segunda-feira, 18 de julho de 2016

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 106/?

À procura da VERDADE nos livros Sapienciais

Livro da SABEDORIA – 4/6


- “Escutai, reis (…), o vosso poder vem do Senhor (…)” 
(Sb 6,1-3)
- Quantos poderosos não se fundamentaram nesta “inofensiva” 
afirmação dita de inspiração divina, para dominarem povos 
e nações! Matarem, massacrarem, roubarem, violarem… tudo em 
nome de Deus! Ora a verdade é que o poder sempre veio das 
armas e do dinheiro do mais forte. Haverá na História uma única 
prova em contrário? Mesmo o poder democrático de hoje - bem 
vistas as coisas - é tantas vezes tão pouco democrático!…

- “No entanto, (…) não julgastes com rectidão, não observastes a 
Lei nem procedestes conforme a vontade de Deus. Por isso, Ele 
cairá sobre vós de modo (…) terrível (…). Os pequenos serão 
perdoados com misericórdia, mas os poderosos serão examinados 
com rigor.” (Sb 6,4-6)
- Mais afirmações megalómanas mas gratuitas. Logo, inúteis. Ou 
então, ficamos pelo desejo. É que, aqui na Terra, a justiça é 
muitas vezes feroz para os fracos, escapando facilmente dela os 
poderosos!

- “O princípio da sabedoria é o desejo autêntico de instruir e desejar 
instruir-se é já amá-la. Amá-la é observar as leis da sabedoria (...). 
A observância das leis é garantia de imortalidade. E a imortalidade 
faz com que a pessoa fique perto de Deus. Portanto o desejo da 
sabedoria conduz ao reino.” (Sb 6,17-20)
- O “reino” é certamente o mesmo de Jesus Cristo, o dos céus. Mas 
é totalmente gratuita a firmação de que “A observância das leis é 
garantia de imortalidade.” Aliás, o que são essas leis? O que é 
realmente a sabedoria?
- Diz o “nosso” comentador: “A sabedoria é o bom senso que cresce 
e se aprofunda (…) no exercício contínuo do discernimento sobre 
circunstâncias e situações (…) É o dom de Deus que forma no 
Homem o bom senso interior. Este permite perceber o sentido interno 
de todas as coisas (…) (Notas a 6,12-21 e 7,15-21, ibidem). 
A sabedoria, aqui, será pura personificação poética ou realidade 
entre Deus e o mundo? Pessoa divina? (…) Muitas das suas funções 
ou atribuições vão transitar para Jesus ou para a acção do Espírito 
Santo.” (Notas a 4,20-5,23, ibidem)

- Também nós comungamos destas e de muitas outras dúvidas. Que a 
sabedoria seja o “bom senso” e que deste bom senso dependa a 
imortalidade no face a face com Deus, no reino… parece pura 
fantasia! Enfim, é a perene tentativa do Homem de ligar o humano 
ao divino, sem jamais perceber plenamente onde está a 
VERDADE, onde está DEUS! E perguntamos, talvez repetindo-nos: 
Porque é que Deus se esconde assim do Homem e não se manifesta 
claramente? Criando em nós o desejo de O conhecer, de ficarmos 
eternamente com Ele, após a morte, porquê deixa em todos os 
humanos a dúvida de se realmente Ele existe ou se não passa de 
invenção das nossas mentes? Porquê? É frustrante! Revoltantemente 
frustrante! É que - e vamos repetir-nos! - toca o essencial, o mais 
importante das nossas vidas! Quem poderá entender - e aceitar! - este 
esconder-se de Deus? Se a vida eterna - a que realmente conta, não 
esqueçamos! - se prepara com esta terrena, porque não sabemos 
claramente se existe e como se alcança? E assim, de frustração em 
frustração, vamos descrendo da eternidade, da sabedoria, do nosso 
próprio desejo de sermos imortais, da… existência de Deus! Será 
que Jesus Cristo nos dará alguma resposta mais convincente do que 
todos estes livros do A.T. que - perdoem-me todos os anjos e santos, 
profetas e, sobretudo, perdoe-me Deus! - não passam de histórias 
com algum conteúdo de boa conduta moral e… social mas que não 
passam de “palavras” humanas?

