sexta-feira, 7 de abril de 2023

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 374/?

 

À procura da VERDADE nos Evangelhos 

Evangelho segundo S. JOÃO – 68/?

 – Narra-se agora o episódio mais chocantemente realista pós-ressurreição: Tomé que não acredita. É João o único a narrá-lo explicitamente, tendo Lucas aflorado a questão ao referir: “«Vede as minhas mãos e os meus pés: sou Eu mesmo. Tocai-Me e vede: um espírito não tem carne e ossos, como podeis ver que Eu tenho.» (…) E como eles ainda não acreditassem (…) Jesus disse: «Tendes aí alguma coisa para comer?» Eles ofereceram-Lhe um pedaço de peixe grelhado. Jesus, tomando o peixe, comeu-o diante deles.” (Lc 24,39-43)

– Vamos então ouvir: “Estando fechadas as portas, Jesus entrou. Ficou no meio deles e disse: «A paz esteja convosco.» Depois disse a Tomé: «Chega aqui o teu dedo e vê as minhas mãos. Estende a tua mão e mete-a no meu lado. Não sejas incrédulo mas crente.» Tomé respondeu a Jesus: «Meu Senhor e meu Deus!» Jesus disse: «Acreditaste porque viste. Felizes os que acreditam sem terem visto.»” (Jo 20,26-29)

– O mistério começa em Lucas e continua-se aqui em João: Se Jesus entra com as portas fechadas é porque não tinha corpo de carne e osso… a não ser por mais um milagre… Se come e bebe é porque tem um corpo igualzinho a qualquer um de nós com boca, dentes e… estômago!… Se diz a Tomé para meter o dedo e a mão nos buracos das mãos e do lado é porque tinha língua e boca para falar e um corpo, o corpo que havia sido crucificado… Se…

– Claro que não poderemos excluir a realidade de mais um milagre! O problema é que não entendemos como é que os apóstolos e o próprio Tomé se deixaram convencer… Pois se era milagre de um corpo que era espírito mas parecia e se fazia passar por corpo, por efeito do milagre, porque é que Tomé não perguntou, por exemplo: “Afinal, Jesus, és corpo ou és espirito? Essas mãos e esse peito trespassados são carne ou são a ilusão da carne pelo efeito do milagre que em mim surte efeito?” E tantas outras perguntas que nós faríamos se lá estivéssemos, pois não deixaríamos “fugir” Jesus sem responder a todas as nossas dúvidas! E seria longa a conversa que teríamos com Ele, pois Lhe colocaríamos pelo menos todas as inúmeras perguntas que fomos fazendo ao longo destas linhas que já se vão alongando, fazendo-nos bocejar e fazendo desesperar quem as ler, por repetitivas algumas, mas sobretudo por não darem nenhuma saída para a nossa ardente sede de eternidade…

– Eternidade, mas uma eternidade certa, com as certezas da razão e não simplesmente da… Fé! Fé que pode ser tudo para alguns mas que é realmente nada para quase toda a gente, sobretudo gente que pensa!…

quinta-feira, 30 de março de 2023

Da impossível ressurreição de Jesus, a quem chamaram o Cristo

 


Os factos que apontam para a sua inequívoca falsidade

 A análise CRÍTICA e IMPARCIAL, para ser válida, tem de ser feita a partir de dentro, isto é, a partir das narrativas dos evangelhos, começando logo por advertir que, ontologicamente, não é possível a nenhum ser vivo morrer e ressuscitar, pois cada um cumpre o seu ciclo vital: nascer, viver e morrer. Portanto, nunca houve nem haverá nenhuma ressurreição. Só por magia ou na fantasia de alguns.

Em assunto de tão magna importância para o Cristianismo, seria de esperar unanimidade naquelas narrativas. No entanto, constatamos acentuadas divergências, embora sendo constante, nos quatro, o momento do dia: “primeiro dia da semana, de madrugada” e a vidente “Maria Madalena”.

Resumamos:

Mateus: Envolve o “acontecimento” de mais dois ou três milagres além de pôr dois anjos a remover a pedra e a mostrar a Maria Madalena e à outra Maria o túmulo vazio, dizendo que Jesus tinha ressuscitado e seguira para a Galiléia onde se encontraria com os discípulos.

Marcos: Mais sóbrio, fala em três mulheres: Maria Madalena, Maria mãe de Tiago e Salomé; a pedra já estava removida e dentro do túmulo estava um anjo que lhes disse mais ou menos o que os dois anjos de Mateus disseram.

