém ao Homem muito mais a Fé e a religião, do que a Ciência, para aguentar os momentos difíceis da vida: carências, frustrações, doenças, depressões, a inevitável morte? (Deus-Pai, os anjos e santos, a Virgem Maria para os cristãos, Alá para os muçulmanos, etc.?)
NOTA:
No meu livro UM MUNDO LIDERADO POR MULHERES, o último capítulo apresenta uma solução de compromisso para esta dicotomia de que nos ocupamos,- uma religião aglutinadora, baseada na Ciência e no Conhecimento, com o Deus da Harmonia Universal - pensando nós termos satisfeito, com essa magna solução, tanto a componente racional como a da Fé dos Homens

domingo, 21 de outubro de 2012

Quem me chamou Jesus Cristo? O Menino Jesus existiu? (4/?)


Eu, Jesus, apresento-me
    Realmente, o meu nome é JESUS. Simplesmente JESUS! CRISTO foi o epíteto com que me brindaram alguns dos que me conheceram – os meus discípulos ou simpatizantes – alguns dos que não me conheceram mas viveram na época em que eu vivi e ouviram falar de mim – por exemplo, Paulo – alguns que escreveram sobre a minha vida, recheando-a de inúmeros milagres – entre eles, os evangelistas – tendo, no entanto, os seus escritos aparecido umas boas dezenas de anos depois de os meus “irmãos” judeus me terem crucificado, humilhando-me com tal morte por eu não ter pactuado com as suas ideias retrógradas em relação ao sábado, em relação a Javé, em relação ao poder religioso instituído, e acusando-me perante o Procurador romano de me querer intitular “Rei dos Judeus”.
    Os dados que vos ofereço são substancialmente diferentes dos que vêm nos livros que se arrogam de total e indiscutível credibilidade, por serem considerados de inspiração divina – os quatro evangelhos canónicos – mas correspondem muito mais à verdade dos factos. E, antes de me embrenhar na narrativa, nada de importante tendo acontecido nem no meu nascimento, nem durante a minha vida, nem na minha morte que merecesse ficar registado numa crónica fosse ela judaica, romana, cristã ou pagã, quando as crónicas do tempo consignam dezenas de nomes e de datas importantes, diria que a minha história possível, excluindo as mitificações e efabulações que enchem os evangelhos, em resumo, seria assim:
    «Nasci pelo ano 6 a.C., na Palestina, e vivi em Nazaré da Galileia, trabalhando como carpinteiro na casa de meus pais. Numa ida a Jerusalém, quando tinha uns doze anos de idade, subindo ao Templo, deslumbrei com o meu conhecimento das Escrituras os sacerdotes e doutores da Lei que ali se encontravam. Cresci. Pertencendo à classe média, na fortuna e na cultura, relacionei-me com fariseus, saduceus, essénios, zelotas, e também mercadores que, vindos do Oriente, me traziam notícias das filosofias e religiões que floresciam por aqueles reinos. Como bom judeu que cumpria a Lei, casei e tive filhos, deixando a família pelos trinta e cinco anos quando decidi ir ao encontro do essénio João Baptista que era um dos muitos pretendentes, naquele tempo, ao título de Messias. João Baptista obteve grande popularidade e renome ao propor a todos os Judeus que se arrependessem dos seus pecados, tomando simbolicamente um banho purificador nas águas límpidas do rio Jordão, de modo a alcançarem o perdão de Deus no Juízo Final que estaria iminente com o fim dos tempos. Também eu fiquei fascinado com tal mensagem. João, no entanto, foi preso e executado às ordens de Antipas, aparentemente porque lançou um anátema sobre o seu casamento com a cunhada Herodíade. Morto João Baptista, decidi assumir a missão dele, continuando a anunciar que a vinda do Reino de Deus estava próxima ou já teria mesmo vindo para alguns. Para disso convencer as multidões que, desesperadas, ansiavam freneticamente por um Messias que as libertasse do jugo opressor romano e restabelecesse a antiga glória do Reino de Israel, reforçava a palavra com curas prodigiosas, socorrendo-me de mezinhas que havia aprendido com diversos curandeiros da época, e fazendo uso das minhas extraordinárias capacidades de magnetismo. Pregando não a obediência cega à Lei, como fariseus, essénios e doutores da Lei pretendiam, mas apenas o amor a Deus e ao próximo, a que resumi toda a Lei e os profetas, apelando para um Reino de justiça, de paz e de fraternidade universal, as multidões, reconfortadas, começaram a acreditar que eu era realmente o rei messiânico por quem esperavam. A tal ponto que também eu próprio me convenci de que representaria um papel fundamental na vinda do Reino de Deus que se estava manifestando, aceitando com facilidade – e alguma vaidade! – o título de Filho do Homem, designação messiânica do judaísmo de então. Mas, mais de dois anos passados sem que nada acontecesse, as multidões, antes cheias de entusiasmo, sucumbiram à desilusão, não vendo confirmadas nenhuma das alterações políticas e sociais que associavam à vinda daquele Reino de Deus. As minhas relações problemáticas com as autoridades religiosas judaicas, que viram desde o início com maus olhos mais um pretendente a Messias, precipitaram a minha condenação. Eu era considerado um revolucionário ao bom estilo zelota, e a expulsão dos vendilhões do Templo foi a causa próxima que lhes exacerbou a paciência, pois me intrometera directamente nos domínios que só a eles diziam respeito. Acusaram-me perante a autoridade imperial, ao tempo Pôncio Pilatos, não dos distúrbios provocados mas de me ter proclamado Rei dos Judeus, o que eu em julgamento não desmenti, sendo por esse motivo condenado à morte e morte de cruz. Aceitei com resignação tal condenação, de que facilmente me poderia ter livrado, porque me convencera que cumpria, na verdade, as profecias que o A.T. supostamente atribuía ao Messias, e também porque estava fortemente convencido do iminente fim do mundo, da vinda do Filho do Homem e da realização do Juízo Final em que toda a criatura seria julgada, tendo também eu um papel importante a desempenhar nesse julgamento. Claro que me enganei rotundamente, naquele tempo, nestes tempos…, engano em que aliás caíram os inspirados por Deus que escreveram o N.T. A minha morte ocorreu pelo ano 35 d.C., tendo eu uns quarenta anos de idade.»

