domingo, 4 de agosto de 2019

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 228/?


À procura da VERDADE nos Evangelhos 

Evangelho segundo S. MATEUS – 24/?

– “Raça de cobras venenosas! (…) Geração má e adúltera!” (Mt 12, 34 e 39) - chama Jesus aos fariseus e doutores da Lei.
É preciso coragem, não é? Mas o que é certo é que isso valeu-Lhe a morte! E – frustração das frustrações! - não os convenceu nem… os converteu!
– “No dia do julgamento, todos devem prestar contas de cada palavra inútil que tiverem dito. (…) Serás justificado ou condenado pelas tuas próprias palavras.” (Mt 12,36-37)
– Que julgamento será este? - voltamos a perguntar, porque é realmente intrigante. Acaso Jesus o explicou claramente? Não se limitou também a afirmá-lo assim sem mais? E nós, o que é que fazemos? Acreditamos também assim sem mais ou questionamos e… duvidamos, embora não saibamos o que fazer com as nossas dúvidas?
Haverá mesmo dia do juízo? Onde? Quando? Como? Com que corpo? Com que alma? Depois, a salvação ou condenação só pelas palavras não se entende e contradiz o próprio Cristo, em, por exemplo, Mt 5,28. É que há as obras…  E há as boas e as más intenções… há os desejos, os pensamentos, os sonhos…
É! Se eu cobiçar a mulher do próximo, mesmo sem dizer palavra… Ou se eu me comover até às lágrimas com o sofrimento alheio e ajudar anonimamente… como aliás aconselha Cristo em Mt 6… Nitidamente, parece ter havido aqui uma falha na inspiração divina de Mateus! Ou “as palavras” têm aqui outro significado, sem que possamos descortiná-lo.

– Para os doutores da Lei e os fariseus, não chegavam ainda todos os inúmeros milagres já realizados por Cristo: “Mestre, queríamos ver-Te fazer um milagre.” (Mt 12,38)
E a resposta foi… evasiva. Jesus chama-lhes “geração má e adúltera” e acrescenta: “Só lhes será dado o sinal de Jonas. Assim como Jonas passou três dias e três noites no ventre da baleia, assim também o Filho do Homem passará três dias e três noites no seio da terra.” (Mt 12,40)
No A.T. também há várias histórias de milagres. Um deles é o de Jonas que, lançado ao mar, é engolido por um peixe muito grande que, depois, o coloca na areia, por ordem de Javé, ao fim de três dias e três noites no seu ventre. (Jn 2)
A referência ao que mais tarde vai acontecer a Jesus parece evidente. Se bem que Jesus morre às três horas de sexta-feira, é sepultado nesse dia e é dado como ressuscitado no domingo de manhãzinha. Contas feitas, são apenas duas noites e três dias muito mal contados…
Santo Deus, muitos milagres se faziam naqueles tempos!… Porque é que agora não há notícia de nenhum? Não precisávamos bem deles para nos “convertermos”?
Fica a pergunta para os mais exigentes nestas críticas bíblicas…

quarta-feira, 24 de julho de 2019

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 227/?


À procura da VERDADE nos Evangelhos 

Evangelho segundo S. MATEUS – 23/?

