sábado, 30 de junho de 2012

Apresentação da Nova Religião (4/7)

Continuamos, transcrevendo:
    «Orações? – Novas orações, obviamente. Ao Deus com quem partilharemos momentos de prazer para ser ainda maior o prazer, mas também momentos de dor para que a dor seja mais leve, mais fácil de levar. Ao Deus de que todos fazemos parte, a quem agradeceremos, ao fim do dia, mais um dia de vida que tivemos, que bendiremos por nos trazer a noite e o descanso, pedindo-Lhe que não nos abandone ainda no dia seguinte e no outro e no outro, até termos a percepção que não é por “vontade” d’Ele que não podemos continuar vivos, mas porque a integração no Universo nos chama inexoravelmente. Aí, tendo-se esgotado o nosso tempo, abriremos os braços, fechando os olhos, ainda agradecendo o termos tido, um dia, vida, e partiremos sem azedume, sem tristeza de nós ou dos que nos foram próximos, sendo ainda capazes, o corpo já se desvanecendo, de um sorriso de paz e de reconciliação com o mundo que nos viu nascer, crescer e ali morrer… para sempre! Nada de choros, nada de funerais, nada de cemitérios! Apenas belas canções, embora aqui de alegrias contidas, pois será também anti-humano perdermos alguém do nosso convívio e desatarmos em esfuziantes gargalhadas de contentamento… Mas haverá sempre que rezar ao Eterno Desconhecido porque rezar faz bem à alma carente de certezas quando não de afectos e solidariedade. E quem senão Ele para colmatar tal necessidade? Aliás, seria bem mais simpático se fosse Eterno sem ser Desconhecido, podendo nós ter um alguém com rosto a quem dirigíssemos tais preces... Mas reconhecemos que, ontologicamente, seria um Deus impossível: no momento em que o fosse deixava de o ser; e nós, tendo a realidade que temos, sendo a matéria que somos, não devemos querer o impossível!
    Um exemplo de oração? – “Bendizei a Deus porque Ele é a nossa energia, a nossa luz, a nossa vida: Ele está em nós e cada um de nós está n’Ele. Bendizei-O ao deitar porque o dia chegou ao fim! Bendizei-O ao acordar porque um novo dia se começa! Bendizei-O sempre e em toda a parte porque Ele é eterno e infinito, existindo desde sempre e para sempre!” E haverá orações-poema para cada festa! Cânticos de suaves melodias ou de toques de trombeta se a tanto a festa convidar! Um desafio a todos os mentores religiosos do mundo: sheiks, imãs, gurus, rabinos, padres, sacerdotes, pastores, bispos, cardeais, papas. Todos convidados a participarem nesta religião da Verdade e a deixarem as suas religiões de fantasia. Todos a trazerem o que de bonito, em ritos e cerimónias, em cânticos e rezas, em bíblias e credos, em evangelhos e deuteronómios, existe nas suas religiões. Claro, sem os seus fundamentalismos e os erros, alguns bem grosseiros à luz da razão, de que enfermam esses credos e bíblias, evangelhos e deuteronómios. É que Verdade totalmente credível só há uma – esta! – embora todas as religiões tenham algo desta Verdade.» (Cont.)

domingo, 24 de junho de 2012

Apresentação da Nova Religião (3/7)

