domingo, 16 de fevereiro de 2020

De como da matéria inerte brotou a VIDA



Uma possível explicação (muito simplificada):

Pelo cálculo dos cientistas, baseados em fósseis, supõe-se que a vida tenha começado há cerca de 3.5 mil milhões de anos, quando a Terra já ia nos seus mil milhões de existência.
Foi, então, que se terá dado tamanho “milagre”: a matéria que, de si, é parada e inerte, começou a movimentar-se, a transformar-se, a desembocar em vida, vida que parece evoluir não se sabe até onde.
A Ciência não tem respostas definitivas, mas cientistas da área da Biologia e da Química têm feito várias tentativas para explicar como se formaram as primitivas moléculas orgânicas.
Primeiro, os elementos que constituem os seres vivos – carbono, oxigénio, hidrogénio, nitrogénio, fósforo e enxofre, além de outros elementos menos presentes como o cálcio, o ferro, o magnésio, o potássio – também constituem os não-vivos e, nestes, de algum modo se movem interagindo em reacções ora simples ora complexas.
Segundo, para fazer experiências, era preciso recuar aos tempos em que a Terra estava em efervescência, bombardeada por tempestades de raios e descargas eléctricas, gerando-se centelhas e radiação espacial, o que forneceria energia para que as moléculas dos compostos inorgânicos se unissem e formassem moléculas maiores e mais complexas: as primeiras moléculas orgânicas; estas teriam sido arrastadas para os mares primitivos onde, com temperaturas não muito elevadas, teria sido possível o seu desenvolvimento e replicação, numa espécie de sopa primitiva.
Esta teoria do russo Alexander Operin, 1936, foi testada em laboratório pelo americano Stanley Miller e pelo canadiano Hubert Reeves, na década de 50: colocaram, num balão de vidro, metano, amónia, hidrogénio e vapor de água, elementos que estariam presentes naqueles primórdios. Os elementos do balão foram sujeitos a aquecimento prolongado e atravessados constantemente por uma corrente eléctrica. Surpresa: ao fim de longo tempo, apareceram moléculas de aminoácidos. Os aminoácidos são compostos quaternários (carbono, hidrogénio, oxigénio e nitrogénio) que estão presentes nos seres vivos. Em 1957, o cientista Sidney Fox submeteu uma mistura de aminoácidos a aquecimento também prolongado e demonstrou que eles reagiram entre si, criando moléculas proteicas, moléculas que estão na origem de toda a vida.
Mais recentemente, já neste século, outros cientistas defenderam uma nova teoria, ao terem descoberto que o RNA (ácido ribonucleico) é capaz de armazenar informações e promover reacções metabólicas. Assim, o RNA seria o material genético que catalisou as reacções químicas nos primórdios, dando condições a que surgisse o primeiro ADN (ácido desoxirribonucleico) que constitui o genoma de qualquer ser vivo. Reforçando esta teoria, outros cientistas anunciaram que conseguiram criar os precursores do ácido ribonucleico (RNA) com os elementos existentes no início desta “aventura”, já acima referidos.
No entanto, há que dizer que estas não passam de hipóteses, ignorando-se como se terá desenrolado, ao certo, o processo. Que a VIDA parece ter sido fruto da evolução determinística dos elementos presentes em toda a matéria e energia de que somos feitos, como as estrelas, não haverá dúvidas. As dúvidas colocam-se ao nível do modo como tudo aconteceu.
Perante tão magna incerteza – e na “criação” do ADN vital de animais e plantas – há quem não abdique da intervenção de uma INTELIGÊNCIA SUPERIOR, TRANSCENDENTE que, tendo criado as condições da própria evolução da matéria, “aproveitou-se” delas para aquela “criação”, “criação” que, após os cerca de 3.5 mil milhões de anos, desembocou neste ser ainda tão imperfeito e tão problemático que é o HOMEM que leva apenas cerca de 4 milhões de anos de existência. Mas não esqueçamos: o Homem de hoje faz parte do ciclo inexorável da evolução. Por isso, a pergunta-mistério faz sentido: “Como será o Homem daqui, por exemplo, a mil milhões de anos?” Ou ainda: “Que outros tipos de vida haverá em outros planetas com idênticas condições às da Terra, planetas que, pela lei das probabilidades, existirão, incontáveis, sem dúvida, neste “nosso” Universo observável e nos infinitos pluriversos que existirão num Espaço também ele infinito? E como evoluíram e evoluem esses tipos de vida?”
Resta “definir”, em termos racionalmente aceitáveis, essa INTELIGÊNCIA TRANSCENDENTE. Defini-LA-íamos como O TODO ONDE TUDO SE INTEGRA, POR SER INFINITA, EXISTINDO DESDE SEMPRE E PARA SEMPRE, POR SER ETERNA. Assim, tudo o existente – matéria e energia – são manifestações d’ELA, bem como o próprio Tempo – uma categoria apenas existente para o que é efémero – e o próprio Espaço. Pelas nossas limitações intelectuais, não conseguimos apreender esta realidade, mas conseguimos ter a ideia bastante nítida do que ELA terá de ser. E até podemos chamá-la de DEUS, um Deus tão distante e tão perto, mas totalmente diverso dos das religiões que foram inventados pelo Homem à sua imagem e semelhança…
É por sermos partículas d'ELA, embora durante um pequeno lapso de tempo, que seremos eternos!