– Mais um milagre! Cura de um possesso cego e mudo! Milagre que gera controvérsia junto dos fariseus, para quem a força do milagre, mais uma vez, não foi suficiente para ter carácter de divino! Pelo contrário: “Ele expulsou os demónios através de Belzebu, o príncipe dos demónios!” E Jesus de responder-lhes: “Se Satanás expulsa Satanás, ele está dividido contra si mesmo. Como é que o seu reino poderá subsistir? Se é através de Belzebu que Eu expulso os demónios, através de quem os expulsam os vossos filhos? (…) Mas se é através do Espírito de Deus que Eu expulso os demónios, então o Reino de Deus chegou até vós.” (Mt 12,22-28)
– Que os fariseus O não tenham aceitado, talvez se compreenda. Poderíamos era perguntar: “Porque não nasceu Jesus noutro lugar ou noutro tempo em que outra gente O acolhesse totalmente? Sendo Deus e omnisciente, sabia de certeza o que O esperava. Então, porque não fez outra opção?” Ele ou o seu Pai que O enviou…
Ao retorquir aos fariseus, Jesus admite a existência de um Belzebu ou Satanás e que este tenha um reino… - certamente o reino dos demónios… - e que os filhos daquele povo também sabiam como expulsá-los, e que… Então, quem é realmente Satanás? Que reino de demónios tem ele, onde também há um príncipe? Como é que os filhos daquele povo expulsavam os demónios? Com que eficácia? Em nome de que Espírito? Que Reino de Deus chegou até eles?
– Que nós saibamos, nunca Jesus explicou coisa alguma destas realidades, tidas como certas, sem qualquer fundamento… Depois, não se percebe porque é que Jesus não se assume como “Deus total” e diz agir em nome do Pai ou do Espírito de Deus. Não é Ele Deus? Para quê confundir-nos com mais o Pai e o Espírito, obrigando-nos mais tarde a “inventar” o dogma da Santíssima Trindade - Deus uno e trino em pessoas - logo chamado de “Mistério da Santíssima Trindade”, exactamente por tal ser incompreensível?
– “A blasfémia contra o Espírito não será perdoada. Quem disser alguma coisa contra o Filho do Homem será perdoado. Mas quem disser alguma coisa contra o Espírito Santo, nunca será perdoado, nem neste mundo, nem no mundo que há-de vir.” (Mt 12,31-32)
– Palavras tremendas, estas! Incompreensíveis também! Não é o Espírito Santo igual ao Filho do Homem, no Deus uno e trino com o Pai? Como então duas medidas de perdão? Ofendendo o Filho não se ofende também - porque são um único Deus! - o Pai e o Espírito? E o que será a blasfémia contra o Espírito? E que coisa ou coisas se poderão dizer contra o Espírito? E porque é que quem tal disser nunca será perdoado? Enfim, que mundo é esse “que há-de vir”? Alguma vez Cristo no-lo explicou? Como quer Ele que nós - seres racionais - acreditemos assim sem provas? É que nós bem quiséramos acreditar! Bem quiséramos que tal mundo existisse! E bem quiséramos saber como, quando e onde - e já nos estamos repetindo… - mas ninguém nos dá certezas da sua existência! Só afirmações, só palavras!…
– Só mais uma pergunta bem cheia de coragem: “Acaso todas estas nossas interrogações são blasfémias contra o Espírito? E… sem perdão? Nem neste mundo nem no outro? Acaso é blasfémia contra o Espírito questionar o que o nosso espírito não entende? Não é mesmo um dever divino que nos foi dado por Deus, ao dar-nos uma razão e um discernimento, pôr-Lhe tais questões? Não merece ser condenado e não perdoado exactamente quem se cala, embora não compreendendo, ou aceita simplesmente porque lhe disseram que era assim? E espera que depois da morte se faça luz, quando já nada se pode questionar ou… equacionar?”
Assim raciocinando, cremos sinceramente que se Deus nos condenasse, condenar-Se-ia a Si mesmo! E como tal não é possível… Aleluia! Aleluia! Continuaremos corajosamente à procura da Verdade! Não contra o Espírito, evidentemente! Mas… juntamente com Ele! Porque Ele é o Espírito de Verdade, da Verdade absoluta!…

sábado, 20 de julho de 2019

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 226/?


À procura da VERDADE nos Evangelhos

Evangelho segundo S. MATEUS – 22/?