Continuamos, transcrevendo:
....«Festas? – Festas o ano inteiro! Não a santos que os não haverá, mas sempre e só a Deus e às suas manifestações: festas das flores, das árvores, dos animais, da fertilidade, do renovar-se da vida em tempos de Primavera; festas do Sol, do calor, da água, das colheitas, das frutas e legumes em tempos de Verão; festas das vindimas e do vinho, dos figos e tâmaras, nozes e amêndoas e das folhas caindo em tempos de Outono; festas da chuva, do gelo, do nevoeiro, do frio, dos citrinos em tempos de Inverno; a grande, a magnífica festa do renascer do Sol no solstício do Inverno, como era tradição nos antigos com os seus deuses solares que vinham em cada ano inundar de vida a Natureza. E ninguém perderá o seu Natal cheio de canções ao “Menino-Deus”, com todas as ternuras tão próprias das crianças! Ninguém perderá nenhuma das Carols Christmas como o Silent Night, o We wish you a merry Cristmas, o O come, all ye faithful – tradução para inglês do Adeste fideles atribuído ao rei D. João IV de Portugal – todos os Gloria in excelsis Deo que se quiserem cantar! Ninguém perderá prendas, compras, azáfamas stressantes da volúpia do escolher, do adivinhar, do comprar, do oferecer, continuando todos a serem levados, quer queiram quer não, na onda-avalanche que invadiu como tsunami as sociedades modernas de consumo, a todos se desejando, tantas vezes apenas por dever de ofício, “Boas Festas!”, abarrotando as crianças de prendas, os adultos de comezainas e bebedeiras, chorando lágrimas de crocodilo mas nada ou pouco fazendo pelos muitos milhões que morrem de fome por esse mundo fora, sobretudo exactamente as que mais perto estão do Natal: as crianças! Mas certamente com a nova religião tais escândalos não se produzirão nas consciências e todas as festas serão cheias de significado social, genuíno e fraterno, festas sempre esfuziantes, cheias de luz, calor e som, inundadas de gloriosas orações. O Natal continuará, assim, a ser a festa das festas! Comemorando, claro, não o nascimento de um menino a quem se chamou Jesus Cristo, nascido numa suposta gruta em Belém de Judá, mas um Natal de toda a gente, com um presépio em forma de berçário, um pai universal, uma mãe universal, um menino universal, decorações de brinquedos que bem poderão ser as forças e as belezas da Natureza representadas em animais, estrelas, árvores, sementes e flores, todos sendo filhos de Deus – nelas, o Sol que é apenas uma pequena estrela com os dias contados como qualquer mortal, embora vivendo os seus quinze mil milhões de anos – um Natal da própria VIDA que renasce em cada morte, seja aqui na Terra que conhecemos, seja nos totalmente desconhecidos confins do Universo!... Mas muitas outras festas serão possíveis no mundo da fraternidade universal: a festa dos pais, das mães, dos avós, das crianças...; a festa das mulheres, dos homens, dos jovens...; a festa dos maridos obrigados a desmesurada paciência, das mulheres escravizadas, das crianças maltratadas (enquanto tais abusos houver e, obviamente, com o objectivo de acabar com eles)...; a festa dos que passam fome, dos que se sentem discriminados, dos sem-abrigo, dos deserdados da sorte que, nesse dia, esquecerão o desconsolo que o Destino lhes outorgou, esperando que a solidariedade universal lhes devolva a sorte perdida ou nunca tida... Tantas festas a colmatar a falta das religiões actuais, quando, reposta que for a Verdade da Ciência, forem dadas como totalmente “falidas” ou sem sentido!» (Cont.)

domingo, 17 de junho de 2012

Apresentação da Nova Religião (2/7)

Continuamos, transcrevendo: «Mentores? – Novos sacerdotes ou todos os sacerdotes existentes convertidos à RAZÃO! Voluntários. Solidários. Com grandes capacidades de magnetismo, grande poder de comunicação, o poder de hipnotizar para também “curarem” doenças do foro psicológico que afectam a humanidade, como fez Jesus Cristo a tantos epilépticos – que, por ignorância, chamavam possessos do Diabo – impondo-lhes as mãos e apelando à fé na sua cura. Ritos e cerimónias? – Música, muita música. Espectáculo. Danças e cantares. Grandiosas manifestações das energias corporais, soltares da alma arrebatada pela forte emoção de se sentir VIDA! Música para novos e velhos, crianças e adultos. Nenhuma das belíssimas composições de todos os tempos se perdendo, tudo na nova Verdade se transformando, recriando com novas letras, por exemplo, os belíssimos coros de Bach, as missas, os aleluias e até o fantástico Requiem de Mozart que servirá para celebrar cada morte, tocando-se e cantando-se o Aleluia de Haendell em cada nascimento! E, concretizando, não coarctando obviamente a imaginação de cada um poder criar e apresentar sugestões para que os actos de celebração sejam mais participados, mais comoventes, mais emotivos, dando mais prazer aos corpos e às almas dos participantes, sempre com ideias renovadas para não cristalizarem em formas feitas de aborrecida monotonia..., sugerir-se-á: dançar, dar as mãos, levantar os braços ao céu, fazer respirações profundas enchendo os pulmões de ar puro se for em local de flores ou arvoredo, espreguiçar-se lentamente, gostosamente, deitar-se no chão, se possível, descontrair todos os músculos do corpo para que a alma se liberte de pressões do stress acumulado no dia-a-dia, dar novamente as mãos e levantá-las ao céu, rezando então ao Deus em tudo e em todos presente, orações já aprendidas ou ali distribuídas para que todos possam participar, em altas vozes de descompressão total...» (Cont.)