Para uma abordagem mais científica do assunto, pode consultar-se na NET: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-40422008000600054
No final deste post, referenciam-se mais de uma dezena de sites sobre o assunto.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 255/?



À procura da VERDADE nos Evangelhos 

Evangelho segundo S. MATEUS – 51/?

–“O Filho do Homem não veio para ser servido mas para servir e dar a vida para resgatar a humanidade.” (Mt 20,28)
Mas - perguntamos - resgatar a humanidade de quê? Do tão duvidoso, questionável, misterioso, quase romântico - perdoai-me, Senhor, porque já não sei o que digo! - pecado original, com a Eva enganada e tentada pela vil rastejante serpente - certamente o diabo disfarçado! - a seduzir o “pobre” do Adão com a sua maçã, bem rosadinha e apetitosa, ali assim em oferta de comer?… Aliás, que homem, na flor da idade - tal Adão - seria capaz de resistir a tão doce oferta de paraíso?!…
Sem sorrisos à flor dos lábios, perguntaríamos antes o que é o chamado mistério da redenção! E ficamos sem saber de que é que realmente a humanidade foi redimida… e porque é que teve de haver um Jesus Cristo que a redimisse… e que essa redenção tivesse de ser com uma morte… e uma morte injusta, exigida sem fundamento por tantos que tantos milagres de um Deus feito homem presenciaram com os próprios olhos… e nada os convenceu, nem palavras, nem obras, nem citações das Escrituras, provando Jesus que Ele era realmente o Messias, o Anunciado pelos profetas, o Ungido do Senhor… Como foi possível tanta descrença, tão tremenda injustiça? E, mais uma vez, nos parece que realmente os milagres não existiram. A terem existido, a atitude de todos os que os presenciaram nunca poderia ter sido aquela de gritarem, pedindo a condenação de Jesus: “Crucifixa-o! Crucifixa-o!”
– Entretanto, outros dois cegos são curados: “Ficaram a ver e acompanharam Jesus.” (Mt 20,34)
– Só os cegos; não há notícia de que os presentes o tenham também acompanhado… Pois, quem, que fosse cego e logo ali ficasse a ver - bastou um grito de súplica: “Senhor Filho de David, tem piedade de nós!” - não seguiria Jesus? E não faria tudo o que Ele mandasse?
Bem, eu… eu não sei se o faria! É que teria, um pouco mais à frente, de arrancar um daqueles olhos que agora viam, para não me levar ao pecado e, assim, perder a vida eterna, como aconselhou o mesmo Jesus… - perdoem-me a ironia!
– Comovente, comovente deverá ter sido a entrada “triunfal” em Jerusalém de Jesus montado numa jumenta, levando a seu lado o filhote, cantando o povo Hossanas, agitando ramos de palmas e de oliveiras! Facilmente se imagina a algazarra da multidão, os sorrisos, os clamores, os muitos apitos ou trombetas atroando os ares…
E tudo isto me faz lembrar os domingos de Ramos de criança! Era uma festa! Sabia lá eu que comemorava a entrada triunfal do Messias em Jerusalém! O que eu sabia é que queria levar um ramo bem grande, de louro ou de oliveira, bem enfeitado de profusões de flores, desejando que houvesse concurso para o melhor, pois seria eu a ganhar! Qual era o mais alto? Qual o mais composto? Qual o mais engalanado?…
Muitas tradições religiosas que povoam as nossas memórias inundaram-nos de encanto e recordamo-las com nostalgia… Sobretudo o presépio e o Menino Jesus entrando pela chaminé a pôr-nos as prendas no sapatinho… E os ramos, as amêndoas lançadas à rabatina, quando o padre passava, dizendo “Aleluia! Aleluia! Cristo ressuscitou!”… Talvez seja suficiente motivo para que a religião sobreviva e nos encante, apesar dos seus inexplicáveis e inacreditáveis mistérios, alimentando tradições que se perdem para lá dos séculos…
– “Isto aconteceu para se cumprir o que foi dito pelo profeta: «Eis que o teu rei vem ao teu encontro. Ele é manso e está montado num jumento, num jumentinho…» As multidões gritavam: «Hossana ao Filho de David! Bendito o que vem em nome do Senhor! (…) Este é Jesus, o profeta de Nazaré da Galileia.»” (Mt 21,9-11)
– Será esta multidão que em breve irá gritar: “Crucifica-O! Crucifica-O!”… O auge do mistério da redenção começa aqui. O total nonsense de Deus-Pai que “leva” a multidão a aclamar o seu Filho e, pouco depois, a… condená-lo à morte!

