A BÍBLIA ESTA RELIGIÃO
VI
Festas
–
Festas o ano inteiro! Não a santos que os não haverá, mas sempre e só a Deus e
às suas manifestações:
-
festas das flores, das árvores, dos animais, da fertilidade, do renovar-se da
vida em tempos de Primavera;
-
festas do Sol, do calor, da água, das colheitas, das frutas e legumes em tempos
de Verão;
-
festas das vindimas e do vinho, dos figos e tâmaras, nozes e amêndoas e das
folhas caindo em tempos de Outono;
- festas da chuva, do gelo, do nevoeiro, do frio, da neve, dos citrinos em tempos de Inverno;
-
a grande, a magnífica festa do renascer do Sol no solstício do Inverno,
como era tradição nos antigos com os seus deuses solares que vinham em cada ano
inundar de vida a Natureza.
E, neste Solstício de Inverno, ninguém
perderá o seu Natal cheio de canções não ao “Menino-Deus” que não existe,
mas a todos os nascimentos de seres humanos passados, presentes e futuros, com
todas as ternuras tão próprias das crianças!
Assim,
ninguém perderá nenhuma das Carols Christmas, embora com novas letras –
haja poetas inspirados! – o Silent
Night, o We wish you a merry Christmas, o O come, all ye faithful
– tradução para inglês do Adeste fideles atribuído ao rei D. João IV de
Portugal – todos os Gloria in excelsis Deo que se quiserem cantar, também
com novas letras, evocando tanta beleza que há, em formas e cores, nos seres
vivos da Terra…
Ninguém perderá prendas, compras, azáfamas
stressantes da volúpia do escolher, do adivinhar, do comprar, do oferecer,
continuando todos a serem levados, quer queiram quer não, na onda-avalanche que
invadiu como tsunami as sociedades modernas de consumo, a todos se desejando,
tantas vezes apenas por dever de ofício, “Boas Festas!”, abarrotando as
crianças de prendas, os adultos de comezainas e bebedeiras, chorando lágrimas
de crocodilo mas nada ou pouco fazendo pelos muitos milhões que morrem de fome
por esse mundo fora, sobretudo exactamente as que mais perto estão do Natal: as
crianças!
Mas, certamente com a nova religião, tais
escândalos não se produzirão nas consciências e todas as festas serão cheias de
significado social, genuíno e fraterno, festas sempre esfuziantes, cheias de
luz, calor e som, inundadas de gloriosas orações.
O Natal continuará, assim, a ser a festa
das festas! Um Natal de toda a gente, com um presépio em forma de berçário, um
pai universal, uma mãe universal, um menino universal, decorações de brinquedos
que bem poderão ser as forças e as belezas da Natureza representadas em
animais, estrelas, árvores, frutos, sementes e flores, todos sendo filhos de
Deus – nelas, o Sol que é apenas uma pequena estrela com os dias contados como
qualquer mortal, embora vivendo os seus quase quatorze mil milhões de anos – um
Natal da própria VIDA que renasce em cada morte, seja aqui na Terra que
conhecemos, seja nos totalmente desconhecidos confins do Universo!...
Tudo isto, fazendo esquecer o simpático e
ternurento Natal inventado pelo Cristianismo, comemorando o nascimento daquele
menino a quem se chamou Jesus Cristo, nascido de uma Virgem engravidada por um
Deus chamado Espírito Santo, numa suposta gruta em Belém de Judá… Bucólico,
romântico, emotivo mas… nada real, tudo do domínio da fantasia!
Enfim, a festa da Ciência e do
Conhecimento, com muitos filmes explicando para todos os humanos tudo o que
se sabe e se vai sabendo ou descobrindo acerca da REALIDADE QUE NOS CIRCUNDA,
ONDE NOS INSERIMOS E ONDE APARECEMOS, POR OBRA E GRAÇA DA EVOLUÇÃO DA MATÉRIA E
ENERGIA QUE COMPÕEM O UNIVERSO, donde, um dia, brotou VIDA! Indo desde o
“Antes do Big Bang” até ao possível “Big Crunch” e o “Depois dele”, talvez num
eterno retorno do mesmo ao mesmo através do DIVERSO! Esta será uma festa sempre
planeada para uma noite sem luar, apagando-se todas as luzes da cidade para que
todos se possam deleitar com a miríade de estrelas e astros visíveis no Céu de
um negro profundo, a olho nu ou com a ajuda de potentes telescópios. Um delírio
de emoções, sentindo a nossa tão pequena pequenez e insignificância perante o
majestoso e enigmático firmamento, cada um colocando-se no seu lugar de “pequeníssima
partícula de matéria animada e inteligente” que está passando pelo TEMPO, daí
tirando ilações…
Mas
muitas outras festas serão possíveis no mundo da fraternidade universal:
- a festa dos pais, das mães, dos avós, das
crianças...;
- a festa das mulheres, dos homens, dos
jovens...;
- a festa até – improvável! – dos maridos
obrigados a desmesurada paciência, das mulheres escravizadas, das crianças
maltratadas (enquanto tais abusos houver e, obviamente, com o objectivo de
acabar com eles)...;
- e ainda a festa – também improvável! – dos
que passam fome, dos que se sentem discriminados, dos sem-abrigo, dos
deserdados da sorte que, nesse dia, esquecerão o desconsolo que o Destino lhes
outorgou, esperando que a solidariedade universal lhes devolva a sorte perdida
ou nunca tida...
Tantas festas a colmatar a falta das
religiões actuais, quando, aceite que for a Verdade da Ciência, forem dadas
como totalmente “falidas” ou sem sentido!
A Bíblia desta Religião é precedida de um Preâmbulo explicativo e justificativo da necessidade de se criar uma Nova Religião. Uma Religião credível, claro! É que o Homem é um "animal religioso", queira-se ou não! Publicá-lo-emos no final.
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