quinta-feira, 29 de abril de 2021

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 306/?

 

À procura da VERDADE nos Evangelhos 

Evangelho segundo S. JOÃO – 1/?

 – Tendo escrito o seu Evangelho mais de cinquenta anos após a morte de Jesus Cristo, i. é, pelos anos 90, João não narra tantos “factos” da vida de Jesus como os outros evangelistas, mas prefere meditar e fazer-nos meditar sobre a realidade que, para ele, é o próprio Jesus Cristo: o Messias, o Filho de Deus, o Verbo Encarnado. Será que nos conseguirá convencer e, assim, encontrarmos a tal LUZ de que andamos à procura?

E começa: “In principio erat Verbum et Verbum erat Deus…” (Jo 1,1) No princípio, era o Verbo e o Verbo era Deus…” Ora bem, seria mais adequado à eternidade de Deus, dizer “Ab aeterno erat Deus”. “Desde toda a eternidade”. É que “in principio” reporta-se indubitavelmente ao Tempo e Deus está fora do Tempo… Dizer que "A Palavra era Deus" não nos parece que signifique algo de relevante para o que nós realmente procuramos: a divindade de Jesus e se as suas palavras são ou não de vida eterna.

– Nesse objectivo, não deixa de ser interessante o que diz João Baptista de Jesus: “Eu vi o Espírito descer do Céu como uma pomba, e poisar sobre Ele. Eu também não O conhecia. Aquele que me enviou para baptizar com água foi Ele que me disse: «Aquele sobre quem vires o Espírito descer e poisar, esse é quem baptiza com o Espírito Santo. E eu vi e dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus.” (Jo 1,32-34)

– Ora, a primeira pergunta é: Realmente, para quê um baptismo? Depois, não sabemos que credibilidade atribuir ao maravilhoso que acontece, ou dele é dado testemunho, tal como é referido, e de forma espectacular, embora somente visível para João Baptista: o Espírito a descer e a poisar sobre Jesus em forma de pomba… Bem, se é espírito, para ser visível por olhos humanos teria de ter uma qualquer forma. Porque escolheu a forma de pomba e não escolheu outra qualquer, a de estrela ou de labareda de fogo, como acontecerá no Pentecostes, no cenáculo, não sabemos…

Aliás, se tivesse aparecido nessoutra forma, faríamos exactamente a mesma pergunta…

Mas… porque precisava Jesus que o Espírito descesse sobre Ele? Não era, apesar da sua forma humana, o Filho de Deus e como tal em tudo igual a Ele e como tal já cheio do Espírito? Porque era necessário tornar-se visível e apenas a Baptista? Só para que ele no-lo contasse e nós tivéssemos de acreditar? Não é mais uma das muitíssimas coisas que temos de acreditar, nesta história da nossa salvação que tanto tem de belo como de trágico? Belo, porque nos revela um Céu eterno… trágico, porque não conseguimos saber como lá chegar pelo simples facto de sermos razão e todas as “certezas” que temos não passarem além da Fé – extra-racional, por sua própria definição!

– “Aquele que me enviou…” Baptista sentia-se um enviado, certamente por Deus-Pai. Como? Quem lho revelou? Também em sonhos, à boa maneira bíblica do A.T? De qualquer modo, não deixa de mostrar uma certa arrogância ao julgar-se assim um enviado de Deus-Pai. Como só afirma sem nada provar, é, obviamente, mais um factor de descredibilidade quanto ao que afirma.

– Também não entendemos o que é “baptizar com o Espírito Santo”…

E muito menos entendemos como é que uma mensagem de salvação, a tal Boa Nova, está tão cheia de secretismos, tão enigmatizada, quando deveria ser clara para que toda a gente a entendesse e pudesse realmente salvar-se. Somos quase levados a concluir que, a haver salvação, houve alguém que a sabotou com tanto enigma e que a açambarcou só para alguns, lembrando-nos frases do próprio Cristo, como: “Muitos são chamados e poucos os escolhidos”, “É mais fácil entrar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus”, “Quem puder entender que entenda!”…

E sobretudo aquela: “Estreita é a porta e o caminho que leva ao Céu e larga a porta e o caminho que dá entrada no inferno!” (Mt 7,14)

– Tudo afirmações que revelam o fracasso da missão de Jesus, se é que Ele veio salvar a Humanidade inteira - não se sabe bem de quê! - e não apenas meia-dúzia de eleitos…

Depois, como é que Baptista pode afirmar, sem qualquer sombra de dúvida, que “Ele é o Filho de Deus”? Como? Caímos no ciclo vicioso: ou Deus lhe revelou que Ele era Deus, e entramos na Fé… ou a sua afirmação tem tanto peso como a minha… Isto é: nenhum!!!

