sábado, 6 de outubro de 2018

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 190/?


À procura da VERDADE no livro de NAUM 1/2

- Diz-se na Introdução: «A actividade profética de Naum 
desenrolou-se entre 633 e 612 a.C, as datas da tomada de Tebas 
(capital do Egipto) e da queda de Nínive (capital da Assíria), 
respectivamente. A Assíria, já responsável pelo desmantelamento 
do reino do Norte e da sua capital, Samaria, em 722 a.C., 
tentava agora consolidar o seu poderio, mediante campanhas 
sucessivas a Ocidente, cobrindo a Palestina e o Egipto de 
destruições e impostos. Ao sul da Mesopotâmia, porém, 
erguia-se lentamente o novo império babilónico que, aliado 
aos Medos, poria termo à supremacia assíria.
Neste contexto sombrio que pesava sobre Judá, o profeta Naum 
trouxe aos oprimidos uma mensagem de consolação e reconforto 
(…): Deus é mais forte, é soberano da História. (…) As 
atrocidades cometidas pelos assírios em Tebas (…) alimentam 
a profecia do que vai acontecer à moribunda Nínive.
Deus, ciumento e vingador, cheio de furor para o inimigo clássico 
de Israel, é, ao mesmo tempo, bom e acolhedor para os 
perseguidos. Esta maneira de ver eivada de nacionalismo, está 
longe do Evangelho e até mesmo do universalismo do II 
Isaías. Afirma no entanto, uma certeza vincada e profunda: Deus 
acompanha os acontecimentos da História, nada lhe é alheio. (…)» 
(ibidem)
A citação é longa, mas necessária para os nossos objectivos. E, 
como é de prever, as perguntas são mais que muitas:
1. Que direito temos nós de colocar Deus como senhor da História 
que o Homem vai realizando?
2. Se um escrito, dito inspirado por Deus, dito sagrado, está eivado 
de nacionalismo… está longe do Evangelho e não é universalista…, 
que valor tem de VERDADE?
3. Porque é que é o Deus ciumento e vingador, cheio de furor… a 
atacar os inimigos “clássicos” de Israel e não são os israelitas?
4. Quem são os oprimidos? Todos os vencidos pela Assíria ou 
apenas Judá? Porque não os egípcios e palestinianos também 
vítimas da destruição assíria?
5. Seria difícil de prever o que iria acontecer a Nínive, analisando 
os acontecimentos históricos à luz do tempo, estando omnipresente - 
como ainda hoje, apenas dois mil e setecentos anos passados - o 
espírito do “Olho por olho e dente por dente”?
Deus-Javé continua a “sair-se” muito mal desta entrada na História 
para castigar uns quantos, através das guerras que outros 
promovem, quando o que os povos opressores querem é apenas 
as riquezas e o domínio dos oprimidos, sejam eles israelitas, 
palestinianos ou egípcios. Assim como, quando os opressores são 
vencidos, nada mais é do que a vingança dos oprimidos sem que 
Deus tenha alguma coisa a ver com tal humana atitude.
Mas nós não temos nada contra os que pensam que é Deus que age 
através dos Homens, sendo assim “senhor da História. Nada! 
Absolutamente nada! Só não aceitamos é que tal “suposição” seja o 
fundamento da nossa fé, da nossa crença, do nosso Deus que nunca 
poderia ser um Javé-Deus que se “alimenta” das e nas 
irrequietudes de um povo, que se auto-proclamou “eleito de Javé”. 
Só isso! E isso é quase tudo!
E foi o povo ou foram apenas alguns “iluminados” dirigentes dele, 
que criaram a poderosa classe sacerdotal e profética, os 
servidores do Templo, “domesticando” melhor assim o mesmo 
povo duro de alma e coração? Não temos nós agora sobre os nossos 
ombros este jugo bíblico do qual não podemos libertar-nos?
Não podemos ou… não queremos! É que, se nos libertarmos dele, 
ficamos sem quaisquer palavras de vida eterna, já que as outras 
filosofias ou religiões são ainda menos resposta às nossas angústias 
de um fim último que se perde no mistério-desejo de vivermos 
para sempre...

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