sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 204/?


Preâmbulo 3
Ainda antes do texto

– Não sabemos, com total certeza, se Jesus considerava “sagradas” e, portanto, intocáveis, porque de inspiração divina, as Sagradas Escrituras. Por um lado, diz: “Não venho abolir as Escrituras mas dar-lhes pleno cumprimento. “ (Mt 5,17) Por outro, corrige-as, não poucas vezes, transformando, por exemplo, o “olho por olho, dente por dente” no amor ao próximo - amigos e inimigos - impensável no A T: “Se amardes os vossos amigos que merecimento tereis? Amai pois os vossos inimigos e tereis uma recompensa no Céu!” (Mt 5,46; Lc 6,27-35) “O primeiro dos mandamentos é: amar a Deus sobre todas as coisas; e o segundo é semelhante a este: amarás o teu próximo como a ti mesmo.”
Enfim, cita Jesus não poucas vezes, as Escrituras, para em parte fundamentar, em parte justificar a sua actuação. (Mt 11,10; 13,12-17; 15,8 e 19; 22,37-39; etc.) Os evangelistas, também. E é certamente no Evangelho de S. Mateus que encontramos mais vezes citadas as Escrituras para tentar “provar” que Jesus é o Messias anunciado. (Mt 1,23; 2,6-e 18; 3,3, 4,15-16; 8,17; 19,4-9; 26,31; etc.)
– Iniciando-nos na análise ao NT, lê-se na Introdução, e ficamos perplexos perante a insanidade e a gratuitidade das afirmações: “Através da sua palavra e acção, Jesus inaugurou a nova aliança ou, por outras palavras, o Reino de Deus. (…) Em Jesus, Deus quer reunir toda a humanidade como uma família. (…) Essa grande reunião, onde tudo é partilha e fraternidade no amor, é o Reino de Deus que, semeado na História, vai crescendo até que se torne realidade para todos.” (ibidem)
Realmente, olhando o que se passa à nossa volta, dois mil anos volvidos, nem aliança nem Reino de Deus se manifestam entre os Homens. E, se olharmos a História, então o cenário é muito pior! Então, o fracasso da iniciativa de Deus de enviar à Terra o seu Filho Salvador parece total! 
– Também se afirma – o que é de estranhar num exegeta comprometido: “Os Evangelhos (…) não são biografia ou História, mas sim um anúncio para levar à fé em Jesus, isto é, ao compromisso de continuar a sua obra, pela palavra e acção. (…) O Apocalipse de São João (…) apresenta Jesus ressuscitado como Senhor da História e mostra como os cristãos, em tempo de perseguição, devem anunciá-Lo e testemunhá-Lo sem medo, enfrentando até a própria morte.” (ibidem)
E nós concluímos: Portanto, não sendo biografia nem História, não merecem qualquer credibilidade acerca do que narram sobre a vida e história de Jesus. No entanto, não é isto que pensa a Igreja nem o que manda ensinar na catequese… Quanto a Jesus ser o Senhor da História, parece-nos cair na tentação bíblica do Antigo Testamento, em que Javé-Deus é tão Senhor da História que tudo comanda e dirige, desde os castigos infligidos aos judeus, nas derrotas sofridas, como nas vitórias alcançadas, prémios pelo seu bom comportamento diante do mesmo Javé-Deus. Mas sabemos que tais vitórias e derrotas nada têm a ver com Javé: foram simplesmente ditadas pela História dos povos intervenientes.
– Mais desconcertante ainda é o que o “nosso” comentador acrescenta: “O Templo é sem dúvida o centro de Israel. (…) No Templo, habita o Deus único, santo, puro, separado, perfeito. (…) O Homem torna-se tanto mais puro quanto mais perto estiver de Deus. (…) Percebe-se, então, o poder dos sacerdotes na sociedade judaica. (…) Essa autoridade dos sacerdotes sobre o povo acaba por legitimar e reforçar o Templo que se torna não só o centro religioso mas também o centro económico e político. (…) O Templo possui imensas riquezas (o Tesouro) e toda a cúpula governamental age a partir daí (o Sinédrio) (…). A religião torna-se instrumento de exploração e opressão do povo.” (ibidem)
Exactamente! Tal como durante todo o Antigo Testamento! Por isso, dissemos que aquele Javé-Deus que tudo ordenava, que ordenava todos aqueles ritos de holocaustos e ofertas pelo pecado – aliás denunciados uma vez pelo profeta (Os 4,8) – não passaria de invenção de sacerdotes e patriarcas que assim legitimavam perante o povo, o seu poder, os seus abusos, as suas exigências do dízimo e das primícias, tudo em nome e por ordem de Javé-Deus! Ah, como viveram à sombra do Templo tantos e tantas, a coberto de Javé, santo Deus!… E – espanto dos espantos! – já noutros contextos o dissemos – como continuamos a ter como sagrados, de inspiração divina, tais textos que tal defendem e em que tal baseiam a história “divina” de um povo!
Pior! Como continuamos a considerar tais textos como o fundamento da nossa fé e da nossa vida eterna, pois foram essas Escrituras que prepararam a vinda do Senhor, do Messias, de Jesus Cristo?! E… que O levaram à morte!
Mas, sem perdermos a esperança de encontrar a VERDADE, vamos então, à análise crítica dos Evangelhos!

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