Veremos que Jesus vai tentar confirmar, mais tarde, esta sua suposta divindade, com palavras enigmáticas, tipo chamar-se "Filho do Homem", e sobretudo com milagres. Portanto, além da palavra de Baptista, teremos a palavra de Jesus. 

Enfim, temos mesmo de ter Fé!…

 

quinta-feira, 22 de abril de 2021

Cristo Redentor, Cristo Salvador

 Da absurda ideia de um Filho de Deus feito Homem, redentor e salvador da Humanidade

 Antes de abordar o assunto, estabeleçamos duas premissas:

1 – Redimir de quê?

2 – Salvar para quê e em ordem a quê?

A ideia de Redenção da Humanidade e da sua Salvação para a Vida Eterna, propaladas pelas religiões cristãs, Redenção e Salvação encarnadas na figura de um judeu chamado Jesus, nascido há 2 mil anos, judeu que foi divinizado ao nascer de uma Virgem por Fecundação do Espírito Santo, Espírito Santo que seria a 3ª pessoa do Deus trino: Pai, Filho e Espírito Santo, não sendo portanto o Pai que fecundou Maria mas o seu Espírito, criando-se mais um mistério, o da SSª Trindade, mistério porque ninguém percebe tal coisa inventada pelos teólogos cristãos, logo nos primeiros tempos do cristianismo, mas sobretudo no séc. IV e, depois, aprofundado na Idade Média (baseando-se, por exemplo, em Mt 28-19: “…ide e baptizai em nome do Pai do Filho e do Espírito Santo”)…, a ideia da Redenção e da Salvação da Humanidade é simplesmente absurda, irracional e totalmente oposta a qualquer possível desígnio que o Verdadeiramente verdadeiro Deus pudesse/quisesse ter para a Humanidade. (E já estamos a humanizar o inumanizável Deus, ao atribuir-lhe um querer, uma vontade…)

É que a Redenção propalada pelo cristianismo não é uma Redenção pela inteligência, pela bondade, pela humanidade, pela justiça, o amor, a fraternidade universal… mas pelo sofrimento e sofrimento o mais atroz, existente ao tempo, a crucificação do Redentor!

Tal proposta é um autêntico atentado a uma Inteligência divina que tal absurdo propusesse ou propalasse numas Escrituras supostamente inspiradas por essa mesma Inteligência divina, Escrituras que, mais tarde, deveriam ser cumpridas na pessoa do Redentor.

Mais: a ideia de uma Redenção por um ser divino – Filho! – que teria de sofrer para redimir e salvar a Humanidade condenada ao Inferno eterno, apaziguando, assim, a ira de seu Pai supostamente ofendido com os supostos pecados dessa mesma Humanidade, tendo tais pecados começado logo com o pecado original cometido por Adão e Eva no Paraíso de todas as delícias, desobedecendo à ordem divina de não comerem a maçã proibida… é uma ideia que só cabe na cabeça doentia e perversa de um judeu – foram judeus que a inventaram! – influente na História da altura desse mesmo povo, um qualquer velho levita ou sacerdote.

Mas assim se propagou, falando-se em “Cordeiro imolado”, e fazendo-se outras comparações adequadas aos tempos sacrificiais de animais no altar do Templo, a chamada casa de Deus… (Mais uma barbaridade inventada por cabeça doentia e… senil!)

Mais: dizem os cristãos que Deus é Amor. O Deus da Bíblia, claro, sendo esta o Livro Sagrado de Judeus e cristãos. Então, como explicam que, sendo Amor, obrigue o seu Filho muito amado a sofrer os horrores que sofreu? Na sua Infinita Inteligência não tinha forma mais humana e racional de redimir a Humanidade dos seus pecados? – Um absurdo completo e perverso! E, em última análise, era ele, o próprio Pai, que sofria porque o Filho era Deus com Ele na Unidade do Espírito Santo… Uma horrenda confusão, santo Deus!

