terça-feira, 6 de outubro de 2015

O grande erro do cristianismo


O grande erro dos inventores/iniciadores do cristianismo – Paulo, 
evangelistas, discípulos – foi o de fazerem Filho de Deus, o 
homem chamado Jesus.

                                                      S. Paulo, por Diego Velázquez

É que, para que tal afirmação surtisse efeito junto das pessoas dadas
 a crendices, fortemente ignorantes e com ausência de espírito crítico 
sobre as “verdades” propaladas como tal e que lhes foram sendo 
“vendidas”, tiveram que inventar muitas outras “verdades” 
absolutamente falsas, ou, se quiserem, sem qualquer fundamento para 
serem validadas. Assim,
- nasceram, com os evangelistas, os supostos milagres operados por 
Jesus, a quem Pedro, num acto de arrebatamento perante um homem 
realmente extraordinário, chamara “o Cristo, o Filho de Deus vivo” 
(se é que tal afirmação não foi uma interpolação tardia no evangelho de 
Mateus, já que tal suprema afirmação da divindade de Jesus só é 
referenciada por ele, Mt 16,16);


                                                        O evangelista Mateus, 
                                     o maior inventor de milagres atribuídos a Jesus

- nasceram todos os acontecimentos 
extraordinários à volta do nascimento de Jesus, desde a inconcebível 
Maria que deu à luz sendo virgem (narrativa imitando tradições e relatos 
de nascimentos daquele modo dos deuses pagãos antigos, obviamente, 
inventados, já os próprios deuses já os milagrosos acontecimentos), até
ao cântico dos anjos e dos pastores, aos reis magos trazendo oferendas...


                                                                 O evangelista Lucas, 
                                        o inventor de todos os acontecimentos milagrosos 
                                                   que rodeiam o nascimento de Jesus

- nasceram todas as extrapolações da última ceia de Jesus com os seus 
discípulos, inventando-se o fenómeno da eucaristia (com óbvia deturpação 
das palavras de Jesus), fenómeno que continua a ser pregado em todas 
as missas como verdade absoluta, estando Jesus-Deus realmente presente 
sob aquelas espécies de pão e vinho;
- nasceu o insondável mistério – que invenção absurda, santo Deus! – 
da Santíssima Trindade, mistério imposto aos crentes pelo concílio de 
Niceia, em 325, rectificado ou completado pelo de Constantinopla em 381, 
contra o parecer de muitos, sendo Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito 
Santo, um só Deus trino em pessoas e sendo o Filho a visão que o Pai 
tem de si mesmo e o Espírito Santo o elo de amor que une o Deus Pai à 
sua imagem, isto é, ao Filho. Em boa verdade, quem em seu perfeito 
juízo pode acreditar em tal absurdo?
- nasceu, no mesmo Concílio de Niceia, o inacreditável – por absurdo – 
Credo católico que os gurus actuais, com algumas variantes na tradução 
da versão latina, fazem recitar aos fiéis em todas as missas.
- enfim, nasceram todos os outros dogmas, mistérios e tradições que 
inundam a chamada religião cristã, (céus, infernos, anjos e santos e
demónios, almas, purgatório, indulgências...) religião que, afinal, se
dividiu em três (católicos, ortodoxos e protestantes), conforme os
interesses regionais em que o cristianismo se inseriu.
    Temos, pois, um cristianismo sem qualquer credibilidade, tanto do 
ponto vista histórico, como do ponto vista crítico, caindo em absurdos 
que ninguém consegue explicar, refugiando-se os seus gurus nos tais 
mistérios. Chamar mistério ao que não se entende nem tem explicação 
plausível é uma boa panaceia para os vendedores de mentiras, neste caso, 
os que apregoam a religião cristã, tal como no-la impuseram os nossos 
antepassados.
    Ora, bastaria que os criadores do cristianismo tivessem sido honestos 
e, em vez de inventarem num Jesus, o Cristo, o Filho de Deus, tivessem 
dito aquilo que ele realmente foi: um grande homem, um Messias, um 
Enviado de Deus, um grande visionário, se quiserem, um grande 
revolucionário, ao apregoar a fraternidade universal e o perdão não 7 
vezes mas 70 vezes sete e muitos outros ensinamentos ligados ao amor 
ao próximo e à constituição de uma sociedade tanto quanto possível 
perfeita, assente num humanismo total, para que tivéssemos uma religião 
realmente aceitável por toda a humanidade, sem mistérios e sem 
falsidades, sem fantasias e invenções. Mas não: preferiram o caminho 
da mentira, da falsidade, da invenção. E aí está um cristianismo 
facilmente atacável nos seus princípios e… nos seus fins.
    Aliás, não há uma única passagem no NT em que Jesus afirme 
explicitamente: “Eu sou o Filho de Deus”. São sempre meias palavras, 
referências de terceiras pessoas, como a já referida tirada de Pedro ou 
como a resposta a Pilatos: “Tu és o Filho de Deus? – Tu o dizes”. 
Obviamente, uma resposta não explícita. Todas as outras inúmeras 
referências de Jesus ao “Meu Pai que está nos Céus”, não têm qualquer 
valor afirmativo de que ele se considerasse Filho de Deus, na pura 
acepção da palavra. Todos, na verdade, poderemos dizer-nos “filhos 
de Deus-Pai criador”, aquele Deus que será o TODO UNIVERSAL, o 
Deus de Espinoza ou Einstein, e não qualquer Deus inventado pelos 
criadores de religiões. Javé de Moisés e dos judeus seria este Deus se 
não fosse o Deus exclusivista de Israel, mandando matar tudo o que 
beliscasse tal povo; Alá dos muçulmanos também seria este Deus se não 
fosse tão humanizado por Maomé e, infelizmente! – humanizado no pior 
que o Homem tem: a vingança, o extermínio dos que não acreditam nele 
e no seu suposto profeta.
    Concluiremos democraticamente: A CADA UM, A SUA ESCOLHA 
E AS SUAS CRENÇAS EM TOTAL LIBERDADE.
    Esta é uma frase que nenhum muçulmano, obedecendo ao execrável 
Corão, poderá dizer! INFELIZMENTE, para a humanidade, dado os 
cerca de mil milhões que inundam o Planeta.


