terça-feira, 22 de abril de 2014

A ressurreição, mito impossível




Páscoa! E, depois de uma Semana Santa, foi mais uma Páscoa! Cristo ressuscitou, aleluia, aleluia!...

Não! Cristo não ressuscitou! Nem tão pouco houve, no seu tempo, a ressurreição de Lázaro ou de quaisquer outros, aparecendo em episódios narrados na Bíblia, sobretudo nos evangelhos. Sejamos claros e intelectualmente honestos: nunca houve ressurreição alguma na História do Homem simplesmente porque ressuscitar dos mortos é impossível! Tudo invenções, tudo narrado para ludibriar os humanos – e são quase todos, a avaliar pelos crentes de todas as religiões! – predispostos para a crença em fantasias de Céus ou Infernos depois da morte, com corpos ressuscitados de concepções as mais bizarras e estranhas que se podem imaginar!

Então, se há aleluias que não sejam do tipo “Aleluia, aleluia, Cristo ressuscitou, aleluia!”, pois é uma total e perversa falsidade. Cantem-se aleluias à Primavera, ao Sol, às flores, ao amor, aos arrulhares de aves e todos os animais que, com o cio, procuram que a espécie não se acabe. É um aleluia à VIDA! É esta que se deve celebrar, sem crendices, sem metamorfoses de mortos ressuscitados com corpos gloriosos que falam, comem, bebem, gesticulam – só lhes faltando dizer que precisam de ir às toiletes!!! – como nos é narrado nos evangelhos em comportamentos atribuídos a Jesus, a quem chamaram de Cristo e a quem ressuscitaram…

Já, em textos atrás publicados, argumentámos/provámos como é impossível a ressurreição da pessoa morta, dispensando-nos de os repetir aqui e agora. Aliás, constata-se, quando se lêem os argumentos dos teólogos católicos a “provarem” a veracidade da ressurreição de Jesus, que se fica com um enorme vazio na alma e na razão, parecendo impossível como gente que deveria ser intelectualmente honesta não quer ver a incongruência e a fragilidade das suas argumentações. Ao menos que admitissem os 50% de hipóteses de tais supostos factos serem realmente suposições, atendendo aos argumentos invocados pela outra parte…

Mas… não podemos ignorar uma grande realidade: as religiões cristãs estão aí vivas, contando cerca de 2 mil milhões! E, admitir uma pequena dúvida que fosse sobre a ressurreição de Jesus, seria decapitar o cristianismo já que a ressurreição é a base de toda a Fé cristã. Por isso…, melhor mesmo para as igrejas é fazer tabu das análises críticas que há muito se vêm fazendo dentro e fora delas. Até quando? – Não sabemos. Temos é a certeza de que um dia o homem perderá os seus mitos. E a perca deste acabará com as religiões cristãs. Um bem? Um mal? Ficará o mundo melhor? Pior? – São perguntas de difícil resposta. Mas que se cometem muitos crimes contra inocentes por crenças em mitos, ninguém o contestará.

Resta-nos uma outra certeza: as religiões – mormente as cristãs – com as suas crenças levaram à criação das obras mais sublimes que se criaram em todos os ramos das artes, sobretudo na música e na pintura. E essas obras perdurarão pelos séculos dos séculos, para gáudio dos nossos sentidos…

E, como importante é o sorriso, para todos, BOAS FESTAS PASCAIS, ENQUANTO HOUVER PÁSCOA!


quarta-feira, 16 de abril de 2014

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 15/?




