domingo, 2 de outubro de 2016

Aquando do meu adeus à vida



“Quem já muito andou pouco ou nada tem para andar!” É: o fim irá chegar. Cedo ou tarde! Mas inexoravelmente! Como, inexoravelmente, o tempo não pára e não há manhã que persista nem tarde que não se acabe...
Então, antes que a “voz” se me cale para sempre, a morte me surpreendendo descuidado, eis o que gostaria de deixar como epitáfio de uma vida que foi e... se foi:

«Adeus! Adeus, até àquela eternidade que, queiramos ou não, nos assistirá a todos: a transformação em átomos e moléculas de matéria, matéria que se manterá pedra ou entrará no ciclo da vida de um outro ser vivente qualquer, seja animal ou planta. Mas nós – eu, tu ele – nós, com esta individualidade que temos – melhor, tivemos! – essa não existirá mais. A razão é tão mais que simples: pertencemos ao Tempo, aparecemos no Tempo, vivemos um tempo, integrando-nos no princípio universal da matéria de que “tudo o que tem um princípio, tem inexoravelmente um fim associado”. Embora, nada se perdendo, tudo se transformando... Então, como poderíamos ser a excepção? Quem quiser acreditar noutra hipótese, que acredite ou tenha a presunção e a vaidade de acreditar; mas não passará, nunca passará de simples, ingénua etérea crença...
Assim sendo, é forçoso dizer que foi bom, foi muito bom, foi privilégio que não foi concedido a milhares de milhões de outros seres humanos que ficaram e ficarão para sempre na hipótese de ser. Eu... fui! Que bom! Houve sofrimentos? – Claro que houve! Frustrações? – Quantas, santo Deus! Desilusões e arrependimentos de atitudes tomadas? – Também! Mas tudo foi vida! E fui inteligente quanto bastou para me agarrar mais aos gostinhos dela do que aos seus desaires ou sofrimentos, embora leve comigo a frustração, nesta hora de despedida, de não ter conseguido com que alguns dos que me rodearam jogassem comigo o jogo do só positivo, do só alegria, do só sorriso, criando tantas vezes momentos de suprema infelicidade, arruinando nervos e avolumando rugas no rosto, por ninharias sem importância nenhuma. Que perda de vida, santo Deus! Que perda de vida!
E a mensagem, a grande mensagem a deixar aos que de mim tiveram conhecimento e por cá ficarão mais uns tempos, até chegar a sua hora de partir, será:
«VIVAM AO MÁXIMO A VIDA, VIDA EM QUE CADA MOMENTO É ÚNICO E IRREPETÍVEL! VALORIZEM TUDO O QUE É POSITIVO! QUE O NEGATIVO OU ERROS SIRVAM APENAS PARA MELHOR VIVER A OUTRA PARTE. E SORRIR! SORRIR SEMPRE MESMO QUE A VOZ, POR DENTRO, DOA, DOA MUITO, MUITO!!!»

E flores? Não há flores a enfeitar teu caixão? – Oh, não! Pese embora o desemprego das floristas, se a moda pega, de flores, apenas uma rosa devidamente humedecida para durar muito para além do ali jazer em cima do meu caixão, nas mãos ou na mesa de quem me for mais próximo.