Mais ainda: tendo a humanidade cerca de uns quatro milhões de anos de existência, só agora – há 2 mil anos! – é que Deus, no seu infinito Amor e na sua infinita misericórdia, se lembrou de vir redimi-la e salvá-la, não se importando com os milhões de milhões que, entretanto, nasceram e morrerem sem conhecerem tal privilégio?! Que tonteria e que injustiça a deste Deus!

E como é possível que haja uma religião – dividida, por interesses políticos e de poder, em três: católicos, ortodoxos, protestantes! – que apregoe esta tonteria a mais de mil milhões de seguidores (mesmo assim, apenas 1/7 da Humanidade!) que nela acreditam piamente, sem questionarem a sua tontice?

Enfim, se a Redenção é um total absurdo, a Salvação não o é menos! Tudo provém do tal suposto pecado original cometido por uns supostos primeiros pais Adão e Eva, supostamente colocados por Deus num suposto Paraíso, supostamente proibindo-os de comer uma maçã, etc, etc, etc…, condenando toda a Humanidade ao inferno.

E os crentes acreditam que Cristo, redimindo a Humanidade dos seus supostos pecados pelo seu sofrimento atroz numa cruz – cruz que continua, por esse mundo fora, a lembrar tal desumanidade cometida por Homens contra um inocente! – ofereceu-lhe a salvação para a vida eterna, mas só a partir de agora e só para os que forem acreditando nele… Mais um total absurdo!

Então, se é legítimo perguntar, com indignação da emoção e da razão, “Como é possível que os gurus das religiões cristãs continuem a apregoar tamanha barbaridade/falsidade – REDENÇÃO/SALVAÇÃO – como sendo a VERDADE”, mais legítima ainda é a pergunta:

“Como é possível que tantos seres humanos – inteligentes! – não raciocinem e não vejam/sintam a barbaridade/insanidade de tal afirmação da sua insensata Fé, venerando os Cristos Redentores/Salvadores, em tantas imagens e em tantos templos espalhados pelo mundo?”

 


 

 

quinta-feira, 15 de abril de 2021

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 305/?

 

À procura da VERDADE nos Evangelhos 

Evangelho segundo S. LUCAS – 21/?

 – Outras palavras enigmáticas de Jesus Cristo e também referidas apenas por Lucas: “Vós estivestes sempre comigo em todas as minhas provações. Por isso, assim como meu Pai Me confiou o Reino, também Eu vos confio o Reino a vós. Haveis de comer e de beber à minha mesa, no meu Reino e sentar-vos em tronos para julgar as doze tribos de Israel.” (Lc 22,28-30)

– Que provações experimentou Jesus? As tentações no deserto? Os ataques verbais dos fariseus que sempre tiveram a “condigna” – nem sempre muito divina!... – resposta por parte de Jesus? Fome, sede e… abandono, pois “O Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça.” (Mt 8,20)?

E provações como homem ou… como Deus? Ou… como Deus e homem?

Depois, o Reino! O Reino de Deus! O meu Reino! Continuamos sem saber realmente que Reino, onde e como, se na Terra, se no Céu…

Também não sabemos o que dizer daquele “comer e beber à minha mesa, no meu Reino”! Se não sabemos que Reino!… O enigma é total. Tudo o que dissermos em tentativas de interpretação serão meras conjecturas sem qualquer credibilidade. É, aliás, o que os teólogos fazem, dizendo que a Bíblia não pode ser questionada mas apenas interpretada, por ser palavra de Deus. Esquecem-se, no entanto, que aqueles que disseram - os seus autores - que a Bíblia era a palavra de Deus não merecem qualquer credibilidade...

Por outro lado, se é simbólico, os símbolos não colhem qualquer simpatia de verdade racional!