– “Isto aconteceu para se cumprir o que foi dito pelo profeta Isaías: «Eis aqui o meu servo, que escolhi; o meu amado no qual a minha alma se compraz. Colocarei sobre Ele o meu Espírito e Ele anunciará o julgamento às nações. Não discutirá nem gritará e ninguém ouvirá a sua voz nas praças. (…) E as nações depositarão a sua esperança no seu nome.»” (Mt 12,17-21)
– Mais uma vez se esforça Mateus por apresentar Jesus como o servo de Javé, cumprindo-se nele as Escrituras. A nós parece-nos obsessão, de fundamento pelo menos duvidoso. Depois, as Escrituras escrevem por enigmas. As interpretações podem ser diversas. Esta catequese de Mateus pode bem não passar de uma interpretação subjectiva.
E as Escrituras do A.T. têm tanto de reprovável, apoucaram tanto Javé-Deus, humanizaram-no tanto - como já referimos noutros escritos - que não sabemos se dá credibilidade a Jesus Cristo, colocá-Lo como sendo Ele intérprete dessas Escrituras. Compreende-se que Mateus o faça. A influência e a força das Escrituras, imposta ao povo pela forte classe sacerdotal tinha de deixar marcas em judeus e primeiros cristãos provindos do judaísmo. Mas nós…
Recordamos também que essas “Sagradas Escrituras” – como concluímos na análise ao AT - nos deixaram sem qualquer prova da existência da Verdade que procuramos.
Assim – e francamente! – gostaríamos que Jesus Cristo viesse novamente à Terra. Primeiro, para nos responder a todas as dúvidas e questões que por aqui vamos formulando, acerca da sua mensagem de vida eterna num Paraíso de delícias ou num Inferno de sofrimento... Depois, sendo Deus e tudo conhecendo do passado, presente e futuro, para nos revelar todos os mistérios que desconhecemos: se há ou não outros mundos habitados no Universo; se o Universo é infinito ou não; se Deus e o Universo onde tudo se move são ou não UM SÓ; se o tempo é apenas uma parte da eternidade; se alguma vez poderemos transformar-nos em energia, sem perdermos a nossa capacidade de voltarmos à matéria que nos individualiza e assim podermos caminhar por esse espaço à velocidade da Luz – ou do pensamento! - e podermos “colonizar” outros espaços habitáveis para não morrermos sozinhos, quando este sistema solar acabar e com ele esta nossa querida Terra!…
E tudo ficaria claro! E já não haveria mistérios, nem enigmas, nem segredos acerca de nós e acerca da realidade-Universo…
E talvez até revelasse os segredos da matéria e da forma de obter a longevidade através da multiplicação das células que nunca mais envelheceriam, podendo o Homem prolongar-se indefinidamente no tempo até se querer suicidar, cansado de viver uma vida que fora inicialmente programada para ser vivida a prazo…
Realmente, seria a revolução total no pensamento humano e na Ciência se Deus viesse assim ter connosco… o que parece nitidamente impossível de se concretizar… Do mesmo modo que também um Jesus Cristo, Filho desse Deus e Deus com ele, terá sido impossível. Apenas mito, não passando o nível da crença e da Fé…
 - O Cristo da Bíblia, claro que foi possível. Mas é um Cristo, muito específico, muito humano, com uma missão muito determinada, limitado num tempo de trinta e três anos, dos quais apenas três de vida pública, deixando-Se matar para cumprir a suposta vontade daquele que apregoou toda a vida como o “Pai que está nos Céus”, e cumprir também umas Escrituras cuja verdade de terem sido divinamente reveladas é praticamente nula…
Enfim, uma última pergunta retórica: “Se Deus viesse à Terra, fosse em que forma fosse, revelar-nos todos os segredos acerca de nós e do universo, o que ficaria para nós fazermos e descobrirmos?”

Desculpem-nos estas delirantes considerações que, mesmo assim, não são de todo impertinentes em relação ao real Jesus Cristo com quem estamos dialogando…

domingo, 14 de julho de 2019

Onde a Verdade de Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 225/?



À procura da VERDADE nos Evangelhos

Evangelho segundo S. MATEUS – 21/?