Lucas: Acrescenta alguns pormenores. Fala em três mulheres específicas: Maria Madalena, Joana e Maria mãe de Tiago, substituindo a Salomé de Marcos pela Joana, mas também em outras mulheres que estariam presentes na cena; a pedra estava removida e dois homens (não anjos) com vestes brilhantes contaram-lhes mais ou menos o que Mateus e Marcos disseram. Ao anunciarem aos discípulos o acontecido, Pedro não acreditou nelas e foi constatar que o túmulo estava realmente vazio.

João: Mais prolixo e mais confuso. Primeiro, coloca Maria Madalena (e mais nenhuma mulher) a ir ao sepulcro; ao constatar que a pedra estava removida, Madalena foi avisar Pedro e João; estes correram e, verificando o facto, foram-se embora. Madalena continuou junto ao túmulo a chorar; entretanto, viu dois anjos lá dentro que lhe perguntaram porque chorava. Depois, o próprio Jesus apareceu-lhe como se fosse o jardineiro. Reconhecendo-o, quis abraçá-lo mas Jesus não permitiu e Madalena voltou a anunciar o acontecido aos discípulos.

Estes narradores, lançada que foi a “pedra” falsa da ressurreição, tiveram de alicerçá-la com acontecimentos posteriores: as aparições de Jesus ressuscitado, mas sempre e só aos seus discípulos e a alguns escolhidos, comendo e bebendo com eles, entrando com as portas fechadas, no local onde eles se encontravam, havendo aquela cena – cena apenas narrada por João, cujo evangelho é escrito uns 50/60 anos após os factos, o que leva por si a desconfiar da sua veracidade (Jo, 20, 26-27) – do incrédulo Tomé que, para acreditar, foi convidado por Jesus a meter a mão no lado do peito e o dedo no buraco dos pregos das mãos… (Afinal, não se sabendo que tipo de corpo teria o ressuscitado para comer e beber, mas também passar por portas e janelas fechadas...)

Finalmente, puseram Jesus a subir aos Céus.

E aqui está, além dos já mencionados e outros desencontros que não referimos, o grande problema da ressurreição e a nossa convicção da sua total falta de credibilidade. Se Ele era a Luz do Mundo, teria de se mostrar, ressuscitado, a toda a gente, pelo menos a todos os daquela região. O facto de só aparecer a alguns eleitos deita por terra todos os objectivos da suposta missão de um suposto filho de Deus vindo à Terra para salvar o Homem e oferecer-lhe a Vida eterna. Só atingiria tais objectivos, se aparecesse a todo o povo, sobretudo aos seus agressores, tanto judeus como romanos. Tão simples quanto isso!

Se qualquer inteligência humana era o que faria, não se pode exigir menos de uma inteligência divina…

Nem adianta Paulo, escrevendo uns 30 anos após os factos, dizer que “Se Ele não ressuscitou é vã a nossa fé.” (1Cor, 15-14). Obviamente, dando o facto como certo, queria convencer disso os crentes na nova religião que ele estava a ajudar a fundar, alicerçando-a exactamente na ressurreição dos mortos. Se lá tivéssemos estado, tê-lo-íamos contestado e ele ficaria seguramente sem resposta para nos dar…

Então, poderemos concluir que as grandes bases do Cristianismo – a ressurreição e a vida eterna – assentam em "areias movediças" sem qualquer credibilidade.

E é esta falsidade que as Igrejas cristãs continuam a “impor” aos seus crentes, em domingos de Páscoa florida…

MAS VIVA A FESTA E HAJA MUITAS AMÊNDOAS!

quinta-feira, 23 de março de 2023

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 373/?

 

À procura da VERDADE nos Evangelhos 

Evangelho segundo S. JOÃO – 67/?

 – Fantástico! Fantástico seria ver a nova vida daqueles que ressuscitaram! Que vida? Que perspectivas? Que emoções? Que ideia de Céu ou de inferno? Que paixões?… Tantas perguntas que lhes teríamos feito se lá tivéssemos estado! E João… nada! É, pelo menos, muito estranho!