É que flores, ramos de flores, dão-se em vida para homenagear ou mostrar carinho, amor, afecto. Depois, para que raio quer um morto o seu caixão enfeitado de flores, flores que morrerão logo que desça à cova escura, ou enfrente as labaredas da cremação, e o Sol as coza no cemitério?... E caixão, apenas isso: caixa grande onde eu caiba, sem cruz nem adornos; nem por fora nem por dentro; simples caixote de pinho não pintado, cheirando a resina. Pois, tal como as flores, para que raio quer um morto um caixão de oiro? Portanto, nem flores nem caixão doirado...
E um Requiem, por exemplo, o fantástico livrete de Mozart? – Ná! Requiem também não! Nada há para chorar. Cante-se e dance-se! Não porque uma vida se foi, mas porque milhões, biliões de outras continuam, a começar pelas dos presentes. Então, cantem-se essas com aleluias, o Aleluia de Haendell, por exemplo, ou hinos à alegria, como o de Beethoven. Ali, mesmo ali, em frente de um morto que, afinal, apenas representa uma vida que se foi...
Assim sendo, não haverá lugar a lágrimas... – Não! Por favor, não chorem sobre o meu caixão, nem façam caras tristes, nem se vistam de negro e outras coisas assim. Lágrimas só para mostrar alegria, comoção, enternecimento. Chorar ali é tempo de vida perdido... Mas quem não conseguir suster as lágrimas, deixe-as correr à vontade. Afinal, uma morte é um momento de despedida e toda a despedida apela à comoção e ao sentimento, àquela saudade que tanto nos aperta o peito...
Enfim, faltam as cinzas. Que faremos delas? – Se não puder ser no mesmo dia, agende-se um outro qualquer para ir até ao rio ou até ao mar e lançá-las à água corrente ou marulhante. Assim, mais facilmente se espalham pela Natureza, moléculas de moléculas que um dia da Natureza vieram e a ela retornam impreterivelmente. O Destino implacável, inexorável! Claro, tudo em tom de festa, com música a gosto que até pode ser romântica com violinos ou oboés, cortando os ares...
Vivo agora – melhor, vivi agora! – nesta época fantástica em que de tanto Conhecimento e Ciência já somos capazes. Porquê, então, não ser realista e, mesmo na hora da morte, ver o lado positivo dela? Não foi uma sorte ter vindo à VIDA? – Pois então, aplauda-se essa sorte e deixemo-nos de lamúrias, lágrimas ou lamentações! O IMPORTANTE É O SORRISO!
Ah, falta a missa, com padre a abençoar os restos mortais e a encomendar a alma do defunto ao Deus Criador! – Não! Por favor, missa também não! É que a religião, ela própria inventada por homens, inventou um Deus inexistente, um Céu inexistente, anjos e santos inexistentes, um Inferno e os seus demónios inexistentes, uma própria alma humana inexistente, uma eternidade ou uma imortalidade inexistentes... Tudo impossíveis, tudo inexistentes pela magna – ou simples?!!! – razão de que tudo pertence ao Tempo e o que é do Tempo não pode ser nem imortal nem eterno. Imortal e eterno só o Deus Infinito – que não é o das religiões! – o Deus que é o TUDO existente, o TUDO onde tudo se integra, Espaço e Tempo e tudo o que pertence ao Tempo, nós também, obviamente.

E tenho dito! Adeus! Adeus, até sempre, mesmo que esse sempre não exista nunca mais porque tudo foi... um dia! Num dado momento do Tempo!...

PS (imprescindível):

Antes do adeus afinal, fica a pergunta talvez, de todas, a mais importante: “Valeu teres vivido? Tu valeste a pena?” Quem não viver de modo a que, no fim da vida, possa dizer “Eu vali a pena!”, deveria pensar em desistir! Pois, para quê uma inutilidade? Aproveita a alguém, a começar pelo próprio? A questão é melindrosa. Pode levar à depressão, à análise emocional – logo irracional – das situações – e tantas são elas! – em que, na vida, tudo nos parece negro, tudo sem esperança, sendo a morte o caminho mais fácil para colmatar o desespero. E poder-se-iam perder muitas vidas que, julgadas inúteis até ao momento, muito ainda tivessem para dar, ao próprio e ao mundo. Por isso, muito cuidado nessa auto-avaliação! Aliás, o suicídio é de uma injustiça enorme para com a vida: “Custou-me” tanto ter vindo a ela e, agora, ia assim desperdiçá-la por uma depressãozinha qualquer?

Ora eu, chegado ao fim, sinto poder dizer: “Eu vali a pena!”. Eu gerei, eu plantei, eu lutei com as armas da minha geração (cada geração tem as suas armas e é com elas que deve lutar sem ficar a carpir mágoas por não ter as de outros tempos...) ganhei e perdi, vivi! Eu semeei ideias para mudar pessoas e comportamentos e o mundo que me viu nascer, deixando-o melhor à partida do que o encontrei à chegada. Infelizmente, pouco ou nada consegui. Talvez um dia! Mas as ideias novas aí ficam para quem as quiser aproveitar e, com elas, mudar o mundo, humanizá-lo, criar a imprescindível fraternidade universal, todos irmãos e não o “homo homini lupus”, (o Homem lobo do seu semelhante), nas pseudo-democracias actuais, todos escravos da tirania do dinheiro, da usura, da ganância de uns quantos que dominam – são “lupus”! – a maior parte da humanidade, não tendo qualquer pejo em deixá-la morrer à fome ou de doença, se isso acarretar ganhos para a sua conta bancária...
Então, e ainda, a última, a derradeira mensagem para os que ficam será:

“VIVEI DE MODO A QUE, NO FIM DA VIDA, POSSAIS DIZER, COM UM SORRISO NOS LÁBIOS, SORRISO EMBORA JÁ ALI FENECENDO PELO DESENLACE FINAL: “EU VALI A PENA”!


A...........deus!!!!!

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 109/?