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Onde a verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 105/?

À procura da VERDADE nos livros Sapienciais

Livro da SABEDORIA – 3/6


- “Feliz a mulher estéril que permanece irrepreensível (…) Feliz 
também o eunuco que não cometeu injustiça (...) É melhor não ter 
filhos e possuir a virtude (…) Os filhos nascidos de uniões ilegais 
testemunharão a perversidade dos seus pais, quando estes forem 
julgados.” (Sb 3,13-14 e 4,1-6)
- Além do descabido elogio do eunuco e da mulher estéril, pois são 
de louvar todos os justos, tenham filhos ou não, novamente o 
julgamento! Mas… como será tal julgamento, pregado, aliás, 
também por Cristo e consagrado no Credo católico: “… que 
há-de vir a julgar os vivos e os mortos…”? Quem realmente o fará? 
Deus? Jesus a quem fizeram filho de Deus e chamaram Cristo? 
Em que fim do mundo? Que mundo? É de notar a ignorância, 
ao tempo, da realidade científica Terra/Sol/Universo e do que 
realmente é o fim do mundo, melhor, da Terra. A Fé obriga o crente 
a acreditar em reais falsidades quer a nível da Ciência quer a 
nível do objectivo da vida humana: preparar a eterna, junto de 
Deus ou do diabo, no céu ou… no inferno! Um total absurdo que 
agride a nossa racionalidade! Na realidade, o fim do mundo é, para 
cada humano, o fim da sua vida na Terra. Esta a única verdade 
credível.

- “Os injustos (…) dirão (…) entre soluços e gemidos de angústia: 
(…) Que vantagem tirámos da nossa riqueza arrogante? Tudo 
desapareceu como sombra (…) fugaz! Os justos, porém, vivem para 
sempre, recebem do Senhor a recompensa (…)” (Sb 4,20 e 5,3-15)
- Mais uma afirmação totalmente gratuita! Portanto, sem qualquer 
credibilidade. Apenas baseada no nosso desejo de imortalidade e… 
de justiça.

- “(O Senhor) tomará o seu próprio zelo como armadura e armará a 
criação para castigar os inimigos. Vestirá a couraça da justiça e 
colocará o capacete do julgamento que não admite suborno. 
Tomará como escudo a santidade invencível, afiará a espada da 
sua ira implacável e o Universo combaterá ao seu lado contra os 
insensatos. Os raios partirão das nuvens como flechas bem apontadas 
e voarão para o alvo como de um arco bem retesado. A sua funda 
lançará furiosa saraivada, a água do mar enfurecer-se-á contra eles, 
e os rios sem piedade afogá-los-ão. O sopro do poder divino 
levantar-se-á contra eles e dispersá-los-á como um furacão. É assim 
que a injustiça devastará a Terra toda e a maldade derrubará o trono 
dos poderosos.” (Sb 5,17-23)

- Desculpem-nos a longa transcrição. É que estava inspirado o autor, 
embora apenas de palavras ocas, sem sentido. De divino, fica a 
impotência na luta, a ira implacável… É o retomar da Bíblia 
antiga no seu pior! Um Deus obviamente impossível! E os injustos 
e a injustiça serão assim uma força tamanha que sejam precisos céus e 
Universo para os aniquilar? 
O discurso é megalómano… desnecessariamente!

domingo, 10 de julho de 2016

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 104/?

À procura da VERDADE nos livros Sapienciais

Livro da SABEDORIA – 2/6


- “(…) Deus criou o Homem para ser incorruptível e fê-lo à 
imagem da sua própria natureza. Mas, pela inveja do diabo, 
entrou no mundo a morte que é experimentada por aqueles que 
lhe pertencem.” (Sb 2,23-24)
Que grande confusão! Que afirmações gratuitas! Não encontrou 
melhor explicação para a morte, senão a obra do diabo? Que 
credibilidade poderá ter este autor? Na verdade, se vimos de Deus 
e somos da sua própria natureza, então seremos parte dele e com 
Ele eternos, desde sempre e para sempre. É o que nós pensamos! 
Mas, feliz ou infelizmente, não com esta individualidade. Sim, na 
perpetuidade em que nos movemos como partículas, antes dispersas 
no Universo, agora reunidas no ser que somos, com este corpo 
e esta alma, depois, novamente partículas dispersas pelo Universo, 
fazendo parte de qualquer ser que delas deitar mão, na eterna 
renovação da Criação… Será esta a nossa eternidade! Pelo menos 
é o que nos diz a razão, embora a nossa alma fique desconsolada, 
pois quiséramos realmente ser eternos, mas com este corpo ou ao 
menos com esta alma, conhecendo todas as realidades que se nos 
escapam agora no tempo, por sermos tão limitados!…

