terça-feira, 28 de junho de 2016

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 103/?

À procura da VERDADE 
nos livros Sapienciais – 103/?

Livro da SABEDORIA – 1/6

Diz-se na Introdução ao Livro da Sabedoria:
“Na ordem cronológica, Sabedoria é o último livro do A.T. (…) 
Um judeu de Alexandria, escreveu o livro pelos anos 50 a.C. (…) 
Para ser correctamente avaliado, o livro deve ser entendido no 
contexto em que surgiu. (…) A cultura grega (…) com as suas 
filosofias, costumes e cultos religiosos (…) e às vezes, 
perseguição aberta (…), constituía uma ameaça constante à 
fé e à cultura do povo judaico. (…) Profundamente conhecedor 
das Escrituras, (…) o autor (...) procura reforçar a fé (…) dos 
judeus, impregnados do helenismo e não esquece os gregos a 
quem quer mostrar a superioridade da sabedoria judia. (…) 
Confrontado com o drama do justo que morre sem ter gozado 
a sua recompensa, este livro dá um salto qualitativo ao 
desvendar que aos justos, para além da morte física, são 
reservados vida e prémio junto de Deus. Dois termos bem 
gregos exprimem a ideia da recompensa futura: imortalidade 
e incorruptibilidade. (…) Foi a maneira de integrar na 
corrente sapiencial a esperança da ressurreição corporal (…) 
para sair da crise dolorosa, interpretada exemplarmente por 
Job e pelo Eclesiastes.” (ibidem)
Então, é um livro histórico, bem datado. Então, deve ler-se 
à luz da situação no tempo. Então, a imortalidade e a 
incorruptibilidade foram “o caminho encontrado”, o que não 
quer dizer que seja o verdadeiro… Para livro divino ou de 
inspiração divina, livro que se quisera fundamento da nossa 
fé entendida pela razão, acerca da imortalidade da alma, da 
recompensa eterna do justo e do castigo eterno do injusto, 
não parece ser de irrefutável ou inquestionável credibilidade…
 E a grande pergunta que se coloca para este livro como para 
toda a Bíblia, para o Corão, os Vedas, etc.: “Porquê livros 
de inspiração divina, melhor, ditados por Deus a este ou 
àquele autor, autor dito sagrado”? “Que provas”? – A 
resposta, para um analista crítico, só pode ser uma: “Nenhuma 
prova! Nenhuma razão para tal divina inspiração! Nenhuma 
prova para a existência de tal Deus inspirador! Tudo inventado! 
Logo, tudo falso!...”

- “O espírito do Senhor enche o Universo, dá consistência a todas 
as coisas e tem conhecimento de tudo o que se diz. Por esse 
motivo, quem diz coisas injustas não Lhe escapará e a justiça 
vingadora não o poupará.” (Sb 1,7-8)
De novo, um Deus vingativo… Em cerca de mil anos, os judeus 
pouco evoluíram sobre a ideia de Deus!

- “Raciocinando de forma errada, os injustos comentam entre si: 
A nossa vida é curta e triste: quando chega o fim, não há 
remédio e não se conhece ninguém que tenha voltado do mundo 
dos mortos. Nascemos por acaso e depois seremos como se 
nunca tivéssemos existido. A nossa respiração é fumo e o 
pensamento é uma faísca produzida pelo pulsar do coração. 
Quando a faísca se apaga, o corpo transforma-se em cinza 
e o espírito espalha-se como ar sem consistência. Com o 
tempo, o nosso nome fica esquecido e ninguém mais se lembra 
do que fizemos. A nossa vida passa como rasto de nuvem e 
dissipa-se como neblina expulsa pelos raios do Sol e dissolvida 
pelo seu calor. A nossa vida é uma sombra que passa e depois 
de morrer não voltaremos. (…) Sendo assim, vamos gozar os 
bens presentes e gozar das criaturas com o ardor da 
juventude. Vamos embriagar-nos com os melhores vinhos e 
perfumes e não deixar que a flor da Primavera nos escape. 
Vamos coroar-nos com botões de rosa, antes que murchem. 
Que nenhum de nós falte às nossas orgias. Vamos deixar por 
toda a parte sinais da nossa alegria porque essa é a nossa 
sorte e o nosso destino. Vamos oprimir o justo pobre e não vamos 
poupar as viúvas, nem respeitar os cabelos brancos do ancião. 
A nossa força será a regra da justiça porque o fraco é claramente 
coisa inútil.” (Sb 2 1-11)

