OS ADORADORES DO DEUS VERDADEIRO
COMENTÁRIO
Realmente, vemo-nos obrigados a perguntar:
“Onde estão as emoções desta Religião, se o Homem não é só Razão mas também
Emoção e Sentimentos?”
A questão coloca-se pertinentemente e com
acuidade aquando de momentos de extrema gravidade emocional: perca de entes
queridos em situações trágicas, doenças violentas, dramas que apontam a morte
como solução, a própria morte, sobretudo inesperada ou extemporânea.
É que as Religiões actuais, por muito
falsas que sejam, têm “soluções”, têm palavras de conforto, ideias de esperança
numa outra vida melhor… E, nestas situações, embora incongruentemente, as
pessoas querem lá saber que tal não corresponda à verdade existencial! A
Religião ora proposta fica-se pelo vazio de nada ter para colmatar o vazio
emocional da perca de um ente querido, de uma tragédia nunca anunciada – e
mesmo que o fosse! – de uma qualquer desgraça que deixa o indivíduo desesperado
e inconsolável. Então?!
Então, em total desespero, a pessoa
agarra-se à única tábua de consolação que se lhe oferece: confiar que todo o
seu sofrimento será largamente compensado num Céu, num Paraíso de todas as
delícias onde não haverá mais sofrimento, mas apenas felicidade, bem-estar e
alegria. E… por toda a eternidade! E a paz perdida desce, de algum modo, à alma
sofredora, pois, em boa verdade, o ser humano não veio à vida para sofrer… Fantástico, não é?! Realmente…, o que faremos
deste nosso desejo de eternidade, desta nossa sede de infinito?
A resposta é terrivelmente difícil! Aliás,
foi neste “terrível” que as religiões existentes se basearam para criar,
inventar, fantasiar os seus Céus, os seus Infernos, as suas eternidades. Mas
nada correspondendo a qualquer realidade comprovada. Pelo contrário: como não
há hipótese de entender as suas invenções, sempre se refugiaram no MISTÉRIO. O
“milagre” é que conseguem convencer milhares de milhões desses Céus, desses
Infernos, dessas eternidades. Até quando?!
E, face à realidade que somos – seres que
aparecem no Tempo sem qualquer motivo e desaparecem no Tempo – somos
forçosamente levados a sentir-nos frustrados, a pensar que talvez melhor teria sido
nem sequer ter vindo à Vida. Pois, para quê, se isto se acaba ali sem qualquer
outra hipótese, outra chance, outra oportunidade, outro desfecho? Não fora o
instinto vital e de sobrevivência que nos acompanha nesta nossa vinda ao mundo
dos vivos, e seríamos facilmente levados a cometer suicídio por dá cá aquela palha…
Ora, virando tudo ao contrário, olhando o
outro lado da VIDA, temos de deixar-nos levar pelo pensamento de que ter vindo
à vida foi o melhor que nos poderia ter acontecido. Fisicamente, quando fomos
concebidos pelos nossos pais, milhões de outros ficaram na hipótese de ser: foi
o “nosso” espermatozoide que ganhou a corrida para fecundar o óvulo do qual
nascemos; fora outro e quem estaria aqui a pensar, a amar, a sorrir (embora
também a sofrer e a ter estes pensamentos de frustração…) seria um outro a quem
nem sequer poderíamos chamar de irmão…
Então, VIVA A VIDA! E bendita seja a hora
em que fomos concebidos para dela podermos fazer parte. Resta-nos, agora,
aceitar as regras do jogo que regem a Natureza dos vivos. E aceitá-las com
sorrisos, risos e gargalhadas, rindo da dor, da doença, da catástrofe, da morte
certa quando o nosso tempo se acabar, aproveitando ao máximo todas as jogadas
que procuraremos sejam ganhadoras. Fazer da vida um jogo sempre a ganhar será o
maior desafio em que fomos convidados a participar. Com regras, claro!
Essa coisa da morte, olha, que venha quando
vier! Que venha tarde e sem dor! E que nos encontre, sorrindo, embora já quase
sem energia para o sorriso que o corpo a perdeu na voragem do malvado/bendito
TEMPO! Mas ainda tenhamos mão para dizer ADEUS ao que fica – vivos e não vivos,
céus e Terra, estrelas e Universo – um ADEUS de partida para um eterno NADA!
E, ainda sorrindo, consolando-nos, pela última vez: "EU VALI A PENA!"