- “As almas dos justos estão nas mãos de Deus e nenhum tormento os 
atingirá. (…) Os justos estavam a cumprir uma pena, mas esperavam 
a imortalidade. Por uma breve pena, receberão grandes benefícios (…) 
No dia do julgamento, eles resplandecerão (…) Eles governarão as 
nações, submeterão os povos (…), compreenderão a verdade (…), 
viverão junto de Deus no amor (…). (Sb 3,1-9)
- Quase repugnam tais afirmações! Então, ser justo é sofrer, 
esperando desse modo alcançar a imortalidade? E onde se funda o 
haver um julgamento? E, havendo-o, será justo receber muito por 
“uma breve pena”? E como é que os justos governarão as nações 
e submeterão os povos? Que verdade compreenderão? Como será 
isso de viver junto de Deus no amor? Tudo parece não passar de 
pura fantasia do autor! Suave imaginação, inspirada nos antigos 
escritos bíblicos… O expressar de um desejo… sem consistência de 
fundamento inteligível…

Diz aqui o “nosso” simpático comentador: “Sob influência grega, 
surge pela primeira vez na Bíblia, a palavra imortalidade. Esta, 
porém, está associada ao ideal israelita da justiça: os justos viverão 
para sempre, na glória com Deus; ao contrário, os injustos, pelo seu 
próprio procedimento, renunciam já à imortalidade. (…) Nesta 
perspectiva, a sobrevivência após a morte depende do modo como a 
pessoa vive nesta vida.” (ibidem)

- É, no mínimo, estranho tal comentário. É que não se percebe: Foi a 
influência grega ou foi Deus que inspirou a este autor a ideia de 
imortalidade? E porque foram necessários quase mil anos de Bíblia 
para que tal conceito aparecesse? É admissível um Deus, uma 
mensagem divina que dependa de conceitos criados por humanas 
civilizações?

terça-feira, 28 de junho de 2016

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 103/?

À procura da VERDADE 
nos livros Sapienciais – 103/?

Livro da SABEDORIA – 1/6

Diz-se na Introdução ao Livro da Sabedoria:
“Na ordem cronológica, Sabedoria é o último livro do A.T. (…) 
Um judeu de Alexandria, escreveu o livro pelos anos 50 a.C. (…) 
Para ser correctamente avaliado, o livro deve ser entendido no 
contexto em que surgiu. (…) A cultura grega (…) com as suas 
filosofias, costumes e cultos religiosos (…) e às vezes, 
perseguição aberta (…), constituía uma ameaça constante à 
fé e à cultura do povo judaico. (…) Profundamente conhecedor 
das Escrituras, (…) o autor (...) procura reforçar a fé (…) dos 
judeus, impregnados do helenismo e não esquece os gregos a 
quem quer mostrar a superioridade da sabedoria judia. (…) 
Confrontado com o drama do justo que morre sem ter gozado 
a sua recompensa, este livro dá um salto qualitativo ao 
desvendar que aos justos, para além da morte física, são 
reservados vida e prémio junto de Deus. Dois termos bem 
gregos exprimem a ideia da recompensa futura: imortalidade 
e incorruptibilidade. (…) Foi a maneira de integrar na 
corrente sapiencial a esperança da ressurreição corporal (…) 
para sair da crise dolorosa, interpretada exemplarmente por 
Job e pelo Eclesiastes.” (ibidem)
Então, é um livro histórico, bem datado. Então, deve ler-se 
à luz da situação no tempo. Então, a imortalidade e a 
incorruptibilidade foram “o caminho encontrado”, o que não 
quer dizer que seja o verdadeiro… Para livro divino ou de 
inspiração divina, livro que se quisera fundamento da nossa 
fé entendida pela razão, acerca da imortalidade da alma, da 
recompensa eterna do justo e do castigo eterno do injusto, 
não parece ser de irrefutável ou inquestionável credibilidade…
 E a grande pergunta que se coloca para este livro como para 
toda a Bíblia, para o Corão, os Vedas, etc.: “Porquê livros 
de inspiração divina, melhor, ditados por Deus a este ou 
àquele autor, autor dito sagrado”? “Que provas”? – A 
resposta, para um analista crítico, só pode ser uma: “Nenhuma 
prova! Nenhuma razão para tal divina inspiração! Nenhuma 
prova para a existência de tal Deus inspirador! Tudo inventado! 
Logo, tudo falso!...”