- Falam bem estes insensatos! Realistas! A verdade que 
conhecemos, no corpo e na alma. Exactamente o que nós pensamos,
 pertencendo por isso ao rol dos injustos… Mas não pensavam 
assim os justos Job e Coélet? Depois, a faísca do pensamento não 
estará no pulsar do coração mas do cérebro! E, para deixar por 
toda a parte a alegria de viver, não é preciso oprimir o justo ou 
as viúvas e muito menos desrespeitar os cabelos brancos do ancião… 
Aqui, o autor quis introduzir um pecado… desnecessário. 
Apenas conveniente para defender a sua tese. Também não se 
percebe porque é que só o injusto vê com realismo o que acontece 
ao Homem, sendo o prazer e a alegria de viver o que 
finalmente lhe resta… Estas afirmações parecem evidenciar 
que o autor terá ficado realmente perturbado com a leitura de Job 
e do Eclesiastes. Logo, o Deus que o inspirou (inspirou?!), deveria 
estar também perturbado. O que é, obviamente, inadmissível.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 102/?

À procura da VERDADE 
nos LIVROS SAPIENCIAIS e POÉTICOS 

CÂNTICO DOS CÂNTICOS – 4/4

Deliciemo-nos, pela última vez, com a repetida cena de dois 
amantes apaixonados:
- “És bonita, minha amiga (…) formosa como Jerusalém.
   Tu és terrível como esquadrão
   com bandeiras desfraldadas.” (Ct 6,4)
A comparação bélica parece tosca! Destoa. Quebra o romantismo…
- “Afasta de mim os teus olhos,
   que os teus olhos me perturbam!
   O teu cabelo (…) os teus dentes (…) os teus seios (…)” 
(Ct 6,5-7)
   “Sejam (…) rainhas (…) concubinas (…) donzelas (…) sem 
conta, mas uma só é a minha pomba, sem defeito, uma só a 
preferida (…). As jovens, (…) as rainhas e concubinas 
felicitam-na: Quem é esta que desponta como a aurora, bela 
como a Lua, fulgurante como o Sol, terrível como esquadrão 
com bandeiras desfraldadas?” (Ct 6,8-10)
Tímido ou… galanteador, este amante? - Galanteador, sem 
dúvida!
- “Os seus pés (…) como são belos (…)!
   As curvas dos seus quadris (…)
   obras de um artista.
   O seu umbigo… essa taça redonda
   onde o vinho nunca falta.
   O seu ventre, monte de trigo
   rodeado de açucenas.
   Os seus seios, dois filhinhos
   filhos gémeos de gazela.
   O seu pescoço, uma torre de marfim.
   Os seus olhos, as piscinas de Hesebon (…)
   O seu nariz (…) a torre do Líbano (…)
   A sua cabeça (…) como o Carmelo
   e os seus cabelos (…) prendendo um rei nas tranças.
   Como és bela (…)!
   Tens o porte da palmeira
   e os teus seios são os cachos.
   E eu pensei: Vou subir à palmeira
   para colher dos seus frutos!
   Sim, os teus seios são cachos de uva
   e o sopro das tuas narinas perfuma
   como o aroma das maçãs.
   A tua boca é um vinho delicioso
   que se derrama na minha,
   molhando-me lábios e dentes.” (Ct 7,2-10)
Os olhos… os seios… e novamente os seios… O amado 
apaixonado não resiste a tais encantos!