domingo, 14 de outubro de 2012

Quem me chamou Jesus Cristo? O Menino Jesus existiu? (3/?)


    Eis pois um livro apresentando o Jesus histórico a contar, na primeira pessoa, a sua biografia. E, embora produto de alguma imaginação, já que os dados de credibilidade histórica escasseiam dramaticamente, a narrativa, rondando por vezes o romance, baseia-se na lógica civilizacional dos tempos em que os factos supostamente ocorreram, e não nos evangelhos, os quatro canónicos e os muitos apócrifos, onde se descrevem as cenas mais bizarras e delirantes que mortal algum poderia imaginar acerca de outro ser humano. (Aliás, os evangelistas não terão pretendido fazer história in stricto sensu, mas apenas elaborar documentos que servissem de suporte à religião nascente nas comunidades que se iam formando dentro e fora de Israel, tendo por base a figura de Jesus já mitificado em Cristo.) Como biografia, junta-se assim, na sua originalidade, embora sem qualquer intuito de estudo aprofundado, a quantas modernamente têm tentado desmistificar, interpretar e dar sentido a tão polémica quão carismática personagem. Os recursos utilizados foram a análise objectiva e racional dos documentos disponíveis e os estudos que devotados cientistas têm realizado sobre eles, pondo a nu, através de exames grafotécnicos, muitas incongruências nos textos canónicos e muitas afirmações falsas tidas até há pouco tempo como verdades inquestionáveis.
    No entanto, ultrapassando-se a estrita barreira da biografia, procura-se simultaneamente resposta para a problemática filosófico-existencial que aflige todo o ser pensante face ao além da vida que forçosamente se perde na tão desejada quão enigmática eternidade, centrada nos diálogos entre as duas personagens principais: Jesus e Nicodemos. Depois, já se aproximando o fim, reflectiu-se sobre os dados que foram sendo referidos ao longo da narrativa e sobre a filosofia subjacente a todas as religiões, culminando-se com uma proposta inovadora, uma proposta que a muitos parecerá bizarra e delirante, a outros, porventura escandalosa ou simplesmente provocadora...
    Nota: Os presépios datam do séc. XIII, mais precisamente 1223, quando Francisco de Assis, querendo dar vida ao Natal de Jesus, se lembrou de recriar o cenário descrito por Lucas no seu evangelho numa gruta da floresta Greccio, Itália, para onde transportou uma vaca e um burro e encenou com pessoas reais o que, segundo o evangelista, acontecera em Belém. A partir daí, a bonita e ternurenta tradição espalhou-se pelo mundo por intermédio dos frades franciscanos, e embelezou e continua a embelezar igrejas, cortes e palácios de reis bem como as mais modestas casas onde perdura viva a fé cristã.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Quem me chamou Jesus Cristo? O Menino Jesus existiu? (2/?)

Para os católicos praticantes, com o Outono, aproxima-se o Advento, isto é, a preparação para a comemoração da vinda do Filho de Deus ao mundo, o romanticamente chamado “Menino Jesus”, celebrado em mais um Natal. Não crendo, obviamente, que tal Natal tenha existido, e muito menos como é descrito por Lucas no seu evangelho, vamos publicar aqui, na íntegra, o meu livro inédito, uma abordagem heterodoxa do “mistério”, ensaio por vezes com laivos de romance, onde Jesus aparece como a personagem principal, narrando a sua versão dos acontecimentos, dando corpo à bela frase atribuída, no evangelho de João, ao mesmo Jesus que foi apelidado de Cristo: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará."
    É linda de encantar a história do Menino Jesus! Lindos são os presépios com a Senhora e o seu Menino, o S. José de barbas e bengala florida por ter sido o “escolhido” olhando embevecido a cena, os anjos esvoaçando por cima da gruta transformada em sala de acolhimento, a manjedoura servindo de berço ao Menino, os pastores apressando-se a chegar, as ovelhinhas balindo nos arredores verdejantes, os animais do estábulo aquecendo com o seu bafo o frio enregelado que entorpece o caminhar das gentes, a estrela encimando o todo já se lobrigando ao longe os magos que a seguiram para encontrarem o Salvador da Humanidade! Lindas são ainda as melodias que autores inspirados, ao longo de séculos, compuseram, e também versículos, canções de exuberante alegria e de louvor ao Divino que se dignou descer dos Céus e vir até à Terra para salvar o desterrado Homem, encarnando em modesta criança: “Cantem, cantem os anjos a Deus um hino / Cantem, cantem os Homens ao Deus Menino.”, “Adeste fideles, laeti triumphantes / Venite in Bethlehem. / Natum videte Regem Angelorum.”, “Douce nuit, Sainte nuit!”; e são melodias que, em épocas de Natal, se ouvem por toda a parte, se cantam em todo o Mundo, coros e orquestras primando por lhes darem a alma e a voz. Tudo muito bonito, tudo – melodias, presépios, histórias – a fazer as delícias dos Natais da nossa infância; mas... tudo poesia! E viver de poesia é bom. E até haverá muitos – muitíssimos! – que não quererão abandonar tal “estado de graça” para encarar outras hipóteses bem mais reais da História, porque despidas de qualquer apelo à fantasia. Porém, há os outros, os que gostam de aprofundar o sentido das coisas e da história do Mundo, teimando em não se deixar levar por tradições – bonitas que sejam – baseadas em criações fantasiosas dos nossos antepassados... É para esses que vão estas “palavras escritas”, isentas de quaisquer laivos de antidogmatismo fundamentalista, visando apenas a Verdade e não mais que a Verdade, na senda das incontornáveis palavras do próprio Jesus Cristo.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Quem me chamou Jesus Cristo? O Menino Jesus existiu?