Enigma maior são os tronos onde se sentarão para julgar as doze tribos de Israel… (também referido em Mt 19,28). Enigma ou não, mais uma vez, temos um vislumbre de um Céu construído e imaginado ao modo dos palácios reais terrenos, com o Rei no seu trono e os servidores sentados um pouco mais abaixo, executando tarefas… Uma completa desilusão, caríssimo Jesus! E mais uma vez lá ficámos sem respostas claras acerca de um Céu que nós tanto queríamos perceber e que nos parece cada vez mais longe, ao questionarmo-Lo tanto, por inefável e charmoso que seja…  

– “É preciso que se cumpra em Mim a palavra da Escritura: «Foi considerado como um criminoso.»” (Lc 22,37)

– Novamente as Escrituras… Novamente a pergunta: “Porque era preciso que se cumprissem nele as Escrituras? Porque não estava Deus e o seu Filho acima delas se é que tais Escrituras são/foram de inspiração divina?” É que nós precisamos de saber a Verdade e toda a Verdade! Não estamos aqui a brincar às escrituras, pois se trata da vida ou da morte eternas, entenderam? Entendeu ou… entende Jesus Cristo? É que Jesus não nos pode dizer “Têm de se cumprir as Escrituras.” sem nos explicar porquê e sobretudo para quê! Ou então…

Ou então tudo fica sem sentido e sem esperança, tudo não passando de um colossal embuste, tão colossal que nem sequer queremos pensar nele para o não tornarmos real e esvair-nos num total vazio dessa Esperança…

A esperança! Essa é realmente a última a morrer!… Assim na Terra, assim… no Céu! Nós, aqui, acabámos de analisar criticamente o Evangelho de Lucas – partes não repetidas noutros Evangelhos – sem perdermos a esperança de se nos fazer luz no nosso intelecto, bem para além da Fé, na qual e com a qual tropeçamos, a cada passo…

Por isso, e sem desistir de encontrar a VERDADE, a verdade da apregoada VIDA ETERNA, vamos analisar o Evangelho de João! E vamos com a esperança de ainda descobrir que Jesus é “O Caminho, a Verdade e a Vida”… (Jo 14.6)

Ah, como gostaríamos de encontrar a VERDADE VERDADEIRA!

quinta-feira, 8 de abril de 2021

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 304/?

 

À procura da VERDADE nos Evangelhos 

Evangelho segundo S. LUCAS – 20/?

 – Lucas é também o único dos evangelistas a contar a comparação que Jesus faz da oração de um fariseu e de um pecador, neste caso, um cobrador de impostos. (Lc 18,9-14) Claro que a arrogância do fariseu vai contrastar com a humildade do cobrador. E ao “Ó Deus, agradeço-Te porque não sou como os outros, que são ladrões, injustos e adúlteros…” contrapõe-se o “Ó meu Deus, tem compaixão de mim que sou pecador!”, concluindo Jesus: “O cobrador de impostos foi para casa mais justo aos olhos de Deus do que o fariseu. Pois quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado.”

– Faz-nos lembrar a frase não menos lapidar de Jesus: “Os últimos serão os primeiros e os primeiros, os últimos no Reino de Deus.” (Mt 19,30, 20,16)

Mas… esta aversão, sentidamente expressa de Jesus pelos fariseus, não O torna demasiado humano, embora se entenda - também a nível humano - que aqueles fariseus fossem realmente detestáveis e dignos de toda a crítica mordaz e implacável?… Não é próprio do Homem tal crítica, tenha ou não carradas de razão? E - repetindo-nos - porque não teve Jesus paciência com eles e os converteu, iluminando-os para que também eles vissem a Verdade da sua mensagem? Afinal, não eram também estes fariseus ovelhas perdidas? Porque se “escondeu” e não fez os milagres ali perante os seus olhos incrédulos e, assim, acreditassem?

– Pior! Onde está o Jesus que nos manda para o inferno se chamarmos “estúpido” ao nosso irmão? (Mt 5,22) Não é o mesmo ou pior chamar “raça de víboras” e “sepulcros caiados de branco” a estes hipócritas?

– Outra história que só Lucas refere é a de Zaqueu, chefe dos cobradores de impostos que, pelos vistos, enriqueciam à custa da corrupção na profissão, uns “bons” pecadores, está visto!… O baixote Zaqueu desceu da árvore para onde subira a fim de ver Jesus no meio da multidão e disse: “Senhor, vou dar metade dos meus bens aos pobres; e se roubei alguém, vou devolver quatro vezes mais.” E Jesus concluiu: “Na verdade, o Filho do Homem veio procurar e salvar os que estavam perdidos.” (Lc 19,1-10)

– Temos de repetir a pergunta: Se o Filho do Homem (personagem que não se sabe bem o que é, mas supõe-se ser o Messias, o Salvador) veio procurar e salvar os que estavam perdidos, porque não começou por procurar e salvar os fariseus, sacerdotes, levitas… e apenas se preocupou com os pobres, doentes, estrangeiros… os desprotegidos e marginalizados nesta vida? Porque só a estes quis dar a esperança, dar a fé numa vida eterna junto de Deus? Não teria sido muito mais útil para o cumprimento da sua missão – a salvação de toda a Humanidade – começar por “converter” os dirigentes do povo, fossem políticos, fossem religiosos?

