Férias –
Interregno
Chegadas
as férias, é tempo de descanso e descontracção.
Interrompamos,
pois, a saga destas análises críticas da Bíblia, para
darmos lugar ao ócio, ao
lazer, ao jogo e convívio com os amigos,
aos banhos de sol e de mar, ao comer e
beber, embora frugalmente
(não nos coibindo de algum exagero que nos dê prazer
mas não nos
estrague o resto das férias…), ao desporto qb conforme a idade, aos
longos passeios pela floresta ou à beira-mar, ao deixar-nos levar até
um
descampado, em noite sem luar, longe dos barulhos e das luzes da
cidade, para
nos deliciarmos com a profundidade do firmamento onde
beira-mar, bebericando, gozarmos
o luar de lua cheia reflectindo-se nas
águas calmas, convidando ao mergulho…
O menos possível de televisão, o menos possível de notícias e jornais,
O menos possível de televisão, o menos possível de notícias e jornais,
o menos possível
de civilização de que estamos nitidamente intoxicados
e ainda menos de
políticos e opinion-makers que sabem de tudo e não
dizem nada, ocupando
ocamente os nossos tempos livres, e nós a deixar
que tal aconteça!…
Corpo
livre de roupas supérfluas, cabeça livre de problemas insolúveis
que nos
afectam no dia-a-dia… Ao menos, nas férias, libertemo-nos,
caramba!
Voltaremos
em meados de Agosto. A vontade de escrever é sempre muita!
Ficam, no entanto,
para meditação/reflexão veraneante, ou simples
divertimento intelectual, dois
textos:
“O Homem e as grandezas do Universo
em números” e
“Quatro momentos Zen: um pouco de filosofia existencial” .
“Quatro momentos Zen: um pouco de filosofia existencial” .
É óbvio o
convite à leitura.
BOAS
FÉRIAS!
O Homem e as
grandezas do Universo em números
Que somos
nós – o HOMEM - perante a realidade que nos cerca e que
conhecemos pela
Ciência?
Do átomo ao Universo conhecido:
- cerca
de 7 octiliões (isto é: 7 seguido de 48 zeros!) – Os átomos que
constituem um
corpo humano de 70 Kgs.
- cerca
de 100 mil milhões (100.000.000.000) – Os neurónios e suas
sinapses que compõem
o cérebro humano.
- cerca
de 150 milhões (150.000.000) Kms – A distância da Terra ao
Sol
- cerca
de 6 mil milhões (6.000.000.000) Kms - A
distância de Plutão
ao Sol, sendo Plutão o último astro conhecido a circular à
volta do Sol
- cerca de
6 mil milhões a cerca de 135 mil milhões (contando com os
astros periféricos)
de Kms – O diâmetro do Sistema Solar (sendo o Sol
uma estrela média da Galáxia
Via Láctea)
- cerca
de 200 mil milhões (200.000.000.000) – O número de estrelas que
compõem a Via
Láctea
- 4,2
anos-luz (= 4,2 x 300.000Kms x 60s x 60m x 24h x 365d, ou seja,
![]() |
Via Láctea |
39.735.360.000.000 Kms) – A distância da estrela Próxima Centauri ao
Sol (a
mais próxima do Sistema Solar)
- cerca
de 100.000 anos/luz – O diâmetro da Galáxia Via Láctea
- cerca
de 2,5 milhões de (2.500.000) anos/luz – A distância da Via Láctea
à Galáxia
Andrómeda (a mais próxima)
- cerca
de 400 mil milhões (400.000.000.000) – O número de estrelas que
compõem a
galáxia Andrómeda
-
Identificadas (e as descobertas continuarão por muitos anos…) pelo
![]() |
Via Láctea e Andrómeda |
telescópio
Hubbel:
Milhares de galáxias
Milhares de buracos negros
Milhares de nebulosas onde se formam
novas estrelas
Inúmeros outros astros
Planetas circundando outras estrelas
(tudo levando a crer – é a lei
das probabilidades! – que muitos deles conterão
seres vivos, tendo ou não
evoluído para seres inteligentes, como o Homem)
Mistérios que a Ciência, por
incapacidade ou por fora do seu âmbito,
não se atreve a resolver:
- O que
havia antes de ter acontecido o Big Bang que se supõe ter dado
origem a este
Universo conhecido?
- Onde –
ou em que parte do espaço vazio – existia a matéria original que
explodiu
naquele momento?
- Este
Universo, em princípio, terá os limites da matéria que existia no
núcleo
inicial, matéria que se encontra em contínuo movimento; perpétuo
ou limitado no
tempo? E irá até onde? E obedecerá a um eterno retorno
do mesmo ao mesmo
através do diverso? Eternos Big Bang (expansão) e
Big Crunch (contracção)?
