segunda-feira, 1 de julho de 2024

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 407/?

 À procura da Verdade nas Cartas de Paulo 

Carta aos Efésios 1 - 2

 Pedimos desculpa aos cristãos por sermos tão críticos e demolidores do Cristianismo. Mas não temos alternativa perante a VERDADE dos factos. A consolação é que todas as outras religiões foram também inventadas por homens, mais ou menos sábios, mais ou menos espertos ou ambiciosos, qual Maomé que fundou o maometismo com fins políticos e de enriquecimento e que, agora, devido às suas leis rígidas passadas de pais para filhos, subjuga cerca de 2 biliões de seres humanos.

Posto isto, vamos a Paulo!

– “Fornicação, impureza e avareza não sejam nem assunto de conversa entre vós… O mesmo se diga de piadas indecentes, picantes ou maliciosas… Nenhuma pessoa imoral, impura ou avarenta terá herança no Reino de Cristo ou de Deus.” (5,3-6)

– Até se louva a elevada bitola do comportamento humano proposta por Paulo. Agora, excluir do Céu os que dizem piadas picantes, é que parece exagerado. (Embora o Céu não exista…)

– “As mulheres sejam submissas aos seus maridos. O marido é a cabeça da mulher como Cristo é a cabeça da Igreja. E assim como a Igreja está submissa a Cristo, assim as mulheres sejam submissas em tudo aos seus maridos.” (5, 22-24)

– E viva o machismo! Mas Paulo parece arrepender-se a seguir, em frases como:

– “Os maridos devem amar as suas mulheres como aos seus próprios corpos.” “Cada um de vós ame a sua mulher como a si mesmo.”(5,25-33)

– “Rezai incessantemente no Espírito com toda a espécie de orações e súplicas, vigílias, intercedendo por todos os cristãos. Rezai também por mim…”(6, 18)

– Nos muitos anos que nos dedicamos ao estudo das religiões, nunca percebemos o apelo incessante dos seus gurus à oração. É para pedir o auxílio de Deus para a vida do dia-a-dia (5 vezes ao dia rezam os muçulmanos)? É para louvar a Deus? E os católicos que, além de Deus e da Virgem, têm tantos santinhos e anjinhos a quem rezar?

Já aqui defendemos que o rezar dá conforto à alma do orante e paz e reconciliação consigo mesmo, pensando que está a reconciliar-se com Deus ou os santos. E isso é muito bom! Na verdade, Deus não atende nem súplicas nem orações, por muitas que sejam, simplesmente porque Ele não é o BOM HUMANO SUPERIOR que orienta lá do Céu (inexistente) a humanidade cá em baixo. E quem reza, salva-se, quem não reza condena-se ou fica sem sorte. Não! Já o dissemos: o Homem é um pequeno ser insignificante na saga universal, sem qualquer importância a que o Deus realmente verdadeiro não pode estar especialmente ligado. 

Mais interessante ainda: sendo Deus o TUDO onde TUDO se insere, o Homem é uma pequena partícula de Deus, partícula que apenas evolui e se transforma de acordo com as leis da vida onde apareceu, neste tremendamente imenso Universo, perdido algures, no Espaço Infinito que se confunde com o mesmo Deus!

Mas também nos questionamos: porque não permanecer vivos, depois da morte, numa qualquer forma de vida consciente, mas sem matéria - essa já se fora!... - portanto, em espírito?

Ah, que pena que a falta de informação por parte desses supostos espíritos nos deixe nesta eterna e frustrante incerteza!...

domingo, 23 de junho de 2024

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 406/?

 À procura da Verdade nas Cartas de Paulo 

Carta aos Efésios 1 - 1

Citemos algumas “tiradas” significativas desta carta:

– “Deus nos predestinou para sermos seus filhos adoptivos por meio de Jesus Cristo, conforme a benevolência da sua vontade.”

 “Por meio do sangue de Cristo é que fomos libertos e nele as nossas faltas foram perdoadas.”

 “Deus fez-nos conhecer o mistério da sua vontade, a livre decisão que havia tomado outrora.”

 “Em Cristo, recebemos a nossa parte na herança conforme o projecto daquele que tudo conduz, segundo a sua vontade (Deus).”