À procura da VERDADE nos livros Sapienciais


O ECLESIÁSTICO – 1/15

- O “nosso” comentador introduz-nos: “ (…) Este livro está 
assinado e datado. (…) Foi redigido na primeira década do 
séc. II a.C. (…), numa tentativa de superar a crise representada 
pelos livros de Job e Eclesiastes. Este conservador lúcido 
organiza uma síntese da religião tradicional e da sabedoria 
comum, aprofundada na experiência pessoal. (…) Os temas 
focados: amizade, preguiça, educação, pobreza, doença, 
riqueza, escravos, banquetes (…) A retribuição continua a 
cingir-se ao horizonte terrestre e ao gozo de uma felicidade 
marcadamente tradicional: saúde, longevidade, descendência, 
bem-estar e renome. (…) Ben Sirá apresenta a sabedoria 
personalizada e relacionada com a história de Israel.” (ibidem)
- Comentemos: 1 – A assinatura e a data conferem carácter 
histórico preciso ao livro de Jesus e Ben Sirá, remetendo para 
uma suposta inspiração divina tardia… 2 – Os livros de Job 
e Eclesiastes, debruçando-se sobre a angústia existencial do 
justo e do injusto terem exactamente o mesmo fim – o pó 
ou o total esquecimento! –  abrem, na verdade, uma crise bíblica: 
que ganha o justo em sê-lo? 3 – Enfim, se a “retribuição” não 
vai além do horizonte terrestre, onde a divindade do livro? 
Porquê sagrado? Porquê de inspiração divina? Porque não e tão 
só de inspiração/reflexão humana?
- “Recebemos muitos e profundos ensinamentos da Lei, dos 
Profetas e dos Escritos (…). Por tudo isso, se deve louvar Israel 
como povo instruído e sábio.” (Prólogo)
- Aceitemos que Israel tenha sido (seja!) um povo “instruído e 
sábio”. Tão instruído e sábio que - somos tentados a dizer - “inventou” 
um Javé-Deus só para ele, considerando-se “povo eleito” desse 
mesmo Javé, e “criou” a Bíblia, que mais não é do que a sua 
própria história e o reflexo da sua cultura e da sua vida, mas 
impondo-a ao mundo! Mas, como se explica que, ao longo da 
História, tenha sido um povo quase sempre apátrida, maltratado e 
escorraçado dos países em que se foi enraizando, sempre 
desejando mas nunca alcançando verdadeiramente a Pátria a que 
chamou Terra Prometida, bebendo o leite e o mel que nela corriam?
- “O princípio da sabedoria é o temor ao Senhor.” (Eclo 1,12)
- Repete-se. Veja-se, por exemplo, Pr 1,7. E… basta de um Deus 
que atemoriza!
- “Só um é sábio e sumamente terrível quando se senta no trono: 
é o Senhor, Ele que criou a sabedoria (…) Quem teme o Senhor 
acabará bem e será abençoado no dia da morte.” (Eclo 1,6 e 11)
- Sábio e terrível? Porquê? E que bênção é essa no dia da morte? 
Mais uma afirmação gratuita desta Bíblia, que - repetindo-nos - 
parece não passar da história guerreira de um povo auto-proclamado 
eleito de Javé e da compilação de uns tantos códigos de boa 
convivência social, inspirados, aliás, em civilizações anteriores ou 
contemporâneas. “Livro Sagrado”, “Livro da Verdade”? – Difícil de 
acreditar… Aliás, cada vez mais nos parece que não foi Deus que 
fez o Homem à sua imagem e semelhança mas foi o Homem que 
o fez à sua. Uma hipótese muito mais credível perante as mensagens 
aqui escritas.
- “O Homem paciente resiste até ao momento oportuno, depois 
será compensado com a alegria.” (Eclo 1,20)
- Belo princípio da sabedoria… humana!
- “Não te eleves (…) porque o Senhor descobrirá o que escondes 
e humilhar-te-á no meio da assembleia (..)” (Eclo 1,27-28)
- Será o Senhor que humilha ou o próprio indivíduo que 
quis subir alto demais a cair na humilhação?… Colocar Javé 
sempre a subjugar o Homem só o desacreditam como Deus. E nós 
que tanto quiséramos acreditar num Deus verdadeiro… Talvez 
Deus seja isso mesmo: a nossa consciência do Bem e do Mal; a 
nossa tendência para a harmonia universal que a inteligência nos dita 
como necessária para que a vida não seja uma selva sem regras; a tal 
Sabedoria, a tal Lei que, já antes do povo que se arroga de “eleito” 
existir, existia em códigos como o de Hamurabi, rei da Babilónia, 
e em outras civilizações mais antigas. Aliás, que sociedade de 
humanos poderia subsistir sem códigos de convivência social?