À procura da VERDADE no livro do Génesis - 9

- Que “liberdade” aquela de Labão ao dar, de noite, a Jacob, a sua filha
Lia - a mais velha - para que dormisse com ela, em vez de Raquel - a mais
nova - e que era a preferida de Jacob!… Razões?
“Nesta terra, não é costume que a mais nova se case antes da mais velha.
Termina esta semana de núpcias e eu te darei também a outra (…).”
(Gn 29,23-27)
- Em vez de uma… duas! Assim sempre era mais célere o bíblico “crescei
 e multiplicai-vos!” E não se ficou por ali! É que a bela Raquel continuava
estéril e disse a Jacob: “Aqui está a minha serva Bala. Une-te a ela para
que ela dê à luz (…). Assim terei filhos por meio dela.” (…) e Jacob uniu-se
a Bala. Bala concebeu e deu à luz um filho (…) e gerou um segundo filho (…).
E… ainda mais!!! “Lia, vendo que não tinha mais filhos, tomou a sua serva
Zelfa e deu-a por esposa a Jacob. Zelfa (…) gerou um filho (…) (Gn 30,1-12)
E tudo abençoado por Deus! Não era preciso criar um povo eleito? E
é dos doze filhos de Jacob que nascerão as doze tribos de Israel! É uma
história bem arquitectada de um povo para um povo, estando Deus sempre
por perto, directamente ou através dos seus anjos. (Gn 31,11-13)
- Os anjos! Quem teria “inventado” tão simpáticos seres, mensageiros de
Deus, servidores de Deus, cantadores de Deus?
- Imagina-te a imaginar o céu! Há três mil anos ou… em dias de hoje,
impregnada de toda uma cultura bíblica, romana, helénica, com todos os
seus deuses, o seu Olimpo… Como o imaginarias? Não poderia bem ser um
Deus no seu trono sentado, cheio de poder e majestade, servido por miríades
de anjos, cantando em coros ou agrupados em ordem de batalha,
prontos para qualquer guerra que se vislumbrasse no horizonte celestial?
E ainda outros pelotões, sempre ansiando por uma ordem de Deus, a
quem chamaram arcanjos, querubins ou potestades, por certamente
privarem de mais perto com o Altíssimo a quem serviriam em baixelas
de ouro e platina, todas as iguarias que Lhe dariam prazer? E não seria
uma espécie de Reino celestial, onde há um Rei e Senhor com os seus
nobres e vassalos, plebeus e soldados e… servos da gleba, tal como
num qualquer reino terrenal? E não teria sido exactamente uma
fértil imaginação de algum autor “inspirado”, de há cerca de três mil
anos, que tal visão concebeu, como nós a estamos concebendo agora?
- E Lúcifer? Porque teria sido “inventado” juntamente com todos os outros
diabos que andam por aí à solta?
- O Homem sempre teve dificuldade em compreender o MAL. As forças
do MAL parecem mesmo existir! É de tal maneira óbvio que nós não
conseguimos libertar-nos delas! E são dores, doenças do corpo, doenças
da alma, perversidades, sacanices, ódios, mortandades… Como
compreender tudo isto em emanações de Deus que são todos os
seres existentes, não sabendo nós se foram criados ou se existem desde
sempre - tal como Deus-Criador - e apenas vão mudando de
forma em forma, nada se produzindo realmente de novo debaixo do
Universo?
- É! Um Lúcifer, um Anti-Deus, um Príncipe das Trevas ou do Mal, um
Diabo fazia jeito para tal explicar. Ora aí está a imaginação do nosso
autor “inspirado” a “inventar” a solução! E não pensando sequer que Lúcifer,
a ter sido criado por Deus, não poderia ser intrinsecamente mau, porque
senão negava a própria essência de Deus-Criador que, por ser o Bom ou
o Bem nada de mau poderia ter criado, fá-lo revoltar-se contra o seu
Criador, querendo ser igual a Ele e, como Deus só há um, lá vai ele para
as profundezas do inferno que, afinal, será ele próprio ou a visão da sua
face, tal como o céu será a visão da face de Deus, já não sabendo nós que
fazer daquele local de fogo, onde há choro e ranger de dentes, que é pura
linguagem metafórica, mas a que o próprio Cristo recorreu, certamente à
falta de melhor, para fazer passar a sua mensagem de solidariedade e
de fraternidade universais aos corações empedernidos do seu tempo!
Talvez que com o temor do fogo do inferno…

- Os anjos! Realmente para que precisa Deus de… anjos?!!!

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 14/?