 “A sua força poderosa, Ele manifestou-a em Cristo quando o ressuscitou dos mortos e o fez sentar-se à sua direita no Céu. (1, 1-20)

– Basta! As afirmações de Paulo, além de serem absolutamente pessoais e sem qualquer suporte de Verdade, revelam a concepção que ele tinha de Deus: um humanoide superior, benevolente ou não, com vontade disto e mais aquilo, um Deus que, obviamente, não é Deus, Ser infinito e eterno, o Tudo onde Tudo se integra.

Convencido como está de que Jesus é realmente filho desse Deus (humanoide!), vai arquitectar toda a sua argumentação, nesta carta e nas seguintes, em torno desse facto, misturando o humano e o divino sem qualquer lógica.

Enfim, pressupõe como verdade a ressurreição e a existência do Céu como lugar onde há um trono de Deus com direita e esquerda. Aliás, faltou-lhe alguém para sentar à esquerda de Deus… E, como sabemos, tudo isso é FALSO!

– “Foi por revelação que Deus me fez conhecer o mistério que acabo de expor.” (1,3)

– Ora aqui está mais uma razão para não acreditar em Paulo: é que não há revelações de Deus a nenhum humano. Só os paranóicos têm – melhor, pensam ter – tais revelações!

O caricato disto é que nos estamos ocupando de um paranóico, simplesmente porque é um dos doutores da Igreja e dos cristãos…

Mais caricato ainda é que todo o Cristianismo está construído sobre uma enorme FLASIDADE. Vejamos:

1 – Jesus foi simplesmente um judeu sábio do seu tempo que, a dado momento, começou a pregar as suas teorias de fraternidade universal, porque todos filhos do mesmo Deus-Pai (ideia de Deus também de um humanoide superior).

2 – Meia dúzia de outros judeus ouviram-no e seguiram-no e começaram a dizer que ele era o Cristo anunciado pela Bíblia (AT).

3 – As ideias eram simpáticas e, por isso, bem acatadas pelo povo.

4 – Os seus seguidores começaram mesmo a dizer que ele era o Filho de Deus.

5 – Jesus, embora não acreditando – ele nunca disse que o era! – foi-se convencendo dessa realidade, até porque tinha dons especiais de curar doentes.

6 – PRONTO: estava lançado o CRISTIANISMO que seria promulgado, primeiro por Paulo, depois pelos evangelistas, evangelistas que inventaram toda a espécie de histórias, nomeadamente milagres, para darem credibilidade aos supostos factos: JESUS CRISTO, FILHO DE DEUS, MORTO NUMA CRUZ, PELA REMISSÃO DOS PECADOS DOS HOMENS E RESSUSCITADO AO 3º DIA PELO MESMO DEUS-PAI QUE O CONDENARA ÀQUELE SOFRIMENTO ATROZ!

Pergunto: COMO É POSSÍVEL? COMO É POSSÍVEL QUE TÃO TREMENDA FALSIDADE se impusesse e tenha agora, 2.100 anos depois, mais de 2 biliões de seguidores?

É caso para dizer:

AQUELES JUDEUS SÃO MESMO UM POVO-CHAVE NA CONDUÇÃO DA HUMANIDADE!

sexta-feira, 7 de junho de 2024

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 405/?

 

À procura da Verdade nas Cartas de Paulo 

Carta aos Gálatas – 2

–“Quando, porém, chegou a plenitude dos Tempos, Deus enviou o seu Filho. Ele nasceu de uma mulher, submetido à Lei para resgatar aqueles que estavam submetidos à Lei, a fim de que fôssemos adoptados como filhos. A prova de que sois filhos é que Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho que chama: «Abba, Pai»! Portanto, já não és escravo mas filho; e se és filho, és também herdeiro por vontade de Deus.” (4, 4-8)

– Ah, Paulo, como dizes coisas sem qualquer nexo, embora pareça que tal exista ao concluíres que já não somos escravos mas filhos, logo herdeiros, logo por vontade de Deus!

E o que é essa plenitude dos Tempos? – Obviamente, no teu tempo, pensava-se que o mundo iria, em breve, acabar. O próprio Jesus disso estava convencido, ao afirmar “Não passará esta geração sem que tudo isto aconteça…” Aliás, este medo do mundo acabar foi sendo lembrado ao longo dos tempos. Pelo ano mil, dizia-se: “Aos mil chegarás mas dos mil não passarás!”

Agora, diz-me honestamente: que provas tens tu de que Deus enviou o seu Filho? Aliás, sabes quem é Deus? E não sabes que, ontologicamente, Deus, por ser Infinito e Eterno, não pode ter filhos?