domingo, 10 de junho de 2012

Apresentação da Nova Religião (1)

Aqui chegados, já há uma enorme vontade de, finalmente, apresentar a Nova Religião, lá atrás anunciada, Religião com maiúsculas porque baseada na Ciência e no Conhecimento, elegendo como Deus o Deus da Harmonia Universal, Deus que é TUDO, pois tudo contendo por ser infinito e eterno, sendo matéria e energia, se é que não é tudo apenas Energia que, pelas forças intrínsecas, i. é, que lhe são inerentes, se vai transformando numa multiplicidade de formas e seres cujo número é absolutamente incalculável, nada se perdendo, neste rodopiar que é o Universo (ou Pluriverso?), passando do mesmo ao mesmo através do diverso... E nós, metidos nesta engrenagem, durante o tempo que – que privilégio, Santo Deus de todos os deuses! – nos foi concedido para desta Beleza desfrutarmos! Ah, como seremos insensatos se nos apegarmos às pequenas-mesquinhas coisas e não olharmos para a grandiosidade do Universo, Universo que é o próprio Deus, pois tudo leva a crer que seja infinito e eterno – atributos de que só Ele poderá arrogar-se! Universo enigmático e cheio de mistérios para o Homem actual, pese embora o muito que já dele se descobriu, passando do caos do Big Bang à ordenação fantástica de estrelas e galáxias, tudo obedecendo a forças gravitacionais, certamente originadas dentro do próprio caos. Mistério, obviamente! Ou mais uma manifestação do próprio Deus que ele também é?!... A ambição do blog, depois desta apresentação, será confrontar a nova Religião com todas as outras existentes à face da Terra, com a análise crítica de todos os livros ditos sagrados, ditos inspirados por Deus, ditos, por isso, inquestionáveis, supostamente contendo a Verdade da Vida e do fim último do Homem. Todos! Da Bíblia (incluindo a Tora judaica) ao Corão, aos Vedas, às ideias budistas, aos mitos e mitologias antigas e actuais. Tudo desmistificando, toda a sua suposta sacralidade “destruindo”, se quiserem um termo mais realista! É que, como já provámos aqui (textos de Maio 2011), o Deus que nos apresentam (ou deuses!) não pode(m) existir. E vamos à Nova Religião! (Para quem quiser ter já todo o texto da sua estruturação, poderá consultar o livro “Um Mundo Liderado por Mulheres”, onde lhe foi dado corpo, crendo que, para construir um Mundo Novo, a Fraternidade Universal, sob a liderança feminina, seria absolutamente necessária esta Nova Religião, por aglutinadora de toda a sabedoria humana, já que a divina simplesmente não existe, nunca existiu!) Transcrevemos: «Cometerá o mais nobre acto de inteligência aquele que, constatando que só no culto da Verdade a Vida tem sentido, adoptar para si esta RELIGIÃO, uma religião sem Fé, sem Céu, sem Inferno, sem Diabo, sem eternidade... mas com um Deus que dia a dia é descoberto ou redescoberto pela Ciência, o Deus realmente verdadeiro que se manifesta em todas as coisas e não se esconde como o de Moisés da Bíblia numa sarça ardente, o de Cristo num céu de fé, o de Maomé num Paraíso totalmente fantasiado. Objectivo último da nova religião? – Ligar-se com esse DEUS DA HARMONIA UNIVERSAL e celebrá-lo em pequenas ou grandes assembleias que encham igrejas, mesquitas, sinagogas, todos os templos do mundo, mesmo as novas catedrais que são os estádios ou os grandes recintos de espectáculos. Pelo menos, aos domingos! Celebrá-lo como o DEUS realmente existente, o Deus que é átomo e é estrela, é Homem e é Universo, é o conhecido e o desconhecido, é o animado e o inanimado, é TUDO O EXISTENTE, nada fora d’Ele existindo porque, se não, deixaria de ser o TUDO que Ele é... Celebrá-lo nas suas manifestações, como o frio, o calor, a chuva, o Sol, todas as forças da Natureza que condicionam o quotidiano do ser humano, sem, no entanto, divinizar nenhuma delas, nem tão pouco o Sol como fez o Homem desde a mais remota antiguidade, criando os deuses solares, neles o Jesus Cristo se integrando, renascendo em cada solstício de Inverno, apelando à vida em Páscoas floridas... Celebrá-lo na maior de todas as manifestações divinas: o AMOR, em festas à mãe, ao pai, ao irmão, ao noivo, à noiva, a todos os vivos, desejando que todos tenham uma longa e bela vida e que aceitem sem frustrações a sua integração universal quando a vida forçosamente se lhes acabar. E isto sem nada destruir de antigos templos, sinagogas, mesquitas, igrejas ou catedrais..., sem nada perder das muitas bonitas tradições de cerimónias, ritos e comemorações que entusiasmaram e entusiasmam multidões alienadas, embriagadas pela fé, ou encheram de magia a nossa querida infância! Para tanto, criar-se-ão novas cerimónias imitando ou adaptando as antigas, não perdendo delas a magia, o encanto e o mistério, continuando a alimentar a fantasia não só das crianças, mas também dos jovens, adultos e velhos, tais como a sagração da Primavera, do Verão, do Outono, do Inverno, das estrelas, do firmamento,… numa infinidade de ritos fantásticos, privilegiando-se o de comer o pão e beber o vinho em honra do “Deus-Sol”, Sol que parece ressuscitar todos os anos do escuro Inverno, desabrochando em vida na exuberante Primavera! Mas nada, absolutamente nada tendo a ver com o deus ou os deuses que os Homens inventaram à sua imagem e semelhança. E os velhos espaços de encontro não mais serão tristes ou escuros, sombrios e tétricos, mas inundados com abundância de luz e de som, trombetas de alegria iniciando as cerimónias!» (Cont.)