 
À procura da VERDADE no livro do Génesis - 8

 
- E que dizer das filhas de Lot que, por não terem maridos - Coitadas!
Rodeadas por uma cidade inteira de gays que, ainda por cima, foram
exterminados… - embriagaram Lot para com ele se unirem e assim
perpetuarem a descendência? “(…) assim, daremos descendência ao
nosso pai.” (Gn 19,32)

- E que dizer também das confusões que Abraão engendra por causa de
sua mulher, Sarai, que, por ser muito bonita, e por receio que o matem,
ele apresenta como sua irmã, no Egipto, primeiro (Gn 12) e de novo ao
rei Abimelec (Gn 20), havendo logo pretendentes a tal beleza, enviando
Deus, devido a tal “pecado”, pragas ao Faraó e tornando estéreis
todas as mulheres de Abimelec e seus servos? Repetimos a pergunta de
há pouco: “Porque sanciona Javé uma mentira e - pior! - castiga, com
tamanhos castigos, a quem teve legítimos desejos de possuir uma
tal beleza, apresentada como descomprometida”?

- Estranha, muito estranha é também aquela prova que Javé impõe
a Abraão, obrigando-o a decidir-se a imolar o seu próprio filho Isaac,
oferecendo-o em holocausto, salvo apenas no último momento:
“Não estendas a mão contra o menino! (…) Agora sei que temes a
Deus (…).” (Gn 22)

- Com Abraão, começa a verosimilhança histórica, contrapondo-se ao
“intemporal” da criação, a um ingénuo “No princípio…”. Que pensar
desta passagem do de fora-do-tempo ao tempo, do não-datado ao datado
da história de um povo nómada que se organiza com os patriarcas?

- “Juro por Mim mesmo, palavra de Javé: (…) porque não me recusaste
o teu filho único (…), multiplicarei os teus descendentes (…) (que)
conquistarão as cidades dos teus inimigos.” (Gn 22,16-17)

- Repetimos: Que Deus é este que jura… e que incita à conquista das
cidades dos outros? Foi com este Deus que Maomé aprendeu a incitar à
guerra santa os seus seguidores e que, agora como outrora, espalham o
terror em nome de Alá e em nome do mesmo Alá levam crentes à imolação
da vida por uma causa dita nobre, suicidando-se com estragos nas fileiras
dos chamados inimigos?

- E que moralidade se pode tirar do engano que Jacob e sua mãe fazem a Isaac,
seu pai, roubando a bênção do seu irmão Esaú? (Gn 27) Ou ainda o
evitarem os israelitas ligarem-se a mulheres estrangeiras para não
comprometerem a pureza do sangue e da fé? (Gn 28) Racismo? Xenofobia?
Apesar do engano feito por Jacob a seu pai Isaac, Javé diz-lhe, em sonhos:
“Eu estou contigo e proteger-te-ei para onde quer que vás.” Ao acordar,
Jacob responde a Deus: “Se Deus estiver comigo e me proteger (…) então
Javé será o meu Deus, (…) e eu dar-Te-ei a décima parte de tudo o que
me deres.” (Gn 28,15-22) Será que vem desta data o cobrar o dízimo ainda
hoje reclamado por tantas igrejas aos seus fiéis? Não é claro que Jacob
apenas devolve a Deus a décima parte daquilo que dele receber?!!!
Enfim, como entender este "comércio" com Deus, falando tu-cá, tu-lá com
Ele? Simbolismo, fantasia, sonho? - Tudo, menos a prova de um Deus
realmente Deus, o Absoluto, o Eterno, o Infinito!


quarta-feira, 2 de abril de 2014

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 13/?

 
 