– Ao saber das intenções de Zaqueu, exclamou: “Hoje, entrou a salvação nesta casa.” (Lc 19,9)

– Bonita a frase, bonita a história e atitude de Zaqueu. Mas que nada têm de Céu ou de divino. Apenas, manifestações de pura humanidade…

quarta-feira, 31 de março de 2021

A Páscoa da Ressurreição

 

 Da ressurreição de Jesus a quem chamaram de Cristo

 A festa judaica da Páscoa (passagem), comemorando a travessia do Mar Vermelho pelos israelitas, vindos do cativeiro do Egipto, sob o comando de Moisés, tornou-se a festa da Páscoa da Ressurreição para os cristãos, aquando da morte e suposta ressurreição de Jesus.

Numa análise imparcial a este "facto", temos de partir de várias premissas:

1-    1 –  A veracidade ou não do que nos narram os evangelhos

2-    2 – O que é próprio do ser humano enquanto ser vivente pertencendo ao Tempo: num dia começou, em outro irá inexoravelmente acabar, integrando-se no donde veio, átomos e moléculas de que é feito, i.é, na Natureza/Terra, não havendo lugar a ressurreição alguma.

3-    3 – As crenças, os mitos, as religiões baseadas na Fé e nos mistérios, bem alimentadas pelos seus gurus, delas vivendo quase sempre bem, quando não faustosamente.

4-    4 – A origem divina ou não de Jesus.

Assim, com base nos evangelhos (evangelhos que, lembremos, não são documentos de credibilidade histórica, porque foram escritos apenas com o fim de firmar na Fé os primeiros aderentes ao movimento cristão e uns quarenta anos após os “factos”, não havendo nenhum original mas apenas cópias do séc. III):

1 – Depois de descido da cruz, morto, Jesus é sepultado num túmulo pertencente a um seu simpatizante, José de Arimatéia, num jardim, bem perto do local do suplício.

2 – Três dias depois, a amiga e companheira Maria Madalena vai ver o sepulcro e encontra-o vazio, não compreendendo o que se passou e quem teria removido a pedra de duas toneladas.

3 – Jesus “aparece-lhe”, dizendo que está vivo mas que não lhe pode tocar…

4 – Ela espalha a notícia pelos apóstolos e, com excepção de Tomé, todos acreditam, pois Ele havia dito que, ao terceiro dia, ressuscitaria.

5 – Seguem-se várias aparições singulares até ao célebre encontro com Tomé: “Mete aqui o teu dedo, no buraco dos cravos, mete a tua mão na abertura feita pela lança no meu peito e não sejas incrédulo mas fiel.” E, segundo Paulo (certamente por ter ouvido contar, pois ele só se junta ao movimento uns anos mais tarde, após o ter perseguido), ainda apareceu a mais de quinhentos simpatizantes ao mesmo tempo, tendo, depois, subido ao Céu e desaparecido para sempre, embora prometendo voltar para julgar os vivos e os mortos, no fim dos Tempos…

6 – Os apóstolos e também Paulo acreditaram no “acontecimento” da Ressurreição de tal modo que se deixaram morrer por defenderem o Jesus Cristo ressuscitado e a sua mensagem de Vida eterna no Céu.

Ora bem:

1 – O que é próprio de todo o ser que vem à Vida é que assim, nasce, assim morre, sendo esta a Lei natural das coisas que começam. Se quisermos, não morrem, transformam-se, mas deixando de ser o que eram para sempre: do átomo às estrelas, ao Universo.

Portanto, não há lugar a nenhuma ressurreição depois da morte de qualquer ser vivo. Ponto inquestionável!

