sábado, 17 de julho de 2021

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 316/?

 

À procura da VERDADE nos Evangelhos 

Evangelho segundo S. JOÃO – 11/?

 – As palavras que se seguem, postas por João na boca de Jesus, embora pareçam ser claras como água, são confusas, enigmáticas e de uma complexidade sem sentido: “Ficai sabendo que o Filho nada pode fazer só por si. Faz apenas o que vê fazer ao Pai. O que o Pai faz o Filho também o faz. O Pai ama o Filho e por isso mostra-Lhe tudo quanto faz. E mostrar-Lhe-á obras ainda maiores, que vos deixarão admirados. Assim como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá a vida, assim também o Filho dá a vida a quem Ele a quiser dar. O Pai não julga ninguém. Ele deu ao Filho todo o poder de julgar, para que todos honrem o Filho como honram o Pai. Quem não honra o Filho também não honra o Pai que O enviou. Eu vos garanto: quem ouve a minha palavra e acredita naquele que Me enviou, possui a vida eterna. Não será condenado, porque já passou da morte para a vida. Digo-vos mais: chegou a hora em que os próprios mortos ouvirão a voz do Filho de Deus: aqueles que ouvirem a sua voz terão a vida. Como o Pai é a fonte da vida, concedeu ao Filho o poder de dar a vida. Deu-Lhe ainda o poder de julgar porque é o Filho do Homem. Não fiqueis admirados com isto, porque vai chegar a hora em que todos os mortos que estão nos túmulos ouvirão a voz do Filho e sairão dos túmulos: aqueles que fizeram o bem vão ressuscitar para a vida; os que praticaram o mal vão ressuscitar para a condenação. (Jo 5,19-29)

– Realmente longas e…enigmáticas. Mas espanta a determinação com que Cristo (ou João?!) faz tais declarações. Declarações que, obviamente, não se entendem: o Filho nada poder fazer… fazer apenas o que vê fazer… o Pai mostrar ao Filho tudo quanto faz… e mostrará ainda obras maiores que nos vão deixar admirados… Aliás, contradizendo-se, logo a seguir, ao dizer, por exemplo, que “concedeu ao Filho o poder de dar a vida.”

Depois, o contrassenso aumenta: o Pai a ressuscitar os mortos e o Filho… também… mas só a quem Ele quiser… Mais: o Pai a não julgar porque deu ao Filho todo o poder de julgar… Mais ainda: para que honrem o Pai e honrem o Filho, não sabendo nós o que será isso de “honrar” o Pai ou… o Filho…

Enfim, para ter a vida eterna, não ser condenado e passar logo da morte para a vida, temos de ouvir a palavra de Jesus e acreditar naquele que O enviou… sem sabermos o que é ouvir a palavra de Jesus nem muito menos o que é acreditar em Deus-Pai… E sem sabermos, por falta de provas credíveis, que Jesus é o Enviado, o Filho do Homem, o Filho de Deus…

Tantas palavras… enigmáticas, Santo Deus! Para quê precisamos nós de enigmas, ó Jesus Cristo? Para quê? Para quê falares de “vida eterna” se não clarificas os caminhos para a alcançar? Para quê tanta confusão entre um Filho e um Pai que não se sabe onde começa a dimensão de um e acaba a dimensão do outro, ora parecendo que são uma e única pessoa, ora duas com poderes e funções distintos?

Mais confuso ainda e sem qualquer sentido: como é que os mortos ouvirão a voz do Filho? Que voz? E sairão dos túmulos, ressuscitando para a vida ou para a condenação eternas…

Tudo afirmações, tudo palavras, tudo declarações sem… nada que lhes sirva de suporte de validade. Para quê?

– É! Mais uma vez se fala no essencial da vida: a passagem para o outro lado! Com uma ressurreição, uma vida eterna ou uma condenação eterna… Mas… apenas se diz, apenas se afirma, apenas palavras…

E é com palavras que este Jesus de João nos abandona…

Um Jesus confuso, enigmático e paradoxal criado pelo velho João que escreve isto pelos anos 90, pretendendo, de algum modo, já fazer teologia do fenómeno carismático que foi Jesus, uns 50 anos antes, tentando apresenta-Lo como divino ou Filho de Deus-Pai, quando ele não foi mais do que um Judeu inconformado com a sociedade político-religiosa do seu tempo.

sábado, 10 de julho de 2021

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 315/?

