
À procura da VERDADE no livro do Êxodo - 5
- Mudam de
lugar e… volta a sede. E voltam os murmúrios do povo
que não se sabe bem se são
contra Moisés ou contra Javé ou… contra
os dois! O que eles querem é… água!
“Então, Moisés clamou a Javé
dizendo: Que
vou fazer com este povo? Estão
prestes a apedrejar-me!
Javé respondeu a Moisés: (…) Leva contigo a vara (…) Baterás na rocha
e dela sairá água para o povo
beber.” (Ex 17,4-6)
- Que povo
estranho! Nem com aquele maná se contentava e…
acreditava em Javé! E logo ali
queria apedrejar Moisés! É espantoso!
Como é possível ser este o povo eleito de
Javé? Certamente, por aquelas
paragens, não haveria melhor! E hoje? Se Javé
quisesse escolher um povo
para dele fazer nascer um Cristo - o seu Filho
Bem-amado! - que povo
escolheria? Seria chinês, americano, russo, indiano,
japonês,…? Poderíamos
conjeturar que é por não “saber” o povo a escolher que
Cristo não vem de
novo à Terra! Se fosse branco, revoltar-se-iam as minorias
(qualquer dia,
maiorias!!!) negras, amarelas, mulatas, índias... Outra qualquer
que
fosse escolhida sentiria o mesmo espírito de revolta das preteridas. É: isto
de ser Deus de tal gente é muito complicado! E um Cristo a sério fazia cá
tanta
falta!…
- Mas eis
que surge o milagre! Estrondoso: da rocha brotou a água! E
água em abundância,
que isto, ou é milagre ou não é! Se é milagre, tanto c
usta a Deus fazer correr
um fiozinho, como um regato para inundar todo um
deserto! Não fará Cristo mais
tarde a multiplicação dos pães? E, depois de
ter saciado uma multidão de cinco
mil, sem contar as mulheres e as crianças,
com apenas cinco pães, não sobraram
doze cestos? (Mt 14,19-21)
- Avançando
o povo de Israel, encontraram-se com os amalecitas. Josué
contra-ataca e sai
vencedor. Obviamente, com a preciosa ajuda de Javé que está
sempre presente,
dizendo a Moisés: “(…) Eu vou apagar a
memória de Amalec
debaixo do céu.
(Ex 17,14-15) Depois, construiu-se um
altar para oferecer
a Deus um holocausto e sacrifícios (…) (Ex 18,12)
- Mas deixemos
o deprimente holocausto e os não menos deprimentes
sacrifícios em ordem a apaziguar/louvar/
agradecer a Javé, para realçar algo
de iniciativa humana (ou também inspirada
por Javé?!), neste caso, pelo pai de
Séfora, mulher de Moisés, que o aconselha
no melhor modo de distribuir a
administração pelo povo. (Ex 18,17-25)
- A
exclusividade do povo de Israel perante Javé deixa-nos realmente perplexos:
“Vistes o que fiz aos egípcios e como vos transportei sobre asas de águia e vos
trouxe até Mim. Portanto, se Me obedecerdes e observardes a minha aliança,
sereis minha propriedade especial entre todos os povos porque a terra toda me
pertence. Vós sereis para Mim um reino de sacerdotes e uma nação santa.” (Ex 19,4-6)
Que pensarão disto os Israelitas de hoje? Considerar-se-ão ainda “nação
santa,
reino de sacerdotes”? Porquê tudo isto na boca de Javé? Volta-nos a repetida
tentação de pensar que tudo não foi senão invenção do autor “sagrado” para
fazer
com que o povo fosse menos mau do que parece que era, com o temor de Javé
e…
dos seus castigos! Não é que a religião fosse o ópio do povo, como dirá Marx;
mas que ajudava no seu controlo, lá isso… Resta-nos acrescentar que o milagre da
água a brotar da rocha - aliás, como todos os propalados milagres da Bíblia - não
merece qualquer credibilidade. Se precisaram de água - o que é óbvio no meio do
deserto - socorreram-se de qualquer oásis que por ali houvesse. O resto são fantasias,
porque "Deus não ajuda a quem não se ajuda"!