Tendo já provado aqui que os evangelhos não são documentos hostóricos, no verdadeiro conceito de História, pois foram escritos para firmar na Fé os primeiros crentes e não para narrar factos verídicos - vejam-se os numerosos e bizarros milagres atribuídos a Jesus por Mateus, incluindo o da figueira que secou amaldiçoada por não ter figos, bem como as descrições românticas de Lucas acerca do nascimento miraculoso de Jesus, etc., etc. - vamos começar a apresentar o que consideramos o verdadeiro Jesus, aquele judeu que nasceu normalmente como todo o ser humano de mulher que engravidou ao ser fecundada por homem, e que se distinguiu por pregar a fraternidade universal, lutando contra a corrupção religiosa generalizada de sacerdotes, escribas e fariseus do seu tempo, pagando com a própria vida tal ousadia. Mas não se distinguiu ao ponto de ficar na História narrada pelos historiadores consagrados da época, nomeadamente Fílon de Alexandria e Flávio Josefo; se tudo o que os evangelhos narram sobre Jesus fosse verdadadeiro, estes historiadores nunca poderiam ter deixado de mencionar tal grandioso acontecimento e tais grandiosos feitos. Mas, não: nem uma palavra acerca de Jesus! Apenas uma breve referência de Flávio Josefo, referência que, segundo estudos grafotécnicos realizados por estudiosos competentes, será pseudográfica talvez do séc. IV. E não nos alongamos mais sobre o assunto.
Resta dizer que, aqui, é este Jesus que vai contar-nos a sua história: uma versão totalmente credível, profundamente humana, não poucas vezes comovente... num livro a publicar não se sabe quando.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Meditações de fim deVerão

 Sentado na areia da praia, olhando o manso e imenso mar... Chega a tarde, o pôr do Sol... Depois, já noite dentro, primeiro, estrelas, muitas, muitíssimas, lá no alto, acenando, trémulas; depois, a Lua tardia, magnífica, tentando destronar com o forte luar a luz do Sol que alimenta a sua. Uma utopia, claro!
E eu, ali! Ainda eu, claro, quem haveria de ser? Mas, dentro de 40, 50, vá lá, 100 anos para os leitores mais novos, quem será que ali estará sentado à beira mar, a ver a noite chegar com o pôr do Sol, depois as estrelas, a Lua pavoneando-se no seu próprio luar? Não serei eu de certeza. Esta foi a minha vez. Se a aproveitei ou não dependeu da minha inteligência. Então, o grito será: “Carpe diem!”, pois curta é a vida...
Vivas os teus 80 ou cem anos, esse é o teu limite. E não terás segunda oportunidade. Por isso... Ora, perguntarás: “Mas como aproveitar ao máximo a vida, cada momento desse meu tempo? Se me levanto a correr, saio de casa a correr para levar as crianças à escola e ir para o trabalho, como a correr, trabalho a correr (produtividade exige-se!), regresso a correr, faço o jantar a correr, vejo um pouco de televisão a correr, deito-me a correr, faço amor a correr (quando faço!), pois um amanhã igual me espera... continuando a correr?” – A resposta – embora barafustando contra tal sociedade que tal vida impõe aos cidadãos activos – só pode ser uma: “Sê bom no que fazes, para teres o prazer de ser bom no que fazes!” Assim, não sentirás que a vida te foge e tu a “vê-la passar”... Depois, tens os teus tempos de lazer: fins-de-semana, férias. Aí, é possível inverter toda a tua correria diária para um ritmo de quase dolce fare niente, tendo tempo calmo para os filhos, o amor, o fazer o que mais te dá prazer. E terás a tua felicidade possível, na tua liberdade possível, não pretendendo o impossível de uma liberdade total inexistente ou de uma felicidade inalcançável! Mas ainda haverá outra pergunta mais angustiante existencialmente falando: “Não saindo de mim, só pensando em mim e nessa minha possível felicidade, serei realmente feliz sem pensar nos que me rodeiam?” – Realmente, pouco te sobra do teu tempo de correria para os outros. Deixa talvez as tuas preocupações sociais para mais tarde, quando, já “desactivado”, tiveres todo o tempo do mundo para fazeres pelos outros o que nunca pudeste fazer, de tão ocupado que andaste. E ainda uma última pergunta: “Onde integro eu, nesta vida, as preocupações com o Além, a “Outra vida”? – Dir-te-ia: “Em lado nenhum, pois tal Além, tal Vida simplesmente não existem! Foram inventados pela mente – perversa?! – de alguns ditos iluminados para disso se aproveitarem e viverem bem nesta, vendendo ilusões a quantos se quiserem deixar convencer; e são muitos milhões que, alienados ou por ignorância, lhes dão crédito e alimentam a sua vida fácil de semear ilusões!”
É! A Ciência o Conhecimento serão a chave para dar ao Homem a sua verdadeira capacidade para se organizar em sociedades muito mais justas e humanizadas, sem quaisquer alienações das suas mentes por oportunistas que a Ciência facilmente desmascara. Mas quando será que a Ciência e o Conhecimento chegarão a todos os Homens?