- “O espírito do Senhor enche o Universo, dá consistência a todas 
as coisas e tem conhecimento de tudo o que se diz. Por esse 
motivo, quem diz coisas injustas não Lhe escapará e a justiça 
vingadora não o poupará.” (Sb 1,7-8)
De novo, um Deus vingativo… Em cerca de mil anos, os judeus 
pouco evoluíram sobre a ideia de Deus!

- “Raciocinando de forma errada, os injustos comentam entre si: 
A nossa vida é curta e triste: quando chega o fim, não há 
remédio e não se conhece ninguém que tenha voltado do mundo 
dos mortos. Nascemos por acaso e depois seremos como se 
nunca tivéssemos existido. A nossa respiração é fumo e o 
pensamento é uma faísca produzida pelo pulsar do coração. 
Quando a faísca se apaga, o corpo transforma-se em cinza 
e o espírito espalha-se como ar sem consistência. Com o 
tempo, o nosso nome fica esquecido e ninguém mais se lembra 
do que fizemos. A nossa vida passa como rasto de nuvem e 
dissipa-se como neblina expulsa pelos raios do Sol e dissolvida 
pelo seu calor. A nossa vida é uma sombra que passa e depois 
de morrer não voltaremos. (…) Sendo assim, vamos gozar os 
bens presentes e gozar das criaturas com o ardor da 
juventude. Vamos embriagar-nos com os melhores vinhos e 
perfumes e não deixar que a flor da Primavera nos escape. 
Vamos coroar-nos com botões de rosa, antes que murchem. 
Que nenhum de nós falte às nossas orgias. Vamos deixar por 
toda a parte sinais da nossa alegria porque essa é a nossa 
sorte e o nosso destino. Vamos oprimir o justo pobre e não vamos 
poupar as viúvas, nem respeitar os cabelos brancos do ancião. 
A nossa força será a regra da justiça porque o fraco é claramente 
coisa inútil.” (Sb 2 1-11)

- Falam bem estes insensatos! Realistas! A verdade que 
conhecemos, no corpo e na alma. Exactamente o que nós pensamos,
 pertencendo por isso ao rol dos injustos… Mas não pensavam 
assim os justos Job e Coélet? Depois, a faísca do pensamento não 
estará no pulsar do coração mas do cérebro! E, para deixar por 
toda a parte a alegria de viver, não é preciso oprimir o justo ou 
as viúvas e muito menos desrespeitar os cabelos brancos do ancião… 
Aqui, o autor quis introduzir um pecado… desnecessário. 
Apenas conveniente para defender a sua tese. Também não se 
percebe porque é que só o injusto vê com realismo o que acontece 
ao Homem, sendo o prazer e a alegria de viver o que 
finalmente lhe resta… Estas afirmações parecem evidenciar 
que o autor terá ficado realmente perturbado com a leitura de Job 
e do Eclesiastes. Logo, o Deus que o inspirou (inspirou?!), deveria 
estar também perturbado. O que é, obviamente, inadmissível.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 102/?

