sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 253/?


À procura da VERDADE nos Evangelhos

Evangelho segundo S. MATEUS – 49/?

– Voltemos a falar dos tronos no Céu prometidos por Jesus aos apóstolos:
Doze tronos! E os apóstolos a sentirem-se ali reis, imaginando-se de ceptro na mão e com o poder de julgar as tribos de Israel! E até Judas, o traidor, teve direito! Afinal, não foi direitinho para o inferno pois ainda se arrependeu de ter vendido a Cristo por trinta dinheiros, quando, dependurado na figueira, ainda lhe restavam alguns fulgores de vida!
E Cristo, sabendo antecipadamente disto, não hesitou em falar em doze tronos…
Aliás, caso houvesse problema com o afastamento de Judas, certamente haveria muitos candidatos ao lugar dos que não pertenciam aos doze, como S. Paulo, S. Lucas, S. Marcos… E porque não uma mulher? Se não fosse a Virgem, poderia ser Maria Madalena, a predilecta de JC. Pois, certamente, o machismo não reina no Céu como reinou em toda a Bíblia do A.T., sem ter sido abolido convenientemente no Novo de Jesus Cristo… Ou, à falta de melhor, o Bom Ladrão que de certeza foi para o paraíso, pela afirmação de Cristo na cruz, embora reportada apenas por Lucas: “Hoje mesmo estarás comigo no paraíso.” (Lc 23,43) Aqui, não se compreende que o “facto” seja omitido por Mateus e Marcos que apenas dizem: “Até os ladrões que foram crucificados com Ele O insultavam.” (Mt 27,44; Mc 15,32), nada dizendo João...
Só resta perguntar, brincando: “Que “gozo” celestial aquele dos apóstolos em sentar-se num qualquer trono e julgar umas quaisquer tribos?
Mas… deixemos estas imaginações e façamos a pergunta-chave: “O que é isso de «deixar casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos, terras por minha causa»”? Esses que tudo abandonarem por causa de Jesus terão, de certeza, a vida eterna? Então, se acreditamos em Cristo, porque não deixamos pai, mãe, irmãos, irmãs, filhos, terras e… partimos?
Lá deixar, até talvez fôssemos capazes de tal feito, embora com a saudade - e talvez remorso, que certamente seria obra do diabo! - doendo no coração. Mas compreenderíamos aquele “por minha causa”? Depois, não se apela, embora que subrepticiamente, aliciantemente e realmente, ao espírito tão natural e tão humano da ganância do Homem? “Há-de receber muito mais!” - afirma-se. Quem, na vida, não quererá dar dez se sabe que vai receber cem?! O nosso grande, grandíssimo problema é não saber como, nem onde, sendo tudo apenas… FÉ!
E voltámos à pergunta-não-menos-chave: “Se é uma questão de Salvação ou Condenação eternas, porque é que a “mezinha” para as alcançar não é clara, simples, evidente para toda a gente, todas as raças, todos os povos, de todos os tempos passados, presentes e futuros? Porquê?…”
Ainda, mais contundente: “Se todos - e todos teriam o direito, não é? - se todos deixassem pai, mãe, irmãos, irmãs… “ - Não! Não pode ser! É completamente inexequível! Cristo pede-nos ou exige-nos o impossível! Então…
Então, temos vontade de gritar mais uma vez: “Como pudeste aconselhar-nos, aconselhar todos os Homens a procederem de tal modo para terem a vida eterna?”
É simbólico! - poderia JC responder-nos. Para não vos agarrardes às coisas deste mundo mas apenas vos interessardes pelas celestiais…
– Problema é que nunca sabemos o que é esse teu Céu… E, por isso, o nosso avassalador descrédito em Ti, Jesus! Nós que queríamos tanto - e Tu que lês nos corações – lerás? - sabe-lo bem! - nós que queríamos tanto confirmar-nos na Fé em Ti, que já nos tentaste convencer do divino que és pelos teus inúmeros milagres…
No entanto, constatamos que foram estas tuas palavras e outras semelhantes que levaram tantos e tantas, ao longo da História, a meterem-se em conventos ou a irem para o deserto, esperando pacientemente que esta vida passasse - não se compreendendo porque não tinham coragem de abreviar os seus dias, ali, com um veneno qualquer - bastava deixarem-se morder por uma cascavel que bem apreciaria tal “petisco” com a fome que por lá andaria… Eles apenas acreditaram na tua palavra! Eles apenas queriam a vida eterna que lhes prometeste! Eles apenas fizeram o que Tu mandaste! E agora, onde estão eles? Poderás dizer-no-lo? Quererás dizer-no-lo? Estão no prometido Céu ou no total… NADA?
– É! Era tão fácil! Era tão fácil acabar com todas as perguntas, sanar todas as dúvidas!… Bastava que cá viessem - deixem-nos repetir! - esses todos que Te seguiram, ó Jesus. Bastava! Eles nos diriam toda a Verdade que ainda não nos disseste, embora andes sempre a falar nela!… E que Te custa mais este milagre? Não seria bem empregue, já que nos serviria de salvação a nós que estamos perdidos… em dúvidas? Não vieste “salvar o que estava perdido”? (Mt 18,11) - repetimos à exaustão. Então, cumpre, por amor de Deus, o que disseste! Cumpre e acreditaremos! Cumpre e salvar-nos-emos!