À procura da VERDADE no livro do Génesis - 7
 
- “A aliança que faço contigo é esta: serás pai de muitas nações (…).
Circuncidai a carne do prepúcio. Este será o sinal da aliança entre Mim
e vós. (…) (Gn 17,4-11)
- É um sinal sagrado de uma aliança ou simples medida de higiene, tal
como o Corão proíbe aos Muçulmanos a carne de porco talvez porque
facilmente deteriorável em climas desérticos? Colocar tal “ordem” na
boca de Javé não lhe dará força de “Lei divina” tornando-a mais
obrigatória e mais facilmente cumprível por todos os hebreus?
 - “Os homens partiram e foram para Gomorra enquanto Javé permanecia
com Abrão.” (Gn 18,22)
- E Javé permanecia com Abrão, em amena cavaqueira sobre quantos
justos haveria em Sodoma e Gomorra, passando de cinquenta a quarenta
e cinco, a quarenta, a trinta, a vinte, a dez…, mas parece que nem dez
justos por ali havia!…
 - “Então Javé disse: O clamor contra Sodoma e Gomorra é muito
grande e o pecado deles é muito grave.” (Gn 18,20)
- Que pecado? É deste “pecado” que vem o termo “sodomia”. Então…
- “Ao anoitecer, os dois anjos chegaram a Sodoma. Lot (…) levantou-se
para os receber (…) mandou cozer pães (…) e eles comeram. Ainda
eles não se tinham deitado, quando os homens da cidade rodearam a casa.
Eram os homens de Sodoma, desde os jovens até aos velhos, o povo
todo, sem excepção. Chamaram Lot e disseram-lhe: Onde estão os homens
que vieram para a tua casa esta noite? Trá-los para termos relações com
eles. Lot veio à porta e, fechando-a atrás de si, disse-lhes: Meus irmãos,
peço-vos: não façais esse mal. Vede! Eu tenho duas filhas que ainda são
virgens, eu vo-las trarei: fazei com elas o que achardes melhor. Não
façais nada a estes homens (…). (…) Então Javé fez chover do céu enxofre
e fogo sobre Sodoma e Gomorra; destruiu essas cidades e toda a planície (…).”
(Gn 19,1-8 e 24)
- Alegrem-se os gays de todo o Planeta! Já nos tempos bíblicos havia
cidades inteiras de outros que gostavam do mesmo que vós! “O povo todo”!…
Mas… porque é que Javé disse ser o “pecado deles muito grave”? Porque é
que arrasou com enxofre e fogo tais cidades? Para lhes acabar com a raça?!
Se era essa a intenção,… vós, gays, sois testemunhas de que não conseguiu
tais intentos!!! E eles, tal como vós, nada quiseram com as jovens virgens
que Lot ali lhes ofertava… Que desperdício!… Mas… ser gay é assim um
pecado tão grave? Tais palavras colocadas na boca de Javé não lhe conferem
maior força de condenação? E o castigo tremendo que envia a Sodoma e
Gomorra não é para ser tido por todas as gerações vindouras como exemplar?
Então, à luz da Bíblia, que havemos de fazer com as comunidades de gays?
Destruí-las com fogo e enxofre à moda de Javé da Bíblia de há três mil anos?
Como é possível que nós sejamos mais humanos que o próprio Javé e
permitamos que todos vivam, cada qual com as suas tendências - que a
Natureza nem sempre se apura na especificação dos sexos e tendências sexuais?
Como? Mais uma vez bem parece que foi o autor “sagrado” que, sentindo
repulsa pela inversão sexual que se manifestava, e parece que abundantemente,
tal cenário inventou para que essa “raça” não proliferasse e muito menos
fosse aceite ou implementada na sociedade!
- Afinal, estes anjos eram anjos ou… eram homens? Os anjos também comem?
Também têm corpo capaz de sexo para exacerbarem o apetite daqueles
habitantes de cidades constituídas só por gays? Lá que tenham aspecto de
homens…, mas agora estômago para receberem alimentos e sexo para…
Enfim, simbologias! Ou... fantasias que apenas descredibilizam alguma
suposta divindade que pudesse existir neste livro dito sagrado!

domingo, 30 de março de 2014

Astronomia versus Astrologia

Desculpem, mas sempre que ouço - o que é raro! - programa televisivo ou me chegam prospectos anunciando curandeiros, astrólogos e outros charlatães, sinto a necessidade irresistível de denunciar tão malfeitores da humanidade, abusando da fácil crendice das pessoas que são incultas ou não são capazes de análises críticas sobre o que ouvem de mistério, neste caso, a influência dos astros no comportamento e na "sorte" de cada ser humano, através dos famosos signos. Obviamente, uma burla qualificada!!!
Há vários sites na Internet (via Google) que dão exactamente pelo nome "Astronomia versus Astrologia", explicando na perfeição todo o engodo que os astrólogos colocam no seu suposto saber para convencer as pessoas que os consultam e assim, ganharem, facilmente a vida. Abstenho-me, por isso, de me alongar.
Refiro apenas o artigo, de Janeiro último, do Dr. Marinho Lopes, do qual destaco:

"Como é possível que uma suposta ciência que obtém os seus resultados através da posição dos astros, ignore por completo que estes já não estão no mesmo sítio que estavam há milhares de anos atrás?
zodiaco
Os nomes estão em brasileiro, mas dá para perceber que está ali uma constelação entre Escorpião e Sagitário – Ofiúco - mais uma que se deveria ter em conta.
 