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Deus não brinca com os Homens!

Sejamos, de uma vez por todas, sérios e intelectualmente honestos! E tenhamos coragem de enfrentar as consequências das nossas afirmações! E esta afirmação é da maior importância tanto para a racionalidade do Homem como para a definição de Deus, segundo as religiões: Ser Eterno e Omnipotente, Omnisciente, Misericordioso! Para a racionalidade do Homem, é inconcebível um Deus que joga às escondidas, joga com os mistérios, joga com a confusão, joga com as fantasias, joga com a incapacidade do Homem em compreender e abarcar toda a realidade que o rodeia: a Vida, o Universo, o Pós-vida. Atendendo à definição de Deus, é inconcebível que na sua omnisciência não seja capaz de se tornar claro, “falando” claro nas mensagens que revelaria ao Homem, se o quisesse salvar fosse do que fosse. Como veremos na apresentação da Nova Religião – muito em breve! – Deus revela-se claramente, não nos livros ditos sagrados, ditos inspirados por ele, todos cheios de confusões, quando não de libertinagem e de tremendas injustiças, com muitos mistérios à mistura, mas na Beleza e na Energia que inundam Terra e Universo. Basta abrir os olhos e a inteligência e... ver! Ou querer ver! Já escrevemos aqui sobre a impossibilidade da existência do Deus que as religiões nos apresentaram e nos continuam a apresentar, com grandes parangonas de festas da romba, peregrinações de pompas e luxos, cerimónias de encher recintos, como se fossem estádios de futebol. Aliás, é um Deus que precisa, por exemplo, de um papa que viaja com grande pompa e de pompa faz rodear a sua participação em missas solenes, gastando-se rios de dinheiro, dinheiro que faria muitos dos pobres que ali assistem não passarem fome durante semanas e meses. Mas também podíamos falar dos banhos dos hindus no Sagrado Rio Ganges, sendo um dos rios mais poluídos do mundo ou, mais massivo, da peregrinação a Meca, peregrinação a que os mentores maometanos obrigam os seus crentes, como forma de alcançarem o Paraíso. Ridículo ou asqueroso? Ou, melhor, perverso? Ou ainda melhor, desumano porque baseado em falsidades e mentiras? Ora se Deus não brinca com os Homens, quem, afinal, brinca com eles e com a sua Fé – diríamos, a sua ignorância! – são os mentores religiosos, mentores que, assim, vão ganhando a vida, de mãos lavadas e linguajar fácil, de fácil emotividade em prédicas e sermões, não tendo pejo em rebaixar a inteligência do Homem a uma Fé sem fundamento, proibindo, sob ameaça do Inferno e a perca do Paraíso, que as crenças, os mistérios – muitos! muitíssimos! (aliás, haverá alguma coisa nas religiões que não seja mistério?) – sejam discutidos e reduzidos à racionalidade, ou seja, à característica mais nobre do Homem. Ah, se o Deus das religiões existisse, como teria vergonha e castigaria sem dó nem piedade quem tão perversamente actua, a começar e a acabar no papa da Igreja católica, mas passando por todos os outros líderes religiosos, seja qual for a religião que defendem ou apregoam! Ah, como Jesus, a quem chamaram o Cristo, se viesse de novo, os escorraçaria do “Templo”! Sorte a deles: esse Deus não existe, como não existem todas as fantasias que vendem como Verdades inalienáveis e indiscutíveis aos seus fiéis!...