2 – Como as religiões se alimentam de mitos e de mistérios, a religião cristã nascente não escaparia à regra. Aliás, só assim, ela poderia singrar e captar gentes, sobretudo gentes incultas e facilmente dadas à crença, aqui no mito da ressurreição. Assim o entenderam os apóstolos, os evangelistas e sobretudo Paulo que afirmou, em tom convincente para os seus catequizandos Coríntios: “Se Ele não ressuscitou é vã a nossa Fé!”

3 – Terem, por precaução, retirado o corpo de Jesus, sendo levado, por exemplo, pelos essénios para Qumran, onde Jesus teria estado em vida, e ali novamente sepultado, é muito provável, nem que para isso tenham pago boa soma aos soldados que faziam guarda ao túmulo. A corrupção sempre existiu...

4 – As visões de Madalena podem perfeitamente pertencer ao campo místico: o trauma de ver morrer na cruz o seu amado, teria provocado nela alucinações que os psicólogos explicam facilmente. Aliás, porque foi ao sepulcro se o corpo já começaria a cheirar mal e a pedra pesaria duas toneladas?

5 – Todas as outras “aparições” podem ter a mesma explicação, embora seja difícil de compreender que uma alucinação tenha ficado para a vida, levando os apóstolos a deixarem-se morrer para não renegarem a sua Fé. Este é o ponto a que os crentes na ressurreição se agarram: é que não foi um ou dois; foram os doze: os onze apóstolos mais Paulo. Claro que haverá uma explicação, um motivo que ignoramos qual tenha sido exactamente. Talvez o facto de acreditarem que Ele era realmente o Messias, o Cristo, o Filho de Deus… E também o facto de estarem desencantados com as seitas religiosas que grassavam entre os judeus da altura. E por Ele ter “palavras de vida eterna”, alimentando o mito da eternidade do ser humano…

Ora já explicámos aqui largamente que Jesus foi apenas um homem, filho de Maria e José, que morreu por defender aquilo em que acreditava

Não é Filho de Deus porque é ontologicamente impossível que Deus tenha filhos. (Aliás, foi a compreensão desta impossibilidade que levou os teólogos cristãos a inventarem o mistério da SSª Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo – um atentado, claro, à nossa inteligência! Lendo as teorias teológicas sobre este mistério, ficamos boquiabertos com tanta desfaçatez, tanta invenção imaginativa sem qualquer suporte de verificação, logo de veracidade.) Mais: mesmo aceitando, por absurdo, que Jesus era filho de Deus, morrer estupidamente numa cruz para depois ressuscitar, teria sido uma monumental loucura de um Deus totalmente louco!...

Deus é O TODO ONDE TUDO SE INTEGRA, ESPAÇO E TEMPO E TUDO O QUE PERTENCE AO ESPAÇO E AO TEMPO, SENDO, POR ISSO, INFINITO E ETERNO. Qualquer outra coisa que se diga d’Ele é pura falácia: humaniza-se, descredibiliza-se, torna-se de algum modo sujeito ao mísero e mesquinho Homem, Homem que não é mais do que um pequeno elo na cadeia da VIDA que apareceu na Terra mas que deverá existir em abundância por todo esse Universo pejado de sistemas solares semelhantes ao nosso com Planetas semelhantes à nossa Querida Terra, o nosso LAR, a nossa ORIGEM. Que presunção, santo Deus de todos os deuses, a deste Homem que se julga grande por ser capaz de pensar tudo isto e de opinar sobre o próprio DEUS!

6 – Embora tudo leve a crer que as aparições foram simplesmente inventadas pelos evangelistas e por Paulo – como, aliás, todos os milagres, incluindo as três ressurreições supostamente realizadas por Jesus: Lázaro, o filho da viúva, a filha de Jairo – é particularmente interessante a história de Tomé. É que um corpo ressuscitado, portanto sem massa corporal, glorioso como se diz na religião, não come, não fala, não sente…, actos que os evangelhos atribuem aqui ao ressuscitado Jesus. Este argumento só convence mesmo os crentes ou incautos. Esta história é, para os críticos, a melhor forma de descredibilizar completamente a hipótese de Jesus ter ressuscitado e ter aparecido, ora em corpo glorioso (atravessava portas e janelas fechadas) ora de carne e osso (comia, bebia, falava), conforme as conveniências narrativas e os propósitos acima referidos de se querer fazer acreditar os indecisos…

Portanto, para todos os que não querem ser enganados por falsas crenças em falsos “factos”, prevalecerá a VERDADE INQUESTIONÁVEL: não houve ressurreição alguma porque esta é impossível a qualquer ser que viveu, dando razão a Paulo: é vã a Fé dos crentes!