João que é o único a dizer: “E aquele que viu, dá testemunho e o seu testemunho é verdadeiro. E ele sabe que diz a verdade, para que também vós acrediteis.” (Jo 19,35)…

Ora se ele viu, estava lá no momento em que todos aqueles mortos saíram dos túmulos, como narra Mateus, e não relata nada daquele fantástico “divino”, “divino” que deve ter fascinado todos os que o presenciaram, ficando-lhes gravado na memória para o resto das suas vidas, deduzimos que João nada viu porque, simplesmente, nada aconteceu… E são mais uma enorme quantidade de milagres falsos… Ora, se estes são claramente falsos, que poderemos dizer dos muitos outros narrados pelos evangelistas? Cada um que tire as suas conclusões…

– O encontro de Jesus ressuscitado com Maria Madalena faz-nos lembrar o seu encontro romântico, enquanto vivo, com a samaritana… “Jesus: «Mulher, porque choras? Quem procuras?» Maria: «Se foste tu que O levaste, diz-me onde O puseste para eu ir buscá-Lo.» Jesus: «Maria!» Maria: «Rabuni!» (que em hebraico quer dizer “Mestre”). Jesus: «Não Me segures porque ainda não voltei para o Pai. Mas vai dizer aos meus irmãos: ‘Subo para junto de meu Pai, que é o vosso Pai, para junto do meu Deus que é o vosso Deus.’» (Jo 20,15-17)

– O que quer Jesus dizer com “Ainda não fui para o Pai”? O que seria ir para o Pai? E, afinal, é Deus com Ele ou o Pai é o seu Deus?

E mais uma vez, aquele “Subo…”… Bem, evidentemente, era a única linguagem que poderia utilizar para ser minimamente entendido pelos do seu tempo que não sabiam que não há lá em cima nem cá em baixo, pois a Terra está rodeada apenas de atmosfera e vagueia pelo Universo acoplada ao Sol que lhe dá VIDA…

A relação de Jesus com Maria Madalena parece situar-se ao nível da predilecção pelo discípulo amado ou o amor pela família de Lázaro… Continua-se estranhando é a ausência de Maria, sua Mãe…

No entanto, é sintomático – e uma certa luta contra o machismo reinante na época bíblica – ser uma mulher a primeira contemplada com a suposta aparição de Jesus depois da sua suposta ressurreição e ser incumbida de ir dar a boa nova aos irmãos, termo que talvez, aqui, fosse mais apropriado ser substituído por discípulos.

Louvor a João que assim dignificou a mulher!

sábado, 18 de março de 2023

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 372/?

 

À procura da VERDADE nos Evangelhos 

Evangelho segundo S. JOÃO – 66/?

 – Não deixa de ser interessante o cumprimento da Escritura: “Repartiram as minhas vestes e sortearam a minha túnica.” “E foi assim que os soldados fizeram.” (Jo 19,24)

Interessante também, mas de outro modo, é a qualificação que João se atribui a si próprio: “o discípulo que Ele amava”. Várias vezes referida, coloca-se-nos a pergunta: “Como manifestava Jesus tal amor? Como viam os outros discípulos tal predilecção? Um Jesus-Deus poderia ter assim predilecções?…”

É também João o único evangelista a referir a presença de Maria, a Mãe de Jesus, junto à cruz: “Jesus viu sua Mãe e, ao lado dela, o discípulo que Ele amava. Então disse a sua Mãe: «Mulher, eis aí o teu filho.» Depois, disse ao discípulo: «Eis aí a tua Mãe.» E, dessa hora em diante, o discípulo recebeu-a em sua casa.” (Jo 19,26-27)

Realmente os evangelhos não deram grande importância a Maria na vida de Jesus. Muito menos a José, seu pai… Aliás, aqui, Maria foi para a casa de João e não da do marido José, certamente por este já não pertencer ao mundo dos vivos.

Estranhíssimo foi o próprio Jesus também não ter tido Maria presente, ao longo da sua vida pública. Pelo contrário, quando aparece, é colocada ao nível de simples ser humano, (Mt 12,46-50) ser humano de que Deus parece ter-Se servido para dar à luz o seu Filho e… mais nada.

É! E este último “Mulher…”, ali na cruz, é mesmo o total distanciamento do seu lado humano representado por sua Mãe! Pois, porque não disse, simplesmente, “Mãe…”? E teria muito mais a nossa simpatia, nós para quem a relação maternal é tão importante, tão umbilical, tão… cheia de emoções!

– “Depois disto, sabendo que tudo estava realizado, para que se cumprisse a Escritura, Jesus disse: «Tenho sede.»” (Jo 19,28)

Que perseguição aquelas Escrituras, santo Deus! Que escravidão! Que Deus que a tal obrigou o seu Filho!…

– Com a ignominiosa crucificação, os pregos rasgando-Lhe a carne, suplício aliás habitualmente aplicado pelos romanos aos que se insurgiam contra o seu domínio, veio a inevitável morte.