A questão é tanto mais bizarra quanto mais a Astrologia - deveria escrever-se com minúscula! - não tem em conta as últimas descobertas da Ciência ou da Astronomia: as estrelas que compõem as diversas constelações nada têm a ver umas com as outras em termos de tamanho ou de distância à Terra em anos-luz, umas estando a umas centenas de anos-luz, outras a muitos milhares ou mesmo milhões, não podendo ter qualquer influência electro-magnética sobre a Terra e os seres que nela habitam. As figurinhas que formam são apenas casuais...
Termino como sempre: cada um é livre de acreditar no que quiser ou no que lhe der jeito para viver bem a vida. E se a astrologia satisfaz esse objectivo, então que continue a alimentar os charlatães que vivem à custa de tal crendice!
 
 
 

terça-feira, 25 de março de 2014

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 12/?

 
À procura da VERDADE no livro do Génesis - 6
 
- “Noé embriagou-se e ficou nu dentro da tenda. Cam, o antepassado de
Canaã, viu o pai nu e saiu para contar aos irmãos. (…) Quando Noé
acordou (…) disse: Maldito seja Canaã. Que ele seja o último dos
escravos dos seus irmãos.” (Gn 9,20-25)
- Afinal que justo é este - o único que mereceu ser salvo do dilúvio - que não
perdoa ao filho pequena falta e amaldiçoa-o ali e à sua descendência?
É certamente esta Canaã, a Terra Prometida, mais tarde conquistada
pelos hebreus. Foi a conquista e destruição o cumprimento desta velha
maldição do “justo” Noé? E não será este episódio mais um para ensinar
ou “domesticar” o povo, obrigando, neste caso, os filhos a total respeito
aos pais, mesmo em situações menos próprias?
 
- Também é curiosa a explicação - fraca explicação! - para a diferença das
línguas existentes à face da Terra: a dispersão por toda a Terra dos
construtores da torre de Babel: “O mundo inteiro falava a mesma língua (...).
Disseram: Vamos construir (…) uma torre que chegue até ao céu. (…) Então,
Javé (…) disse: Eles (…) falam uma só língua. (…) Agora nenhum
projecto será irrealizável para eles. Vamos descer e confundir a língua
deles (…) Por isso, a cidade recebeu o nome de Babel (…)” (Gn 11,1-9)
- Mais uma vez, um Deus receoso do Homem… Mais uma simbologia
conjugando o poder de Deus e a maldade dos Homens. Afinal, o dilúvio
não foi suficiente para lavar essa maldade! Então, para que serviu? Não sabia
Deus, na sua omnisciência, que era inútil?
 
- Muitas gerações passadas, aparece Abrão. “Javé disse a Abrão: Sai da
tua terra (…) e vai para a terra que eu te mostrar. (…) Abençoarei os que
te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem. (…) Ergue os
teus olhos. (…) Eu dar-te-ei toda a terra que estás vendo, a ti e à tua
descendência. (…) Abrão (…) perseguiu os inimigos (…) derrotando-os (…)
(Gn 12-14)
- Tudo o que acontece ao povo de Israel ou aos seus inimigos é Javé
que ordena. Uma vez, “Javé feriu o Faraó (do Egipto) e sua corte com
doenças graves (…)” (Gn12,7), por terem levado para o palácio a
bonita Sarai, mulher de Abrão que, temendo que o matassem, disse aos
egípcios que a bonita Sarai era sua irmã.
- Teria Javé aprovado tal mentirinha de Abrão, humanamente tão aceitável?!
De qualquer modo, sente-se tremenda injustiça em tamanho castigo, pois
que mal há em se cortejar e desejar uma mulher bonita que se desconhecia
ser já mulher de outrem? Que Javé-Deus é este que a uns inspira “mentiras”
para salvarem a pele, a outros manda graves doenças, sem mal algum
terem feito em consciência de “pecado”?
- Com Abrão, começa a história do povo de Israel, sempre com Javé a
determinar os seus passos. E tudo o que acontece a esse povo ou aos seus
inimigos é Javé que ordena. Como será este falar de Javé-Deus com Abrão?!
Face a face? A mesma pergunta poderíamos fazer a respeito do falar de
Javé com Adão, Eva, a serpente, Abel, Caim, Noé… E, pela primeira vez,
aparece um anjo! “O anjo de Javé encontrou Agar, (…) escrava de Sarai
(mulher de Abrão, bonita mas estéril). E disse-lhe: (…) “Eu farei a tua
descendência tão numerosa que ninguém a poderá contar.” (Gn 16,7-10)
É que Sarai havia dito a Abrão: “Javé não me deixa ter filhos: une-te à
minha escrava para ver se ela me dá filhos.” (Gn 16,2) E Abrão aceitou
a proposta… Que “belos” tempos! Deus Javé andava mesmo entre os
homens, ali falando, ali ordenando, ali… sempre omnipresente! Mas…
quando teria Ele criado os anjos? É: toda a suposta “divindade” destas
histórias faz-nos, pelo menos, sorrir…