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

A eutanásia ou morte medicamente assistida


Do direito a viver ao dever de partir

Visitei, em solidariedade natalícia, um Lar de idosos. Uns 60 utentes. Metade, em cadeira de rodas. Um quarto deles, completamente dependentes. O outro quarto, ainda se movimentando e até saindo à rua, para ver o movimento e o Sol. Dos dependentes, alguns acamados há vários anos: não morrem, apesar de nada serem nem para eles nem para os outros; apenas corpos onde ainda bate um coração e os pulmões ainda respiram, oxigenando o sangue que corre por aquele corpo com vida, mas sem vida humana. Um desses utentes, uma mulher – os homens morrem mais depressa!, diz-me a Directora – acamada há 11 anos! Uma vida completamente inútil, um enorme fardo para a sociedade!
E eis-nos chegados ao ponto fulcral da questão: “Há o direito a viver a qualquer custo, mesmo sem qualquer dignidade, pois de humano já apenas se tem a forma…, ou o dever de partir e dar lugar a outros – outros que sejam úteis a si próprios e à mesma sociedade – sem mais encargos sociais?” É que esses oitentões, noventões, centenários já deram o seu contributo à comunidade e já usufruíram dela também largo contributo recíproco. Agora, já não são úteis nem para si nem para a comunidade onde se inserem. E o partir é uma questão de dias, meses ou anos já que, como diz o ditado: “À morte ninguém escapa, nem o rei nem o papa!” Então, porque se alimenta um corpo que já nem uma alma sustenta?
Soluções!
(Não vale a pena fazer como fazem esses estudantes que vêm para a rua bradar por medidas contra as alterações climáticas, fazendo greve, em vez de irem estudar soluções que proporiam aos seus governos e a todo o mundo, através das redes sociais para atingirem os objectivos que reclamam do alto do seu bem-estar e da sua apetência para o consumismo: “Como reduzir o uso de plásticos? Como limpar rapidamente os oceanos que deles estão infestados, afectando toda a fauna e flora marinhas, que tanto alimento nos proporcionam? Como reduzir/controlar a população mundial para que não cresça mais, já que é espécie predadora de tudo o que comestível e a grande poluidora do ambiente? Como basear a economia não no consumo desenfreado de coisas não essenciais, produzindo enorme poluição, mas na produção e consumo dos bens essenciais? Como manter, apesar disso – pois uma enormíssima parte do emprego está na produção e venda de produtos não essenciais – o emprego, pois todo o Homem tem o direito/dever de ter um trabalho com que se sinta realizado e útil à sociedade? Etc., Etc., Etc.” - desculpem-me este aparte despropositado!)
Então, soluções, já que morrer é um acto normal da Vida e um “acto” inevitável:
A – Promover, depois, obrigar todas as pessoas, enquanto lúcidas, a declararem:
1 – Como querem/gostariam de morrer. Com ou sem dignidade.
2 – Como querem ser tratadas quando, analisando os vários estádios de velhice, facilmente catalogáveis, se encontrarem num desses estádios: 
2.1 – Corpo saudável mas mente completamente louca; 
2.2 – Corpo com várias limitações e mente completamente sã: 
2.3 – Corpo completamente dependente e mente ainda sã; 
2.4 – Corpo completamente dependente e mente completamente louca (último estádio da degradação de uma vida que já foi humana mas já o não é).
B – Agir em conformidade com a declaração de cada um, sendo esta acção executada por serviços públicos criados para o efeito, sem intervenção de terceiros, sobretudo familiares. Escusado será dizer que as formas de execução são fáceis de aplicar, com os novos fármacos existentes, fármacos que atenuam dores e anestesiam alguma vida que possa existir em seres que já foram humanos mas deixaram de o ser, embora ainda não tenham dado o último suspiro, permitindo-lhes, assim, e satisfazendo a sua vontade, partir em paz, em tranquilidade, sem sofrer, “voando” suavemente para a eternidade que a todos nos espera…
Esses serviços públicos bem poderiam ter um nome simpático, como OS ANJOS DE DEUS...
Sejamos realistas, caramba! 
Que, aqui, a razão comande a emoção! E Viva a VIDA, enquanto num corpo há vida humana digna!