- “Eu sou do meu amado,
   o seu desejo trá-lo para mim.
   Vem, meu amado,
   vem ao campo, vamos pernoitar debaixo dos cedros,
   madrugar pelas vinhas. (…)
   Aí darei o meu amor…
   Grava-me como selo no teu coração,
   como selo nos teus braços;
   pois o amor é forte, (…)
   As águas da torrente jamais poderão apagar o amor
   nem os rios afogá-lo. (…) (Ct 7,11 e 8,6-7)
Assim se termina. O Cântico é sem dúvida belo. Belíssimo! 
De inspiração, “divina”! Mas o permanente chamamento ao 
prazer dos sentidos é tão humano, tão doce, tão apelativo!… 
Enfim, fica-nos a beleza das palavras, das cenas, do romance. 
O divino perde-se no mistério!…


terça-feira, 14 de junho de 2016

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo testamento (AT) - 101/?

À procura da VERDADE 
nos LIVROS SAPIENCIAIS e POÉTICOS

CÂNTICO DOS CÂNTICOS – 3/4

Os apaixonados continuam elogiando-se, cativando-se:


- “Vem, (...) noiva minha, (…) e entra comigo (…)
   Roubaste o meu coração (…) com um só dos teus olhares (…)
   Como os teus amores são belos (…)
   são melhores do que o vinho
   e mais fino que os outros aromas
   é o odor dos teus perfumes.
   Os teus lábios são favos de mel a escorrer (…)
   Tens leite e mel sob a língua
   e o perfume dos teus vestidos
   é como a fragrância do Líbano.” (Ct 4,8-11)
Amante completamente perdido!… Enfeitiçado! Comentar é estragar 
o enlevo.
- “Desperta, vento norte! Aproxima-te, vento sul! Soprai no meu 
jardim para espalhar os (…) perfumes. Entre o meu amado no meu 
jardim e coma dos seus frutos saborosos!”
- “Já entrei no meu jardim (…) noiva minha, colhi a minha mirra e 
o meu bálsamo, comi o meu favo de mel, bebi o meu vinho e o meu 
leite.” (Ct 4,12-16 e 5,1)
Comeu, bebeu e… viu que era bom, pois exclama, delirante: “Comei 
e bebei, companheiros, embriagai-vos, meus caros amigos!” (Ct 5,1)
- “Eu dormia,
   mas o meu coração velava
   e ouvi o meu amado que batia:
   Abre, minha irmã, minha amada,
   pomba minha sem defeito! (…)
   Já despi a túnica
   e vou vesti-la de novo? (…)
   O meu amado mete a mão
   na fenda da porta:
   as entranhas estremecem-me,
   a minha alma ao ouvi-lo, desmaia.
   Ponho-me de pé
   para abrir ao meu amado:
   as minhas mãos gotejam mirra (…)
   Abro a porta ao meu amado,
   mas o meu amado já se tinha ido…” (Ct 5,2-6)
Porquê se fora embora o amado? Não chegou até ele o perfume 
do corpo sem túnica da sua amada? Ou o amor é assim feito 
de encontros-desencontros, tendo de haver sofrimento no mesmo 
amor?!
- “O meu amado é branco e rosado (…)
   A sua cabeça é ouro puro (…)
   Os seus olhos… são pombas
   à beira de águas correntes (…)
   As suas faces são canteiros de bálsamo (…)
   Os seus lábios são lírios (…)
   Os seus braços são torneados em ouro (…)
   O seu ventre é um bloco de marfim (…)
   As suas pernas, colunas de mármore
   O seu aspecto (…) altaneiro como um cedro
   A sua boca é muito doce…
   Todo ele é uma delícia! (…)
   Eu sou do meu amado
   e o meu amado é meu (…) (Ct 5,10-16 e 6,3)”

Não há dúvida: o amado é o mais belo dos homens aos olhos da 
sua amada… apaixonada!

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 100/?