sábado, 1 de fevereiro de 2020

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 254/?


À procura da VERDADE nos Evangelhos

Evangelho segundo S. MATEUS – 50/?

– Que “os primeiros serão os últimos e os últimos os primeiros” (Mt 19,30) entende-se. Ficamos a saber que os poderosos deste mundo estarão no Céu nas últimas filas. Mas… o que é isto de últimos e primeiros no Céu? Também lá há discriminações? Também, primeiras e últimas filas? Porque não se liberta Jesus destas comparações tão terra-a-terra que não conseguem chegar ao Céu que apregoa?
O que é certo é que, mesmo em último lugar, vão para o Céu… Oxalá que sejamos nós uns desses “sortudos”!...
– Compara-se agora o Reino dos Céus ao proprietário que foi contratando operários, pagando o mesmo ao que trabalhou o dia todo e ao que trabalhou apenas uma hora. (Mt 20,1-16)
Bem vistas as coisas, uma flagrante injustiça! Mas parece que Jesus quis dizer que vão para o Céu tanto os que toda a vida foram santos como os que toda a vida foram uns diabos e, nos últimos, derradeiros momentos, se arrependeram e bateram no peito…, o que, obviamente, não está certo: uma “rica” vida na Terra, uma “rica” vida no Céu… Não foram espertos? Aliás, Jesus disse algures que os “filhos das trevas eram mais espertos que os filhos da luz”…
Santo Agostinho também levou vida dissoluta até aos trinta e tais… Depois, foi bispo, doutor da Igreja e… santo, doutor que muito teorizou sobre o pecado que leva ao Inferno!...
Mas o que é que lhes há-de Deus fazer? Negar-lhes a porta do paraíso? Não é a história da ovelha perdida que foi encontrada e do filho pródigo que regressou a casa, dando grande alegria ao seu senhor e pai, neste caso, a… Deus? E lá estamos nós a humanizar o Céu e Deus nele, alegrando-se com boas cenas passadas na Terra…
– Pela terceira vez, Jesus fala da sua morte e ressurreição. (Mt 16,21; 17,23; 20,18-19) Aliás, quem é que poderia entender/aceitar um Cristo, um Messias, um Filho de Deus, um possuidor de um Reino e de um Pai do Céu, ali condenado à morte e flagelado e… pregado numa cruz? – Claro: só mesmo havendo ressurreição! Não sabemos é se os discípulos acreditaram nela.  E nós… acreditamos? S. Paulo lá vai dizendo que se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa fé. (1Cor 15,13-53) Mas, sem provas, não passa de uma afirmação sem quaisquer laivos de credibilidade…

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 253/?


À procura da VERDADE nos Evangelhos

Evangelho segundo S. MATEUS – 49/?