sábado, 11 de janeiro de 2020

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 252/?



À procura da VERDADE nos Evangelhos

Evangelho segundo S. MATEUS – 48/?

– É certamente um apelo ao celibato, quando Jesus diz: “Há homens castrados porque nasceram assim; outros, porque os castraram; outros ainda castraram-se por causa do Reino do Céu. Quem puder entender que entenda!” (Mt 19,12)
– Poderemos deduzir que, para quem não puder entender, também não haverá problema. Basta amar e perdoar ao próximo que alcançará o Reino do Céu, na mesma… Mas… o que é castrar-se por causa do Reino do Céu? É imperdoável que JC não tenha explicado o que queria dizer. Deveria falar claro para que todos o entendessem pois só assim cumpriria a sua missão.
Bem! Renúncia ao sexo ou ao casamento para estarem disponíveis para a comunidade sem compromissos de mulher e filhos, entende-se. Se bem que nem sempre é um mar de rosas, ter mulher e filhos!… Se não houver o tal amor ao próximo, a tal doação sem pensar em receber… o tal perdoar setenta vezes sete…
Enfim, se a salvação é para todos, tem de ser para os que entendem e para os que não entendem. Outra não poderia ser a justiça divina! Por isso, Cristo poderia muito bem ter omitido o “Quem puder entender que entenda!”…
– As crianças também servem de comparação para o reino de Deus: “Deixai vir a Mim as criancinhas (…) porque o Reino de Deus é dos que são como elas.” (Mt 19,14) - repete-se Jesus. E nós, também repetindo-nos: “Ser simples, ser como crianças… que vida nos propões, Jesus, para alcançarmos tal Reino? Que vida?” Mais uma vez palavras bonitas que não passaram de… palavras, metáforas sem sentido prático!
– Mas há mais… palavras! Estas, enigmáticas…: “Jesus disse ao jovem: «Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu. Depois, vem e segue-Me!» Ao ouvir isto, o jovem retirou-se cheio de tristeza porque era muito rico. (…) E Jesus: «É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus.» Os discípulos, espantados, perguntaram: «Então, quem é que pode ser salvo? (…) Olha que nós deixámos tudo (…) Que recompensa teremos?» E Jesus: «Eu vos garanto: no mundo que há-de vir, quando o Filho do Homem Se sentar no trono da sua glória, vós, que Me seguistes, também vos sentareis em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel. E todo aquele que tiver deixado casas, irmãos e irmãs, pai, mãe, filhos, campos, por causa do meu nome, receberá muito mais e terá como herança a vida eterna.” (Mt 19,21-29)
– Enigmáticas e… dramáticas! Melhor dito: trágicas! E as perguntas novamente caem em catadupa:
Deixando, para já, “cair” o deixar tudo e seguir Jesus, o tesouro no Céu e a história do camelo…, perguntemos: “Então, há de certeza outro mundo? Qual? Onde? Como? Quando? Que provas nos apresentas, ó Jesus Cristo? E onde é que o Filho do Homem tem o seu trono de glória para nele Se sentar? E estará sempre sentado ou dará uns passeiozitos ali pelos paraísos perdidos do Céu?… E com que corpo Se sentará Ele?… E como será o trono? Grande safira como o descreveram os escritores do A.T?…” Meu Deus, como é grande a vontade de brincar com estas coisas, congeminar fantasmagorias e delirantes situações!… Mas logo perco tal vontade, por tudo bulir com o nosso fim último, o fim que realmente interessa a qualquer Homem, pois dele depende uma eternidade, eternamente feliz no Céu ou… infeliz no inferno! Se é que a eternidade existe, apesar das palavras “terá como herança a vida eterna” que não passam disso mesmo: PALAVRAS!

sábado, 4 de janeiro de 2020

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 251/?