E, por ser Infinito e Eterno, só pode ser O TODO ONDE TUDO SE INTEGRA, ESPAÇO (também infinito e eterno) E TEMPO, MATÉRIA E ENERGIA (estes eternos, porque sempre existiram e existirão para sempre, mas finitos porque mensuráveis)?.

Tu, Paulo, fizeste d’Ele um humanoide superior, i. é., inventaste um Deus-Pai à imagem e semelhança do Homem e, tal como o Homem, pensa, emociona-se, irrita-se, ama…

Mais: ao dizeres que ele nasceu de uma mulher, é seres completamente igual aos pagãos que acreditavam que os seus deuses eram fruto de casamentos entre deuses e humanas!

E como é que Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho se o seu filho não existe porque não pode ontologicamente existir?

E ainda: como sabes que o Espírito do Filho chama Pai a Deus? Como?

Conclusão: escreves bem, Paulo! Mas tudo o que dizes são falácias, tentando tu apresentá-las como verdades. Desculpa, mas não conseguimos dizer outra coisa por, esta sim, ser a VERDADE!

Enfim, dizer que somos herdeiros – deves querer dizer herdeiros do Céu junto do Pai – é outra afirmação totalmente gratuita, pois não tens qualquer lógica na tua argumentação, aliás falaciosa como vimos.

– “As obras dos instintos egoístas são: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, feitiçaria, ódio, discórdia, ciúme, ira, rivalidade, divisão, sectarismo, inveja, bebedeira, orgias e outras coisas semelhantes. Os que as praticam não herdarão o Reino de Deus.

O fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, bondade, benevolência, fé, mansidão e domínio de si…

Com Deus não se brinca: cada um colherá aquilo que tiver semeado… Quem semeia do Espírito, do Espírito colherá a vida eterna.” (5, 19-23 e 6, 7-8)

– Tudo certo quanto aos instintos egoístas. Frutos de um Espírito malévolo. Os outros serão fruto de um Espírito bom.

Ao dizeres que “com Deus não se brinca”, insinuas que Deus é juiz e que, no fim dos tempos – fim do tempo é-o para cada um que morre – dará o castigo – Inferno – ou o prémio – A vida eterna no Céu – conforme actuaram pelos instintos ou pelo Espírito. Até seria justo se tal fosse verdade. Mas, infelizmente, nada nos leva a ter essa percepção de justiça. A pessoa morre e desaparece para sempre. Seja boa, seja má. Tenha praticado os maiores crimes ou os maiores actos de amor! Aliás, aparece e desaparece como se a sua presença na Terra não fosse necessária para nada. E é um facto: tirando alguns que por obras valorosas umas, outras horripilantes, ficam na História, todos os outros – quase todos! – são esquecidos, horas ou dias depois de se terem ido.

ESTA A VERDADE, O RESTO É PURA FANTASIA!

sexta-feira, 31 de maio de 2024

E foi a festa do Corpo de Deus

 Meu Deus, o que Vos fizeram!

Há vários anos que, por esta data, vimos referindo a incongruência desta festa religiosa do Cristianismo.

Não me querendo repetir (Confiram-se textos aqui escritos, em anos anteriores), diria apenas que a invenção de que Deus veio à Terra, incarnando num ser humano, na forma de um Filho, o tal Cristo, sendo o homem um judeu de nome Jesus, nascido de uma virgem por obra e graça do Divino Espírito Santo - outra pessoa inventada para o mesmo Deus - é, no mínimo, mirabolante.

Primeiro, significa que não se sabe definir Deus. Melhor: dizem ser um SER INFINITO e ETERNO e depois limitam-no a um humano, ignorando que o humano é um ser transitório na saga universal, pois apareceu no ciclo da VIDA, ciclo desencadeado no Planeta Terra, Planeta que depende totalmente da sua estrela, o SOL, e que irá desaparecer quando o Sol impreterivelmente morrer, daqui a cerca de 4.5 mil milhões de anos, dada a quantidade de combustível que ainda possui na sua enorme massa de hidrogénio e outros gases.

ISTO É CIÊNCIA! O RESTO É CRENÇA!

E crença sem qualquer possibilidade de prova ou de credibilidade. Aliás, todo o Credo cristão é um conjunto de crenças inacreditáveis por não poderem ser minimamente comprovadas.

