sábado, 27 de dezembro de 2025

Que final possível para terminarmos a nossa análise crítica da Bíblia?

 Final possível – 2/2

Foram 436 textos!

 Hipótese 1

 – Jesus é realmente o Cristo, o Enviado, o Filho de Deus, o Messias anunciado para instaurar não um reino terrestre mas um reino celeste, o Salvador, não de um povo - Israel - mas de toda a humanidade, o Pregador, não da felicidade numa vida terrena/efémera, mas na vida eterna…

    E nem Lhe perguntaríamos porque tantas vezes Se apelidava de Filho do Homem, quando o mais importante era afirmar-se Filho de Deus…

    E abraçaríamos esse inefável Jesus e a sua mensagem, acreditando cegamente nas suas palavras de vida eterna e de um Céu de bem-aventurança, no seio de Deus-Pai, deixando-nos “levar” pela magia irradiante da sua sabedoria e poder que estão muito para além do comum dos mortais, como tantos já o fizeram ao longo destes dois mil anos, tornando-se santos e santas, dando a vida por esta mensagem, pensando embora que em troca iriam receber a vida eterna, tal como Cristo o prometera, criando artistas de obras incomparáveis em riqueza de cores e sentimentos e em número incalculável, que enchem igrejas e museus de todo o mundo e fazem as delícias dos nossos olhos extasiados perante tanta beleza, tantas vezes de crueldades feita…

    … Sem já falarmos desses “monstros sagrados” que são as obras de música clássica, com os tremendos Requiem, inspirados no apocalíptico Dies Irae, Dies Illa, as diferentes versões da Paixão, com coros de beleza inexcedíveis, Missas de Requiem ou triunfais, Alleluias de efusiva glória ou ternurentas melodias de Natal…

    É! Quão mais pobres seríamos se não tivéssemos acreditado num Jesus Cristo ressuscitado dos mortos!… Quão mais pobres se, desde os princípios, tudo tivessem questionado racionalmente, como nós o fizemos ao longo destas páginas!… Tivéssemos apenas insistido em mistérios, em enigmas, em parábolas que não entendemos, em vida eterna sem provas, em Pai que nunca pudemos ver, em… quão mais pobre seria toda a humanidade dos crentes e dos não crentes!… Quão mais pobre!

    Então, que Jesus escolher? O dos mistérios, mas que nos oferece o Céu, bastando-nos apenas amar a Deus e ao próximo, não tentando ganhar as riquezas desta vida terrena… ou O de todas as nossas dúvidas, ficando nós sem Céu algum, restando-nos apenas esta vida que logo ali se acabará?! Preferiremos a dúvida-ilusão de um Céu, na eternidade, ou a certeza inexorável de uma vida efémera na Terra?…

    – A escolha é tua! A escolha é… nossa!

    Dito de outro modo: “Deixamo-nos dominar pela nossa teimosa-gloriosa razão que teima em apenas aceitar o que vê e entende, ou entregamo-nos totalmente à Fé que nos salva do tempo e nos atira para a eternidade?”

    Ou ainda: “Que nos diz a nossa própria razão que escolhamos? O que é racional mas nos limita à vida terrena ou o que é “quase” irracional mas nos oferece o Céu na… eternidade?"

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Que final possível, nesta nossa séria análise crítica da Bíblia?

 

Primeiro final possível – 1/2

Foram 436 textos!

 – Objectivamente, que podemos afinal abonar para acreditarmos em Jesus Cristo?

– Certamente – dir-nos-ão – os seus inúmeros milagres, a sua afirmação sem hesitações de que era o Messias prometido pelas Escrituras - tendo embora desiludido completamente os judeus que esperavam um restaurador do Reino de Israel, quando o Reino que Ele anunciou era o Reino de Deus - a sua afirmação inequívoca de que era o Filho de Deus, a sua mensagem de amor ao próximo para nos integrarmos naquele Reino de Deus e alcançarmos o Céu de todas as bem-aventuranças, face a face com Deus, pela eternidade sem fim…

– Também, objectivamente, o que é que nos faz ter dúvidas sobre este judeu Jesus a quem os seguidores chamaram de Cristo, de Filho de Deus?

– Talvez o problema maior seja Jesus ter-Se apresentado como totalmente dependente do cumprir umas Escrituras, cuja interpretação quase nunca é clara e tudo nelas prova que não são – não podem ser! – de inspiração divina.

A BÍBLIA NÃO É DE INSPIRAÇÃO DIVINA!

Mas, para aquelas dúvidas, haverá ainda de considerar o facto de Jesus:

– não ter conseguido converter os sacerdotes e fariseus, perdidos, embora, no seu orgulho e desejo de riqueza…

– não ter conseguido mostrar o Pai, nem o Céu, nem a vida eterna…

– não ter explicado como é que uma acção na Terra, em vida efémera no tempo, acarreta ou salvação ou condenação eternas…

– ter falado muito em Deus-Pai, em Céu, em vida eterna, em ir-nos preparar um lugar, mas nunca ter dito nem onde, nem como, nem quando ou, se o disse, foi por parábolas que ninguém entende ou cuja leitura não ultrapassa a dimensão do tempo e da vida terrena, deixando-nos por isso sem qualquer resposta…

– ter supostamente ressuscitado e ter-se apenas mostrado aos amigos, quando deveria ter feito exactamente o contrário, para convencer o mundo, pelo menos o de então, de que ele era realmente o que dizia ser.

– enfim, por Se ter ido embora e nos ter deixado com todas estas dúvidas, Ele que disse – e os seus discípulos disseram e continuam a dizer! – que vinha para nos salvar e salvar a humanidade inteira…

    Aliás – perguntaríamos ironicamente – como verá Ele, lá do seu Céu, onde certamente estará, esta nossa angústia de querermos desesperadamente acreditar nele e não o conseguirmos porque temos uma razão que nos impede de acreditarmos cegamente em afirmações sem provas?

    Nem o inventado Espírito Santo, que parece ter inspirado tanto os Apóstolos, confirmando-os na Fé, a nós nada inspira e nada retira às nossas dúvidas…

    Ora, se não conseguimos acreditar em Jesus Cristo, que havemos de fazer? – Talvez apenas isto: viver na máxima plenitude esta vida, felizes connosco e com os outros, na realização dos nossos sonhos, com todas as nossas capacidades, dando e dando-nos porque realmente é dando que se recebe…

    E se os nossos horizontes não conseguem passar além da vida terrena e projectar-se na eternidade, que este gostinho ao menos nos acompanhe pela vida fora:

“Somos e somos inteligentes e somos felizes porque fazemos felizes quem de nós precisa um sorriso, um abraço, uma solidariedade…”

    Quem sabe se assim - sem querermos!!! - alcançamos o Céu de Jesus Cristo? Quem sabe? Não cumprimos de tal modo, e afinal, o grande mandamento do “Amarás o teu próximo como a ti mesmo.”? Que grande surpresa! Que agradabilíssima surpresa seria!

    E - sejamos optimistas! - acreditemos que talvez seja esta surpresa de Deus ou de Jesus Cristo ou do Céu que nos estará reservada, no termo dos nossos dias. Acreditemos!

Eu quero acreditar. Tu, não?…