quinta-feira, 23 de julho de 2026

Afinal, o que é ser crente? Tema para pensar em... férias!


SOU O HOMEM MAIS RELIGIOSO DO MUNDO

 1 - Eis a frase repetida de alguns cientistas. Mas… que homem ou mulher poderá afirmar-se de tal modo? – Só aquele ou aquela que optar por uma Religião capaz de satisfazer a sua espiritualidade, respeitando ao mesmo tempo a sua racionalidade, capaz, pois, de dar resposta racionalmente credível às carismáticas perguntas que englobam toda a sua angústia existencial: "De onde venho, o que faço aqui e para onde vou?". E essa só pode ser uma Religião que tenha por base a Ciência e o Conhecimento, e não o mito e a fantasia que são apanágio das religiões – todas as religiões! – antigas ou actuais, apregoando deuses ou um Deus impossível de existir. O seu Deus será o Deus da Harmonia Universal, infinito e eterno, contendo, por isso, tudo o existente no espaço e em todo o tempo, tempo que só existe para os seres que um dia começam e noutro se acabam, tal como nós! Assim sendo, tudo o que existe, existe nesse Deus, faz parte d’Ele, enquanto se manifesta em vida, para os seres vivos, ou simplesmente enquanto existe com esta ou aquela forma, para os não vivos. Teremos, pois, um moderno panteísmo universal, retomando-se as ideias dos racionalistas do séc.s XVII e XVIII, tais como Hobbes, Descartes, Pascal, Spinoza, Leibniz, opondo-o ao panteísmo antigo sempre eivado de politeísmo.

(Uma proposta resumidamente estruturada desta singular Religião encontra-se no final do livro, disponível na Net e livrarias, “Um Mundo Liderado por Mulheres”).

 2. Três são as ordens de razões para se poder afirmar que a Religião baseada na Ciência e no Conhecimento satisfaz, simultaneamente, a espiritualidade e a racionalidade humanas:

– Primeiro, o Homem toma consciência da sua Verdade, da sua Realidade enquanto ser racional que não escapa à condição de ser vivente que afecta qualquer um: começar no tempo e acabar-se no tempo, vindo do Nada, pelo milagre da Vida, e reintegrando-se com a morte na matéria de onde veio para, transformado novamente em moléculas e átomos, fazer parte, quiçá, de outro ser vivo ou simplesmente ficando matéria inerte. E, aqui, é oportuno citar a Bíblia na célebre frase que a Igreja repete ao longo dos séculos, no início da Quaresma, quarta-feira de cinzas, não tirando depois as devidas ilações ao apregoar uma vida eterna num Inferno com o Diabo ou no Paraíso com Deus e os seus anjos: “Memento homo quia pulvis es et in pulverem reverteris” (Lembra-te, ó homem, que és pó e para o pó voltarás.)

– Segundo, toma consciência da sua Verdade enquanto ser do Universo, pequeno elemento do Planeta Terra, Terra que é pequeno astro no Sistema Solar, sistema que é apenas um dos mais de duzentos mil milhões que compõem a nossa Galáxia, a Via Láctea, galáxia que é apenas uma entre milhões de outras perdidas no imenso, incomensurável – apesar de as distâncias se medirem em anos-luz – Universo cujos limites continuam a ser um total mistério para a Ciência. Mas infinito, de certeza que não é, pois teve um início e, como tal terá um fim. Talvez o Espaço seja infinito e tudo o que nele existe - MATÉRIA e ENERGIA - seja eterno, embora sempre em transformação, indo a MATÉRIA e ENERGIA do mesmo ao mesmo através do diverso, nada se perdendo, pois não tem para onde perder-se...