segunda-feira, 19 de setembro de 2016

A Vida humana: Que valor? Que sentido? – 2/2



2 – O sentido da VIDA

A pergunta impôs-se desde que o Homem começou a pensar:  
“A VIDA, para o ser humano, acaba-se, como se acaba para qualquer ser vivo, animal ou planta, com a inexorável morte?”
Da incapacidade de resposta, por ignorância da realidade que é o Homem e o Universo de que faz parte, Espaço e Tempo, Matéria e Energia, ou do não querer aceitar essa realidade, nasceram as religiões, com todo o chorrilho de invenções, efabulações, falsidades, mentiras que são conhecidas dos críticos, mas pacífica e alegremente aceites pelos crentes e perversamente pregadas e alimentadas pelos gurus que, de algum modo, vivem dessas mesmas religiões. Já viram algum guru mal vestido ou faminto?... E então da riqueza do Vaticano e de muitas igrejas sobretudo americanas, nem vale a pena falar…
Eis algumas fantasmagóricas criações das religiões: primeiro, Deuses para todos os fenómenos naturais desconhecidos, internos ou externos ao Homem, incluindo o Amor, a Maternidade, a Fecundidade, etc, etc; depois, um Deus único, infinito e eterno mas ao serviço de sua excelência o Homem, ora como Pai amoroso ora como juiz e tirano castigador; um Deus que fala aos Homens e inspira livros a que chamaram de sagrados; um Deus-Pai Criador que criou o Homem à sua imagem e semelhança e que interfere na História do mesmo Homem enquanto vivente e depois de morrer, havendo um Juízo final: céu ou inferno eternos! Um Deus que até tem/teve um filho e que enviou esse filho do Céu à Terra, encarnando numa Virgem, para trazer uma mensagem de salvação, salvação de um suposto pecado original de uns supostos primeiros pais da humanidade… E tudo isto continuando a ser ensinado na catequese e a ser imposto pela Igreja católica, quando se sabe que o Homem existe por evolução das espécies e não houve nem adão nem eva, nem qualquer pecado cometido por esses primeiros hominídeos… E muitas outras barbaridades como reencarnações, ritos cerimoniais, aparições de entes celestiais, milagres, pecados, confissões, missas, lugares santos ou santuários e peregrinações a esses mesmos lugares santos, etc., etc., etc.
Ora, a realidade – a VERDADE! – do Homem é muito simples: pertence ao Tempo como qualquer ser vivo, animal ou planta, ser vivo que tem uma certeza absoluta e inexorável: se nasceu num dado momento do Tempo, em outro, mais tarde, irá desaparecer, integrando-se para sempre no donde veio, i. é, na Terra, átomos e moléculas transformando-se em outras realidades, seres vivos ou não vivos. Tal como as… estrelas, no Universo! Nada se perdendo, tudo se recriando ou se transformando, num eterno retorno do mesmo ao mesmo através do diverso. Fantástico ou deprimente? É acto de inteligência valorizar o fantástico que a VIDA representa, na evolução do Universo e mais fantástico ainda o facto de nós – cada um de nós! – termos tido a sorte de participar nela.
Então, às perguntas que as religiões colocam aos crentes para os aliciar e… convencer de todas as suas invenções e efabulações: “Quem sou eu? Donde venho? O que faço aqui? Para onde vou?”, respondemos: Sou um ser vivo, que veio da Terra, por um feliz acaso, nada de especial fazendo aqui, voltando para a mesma Terra no termo dos meus dias, sem deixar qualquer rasto... Mais, e mais contundente: sou um entre mais de sete mil milhões de humanos actuais; humanos que são uma espécie animal entre muitos milhões de outras existentes só no Planeta Terra, ignorando-se o que se passa nos biliões de outros que de certeza, conforme a soberana lei das probabilidades, existem no Universo; Terra que é um planeta de uma estrela de média grandeza; estrela que é uma entre mais de cem mil milhões que compõem a galáxia Via Láctea; galáxia que é uma entre os milhares de milhões de outras que já são conhecidas no Universo, ignorando-se completamente que confins – se é que não é infinito e eterno, confundindo-se com o próprio Deus! – tem esse mesmo Universo…
Ora, perante esta realidade – difícil de aceitar, diga-se, para o ser pensante que somos, embora ser completamente insignificante face aos olhos do Universo – pergunta-se pelo “sentido da Vida”. E é uma pergunta que faz todo o sentido.
Sem nos alongarmos, diríamos:
Já que tivemos o privilégio de vir à vida – privilégio que muitos biliões de outros não tiveram e que ficarão para sempre na hipótese de ser! – resta-nos viver e… saber viver! Viver felizes! E a felicidade, somos nós que a construímos, a partir de nós, pensando mais em DAR que em receber, mais em SER do que em ter, SORRINDO para dentro de nós e para os que comunicam connosco, espalhando amor e compreensão por toda a parte, privilegiando o diálogo e não a guerra para resolver o conflito.
Resta dizer que o Homem apareceu há cerca de quatro milhões de anos (o sapiens sapiens, do qual somos descendentes directos, há apenas uns cinquenta mil), quando a vida na Terra existe há c. de três mil e quinhentos milhões, e os dinossauros – que povoaram Terra durante mais de cento e cinquenta milhões de anos – se extinguiram há c. de sessenta e cinco milhões… O Homem, portanto, para a Terra, praticamente não tem História… E – enfim! – tudo leva a crer que o mesmo Homem desaparecerá para sempre com o desaparecimento da Terra e o desaparecimento do Sol, dentro de c. de quatro mil e quinhentos milhões de anos. É que, devido às distâncias que separam a Terra de qualquer outro possível planeta habitável, o Homem com a sua materialidade dificilmente poderá alcançar tais planetas e aí se instalar quando a Terra perecer. Mas é tanto tempo, santo Deus!
Ah, como o mundo mudaria para melhor se o Homem actual tomasse séria consciência desta verdadeira realidade que o assiste!