 

 À procura da VERDADE nos Evangelhos 

Evangelho segundo S. JOÃO – 10/?

(Continuação da análise da narrativa da cura do paralítico, na piscina de Jerusalém)

– “Ora isto aconteceu em dia de sábado. (…) Os judeus começaram a perseguir Jesus porque Ele curara em dia de sábado. Jesus então disse-lhes: «Meu Pai trabalha continuamente e Eu também trabalho.» Por isso, as autoridades judaicas tinham cada vez mais vontade de matar Jesus porque, além de violar a lei de sábado, chegava até a dizer que Deus era seu Pai, fazendo-Se assim igual a Deus.” (Jo 5,9 e16-18)

– Não importa muito dissertar sobre o fundamentalismo judaico quanto ao sábado. No A.T. e agora com Jesus que o quis quebrar, embora baseado no AT:”E ao sétimo dia Deus descansou”. A justificação de Jesus com o Pai que “trabalha continuamente” é que… humaniza tanto o “seu” Deus-Pai que ficamos sem saber que trabalho anda Deus a fazer ou tem Deus de… fazer!

–“Mais tarde, Jesus encontrou aquele homem no Templo e disse-lhe: «Ficaste curado. Não tornes a pecar para que não te aconteça ainda pior.»” (Jo 5,14) Temos vontade-necessidade de perguntar a Jesus: “É a doença resultado do pecado? Quem não peca não adoece? Então, esses justos todos que andam por aí sofrendo e esse pecadores todos que andam respirando saúde?… De que jeito tal lhes acontece?…” Este temor foi sempre uma arma utilizada pela Igreja para aterrorizar santos e pecadores, levando-os a temer não propriamente a doença mas morte e o inferno, conseguindo dois objectivos: 1 – que as pessoas ficassem menos pecaminosas; 2 – que enchessem os cofres da mesma Igreja, pagando missas e indulgências e justificando o dito sacramento da Confissão.

– Última pergunta: “A quem aproveitou este milagre? Aos judeus, não, porque só acirrou neles a vontade de serem o braço de Javé-Deus para fazerem cumprir em Jesus as Escrituras. Aos outros doentes da piscina, também não porque certamente, se souberam, ficaram com inveja e não sem alguma revolta por não terem sido contemplados com a benesse da cura. Outros que por ali estivessem, parece que nem deram pelo prodígio… Então?…”

– Só resta dizer que aquele acreditar “cego” na cura das águas agitadas pelo anjo… é pelo menos lamentável e que Jesus deveria ter desmistificado tal crendice que era, com total certeza, invenção de algum “piedoso” judeu, sacerdote ou levita, sabe-se lá se bem pago pelo dono da piscina que lucraria com tais ajuntamentos… É que era uma questão de intervenção divina. E não tinha sido dado todo o poder divino a Jesus? Como passa Ele por ali sem… reivindicar as suas prerrogativas? Sem pôr ordem na “casa” de… Deus?

Incompreensível!

sábado, 3 de julho de 2021

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 314/?

 

À procura da VERDADE nos Evangelhos 

Evangelho segundo S. JOÃO – 9/?

 – O Jesus de João continua a falar por enigmas: “A minha comida é fazer a vontade daquele que Me enviou e terminar a obra que Me mandou fazer.(…) Levantai os olhos e vede como as searas já estão maduras para a ceifa. Aquele que colhe recebe desde já o salário e recolhe fruto para a vida eterna.” (Jo 4,34-36)

– A metáfora sempre presente para… nos confundir. Na comida e na ceifa da seara. Alguém entendeu o que João pôs na boca de Jesus? – Não! Logo, um objectivo – o de passar a mensagem da vida eterna – falhado!