À procura da VERDADE 
nos LIVROS SAPIENCIAIS e POÉTICOS

CÂNTICO DOS CÂNTICOS – 2/4

Sem introduções, oiçamos o sonho:












- “Macieira entre as árvores do bosque
   é o meu amado entre os jovens;
   à sombra dele eu quis sentar-me
   com o seu doce fruto na boca.
   Ele levou-me à adega
   e contra mim desfralda
   a sua bandeira de amor.
   Sustentai-me com bolos de passas
   dai-me forças com maçãs, oh!
   que estou doente de amor…
   A sua mão esquerda
   está sob a minha cabeça,
   e com a direita ele me abraça.” (Ct 2,3-6)
Deliciosa cena! Uma terna e delicada sensualidade…
- “Filhas de Jerusalém, (…)
   não desperteis, não acordeis o amor,
   até que ele o queira!”
  “ A voz do meu amado!
   Ei-lo que vem correndo pelos montes,
   saltitando pelas colinas!
   O meu amado é como um gamo (…)
   Ei-lo (…) espiando pela janela (…) e diz-me:
   «Levanta-te, minha amada,
   formosa minha, vem! (…)
   Deixa-me ver a tua face,
   deixa-me ouvir a tua voz
   pois a tua face é tão formosa
   e tão doce a tua voz! (…)»
   O meu amado é meu e eu sou dele. (…)
   Antes que (…) as sombras desapareçam
   volta! (…)
   No meu leito, pela noite, procurei o amado da minha alma.
   Procurei e não o encontrei!
   Vou levantar-me
   vou rondar pela cidade
   pelas ruas e pelas praças
   procurando o amado da minha alma (…)
   Agarrei-o e não vou soltá-lo
   até o levar a casa da minha mãe
   ao quarto daquela que me trouxe no seio.” 
(Ct 2,7-17 e 3,1-4)
É uma amada determinada em não perder o seu amado. 
Este retribui galanteios:
- “Como és bela, minha amada,
   como és bela!…
   São pombas os teus olhos (…)
   O teu cabelo (…) um rebanho de cabras (…)
   Os teus dentes (…) um rebanho tosquiado
   Os teu lábios (…) fita vermelha,
   a tua fala melodiosa.
   Metades de romã são os teus seios
   mergulhados sob o véu
   O teu pescoço é a torre de David (…)
   Os teus seios são (…) filhos gémeos de gazela,
   pastando entre açucenas (…)
   És bela, minha amada,
   e não tens um só defeito!” (Ct 4,1-7)

A paixão obnubila a mente! Como seria a vida de dois corações 
perenemente apaixonados? Nunca se descortinariam defeitos?! 
A relação perfeita?!…

terça-feira, 31 de maio de 2016

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - (99/?)

À procura da VERDADE 
nos LIVROS SAPIENCIAIS e POÉTICOS  

CÂNTICO DOS CÂNTICOS – 1/4

O “nosso” comentador introduz-nos: “ (…) O livro é uma colectânea de 
cantos populares de amor (...) A forma final do livro (…) remonta ao 
séc. V ou IV a.C. Como interpretar o Cântico? (…) Amor humano ou 
divino? Podemos dizer que o Cântico celebra ambos inseparavelmente, 
pois a criatura humana é imagem e semelhança do Criador (…) O Cântico 
e o que ele descreve - o amor humano - podem e devem ser lidos como 
uma parábola incomparável que revela a paixão e ternura de Deus pela 
humanidade.” (ibidem)
Difícil de aceitar tal interpretação, sobretudo o dizer que Deus revela 
paixão e ternura, sentimentos próprios de Homem e não de Deus! Mas… 
que humano não ficará perplexo ao ler este admirável poema, impregnado 
de uma tão forte e crua sensualidade, podendo-se quase visualizar os dois 
amantes, beijando-se, desnudando-se, possuindo-se na embriaguez do 
amor, contemplando-se, desejando-se irresistivelmente?… Como pensar 
tal livro como divino, não o sabemos. Inspirado? - Claro! Por Deus? 
- Se toda a inspiração boa e bela vem de Deus… E não é bom e belo o a
mor? Amor no corpo, na alma, no coração, no sonho, na realidade? 
Depois – que “milagre”! – a mulher deixou de ser a tentadora do 
Homem para se igualar a ele, ambos desejando-se, ambos cometendo 
o mesmo “divino pecado” do amor, ambos comendo a mesma maçã 
do paraíso, bebendo o mesmo vinho celestial da Terra! Simplesmente 
fantástico!