domingo, 11 de setembro de 2016

A Vida humana: Que valor? Que sentido?



1 – O valor da VIDA

Para um analista crítico, logo, mais baseado na inteligência e na razão do que na emoção, a VIDA apresenta-se-lhe como o bem supremo, um bem acima de qualquer outro, e isto tanto do ponto de vista natural, como numa análise filosófico-existencial ou numa perspectiva psicológico-emocional.
Naturalmente, perante o perigo, adoptamos instintivamente uma atitude de defesa e de salvamento, tentando resguardar as partes essenciais do corpo: cabeça e tronco; puro instinto de sobrevivência.
Filosoficamente falando, constatamos que o dom da vida é condição sine qua non para que qualquer coisa nos aconteça. Obviamente, nada pode acontecer a um não-existente. 
Psicológico-emocionalmente, podemos/devemos arriscar a vida apenas e tão só para defendermos outras vidas, sobretudo as dos que nos são próximos ou queridos.
E… ponto final!
Assim sendo, ficam de fora:
1 - Os mártires de todas as religiões, pelas suas convicções, tanto os santos da Igreja católica, a começar pelos apóstolos, como os kamikazes japoneses da Segunda Guerra Mundial ou os actuais suicidas do Islão.
2 - Os que vão para a guerra, sabendo que têm fortes possibilidades de morrer, não para salvar outras vidas mas porque não puderam escapar aos ataques dos inimigos. E todos sabemos que as guerras são derivadas ou da incapacidade de diálogo entre os Homens em contenda ou da ganância dos mesmos Homens, sempre desejosos de mais poder e mais haveres, quer para si quer para aquilo a que chamam de Pátria, alimentando o chorudo e perverso negócio das armas.
3 - Os que arriscam a vida só pelo sentir da adrenalina em desportos radicais e extremamente perigosos, embora nos casos de guerra (nem sempre!) e desportos perigosos, se tomem todas as precauções possíveis para que se preserve a mesma vida.
Várias perguntas se colocam nestes últimos ítens:
1 – Que lavagem ao cérebro fazem os gurus religiosos aos que se dispõem a morrer como mártires por uma causa religiosa? Não são criminosos tais gurus pois atentam contra o bem supremo de um ser humano: a VIDA? O mesmo se pergunta aos generais japoneses que, em nome da pátria, mandaram aqueles jovens pilotos para a morte, e a todos os radicais islâmicos que levaram/levam tantos jovens ao suicídio por causa nenhuma, melhor, para causarem terror e sofrimento.
2 – No caso de guerra, tudo se torna mais complicado.
2.1 – Há o juramento de soldados: lutar até à morte pela defesa da Pátria. Mas… o que é a defesa da Pátria? Obviamente, considerando a vida o supremo bem, tal juramento deveria ser banido das sociedades e resolver a defesa da Pátria de outro modo. Se somos humanos, porque não o diálogo e o entendimento? Obviamente, o negócio das armas está sempre presente…
2.2 – Há a declaração de guerra de um país a outro. E lá vão os soldados para a morte. Mais ou menos esperada. De ambos os lados. No final, não se contam vidas perdidas. Contam-se “baixas” e ganha quem teve menos baixas. Um número! Uma vida transformou-se num número. Crime, obviamente! E os declarantes de guerra são condenados por terem ceifado milhares de vidas? – Não! Esta é a realidade do mundo que tivemos até agora – e de que a História dá conta – e do mundo que temos. Aliás, lendo bem a História conhecida do Homem, constatamos que toda ela – com raras excepções – é feita de guerras, de mortes, de sangue, de desumanidades. É sumamente triste mas é a verdade. É que, perante certos princípios – falsos, obviamente – a VIDA de um ser humano nada conta.
3 – Nos desportos radicais, quem arrisca sabe os riscos que corre. E faz uma escolha. Quando corre mal, acabou-se a VIDA, acabou-se TUDO. Valerá a pena?