– Voltemos a falar dos tronos no Céu prometidos por Jesus aos apóstolos:
Doze tronos! E os apóstolos a sentirem-se ali reis, imaginando-se de ceptro na mão e com o poder de julgar as tribos de Israel! E até Judas, o traidor, teve direito! Afinal, não foi direitinho para o inferno pois ainda se arrependeu de ter vendido a Cristo por trinta dinheiros, quando, dependurado na figueira, ainda lhe restavam alguns fulgores de vida!
E Cristo, sabendo antecipadamente disto, não hesitou em falar em doze tronos…
Aliás, caso houvesse problema com o afastamento de Judas, certamente haveria muitos candidatos ao lugar dos que não pertenciam aos doze, como S. Paulo, S. Lucas, S. Marcos… E porque não uma mulher? Se não fosse a Virgem, poderia ser Maria Madalena, a predilecta de JC. Pois, certamente, o machismo não reina no Céu como reinou em toda a Bíblia do A.T., sem ter sido abolido convenientemente no Novo de Jesus Cristo… Ou, à falta de melhor, o Bom Ladrão que de certeza foi para o paraíso, pela afirmação de Cristo na cruz, embora reportada apenas por Lucas: “Hoje mesmo estarás comigo no paraíso.” (Lc 23,43) Aqui, não se compreende que o “facto” seja omitido por Mateus e Marcos que apenas dizem: “Até os ladrões que foram crucificados com Ele O insultavam.” (Mt 27,44; Mc 15,32), nada dizendo João...
Só resta perguntar, brincando: “Que “gozo” celestial aquele dos apóstolos em sentar-se num qualquer trono e julgar umas quaisquer tribos?
Mas… deixemos estas imaginações e façamos a pergunta-chave: “O que é isso de «deixar casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos, terras por minha causa»”? Esses que tudo abandonarem por causa de Jesus terão, de certeza, a vida eterna? Então, se acreditamos em Cristo, porque não deixamos pai, mãe, irmãos, irmãs, filhos, terras e… partimos?
Lá deixar, até talvez fôssemos capazes de tal feito, embora com a saudade - e talvez remorso, que certamente seria obra do diabo! - doendo no coração. Mas compreenderíamos aquele “por minha causa”? Depois, não se apela, embora que subrepticiamente, aliciantemente e realmente, ao espírito tão natural e tão humano da ganância do Homem? “Há-de receber muito mais!” - afirma-se. Quem, na vida, não quererá dar dez se sabe que vai receber cem?! O nosso grande, grandíssimo problema é não saber como, nem onde, sendo tudo apenas… FÉ!
E voltámos à pergunta-não-menos-chave: “Se é uma questão de Salvação ou Condenação eternas, porque é que a “mezinha” para as alcançar não é clara, simples, evidente para toda a gente, todas as raças, todos os povos, de todos os tempos passados, presentes e futuros? Porquê?…”
Ainda, mais contundente: “Se todos - e todos teriam o direito, não é? - se todos deixassem pai, mãe, irmãos, irmãs… “ - Não! Não pode ser! É completamente inexequível! Cristo pede-nos ou exige-nos o impossível! Então…
Então, temos vontade de gritar mais uma vez: “Como pudeste aconselhar-nos, aconselhar todos os Homens a procederem de tal modo para terem a vida eterna?”
É simbólico! - poderia JC responder-nos. Para não vos agarrardes às coisas deste mundo mas apenas vos interessardes pelas celestiais…
– Problema é que nunca sabemos o que é esse teu Céu… E, por isso, o nosso avassalador descrédito em Ti, Jesus! Nós que queríamos tanto - e Tu que lês nos corações – lerás? - sabe-lo bem! - nós que queríamos tanto confirmar-nos na Fé em Ti, que já nos tentaste convencer do divino que és pelos teus inúmeros milagres…
No entanto, constatamos que foram estas tuas palavras e outras semelhantes que levaram tantos e tantas, ao longo da História, a meterem-se em conventos ou a irem para o deserto, esperando pacientemente que esta vida passasse - não se compreendendo porque não tinham coragem de abreviar os seus dias, ali, com um veneno qualquer - bastava deixarem-se morder por uma cascavel que bem apreciaria tal “petisco” com a fome que por lá andaria… Eles apenas acreditaram na tua palavra! Eles apenas queriam a vida eterna que lhes prometeste! Eles apenas fizeram o que Tu mandaste! E agora, onde estão eles? Poderás dizer-no-lo? Quererás dizer-no-lo? Estão no prometido Céu ou no total… NADA?
– É! Era tão fácil! Era tão fácil acabar com todas as perguntas, sanar todas as dúvidas!… Bastava que cá viessem - deixem-nos repetir! - esses todos que Te seguiram, ó Jesus. Bastava! Eles nos diriam toda a Verdade que ainda não nos disseste, embora andes sempre a falar nela!… E que Te custa mais este milagre? Não seria bem empregue, já que nos serviria de salvação a nós que estamos perdidos… em dúvidas? Não vieste “salvar o que estava perdido”? (Mt 18,11) - repetimos à exaustão. Então, cumpre, por amor de Deus, o que disseste! Cumpre e acreditaremos! Cumpre e salvar-nos-emos!