Mas repetem os padres, nas missas, em momentos de comunhão, dando a hóstia aos fiéis, dizendo: "Corpus Christi", tendo previamente feito os fiéis acreditar que, no acto da consagração, aquele pedaço de pão ázimo, o pão se transformou na carne e o vinho se transformou no sangue do suposto Filho de Deus, o Cristo.

Obviamente, o facto de o padre ter sido ordenado sacerdote por outro, seja bispo ou papa, também eles ordenados por outros, não lhe dá qualquer poder de transformar o pão em carne e o vinho em sangue seja de quem for. Uma - desculpem-me, ó crentes! - burla inqualificável.

Mas é nesta burla que se baseia a festa do Corpo de Deus. Aliás, seria mais correcto dizer Corpo do Filho de Deus, o tal "Corpus Christi", embora para o caso seja absolutamente indiferente.

Mais: reduzir Deus - SER ETERNO E INIFNITO, O TODO ONDE TUDO SE INTEGRA: ESPAÇO (também ele eterno e infinito) E TEMPO, MATÉRIA E ENERGIA - a um humanóide, preocupado com sua excelência o Homem, Homem condenado ao desaparecimento inexorável, tendo aparecido, no Tempo, por evolução das espécies, num pequeno astro, é coisa que só cabe na cabeça de um paranóico.

O que é certo é que aí temos a crença, crença partilhada por milhões e que a milhões dá alento para suportar crises existenciais. E ISSO É MUITO BOM! E há festa! E há feriado!

Então, VIVA O CORPO DE DEUS!


sexta-feira, 17 de maio de 2024

O vazio que deixaremos quando nos formos

Relevante ou irrelevante?

 Que vamos partir quando chegar a nossa hora, não há qualquer dúvida. Inexoravelmente, também ninguém duvida.

E para sempre? – Aqui, intrometem-se as religiões e os seus apaniguados, afirmando crenças que, por demasiado apelativas que sejam, não passam de fantasias e ingénuas invenções de Céus lindos, infernos monstruosos, numa eternidade pelo Homem inexplicavelmente sempre desejada, após a inexorável partida, mas nunca provada como existente ou possível. Os humanos racionais só acreditarão que a eternidade com Céus e Infernos existe quando pelo menos um que morrer venha cá dizer ao mundo que ele está vivo. Mas não a um par de amigos, como dizem que fez Jesus a quem chamaram de Cristo. Sim, nas televisões de todo o mundo ou nas redes sociais de todo o mundo. Aliás, esse foi o grande erro de Jesus: não se apresentar ao mundo de então como ressuscitado. É que não foi erro. A VERDADE é que ele não poderia fazer tal manifesto simplesmente porque não (NÃO!) ressuscitou!!!

Ora, olhando o que se passa com próximos que desaparecem ou com os nossos familiares se já partiram, pais ou avós, constata-se o mesmo: a tendência, por muito dolorosa que seja a dor da partida, é a mesma: o Tempo tudo apaga, tudo faz esquecer, pois a Vida continua para os que cá ficam e as lágrimas não podem ser o que reste dessa vida.

Portanto, o vazio por nós deixado rapidamente será colmatado, se não física pelo menos psicologicamente. Irrelevante, pois!

E, na hora da partida (para não empregar a palavra-tabu “morte”), estaremos completamente sós face ao nosso fim e ao nosso dizer adeus à vida. Aliás, nesse momento final, só nos resta deixar-nos levar, oxalá sem dor, pois nada adianta nem ao Céu – que não existe – nem à Terra que já nos alimentou durante toda a vida, qualquer sofrimento, caso ainda tenhamos cérebro para o vivenciar, activo que esteja o sistema nervoso central.

Então, voltamos à pergunta que, desde o início da nossa existência consciente nunca nos deixou de azucrinar os neurónios: “Afinal, para quê existimos?”

– Já demos várias vezes resposta a tão tremenda pergunta. Contudo, não sabemos porque é que a resposta, por muito elucidativa que seja, não nos satisfaz.

É que os humanos são mesmo um caso à parte, no reino animal: têm consciência de que nascem, crescem, vivem e morrem…, coisa que muito tenuamente acontecerá com os outros animais onde prevalece o instinto vital e de sobrevivência a qualquer custo. Então, porque sermos tratados Pelo Criador de igual modo?