Não refere aqui João os factos maravilhosos que Mateus, Marcos e Lucas dizem ter acontecido, naquele momento, como o rasgar das cortinas do Templo ou o fazer-se trevas ao meio-dia até às três da tarde, o abrir-se de muitos túmulos donde saíram os mortos ressuscitados… (Mt 27; Mc 15; Lc 23) Que poderemos pensar de tal omissão? Que os factos foram simplesmente imaginados pelos outros três evangelistas, cumprindo o objectivo de divinizar o “seu” Cristo? Que João não lhes deu importância pois já não eram referidos ou lembrados, quando escreveu o seu evangelho? Mas como? Como, se ali se tocou o divino, se houve o milagre, se a Natureza “participou” na dor da humanidade, perdendo o Filho de Deus?...

quinta-feira, 9 de março de 2023

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 371/?

 

À procura da VERDADE nos Evangelhos 

Evangelho segundo S. JOÃO – 65/?

 – Seguem-se a condenação à morte, o grito da multidão - certamente também de alguns que havia pouco O aclamaram com hossanas, na sua entrada triunfal em Jerusalém - “Solta-nos Barrabás!”, a flagelação, a coroação com uma coroa de espinhos, o escárnio e as bofetadas dos soldados, o nebuloso “Ecce Homo”, “Eis o Homem” de Pilatos…

– E novamente os gritos de “Crucifica-O! Crucifica-O!” da multidão, obviamente comandada pelos sumos sacerdotes que justificavam: «Nós temos uma Lei e, segundo a Lei, Ele deve morrer porque Se fez Filho de Deus.» (Jo 19,7)

– Não teriam aqui, pelo menos alguma razão, os sumos sacerdotes? Deus, a ter um Filho, não “deveria” tê-Lo apresentado à humanidade de forma mais explícita de modo a não deixar dúvidas a ninguém de quem era realmente filho? Quem consegue compreender-aceitar que haja um Deus que inspira umas Escrituras, nas quais é previamente programada a vinda do próprio Deus, de forma romanticamente divinizada, mas com a marca da morte de expiação, na senda dos holocaustos de animais do A.T. cujo perfume era agradável a Deus? Quem não se perde nos meandros de uma odisseia divina sem… sentido? Quem???

Jesus, ao dizer-Se Filho de Deus, infringiu a Lei! E não era possível, no mesmo tempo em que infringia a Lei, dizer-Se acima da Lei, para poder infringi-la por ser Filho de Deus!… Teria de ser outra a actuação! Teria de ser outro o tempo, outro o lugar… Eliseu e outros profetas também fizeram milagres e não se apresentaram como filhos de Deus. Como queria Jesus ser reconhecido como tal?

Mas – incongruência das incongruências divinas – se fosse reconhecido como tal, as Escrituras não se cumpririam…

Estes judeus que escreveram a Bíblia não mediram todas as consequências das suas afirmações só aparentemente transparentes…

– “Jesus respondeu a Pilatos: «Não terias nenhuma autoridade sobre Mim se não te tivesse sido dada por Deus. Por isso, aqueles que Me entregaram a Ti têm uma culpa maior do que tu.» (Jo 19,11)

– Então, o poder de Pilatos veio-lhe de Deus ou dos Homens? Porquê de Deus? E que poder? Só o exercido ali sobre Jesus ou também o que exercia a mando do imperador de Roma? Ou, se quisermos, que Deus é este que dá tal poder a quem não o sabe exercer?… Quantos ao longo da História não se aproveitaram desta afirmação de Cristo para cometerem as maiores atrocidades no povo que governaram, em nome de Deus!… E continuam a fazê-lo hoje…

Enfim, que culpa tem o próprio Pilatos na morte de Cristo? Se tivesse impedido tal morte por não ter encontrado culpa alguma nele, como se teriam cumprido as Escrituras? Escrituras que ninguém pode anular, segundo o próprio Jesus Cristo: “Ninguém pode anular a Sagrada Escritura.» (Jo 10,35)?

É! A lógica escapa-se-nos completamente! E já não sabemos como “lidar” com este Deus que imiscuímos em tudo quanto é humano, não Lhe sobrando nada de… divino!…

Realisticamente, teremos de concluir que mais uma vez a Bíblia se descredibiliza completamente e que não vem de inspiração divina mas de pura inspiração humana. Que pena!

quinta-feira, 2 de março de 2023

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 370/?

 

À procura da VERDADE nos Evangelhos 

Evangelho segundo S. JOÃO – 64/?

 – O que se passou no Jardim do Getsémani ou das Oliveiras já todos conhecemos. Só referimos a pergunta de Jesus: “Não beberei o cálice que o Pai Me deu a beber?” pelo insólito de aquele Pai - Deus! - fazer tal coisa ao Filho - Deus também com ele e como Ele! Inconcebível do ponto de vista racional e emocional. Concluímos, logicamente, que era um Pai desumano. E perguntamos: "Então, seria Deus?"