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

O porquê da desonestidade intelectual (epílogo)

É óbvio o porquê da desonestidade intelectual, face às religiões, dos que se dizem intelectuais – mentores religiosos, teólogos, políticos! Um único: manterem o PODER! Aqueles sobre as consciências; estes, sobre os povos que governam, governando-se... Todos conluiados, todos usufruindo das benesses que tal poder lhes outorga. Obviamente, benesses materiais, embora apelem perversamente para o espiritual, o além, o transcendente! (Veja-se o aproveitamento pelas igrejas das romarias, dos santos, dos supostos “milagres”, das crendices de todo o género!)
Imaginemos – o que já foi sugerido, como hipótese académica, no meu livro “Um Mundo Liderado por Mulheres” – que os líderes religiosos mundiais das respectivas religiões aceitassem o método científico aplicado às suas religiões: “a dúvida metódica cartesiana” e começassem a pôr em dúvida todas as verdades até agora pregadas como incontestáveis. O que aconteceria? – Obviamente, nenhuma religião resistiria à sua falsidade ou inverdade! Pior: todos o crentes, incongruentemente ou talvez não, se revoltariam contra o clero – dos papas ou gurus aos sacerdotes, pastores, astrólogos, adivinhos..., todos os que se alimentam do manancial da crendice ou Fé - por lhes porem em causa aquilo em que, desde o berço, sempre acreditaram, aquilo que faz as delícias dos seus sonhos de paraísos tão desejados, quando não é a Fé na Virgem ou nos Santos a panaceia para os muitos sofrimentos de que vão sendo vítimas! A propósito, transcrevamos do mesmo livro, a páginas 73: «Imaginemos que o Corão tivesse sido escrito por uma mulher, também ela “inspirada” pelo arcanjo Gabriel que lhe revelaria a Palavra de Alá. Que diferenças surgiriam nele do início até ao fim? Talvez não houvesse versículo ou sura que ficasse imune à mudança. Menos a inicial: “Em nome de Alá, o Clemente, o Misericordioso”! Muito menos seria apregoada a “guerra santa” contra os “infiéis”, nem tão pouco se ofereceriam aos jovens que se imolassem pela “causa de Alá” dezenas de virgens que, após a imolação, estarão à sua espera num apetecível e deslumbrante Paraíso!... Imaginemos que a Bíblia tivesse sido escrita por mulheres. Que textos se manteriam e que outros seriam abolidos, transformados, humanizados? Certamente pouca credibilidade seria dada aos profetas, chamando-se apenas de escritores, nem aos levitas que viveram parasitariamente mais de um milénio à sombra e para o Templo! Deus-Javé a interferir nas histórias ou na História, também não; muito menos a eleger um povo para seu interlocutor, devido desde logo à tremenda injustiça para com os outros povos do mundo, sendo Ele a Suprema Justiça! Milagres, nem pensar! Paraísos e infernos obviamente que não! Mas a mensagem de fraternidade universal apregoada por Jesus, dito o Cristo, essa, sim, essa de certeza que se manteria e seria a sua coroa de glória!»
Na verdade, com toda a razão do mundo, eu acuso! Acuso de desonestidade intelectual todos os mentores religiosos, sejam eles quais forem, ou quais foram ao longo dos tempos, continuando hoje florescentes, abusando, obviamente da tendência para crenças dos humanos, quando não impostas por lavagens ao cérebro, ou perante a ameaça do fio da espada ou da condenação eterna nos Infernos. Todos: sheiks, imãs, gurus, rabinos, padres, sacerdotes, pastores, bispos, cardeais, papas! Todos interessados em manter o PODER temporal , mantendo o poder sobre as consciências dos que – alienados pelos medos e que ainda não alcançaram a libertação das peias que os amarram a tais medos, através da Ciência e do Conhecimento, utilizando a dúvida metódica como arma de defesa contra tais “assassinos” das mentes – lhes continuam fiéis, vá lá saber-se porquê!
Resta-nos formular um voto, um voto bem sentido: QUE A LUZ DA CIÊNCIA E DO CONHECIMENTO CHEGUE DEPRESSA A TODA A HUMANIDADE PARA QUE, LIBERTA DE TODOS OS MEDOS DA MORTE E DO ALÉM-VIDA INEXISTENTE, CONSIGA VIVER PLENAMENTE ESTA OPORTUNIDADE MARAVILHOSA QUE SE CHAMA “VIDA”, A ÚNICA POSSÍVEL, A ÚNICA QUE, POR PRIVILÉGIO, AQUI SIM, DE INSONDÁVEIS MISTÉRIOS DA NATUREZA FOI OFERTADA AOS HOMENS! Nos foi gentilmente, gratuitamente, ofertada!...

