A lenda de Santiago de Compostela
Em nome da Ciência
Um ponto de encontro para discutir o outro lado da vida, abordando, com toda a abertura de espírito, a sempre polémica dicotomia: Razão e Ciência versus Religião e Fé.
terça-feira, 13 de outubro de 2026
Lendas e mitos aproveitados pela Igreja para seu benefício espiritual e material
quinta-feira, 8 de outubro de 2026
Onde a Verdade da Bíblia - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) (2/?)
INTRODUÇÃO II
Um reencontro
Para quebrar a possível aridez do tema, demos-lhe um toque romanesco, fazendo-o um quase romance, com um reencontro entre duas personagens já conhecidas mas que há muito não se encontravam. Uma delas, a Sabedoria; a outra, qualquer um de nós. Você, leitor, obviamente:
- Olá, Sabedoria! Já te
conheço doutros lugares. Continuo procurando… E tu?
- Quem não continuará?
Acaso, já a encontraste, já alguém a encontrou, a Verdade?
- É! Temos tentado, tens
tentado perscrutar para além do que aqui vês, ali, acolá, em qualquer lugar,
perguntando a todas as coisas, a toda a gente: “O que faço eu aqui? Afinal,
donde venho e para onde vou?” E nenhuma resposta te convenceu, nos convenceu,
nenhuma sossegou o nosso espírito sequioso de verdade…
- … a VERDADE!… que parece
existir em tudo e em todos e… em nada ou ninguém…
- Até que … eis que me
disseram: “Este é o livro de verdades absolutas… este é o livro da VERDADE!”
Então, fomos à descoberta. Será o desencanto total até ao desespero de nada ser
verdade, de não haver nenhuma VERDADE… ou o sossego da alma que enfim A encontrou?
- Vamos ver! Os dois… como
antigamente. “Que VERDADE? - perguntarão alguns mais distraídos. Simples: O que
realmente nos acontecerá depois da morte, já que parece nada haver de certo,
nem dito, nem escrito, nem revelado, nem anunciado, em nenhum tempo, em nenhum
lugar, em… nenhuma religião. É o realismo total, sem qualquer hipótese de
romantizar, idealizar, imaginar, sonhar seja que outra realidade for, pois
outra não há com mais certeza do que esta que atinge inexoravelmente todo o
vivente: morre porque um dia começou a odisseia curta ou longa da vida! Morre!
E nós - parece que únicos seres pensantes, pelo menos na Terra, pois que no
Universo, o desconhecido é total! - nós aqui estamos sem saber o fundamental
das nossas vidas: o ALÉM do tempo que é a misteriosa eternidade! Será que vamos
encontrar a resposta - a VERDADE - na Bíblia?
- Porque não?
- Então, vamos, que o tempo
não descansa, a esperança é muita, a ansiedade enorme… A Bíblia é um livro
aberto… e o Antigo Testamento o seu princípio! Vamos… à procura da Vida Eterna!
Ainda fora do texto…
A Bíblia nasce da poeira levantada pelos pés dos que caminham no deserto. Durante dezenas, centenas de anos, homens e animais viveram, primeiro, no cativeiro do Egipto, depois no deserto, longamente, até chegarem à “Terra Prometida” - Terra que tiveram de conquistar aos de Canaã, para ali se instalarem e proliferarem. “Ai da mulher estéril! Era anátema de Javé!” - depois, novamente em cativeiro na Babilónia…
Neste
contexto, que povo não tenta encontrar um libertador? Quem suporta a escravidão
durante toda uma vida, durante várias gerações, sem se revoltar? Tal há 3 000
anos, tal hoje com os povos que se libertam do jugo colonizador, com menor ou
maior derramamento de sangue, mas com os seus heróis, os seus pais da
revolução. E aí vem Moisés - o Libertador “enviado por Javé” que os conduz do
Egipto para a Terra Prometida!
O deserto
é propício a alucinações, à meditação, à contemplação! E tantas privações de
água e de alimentos suportadas por homens e animais, não fariam pensar, mesmo
que em sonhos, num paraíso onde corresse o leite e o mel? E não precisavam eles
de um rei para organizar um exército e os levar à conquista da tal Terra
Prometida?