segunda-feira, 28 de maio de 2012

A lição do esqueleto

Quando estudei no liceu, havia na sala de Ciências um esqueleto, ao lado de mapas vários dos vários sistemas que compõem o nosso organismo. E foram bons auxiliares visuais de aprendizagem de como está organizada e funciona esta maravilhosa máquina que é o nosso corpo. Agora, muitos anos já passados sobre este esqueleto e estes sistemas que me enformam o corpo, vêm-me à memória aqueloutros pelos quais aprendi, com forte relevo para o primeiro. É que, despojando-me, em momentos de silêncio interior, de todas as minhas carnes – cérebro incluído! – só me resta aquele amontoado de ossos que, por falta do sistema muscular de suporte, já nem se consegue manter de pé. Visão mórbida ou de realismo puro? E esta imagem acompanha-me e faz-me pensar: é assim que serei dentro de alguns anos, quando todos estes sistemas que agora me mantêm agarrados à vida deixarem de funcionar, no todo ou em parte. Regressarei, então, à terra, donde, afinal, tudo veio, donde afinal eu vim! E ela rapidamente consumirá as “matérias de fácil digerimento”; os ossos, no entanto, sendo mais duros de “roer”, perdurarão, por isso, mais tempo no Tempo, podendo levar séculos, milénios mesmo a decomporem-se. Mas será uma questão de tempo... A lição é: se todos seremos apenas ossos, porque tanto ódio, tanto desamor, tanto stress, tanta preocupação, tanta tristeza, tanta angústia, tanta ganância, tanta vilania, tanta guerra, tanto atentado ao corpo que nos traz vivos, mas sempre pensando em dar ao mesmo corpo-carne (os ossos são um tanto ou quanto ignorados, pois indiferentes aos prazeres da vida... – aliás só nos lembramos que nos mantêm as carnes no lugar, quando alguma fractura nos deixa coxeando...) o prazer e a ilusão da felicidade, nunca sabendo realmente onde está tão desejada e tão ambicionada condicionante das nossas vidas! (Não sabes que ela está nos pequenos prazeres que, dia a dia, se renovam? – interpelarão muitos.) Mas... ossos! Apenas ossos! Dentro de alguns anos! Sempre poucos! E, cada dia, mais perto do fim! Ah, se todos os homens fossem inteligentes ao ponto de compreender que, mesmo possuindo toda a riqueza do mundo, não conseguem livrar-se de tamanha realidade! Mas não: vivemos – vivem os senhores do mundo! – como se nunca mais acabássemos, como se nunca as nossas carnes voltassem à terra donde vieram, pelo Acaso ou por Sorte, chame-se ela divina, para os crentes, ou simplesmente privilégio para os que mais gostam de raciocinar com a Ciência! E assim, damos – dão esses “senhores”! – cabo do mundo onde, um dia, tivemos o privilégio de vir à vida, esquecendo tanta coisa, sobretudo que não estamos sozinhos e que, sozinhos, não seríamos nada nem... teríamos nada!... Mas, haja esperança! Não para os da nossa geração, nem sabemos quantas gerações ainda serão necessárias para que se consiga encontrar o equilíbrio. Um dia, no entanto, virá em que a Humanidade se guie por padrões de justiça e equidade, não igualizando tudo e todos, mas cada um recebendo conforme o seu trabalho e a suas capacidades, nada de essencial faltando a ninguém! Começando logo pelo equilíbrio da espécie: quantos humanos o Planeta poderá suportar para que seja sustentável e todos tenham, ao menos, que comer, água e ar puros para beber e respirar?! Claro que a Eternidade - essa miteriosa realidade ou fantasia! - pode bem esperar...

