quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Sinto uma estranha angústia existencial



É estranha esta sensação de agora ou hoje, eu estar aqui e saber que logo ou amanhã, já cá não estarei. Verdade absoluta! Verdade inexorável!
E questiona-se a validade da existência. Para quê existo, se num momento sou, noutro deixo de o ser e… para sempre? Terá sentido a vida, a própria VIDA? Para quê existem os vivos já que fazem parte de um ciclo inexorável: nascimento, crescimento, vivência, morte, ciclo, afinal, semelhante aos não vivos que também vão aparecendo e desaparecendo na voragem do Tempo, tal como as estrelas, tal como o Universo?
A Ciência descobriu-nos muitos dos mistérios da matéria e alguns dos segredos do Universo. E sabemos que a Terra tem os seus dias contados, com o inexorável desaparecimento do Sol, dentro de c. quatro mil e quinhentos milhões de anos, tendo começado a existir há igual tempo. E até sabemos que este Universo, de que fazemos parte, existe há c. 15 mil milhões de anos, Universo do qual apenas conhecemos c. 4%  – a matéria luminosa – sendo os outros 96% de matéria escura…, e que a VIDA na Terra existe há c. 3.500 milhões, ignorando-se completamente quantos Universos existirão e tantos outros mistérios que desafiam a Ciência, no seu estado actual totalmente incipiente!
O Homem – esse ser tão importante! – existe apenas há c. 4 milhões de anos, sendo, até agora, o términus de uma cadeia de evoluções desde os primeiros seres vivos, as bactérias que se formaram da argila inerte no fundo de lagos e lagunas aquecidos pelo todo-poderoso Sol, tendo passado pelos gigantes dinossauros que dominaram a Terra durante c. 200 milhões de anos.
E eu? E tu, ele, nós? O que temos realmente de diferente dos outros seres vivos? Apesar de racionais, não continuamos a ser apenas elos de uma cadeia evolutiva, com a nossa temporalidade determinada desde o nascimento?
As religiões bem quiseram – querem! – catapultar o Homem para fora do sistema, inventando deuses criadores, céus, infernos, eternidades impossíveis. Mas – infelizmente para as nossas emoções, felizmente para o nosso racionalismo – tudo não passa de invenções, fantasias, efabulações! Provas? – ZERO! A realidade é outra: o ciclo inexorável de nascimento, vida e morte. E isto sem qualquer paranoia do fim da vida. Aliás, para um ser pensante, a ideia da morte será ou deverá ser sempre o maior incentivo a que se desfrute ao máximo da vida.
Assim, resta-nos o prazer de estar aqui, o prazer de estar vivos, prazer ligado a tantos outros pequenos prazeres, no corpo e na alma, das emoções do amor e do sonho, das emoções da própria razão que a mesma razão não compreende, e os prazeres da carne, do comer ao beber ao participar no milagre que é a transmissão da vida a outros seres que nos seguirão como nós seguimos os nossos pais e antepassados, elos de uma cadeia que só o todo-poderoso Tempo um dia interromperá.
A VIDA? – A vida é bela! Viva, pois, e nós fazendo parte dela!


Se também sentir esta existencial angústia e o desejo ardente de aproveitar ao máximo da vida, deixe um comentário de… solidariedade!

3 comentários:

  1. Meu pai morreu esta segunda-feira, dia 18, após mais de 30 dias em coma por um erro médico. Um tombo, um acidente idiota o levou a essa deplorável situação. Era um homem jovem e saudável. Com mil planos para 2016, com seu infinito amor por sua família. Abdicava do próprio orgulho pelos filhos. Morreu sozinho em um hospital sem que os filhos tivessem tido chance de expressar o real amor que sentiam por ele. Morreu achando que não era amada pelos filhos e sem que pudéssemos manifestar nosso reconhecimento, gratidão e reciprocidade por tudo o que ele tinha feito. Mesmo ir sozinho a minha formatura quando ninguem da familia falava com ele .Chegou sozinho, ficou lá sentado sozinho e foi embora sozinho. Perdemos tempos magoados por esses malditos conflitos familiares. Ele nunca soube como fiquei feliz com sua presença lá. Nunca consegui manifestar meus sentimentos. Isso, sempre fora incrivelmente dificil para mim. Onde está o sobrenatural nisso tudo? ONde está o deus misericordioso? Meu pai era um homem de fé e crenças. Não houve piedade para com ele. Estava aqui um dia , no dia seguinte em coma, algumas semanas depois, em um caixão, inchado, verde com a carne já apodrecendo.

    Eu juntamente com meus irmãos, ainda menores de idade, o vimos descer em um caixão, inerte, sem vida, reduzido a nada . O deus que ele tanto acreditava não estava lá, não está em parte alguma. Estamos entregues ao acaso. Meu pai não completou o ciclo da vida, não envelheceu, não viu os filhos casarem e não teve netos.Por que as pessoas acreditam nessas maldades religiosas? Por que não procuramos todos a verdadeira verdade sobre o universo?Então, eu pergunto : para que existimos ? Raciocinamos para sofrermos ? Para sermos finitos? Podemos fazer planos, podemos lutar, mas o fim chega sem avisar. Tudo o que nós já fomos um dia, é reduzido a nada, a carne podre sendo enterrada. Onde podemos encontrar a verdade?

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    1. Caro Jonas! Como o compreendo! O seu pai morreu. Obviamente, de forma que não merecia. Mas a vida continua para os que ficam. E, embora a dor da perda de um ente querido perdure até que o Tempo a esfume e apague, é essa vida que temos de viver, para podermos ter o prazer - mais um a juntarmos a todos os outros de que pudermos usufruir durante a nossa existência - de dizermos, quando os nossos olhos se estiverem fechando pela última vez: "EU VALI A PENA!" As religiões oferecem aos humanos, nestas ocasiões, a esperança de um Além bem-aventurado e celestial. E os que têm fé, socorrem-se dessa panaceia para atenuar a dor da perda. A nós, racionalistas, como não acreditamos, resta-nos aquele pensamento do "Eu valho a pena!" Pelo que sou, pelo que consigo fazer, pelo que consigo dar de alegria e prazer a mim e aos que me rodeiam. Creio que A BONDADE E A DÁDIVA COMPENSAM MAIS DO QUE A MALDADE E O EGOÍSMO. E, depois, a nossa razão - que também nos faz bem conscientes da dor do desaparecimento eterno, pois somos apenas um elo da correia inexorável do Tempo - permite-nos conhecer tantas coisas belas, gozar tantos prazeres tanto físicos como intelectuais, conhecer tantos segredos da VIDA e do UNIVERSO! E isso é tão bom! Seria um desperdício não aproveitar de tudo o que a vida nos proporciona, só pensando que um dia vamos desaparecer para sempre. Pelo contrário: tal pensamento deveria incentivar-nos a usufruir o mais possível da vida. Em todos os sentidos! Assim, apesar da dor que sente, convido-o a SORRIR À VIDA!

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