E onde
encontrar justificação para tamanhos castigos, tamanhas privações, tamanha
aridez de deserto a que aquele povo nómada e errante tinha sido sujeito? - A
autores “inspirados”, detidos no cativeiro da Babilónia, conhecedores da
História contada de pais para filhos, ter-lhes-ia sido fácil “inventar” um
pecado original, um paraíso perdido, uma mulher a tentar o homem, na “boa”
tradição egípcia e… judaico-cristã!!!
Aliás,
não é daí que nascem todas as religiões? Não é por estarmos subjugados ao
inevitável sofrimento, à inevitável morte? Não é da inexplicabilidade de o
Homem ter em si os dois princípios - o do Bem e o do Mal - o que é bem evidente
no dia-a-dia e ao longo da História? Fácil! Fácil “inventar” um Deus -
princípio do Bem - e um diabo - princípio do Mal. Fácil “inventar” um pecado
contra Deus, para justificar o sofrimento e a morte como castigo por tal
pecado! Mas… como tudo vem de um Deus-Criador, teria que haver um livre
arbítrio para mandar para o inferno o Lúcifer que “quis” ser igual a Deus e os
seus anjos seguidores e expulsar Adão e Eva e, com eles, toda a humanidade, do
Paraíso terreal, comendo o pão com o suor do seu rosto e gerando na dor e nas lágrimas!…
A Bíblia!
Não terá nascido realmente da poeira dos que caminharam no deserto?!
(NOTA: Aqui, continuaremos a escrever, ignorando, em protesto, o dito Acordo Ortográfico!)
terça-feira, 6 de outubro de 2026
Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) 1/?
"No início era o Verbo e o Verbo era Deus"!
suas obras (…)
(Ecl 3,19-22)
em ti!
fruto do seu trabalho.
Homem debaixo do Sol, além de comer, beber e alegrar-se.
(Ecl 8,15)
Aqui ficam algumas das belas passagens da Bíblia. Muito humanas! Muito pouco divinas! O que pensar e a quem atribuir a inspiração dos poetas ou escritores que no-las deixaram escritas de tal forma? Melhor: porque dizer que são de inspiração divina ou - pior! - que são a "palavra de Deus"?
sábado, 19 de setembro de 2026
Madre Teresa de Calcutá, uma santa! (2/2)
quinta-feira, 20 de agosto de 2026
Madre Teresa de Calcutá, uma santa! (1/2)
Uma santa que a Igreja não consegue que assim o seja, na sua prole…
Que Madre Teresa é uma santa, toda a gente concordará, olhando a sua vida e a sua obra.
Toda a gente? – Não! A Igreja não concorda! É que qualquer ser humano, mesmo que se tenha destacado pela sua solidariedade social, tentando criar a verdadeira fraternidade entre os Homens – sendo, portanto, santo, pois seguiu a mensagem genuína de Jesus Cristo! – tem de passar pelo crivo dos milagres exigidos pela Igreja, milagres que comprovem “sem qualquer sombra de dúvida” que esse ser humano está no Céu, face a face com Deus do qual obtém as graças pedidas pelos devotos: normalmente, curas ditas “impossíveis, incríveis ou inexplicáveis”. E são necessários milagres para a beatificação e novamente milagres para a canonização. Sem isso, não há santo nenhum!
Ora, para Madre Teresa, já se encontrou um: uma indiana que, tendo invocado a “santa”, ficou curada inexplicavelmente de um tumor no estômago.
Este “milagre” deu-lhe direito à beatificação em 19 de Outubro de 2003. Para a canonização, certamente encontrar-se-ão rapidamente mais milagres do mesmo jaez, pois curas ainda não explicáveis há muitas, estando a Ciência em contínuo processo de descoberta.
Mas..., quando é que a Igreja deixa de se agarrar a esta farsa que são os
milagres para valorizar a pessoa humana? Quando é que deixa de apregoar, de
forma totalmente desonesta, para não dizer hipócrita, que um facto por ser
ainda inexplicável tem de ser de origem divina? Não lhe bastam as vezes em que
a Ciência já desmentiu “verdades inquestionáveis” como, por exemplo, a teoria
geocêntrica? Que fraude, Santo Deus, que fraude! E é uma fraude que todos os
fiéis pagam, submissamente, ao contribuírem, quantas vezes tirando do que lhes
faz falta, para alimentar o rico Vaticano onde todas as normas a utilizar na
“Causa dos Santos” são inteligentemente "cozinhadas"...