– Finalmente! Após os sacerdotes terem passado o A.T. a defender freneticamente o sábado, fazendo pagar com a vida todo aquele que bulisse uma só palha em tal dia… e tudo por ordem de Javé!…, vem Cristo “matar” tal fundamentalismo, com provas tão simples como o ter de apanhar algo para comer ou salvar a ovelha que caíra ao poço. (Mt 12,1-11)
Só não se entende como é que Cristo tem de corrigir tanto as Escrituras. Então, o Javé de há mil anos, que inspirou os profetas a porem na sua boca todas as normas e leis do tempo e do Templo, não era o mesmo Deus de Jesus Cristo? Como é que o que era sagrado há mil anos, deixou de o ser? Para os autores bíblicos – já o dissemos noutros textos a propósito do A.T. - o imutável Deus afinal andava ao sabor dos tempos e dos costumes…
– Mas Cristo, mesmo assim, tenta “justificar-se”: “Nunca lestes o que David e os seus companheiros fizeram, quando sentiram fome? Como ele entrou na casa de Deus e comeram os pães oferecidos a Deus? (…) Não lestes também na Lei que em dia de sábado, no Templo, os sacerdotes violam o sábado, sem cometer falta?” (Mt 12,3-5)
É uma justificação que só vem condenar as Escrituras… que discriminaram e mataram o povo que não respeitou o sábado. E David, quem poderia algo contra ele? Que sacerdote - mesmo inspirado por Deus - se aventuraria a condená-lo?… E aos sacerdotes, sendo os escribas das Escrituras, ser-lhes-ia fácil justificar o violar do sábado sem cometerem falta!…
Mas é uma justificação “política” por parte de Jesus Cristo…, justificação que, apesar de política, não convenceu os fariseus que “Logo depois saíram e fizeram um plano para matar Jesus.” (Mt 12,14)
Tal atitude é incompreensível ou revela total insensibilidade humana! Então, a força do milagre de Jesus que cura a mão paralítica do homem não foi suficiente para “encantar” os fariseus? Porque despertou neles o ódio a Jesus e não a admiração e o reconhecimento? Que Hitler não ficaria “de olhos em bico” ao presenciar tal milagre, reconsiderando o seu desejo de extermínio e de holocausto?
É incompreensível e levanta inúmeras questões! Os milagres de Jesus parecem tão pouco convincentes, parecem convencer tão pouco os do seu tempo - vejam-se as cidades há pouco amaldiçoadas pelo próprio Jesus por não se terem convertido ao verem todos os seus milagres - que nos custa acreditar que se tenham mesmo realizado… É que os sacerdotes podiam ser estúpidos… podiam não entender… mas não ver o que estava a acontecer em frente dos próprios olhos, ali com toda a força de milagre… não é crível.
– “Numerosas multidões O seguiram e Ele curou todos os enfermos mas ordenou que não dissessem quem Ele era.” (Mt 12,15-16)
– De novo! Sempre o mesmo enigma: “Porque quer Jesus ocultar-Se e ocultar o seu poder quando a sua missão era mostrar-Se a toda a gente como o Enviado do Pai, fundamentando com milagres a sua mensagem?”
Em boa verdade, porque não usou os rudimentares meios publicitários da época - o boca-a-boca - para Se dar a conhecer? Não teria aumentado o número dos que O seguiam? Não eram outros tantos apóstolos que transmitiriam a mensagem? Não encheria rapidamente a Terra inteira da sua mensagem? Assim, com tal política de ocultamento, temos uma Terra onde, após dois mil anos passados, mais de metade ainda não conhece o doce Jesus Cristo!… Tal atitude - de medo! - não parece de um Deus, pois não?…

domingo, 7 de julho de 2019

Onde a verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 224/?


À procura da VERDADE nos Evangelhos

Evangelho segundo S. MATEUS – 20/?

– “Eu Te louvo, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. (…) Meu Pai entregou-Me tudo a Mim. Ninguém conhece o Filho a não ser o Pai e ninguém conhece o Pai a não ser o Filho e aquele a quem o Filho O quiser revelar.” (Mt 11,25-27)
– Mais uma vez Jesus se assume claramente como Filho de Deus. As relações entre tal Pai e tal Filho é que nos são completamente escondidas! Depois, sendo Filho de Deus e portanto Deus com o Pai, porquê “tudo” foi necessário entregar e passar de Pai para Filho? E porquê insistir no seu direito de só revelar o Pai a quem Ele quiser? A verdade é que nunca O revelou a ninguém… Então, para quê este aparato de… exclusividade?
Ainda: Louvando o Filho, o Pai e sendo Eles um só, não se estaria a louvar a Si mesmo?
O que é certo é que, a não compreender tantas coisas, não estaremos, infelizmente, no rol dos pequeninos, mas dos sábios e inteligentes que, apesar de toda a sua ciência, parecem não entender nada do divino!… Ou, talvez que por “inteligentes e sábios” Cristo se queira referir aos doutores da Lei e sumos sacerdotes… que sobrecarregavam o povo com Leis e normas do Templo e do… pecado!
Ou, talvez, mais um inútil – para a mensagem divina que Jesus quereria transmitir - enigma!
Enfim – e perdoem-nos mais esta heresia! - Deus-Pai sai mais humanizado do que divinizado deste contexto: Ele esconde… Ele revela… Ele entrega… Ele quer… Onde estarão realmente aqui, com Jesus Cristo, as fronteiras entre o humano e o divino? Onde?… – De certeza, mais uma pergunta sem resposta…
– “Vinde a Mim todos os que estais cansados e oprimidos e Eu vos darei descanso. Juntai-vos a Mim e aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para as vossas vidas. Porque a minha carga é suave e o meu fardo é leve.” (Mt 11,28-29)
– As palavras envolvem-nos de ternura… Talvez uma vida simples, sem preocupações, sem ambições terrenas mas apenas celestiais… talvez fosse a melhor forma de vida… E assim, entender-se-ia porque a “carga é suave e o fardo é leve”… Talvez!… Porque a realidade não nos permite tal vida, nem se compadece com lirismos de aves que não semeiam ou lírios que não tecem…
Depois, Cristo dar-nos-á certamente o descanso no Céu… Mas o Céu, continuamos sem saber onde é, como se alcança, e quando o teremos. Por isso… não sabemos porque é suave a carga e leve o fardo… Haverá fardo mais pesado do que este de nada entender claramente e de não ter certezas absolutas sobre a vida eterna que Cristo apregoa mas não credibiliza com provas?