- Falando
de espaço, falamos de algo limitado por um fim. Mas se falarmos
de vazio,
haverá um fim para o vazio?
- Que
Universos haverá para além deste conhecido ou identificado pela
Ciência?
Estaremos a falar de Infinito e de Eterno, isto é, sem princípio
nem fim, sem
tempo nem espaço, ou seja, um vazio infinito onde
eternamente se fazem e
desfazem universos, havendo apenas Tempo para
os seres que começam e se acabam,
depois de um certo tempo, da libélula
(1 dia) às estrelas (10 mil milhões de
anos)?
Ora,
apesar de inteligentes e com capacidades de abstracção, não
conseguimos abarcar
nem as distâncias nem os números astronómicos
deste universo conhecido. Muito
menos temos respostas para qualquer
daquelas perguntas/mistério que a Ciência
nem sequer pretende abordar,
sendo o seu âmbito de pesquisa o visível, seja de
que modo for.
ENTÃO, AINDA NOS ACHAMOS
IMPORTANTES E SENHORES
DA TERRA E DO CÉU?
NÃO SOMOS APENAS UM
PARAFUSINHO NESTA FANTÁSTICA
ENGRENAGEM, E… POR UM CURTO ESPAÇO DE TEMPO,
HABITANDO UM DADO LUGAR?
No
entanto, somos grandes, não pelos biliões de biliões de átomos de que
somos
feitos, mas por pertencermos à raça humana que conseguiu criar a
Ciência,
Ciência que nos permite ter todo este conhecimento. De resto,
somos, na
realidade, um minúsculo ponto no Planeta Terra, Terra que é
pequeno astro no
Sistema solar, Sol que é um ponto luminoso entre biliões
de outros na Galáxia,
Galáxia que é um ponto no Universo conhecido,
Universo de que se supõe
conhecer-se apenas 4 a 5%, ou seja, a matéria
luminosa, sendo a matéria escura
os outros 95 a 96%, e Universo que
poderá ser apenas um ponto no imenso –
INFINITO! – espaço vazio, onde
toda a saga da matéria/energia se desenrola, sem
que lhe possamos
conhecer nem o princípio, nem o fim e, por isso, INFINITO!
Perante
tamanha VERDADE, resta-nos o ASSOMBRO e… o SORRISO!
Quatro
momentos ZEN ou de…
reflexão filosófico-existencial
MOMENTO 1
– No sofá! Sofá do descanso,
da leitura, do ouvir música, do ver televisão!
Neste momento, nem livros, nem
televisão; apenas, um suave fundo musical,
convidativo ao relax total. Fecho os
olhos. Rumo ao futuro. Próximo ou
longínquo, não importa. Mas é um futuro
absolutamente certo;
absolutamente verdadeiro, inexoravelmente verdadeiro:
dentro de dez, vinte,
trinta – mil anos que sejam! – este lugar que ocupo e
onde descanso,
leio, ouço música e vejo televisão, e onde se podem entrelaçar
mãos e até
fazer amor…, este lugar estará vazio de mim, e ocupado ou não por
alguém
que dele tomou a posse. Eu… fui! Já não sou! Agora, ainda importo, ainda
me importo, ainda valho, ainda amo e sou amado, lembro e sou lembrado.
Depois,
nada de lembranças restará! Tudo, cedo ou tarde, se perderá
no esquecimento.
Como pertencem ao esquecimento todos os que nos
antecederam e que, de vez em
quando, lembramos porque ainda deles sentimos
os genes. Nada mais! É que cada
um tem a sua vida para viver! E realmente
aquele que importa é o que ainda está
presente. Vai-se: e a sua ausência –
que sabemos para sempre! – apenas será
sentida um certo tempo: o chorar
uma perda também cansa e em nada ajuda ao
gozar a luz que a cada manhã
se levanta para iluminar o corpo e aquecer a alma
dos vivos...
Então…, olhos fechados! Em relax total! Sentindo como se já o nosso
Então…, olhos fechados! Em relax total! Sentindo como se já o nosso
lugar estivesse vazio e nós em outro
lugar, o tal lugar do mistério! É
bom saborear esta ausência ainda presente!
Longamente!