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O porquê da desonestidade intelectual (2/2)

Antes de respondermos à pergunta formulada no último texto, vejamos a Verdade dos factos ocorridos e das mensagens nas quais se fundamentam as três religiões monoteístas.
O Judaísmo assenta na Tóra, código de conduta ditado pela classe sacerdotal, sempre conluiada com o poder político, cujo estratega mais importante foi Moisés a quem Javé supostamente outorgou no Monte Sinai as Tábuas da Lei, no regresso do Egipto para onde tinha emigrado no tempo de Jacob; conjuntamente, o único Deus Javé comete a imperdoável injustiça de escolher um povo – o “povo eleito” – para transmitir a sua revelação, através dos profetas, da futura vinda de um Messias salvador, salvador de quem os judeus ainda estão à espera, já que para eles, Jesus foi apenas mais um profeta. (Obviamente, não há nenhuma prova credível desse Javé, dessa escolha, desse Decálogo transmitido a Moisés: tudo tácticas político-religiosas para a classe sacerdotal e política dominarem o povo “de cabeça dura”, o povo judaico, levando Javé a aceitar e a ordenar as matanças mais horríveis que se conhecem na História!)
O Cristianismo – dividido, actualmente em católicos, ortodoxos e protestantes, tendo estes incontáveis seitas, facto que revela a sua fragilidade como religião credível, ou de bases credíveis, o de um Deus credível – assenta essencialmente no NT, isto é, nos evangelhos e nas cartas de Paulo. Ora, está mais que provado que os evangelhos não merecem qualquer credibilidade histórica nem tão pouco as cartas de Paulo, evangelistas e Paulo apostados em consolidar, com escritos, a religião nascente, tendo como protagonista Jesus de Nazaré que, aos trinta anos, se sente inspirado, sai da casa de seu pai onde exercia a profissão de carpinteiro, e começa a pregar a sua Verdade: um mundo de fraternidade universal, sendo os Homens todos irmãos, porque todos filhos do mesmo Deus-Pai, havendo uma vida eterna com um Paraíso para os bons e um Inferno para os maus. Não só estas bases são falsas (vejam-se textos argumentativos aqui antes publicados), como o Deus-Pai, dado como Deus que perdoa e que ama os Homens, não teve pejo em sujeitar o seu dito próprio Filho à maior ignomínia da altura: a morte de cruz após indizível sofrimento, ao que se diz para cumprir as antigas Escrituras... A mitificação de Jesus em Filho de Deus e em Messias redentor feita pelos evangelistas e por Paulo não passa disso mesmo: mitificação! Mas mitificação sempre, e desde os primórdios, apresentada como realidade inquestionável, sobretudo apoiada nos inúmeros supostos milagres, culminando com o da própria ressurreição de Jesus, dizendo Paulo: “Se ele não ressuscitou é vã a nossa fé!”. A Verdade é que ele não ressuscitou (vejam-se textos já aqui publicados), a Verdade é que ele não é Filho de Deus, a Verdade é que ele não é referenciado – nem nenhum dos seus milagres! – pelos historiadores com credibilidade da altura, sobretudo Flávio Josefo e Fílon de Alexandria. Como tal aberração histórica teria sido possível sendo verdade o que afirmam os evangelhos e Paulo?
Finalmente, temos Alá, pregado pelo auto-proclamado profeta Maomé, no seu livro inspirado/sagrado (ditado pelo supostamente existente Anjo Gabriel), que se revela como um Deus absolutamente inconcebível: Clemente e Misericordioso, por um lado, por outro, mandando matar todos os que não acreditassem em Alá, nem seguissem o Corão, a sua revelação aos Homens, elegendo a “guerra santa” como meio de propagação da nova religião. Obviamente, mais um conluio entre a religião e a política – conluio que se mantém até hoje com laivos de desumanidades e injustiças inconcebíveis, dentro e fora da religião – para dominarem, primeiro, os povos que governavam políticos e religiosos, depois, para conquistarem o mundo, o que conseguiram em parte, (são mais de mil milhões!) e pretendem ainda conseguir, actualmente, expandindo-se pelo globo.
Três religiões! Todas com o mesmo Deus! Um Deus absolutamente impossível! (Vejam-se textos aqui publicados)
E, afinal, não respondemos à pergunta! Fica para o epílogo.

sábado, 11 de agosto de 2012

O porquê da desonestidade intelectual (1/2)