- “Beija-me com os beijos da tua boca!
   Os teus amores são melhores do que o vinho,
   o odor dos teus perfumes é suave,
   o teu nome é como óleo perfumado a escorrer,
   e as donzelas enamoram-se de ti…
   Arrasta-me contigo, corramos!
   Leva-me, ó rei, aos teus aposentos
   e exultemos! Alegremo-nos em ti!
   Mais que ao vinho, celebremos os teus amores!
   Sou morena mas formosa (…)
   Não repareis na minha tez morena (…)
   Os filhos de minha mãe (…)
   obrigaram-me a guardar as vinhas
   e a minha vinha, a minha…
   não a pude guardar.
   Avisa-me, amado da minha alma,
   onde apascentas e fazes descansar
   o rebanho ao meio-dia
   para que eu não ande vagueando perdida (…) (Ct 1,2-7)”
Que “amado” não responderá a tal chamamento? E que vinha é a sua que 
não pôde guardar?
- “Minha amada, (…)
   Que beleza as tuas faces entre os brincos
   o teu pescoço com colares!”
- “Um saquinho de mirra
   é para mim o meu amado
   repousando entre os meus seios.
   O meu amado é para mim
   um cacho de cipro florido (…)”
- “Como és bela, minha amada
   como és bela!…
   Os teus olhos são pombas”
- “Como és belo, meu amado
   e que doçura!
   O nosso leito é todo relva (…)”
- “Como açucena entre espinhos
   é a minha amada entre as donzelas.” (Ct 2,2)

Encantados, só perguntamos: Porquê, para ele, seriam “espinhos” as 
outras donzelas?

segunda-feira, 23 de maio de 2016

FÁTIMA, verdade ou mentira? E o “corpo de Deus”, o que é?


 Fátima
Já escrevemos aqui uma dezena de textos sobre a “Inverdade de Fátima”, de 30/05/2011 a 01/09/2011, analisando o fenómeno à luz da própria mensagem da Virgem aos pastorinhos, havendo também a presença de um outro ente celestial, meio anjo meio sacerdote.
Concluiu-se, obviamente, pela falsidade do fenómeno e da mensagem, partindo do conteúdo medievesco e fundamentalista dessa mesma mensagem. Não vamos repetir aqui o que então dissemos. Convida-se à leitura daqueles textos, uma leitura fácil e rápida.
E sobre o tema, há algumas verdades incontestáveis:
1 – O fenómeno impôs-se a nível nacional e internacional, arrastando multidões para o local, sobretudo nos dias 13 de Maio, onde se queimam toneladas de cera e se deixam muitos milhares de euros em ofertas ao santuário e à Virgem (leia-se Igreja!), pagando ou não promessas feitas em casos de aflição. O turismo da região – cama e mesa e comércio – agradece, embevecido com o “milagre” da Virgem, embora sazonal…
2 – A fé move os crentes. Alguns vão a pé. Não só uma mas várias vezes. Bolhas nos pés e dores nas pernas, tudo é superado pelo fervor de “ver” e de acenar com lenços brancos à Virgem (diga-se imagem…), na hora do Adeus que, de comovente, deixa a lágrima toldando o olhar. E partem felizes, cheios do amor divino, seja lá isso o que for!
3 – E tudo baseado em falsidades, em suposta Virgem – que não o foi: teve vários filhos além de Jesus! – Virgem que desceu do Céu à Terra para visitar a lusa gente e trazer-lhe uma mensagem não de salvação, mas de terror e de pavor, revelando pecadores chamuscando-se num inventado Inferno…
4 – Então, já pelo comércio realizado tanto pelo turismo local como pela Igreja, já pelas alegrias de que vão inundados os crentes quando partem do local santo, não vale a pena uma mentira, mentira, diga-se, muito bem orquestrada pela classe sacerdotal de Ourém de 1917?