MOMENTO 2
MOMENTO 2
- Eu! À noite, antes de
adormecer. O turbilhão dos acontecimentos do
dia provoca-me insónias,
insistindo em manter-me os sentidos acordados
quando as pálpebras já se fecham,
de cansadas. Concentro-me. Concentro
a mente no relax do meu corpo, subindo dos
pés, lentamente, ao ventre,
ao peito onde bate suavemente o coração (ah, quão
poucas vezes nos
lembramos que temos um coração e é por ele que vivemos e somos
e…!),
depois, ao rosto, onde a descontracção obedece ao descair do queixo,
ao
desfranzir da testa e das maçãs macias, enfim, à fronte. Aí chegada,
a mente
sai, liberta-se, voa pelo espaço, até ao infinito, por lá se perdendo,
mas sempre
caminhando lentamente, de estrela em estrela, até não ser
capaz de ir mais longe
do que aquela última tão brilhante que contemplei,
faz tempo, no céu profundo e
escuro. Há quanto tempo foi? Quando foi
que olhei, pela última vez, o céu e as
estrelas?
E, sem me dar conta, um sono
profundo tomou conta de todos os sentidos,
mergulhando-me no mundo dos sonhos…
Bom!...
MOMENTO 3
Num qualquer lugar. Olha as
tuas mãos! Ainda roliças e cheias de energia –
ou já nem tanto… – certamente
com muitas histórias de obras feitas para
contar, tendo semeado carícias,
tocado sentimentos, apertado sorrisos…
Mas, no tal futuro, nada delas restará.
Apenas pó, cinza, um quase nada de
átomos que um dia foram vida…
Por deprimente, afastemos este
momento da nossa mente. Mas, se dele
quisermos tirar proveito, com um beijo no
vazio, ou nas mesmas mãos,
roliças ou já nem tanto…, relaxemos e ponhamos todas
as preocupações no
seu devido lugar. É que, depois disto, queiramos ou não…, é
o NADA – ou
A VIDA! A vida é mesmo para se saborear, sorrindo, beijando, olhando
toda a beleza que nos circunda, das flores às estrelas, numa
fantasmagoria de
luz e cor… infindável. É que não teremos outra
ÚLTIMO MOMENTO (Este, um pouco menos
ZEN!)
- Numa conferência com
pretensões a debater Ciência. E chamam-se para
cima da mesa, os conceitos de:
Imanência e Transcendência, Física e
Metafísica, Matéria e Espírito, Humano e
Divino, Temporal e Eterno,
Finito e Infinito, Natural e Sobrenatural.
Inicia-se o debate. De um
lado, a Teologia; do outro, a Filosofia. Uma,
insistindo, sem quaisquer provas
credíveis, mas arrogante, como detentora
da Verdade – Verdades absolutas! – na
Transcendência, na Metafísica,
na Espiritualidade, na Divindade, na Eternidade,
no Infinito, no
Sobrenatural, tudo envolvendo no Mistério, fruto da fantasia,
da imaginação,
da loucura inventiva de uns quantos ditos iluminados; a outra,
com os pés
bem assentes na Terra, no concreto, na experimentação, na Ciência,
na dúvida metódica, na humildade de poder sempre tudo questionar e
pôr à
prova…, abraçando os conceitos de Imanência, Física, Matéria,
Humano, Temporal,
Finito, Natural.
Ao ouvinte, curioso, crítico,
sorriso mordaz, a Teologia aparece-lhe
como uma amálgama desprezível,
exactamente porque, ao aceitar como
Verdades dogmas e mistérios, despreza
sobranceiramente a Ciência e
o método científico da experimentação, único
válido para quem é
intelectualmente honesto; mas o mesmo ouvinte sorri,
glorioso, à Filosofia
crítica, por não confundir espiritualidade ou capacidade
de abstracção –
o que é timbre da nossa inteligência – com a religiosidade que
apregoa
e se funda na suposta existência de um mundo transcendente, metafísico,
divino, sobrenatural, tendo-se apropriado dos conceitos de infinito e eterno,
conceitos que pertencem ao domínio da abstracção, sendo um bom exemplo,
para o
Infinito, o das duas rectas paralelas que passam à nossa frente e se
prolongam
para um e outro lado, perdendo-se exactamente no infinito; se
quisermos, um
infinito, em todas as direcções, havendo apenas Tempo para
tudo o que começa,
pois, se começa, num dado momento, noutro forçosamente
irá acabar. Tal como
nós! Tal como as estrelas!...
Ah…, deixemo-nos perder nas
estrelas! Aí, todos aqueles conceitos se
Temos mais uma certeza
absoluta: se a eternidade realmente existe, e existe
com aquele mundo
fantasmagórico de céus e infernos criado pelas religiões,
tudo isso existirá
tanto para crentes como para não crentes. Nada adianta
andarmos a bater com a
mão no peito perante um deus qualquer com o qual
nos acenaram quando éramos
crianças. E já não somos crianças…