– O milagre da cura do filho do funcionário romano “foi o segundo de Jesus”. (Jo 4,54) Esta precisão de “segundo” deixa-nos algumas dúvidas… Não tinha já Nicodemos dito “Ninguém pode fazer os milagres que Tu fazes se Deus não estiver com Ele.”? (Jo 3,2) Então este “segundo” foi lapso histórico ou… de memória do velho João? Aliás, por esta altura da História de Jesus, já Mateus tinha narrado uma boa dezena deles… Se realmente tivessem acontecido, era impossível que João não tivesse conhecimento deles. Logo…

– “E tanto ele como toda a sua família acreditaram em Jesus.” (Jo 4,53) Embora a facilidade de fazer milagres fosse muita, neste caso, foi muito pouco frutífero: uma só família acreditou por ter visto o filho do oficial ficar curado. Deus, SUPREMA INTELIGÊNCIA, não “trabalharia” por tão pouco… Imaginemos que Jesus vinha cá de novo à Terra… Era inconcebível que fizesse um milagre em cada família para que toda a família acreditasse.

– Aliás, Cristo, ao ouvir o pedido do oficial “Vem depressa comigo antes que o meu filho morra” queixou-se: “Vós só acreditais quando vedes prodígios e milagres.” Mas lá lhe fez a vontade: “Podes ir, que o teu filho está vivo.” E naquela mesma hora, o rapaz ficou curado… É realmente espantosa esta suposta capacidade de fazer milagres, mesmo à distância… Gostaríamos de ter visto para acreditar. No entanto, estavam lá os outros que não acreditaram e o mataram. A pouca eficácia dos milagres na conversão das pessoas é o maior argumento para afirmar a sua total invenção, embora sejam narrados como históricos.

– A narrativa da cura do paralítico tem algo de caricato ou… de estranho. Oiçamos: “Existe em Jerusalém (…) uma piscina (…) que tem à volta cinco galerias de colunas. As galerias estavam apinhadas de doentes, cegos, coxos e paralíticos que esperavam o movimento da água. Dizia-se que, de tempos a tempos, um anjo de Deus descia à piscina e agitava a água. O primeiro que entrasse na água depois de agitada pelo anjo, ficaria curado de qualquer doença. Encontrava-se lá um homem que estava doente há trinta e oito anos. Jesus (…) perguntou-lhe: «Queres ficar curado?» O doente respondeu: «Senhor, não tenho ninguém que me lance na piscina quando a água começa a agitar-se. Quando lá chego, já outro entrou na minha frente.» Jesus disse-lhe: «Levanta-te, toma a tua enxerga e vai para casa.” (Jo 5,1-8)

– A situação é realmente estranha e uma avalanche de perguntas nos invade: “Porque perguntou Jesus ao doente se queria ficar curado? Não era… evidente? E porque não curou todos os outros se, em outras ocasiões, curara todos os doentes que lhe apresentaram? Porquê só aquele e não todos? Onde o… critério? Acaso, se Jesus tivesse feito tal pergunta a todos os outros, algum lhe teria respondido: «Não! Estou aqui para ‘confraternizar’, para ser solidário com estes meus irmãos…»? Afinal, quantos dos que entraram na água, depois de agitada - imaginemos a deprimente correria de coxos, paralíticos, estropiados, para um ser o primeiro… - ficaram curados? O agitar da água por um anjo que ficaria milagrosa, mas só para o primeiro, era uma crença, um mito; porque não o desmistificou Jesus Cristo?”

(A análise crítica continua no próximo texto)

segunda-feira, 28 de junho de 2021

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 313/?

 

À procura da VERDADE nos Evangelhos 

Evangelho segundo S. JOÃO – 8/?

 – O episódio do encontro de Jesus com a Samaritana é belo, sem dúvida. As questões que nos levanta talvez não tenham beleza nenhuma… (Repita-se a sua leitura no texto anterior).

– É!… Comecemos pelos judeus… Os judeus não se davam bem com os samaritanos, naquele tempo e, pelo tempo fora, ao longo da História, espalhados pelo mundo, em todo o lado fizeram tais judiarias que de muitas nações foram expulsos, não se vendo actualmente que não sejam eles a causa última de grande parte dos conflitos mundiais… E era deles que vinha a salvação?… (Em abono da verdade e da justiça, digamos que também é o povo que coleciona mais prémios Nóbel, em todos os domínios, da Arte à Ciência, tendo-nos dado, entre outros, um Jesus e um Einstein.)