– Vêm, em seguida, as idas de Anás para Caifás, depois para Pilatos. Vale a pena lembrar algumas das palavras de Jesus a Pilatos: «O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que Eu não fosse entregue às autoridades dos judeus. Mas o meu reino não é daqui. (…) És tu que dizes que Eu sou rei. Eu nasci e vim ao mundo para dar testemunho da verdade. Todo aquele que está com a verdade ouve a minha voz.» (Jo 18,36-37)

– Certamente Pilatos nada percebeu do que Jesus lhe disse. Nós percebemos e… não percebemos. Sobretudo, não percebemos claramente! E era claramente que tínhamos o direito de perceber para alcançarmos o tal Reino que não é deste mundo…

Ora, se não é deste mundo é do outro, mas não vemos como, nem onde, nem quando… Afinal, que é isso do “outro mundo”? Jesus nunca soube/quis, pôde explicar. Deduzimos que não podia, embora quisesse, porque simplesmente não sabia. Pelo menos este Jesus construído pelo velho João. 

– É fantástica a pergunta de Pilatos: «O que é a verdade?» (Jo 18,38)

– Ah, se pudéssemos, se soubéssemos responder!… Mas como, se Jesus também não soube? Se conseguíssemos entender onde realmente está a verdade, através das explicações de Jesus, a nossa ideia dele seria totalmente outra. Ora tudo o que temos não passam de interpretações, ninguém conseguindo dizer que a verdade é esta ou aquela, está aqui ou acolá… 

Por muita pena que tenhamos de o dizer, é nesta frustração que o inefável Jesus nos deixa na hora da sua partida…

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 369/?

 

À procura da VERDADE nos Evangelhos 

Evangelho segundo S. JOÃO – 63/?

 – “«Pai, aqueles que Tu me deste quero que estejam comigo, onde Eu estiver, para que eles contemplem a glória que me deste, pois Me amaste antes da criação do mundo. Pai justo, o mundo não Te reconheceu mas Eu reconheci-Te. Estes também reconheceram que Me enviaste. Dei-lhes a conhecer o teu Nome e vou continuar a fazê-lo, para que eles se amem como Tu Me amas e o meu amor esteja neles.»” (Jo 17,24-26)

– Não parece haver dúvidas de que “aqueles que Tu me deste” são apenas os discípulos que ali estavam a ouvi-Lo rezar ao Pai, depois de Judas ter saído. (Jo 13,31) A oração foi longa… Repetitiva não poucas vezes… Enigmática, quase sempre, para as nossas mentes humanas…

Já dissemos que não entendemos que glória é que o Pai deu ao Filho por O ter amado antes da criação do mundo. Este “antes da criação do mundo” volta-nos a colocar Jesus como fazendo parte da eternidade que só a Deus pertence. O que é certo é que não passa de mais uma afirmação de Jesus sem provas! E não nos esqueçamos que esta criação do mundo nos reporta ao relato bíblico da criação, todos nós sabendo que não merece qualquer credibilidade, por ser pura efabulação fruto da fantasia dos judeus da época.

Aliás, parece que as únicas provas que Jesus apresenta para nos convencer da sua descendência divina, são as suas obras ou os seus milagres cuja veracidade, como já provámos, é altamente duvidosa. Não sabemos se poderia fazer outra coisa. O que é certo é que não fez. “Mandou-nos” acreditar nele!…

É: os milagres, além de pouca credibilidade, põem-nos perante outras realidades de outros profetas antes de Cristo, que também os realizaram a fazer Fé na Bíblia do Antigo Testamento. Que fazemos então com esses supostos testemunhos do poder de Deus?

– A afirmação “Eu reconheci-Te.” que outros referem como “Eu conheço-Te.” nada de novo nos traz. E aquele amor com que o Pai O amou ou ama querendo que também os discípulos se amem de igual modo, estando Ele neles, é belíssimo… Nós é que não entendemos em que dimensão tal amor se processará…

Mas… depois de tantas palavras bonitas de Jesus, quem é que ainda não se convenceu de que há realmente um Deus-Pai, que está num Céu e que existe um outro mundo onde há uma vida eterna feliz para os eleitos do Pai? Quem? – Senão, teremos de dizer que estamos no rol dos incrédulos. E que se não acreditamos, ficamos, de certeza, fora do… sistema! Acreditando, tudo nos é possível… e até talvez a eternidade nos sorria!