À procura da VERDADE nos Evangelhos

Evangelho segundo S. MATEUS – 47/?

– Outra história não menos tocante é aquela de perdoar ao irmão “não até sete vezes mas até setenta vezes sete!” (Mt 18,22)
– Realmente, como o mundo seria diferente se fosse um mundo de perdão! Chegar-se-ia a um ponto tal de perdão que já não haveria a quem perdoar pois todos seriam “irmãos” perdoadores… E, obviamente, não haveria mais guerras de retaliação quer inter-familiares quer internacionais.
Até o trocadilho “sete vezes” e “setenta vezes sete” nos faz sorrir! É a música da palavra a realçar o seu significado…
– Já não se compreende é a nova comparação: “O Reino do Céu é como um rei que resolve acertar as contas com os seus empregados.” E àquele que não perdoou ao seu irmão a dívida como o rei lhe tinha perdoado a sua, o rei “mandou entregá-lo aos torturadores até que pagasse toda a dívida. É assim que procederá convosco o meu Pai que está no Céu, se cada um não perdoar do fundo do coração ao seu irmão.” (Mt 18,23-35)
– JC não diz como o Pai iria torturar os pecadores. É pena, pois seria mais um dado a ter em conta em ordem a prepararmos a vida eterna… Mas quem usar de perdão e de amor para com o seu “irmão” terá o Reino do Céu (reino que não se sabe bem o que é, mas reino que funcionaria bem na Terra, transformando-a num Paraíso...) O Céu é que a nossa mente não consegue alcançar, nem entender, nem aceitar, frustrando-se essa ânsia de certeza na eternidade que, de vez em quando, nos invade…
– Ah, atenção! Atenção! Há mais milagres: “Muita gente O seguiu e ele curou todos os doentes.” (Mt 19,2)
– Que maravilha! Naqueles tempos, e naquela região, não eram necessários médicos nem hospitais: estás doente, vais a Jesus e ele cura-te!... É de se deixar “encantar” por este Jesus que tal poder tem e cura assim todos os doentes! Não seria até bom adoecer, com Jesus ali por perto, para ter o “prazer” e a dádiva divina de ser curado assim, sem se dar por isso? Agora paralítico e, logo ali, a andar? Agora cego e, logo ali, a ver? Agora surdo e começar, de repente, a ouvir todos os sons da Natureza? E tantas outras deficiências ou enfermidades a serem curadas?
Aliás, que sensações terão experimentado tais miraculados? E todos teriam tido a Fé suficiente para que fossem dignos de tais curas?
E afinal, quem os curaria: a Fé deles ou o poder de Jesus Cristo? Ou, novamente: não foram mais uns quantos milagres inventados por Mateus, e que, como os anteriores, simplesmente não aconteceram?
– Também Jesus gosta de citar as Escrituras. Do Génesis, refere: “O Criador, desde o início, os fez homem e mulher. (…) Por isso, o homem deixará o pai e a mãe e se unirá à sua mulher e os dois serão uma só carne. Portanto, o que Deus uniu o Homem não deve separar. (…) Moisés permitiu o divórcio porque sois duros de coração. (…) Quem se divorciar da sua mulher, a não ser em caso de fornicação, e casar com outra, comete adultério.” (Mt 19,4-9)
– O apelo é claro! A mensagem do perdão e do entendimento… presente! Pois quem se divorcia, fa-lo-á certamente porque não sabe ou não é capaz de perdoar as setenta vezes sete vezes. Quanto à fornicação (fora do casamento, claro), pela referência ao divórcio de iniciativa apenas do homem, não se percebe se é proibida só à mulher...
Mas… quem aguentará mulher ou marido a quem é preciso andar sempre a perdoar? E porque há-de ser sempre o mesmo sacrificado ou… crucificada? Porque há-de levar essa cruz toda a vida? Ainda se tivesse a certeza do Céu e que, oferecendo a sua cruz a Deus, isso lhe angariava um lugar nesse Céu! Assim, teria forças para perdoar… sempre! Mas sem um Céu de certezas absolutas à vista, não haverá humano que aguente…
Enfim, JC não respeitou a nossa qualidade de seres racionais, assim feitos pelo Criador divino, ao “vender-nos” o seu Céu e o seu Pai nele, apenas com palavras apoiadas em supostos milagres, milagres que não convenceram os do seu tempo nem nos convencem a nós, por total falta de provas credíveis.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 250/?