– “O dom de Deus… a água viva… Aquele que te pede de beber…” Porque fala Jesus com a mulher do povo em linguagem que nem letrados entenderam ou… entendem? Porquê comparações de água que leva à vida eterna, se a samaritana não entendeu que água nem que vida eterna?

E mandou-lhe Jesus ir chamar o marido, sabendo Ele que o não tinha, para que ela exclamasse: “Vejo que és um profeta.”? Porque não lhe falou mais claramente quando falou da água viva para que ela O sentisse como… divino?

Novamente, palavras de não fácil entendimento… para a samaritana e… para nós: “Todos podem adorar o Pai neste monte e em Jerusalém… Nós, os judeus, sabemos quem adoramos porque a salvação vem dos judeus… Todo o que adora Deus deve fazê-lo em espírito e com verdade…” Pois, o que é adorar a Deus? E o que é adorá-Lo em espírito e com verdade?

Tanto não entendeu que a samaritana disse esperar pelo Messias para lhe explicar aquelas coisas… Não sabemos se a afirmação de Cristo: “Eu sou esse Messias” foi realmente credível para aquela mulher. É que, em boa verdade, Jesus nada explicou… Tudo deixou no ocultismo de palavras bonitas… A samaritana apenas entendeu que Cristo “adivinhara” o seu “jogo aos maridos” e que não tinha balde para lhe dar a água viva: “Nem sequer tens um balde e o poço é fundo. Donde é que tiras a água viva?”

E porque teriam ficado admirados os discípulos por encontrarem Jesus a falar com… uma mulher? Parece estranha a concepção que eles faziam de Jesus…

Ainda uma pergunta inoportuna mas talvez plena de interesse: “Se nenhum dos discípulos foi testemunha destes deliciosos mas não menos complicados diálogos, como os refere João, com tanta… “fidelidade”? Quem lhos teria contado?”

Só resta dizer que o cenário se prestaria ao… romance… Aquela mulher que já ia no sexto homem, como olharia aquele belo Jesus?… Com que olhos gulosos O desejaria?… E o Jesus-homem… que sentimentos teriam perpassado pelo seu cérebro-coração?… Como se entrelaçaria ali a dimensão humana com a dimensão divina?

Enfim, João volta a um dos seus temas preferidos para adensar o mistério: a água (já presente no suposto milagre das bodas de Caná, no diálogo com Nicodemos, na fala de João Baptista). Aqui, a água viva! É refrescante, sem dúvida, mas ficar-se-á por aí…


terça-feira, 22 de junho de 2021

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo testamento (NT) - 312/?

 À procura da VERDADE nos Evangelhos 

Evangelho segundo S. JOÃO – 7/?

 – Torna-se interessante atentar em palavras de João Baptista a respeito de Jesus, não referidas pelos outros evangelistas, causando perplexidade como é que João, com idade tão avançada - uns bons oitenta anos! - se recorda tão bem delas:

– “O que vem do Céu está acima de todos os outros, fala do que lá viu e ouviu, mas ninguém aceita o que Ele diz. Porém quem acreditar nas suas palavras confirma que Deus diz a verdade. Aquele que Deus enviou anuncia a Palavra de Deus, porque Deus Lhe dá inteiramente o seu Espírito. O Pai ama o Filho e deu-lhe poder sobre todas as coisas. Aquele que acredita no Filho tem a vida eterna. Quem não acredita no Filho não tem parte nessa vida mas sofre o castigo de Deus.” (Jo 3,31-36)

– Afinal, o que é que Jesus diz que viu e ouviu no Céu que nós não aceitamos? E acreditamos nas suas palavras porquê? E somos nós que confirmamos a Palavra de Deus? Precisa tal Palavra de ser confirmada? Deus a dar o seu Espírito ao Enviado… é o tal mistério da Trindade… Idêntico mistério é o Pai a dar ao Filho poder sobre todas as coisas. Mais inatingível ainda é ter a vida eterna aquele que acredita no Filho. E o castigo de Deus para o que não acredita, ou seja, a condenação eterna é um total nonsense de Deus…

Mas… Baptista repete muito do que Cristo dissera a Nicodemos, o que nos leva facilmente a concluir que foi João a pôr tais palavras na sua boca, já que, sem qualquer sombra de dúvida, foi ele que inventou a fala com Nicodemos.

