quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 186/?



À procura da VERDADE no livro de MIQUEIAS – 1/4

- Socorrendo-nos da Introdução, sabemos que: “Miqueias (…) exerceu a 
sua acção profética na segunda metade do séc. VIII a.C. (…) Partilha 
a preocupação social dos contemporâneos Amós, Oseias e Isaías, 
articulando uma vigorosa denúncia das injustiças que grassavam no 
seu tempo (…): os ricos açambarcadores, os credores impiedosos e os 
comerciantes fraudulentos (…) os sacerdotes e profetas gananciosos, 
os chefes tirânicos e os juízes venais (…). O livro também encerra 
promessas e esperanças: dentre elas destaca-se o anúncio do 
nascimento do Messias na pequena cidade de Belém. (…)” (ibidem)
- Perguntamos nós, já repetindo-nos: Porquê de inspiração divina 
uma preocupação social, uma vigorosa denúncia das injustiças que 
grassavam na época de há dois mil e setecentos anos, que grassam 
hoje por todo o mundo? Depois, que credibilidade merece a referência, 
ao nascimento de um Messias em Belém, a 800 anos de distância?!
- “Palavra de Javé dirigida a Miqueias (…) em visão a respeito de 
Samaria e de Jerusalém. (…) Olhai! Javé sai do seu lugar e desce 
(…) Debaixo dos seus pés desfazem-se as montanhas, e os vales 
derretem-se. (…) Tudo isto por causa do crime de Jacob, por causa dos 
pecados da casa de Israel. (…) Pois Eu vou reduzir Samaria a uma ruína 
(…). A ferida de Judá não tem remédio e chega até às portas do meu 
povo, até Jerusalém (…). A desgraça desceu de Javé até às portas de 
Jerusalém.” (Mq 1,1-13)
- Estamos perante a Palavra de Javé apresentada em visões, aqui, 
sobre Samaria e Jerusalém, ao tempo, atacadas pelo exército sírio…, 
estamos perante o mesmo terror de Javé que desfaz montanhas e 
derrete vales…, perante o mesmo pecado que Javé vai castigar com 
a ruína e a desgraça…, ítens já antes referenciados. 
Que poderemos concluir de divino, nesta 
inspiração em que o humano é tão natural, em que a realidade 
histórica se projecta para além do Homem, querendo-se fazer 
introduzir Deus na História, que não é a história da Terra e do 
Universo, mas de um simples povo, em permanente conflito consigo 
e com os povos vizinhos? 
É que se toda a História de todos os povos fosse 
atribuída a Javé-Deus, se a Bíblia fizesse depender desse mesmo 
Javé-Deus tudo o que se passa não só à face da Terra mas também 
do Universo visível e invisível, talvez se aceitasse… Mas, não! É só 
para aquele povo e… naquele tempo! Aliás, poderíamos perguntar: 
E antes, onde estava Javé? E depois, nestes nossos dias, onde está 
Javé? Que “motor” da História é Ele neste hoje, neste amanhã, daqui 
a milhares de milhões de anos? Em que espaço? Em que Tempo?

Querer fazer de Javé-Deus o “motor” da História da Terra e, nela, o 
Homem, através de um povo dito eleito, é um total non-sense ou uma 
deturpação completa do que é o próprio Ser-DEUS!


Sem comentários:

Enviar um comentário