Conclusão genuína: NEM MÁRTIRES NEM GUERRAS E OS FOMENTADORES DE MÁRTIRES OU GUERRAS, DEVERIAM SER TODOS ELIMINADOS DA FACE DA TERRA, LOGICAMENTE, PELA MORTE QUE tão facilmente DEFENDEM PARA OS OUTROS!
Conclusão ainda mais lógica e contundente: se querem morte e terror, que sejam kamikazes os gurus religiosos e que vão para a frente de batalha todos os generais e políticos que decidem a guerra, para serem os primeiros a morrer, mostrando os supostos valores da defesa da Pátria que defendem...





terça-feira, 6 de setembro de 2016

Dizendo adeus às férias…



Sentado numa esplanada à beira Sado, na sua suave Foz. De fronte, a majestade humilde da Arrábida. Lenhosa, verde, apesar de alguns incêndios sofridos no passado ano. Que pensará ela, com os seus milhões de anos de existência, das vidas, animais e plantas, que alimenta e protege, e dos transeuntes humanos que circulam, rio abaixo, rio acima, acelerando automóveis poluidores pelas estradas que lhe rasgaram o rosto, ou deitando-se como lagartos ao Sol, no areal branco e fino da margem-praia? Obviamente, nada! Mas, pensamos nós.
Na sua humilde majestade, a serra desafia milénios, expondo-se a ventos e tempestades, integrando-se perfeitamente no seu fazer parte de uma Natureza que é a dela. Milénios… Milhões de anos…
E nós, ali defronte, olhando também o fervilhar de vida, serra, rio e praia, pensamos na efemeridade dessas mesmas vidas face aos milhões daquela serra que parece impávida face ao tempo, nada parecendo importuná-la o Sol, seja a nascer, seja a pique no céu ou a pôr-se no seu ocaso. Importuna-nos a nós que bem o quiséramos agarrar, parar ou, simplesmente, que avançasse mais devagar. É que, ainda há pouco era noite, depois, logo manhã, meio-dia, tarde e novamente noite, com uma velocidade constante e programada que irrita, santo Deus!
Mas nada há a fazer! Resta-nos aceitar a triste/bela realidade do correr do tempo. Triste, porque vemo-lo fugir e deixar-nos marcas bem vincadas nas rugas que dia a dia nos envelhecem o rosto; bela, porque sentimos que fazemos – fizemos! – parte deste tremendo mistério que é a vida, esta realidade fantástica que apareceu numa Terra perdida algures no imenso – Infinito? –  Universo.
Humanos? – Sim! Seres aparecidos, há apenas três a quatro milhões de anos, quando a vida já existe na Terra há cerca de três mil e quinhentos milhões, tendo passado por epopeias fantásticas como a época dos dinossauros que povoaram a Terra durante mais de cem milhões de anos…
E somos, para já, um final de cadeia evolutiva – cadeia que certamente não se quedará por aqui… –  dotados de um cérebro capaz de raciocínios abstratos e de maravilhas sensoriais emotivas: razão e emoção. Mas parece que tal prerrogativa não chega para se construir um mundo de paz e de fraternidade universal, interligando-se Homens, animais e plantas, num equilíbrio onde houvesse lugar para todos, sem que nenhuma espécie fosse eliminada por outra que, por desregulação de nascimentos, se tornasse infestante. Infelizmente, e por agora, o Homem nem consegue construir a fraternidade universal que se deseja, nem contribuir para o equilíbrio da boa convivência entre as espécies de vida da Terra, tendo-se tornado essa detestada espécie infestante, troglodita de tudo o que é comestível. É pena mas é a realidade em que vivemos. Então, vamos lutar para que, à partida, no tempo que nos for dado viver, deixemos o mundo melhor do que o encontrámos à chegada.