– Descreve agora João um dos mais “belos” episódios dos Evangelhos: o encontro de Jesus, a sós, com a Samaritana… “Chegou então a uma cidade da Samaria chamada Sicar. Estava ali o poço de Jacob. Cansado da viagem, Jesus sentou-Se junto do poço. Era quase meio-dia. Nisto, chegou uma mulher samaritana para tirar água e Jesus pediu-lhe: «Dá-Me de beber.» Os discípulos tinham ido à cidade comprar mantimentos. A mulher perguntou: «Como é que tu, sendo judeu, me pedes de beber a mim que sou samaritana?» De facto os judeus não se davam bem com os samaritanos. Jesus respondeu: «Se conhecesses o dom de Deus e Aquele que te pede de beber, Tu é que Lhe pedirias. E Ele dar-te-ia água viva.» Disse-lhe a mulher: «Nem sequer tens um balde e o poço é fundo! De onde vais tirar a água viva?» Jesus respondeu: «Quem bebe desta água, volta a ter sede. Mas aquele que beber da água que Eu lhe der, nunca mais terá sede. E a água que Eu lhe der, tornar-se-á dentro dele uma fonte de água que lhe dará a vida eterna.» Pediu então a mulher: «Senhor, dá-me dessa água para que nunca mais tenha sede nem precise de vir aqui tirá-la.» Disse-lhe Jesus: «Vai chamar o teu marido.» Respondeu-Lhe a mulher: «Não tenho marido.» E Jesus continuou: «Tens razão em dizer que não tens marido, pois já tiveste cinco e o homem que agora tens não é teu marido.» A mulher disse então a Jesus: «Senhor, estou a ver que és um profeta. Os nossos pais adoraram a Deus nesta montanha. E vós, judeus, dizeis que é em Jerusalém que se deve adorar.» Jesus respondeu: «Mulher, acredita em Mim. Chegou o tempo em que todos podem adorar o Pai sem ser neste monte ou em Jerusalém. Vós adorais a Deus sem O conhecerdes bem; nós os judeus, sabemos quem adoramos porque a salvação vem dos judeus. Porém chegou o tempo em que todo aquele que adora o Pai deve fazê-lo em espírito e com verdade. É assim que o Pai quer que O adorem. Deus é espírito e os que O adoram devem fazê-lo em espírito e com verdade.» A mulher disse então a Jesus: «Sei que o Messias, o Cristo, há-de vir. Quando ele vier, há-de explicar-nos todas estas coisas.» Respondeu-lhe Jesus: «Esse Messias sou Eu, que estou a falar contigo.» Nesse momento, chegaram os discípulos e ficaram admirados quando O viram a falar com uma mulher. Mas nenhum se atreveu a perguntar à mulher: «Que pretendes dele?» Ou a Ele: «Por que estás a falar com ela?» (Jo 4,1-27)

(Análise crítica no próximo texto)


quarta-feira, 9 de junho de 2021

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 311/?

 

À procura da VERDADE nos Evangelhos 

Evangelho segundo S. JOÃO – 6/?

 – Últimas perguntas sobre o encontro de Jesus com Nicodemos:

“Se Deus-Criador existe, como verá Ele o Homem? Serão mais os que praticam o mal ou mais os que praticam o bem? Porque enviar o seu Filho único ao mundo, para salvar tal Homem? E num dado tempo (apenas há dois mil anos)… e num dado lugar… e a um dado povo que… o não recebeu… e subjugado a umas Escrituras ditas reveladas por Deus, quando mais não são que simples relatos de histórias ou de guerras ou de bons costumes e de sabedoria popular daqueles povos?”