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Mês de Maio, mês de Maria, mês de Fátima (3/3)

Mas, afinal, Maria, quem foste, quem és tu? Partamos da História para a análise filosófica do fenómeno “Maria”. Ali, por Nazaré, nos finais do primeiro século a.C., de uma mãe, Ana, e de um pai, Joaquim, nasceu uma criança do sexo feminino a quem deram o nome de Maria. Ao criar-se a religião cristã, a partir dos meados do séc. I, com Paulo a ser o seu grande mentor, embora não dando relevo à mãe de Jesus, Maria, a quem parece nunca ter feito referência (aliás, Paulo continuava com a machismo bíblico, considerando as mulheres inaptas para a pregação e para a direcção do culto ou das assembleias – vejam-se as suas cartas), teve forçosamente de ser dada importância à mãe daquele que seria feito o Cristo, o Messias, o Ungido de Deus, melhor – ou o cúmulo?! – o Filho desse mesmo Deus, de seu nome terreno Jesus. Desde a antiguidade conhecida, a tradição religiosa, cheia de deuses que têm avassalado a História o Homem, sempre impôs que os seus deuses – ora antropomórficos, ora de origem astral, ora assumindo formas de animais – nascessem de Virgens. Ora, sendo Jesus, Filho de Deus e sendo ele filho de Maria, Maria teria de ser Virgem. Logo, Maria, passou naturalmente a Virgem Maria! Tal designativo perde-se no tempo da Tradição cristã, não se sabendo ao certo quando terá sido atribuído a Maria. Muitos, aliás, confundem a tradicional virgindade de Maria com a Imaculada Conceição, ou concepção, dogma proclamado pelo papa Pio IX, em 1854, anunciando ex-catedra, (todos os católicos tendo de acreditar sob pena de serem excomungados da Igreja, pois, assim falando, o papa é infalível - outro dogma, o da infalibilidade pontifícia, proclamado pelo Concílio Vaticano I, em 1870) que Maria nascera de sua mãe Ana – Sta Ana – sem trazer consigo o estigma do pecado original, não necessitando, por isso, de ser baptizada para retirar tal estigma... Do inconcebível e quase romântico pecado original, invenção dos autores bíblicos de c. 500 a.C., não falemos mais! Só é de admirar como se faz um dogma com obrigatoriedade de crença de algo inexistente, pois os seus intérpretes – Adão e Eva – simplesmente não existiram, não passando de figuras míticas e de fábulas, como de fábula se trata o Éden ou o Paraíso onde Deus os criou e “os fez homem e mulher”, com a árvore da sabedoria e a serpente a tentar a mulher, tentando esta, por sua vez, o “pobre” do Adão..., pois todos sabemos, desde Darwin, que a existência do Homem deu-se pela evolução das espécies e não por qualquer acto de Criação divina... Mais caricata é a fórmula usada pelo evangelista Lucas para começar a implementar tal opinião: Maria, prometida a José, apareceu grávida, não sabendo este o que fazer: se aceitá-la assim, se repudiá-la, vindo, então, um anjo explicar-lhe – explicou?!!! – que Maria estava grávida por obra e graça do Divino Espírito Santo. Ora José, naquela altura, nunca deveria ter pensado em tal ser divino que assim engravidara a sua prometida. Mas, enfim, justo e temente a Deus como parece ter sido, lá aceitou o veredicto. No entanto, depois daquele primeiro nado, teve com Maria vários outros filhos, como dão testemunho os evangelhos naquilo que de histórico ainda se pode retirar deles: “Estão ali a tua mãe e os teus irmãos que te querem falar...” (Mt 12,47) O facto de Maria aparecer grávida – Maria, certamente, uma moça bonita! – pode perfeitamente atribuir-se ao abuso de algum soldado romano – o exército invasor – pois, antigamente como hoje, os invasores sempre abusaram, sem pejo e sem dó nem piedade, dos seres mais fracos dos povos invadidos: as suas mulheres. Mas Maria passou Virgem para a História do cristianismo. E tantas foram as emoções que tão estranho suposto facto causou que Maria se tornou a maior vedeta de santuários e de onomástica jamais conhecida para um ser humano. Além de “Mãe dos Homens e Mãe de Deus, ou mãe da Terra e mãe do Céu”, quantos nomes tem ela por esse mundo religioso fora? Só em Portugal, serão centenas. Ignoro se há algum estudo para apurar tal onomástica. E não vale a pena referir exemplos. O nome mais bizarro, por estranho, que parece vir da Idade Média, é o da “Nossa Senhora do Ó”, referindo-se à sua “santa e miraculosa” gravidez. Maria! E Maria pode ser o nome da nossa mãe (certamente o nome mais comum de mulher, pelo menos, em Portugal) e foi o nome da mãe de Jesus. Simplesmente!...