À procura da VERDADE nos Evangelhos

Evangelho segundo S. MATEUS – 46/?


– E, ainda falando do Céu, a nossa vontade é de explodir, gritando: “Caramba! Não haverá melhor do que esta “Comédia Divina” para nos ser apresentada a nós, Homens, seres racionais que somos e que não queremos ser ridículos, caminhando para um Céu de um Deus ridículo?” Ao criarem tal “Comédia”, não ridicularizaram as religiões a própria essência do Homem a quem se destinam?
E directamente a Jesus Cristo, que tal Céu nos leva a imaginar com as suas palavras ditas de vida eterna: “Será esta a Verdade que nos anuncias? É este Céu nonsense que nos prometes? Tu que conhecias o íntimo dos do teu tempo e, como Deus eterno, conheces também o nosso e o de qualquer pessoa que viveu, vive e viverá, não sabias que este Céu não nos convencia sem milagres que se repetissem pelo tempo fora, para cada Homem, em cada lugar, pois terá que haver justiça e todos, para serem julgados e eleitos ou condenados, terão de estar nas mesmas circunstâncias?… Se aqueles viram os teus milagres e acreditaram (estranhamente, a maior parte não!) e se salvaram, porque não nós? Porque a nós só é dada a fé em palavras, já não tuas directamente mas por interposta pessoa, neste caso, o teu discípulo Mateus?” A injustiça é colossal mas… não temos outra alternativa senão continuar contigo, caro Jesus Cristo, e tentar descortinar a justiça divina que tem de existir em algum lugar…
– A história do homem que vai à procura da ovelha perdida, deixando as noventa e nove e alegrando-se mais por a ter encontrado do que por não ter perdido as outras noventa e nove, é… comovedora! Já não se entende é o “Da mesma maneira, o vosso Pai que está no Céu…” (Mt 18,14) pois o que será Deus-Pai alegrar-se por uma “ovelha perdida” ou, se quiseres, um pecador arrependido?
É! O próprio Jesus Cristo continua a humanizar Deus, quase como fizeram os escritores do A.T. Não acreditamos que tal humanização nos traga alguma coisa de bom…
– “Tudo o que ligardes na Terra será ligado no céu e tudo o que desligardes na Terra será desligado no Céu.” (Mt 18,18)
– Repete Mt 16,19. Não se percebe o que é este ligar e desligar. E também não percebemos como o Céu e a Terra estão assim tão próximos, tão dentro e tão fora de nós… É que não sentimos nada de Céu por aqui… (Isto, além do Céu ser apenas atmosfera terrestre iluminada pela luz do Sol…)
– “Se dois de vós aqui na Terra (…) pedirem qualquer coisa em oração, o meu Pai que está no Céu a dará. Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, Eu estarei no meio deles.” (Mt 18,19-20)
– As palavras… bonitas! A realidade… Pois quem acreditará que as coisas se realizam conforme os nossos desejos - que podem muito bem não serem os de Deus! - se é que Deus tem desejos… - se rezarmos e se rezarmos em comunhão de dois ou mais? Quem garantirá que as coisas acontecem deste ou daquele modo porque se rezou? Ou se acontecem como pedimos, dizemos que foi Deus que atendeu a nossa oração e se não, dizemos que nos faltou a tal fé que, mesmo do tamanho do grão de mostarda, conseguiria arrasar montanhas? Ou – mais caricato e nonsense – não eram os desígnios de Deus, a vontade de Deus, os desejos de Deus?
E voltamos a humanizar Deus! Ridículo e um nonsense total! É que JC fala em Céu como se fosse já ali e lá estará o seu Pai, nosso Deus, para nos ouvir e ajudar e amar, etc., etc.
Ah, quantos sentimentos de culpa tal oração não atendida provoca nos crentes, meu Deus! Quantos não se deixarão levar pelo desespero se uma, duas, vezes sem conta não são atendidos nas suas fervorosas orações que, embora fervorosas, não têm Fé que baste!…
Depois, a oração em comum ser mais válida ou mais atendível por Deus que a oração individual… só no plano da força mental… humana, evidentemente…
Enfim, resta dizer que este conceito de oração a Deus – oração de pedido ou oração de louvor – é de um nonsense total. É que Deus não precisa de nós para nada. E esta Verdade JC não a entendeu…