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 223/?


À procura da VERDADE nos Evangelhos 

Evangelho segundo S. MATEUS – 19/?

–“É de João que a Escritura diz: «Eis que Eu envio o meu mensageiro à tua frente para Te preparar o caminho.» Eu vos garanto: De todos os homens que já nasceram, nenhum é maior do que João Baptista. No entanto, o menor no Reino do Céu é maior do que ele.” (Mt 11,10-11)
– Os enigmas continuam… E descredibilizam o Jesus da nossa última esperança de encontrar a Verdade!… Em boa verdade, porque precisava Jesus de um mensageiro? O ser Filho de Deus, não era suficiente? Os seus milagres não eram suficientes? Porque rodear-Se então do aparato de um precursor?
E continuamos sem entender, ou cada vez entendemos menos o que é o “Reino dos Céus”, pois o que é ser “o menor” nesse Reino? E quem será o maior? Há assim categorias de maior e de menor, seja isto simbólico ou real?…
Já o dissemos e a dúvida persiste: Nunca saberemos se tudo o que é posto na boca de Jesus Cristo foi realmente Ele que o disse ou foi Mateus que assim o interpretou, já referindo tradições cristãs que, embora “recentes” de uns quarenta anos, adulterariam as palavras de acordo com o seu entendimento.
– “Com quem vou comparar esta geração? São como crianças (…). Veio o Filho do Homem que come e bebe e dizem: «Olhem para este homem! Come bem e bebe melhor e é amigo de (…) gente de má fama.»” (Mt 11,19)
– Deixando de lado a jocosa comparação, perguntaríamos: “Não é, pelo menos, intrigante esta dualidade existente em Jesus com uma alma divina e um corpo humano? Como saborearia aquele vinho e aqueles manjares? Como se riria de anedotas que contassem, algumas delas, com pontinha de malícia? Ou nunca riu nem sorriu?…”
E tantas outras perguntas que poderíamos fazer acerca desta real dicotomia divino-humana. Mas essas deixamo-las à imaginação dos leitores, leitores a quem compete  também serem críticos…
– “Então, Jesus começou a falar contra as cidades onde havia realizado a maior parte dos seus milagres, porque elas não se tinham convertido. (…) Se em Tiro e Sidónia tivessem sido realizados os milagres que se realizaram em vós, há muito que elas teriam feito penitência, vestindo-se de cilício e cobrindo-se de cinza. (…) E tu, Cafarnaum, (…) serás precipitada no inferno! Porque se em Sodoma tivessem sido realizados os milagres que em ti se realizaram, ela ainda hoje existiria. No dia do julgamento, Sodoma terá uma sentença menos dura do que a tua.” (Mt 11,20-24)
– Não há dúvida que causa em Jesus uma certa preocupação, este fracasso da sua actividade milagreira. De tal modo que se vê “obrigado” a condenar tais cidades e a compará-las com as velhas Sodoma e Gomorra que sofreram castigos pelos seus pecados. Incompreensível para uma acção, supostamente divina, este fracasso…
E não é estranho que Jesus, Filho de Deus e portanto omnisciente, sabendo por isso que os seus milagres não iriam criar o arrependimento pretendido, tenha insistido em realizá-los lá? Com que objectivo?
Enfim, de novo, o julgamento (no Juízo Final) que continuamos sem saber nem quando, nem onde, nem como!…
E também de novo… o inferno, parecendo haver  um certo javismo bíblico do A.T. naquele “serás precipitada no inferno”!
Aliás, o A.T. está bem presente no “vestir-se de cilício e cobrir-se de cinza”. Mas para quê, santo Deus, esta insistência anti-humana no sofrimento tão inútil para o Homem e, de certeza, de nenhuma utilidade para Deus?!…
Só mais uma última pergunta: “O que seria - o que será - realmente converter-se e fazer penitência?”


sexta-feira, 21 de junho de 2019

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 222/?