 Todos os teólogos de todas as religiões, e com elas comprometidos, (excluindo, obviamente, os que são estudiosos do fenómeno religioso, enquanto tal e enquanto fazendo parte da cultura da Humanidade, desde os tempos mais remotos, ou, mais precisamente, desde que o Homem tomou consciência do ciclo inexorável que o encheu de medos: nascimento, vida e morte, desaparecendo para sempre na Terra que lhe deu o ser) são intelectualmente desonestos. A afirmação é contundente, mas... prova-se!
Os teólogos comprometidos (engagés) têm forçosamente alguns conhecimentos de Filosofia – ou então serão “amadores”! – logo, conhecem o princípio cartesiano da “dúvida metódica” sobre qualquer afirmação que se faça. Isto é: nada pode ser afirmado sem que se possa perguntar: “Qual a prova, se possível avalizada pela prática, para que tal afirmação tenha credibilidade?” Ora, os teólogos comprometidos passam o tempo a estudar e a argumentar – na Idade Média, chamava-se a tal “arte”, Apologética – partindo de pressupostos que dizem inquestionáveis. Para as três religiões monoteístas, a base de tais estudos argumentativos está nos livros sagrados: Tora, Bíblia e Corão. Sagrados, logo – dizem – indiscutíveis, inquestionáveis! Mas basta uma análise mesmo superficial dos mesmos para constatarmos que nada de sacralidade eles têm nem muito menos merecem qualquer credibilidade. E isto, seja qual for a interpretação que deles se faça: literal/textual ou metafórica/alegórica. Pior: os teólogos misturam a seu belo prazer as duas, isto é, quando lhes convém, avaliam/interpretam os livros em sentido textual/literal; quando não lhes convém para os seus escusos intentos, isto é, quando o que se afirma em tais livros não só não é sagrado como é altamente degradante da racionalidade e dos sentimentos humanos (os exemplos são mais que muitos!), fazem apelo à metáfora ou alegoria ou... ao mistério. Esta uma outra monstruosa desonestidade intelectual. Monstruosa ou, se preferirem, tremendamente perversa: insultam a racionalidade humana e o espírito de busca de Verdade que deve orientar toda a actividade intelectual humana.
Portanto, os teólogos comprometidos incorrem num erro altamente grosseiro: trabalham sobre bases que não merecem credibilidade – nenhuma credibilidade! – porque nada, mas absolutamente nada prova que tais livros sejam sagrados, de origem divina ou livros da revelação de Deus aos Homens. Nada, absolutamente nada! Pelo contrário: Deus teria vergonha de ter inspirado tais textos e de ter deixado uma mensagem – que dizem de salvação para os Homens – tão confusa, tão díspar de livro para livro – sendo Ele, obviamente, o mesmo Deus – e tão cheia de desumanidades, de falsidades, de erros grosseiros, cientificamente falando. Mesmo, reportando-nos à época em que foram escritos. Uma vergonha! Os exemplos continuam a ser mais que muitos. Aliás, sendo livros de revelação divina e de função salvífica para o Homem, não deveriam ser de carácter universal, primando pela uniformidade, livres de interpretações, mas facilmente entendíveis por todos a quem se destinavam? Ou Deus é tão incompetente que não é capaz – ou não foi capaz! – de fazer uma revelação entendível por todos a quem ela se destinava, e em todos os tempos, em todos os lugares? E que revelação! Simplesmente a mais importante para a vida do Homem: a Verdade do seu pós-vida, ou vida além da morte!
Mas porquê tão grosseira desonestidade intelectual?

terça-feira, 31 de julho de 2012

Apresentação da Nova Religião (Epílogo)

Ah, como dá vontade de exclamar perante esta maravilhosa religião: «Esta sim, esta religião é humana, não inventa Deus à imagem e semelhança dos Homens, Homens com os seus vícios e suas virtudes, Deus como um rei ou um príncipe sentado nos Céus e rodeado de anjos e santos, santos que os Homens também fizeram mais ou menos a seu belo prazer, pois sem qualquer fundamento credível ou com o mesmo fundamento não credível da própria religião que os “criou”!»
Viva, pois, a Nova Religião! Viva a Religião que respeita a racionalidade do Homem e não o aliena com medos de Infernos ou com ilusões de Céus e Paraísos e de eternidades inexistentes, não lhe permitindo viver em pleno a vida que é a certa: esta! Viva! E morram todos os deuses inventados pelos Homens, à sua imagem e semelhança, desde os politeísmos antigos aos monoteísmos mais modernos, mas, bem vistas e analisadas as falsidades que são apregoadas – e que têm tantos pregadores e tantos seguidores, santo Deus de todos os deuses! – com deuses unos tão díspares como o Javé de Moisés, sanguinolento, violento e ciumento, o Pai de Jesus Cristo, concedendo o perdão dos pecados aos Homens, mas não tendo pejo em imolar na cruz o seu próprio Filho, o Deus de Maomé, Clemente e Misericordioso, mas que manda matar, na gihad santa, todos os que não quiserem ou não aceitarem ser muçulmanos, (aliás, foi assim que o maometismo se espalhou pelo mundo, nos países que foram sendo conquistados pela espada muçulmano-árabe), a tríade hindu, com Brama, Vixnu e Shiva, criando classes entre o povo em vez de promoverem a igualdade (deuses, obviamente criados pelas classes dominantes para subjugarem o mesmo povo, perversamente inventando a reencarnação, controlando totalmente as consciências dos seus súbditos pelos medos, medos semelhantes aos do pecado e do inferno para os cristãos: “quem não aceitar a sua condição actual, seja pária, seja marajá, na próxima encarnação ainda será pior, podendo mesmo encarnar no mais asqueroso animal!...” ) Afinal, onde está a unidade destes deuses? Não são iguais ou piores que os politeístas antigos? De qualquer modo, invenções que são dos Homens, não merecem qualquer credibilidade e não têm qualquer veracidade.
Conclusão cheia de Verdade: Deus único e verdadeiro só o Deus da Beleza e da Harmonia Universal, o Deus que a Ciência e o Conhecimento nos vão revelando à medida que vão avançando no tempo. Mas... que Deus? Não, não é nenhum ser feito à moda humana, muito menos com barba e cabeleira, ou outra forma humanóide qualquer, mas o TODO ONDE TUDO SE INTEGRA, ONDE TUDO EXISTE, O PRÓPRIO TEMPO, O PRÓPRIO ESPAÇO, POIS É ETERNO E INFINITO. Os outros deuses, bem dizem os mentores religiosos que são eternos e infinitos, pregando obviamente falsidades já que todas as características que lhes atribuem rondam a orla humana e material, embora apelem sempre para o transcendente, o imaterial, o eterno – neles incluindo o Homem – falácias óbvias para qualquer ser racional que pense e não se deixe alienar no seu crítico pensamento... (FIM)

domingo, 22 de julho de 2012

Apresentação da Nova Religião (7/7)

