OS ADORADORES DO DEUS VERDADEIRO
A
PERGUNTA TRÁGICO-CÓMICA
(sem
resposta)
E esta pergunta, já atrás sugerida, é feita
a todas as religiões existentes: “Se, depois desta vida, há uma vida eterna num
PARAÍSO DE TODAS AS DELÍCIAS, porquê, após o nascimento, ou após atingir o uso
da razão, ou após deixar descendência, a pessoa pura e simplesmente não se
suicida para mais rapidamente ir para esse PARAÍSO, já que esta vida nem sempre
é um mar de rosas, havendo mesmo quem lhe chame um Vale de lágrimas?”
Para serem coerentes com as suas crenças, os
crentes não deveriam optar por esta solução de vida?
É a luta entre a Razão e a Emoção a
acentuar-se e a acentuar a incoerência que também é própria do Homem, no seu
viver quotidiano e nas diversas etapas em que se vê envolvido, durante a vida.
Esteja ele no bem-bom e quer lá saber de um Paraíso anunciado mas nunca provado
como existente ou de uma vida eterna que se quer bem longe, longe, longe, dizendo-se
para consigo e seus botões: “Vivamos e usufruamos deste bem-bom que a
eternidade pode bem esperar!” Ou como os romanos: “Carpe diem, vita brevis!”
(Goza a vida que a vida é breve!) Isto, sobretudo na força da vida, juventude e
idade adulta madura, embora mudando de atitude conforme os anos se forem
acumulando, o corpo perdendo energia, o fim anunciado pelo Tempo se aproximando.
Aí, outro galo começa a cantar, não é?! Ah, o ser humano como é cheio de
contradições, santo DEUS!
Estivemos na Romaria da Senhora do Almortão, Idanha-a-Nova, Beira Baixa. Uma bonita imagem, feita apenas de cabeça e rosto e mãos, o seu vestido e manto, riquíssimos, cobrindo a estrutura metálica interior. Vários dias, sendo o mais importante o de segunda-feira, 8 dias após a Páscoa. Milhares de romeiros. Muitos devotos manifestamente sinceros, mas a maioria, não cremos: foram pela festa e folclore. Um bispo e vários padres celebrando missa, procissão e cantares acompanhados dos tradicionais adufes. Mordomos, festeiros, confrarias vestidos a rigor. Foguetes pelo ar. Feirantes envolvendo o recinto, vendendo de tudo. Muita comida e bebida! Almoço? - No raio de 1/2 Kms, todas as azinheiras ocupadas com mesas improvisadas para o alegre pic-nic: o Sol era ardente! Fogo de artifício à meia-noite: de arromba!
ResponderEliminarAh Fé, como te perdes no meio de tanto reboliço! Como ganhas mais fulgor quando o humano se te sobrepõe! Como serves bem mais para satisfazeres o corpo e a alma do Homem do que para apelar para o inexistente Divino!
Mas parece que a Trindade: Pai , Filho e Espírito Santo, apenas foram apontadas, como de costume, na missa em que os fiéis repetiram o inacreditável Credo. De resto, foi a Virgem, aquela Virgem que nasceu do aparecimento de uma pequena estátua de pedra ali encontrada por um pastor, no meio de um arbusto de murta...
E quem abrilhantou a festa? - A excelente Filarmónica Idanhense. Além de um longo concerto, animou a procissão, e passeou-se pelo recinto, sempre a compasso...
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