BONNE RENTRÉE!

domingo, 31 de julho de 2016

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 108/?

À procura da VERDADE nos livros Sapienciais 

Livro da SABEDORIA – 6/6


- “São naturalmente insensatos os que ignoram a Deus (…). 
Acabam por considerar como deuses (…) o fogo ou o vento (…) 
ou o firmamento (…). Se ficam maravilhados com o poder (…) 
dessas coisas, pensem então quanto mais poderoso é Aquele 
que as formou. (…) Infelizes também (…) os que invocam 
como deuses as obras de mãos humanas: coisas de ouro e prata, 
(…) figuras de animais ou uma pedra (...)” (Sb 13,1-10)
- Totalmente de acordo, caro autor “sagrado”! Isto realmente 
de adorar um bezerro de ouro ou um boneco pintado a quem 
alguém se lembrou de chamar “deus” é… patético para não 
dizer estúpido! Mas o Homem não precisa de referentes? Não 
acredita melhor se vir com os próprios olhos, se tocar com 
as próprias mãos? Não fizeram os artífices, ao longo destes 
dois/três mil anos que tem a tua/nossa História - que são nada 
em relação ao tempo universal que a ciência nos deu a conhecer! - 
imagens de tudo o que é sagrado, desde o Deus-Pai, com 
venerandas barbas brancas, ao Cristo sofredor na cruz ou com o 
seu ar majestático de toga longa, ao Espírito Santo que não 
passou da Branca Pomba… até às imagens de anjos e de santos 
mas sobretudo da Virgem Maria, interpretada por cada povo ao 
seu modo e “paladar”, vestindo-a das mais diversas formas, sendo 
talvez a mais interessante a Nossa Senhora do Ó, com aquele 
ventre prenhe de Jesus Cristo, tão natural e tão… comoventemente 
humano?… Porque é que o Deus verdadeiro não se manifesta 
mais claramente ao Homem para que este não necessite de se 
agarrar a ídolos e assim dar resposta à sua ansiedade de… 
eternidade? Será que Ele alguma vez irá responder a tão angustiante 
pergunta?

- “É impossível escapar da tua mão. Os injustos recusavam 
reconhecer-Te e açoitaste-os com a força do teu braço (…) 
(Sb 16,15-16)
- O autor compraz-se, mais uma vez, na invocação da história 
do povo hebreu, com Javé castigando os seus inimigos, 
para gáudio dos auto-proclamados “justos”…, relembrando as 
pragas do Egipto e os milagres da passagem do Mar Vermelho, 
do fogo, da água, do maná do deserto… E delira totalmente 
referindo-se aos injustos: “(…) foram dispersos, mergulhados 
em horrível medo e aterrorizados por alucinações (…). Ao 
redor deles, ribombavam ruídos assustadores e apareciam-lhes 
fantasmas tétricos de rostos sinistros (…). Só lhes aparecia uma 
chama que se acendia por si mesma, espalhando terror.” 
(Sb 17,3-4) Delirante! E ao povo hebreu chama “nação santa” 
(Sb 17,2), “os teus santos” (Sb 18,1). Que presunção! E, 
continuando a evocar a história, apesenta o mesmo Javé de 
sempre: terrível e castigador: “(…) A tua Palavra toda-poderosa 
veio do alto do céu, do teu trono real, como guerreiro 
implacável e atirou-se sobre uma terra condenada ao extermínio. 
Trazia como espada afiada a tua ordem sem apelação. Parou e 
encheu tudo de morte (…) Também os justos foram atingidos 
pela provação da morte. (…) Os mortos tinham caído aos montes 
uns sobre os outros (…) (Sb 18,15-23)
- “De todos os modos engrandeceste e tornaste glorioso o teu 
povo. Nunca em nenhum lugar, deixaste de olhar por ele e de 
o socorrer.” (Sb 19,22)

- Este “teu povo” contém a antipática exclusividade de um Deus 
que se apouca ao ligar-se apenas a um povo… E que povo!… E 
que Deus! Como é possível continuar a escrever-se assim, falando 
de Deus, apenas 50 anos antes de Cristo!… Pois! Mas… 
terminámos mais um livro! A grande novidade é - como se disse 
de início - a ideia de imortalidade e de incorruptibilidade do 
justo. O autor quis encontrar uma solução para a tremenda injustiça 
que é o justo e o injusto terem exactamente o mesmo fim: o 
pó e o esquecimento, como se lamentaram Job e Coélet no 
Eclesiastes. Pois não é de elementar justiça humana ou divina que 
as boas acções tenham recompensa e as más tenham castigo? E se 
tal não acontece na Terra, não tem de acontecer num céu e num 
inferno? Não tem mesmo de existir o para-além do tempo 
para os Homens? As perguntas são totalmente pertinentes. A resposta… 
fica-se pelo nosso imaginário que se quisera real… Assim, nesta 
leitura. Descobrimos a Verdade? - Não! Apenas afirmações gratuitas 
sobre a imortalidade dos justos, pois… sem provas. Aliás, que 
provas poderia o autor apresentar? Só vindas de Deus! Só por real 
inspiração divina! E, infelizmente, tal como nos livros precedentes, 
como vimos, de divino pouco ou nada tem este livro da… Sabedoria! 