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

A eutanásia ou morte medicamente assistida


Do direito a viver ao dever de partir

Visitei, em solidariedade natalícia, um Lar de idosos. Uns 60 utentes. Metade, em cadeira de rodas. Um quarto deles, completamente dependentes. O outro quarto, ainda se movimentando e até saindo à rua, para ver o movimento e o Sol. Dos dependentes, alguns acamados há vários anos: não morrem, apesar de nada serem nem para eles nem para os outros; apenas corpos onde ainda bate um coração e os pulmões ainda respiram, oxigenando o sangue que corre por aquele corpo com vida, mas sem vida humana. Um desses utentes, uma mulher – os homens morrem mais depressa!, diz-me a Directora – acamada há 11 anos! Uma vida completamente inútil, um enorme fardo para a sociedade!
E eis-nos chegados ao ponto fulcral da questão: “Há o direito a viver a qualquer custo, mesmo sem qualquer dignidade, pois de humano já apenas se tem a forma…, ou o dever de partir e dar lugar a outros – outros que sejam úteis a si próprios e à mesma sociedade – sem mais encargos sociais?” É que esses oitentões, noventões, centenários já deram o seu contributo à comunidade e já usufruíram dela também largo contributo recíproco. Agora, já não são úteis nem para si nem para a comunidade onde se inserem. E o partir é uma questão de dias, meses ou anos já que, como diz o ditado: “À morte ninguém escapa, nem o rei nem o papa!” Então, porque se alimenta um corpo que já nem uma alma sustenta?
Soluções!
(Não vale a pena fazer como fazem esses estudantes que vêm para a rua bradar por medidas contra as alterações climáticas, fazendo greve, em vez de irem estudar soluções que proporiam aos seus governos e a todo o mundo, através das redes sociais para atingirem os objectivos que reclamam do alto do seu bem-estar e da sua apetência para o consumismo: “Como reduzir o uso de plásticos? Como limpar rapidamente os oceanos que deles estão infestados, afectando toda a fauna e flora marinhas, que tanto alimento nos proporcionam? Como reduzir/controlar a população mundial para que não cresça mais, já que é espécie predadora de tudo o que comestível e a grande poluidora do ambiente? Como basear a economia não no consumo desenfreado de coisas não essenciais, produzindo enorme poluição, mas na produção e consumo dos bens essenciais? Como manter, apesar disso – pois uma enormíssima parte do emprego está na produção e venda de produtos não essenciais – o emprego, pois todo o Homem tem o direito/dever de ter um trabalho com que se sinta realizado e útil à sociedade? Etc., Etc., Etc.” - desculpem-me este aparte despropositado!)
Então, soluções, já que morrer é um acto normal da Vida e um “acto” inevitável:
A – Promover, depois, obrigar todas as pessoas, enquanto lúcidas, a declararem:
1 – Como querem/gostariam de morrer. Com ou sem dignidade.
2 – Como querem ser tratadas quando, analisando os vários estádios de velhice, facilmente catalogáveis, se encontrarem num desses estádios: 
2.1 – Corpo saudável mas mente completamente louca; 
2.2 – Corpo com várias limitações e mente completamente sã: 
2.3 – Corpo completamente dependente e mente ainda sã; 
2.4 – Corpo completamente dependente e mente completamente louca (último estádio da degradação de uma vida que já foi humana mas já o não é).
B – Agir em conformidade com a declaração de cada um, sendo esta acção executada por serviços públicos criados para o efeito, sem intervenção de terceiros, sobretudo familiares. Escusado será dizer que as formas de execução são fáceis de aplicar, com os novos fármacos existentes, fármacos que atenuam dores e anestesiam alguma vida que possa existir em seres que já foram humanos mas deixaram de o ser, embora ainda não tenham dado o último suspiro, permitindo-lhes, assim, e satisfazendo a sua vontade, partir em paz, em tranquilidade, sem sofrer, “voando” suavemente para a eternidade que a todos nos espera…
Esses serviços públicos bem poderiam ter um nome simpático, como OS ANJOS DE DEUS...
Sejamos realistas, caramba! 
Que, aqui, a razão comande a emoção! E Viva a VIDA, enquanto num corpo há vida humana digna!

sábado, 11 de janeiro de 2020

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 252/?