Mas… não! Não podemos ter ilusões! A verdade, por muito que nos desiluda o Criador que nos deu consciência disto tudo, é que Ele não nos deu aquilo que ambicionamos: a eternidade sob uma qualquer forma, sem perder a nossa identidade, o nosso Self, como diríamos à inglesa.

E concluímos como temos feito em outras abordagens de cariz existencial: Divertamo-nos e sejamos elemento de diversão para o mundo que nos rodeia! Vivamos cada dia como se fosse o último, sendo realmente cada dia o primeiro do resto da nossa vida! Demos valor ao BOM e ao BELO que há nas pessoas e nas coisas e desprezemos com um grande SORRISO o que de mal ou mau nos acontece, mesmo que seja por nossa culpa! (Olha, não conseguimos fazer melhor? – Paciência!)

Só assim, poderemos dizer de plena consciência quando nos formos: VALEU A PENA TERMOS VINDO À VIDA! Melhor ainda: EU VALI A PENA!!! 

quinta-feira, 9 de maio de 2024

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 403/?

 À procura da Verdade nas Cartas de Paulo – 403/?

Segunda Carta aos Coríntios – 1/1

 Esta segunda carta aos Coríntios, exarada como tal no NT, parece ser a aglutinação de mais umas duas ou três. Mas isso é facto pouco relevante. O que importam são as ideias. Ora Paulo continua com afirmações que não prova:

– “Sabemos que Aquele que ressuscitou o Senhor Jesus também nos ressuscitará com Jesus e nos colocará ao lado d’Ele.”, “Não procuramos as coisas visíveis mas as invisíveis, porque as visíveis duram apenas um momento e as invisíveis duram para sempre.”, “Nós sabemos que quando a nossa morada terrestre for desfeita, receberemos de Deus uma habitação no Céu, uma casa eterna…” (4, 14 e 18, /5, 1)

– De seguida, depois do delírio que foi o seu suposto encontro na estrada para Damasco com o Jesus ressuscitado (“Salo, Salo, porque me persegues?”), descreve Paulo mais uma visão da Transcendência:

– “Embora não convenha, vou mencionar as visões e revelações do Senhor. Conheço um homem (ele) que foi arrebatado ao terceiro céu. Se estava no seu corpo ou não, não sei… Sei que foi arrebatado até ao paraíso e ouviu palavras inefáveis que não são permitidas ao homem repetir.” (12, 2-4)

– Tais visões – visões que de qualquer modo mudaram a sua vida – terão sido fruto da sua propensão para ataques de epilepsia, doença de que, ao que se diz, sofria.

A ideia da vida eterna e da ressurreição veio dar ao Humano uma visão completamente diferente da anterior hedonista/materialista: nascer, viver o melhor possível e morrer, desaparecendo para sempre – tal era o que se constatava no dia-a-dia da cidade e da família.

E se trouxe imensos benefícios, levando as pessoas a cometer menos crimes e menos “pecados” para não irem eternamente para o inferno, não evitou tremendas atrocidades de uns contra os outros, egoísmos e sadismos sobrepondo-se ao amor, à misericórdia, à solidariedade/caridade. 

E foi a separação do papado dos ortodoxos, e foram as cruzadas contra os muçulmanos, e foi o cisma com papas em Roma e Avignon, e foram os escândalos quer com a venda das indulgências – o que levou Lutero a criar o protestantismo – quer com os desmandos na Cúria com papas devassos e eleitos por compadrio, e foi a guerra dos cem anos, e foi a “santa” Inquisição, com invenção de torturas que só um cérebro extraordinariamente perverso consegue criar e, pior, pôr em prática, e foi o não acabar com a escravatura que vinha dos séculos passados, e foi a ida forçada para os conventos de homens mas sobretudo mulheres, etc. etc. etc. Neste contexto, há que louvar o judeu Jesus, a quem chamaram de Cristo, por ter tido a coragem de dizer que todos os homens eram iguais porque todos filhos do mesmo Pai que está nos Céus. E, se por um lado, isto contribuiu para a sua morte, por outro, levou à aceitação por muitos populares da nova religião nascente, apontando para um Céu idílico, por toda a eternidade, a quem acreditasse na sua mensagem…

Ora, sabemos que não há vida eterna nenhuma; sabemos que a ressurreição não é possível a qualquer ser vivo que tenha completado o seu ciclo. Então, porque continuam as igrejas a apregoar todas estas falsidades? – A resposta nem é difícil; “No dia em que deixarem de o pregar, acabam!” Mais: e a pregar aquilo – porque os consideramos inteligentes e com capacidade crítica/analítica – de que não estarão convencidos… Incapacidade ou hipocrisia?!