sábado, 21 de dezembro de 2019

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 249/?


À procura da VERDADE nos Evangelhos

Evangelho segundo S. MATEUS – 45/?

– “Não desprezem nem um só destes pequeninos! Pois declaro-vos que os anjos deles, lá no Céu, estão sempre na presença de meu Pai celestial.” (Mt 18,10)
– Ora bem, quem maltrata crianças são os pedófilos, alguns pais bêbedos e renegados, alguns oportunistas perversos que não se importam de lucrar com mercancia de jovem carne humana. Todos estes bem merecem o fogo do inferno nesta e na outra vida! Mas… sejamos justos! Como qualquer pecador no tempo e na Terra, eles não podem pagar com castigo eterno pecado aqui cometido! Por muito grande que tenha sido!… Digamos – “brincando com o fogo do Inferno…” – uma labareda de fogo infernal por cada açoite ou mau-trato infligido injustamente a uma criança; mil labaredas bem quentes até lhes queimar bem aquele “corpinho”, sobretudo o órgão prevaricador, aos violadores!... Depois, pena cumprida, seriam restituídos à paz do Céu. É que são Homens, caramba! Não são Deus nem deuses! Têm por isso direito a errar, embora tenham de pagar pelos erros cometidos. É assim a justiça humana. Não será ainda mais a justiça divina?! Isto, obviamente, baseados no Inferno proposto, lá mais atrás, por Jesus…
– E que dizer dos anjos de cada criança? Também nós teremos um anjo? Onde estará o anjo da criança que um dia fomos?
Mas… o que estarão a fazer na presença do Pai celestial? Não serão necessários cá na Terra junto de cada criança para as protegerem contra os seus agressores? E se há tantas crianças maltratadas, onde estão os seus anjos que as não protegem? Já estarão estas crianças a sofrer para desconto dos seus pecados futuros, como muitos ensinam, e assim, mais facilmente alcançarem a vida eterna?
– Os anjos… Não sabemos se os poderemos considerar simbólicos se reais. Então, demos largas ao nosso imaginário, inspirando-nos também no A.T:
Um céu!… Uma vastidão imensa, circundada por montanhas de diáfano azul, perdendo-se em nevoeirentos horizontes… Verdes recantos paradisíacos perdidos por aqui, por além, em catadupas de cascatas e de flores… E… os anjos! Miríades de anjos por toda a parte, de longas vestes brancas, brilhantes, de olhos sempre postos no trono, com asas voando!… E nesse trono, majestático, sublime, omnipotente… Deus! O Deus eterno! O Deus dos exércitos! O Deus dos anjos, dos santos e… dos demónios! Deus!… À sua direita, os anjos e santos preferidos (pois, que este Deus também tem preferências…), fazendo-Lhe guarda de honra - embora não precise de guarda nenhuma, é tudo a fingir, só no faz-de-conta como nas brincadeiras de criança… E multidões de outros anjos e de todos os eleitos que já partiram da terrena vida e que alcançaram a eterna, cantando Hossanas, em coros celestiais, todos afinadíssimos - que outra coisa não seria de esperar da perfeição celestial, pois isso de desafinar é só para os terrestres - e louvando e tocando em arpas, flautas e violinos celestiais, que só se ouvem conforme os ouvidos quiserem ouvir, bem em hard rock para os mais jovens, suaves melodias para outros de ouvidos mais sensíveis e delicados, estridentes uns, suaves outros como convém aos mais contidos, que no céu também deve haver diferenças de sentidos e de sentires, de caracteres, de modos de se emocionar - se é que há lugar para as emoções, quem o saberá?… Uns servindo a Deus divinos manjares (sim, que este Deus também se alimenta…) em taças de jade, cristal ou alabastro, outros fazendo vénias em permanência, outros ocupando-se em apanhar as gotas de néctar que poderão cair da boca de Deus - tem de ter boca não é?!… E também terá sede e fome e corpo, como qualquer anjo ou santo, embora tudo a fingir, no faz-de-conta, porque tudo tem de ser glorioso e imaterial, etéreo, diáfano… Ai, isto é tudo tão confuso, tão nonsense, tão impossível de ser real embora tão fácil de imaginar, tornando-nos ridículos a nós e ao Céu e a Deus, e aos anjos e aos cânticos e a toda a realidade celestial!… Exactamente porque a quisemos “inventar” à imagem e semelhança do Homem… Só por isso!
– Desculpem! Exagerámos propositadamente. Foi a este cenário fantasmagórico que fomos levados pelas palavras do mesmo simpático Jesus, assim apresentado pelos evangelhos onde se baseiam as religiões cristãs.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Afinal, ó Homem, quem és tu?