À procura da VERDADE nos Evangelhos

Evangelho segundo S. MATEUS – 18/?

– “Aquele que der testemunho de Mim diante dos Homens, também Eu darei testemunho dele diante de meu Pai que está no Céu. Aquele porém que Me renegar perante os Homens, também Eu o renegarei diante do meu Pai que está no Céu.” (Mt 10, 32-33)
– É a força da palavra de Cristo! Palavra que aqui lembra um pouco o “Olho por olho, dente por dente”, já abolido por Ele em Mt 5,38.
O problema é que se renegarmos, nós renegamos na Terra, no tempo… Cristo renegar-nos-á no Céu, na… eternidade! Como será isso? Com que justiça?!
E nós aqui, que procuramos apenas a VERDADE, dando ao mesmo tempo testemunho dele e questionando-O, seremos renegados ou testemunhados por Jesus junto do Pai que está no Céu?… (Nem já perguntamos, para não nos repetirmos: “Que Pai?”, “Que Céu?”)
– Aparece agora um texto, talvez o mais terrível, de Jesus. Permitam-nos que nos alonguemos: “Não penseis que vim trazer a paz à Terra. Não vim trazer a paz mas a guerra. De facto, vim trazer a divisão entre o filho e o seu pai, a filha e sua mãe, a nora e a sua sogra: os inimigos de uma pessoa serão os da sua própria família. Quem ama o pai ou a mãe (…), o filho ou a filha mais do que a Mim, não é digno de Mim. Quem não toma a sua cruz e Me segue não é digno de Mim. Quem procura conservar a própria vida vai perdê-la e quem perde a sua vida por causa de Mim, vai encontrá-la.” (Mt 10, 34-39)
– Não! – dirão muitos. É tudo simbólico: apenas que na própria família, uns aceitarão a sua mensagem, outros não… Mas nem é esse o problema maior. O problema maior é saber o que é realmente amar Jesus no dia-a-dia; é saber qual é a nossa cruz e, com ela, seguir Jesus; saber o que é perder a nossa vida por causa dele, para a encontrar… É: Jesus deveria ter-se explicado melhor para que toda a gente o entendesse. Toda a gente! Assim, fica para ali um emaranhado de palavras sem… sentido. Palavras que afastam os não-crentes de quererem seguir Jesus e acreditar no seu Pai e no seu Céu…
Ah, se conseguíssemos acreditar que há realmente um Céu, quem não daria esta vida terrena, tão curta, tão efémera, dure cem ou duzentos anos, por toda uma eternidade nesse Céu? Quem não sofreria tudo o que é humanamente possível para alcançar tal vida? Quem? Nem seria necessário um Jesus Cristo tão ameaçador e tão terno, tão sofredor e tão convicto de tudo o que afirma acerca de Deus-Pai, do Céu onde Ele está, do inferno para onde vão todos os que não aceitarem a sua mensagem, da ressurreição do corpo e da alma para uma eterna felicidade ou uma eterna condenação!…
Ah, se conseguíssemos acreditar… É que nós queríamos ser “dignos de Cristo”! Nós queríamos perder esta vida para alcançar a eterna por ele prometida! Nós… queríamos! Mas…
E ainda perguntaríamos, indignados com Jesus: “Porque também aqui falar em guerra quando já temos tantas, pela maldade dos Homens?”
– “Os cegos vêem, os coxos andam, os que têm lepra são curados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados.” (Mt 11,5)
Tudo muito bem (embora sejam mais milagres inventados por Mateus…) Mas… porque só “aos pobres é anunciada a Boa Nova” (Mt 11,5) e não a todos? Quem afinal são os “pobres” de Jesus Cristo? Porque fala Jesus tanto por enigmas?
E, aqui, Mateus esqueceu-se de fundamentar-se com Isaías 35,5-6: “Então, os olhos dos cegos vão abrir-se e abrir-se-ão também os ouvidos dos surdos; o coxo saltará como um veado e a língua do mudo dará gritos de alegria, porque jorrarão águas no deserto e rios na terra seca.”!…
Ah, bendita utopia! Ah, como é bom sonhar com uma eternidade num Paraíso de delícias!...