sábado, 20 de abril de 2013

O Eu Cósmico

Solicitado para apresentar/explicar este enigmático “Eu”, se quiserem em inglês, o “Self”, façamos um interregno na saga da vida de JC
O conceito de Eu Cósmico deu origem ao meu livro, com o mesmo nome, publicado pela Europa-América. E o que é? – Obviamente, falamos de uma introspecção filosófica, em que nos colocamos literalmente fora de nós e da nossa circunstância quotidiana, para nos situarmos algures, no espaço sideral – o cosmos – donde podemos, sem peias, quer emocionais, quer racionais ou práticas, analisar o que realmente somos: um pequeno ponto que apareceu num dado momento do Tempo Universal – categoria que tudo controla desde o átomo ao Universo – num dado ponto do espaço sideral – no nosso caso, a Terra – e que, logo em outro momento desaparece, sem deixar qualquer rasto de perenidade.
Olhando, pois, o Universo no seu todo, o Eu Cósmico situa-se na fronteira ou no horizonte em que se pode enxergar de um e de outro lado da “cortina”, a cortina do Desconhecido que cria o nosso drama exstencial.
Daqui, partimos para uma visão muito mais adequada da realidade que a Ciência já colocou ao dispor do Homem moderno e que os nossos antepassados, mesmo os da primeira metade do séc. XX, não possuíam. Refiro-me aos enormes progressos feitos no campo da Astronomia.
Assim – permitam-me lembrá-lo, pois é de capital importância para perspectivar o Eu Cósmico e a análise que “ele” faz da realidade que lhe assiste (nos assiste!) – sabemos maravilhas que vão desde o átomo e, mesmo, as nanoparticulas, até aos confins do Universo, ignorando – alguma vez o saberemos? – se o Universo é infinito ou não, portanto se tem limites ou não, e como se processa o seu “eterno retorno do mesmo ao mesmo através do diverso”. A Ciência – na sua humildade, só afirmando como Verdade o que conseguiu provar com dados sólidos de acordo com o método da experimentação/análise, aceitando benevolamente outra Verdade que “destrone” a primeira, obviamente com provas credíveis – pensa ter descoberto a origem deste Universo que conhecemos, colocando-a no Big Bang, há c. de 15 mil milhões de anos, através da constatação do afastamento das galáxias, movimento que teria tido início na explosão desse primeiro núcleo inicial, cujas dimensões e composição se ignoram completamente. Mas a Ciência nada diz – nada sabe! – sobre o que havia antes do Big Bang e sobre o que acontecerá ao movimento imparável do afastamento das galáxias. Uma hipótese, é que a um Big Bang se suceda um Big Crush, no tal eterno retorno do mesmo ao mesmo através do diverso.
E se considerarmos as distâncias, as que nos separam – já não refiro dentro do sistema solar que, mesmo assim, chegam a ser de biliões de quilómetros – das outras estrelas e galáxias, só poderemos ter alguma noção delas, medindo-as em anos-luz, desde os 4,2 AL que nos separam da estrela mais próxima de nós, a Próxima Centauri, até aos 100 mil que a nossa galáxia, a Via Láctea, tem de diâmetro, até aos 2 milhões que separam a Via Láctea da que lhe fica mais próxima, a Andrómeda, até galáxias e estrelas que estão tão distantes que, embora tenham durado muitos milhares de milhões de anos, já se apagaram há muito, mas só agora, está chegando até nós a sua luz.
Perante tamanha realidade, só nos apetece exclamar: “Fantástico!”. Fantástico, mas é a realidade que o Eu Cósmico enxerga, para se situar no seu ser o tal pontinho que é no Tempo, num determinado ponto deste enigmático – apesar de já tanto sabermos sobre ele! – espaço cósmico, partindo para a análise do drama existencial que afecta todo o ser racional, o Homem, nas conhecidas perguntas: “Quem sou eu? O que faço aqui? Para que existo? Porque eu e não outro em meu lugar? O que vai restar de mim e desta luz (razão) que me ilumina e me faz capaz de pensar tudo isto, quando o meu tempo – tão curto, santo Deus, em relação ao Tempo Universal! – se acabar?” E muitas mais perguntas sem resposta! É que não temos mesmo respostas nenhumas credíveis! Nem da Religião, nem da Ciência!
Resta-nos o sonho!...
E resta-nos um desejo: “Se todos fôssemos capazes de ter a atitude de um Eu Cósmico, seríamos mais felizes, RIRÍAMOS MAIS EM VEZ DE DAR LUGAR ÀS LÁGRIMAS, faríamos mais felizes os que nos rodeiam, apreciaríamos até ao limite este dom divino que nos foi outorgado pelos deuses, pelo Deus em que acreditamos ou, simplesmente, pelo Acaso da Natureza: a VIDA!” Enquanto, para cada um de nós, houver vida!...”

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