Mas, claro, não nos podemos esquecer das obras sociais das Igrejas, a elas devendo muitas pessoas a sobrevivência em tempos de crise, de fome e de falta de conforto no corpo e na alma. E, aqui, infelizmente, também temos de lembrar os abusos cometidos por responsáveis dessas obras sobre os seus beneficiários, sendo escandalosos os abusos sexuais sobre crianças indefesas física e psicologicamente.

 

sábado, 4 de maio de 2024

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 402/?

 À procura da Verdade nas Cartas de Paulo 

Primeira Carta aos Coríntios - 10/10

 – “Nem todos morremos, mas todos seremos transformados, num instante, ao som da trombeta final. A trombeta tocará e os mortos ressuscitarão incorruptíveis. De facto é necessário que este ser corruptível seja revestido de incorruptibilidade e que este corpo mortal seja revestido de imortalidade…” (15,51-53)

– Paulo acerta ao dizer que seremos transformados, pois os átomos e moléculas que nos compõem irão integrar-se na Natureza, donde afinal vieram, para integrar novos seres, sejam animados sejam inanimados. A trombeta, com franqueza, não é precisa aqui para nada…

Depois, perde toda a razão ao afirmar coisas que não têm qualquer suporte na realidade, nem gozam de qualquer veracidade. Por isso, nada valem. Afirmações sem provas não passam de palavras lançadas ao vento e acredita nelas quem quiser. Nós, de certeza, que não! Aliás, onde sustenta que nos são necessárias a incorruptibilidade e a imortalidade? Só no seu pensamento delirante…

Não esqueçamos que Paulo, como cidadão romano, teria certamente cultura helénica onde se aprendia a dicotomia do ser humano: corpo (corruptível porque matéria) e alma (incorruptível porque espiritual). Esta dicotomia foi assimilada pelo Cristianismo, levando a frases de santos como a de S. Francisco Xavier: “Que importa ao Homem ganhar o mundo inteiro se vier a perder a sua alma?” E continua a ser ensinada nas Igrejas e pelas religiões.

Ora, a Ciência já desmentiu tal asserção e conceito. A alma do humano – como a de qualquer ser vivo, com sistema nervoso central – não é mais que o cérebro, cérebro que, com os seus milhares de milhões de neurónios e sinapses, é a sede de todos os atributos que os helénicos colocavam na alma ou espírito: emoções e sentimentos, inteligência e aptidões, vontades e desejos, amor e ódio, bondade e perversidade, as IDEIAS, os CONCEITOS, os RACIOCÍNIOS. E – drama dos dramas para as religiões que apregoam uma eternidade para o ser humano-alma após a morte – o cérebro (alma) nasce com o corpo que o vai sustentar e alimentar durante a vida, num viver totalmente interdependente, e morre no mesmo instante em que aquele, já “cansado” de viver, “decide” acabar com a vida. (E foi uma forma suave de dizer “morrer”!) Melhor: o cérebro vai-se desenvolvendo e formando ou formatando conforme o desenvolvimento do corpo no ventre da mãe. Isto, embora já contenha em si toda a carga do ADN dos seus progenitores, passada no momento da concepção.

Conclusão: as teorias de Paulo tal como as do ensino de todas as igrejas que apregoam a vida eterna depois da morte estão erradas porque partem de princípios errados. Tão simples quanto isso!

E mais uma vez Paulo tenta sustentar as suas afirmações nas Escrituras. No caso, umas tiradas completamente delirantes de algum sacerdote com veia oratória, da época de 600 A.C., época da sua redacção, aquando no cativeiro de Babilónia que se prolongou por 80 anos: “A morte foi engolida pela vitória! Onde está a tua vitória, ó morte?”, concluindo: “Graças sejam dadas a Deus que nos deu a vitória por meio de Nosso Senhor Jesus Cristo.” (15,55-57)

Ora já sabemos que as Escrituras não têm qualquer valor, poder ou saber para que com elas se possa provar/sustentar seja o que for.

Neste sentido, cremos que serão de repudiar esses pregadores (voluntários) da divindade da Bíblia. Mas cada um é livre de acreditar no que quiser (ou, de alguma forma, lhe der jeito para ser mais feliz…) e de pregar o que quiser…