– Terceiro, aceita que a sua característica principal, a racionalidade – mais um milagre da evolução da Vida! – deve ser utilizada para se realizar plenamente como indivíduo, sendo componente bem localizada, pela Ciência, no cérebro com os seus mais de cem mil milhões de neurónios, mas a que filósofos e religiosos insistem em chamar ALMA, deduzindo daí a imprescindível espiritualidade humana e a sua imortalidade pelo carácter metafísico que revela. No entanto, lendo, por exemplo, os livros de António Damásio, “O Erro de Descartes” e “O Sentimento de Si”, facilmente nos apercebemos da tremenda realidade: a alma com todas as suas prerrogativas e funções – capacidade de raciocinar, de se emocionar, de linguagem articulada e conceptual, etc. – não passa do resultado das conexões ou sinapses entre aqueles mais de cem mil milhões de neurónios que compõem o nosso cérebro. (Este é um dos mais fortes argumentos para se afirmar que a alma não pode ser imortal, pese-nos embora toda a pena do mundo. Ah, como gostaríamos de ser imortais! Como gostaríamos de viver para sempre em algum lugar!...).

 3. Ao decidir-se pelos caminhos da Razão e da Ciência, o Homem deixa de acreditar em Paraísos e Infernos inexistentes e em eternidades fruto da fantasia de alguns que se disseram – e outros o disseram, e continuam a dizer, por escusos interesses! – iluminados e provindos de Deus, sendo mesmo filhos do próprio Deus! Ora Filhos ou partículas de Deus - definindo-O como O TODO ONDE TUDO SE INTEGRA - qualquer ser o é: animado ou inanimado. Cada um partilhando desse Deus da melhor maneira que lhe coube em sorte, nesta fantástica aventura da existência do Universo e, nele, um Sol em cujo sistema planetário apareceu uma Terra, Terra onde há c. de 3500 milhões de anos brotou da matéria inerte a Vida a qual viria a desembocar neste ser magnífico que é o Homem – apenas há c. de 5 milhões de anos, que é um “ontem” em relação ao tempo universal! (Para perceber melhor como brotou a vida da matéria inerte, veja-se a experiência laboratorial de Stanley Miller, anos 50 do séc. XX, na qual recriou as condições primitivas que permitiram tão milagroso fenómeno, narrada no livro "A mais bela história do mundo"). Mas tal como o Sol, tal como as estrelas, o Homem, cada Homem começa um dia e noutro acaba inexoravelmente, não podendo pretender ser excepção da “Criação” ou do sistema que um dia lhe outorgou a vida e vida racional... Também como o Universo? – Ninguém sabe. E não sabemos se algum dia a Ciência conseguirá desvendar o mistério!

    Este tipo de pensamento, liberto que seja dos mitos e fantasias criados pelas religiões e impostos ao Homem, sobretudo ao ignorante, levará o mesmo Homem à necessidade de construir uma Sociedade justa e fraterna e a pautar a sua vida por dois grandes pensamentos de carácter filosófico-existencial: “Hoje é o primeiro dia do resto da minha vida; tenho de o viver o melhor possível!” e: “Cada momento de vida desperdiçado é momento de vida desperdiçado para sempre pois tudo passa e nada se repete!” Aliás, na linha dos poetas e filósofos latinos: “Vita brevis! Carpe diem!” (A vida é breve! Aproveita bem cada dia!) Ou ainda seguindo a Bíblia, no seu livro da Sabedoria: “Não te prives de um só prazer legítimo... Tudo quanto possuis vais deixar para os outros que vierem depois de ti.”

A conclusão só pode ser uma: em cada dia que se levanta, em cada noite que cai, a cada raio de Sol que nos ilumina a face ou brisa que nos acaricia a mente, a cada sentido que se nos inebria de prazer..., deveremos bendizer, em agradecimento, o inefável e sempiterno Deus da Harmonia Universal que, não tendo forma humana, ao modo dos deuses das religiões conhecidas, é o mais credível porque n’Ele somos desde o nosso início até ao nosso fim, como n’Ele são todos os seres que um dia tiveram o privilégio de receber esta dádiva fantástica - e gratuita! - que é a VIDA!... Então, digamos permanentemente: “Muito obrigado, Muito obrigada, meu Deus!” Até que a vida se nos acabe! E, sem mágoa – pelo contrário, felizes por termos participado na saga da Vida – dizermos adeus e um “Até sempre!” seja qual for a sorte que couber aos átomos e moléculas que um dia formaram este belo ser da criação que fomos NÓS! Sorrindo!... UM GRANDE, UM ENORME SORRISO!

1 comentário:

  1. A NOVA RELIGIÃO a que aqui se faz referência, foi apresentada, estruturada, em 20 textos publicados ultimamente.

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