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 107/?

À procura da VERDADE nos livros Sapienciais

Livro da SABEDORIA – 5/6


- “Na sabedoria, há um espírito inteligente, santo, único, múltiplo, 
subtil, móvel, penetrante, imaculado, lúcido, invulnerável, amigo 
do bem, agudo, livre, benéfico, amigo dos Homens, estável, seguro, 
sereno, que tudo pode e tudo abrange, que penetra todos os 
espíritos inteligentes, puros e subtilíssimos. (…) A sabedoria é 
exalação do poder de Deus (…), reflexo da luz eterna (…)” 
(Sb 7,22-26)
- Demasiadas palavras e… só palavras! Alguém descortina nelas 
algum sentido válido? Ou, se quisermos, dizem tudo e… não dizem 
nada!

- “Por meio dela, alcançarei a imortalidade e deixarei aos meus 
sucessores uma lembrança eterna.” (Sb 8,13)
- Alcançar a imortalidade, ninguém sabe nem como nem onde. 
Portanto, só pode ser afirmação gratuita e pura fantasia, pois o que 
é público e notório é que não há qualquer imortalidade possível 
ao Homem, ser que pertence ao Tempo, nele começando, nele se 
acabando sem deixar qualquer rasto perene. Esta é a verdade de 
toda a humanidade passada.

- “Sabendo que jamais teria conquistado a sabedoria se Deus não ma 
tivesse concedido…” (Sb 8,21)
- A quem concederá Deus a sabedoria? Ou… a quem excluirá Ele? 
A cada Homem que nasce, Deus anda por ali a decidir se dá ou não a 
sabedoria? Que tolice!

- “Quem pode conhecer a vontade de Deus? (…) Quem poderá 
investigar o que está no céu? Quem poderá conhecer o teu 
projecto se não lhe deres sabedoria enviando do alto o teu espírito 
santo?” (Sb 9,13 e 17)
- Belas perguntas… sem respostas! E Deus terá uma vontade, terá 
um céu, terá um projecto, terá um espírito? Continua-se no ridículo 
de pensar Deus como se fora um Humano.

- “A sabedoria protegeu o pai do mundo, o primeiro homem formado 
por Deus (…)” (Sb 10,1)
- Jocosamente, perguntaríamos: «Como? Se ele comeu a maçã, 
levando Deus - a sabedoria! - a expulsá-lo do paraíso?»

- “A sabedoria libertou de uma nação de opressores um povo santo, 
uma raça irrepreensível. (…) Fez com que os seus inimigos se 
afogassem e depois vomitou-os das profundezas do mar (…)” 
(Sb 10,15 e 19)
- Sempre a mesma presunção de se chamarem de “povo santo”… 
Que santidade?! É inconcebível que as religiões cristãs aceitem 
estes livros do AT, directamente referenciando os judeus, como 
inspirados por Deus e susceptíveis de serem interpretados 
como livros sagrados, as Sagradas Escrituras. É que, de sagrado, 
nada têm!

- “Tu odiavas os antigos habitantes da tua Terra santa porque faziam 
coisas detestáveis (…) Tu bem podias ter entregue os injustos 
nas mãos dos justos durante uma batalha (…) Mas Tu 
castigaste-os pouco a pouco, dando-lhes oportunidade de se 
arrependerem, embora não ignorasses (…) que a sua maldade 
era inata e que nunca mudariam de mentalidade (…)” (Sb 12,3-10)

- A “tua Terra santa” era Canaã, a Terra Prometida! Não foi este 
ódio de Javé, esta maldade do povo, bela invenção dos Israelitas 
para conquistarem tal Terra? E em nome de Javé? E com o seu braço 
vingador? Depois, se Deus não  ignorava que a maldade deles 
era inata, porque lhes deu uma oportunidade irrealizável de se 
arrependerem? É mesmo contraditório este autor “sagrado”! Ou, 
então, Deus esqueceu-se, também aqui, de o inspirar…