Falando da crença na Virgem de Fátima, pode dizer-se o mesmo das crenças em qualquer suposto divino apregoado por todas as religiões, religiões cujos gurus levam os crentes a acreditar alegremente em coisas bizarras do Aquém e do Além, fazendo-as passar por verdades incontestáveis, já que com o aval desse suposto divino supostamente vindo à Terra para inspirar livros supostamente sagrados. Uma certeza: só é crente quem é acrítico ou inculto. As religiões acabarão – esfumar-se-ão na espuma da História – no dia em que toda a humanidade tiver os conhecimentos que a Ciência já hoje lhe proporciona e que, certamente, irá proporcionar à medida que for desvendando mais segredos da Vida e do Universo. Por enquanto, os povos quanto mais incultos mais crentes.
Então, ser ou não ser… a escolha é sua!

O corpo de Deus? – Obviamente, uma falácia! Uma aberração completa, aberração que não se percebe como é que a Igreja, ela própria, a impõe aos fiéis.
Então, Deus não é puro espírito? Ah dirão – estás esquecendo-te da eucaristia: Deus desce do Céu à Terra, sob as espécies do pão e do vinho, pela força das palavras do sacerdote… Inacreditável! Um humano com a capacidade que lhe foi outorgada por outro humano – o bispo ou o papa! – de fazer descer Deus do Céu à terra e ficar ali encurralado num pouco de pão e num pouco de vinho. Ao que a fé obriga os crentes, santo Deus!

E é esse suposto corpo que dá direito a um feriado nacional e leva muitos crentes à "Missa do Corpo de Deus" e a participarem em procissões em que o sacerdote, cantando alegremente, levanta a custódia reluzente que transporta a hóstia dita consagrada! O corpo de Deus! Se não fosse deprimente aos olhos da Razão, era senão perverso, pelo menos ridículo!

terça-feira, 17 de maio de 2016

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 98/?