Mas da insatisfeita Madre Teresa com a sua Fé e com a falta de respostas de Deus às suas múltiplas questões, falaremos no próximo texto. Então, até lá!
quinta-feira, 23 de julho de 2026
Afinal, o que é ser crente? Tema para pensar em... férias!
SOU
O HOMEM MAIS RELIGIOSO DO MUNDO
(Uma
proposta resumidamente estruturada desta singular Religião encontra-se no final
do livro, disponível na Net e livrarias, “Um Mundo Liderado por Mulheres”).
–
Primeiro, o Homem toma consciência da sua Verdade, da sua Realidade enquanto
ser racional que não escapa à condição de ser vivente que afecta qualquer um:
começar no tempo e acabar-se no tempo, vindo do Nada, pelo milagre da Vida, e
reintegrando-se com a morte na matéria de onde veio para, transformado
novamente em moléculas e átomos, fazer parte, quiçá, de outro ser vivo ou
simplesmente ficando matéria inerte. E, aqui, é oportuno citar a Bíblia na
célebre frase que a Igreja repete ao longo dos séculos, no início da Quaresma,
quarta-feira de cinzas, não tirando depois as devidas ilações ao apregoar uma
vida eterna num Inferno com o Diabo ou no Paraíso com Deus e os seus anjos: “Memento
homo quia pulvis es et in pulverem reverteris” (Lembra-te, ó homem, que és
pó e para o pó voltarás.)
–
Segundo, toma consciência da sua Verdade enquanto ser do Universo, pequeno
elemento do Planeta Terra, Terra que é pequeno astro no Sistema Solar, sistema
que é apenas um dos mais de duzentos mil milhões que compõem a nossa Galáxia, a
Via Láctea, galáxia que é apenas uma entre milhões de outras perdidas no
imenso, incomensurável – apesar de as distâncias se medirem em anos-luz –
Universo cujos limites continuam a ser um total mistério para a Ciência. Mas infinito, de certeza que não é, pois teve um início e, como tal terá um fim. Talvez o Espaço seja infinito e tudo o que nele existe - MATÉRIA e ENERGIA - seja eterno, embora sempre em transformação, indo a MATÉRIA e ENERGIA do mesmo ao mesmo através do diverso, nada se perdendo, pois não tem para onde perder-se...
–
Terceiro, aceita que a sua característica principal, a racionalidade – mais um
milagre da evolução da Vida! – deve ser utilizada para se realizar plenamente
como indivíduo, sendo componente bem localizada, pela Ciência, no cérebro com
os seus mais de cem mil milhões de neurónios, mas a que filósofos e religiosos
insistem em chamar ALMA, deduzindo daí a imprescindível espiritualidade humana
e a sua imortalidade pelo carácter metafísico que revela. No entanto, lendo,
por exemplo, os livros de António Damásio, “O Erro de Descartes” e “O
Sentimento de Si”, facilmente nos apercebemos da tremenda realidade: a
alma com todas as suas prerrogativas e funções – capacidade de raciocinar, de
se emocionar, de linguagem articulada e conceptual, etc. – não passa do
resultado das conexões ou sinapses entre aqueles mais de cem mil milhões de
neurónios que compõem o nosso cérebro. (Este é um dos mais fortes argumentos
para se afirmar que a alma não pode ser imortal, pese-nos embora toda a pena do
mundo. Ah, como gostaríamos de ser imortais! Como gostaríamos de viver
para sempre em algum lugar!...).
Este
tipo de pensamento, liberto que seja dos mitos e fantasias criados pelas
religiões e impostos ao Homem, sobretudo ao ignorante, levará o mesmo Homem à
necessidade de construir uma Sociedade justa e fraterna e a pautar a sua vida
por dois grandes pensamentos de carácter filosófico-existencial: “Hoje é o
primeiro dia do resto da minha vida; tenho de o viver o melhor
possível!” e: “Cada momento de vida desperdiçado é momento de vida desperdiçado
para sempre pois tudo passa e nada se repete!” Aliás, na linha dos poetas e
filósofos latinos: “Vita brevis! Carpe diem!” (A vida é breve!
Aproveita bem cada dia!) Ou ainda seguindo a Bíblia, no seu livro da Sabedoria:
“Não te prives de um só prazer legítimo... Tudo quanto possuis vais deixar para
os outros que vierem depois de ti.”