Continuamos, transcrevendo:
    «Um voto final? Que a nova religião não desiluda o Homem pensante, chamando-o à Verdade! Que não corte ao espírito a fantasia e a capacidade de sonhar! Mas que lhe permita encontrar o equilíbrio entre o sonho e a realidade, entre a Fé e a Razão, entre a fantasia e a racionalidade, tendo a melhor vida possível no corpo e na alma, não podendo de forma alguma alimentar a ignorância que é sempre escura e triste face à Luz da Verdade! Pese-nos embora na alma toda a pena do mundo...
    Um manifesto? – Ensaiemos um! Subindo ao cume da montanha ou descendo ao fundo do vale, deixando-nos ouvir o silêncio que ainda por lá exista, olhando em redor ou o penedo que nos aparece defronte ou os horizontes a perderem-se na ténue linha do encontro com o céu, estaremos mais próximos do Deus verdadeiro, senti-lo-emos presente em nós, nas coisas, nos silêncios que sobem da Terra e descem do céu. E sentir-nos-emos mais em comunhão com o Universo de que somos filhos, partículas, elementos, a Verdade absoluta que apregoamos. Bem bradam eles, os mentores das religiões, levantando, orgulhosos, os Livros Sagrados a que atribuíram inspiração divina para os tornarem credíveis, jurando sobre eles fidelidade para a vida: Judeus, Hindus, Cristãos, Muçulmanos. Mas, na verdade, não houve inspiração divina nenhuma: apenas fantasia de humanos inspirados no que os seus olhos viam, os seus ouvidos ouviam, as suas mentes não entendiam…, criando deuses, prostrando-se diante deles, adorando-os! E, não entendendo, criaram a Fé, negando à razão o direito de duvidar, de questionar, de ter novas ideias. A Fé, mesmo a que move montanhas, é sinónimo de obscurantismo, de ignorância, de preguiça mental, de satisfação de um certo gostar nonsense que o Homem sente em não questionar para não ter que enfrentar a Realidade. Se tal não acontece na vida de todos os dias, acontece de forma categórica na Religião, tudo o Homem aceitando por comodismo ou por inércia, dizendo-se crente. E disso se aproveitam os criadores ou seguidores das religiões, bradando continuamente do alto das suas convicções, para não se perderem e, sobretudo, não perderem “clientes” a quem chamam de fiéis: “Proibido questionar! A Fé não se discute!” Ah, como nos quiseram, como nos querem fazer mentecaptos, santo Deus! E aqui, sim, aqui evocaremos o Deus Verdadeiro para barafustar com todas as forças da alma contra a falsidade que continua a subjugar milhões e milhões, contra os falsos papas de todas as crenças em todos os tempos, em todos os lugares, defendendo os seus “impérios” com evidentes interesses de poder, de vaidade, de dinheiro, de barriga cheia, alienando as consciências com falinhas mansas ou inflamados sermões, pondo as mãos em oração, elevando beatamente os braços para o céu ou curvando-se até ao chão em atitude submissa perante o inexistente Todo-Poderoso… E não há dúvida que temos um milagre, pois é realmente milagre que tantos milhões se deixem levar, se deixem tão facilmente convencer! Mas esta é a realidade de hoje que o será não sabemos até quando. Quanto a nós, nós apenas queremos ser a grande pedrada neste charco de fantasmagorias que enlameia a dignidade do Homem como ser possuidor de uma razão que não pode, não deve, jamais deverá deixar-se alienar! Mesmo que tal querer nos custe a perdição no Inferno! Mesmo que sejamos excomungados, perseguidos, ameaçados de morte por aqueles que, instalados nos seus pedestais, não os querem perder: os ditos seguidores de Cristo, os fanáticos seguidores de Maomé! Mesmo que, por defender tal verdade afinal a única Verdade! nos levem a própria vida!…» (Cont.)

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Apresentação da Nova Religião (6/7)