À procura da VERDADE
nos LIVROS SAPIENCIAIS e POÉTICOS 

 ECLESIASTES (ou Coélet) – 5/5

- “ (…) O dia da morte é melhor que o dia do nascimento (...) pois 
aquele faz reflectir os vivos. É melhor a tristeza que o riso (…)” 
(Ecl 7,1-3)
Não! Totalmente em desacordo! O pensamento da morte só nos deve 
levar a tirar o melhor partido da vida! E o riso… sempre! A tristeza… 
nunca! Aqui, o Deus inspirador estava de mau humor!
- “Não te irrites facilmente porque a irritação abriga-se no peito dos 
insensatos.” (Ecl 7,9)
 Claro: quem se irrita perde, para sempre, momentos de viver feliz.
- “Vi o justo perecer apesar da sua justiça e o injusto viver 
longamente apesar da sua injustiça. Não sejas demasiadamente justo 
nem te tornes sábio demais. Para quê arruinares-te? Não sejas 
demasiadamente injusto nem te tornes insensato. Para que irias morrer 
antes do tempo?” (Ecl 7,15-17)
Lá que o “injusto” tenha melhor vida que o “justo”, é bem visível por 
esse mundo fora! Agora, que ser justo ou injusto tenha limites de 
conveniência, talvez seja calculismo a mais e, obviamente, muito pouco 
divino…
- “Apliquei-me de novo a conhecer (…) a sabedoria (…). Então, descobri 
que a mulher é mais amarga do que a morte, porque é uma armadilha, o 
seu coração é uma rede e os seus braços são cadeias. Quem agrada a 
Deus conseguirá fugir dela, mas o pecador será apanhado por ela. 
(Ecl 7,25-26)
Também tu, Coélet? Também tu te manifestas tão machista, esquecendo-te 
completamente que andaste nove meses no ventre de uma mulher, a tua 
mãe? Certamente, tiveste alguma paixão totalmente frustrada ou… 
eras do “outro” grupo! É que te esqueceste do prazer que é fazer amor, 
para além do comer e do beber que atrás apregoaste! Que pena! Aqui 
até o “nosso” comentador teve de desabafar: “A observação sobre a 
mulher é típica de uma sociedade patriarcal machista.” E nós de perguntar: 
“Não é Coélet um autor sagrado? Como pôde Deus inspirar tal 
machismo?” - perdoe-se-nos a pergunta eivada de total ironia…
- E o machismo mesquinho e parcial persiste: “Pesquisei e (…) entre mil 
consegui encontrar um homem, mas entre as mulheres não encontrei 
nenhuma.” (Ecl 7,28) Simplesmente intolerável!
- “Ninguém é capaz de dominar a sua própria respiração (…)” (Ecl 8,8)
Tal como não dominamos o bater do nosso coração, o nosso metabolismo, 
o nosso reproduzir de células, o nosso caminhar para a degradação. Tudo 
está dentro e tão fora de nós!… É a dependência total ou quase do 
desconhecido. Afinal, quão pouca é a nossa propalada liberdade!
- “O pecador sobrevive mesmo que cometa cem vezes o mal (…). Não 
haverá nenhuma felicidade para o injusto (…) porque não teme a Deus.” 
(Ecl 8,12-13)
É, pelo menos, contraditório. E, olhando à nossa volta, totalmente falso!
- “ (…) Eu exalto a alegria porque não existe felicidade para o Homem 
debaixo do Sol, além de comer, beber e alegrar-se.” (Ecl 8,15)
Continua contradizendo-se com o dito anteriormente e… a insistir 
no prazer dos sentidos. É a total desconfiança de que a eternidade exista! 
Uma decepção divina!
- “O mal que existe em tudo o que se faz debaixo do Sol é o facto de todos 
terem o mesmo destino.” (Ecl 9,3)
Realmente, se todos temos o mesmo destino, porquê ser justo, sábio, bom, 
sensato? Mas serão estas palavras de inspiração divina? Até para se viver 
melhor esta vida - que é a certa! – é bom ser-se bom, justo, sábio, sensato, 
não é?!…
- “ (…) Os mortos (…) o seu amor, ódio e ciúme desaparecerá com eles.” 
(Ecl 9,6).
 Desaparecerá? Sem certezas do Além, obviamente que sim.
- “Portanto, vai, come o teu pão com alegria e bebe o teu vinho com 
satisfação (…) Goza a vida com a esposa que amas (…) Tudo o que 
puderes fazer, fá-lo enquanto tens forças (…)” (Ecl 9,7-10)
Interessante: também, pela mesma época, em Atenas, Epicuro diria o mesmo. 
A diferença é que o apelo aqui é o dos sentidos mas… dentro da 
sensatez, não enveredando por desregramentos… E aquela “esposa que 
amas” será, certamente uma mulher “aproveitável” em mil!
- “Doce é a luz e agradável para os olhos ver o Sol (…). Jovem, alegra-te (…) 
sê feliz (…); segue os impulsos do teu coração e os desejos dos olhos (…). 
Expulsa a melancolia do teu coração (…) Lembra-te do teu Criador (…) antes 
que cheguem os anos em que dirás: «Já não sinto prazer em nada. (…)» É 
porque o Homem já está a caminho da sua morada eterna (…) Então, o pó 
volta para a terra de onde veio e o sopro da vida retorna para Deus que o 
concedeu.” (Ecl 11,7-10 e 12,1-7).

É o convite final ao fruir da vida até ao limite. Tal como nós pensamos. 
Que somos pó, já o sabemos. Que a vida vem de Deus e para Ele 
voltará, já é… mistério! Mas… que poderíamos dizer, terminando, desta 
filosofia de vida tão… tão realista, em que Deus tem um papel quase 
irrelevante, a eternidade praticamente não existe e a vida se resume ao 
comer, beber e… ser feliz, em suma, ao todo-poderoso PRAZER? Ah, 
como é bom SORRIR, ao terminar a leitura deste belo livro certamente 
inspirado, não por Deus, mas pelo realismo da VIDA humana!