Ah, como tudo isto se torna mais questionável face ao conhecimento que temos do Homem e da sua idade de já - ou apenas! - quatro milhões de anos, conhecimento da Terra e da evolução da vida nela, do Universo com todas as suas galáxias, das energias que tudo movem e em que tudo se move, dos confins que bem parecem infinitos deste mesmo Universo!…

Como tudo se torna questionável e quase… ridículo! Mas… que havemos de fazer? Se a nossa ânsia de Além é insaciável? Se não conseguimos aceitar-nos como seres tão limitados num tempo, desaparecendo sem nos prolongarmos para além desse tempo em que um dia fomos?… E com uma identidade que nos seja perceptível a este nosso intelecto que gostamos de chamar alma? Alma espiritual? E por isso, não corruptível com o corpo que, de matéria feito, terá de voltar ao donde veio - a mesma matéria?…

Enfim, deixemos Nicodemos entregue às suas dúvidas… Mas antes, perguntemos-lhe: “Onde estás agora Nicodemos? Foste condenado por não teres acreditado em Jesus ou… estás no Céu porque, como nós, quiseste acreditar mas só não o fizeste porque Jesus não conseguiu dar-te bases para a tua certeza, além da sua palavra que é muito, mas que… visivelmente, não chega para quem tem uma razão como nós? Ou… estás realmente no NADA para onde todos nós caminhamos inexoravelmente com o tempo que inexoravelmente não pára e não nos deixa descansar um bocadinho sequer que seja, nem atrasar-nos no nosso irreversível processo de degradação até um dia?…”

E se ainda pudesses pensar, pensarias então que afinal Jesus era ou foi um total logro, pois prometeu aquilo que não podia provar que poderia dar, ou seja, um Céu, um Pai, um Deus, uma Vida Eterna, na bem-aventurança para aqueles que… “amaram o seu próximo”, que o mesmo é amar a Deus!…

Onde realmente estás, Nicodemos? Onde? Gostaríamos tanto de saber como e… onde? Como o teu testemunho seria vital para nós! Mas… parece ser milagre - voltamos a repetir - impossível de realizar por Jesus Cristo, que tanto poder manifestou em todas as maravilhas que realizou naqueles três anos em que percorreu as terras da Palestina. É pena, não é? Para ti que certamente já não são mistérios todas estas coisas… Para nós que… continuamos a pensar que ainda, um dia, haveremos de encontrar resposta para… esses mistérios!!! Oxalá!!!

– Só falta falar no “Filho único de Deus”!… Porque haveria Deus de ter um Filho?… Ou… chamar a uma das suas manifestações Filho, à outra Pai e à outra, Espírito Santo, gerando o mistério dos mistérios, o mistério da Santíssima Trindade? Porquê tanta… confusão? Para nos confundir a nós seres racionais que preferimos a luz às trevas? A clareza à confusão? Enfim, é mais um “facto-fenómeno” que temos de aceitar… sem perceber! E cujo objectivo ou finalidade nos escapa completamente…

É que temos o direito de saber e… de perceber tal facto, tal objectivo!

quinta-feira, 3 de junho de 2021

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 310/?

 

À procura da VERDADE nos Evangelhos 

Evangelho segundo S. JOÃO – 5/?

 – Para ser mais fácil a análise crítica, vamos repetir, na íntegra, o texto de João, narrando o encontro de Jesus com Nicodemos:

“«Fica sabendo que ninguém pode ver o Reino de Deus se não nascer de novo. (…) Só quem nascer da água e do Espírito é que pode entrar no Reino de Deus. Quem nasce de pais humanos é apenas humano, quem nasce do Espírito é espírito. Não te admires por Eu te dizer que todos devem nascer de novo. (…) Repara bem no que te vou dizer: quando falamos é porque sabemos e quando afirmamos qualquer coisa é porque vimos, mas vós não quereis aceitar o que Eu digo. Se não acreditais quando vos falo das coisas deste mundo, como podeis acreditar quando vos falo das do Céu? Ninguém subiu ao Céu a não ser o Filho do Homem que desceu do Céu. Assim como Moisés levantou a serpente no deserto, assim também é necessário que o Filho do Homem seja levantado para que todo aquele que acreditar nele tenha a vida eterna. Deus amou de tal modo a humanidade que lhe entregou o seu Filho único, para que todo aquele que creditar nele, não se perca mas tenha a vida eterna. Não foi para condenar o mundo que Deus lhe enviou o seu Filho mas sim para o salvar. Quem acreditar nele não é condenado, mas o que não acredita já está condenado, por não querer acreditar no Filho único de Deus. A condenação consiste nisto: Deus enviou a luz ao mundo, mas os Homens preferiram as trevas à luz porque as suas obras eram más. Os que fazem o mal detestam a luz e fogem dela para que as suas más obras não sejam descobertas. Mas os que agem conforme a verdade, aproximam-se da luz, mostrando publicamente que as suas obras foram feitas segundo a vontade de Deus.»” (Jo 3,3-21)

– E lemos e relemos estas “longas” palavras e… continuamos, tal como Nicodemos, sem entender… Continuamos sem saber o que é realmente o Reino de Deus. Nascer de novo, para uma vida nova, mais perfeita, entende-se; já não se entende é o que é nascer da água e do Espírito. Apesar de admoestado, acreditamos nas boas intenções de Nicodemos e no seu querer compreender Jesus. Nós de certeza que queríamos aceitar o que Ele diz mas… compreendendo. Se Jesus fala por enigmas como quer que O aceitemos? Como quer que O entendamos?

Pois… o que são realmente “as coisas do Céu”? Ou… o que é realmente o Céu?

E o que é o Filho do Homem descer do Céu e subir ao Céu? Onde é esse Céu donde se desce e aonde se sobe?

Mais: para quê a comparação com a serpente que Moisés levantou no deserto? O Filho do Homem precisa de ser levantado… Como? O que é “ser levantado”? E sendo levantado, as pessoas acreditam nele e têm a vida eterna? Então, basta acreditar para ter a vida eterna? O que é realmente acreditar em Jesus Cristo? É acreditar na sua mensagem que afinal não passa de amar o próximo em fraternidade universal, e que, bela embora, não passa além da Terra, ficando bem longe do inexistente Céu?

Ou… o que é realmente a vida eterna? Alguma vez Jesus no-lo explicou? No-lo disse claramente? Como quer que acreditemos sem… ver, nem entender, nem…? É que afirma que há Céu… que há vida eterna… que há Deus… que há um Filho do Homem – que o mesmo é dizer Filho de Deus, Filho Único de Deus – como verdade absoluta e inalterável e indiscutível, quando nunca apresenta fundamentos para que tais verdades sejam absolutas, inalteráveis, indiscutíveis…. É nitidamente um “dixit” de… Fé! Portanto, sem qualquer valor!

E nós bem queríamos acreditar nesse Filho único de Deus, não só para não sermos condenados mas para O apregoarmos por toda a parte, levando à salvação todos os que connosco partilhassem dúvidas… Mas, não vemos como tal seja possível, se nós que queríamos tanto acreditar não o conseguimos por falta de provas da Verdade anunciada.

É portanto uma injustiça inaceitável por parte de um Deus justo, se formos condenados por aqui publicamente declararmos que não entendemos tantas palavras enigmáticas, nem entendemos porque é que estas palavras são enigmáticas quando deveriam ser claras como a luz, para que todos vissem claramente a salvação e não tivessem de se socorrer de interpretações de “sábios” analistas que, cheios de dúvidas também eles, pouco ou nada acrescentam às nossas…

Todos nós entendemos o que é fazer o mal e o que é fazer o bem… Ao nível do humano, está claro!… Mas… o que é agir conforme a Verdade? Que verdade? E o que é agir realmente conforme a vontade de Deus? O que é a vontade de Deus? Alguém poderá ir além do “ajudar o seu irmão necessitado”?

Enfim, não deixa de ser uma afirmação, por não provada, sem qualquer valor, palavras apenas e sem sentido verosímil: “Deus amou de tal modo a humanidade que lhe entregou o seu Filho único, para que todo aquele que creditar nele, não se perca mas tenha a vida eterna.”

E já nos vamos enfadonhamente repetindo…