Com muita pena nossa, que também queríamos ressuscitar e…ser eternos!

 


quinta-feira, 25 de março de 2021

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 303/?

 

À procura da VERDADE nos Evangelhos 

Evangelho segundo S. LUCAS – 19/?

 – Ainda voltando ao tema rezar, Jesus, depois de nos ensinar o “Pai nosso” (Mt 6, 7-15), diz-nos agora para insistirmos, maçarmos Deus, tal como na parábola, a viúva insistia com o juiz para que lhe fizesse justiça…

Realmente, aquele “Vosso Pai que está nos Céus” de Jesus parece uma espécie de Deus-homem que está ali para abençoar as nossas boas acções para com o próximo, sobretudo os pobres e deserdados da sorte, e também para nos castigar se esquecemos o nosso irmão, levando-nos até ao fogo do inferno onde há choro e ranger de dentes, se chamarmos estúpido a esse mesmo irmão…

Como tudo é visto tão à humana, santo Deus! Como nós queríamos que Jesus nos apresentasse um Deus que fosse mais Deus e menos homem! Um Deus realmente infinito e eterno! Será que nem Jesus Cristo, perdido que estava com a sua ideia de Deus-Pai, viu Deus como uma realidade transcendental, fora do Tempo e do Espaço, não “subjugado” a um Céu, com anjos para O servirem, organizados em legiões para O “defenderem” contra um hipotético inimigo - como se Deus pudesse ter inimigos, santo Deus! - realidade acima de tudo o criado e não-criado, como aliás diz o Credo católico, elaborado muito tempo depois de Cristo? - perdoem-nos mais esta heresia!…

É! Insistir com Deus é… é… humanizar Deus. Sem qualquer dúvida…

E Jesus parece não ter consciência de tal humanização…

Ainda mais sem sentido é a pergunta final: “Mas o Filho do Homem, quando vier, será que vai encontrar Fé sobre a Terra?” (Lc 18,8)

Não se percebe que Fé quererá Cristo encontrar sobre a Terra quando voltar. E se duvida que haja Fé, deveria sentir-se frustrado na sua missão de ter vindo dar Fé à humanidade e não o ter conseguido. Pois, que Lhe aproveitaram tantos milagres, tanta fraternidade apregoada, tanta dor na cruz, tanta fadiga em fundar uma Igreja?

E com estas interrogações todas, Jesus que tinha tudo para salvar todos os Homens, ficou-Se por apenas alguns eleitos, por apenas alguns a quem conseguiu firmar na Fé, apenas alguns dos muitos biliões que a Terra teve, tem e terá pelos séculos dos séculos que afinal têm um fim e não são “sem fim, ámen”, como reza também o Credo da Igreja… Que Céu tão apoucado este, afinal, o de Jesus Cristo!… E Ele que é o próprio a duvidar de que haja Fé quando voltar, certamente no fim dos tempos, embora nunca tenha dito que fim e que tempos…, o que era fundamental para que pudéssemos saber como organizar a nossa curta vida dos setenta, oitenta, noventa anos…

Enfim, é o Jesus que temos! E se não conseguiu convencer-nos de que realmente o Céu existe, ao menos indicou-nos o caminho para o Céu da Fé, e melhor mesmo é acreditar que exista realmente e que lá vamos parar, depois que nos formos… senão ficamos sem… NADA!

Então,… acreditemos! Joguemos o jogo de Jesus a quem chamaram de Cristo!… E se não tivermos Fé, insistamos com Deus para que no-la dê! E não desistamos até que a nossa Fé seja tão grande que seja capaz de arrasar montanhas ou de fazer milagres, como o próprio Jesus também nos disse. (Mt 17,19-21)

E ai dele, se não for verdade o que nos ensinou a fazer ou se não surtir efeito! Não Lhe perdoaremos e matá-Lo-emos de novo, caso cá apareça, nem que seja no fim dos tais tempos, que não sabemos que tempos são…

quinta-feira, 18 de março de 2021

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 302/?