Meditação para as férias de Natal, a minha “prenda” para os leitores

Respondendo àquela pergunta, responde-se também a outras que se dizem existenciais, eivadas de dramatismo: “Donde viemos? O que fazemos aqui? Para onde vamos?”
E temos duas respostas totalmente opostas: a das religiões e a da Ciência.

Respondem as religiões: “O Homem é uma criatura de Deus, dotada de corpo e alma, alma espiritual e que, por isso, não poderá morrer com o corpo mas viverá eternamente, num Céu com Deus, seu Criador, se se portou bem na vida terrena, ou no Inferno com o Diabo e o seu fogo, se foi mau o seu comportamento, tendo-se deixado levar nas asas do saboroso pecado.”

Responde a Ciência: “O Homem é o produto da evolução e, na evolução, dentro da espécie dos primatas, num ciclo vital que já leva cerca de três mil e quinhentos milhões de anos, em que da matéria brotou a VIDA, dadas as condições de humidade e calor para que tal milagre acontecesse, ciclo que deve ter passado por muitos altos e baixos, com glaciações e períodos de calor intenso, tendo o Homem aparecido apenas há cerca de quatro milhões de anos, quando alguns primatas se puseram de pé nas estepes africanas, desenvolvendo, por essa postura, um cérebro onde pontua uma inteligência dotada de várias capacidades, mas sobretudo capaz de raciocínios abstractos, (inteligência racional) e de emoções (inteligência emocional).”

 Ora, constatamos que o Homem definido pelas religiões não tem qualquer hipótese de comprovação como acontece com o definido pela Ciência.
Segundo as religiões – organizações mentais inventadas por alguns homens ditos iluminados e apresentando-as aos outros humanos como sendo de verdades absolutas – quando de Verdade nada têm, mas apenas especulações, imaginações, efabulações, delírios, invenções… – segundo as religiões, o Homem é uma espécie de semi-recta: nasce no Tempo e prolonga-se por toda uma eternidade, onde gozará para sempre do prémio ou do castigo merecido pela vida terrena que levou. Ora tal afirmação é um total nonsense que deveria envergonhar quem tal mentira inventou, pois é invenção eivada de uma total injustiça: “Como pagar com uma eternidade, prémio ou castigo, acções praticadas num breve período de Tempo que é a vida humana?”