À procura da VERDADE nos Evangelhos

Evangelho segundo S. MATEUS – 48/?

– É certamente um apelo ao celibato, quando Jesus diz: “Há homens castrados porque nasceram assim; outros, porque os castraram; outros ainda castraram-se por causa do Reino do Céu. Quem puder entender que entenda!” (Mt 19,12)
– Poderemos deduzir que, para quem não puder entender, também não haverá problema. Basta amar e perdoar ao próximo que alcançará o Reino do Céu, na mesma… Mas… o que é castrar-se por causa do Reino do Céu? É imperdoável que JC não tenha explicado o que queria dizer. Deveria falar claro para que todos o entendessem pois só assim cumpriria a sua missão.
Bem! Renúncia ao sexo ou ao casamento para estarem disponíveis para a comunidade sem compromissos de mulher e filhos, entende-se. Se bem que nem sempre é um mar de rosas, ter mulher e filhos!… Se não houver o tal amor ao próximo, a tal doação sem pensar em receber… o tal perdoar setenta vezes sete…
Enfim, se a salvação é para todos, tem de ser para os que entendem e para os que não entendem. Outra não poderia ser a justiça divina! Por isso, Cristo poderia muito bem ter omitido o “Quem puder entender que entenda!”…
– As crianças também servem de comparação para o reino de Deus: “Deixai vir a Mim as criancinhas (…) porque o Reino de Deus é dos que são como elas.” (Mt 19,14) - repete-se Jesus. E nós, também repetindo-nos: “Ser simples, ser como crianças… que vida nos propões, Jesus, para alcançarmos tal Reino? Que vida?” Mais uma vez palavras bonitas que não passaram de… palavras, metáforas sem sentido prático!
– Mas há mais… palavras! Estas, enigmáticas…: “Jesus disse ao jovem: «Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu. Depois, vem e segue-Me!» Ao ouvir isto, o jovem retirou-se cheio de tristeza porque era muito rico. (…) E Jesus: «É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus.» Os discípulos, espantados, perguntaram: «Então, quem é que pode ser salvo? (…) Olha que nós deixámos tudo (…) Que recompensa teremos?» E Jesus: «Eu vos garanto: no mundo que há-de vir, quando o Filho do Homem Se sentar no trono da sua glória, vós, que Me seguistes, também vos sentareis em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel. E todo aquele que tiver deixado casas, irmãos e irmãs, pai, mãe, filhos, campos, por causa do meu nome, receberá muito mais e terá como herança a vida eterna.” (Mt 19,21-29)
– Enigmáticas e… dramáticas! Melhor dito: trágicas! E as perguntas novamente caem em catadupa:
Deixando, para já, “cair” o deixar tudo e seguir Jesus, o tesouro no Céu e a história do camelo…, perguntemos: “Então, há de certeza outro mundo? Qual? Onde? Como? Quando? Que provas nos apresentas, ó Jesus Cristo? E onde é que o Filho do Homem tem o seu trono de glória para nele Se sentar? E estará sempre sentado ou dará uns passeiozitos ali pelos paraísos perdidos do Céu?… E com que corpo Se sentará Ele?… E como será o trono? Grande safira como o descreveram os escritores do A.T?…” Meu Deus, como é grande a vontade de brincar com estas coisas, congeminar fantasmagorias e delirantes situações!… Mas logo perco tal vontade, por tudo bulir com o nosso fim último, o fim que realmente interessa a qualquer Homem, pois dele depende uma eternidade, eternamente feliz no Céu ou… infeliz no inferno! Se é que a eternidade existe, apesar das palavras “terá como herança a vida eterna” que não passam disso mesmo: PALAVRAS!

sábado, 4 de janeiro de 2020

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 251/?


À procura da VERDADE nos Evangelhos

Evangelho segundo S. MATEUS – 47/?