 

À procura da VERDADE nos Evangelhos

Evangelho segundo S. LUCAS – 18/?

 – Não há dúvida de que a abundância de milagres nos evangelhos nos assusta, intelectualmente falando, claro!

Agora, são dez leprosos que ficam curados. (Lc 17,11-19) E mais do que a importância do milagre da cura – cura a que o próprio Cristo parece não dar muita importância, tal era a “facilidade” com que realizava tais coisas – preocupa-o o facto de apenas um dos dez ter voltado para trás a agradecer: “Não eram dez os que foram curados? Onde estão os outros nove? Mais nenhum voltou a dar graças a Deus a não ser este samaritano?” Aqui, com mais uma crítica indirecta aos judeus, ao louvar os que o não eram… Se bem que é realmente estranho que os outros nove não tenham vindo agradecer. Custa acreditar em tal ingratidão. Por isso, talvez mais um argumento para não acreditarmos nestes milagres evangélicos, mesmo quando se trata de curas…

E os milagres assustam-nos porque nos parece residir neles, e apenas neles, toda a certeza que possamos ter em Jesus Cristo como pessoa divina. Logo, teriam de nos merecer total credibilidade. Teria de ser claro para toda a gente que eles realmente se realizaram, a começar pelos judeus daquele tempo que os presenciaram. E logo aí, não temos nenhum testemunho de que, pelo menos a classe sacerdotal, escribas e fariseus lhes tenham dado importância ou crédito, o que é realmente muito estranho e de todo inverosímil… Diríamos mesmo humanamente impossível! Portanto, tudo leva a crer que os milagres narrados nos evangelhos simplesmente não existiram, ficando completamente em causa a veracidade da divindade de Jesus. Ponto!

– “Jesus contou aos discípulos uma parábola para lhes mostrar a necessidade de rezar sempre, sem nunca desistir. (…) «Deus não fará justiça aos seus escolhidos que dia e noite gritam por Ele? Será que vai fazê-los esperar? Eu vos declaro que Deus lhes fará justiça e bem depressa. Mas o Filho do Homem, quando vier, será que vai encontrar Fé sobre a Terra?»” (Lc 18,1-8)

– Só Lucas refere este episódio, aliás, não muito bem conseguido literariamente. Por nosso lado, nunca entenderemos porque precisa Deus que se Lhe reze, que se lhe grite. Seja pedindo, seja louvando… Que nós precisemos de rezar em momentos de aflição ou agradecer em momentos de alegria e de diáfano contentamento… é mais que humano, quase irresistível… Aliás, com quem melhor partilhar as nossas ansiedades ou alegrias do que com Deus? Quem melhor do que Ele nos “ouve” e nos… “sustenta” na emoção? (Talvez sendo Ele o melhor de nós próprios…)

Mas… não passa de ajuda – ou auto-ajuda – ao nível da alma e da mente! Ao nível do corpo e do dedo que acerta no número da sorte, aí… nem nós acreditamos que Deus interfira, embora digamos, quando as coisas resultam: “Obrigado, meu Deus!”

Ou, então, revoltamo-nos, na desgraça: “Porquê a mim, meu Deus? Que mal fiz eu a Deus…?” E outros impropérios revelando o nosso desapontamento com o divino…

Mais uma vez, não sabemos quem são os “escolhidos” de Deus. Os evangelhos – e, neles, Jesus – humanizam tanto Deus, chamando-Lhe Pai (cristãos) ou o Clemente e Misericordioso (muçulmanos) que Este se torna ontologicamente impossível. O Homem é apenas uma ínfima partícula deste imensíssimo Universo, ignorando nós completamente o que mais há no imensíssimo Espaço, Espaço que poderá ser Infinito, confundindo-se com o próprio Deus. Deus não se pode ocupar do Homem como se fosse o seu “Ai Jesus”.

Pela sua própria definição de SER INFINITO E ETERNO, Deus tem de estar fora do “esquema” em que as religiões o colocaram, melhor, o “esquema” tem de estar dentro d’ELE. DEUS É O TODO ONDE TUDO SE INTEGRA, ESPAÇO E TEMPO E TUDO O QUE EXISTE NO ESPAÇO E PERTENCE AO TEMPO.

Assim, sim, assim Deus é intelectualmente concebível…