quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 79/?

À procura da VERDADE 
nos LIVROS SAPIENCIAIS e POÉTICOS
  
O livro de JOB 3/6

- E ainda outro amigo: “Acaso pretendes sondar o íntimo de Deus 
ou penetrar na perfeição do Todo-poderoso? Ela é mais alta do que o 
céu. O que podes tu fazer? (…) Se dirigires o teu coração para Deus, 
(…) esquecerás as tuas desgraças (…). A tua vida brilhará como o Sol 
(…), terás tranquilidade e esperança (…).” (Job 11,7-18)

                                                            
                                                              Uma das muitas imagens de Job

- E Job de responder: “Quem é que não sabe tudo isso? Nas suas mãos, 
está a vida de todos os viventes. (…) Mas… engrandece as nações e 
depois arruína-as (…)” (Job 12,3-23). E insiste, com ousadia desmedida: 
“(…) Eu quero acusar o Todo-poderoso, desejo discutir com Deus. (…) 
Agora eu vou falar (…). Vou arriscar tudo, vou arriscar a minha própria 
vida. Mesmo que Ele me queira matar, não me importo (…). Quantas 
são as minhas culpas e os meus pecados? (…) Porque me escondes o 
Teu rosto e me tratas como inimigo? Porque (…) persegues uma palha 
seca?” (Job 13,3-25) “Se os dias do Homem já estão contados, e Tu 
sabes o número dos seus meses, (…) afasta dele o Teu olhar e deixa-o 
em paz (…) Para onde vai o Homem quando expira? Acaso voltará a viver 
um Homem que já tenha morrido?” (Job 14,5-14)
- A ideia de ressurreição aparecerá bem mais tarde, embora afirmada sem 
qualquer credibilidade… Aqui, a angústia da eternidade desconhecida. 
Angústia de Job, a nossa angústia! E perguntaríamos com ele: 
“Acaso voltará a viver um Homem que já tenha morrido?” Em que 
vida? Em que eternidade, já que, no tempo, tal será de todo impossível?

- É! Aqui, está o cerne da questão, da nossa questão, porque é exactamente 
esta a VERDADE que vivamente procuramos! Acusar o Todo-poderoso 
não será certamente o nosso objectivo. Só se for invectivando-O por 
criar em nós tantas expectativas de eternidade e nenhuma certeza nos dar 
de que não serão completamente frustradas! Mas também poderíamos dizer 
com o destemido Job: “Mesmo que Ele nos queira matar, não nos 
importamos!” Aliás, que temos, que teríamos a perder, caro Job? E isto, sem 
recorrer ao determinismo a que tu recorreste, dizendo que Deus sabe 
perfeitamente que os dias do Homem já estão contados desde que nasceu do 
ventre materno!… 

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