– Outra história não menos tocante é aquela de perdoar ao irmão “não até sete vezes mas até setenta vezes sete!” (Mt 18,22)
– Realmente, como o mundo seria diferente se fosse um mundo de perdão! Chegar-se-ia a um ponto tal de perdão que já não haveria a quem perdoar pois todos seriam “irmãos” perdoadores… E, obviamente, não haveria mais guerras de retaliação quer inter-familiares quer internacionais.
Até o trocadilho “sete vezes” e “setenta vezes sete” nos faz sorrir! É a música da palavra a realçar o seu significado…
– Já não se compreende é a nova comparação: “O Reino do Céu é como um rei que resolve acertar as contas com os seus empregados.” E àquele que não perdoou ao seu irmão a dívida como o rei lhe tinha perdoado a sua, o rei “mandou entregá-lo aos torturadores até que pagasse toda a dívida. É assim que procederá convosco o meu Pai que está no Céu, se cada um não perdoar do fundo do coração ao seu irmão.” (Mt 18,23-35)
– JC não diz como o Pai iria torturar os pecadores. É pena, pois seria mais um dado a ter em conta em ordem a prepararmos a vida eterna… Mas quem usar de perdão e de amor para com o seu “irmão” terá o Reino do Céu (reino que não se sabe bem o que é, mas reino que funcionaria bem na Terra, transformando-a num Paraíso...) O Céu é que a nossa mente não consegue alcançar, nem entender, nem aceitar, frustrando-se essa ânsia de certeza na eternidade que, de vez em quando, nos invade…
– Ah, atenção! Atenção! Há mais milagres: “Muita gente O seguiu e ele curou todos os doentes.” (Mt 19,2)
– Que maravilha! Naqueles tempos, e naquela região, não eram necessários médicos nem hospitais: estás doente, vais a Jesus e ele cura-te!... É de se deixar “encantar” por este Jesus que tal poder tem e cura assim todos os doentes! Não seria até bom adoecer, com Jesus ali por perto, para ter o “prazer” e a dádiva divina de ser curado assim, sem se dar por isso? Agora paralítico e, logo ali, a andar? Agora cego e, logo ali, a ver? Agora surdo e começar, de repente, a ouvir todos os sons da Natureza? E tantas outras deficiências ou enfermidades a serem curadas?
Aliás, que sensações terão experimentado tais miraculados? E todos teriam tido a Fé suficiente para que fossem dignos de tais curas?
E afinal, quem os curaria: a Fé deles ou o poder de Jesus Cristo? Ou, novamente: não foram mais uns quantos milagres inventados por Mateus, e que, como os anteriores, simplesmente não aconteceram?
– Também Jesus gosta de citar as Escrituras. Do Génesis, refere: “O Criador, desde o início, os fez homem e mulher. (…) Por isso, o homem deixará o pai e a mãe e se unirá à sua mulher e os dois serão uma só carne. Portanto, o que Deus uniu o Homem não deve separar. (…) Moisés permitiu o divórcio porque sois duros de coração. (…) Quem se divorciar da sua mulher, a não ser em caso de fornicação, e casar com outra, comete adultério.” (Mt 19,4-9)
– O apelo é claro! A mensagem do perdão e do entendimento… presente! Pois quem se divorcia, fa-lo-á certamente porque não sabe ou não é capaz de perdoar as setenta vezes sete vezes. Quanto à fornicação (fora do casamento, claro), pela referência ao divórcio de iniciativa apenas do homem, não se percebe se é proibida só à mulher...
Mas… quem aguentará mulher ou marido a quem é preciso andar sempre a perdoar? E porque há-de ser sempre o mesmo sacrificado ou… crucificada? Porque há-de levar essa cruz toda a vida? Ainda se tivesse a certeza do Céu e que, oferecendo a sua cruz a Deus, isso lhe angariava um lugar nesse Céu! Assim, teria forças para perdoar… sempre! Mas sem um Céu de certezas absolutas à vista, não haverá humano que aguente…
Enfim, JC não respeitou a nossa qualidade de seres racionais, assim feitos pelo Criador divino, ao “vender-nos” o seu Céu e o seu Pai nele, apenas com palavras apoiadas em supostos milagres, milagres que não convenceram os do seu tempo nem nos convencem a nós, por total falta de provas credíveis.