sexta-feira, 23 de março de 2018

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 167/?


À procura da VERDADE em EZEQUIEL - 9/13

- “Vou estender a mão contra ti, (Amon), e entregar-te à pilhagem 
das outras nações (…) Farei justiça contra Moab (…) Vou 
estender a mão contra Edom (…) Vou estender a mão contra os 
filisteus (…) Eis que venho contra ti, cidade de Tiro (…) Aqui estou 
Eu contra ti, Sidónia (…) Aqui estou Eu contra ti, faraó, rei do Egipto 
(…) (Ez 25-29)
- Socorramo-nos do comentário: “(…) O livro reúne um conjunto 
de oráculos contra as nações, mediante as quais alarga a 
condenação divina aos povos que, no contexto da expansão 
babilónica, se tornaram cúmplices ou provocadores dos males 
que afligiram o povo de Deus.” (ibidem)
E nós perguntamos, baseados em narrativas anteriores: Então, 
os males que afligiram o auto-proclamado “povo de Deus” não foi 
devido aos seus pecados? Não foi Babilónia o braço castigador de 
Javé?
E continua: “Os filisteus habitavam no litoral sul e sempre foram 
grande ameaça para o povo de Israel. (…) Tiro (…), capital da 
Fenícia é o melhor exemplo de uma grande potência, aí pelo ano 
600 a.C. (…) e, doentiamente, alegrou-se com a queda 
precipitada dos seus aliados. (…) Nabucodonosor pôs termo ao 
poderio assírio, derrotou o exército egípcio em Carquemis e 
assenhoreou-se de toda a Palestina até à fronteira com o Egipto, 
país que não conseguiu dominar, contrariamente à expectativa de 
Ezequiel 30,10-11.” (ibidem)
Voltamos a perguntar: E hoje, donde vem a ameaça a Israel? 
Não tem sido Israel, ao longo da História, um país sempre 
ameaçado? Mas… que dizer da “expectativa de Ezequiel” que não 
se concretiza? Afinal, sempre eram expectativas de Ezequiel ou… 
eram inspirações divinas? É que ou as aceitamos todas como divinas 
ou temos de as aceitar todas como humanas, não é? Enfim, não queria 
Ezequiel - como bom israelita que era - que os povos inimigos de
Israel fossem destruídos, pondo na boca de Javé tais intentos?
Comenta-se ainda: “Tiro é comparada a um navio de luxo que 
vive do comércio e termina em naufrágio. O capítulo é um 
documento crítico sobre a sociedade materialista e consumista que 
enriquece apenas uns quantos.” (ibidem)
E nós: Criticar uma sociedade materialista e consumista é… divino? 
É preciso inspiração divina para tal? Não o fazem hoje tantos por aí 
que são apenas… humanos?! O mesmo se poderia dizer da afirmação: 
“O julgamento contra o rei de Tiro mostra o caminho de perversão 
humana, que arruína a pessoa e a sociedade (…), esperteza posta ao 
serviço da acumulação de bens (…), da injustiça e da auto-suficiência 
(…)” E alonga-se mais: “(…) Esta nova série de oráculos, virada contra 
o Egipto, pretende dissuadir Judá de procurar apoio no Sul para resistir 
ou tomar partido contra a Babilónia (…) O Egipto não está em 
condições de poder influir eficazmente na vida da Palestina. O profeta 
fala da sua queda, fazendo ironia do seu antigo poderio e dos seus 
Faraós.” (ibidem)
E também nós e mais uma vez: Os oráculos eram de Javé ou 
simplesmente exprimiam as opiniões de Ezequiel, nada tendo a ver 
com “inspiração divina”? E aquela ironia do profeta? Não parece 
haver por ali uma vingançazinha bem humana?!
(No próximo texto, iniciaremos com a análise crítica a mais 
comentários – comentários que nos parecem desprovidos de nexo e
de bom senso – do “nosso” exegeta)

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