Continuamos, transcrevendo:
    «Esta será a única religião possível com o Deus verdadeiro, infinito e eterno, e o Homem interligando-se com Ele, gozando em plenitude a vida, não sozinho, mas com os seus irmãos, os outros Homens, numa fraternidade universal, tendo como filosofia o hedonismo, o optimismo, a componente positiva que existe em todas as coisas e acontecimentos, mesmo os mais trágicos, cultivando o sorriso ou a forte gargalhada para afastar medos que nos roubam o gostinho de viver e tantos outros gostinhos que preenchem o nosso dia-a-dia, enquanto há vida, vendo ainda como prazer o partir para a integração universal onde faremos parte em átomos e moléculas de outros seres que terão não os nossos genes que esses, com a morte, se perderam, mas outros, quem sabe, melhores e que menos problematizarão a vida própria e a de todos os que tiverem o destino de se cruzarem com eles. Uma religião, com toda a certeza, de inspiração divina! Não há nenhuma razão para que a inspiração divina se tenha confinado àqueles profetas da Bíblia, ao Jesus Cristo de há dois mil anos, ao Maomé de há treze séculos apenas! Uma Boa Nova pregada por uma nova Igreja, com ritos novos que substituam, com Verdade, cerimónias tradicionais de baptismos, crismas, confissões, comunhões, matrimónios, funerais, elegendo a cremação como a melhor forma da nossa reintegração no Universo! Cada um no seu espaço, cada um no seu tempo. Todos convidados a terem vida e vida em abundância porque iluminada pela Luz da VERDADE! Só assim se harmonizará finalmente a Fé e a Razão oferecendo-se ao Homem, esse “animal religioso” na sua complexidade psico-física, toda a satisfação da sua componente espiritual, numa base de credibilidade da Ciência para a qual o espírito se processa misteriosamente no cérebro que é apenas matéria, num conjunto de muitos milhões de neurónios. É que foi harmonia perdida ou adulterada pelas religiões, que não seguiram a máxima desse inexcedível Jesus Cristo: “Só a Verdade vos libertará!” Aliás, de tão ilustre espécimen humano deveríamos deitar fora tudo quanto foi fruto da sua prodigiosa imaginação e fantasia o Céu com o Deus-Pai, o Inferno com o Diabo, a vida eterna para apenas retermos a colossal mensagem de fraternidade universal do “Amai-vos uns aos outros!” E quando os seguidores e mentores das outras fés, religiões, crenças, afirmando para si e seus fiéis: “Esta é a nossa fé! Ninguém encontrará melhor!”, apregoando uma falácia em que gostosamente se deixam navegar, quiserem abrir os olhos e a mente para fora do seu reduto de fé, verão que esse “melhor”, está na única Verdade possível, a soberana Verdade já aqui várias vezes repetida: “Somos filhos da Terra e do Universo, forçosamente integrados num panteísmo universal em que tudo é, todos somos partículas de Deus”. Alimentaremos o nosso espírito com a harmonia do Belo das formas, das artes, das paisagens que os nossos olhos possam alcançar, das melodias percebidas pelos ouvidos, do infinito e eterno que intelectualmente atingimos, deixando que a nossa fantasia crie mundos inexistentes embora não os aceitando como verdadeiros, apenas puro divertimento, bradando, olhos no céu: “Ah, quem pudera conhecer o que as estrelas nos escondem! Que mundos, que seres, que…Vida!” Será nesses mundos que mais se sente, mais se saboreia Deus, o Deus verdadeiro, o único possível que, definindo-O nós, deixa de o ser, por impossível ontologicamente! Um ser sem o ser porque é TUDO! E nisto, já o dissemos, reside a inverdade de todas as religiões. Sobretudo a de Jesus Cristo. É bonito ouvi-lo falar de um Deus-Pai! Bonita aquela vida eterna, bonitos aqueles anjos, maravilhoso o seu Paraíso. Mas qualquer um, se quisesse fantasiar, poderia inventar o mesmo. E, apesar dos seus apregoados milagres, apesar de se dizer ou de o dizerem filho de Deus, Cristo apenas teve a capacidade imaginativa para afirmar aquilo que certamente gostaria que fosse verdade mas… não o é! Pois, como quererá o Homem ter o impossível: começar um dia no tempo e perpetuar-se por toda a eternidade? Como? Só um espírito emocionalmente perturbado poderia criar, acreditar e fazer acreditar em tal fantasia!» (Cont.)

sábado, 7 de julho de 2012

Apresentação da Nova Religião (5/7)

Continuamos, transcrevendo, hoje, com um Credo pleno de humanidade e de... Verdade:
    «Valores? Todos os valores de todas as religiões, filosofias, pensamentos. Também aqui nada se perdendo, mas apenas se direccionando para o outro Homem, o Homem novo, como o amor ao próximo de um Jesus Cristo.
    Um nome? – Talvez: “Adoradores do Deus universal, o Deus da Harmonia”. Ou simplesmente: “Adoradores de Deus”!
    Uma Bíblia? – O Sagrado Livro das Regras. Um livro certamente nunca acabado, pois sempre possível de acrescentos e aperfeiçoamentos conforme os tempos e as raças, a região do mundo onde brotasse. Também um desafio a todos os Homens inteligentes que queiram deixar um mundo melhor com a sua passagem nele, neste tempo, neste lugar, podendo dizer no termo dos seus dias: “Valeu a pena! Eu vali a pena!” E, nele, um credo que todos recitarão sempre que uma assembleia tiver lugar, imitando as actuais religiões que avassalam e alienam o mundo.
    Um exemplo de credo? – “Creio no Deus Universal, infinito e eterno, que se manifesta em todas as coisas visíveis e invisíveis, vivas e não vivas, sendo Ele a matéria e a antimatéria, o tempo e o espaço, a energia universal que tudo move, em acto ou em potência. Creio no prazer e na alegria, no optimismo e no pensamento positivo, na esperança e no sorriso que dão mais sentido à vida. Creio na eterna integração universal de tudo quanto se actualiza num dado tempo, num dado espaço, não vindo nem indo para parte nenhuma. Creio na inteligência do Homem que lhe permitirá conhecer e aceitar toda a Verdade que ele é: uma centelha de vida que aparece e desaparece, por acaso, num dado tempo, num dado lugar. Creio nas virtudes do Homem que o levarão a criar, um dia, uma sociedade perfeita e justa, tendo cada um aquilo que merece. Creio na solidariedade universal e na capacidade do Homem para dominar a Terra sem a destruir, autodestruindo-se. Creio na vida que foi, é e será a coisa mais bela que poderia ter acontecido à face da Terra. Creio que o Homem ter tido a inteligência capaz de pensar tudo isto é o maior milagre dessa mesma vida. Creio, enfim, que a vida é a mais tremenda e a mais maravilhosa manifestação do Deus Universal a quem bendiremos para sempre. Ámen!”» (Cont.)