À procura da VERDADE 
nos LIVROS SAPIENCIAIS e POÉTICOS 

CÂNTICO DOS CÂNTICOS – 4/4

Deliciemo-nos, pela última vez, com a repetida cena de dois 
amantes apaixonados:
- “És bonita, minha amiga (…) formosa como Jerusalém.
   Tu és terrível como esquadrão
   com bandeiras desfraldadas.” (Ct 6,4)
A comparação bélica parece tosca! Destoa. Quebra o romantismo…
- “Afasta de mim os teus olhos,
   que os teus olhos me perturbam!
   O teu cabelo (…) os teus dentes (…) os teus seios (…)” 
(Ct 6,5-7)
   “Sejam (…) rainhas (…) concubinas (…) donzelas (…) sem 
conta, mas uma só é a minha pomba, sem defeito, uma só a 
preferida (…). As jovens, (…) as rainhas e concubinas 
felicitam-na: Quem é esta que desponta como a aurora, bela 
como a Lua, fulgurante como o Sol, terrível como esquadrão 
com bandeiras desfraldadas?” (Ct 6,8-10)
Tímido ou… galanteador, este amante? - Galanteador, sem 
dúvida!
- “Os seus pés (…) como são belos (…)!
   As curvas dos seus quadris (…)
   obras de um artista.
   O seu umbigo… essa taça redonda
   onde o vinho nunca falta.
   O seu ventre, monte de trigo
   rodeado de açucenas.
   Os seus seios, dois filhinhos
   filhos gémeos de gazela.
   O seu pescoço, uma torre de marfim.
   Os seus olhos, as piscinas de Hesebon (…)
   O seu nariz (…) a torre do Líbano (…)
   A sua cabeça (…) como o Carmelo
   e os seus cabelos (…) prendendo um rei nas tranças.
   Como és bela (…)!
   Tens o porte da palmeira
   e os teus seios são os cachos.
   E eu pensei: Vou subir à palmeira
   para colher dos seus frutos!
   Sim, os teus seios são cachos de uva
   e o sopro das tuas narinas perfuma
   como o aroma das maçãs.
   A tua boca é um vinho delicioso
   que se derrama na minha,
   molhando-me lábios e dentes.” (Ct 7,2-10)
Os olhos… os seios… e novamente os seios… O amado 
apaixonado não resiste a tais encantos!















- “Eu sou do meu amado,
   o seu desejo trá-lo para mim.
   Vem, meu amado,
   vem ao campo, vamos pernoitar debaixo dos cedros,
   madrugar pelas vinhas. (…)
   Aí darei o meu amor…
   Grava-me como selo no teu coração,
   como selo nos teus braços;
   pois o amor é forte, (…)
   As águas da torrente jamais poderão apagar o amor
   nem os rios afogá-lo. (…) (Ct 7,11 e 8,6-7)
Assim se termina. O Cântico é sem dúvida belo. Belíssimo! 
De inspiração, “divina”! Mas o permanente chamamento ao 
prazer dos sentidos é tão humano, tão doce, tão apelativo!… 
Enfim, fica-nos a beleza das palavras, das cenas, do romance. 
O divino perde-se no mistério!…


terça-feira, 14 de junho de 2016

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo testamento (AT) - 101/?

À procura da VERDADE 
nos LIVROS SAPIENCIAIS e POÉTICOS

CÂNTICO DOS CÂNTICOS – 3/4

Os apaixonados continuam elogiando-se, cativando-se:


- “Vem, (...) noiva minha, (…) e entra comigo (…)
   Roubaste o meu coração (…) com um só dos teus olhares (…)
   Como os teus amores são belos (…)
   são melhores do que o vinho
   e mais fino que os outros aromas
   é o odor dos teus perfumes.
   Os teus lábios são favos de mel a escorrer (…)
   Tens leite e mel sob a língua
   e o perfume dos teus vestidos
   é como a fragrância do Líbano.” (Ct 4,8-11)
Amante completamente perdido!… Enfeitiçado! Comentar é estragar 
o enlevo.
- “Desperta, vento norte! Aproxima-te, vento sul! Soprai no meu 
jardim para espalhar os (…) perfumes. Entre o meu amado no meu 
jardim e coma dos seus frutos saborosos!”
- “Já entrei no meu jardim (…) noiva minha, colhi a minha mirra e 
o meu bálsamo, comi o meu favo de mel, bebi o meu vinho e o meu 
leite.” (Ct 4,12-16 e 5,1)
Comeu, bebeu e… viu que era bom, pois exclama, delirante: “Comei 
e bebei, companheiros, embriagai-vos, meus caros amigos!” (Ct 5,1)
- “Eu dormia,
   mas o meu coração velava
   e ouvi o meu amado que batia:
   Abre, minha irmã, minha amada,
   pomba minha sem defeito! (…)
   Já despi a túnica
   e vou vesti-la de novo? (…)
   O meu amado mete a mão
   na fenda da porta:
   as entranhas estremecem-me,
   a minha alma ao ouvi-lo, desmaia.
   Ponho-me de pé
   para abrir ao meu amado:
   as minhas mãos gotejam mirra (…)
   Abro a porta ao meu amado,
   mas o meu amado já se tinha ido…” (Ct 5,2-6)
Porquê se fora embora o amado? Não chegou até ele o perfume 
do corpo sem túnica da sua amada? Ou o amor é assim feito 
de encontros-desencontros, tendo de haver sofrimento no mesmo 
amor?!
- “O meu amado é branco e rosado (…)
   A sua cabeça é ouro puro (…)
   Os seus olhos… são pombas
   à beira de águas correntes (…)
   As suas faces são canteiros de bálsamo (…)
   Os seus lábios são lírios (…)
   Os seus braços são torneados em ouro (…)
   O seu ventre é um bloco de marfim (…)
   As suas pernas, colunas de mármore
   O seu aspecto (…) altaneiro como um cedro
   A sua boca é muito doce…
   Todo ele é uma delícia! (…)
   Eu sou do meu amado
   e o meu amado é meu (…) (Ct 5,10-16 e 6,3)”

Não há dúvida: o amado é o mais belo dos homens aos olhos da 
sua amada… apaixonada!

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 100/?

À procura da VERDADE 
nos LIVROS SAPIENCIAIS e POÉTICOS

CÂNTICO DOS CÂNTICOS – 2/4

Sem introduções, oiçamos o sonho:












- “Macieira entre as árvores do bosque
   é o meu amado entre os jovens;
   à sombra dele eu quis sentar-me
   com o seu doce fruto na boca.
   Ele levou-me à adega
   e contra mim desfralda
   a sua bandeira de amor.
   Sustentai-me com bolos de passas
   dai-me forças com maçãs, oh!
   que estou doente de amor…
   A sua mão esquerda
   está sob a minha cabeça,
   e com a direita ele me abraça.” (Ct 2,3-6)
Deliciosa cena! Uma terna e delicada sensualidade…
- “Filhas de Jerusalém, (…)
   não desperteis, não acordeis o amor,
   até que ele o queira!”
  “ A voz do meu amado!
   Ei-lo que vem correndo pelos montes,
   saltitando pelas colinas!
   O meu amado é como um gamo (…)
   Ei-lo (…) espiando pela janela (…) e diz-me:
   «Levanta-te, minha amada,
   formosa minha, vem! (…)
   Deixa-me ver a tua face,
   deixa-me ouvir a tua voz
   pois a tua face é tão formosa
   e tão doce a tua voz! (…)»
   O meu amado é meu e eu sou dele. (…)
   Antes que (…) as sombras desapareçam
   volta! (…)
   No meu leito, pela noite, procurei o amado da minha alma.
   Procurei e não o encontrei!
   Vou levantar-me
   vou rondar pela cidade
   pelas ruas e pelas praças
   procurando o amado da minha alma (…)
   Agarrei-o e não vou soltá-lo
   até o levar a casa da minha mãe
   ao quarto daquela que me trouxe no seio.” 
(Ct 2,7-17 e 3,1-4)
É uma amada determinada em não perder o seu amado. 
Este retribui galanteios:
- “Como és bela, minha amada,
   como és bela!…
   São pombas os teus olhos (…)
   O teu cabelo (…) um rebanho de cabras (…)
   Os teus dentes (…) um rebanho tosquiado
   Os teu lábios (…) fita vermelha,
   a tua fala melodiosa.
   Metades de romã são os teus seios
   mergulhados sob o véu
   O teu pescoço é a torre de David (…)
   Os teus seios são (…) filhos gémeos de gazela,
   pastando entre açucenas (…)
   És bela, minha amada,
   e não tens um só defeito!” (Ct 4,1-7)

A paixão obnubila a mente! Como seria a vida de dois corações 
perenemente apaixonados? Nunca se descortinariam defeitos?! 
A relação perfeita?!…