Como tudo o que as religiões apregoam e defendem e pregam por esse mundo fora é totalmente falso, as religiões só se aguentarão enquanto houver néscios e ignorantes à face da Terra, néscios acríticos que facilmente são levados às crenças ou crendices, por medos e remorsos de tantos actos que na vida nem sempre são as melhores opções, culpabilizando-se e pedindo perdão ao suposto Deus-Criador existente lá no Céu. É que não há céu nenhum, mas apenas uma Terra que rodopia à volta da sua estrela, o Sol, rodeada da sua atmosfera que, devido à refracção da luz solar nos parece azul, dum belíssimo azul ora profundo ora diluído no branco escuro das nuvens e nos seus rosa-alaranjados, do nascer e do pôr-do-Sol! E também, por impossível, não há eternidade nenhuma para quem tenha começado no Tempo! Nem tão pouco Inferno, invenção delirante mas que levou muitos a não cometerem crimes contra os seus irmãos humanos, possuindo o Homem, no seu ADN, tendências antropofágicas inatas. (É, pelo menos, o que a História do Homem conhecida, nestes cerca de vinte mil anos, revela em toda a sua crueza.) Pior: todas as evidências levam ao Homem da Ciência, totalmente terreno e perecível. É que, dos muitos que já viveram e que morreram, nenhum cá veio dizer o que se passava lá pela eternidade… Até custa a crer como os vendedores de ilusões conseguem ter tantos crentes e tantos seguidores. Enfim, viva a santa ignorância! Mas – raciocínio totalmente válido, por realista – que importa, se as crenças ou crendices ajudam a viver melhor esta vida que é a certa?

O "Homem da Ciência" é o que faz sentido: ele é um elo na cadeia evolutiva, cadeia que se sabe como começou mas não se sabe onde nem quando nem como acabará, tendo a Terra mais uns quatro mil e quinhentos milhões de anos de vida, enquanto o seu Sol não morrer e não se transformar numa anã branca sem calor para, nela, sustentar Vida.
Mais: cada um de nós é apenas um pontinho que, como qualquer ser que nasce, assim desaparece, integrando-se, após os seus oitenta ou cem anos de vida, no donde veio: a Terra. Mas a Terra também é pontinho, neste caso, azul, pertencendo ao sistema solar que é apenas um dentro dos mais de duzentos mil milhões que constituem a nossa galáxia, a Via Láctea. E a galáxia é apenas uma dentro de milhares de milhões de outras que se supõe existam por esse Universo cujo princípio se pensa ter sido o Big Bang, mas cujo fim e extensão são completamente ignorados pela Ciência, embora se especule sobre tão magno assunto, tudo se regendo por leis, nem sempre rígidas, da gravidade – atracção/ repulsão – tudo sempre em movimento, correndo não se sabe para onde nem até onde…, tudo a distâncias tão abismais que só se conseguem medir em anos-luz!

Dentro desta incerteza científica que não questiona o que havia antes do Big Bang, por estar fora do seu alcance de análise, eis uma teoria que faz sentido, embora a nossa limitada inteligência – apesar de fantástica por poder pensar tudo isto – não tenha capacidade para a perceber:
«Tudo é matéria e energia. Tudo existiu desde sempre e existirá para sempre, num Espaço Infinito. Tudo, portanto, é eterno. E este TUDO está em perpétuo movimento, indo sempre do mesmo ao mesmo através do diverso, numa eterna monotonia cósmica, monotonia que talvez o não seja, porque, neste vai-vem, tudo se transforma, tudo se renova, num colossal espectáculo de vida e de morte. Este TUDO É…. DEUS, numa concepção do TODO ABSOLUTO, INFINITO E ETERNO, como só Deus pode ser. E, sendo o TUDO o Deus único e possível, tudo serão partículas d’Ele – nós também, obviamente, na nossa efémera passagem pelo Tempo!»

Lindo e credível, não é? E nós a sermos partículas de Deus… fantástico! Assim, nem temos pena de não sermos eternos, perpetuando-se, num enigmático sem-fim, a nossa parte racional-emocional que nos individualiza e caracteriza como ser humano. Mas… essa parte é pura matéria, pura energia, sendo “apenas” fruto da actividade dos mais de cem mil milhões de neurónios e suas sinapses que constituem o cérebro, matéria e energia perecíveis aquando do perecer do corpo que as sustenta e alimenta, alimentando-se da Terra donde proveio.
Agora, devidamente iluminados por estes raciocínios de cariz científicos, a escolha é individual: ou o EU religioso ou o EU científico. O melhor é escolher o que nos ajudar a viver mais sorridentemente esta vida que é a certa. A outra pertence à fantasia!

BOM NATAL e UM NOVO ANO CHEIO DA MELHOR SAÚDE POSSÍVEL, tratando bem deste corpinho que é o que nos traz vivos e mantém viva e activa aquilo a que um dia os clássicos chamaram simplesmente de… ALMA!