À procura da VERDADE nos Evangelhos
Evangelho segundo S. JOÃO – 28/?
E continuamos a não entender
que a vontade de Deus-Pai não seja forçosamente a vontade do Deus-Filho. Aliás,
acaso o Filho não teria vindo à Terra, se dependesse da sua vontade? Quem entenderá
tal não-coincidência de vontades, sendo eles um Só Deus? Quem?
É que nós até aceitaríamos a
sua doutrina se Ele se explicasse claramente. E, assim, aceitamos o seu grande
mandamento do amor ao próximo, a sua teoria da fraternidade universal. O que
nós não compreendemos são todas estas misteriosas relações entre um Pai que
quer e um Filho que obedece e que não faz a sua vontade mas a do Pai que O
enviou, lá de cima!…
– Imaginamos a revolta que os
judeus sentiriam ao ouvirem Jesus afirmar que o Diabo era o pai deles, e isto por insistirem
na mentira. Ora, os judeus simplesmente não entendiam a suposta verdade que
Jesus hermeticamente lhes apresentava, nem conseguiam acreditar que Ele era
Filho de Deus-Pai já que não lhes apresentava provas claras de tal facto.
– Repetindo-nos, perguntaríamos:
“Onde estaria a capacidade de Jesus de ser mais claro, mais convincente perante
um povo que certamente O aceitaria se compreendesse as suas palavras, apesar de
descendentes dos “de cabeça dura” do A.T., mas que continuam ainda hoje a
manifestar não pouca esperteza ao “ dominarem” economicamente o mundo…?”
E Ele sabia, certamente, pois
era Deus, que, assim, nada mais conseguiria do que ódios e vontade de
extermínio, por parte daqueles que O ouviam e nada entendiam…
Por nossa parte, é a angústia
de ficarmos com bonitas palavras sem nada de apoio à razão que tanto precisava
de auxílio para suporte da Fé!…
– Depois, fala de ser honrado
pelo Pai e não por Si próprio… e novamente a vida eterna para os que aceitarem
a sua palavra… Mas, após ter ouvido tais palavras, ninguém conseguirá dizer: “Bem,
faço isto e mais aquilo e… tenho a vida eterna!” Não! Temos um Céu, uma vida
eterna, um Pai apenas de… palavras!
Nem conseguimos acreditar que
Jesus conheça o Pai no qual nos diz para acreditar. E o modo como Ele o conhece
será realidade que nos ultrapassa completamente!…
Também nos garante que já
existia antes de Abraão, o mesmo é dizer que é eterno. Garante-nos com…
palavras e nada mais que… palavras!
– Mas será que Jesus poderia
ter agido de outro modo para connosco que somos humanos e, por isso, limitados
nas nossas capacidades?… Será que é de algum modo possível, nós, com esta
realidade física, conseguirmos vislumbrar as realidades divinas? Não será mesmo
para Deus um impossível – o único impossível? (Impossível inadmissível, claro,
já que a Deus nada é impossível. Se admitíssemos impossíveis em Deus,
negávamos-Lhe a sua própria essência!)
E Cristo era Deus! E sabia
dessas nossas limitações para O entender… Porque não Se tornou entendível?
Porquê Se frustrou a Si mesmo e os planos de seu Pai a quem diz que obedece e
de quem faz a vontade e só o que Lhe agrada?
É! Perante tal rejeição da
parte dos que O ouviam, Jesus teria de se sentir forçosamente frustrado,
decepcionado, constrangido perante seu Pai, ao ver que as suas palavras não
criavam amor mas ódio, nem adeptos e seguidores mas homens desejos de o matarem!
Enfim, não sabemos se é tudo mistério ou tudo falsidade. Ou, como já atrás referimos, discursatas do velho João colocadas na boca de Jesus para tentar dar-lhes credibilidade. Obviamente, sem o conseguir. Lançou foi mais uma acha para a nossa pobre razão desacreditar! Com toda a pena deste mundo e do outro, se é que o outro existe realmente!…