5 comentários:

  1. Na próxima mensagem, apresentaremos "A religião verdadeira, única e universal", sem os deuses das religiões actuais que dividem os Homens e os levam não à humanidade e fraternidade universal pregada pelo judeu Jesus (a começar e a acabar na sua terra, Israel), mas ao ódio, à guerra, ao extermínio, irmão matando o irmão - facto que aconteceu tanto ao longo da História, desde o violento e sanguinário JAVÉ de Moisés/Israel, passando pelo simpático Deus-Pai de Jesus, continuando com o não menos sanguinário Alá de Maomé, prolongando-se pelas Cruzadas, pela Inquisição, pelas guerras entre católicos e protestantes, entre xiitas e sunitas, guerras que, certamente com outro cariz, pontuam no mundo actual. Ah, quando teremos um Homem novo capaz de construir a tal fraternidade universal, por enquanto uma completa utopia?
    Recordo que esta RELIGIÃO foi apresentada com algum detalhe no livro "Um mundo liderado por Mulheres", já esgotado e ainda não reeditado, mas que se consegue obter, ao preço de 10,00€ + portes correio, enviando um pedido para fr.dom@netcabo.pt

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  2. Quando iniciei minha pesquisa diletante acerca da origem do cristianismo, eu já tinha uma ideia formada que pode parecer esdrúxula: a perseguição aos judeus. Portanto, nada de Bíblia, teologia e história das religiões. Todos os que haviam explorado esse caminho haviam chegado à conclusão alguma. Contidos num cercadinho intelectual, no máximo, sabiam que o que se pensava saber não era verdade. É isso o que a nossa cultura espera de nós, pois não tolera indiscrições. Como o mundo não havia parado para que o Novo Testamento fosse escrito, o que esse mesmo mundo poderia me contar a respeito dessa curiosidade histórica? Afinal, o que acontecia nos quatro primeiros séculos no mundo greco-romano, entre gregos, romanos e judeus? Ao comentar o livro “Jesus existiu ou não?”, de Bart D. Ehrman, exponho algumas das conclusões as quais cheguei e as quais o meio acadêmico de forma protecionista insiste ignorar.

    http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/paguei-pra-ver

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    1. Não li o livro de Ehrman nem o seu comentário. Mas também já aqui, no blog, publiquei um pequeno livro, ainda inédito: "Quem me chamou Jesus Cristo? O Menino Jesus existiu?", onde concluo, depois de análise simples, clara e concisa, de que todo o suposto divino que rodeia a personagem Jesus foi inventado. Na minha opinião, parece-me claro que Jesus existiu como um judeu revolucionário ao pregar, naquele tempo de tantos conflitos étnico-religiosos, a fraternidade universal, o amor entre os Homens. Que os meios académicos continuem a ignorar o que para mim é evidente é de espantar. Já não espanta que os meios religiosos continuem a alimentar o manancial que lhes dá alimento, dinheiro e vida. Veja-se o que se passa com o rico Vaticano ou com o pornograficamente rico Bispo Macedo, no Brasil.

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