A
conclusão só pode ser uma: em cada dia que se levanta, em cada noite que cai, a
cada raio de Sol que nos ilumina a face ou brisa que nos acaricia a mente, a
cada sentido que se nos inebria de prazer..., deveremos bendizer, em
agradecimento, o inefável e sempiterno Deus da Harmonia Universal que, não
tendo forma humana, ao modo dos deuses das religiões conhecidas, é o mais
credível porque n’Ele somos desde o nosso início até ao nosso fim, como n’Ele
são todos os seres que um dia tiveram o privilégio de receber esta dádiva
fantástica - e gratuita! - que é a VIDA!... Então, digamos permanentemente:
“Muito obrigado, Muito obrigada, meu Deus!” Até que a vida se nos acabe! E, sem
mágoa – pelo contrário, felizes por termos participado na saga da Vida –
dizermos adeus e um “Até sempre!” seja qual for a sorte que couber aos átomos e
moléculas que um dia formaram este belo ser da criação que fomos NÓS!
Sorrindo!... UM GRANDE, UM ENORME SORRISO!
segunda-feira, 13 de julho de 2026
As duas religiões que estiveram na origem da Civilização Ocidental
O Cristianismo
Fazendo-se
concorrência em número de fiéis (os outros são e sempre foram, para uns e para
outros, “os infiéis”!), cristãos e muçulmanos rondam, no total, os 3 a 4 mil
milhões. Mais de metade da humanidade!
O Cristianismo já conheceu, na sua curta história de c. de 2 000 anos, cismas e
guerras, séculos de negritude e de vilanias, lutas intestinas pelo poder
temporal e religioso. Recordemos apenas – apenas?! – o cisma do Oriente que
separou Ortodoxos e Católicos, o cisma protestante que criou novas igrejas e
inúmeras seitas, o cisma de Avinhão que propiciou a existência de vários papas
ao mesmo tempo, os cerca de dois séculos de papas corruptos e escandalosos, as
Cruzadas contra os infiéis muçulmanos, enfim, a “Santa” Inquisição que perdurou
até meados do séc. XIX.
De qualquer modo, pouco desta agressividade continua nos dias de hoje. E, nas
igrejas cristãs, o humanismo parece ser a palavra de ordem, embora continuem a
apregoar inverdades, alienando o espírito dos que, por enquanto, se vão dizendo
crentes, com o ensino de um catecismo absolutamente retrógrado, embora
compreendamos que não poderia ser muito diferente já que se baseia nos
pressupostos de uma Igreja dizendo-se detentora da Verdade, facto que
tentaremos provar ser totalmente falso ou, se quiserem, totalmente falacioso!
Uma grande virtude: As igrejas cristãs já não perseguem os denunciadores das
inverdades que apregoam. De outro modo, nós não poderíamos exprimir-nos, por
aqui, tão livremente!...
O judaísmo
Das três religiões monoteístas, são os Judeus que têm a mais longa história: c. de 3 000 anos! E é uma história bem heterogénea!
Os Judeus não são só os “pais” do Judaísmo, mas também do Cristianismo e do Islão; como são um povo que lutou, em tempos de Moisés, Josué, David e Salomão, para se apoderarem das ricas terras do Vale do Jordão, a Palestina, ao tempo habitada por filisteus e cananeus, fundando ali Israel; povo ainda que inventou o Deus Javé e criou a Bíblia; e povo donde surgiu um Moisés, um Jesus Cristo, um Einstein, um Karl Marx e tantas outras celebridades, galardoadas com prémios Nobel; povo que actualmente domina o mundo na finança, nos petróleos, nos diamantes e que inventou a usura que faz as “delícias” do sistema financeiro actual...; povo que sempre quis singrar no mundo mas sempre se viu empurrado para guetos nos países onde criava raízes; o único povo da História a sofrer um holocausto em tão vasta escala, numa de sofrimento atroz.
Mas um povo com uma religião que não quis impor à humanidade e que vive voltada sobre si mesma, agarrada à sua “Terra Prometida” e ao seu sagrado “Muro das Lamentações”...
Hoje, incompreensivelmente, pois a fertilidade da mulher sempre foi – ou era? – sentida como uma bênção de Javé, os Judeus não serão mais de 20 milhões e continuam a sua história de guerras pela posse daquela “Terra Prometida” que a todo o momento parece querer fugir-lhes das mãos, apesar de lhes ter sido prometida por Javé há mais de 3 mil anos... E tudo, após uma atribulada e unilateral declaração de independência em 1947.