quarta-feira, 19 de março de 2014

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 11/?



À procura da VERDADE no livro do Génesis - 5

 

- “Javé viu que a maldade do Homem crescia na Terra… e disse: Vou
exterminar da face da Terra, os homens que criei juntamente com os
animais, os répteis e as aves do céu porque me arrependo de os ter feito.”
(Gn 6,5-7)

- Deus amaldiçoando…, Deus arrependendo-se…, Deus exterminando
os outros animais por causa do Homem…, parece muito à semelhança
do Homem este Deus!!! Um Deus humanizadíssimo! Pois, que Deus é este
que se arrepende e… se vinga, exterminando? E aí vem a história de Noé
e da sua arca, arquitectada até ao pormenor por Javé-Deus, onde meteu,
por ordem do mesmo Javé, um casal de todos os animais existentes, para
os salvar do dilúvio que inundou a Terra durante cento e cinquenta dias.
Esqueceu-se o escritor bíblico dos peixes e outros animais marinhos que
certamente bem se divertiram nas águas!…

- “Conhecemos versões orientais de dilúvios com pontos de contacto
com a narrativa bíblica. Beberam certamente na mesma herança cultural:
a recordação de uma ou várias inundações desastrosas que a tradição elevou
à dimensão universal. Aqui, é episódio de alcance simbólico.”
(Notas a Gn 6,9-7,5) (ibidem)

- Para nós, a mesma pergunta: “Que fazemos com toda esta simbologia?
Porque há-de ter credibilidade “divina”, “bíblica”, um fenómeno tão natural
e tão frequente à face da Terra, como as inundações?”

 - “Noé construiu um altar a Javé (…) e ofereceu holocaustos (…). Javé
aspirou o perfume e disse consigo: (…)“Nunca mais amaldiçoarei a Terra (…)
Nunca mais destruirei todos os seres vivos como fiz.” (Gn 8,20-21)

- Deus a arrepender-se de ter criado, a vingar-se exterminando, a arrepender-se
de ter exterminado, ao aspirar o perfume do holocausto… Que Deus,
Santo Deus, este que além do mais “gosta” de aspirar o perfume de vítimas
em holocausto!!! E Deus fala a Noé - o único justo daquele tempo! - dizendo-lhe,
pormenor a pormenor, das razões do extermínio do Homem, as dimensões
“exactas” da arca (que irrisórias e insensatas para tanto ser vivo caber lá
dentro!… e durante quarenta dias de dilúvio mais os dias que a terra demorou
a secar!…), quem entraria na arca, o “sejam fecundos e se multipliquem na
Terra”, após a saída… Como falou Deus a Noé? Em sonhos? Por
inspiração? Como temos de estar continuamente com a simbologia na mente
e o credo no coração, sem nada entender!

- E que dizer do facto de Deus ter feito do arco-íris o sinal da sua aliança
com Noé: “Quando o arco-íris estiver nas nuvens, Eu vê-lo-ei e lembrar-me-ei…
que este é o sinal da aliança que estabeleço com tudo o que vive sobre a Terra.”
(Gn 9,16-17)?

- É, pelo menos, mais uma bela inspiração do poeta que continua atribuindo a
Deus, o que é próprio, e bem próprio, do Homem! De divino, nada!