sexta-feira, 15 de outubro de 2021

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 325/?

 

À procura da VERDADE nos Evangelhos 

Evangelho segundo S. JOÃO – 20/?

 – As palavras que se seguem, postas por João na boca de Jesus, são, infelizmente, enigmáticas, embora pareçam claras como água… Senão, oiçamos: “Ficai sabendo que o Filho nada pode fazer só por si. Faz apenas o que vê fazer ao Pai. O que o Pai faz o Filho também o faz. O Pai ama o Filho e por isso mostra-Lhe tudo quanto faz. E mostrar-Lhe-á obras ainda maiores, que vos deixarão admirados. Assim como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá a vida, assim também o Filho dá a vida a quem Ele a quiser dar. O Pai não julga ninguém. Ele deu ao Filho todo o poder de julgar, para que todos honrem o Filho como honram o Pai. Quem não honra o Filho também não honra o Pai que O enviou. Eu vos garanto: quem ouve a minha palavra e acredita naquele que Me enviou, possui a vida eterna. Não será condenado, porque já passou da morte para a vida. Digo-vos mais: chegou a hora em que os próprios mortos ouvirão a voz do Filho de Deus: aqueles que ouvirem a sua voz terão a vida. Como o Pai é a fonte da vida, concedeu ao Filho o poder de dar a vida. Deu-Lhe ainda o poder de julgar porque é o Filho do Homem. Não fiqueis admirados com isto, porque vai chegar a hora em que todos os mortos que estão nos túmulos ouvirão a voz do Filho e sairão dos túmulos: aqueles que fizeram o bem vão ressuscitar para a vida; os que praticaram o mal vão ressuscitar para a condenação. (Jo 5,19-29)

– Longas e… enigmáticas palavras! Espanta é a firmeza-determinação com que Cristo as pronuncia.

Infelizmente, são declarações que não se entendem: o Filho nada poder fazer… fazer apenas o que vê fazer… o Pai mostrar ao Filho tudo quanto faz… e mostrará ainda obras maiores que nos vão deixar admirados…

Depois, o Pai a ressuscitar os mortos e o Filho… também… mas só a quem Ele quiser…

E o Pai a não julgar porque deu ao Filho todo o poder de julgar, contradizendo-se de algum modo com o que atrás dissera do Pai…, para que honrem o Pai e honrem o Filho, não sabendo nós o que será isso de honrar o Pai ou… o Filho.

E para ter a vida eterna, não ser condenado e passar logo da morte para a vida, temos de ouvir a sua palavra e acreditar naquele que O enviou… sem sabermos o que é ouvir a palavra de Jesus nem muito menos o que é acreditar em Deus-Pai que o enviou…

– Tantas palavras enigmáticas, Santo Deus! Para quê precisamos nós de enigmas, ó Jesus Cristo? Para quê? Para quê falares de “vida eterna” se não clarificas os caminhos para a alcançar? Para quê tanta confusão entre um Filho e um Pai que não se sabe onde começa a dimensão de um e acaba a dimensão do outro, ora parecendo que são uma e única pessoa, ora duas com poderes e funções distintos?

E como é que os mortos ouvirão a voz do Filho? Que voz?

E sairão dos túmulos, ressuscitando para a vida ou para a condenação eternas…

Tudo afirmações, tudo palavras, tudo declarações sem… nada que lhes sirva de suporte de validade! Para quê?…

– É! Mais uma vez se fala no essencial da vida: a passagem para o outro lado! Com uma ressurreição, uma vida eterna ou uma condenação eterna… Mas… apenas se diz, apenas se afirma, apenas… palavras. Palavras! É com palavras que Jesus sempre nos abandona…

Que tristeza, santo Jesus Cristo! Que tristeza e que pena, pois ficamos sem nada de credível a que nos agarrarmos, na nossa incessante busca da VIDA ETERNA!

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

Fátima, sempre Fátima!

 

“A 13 de Outubro, foi o seu Adeus”

 Canta-se, acrescentando-se: “E a Virgem Maria voou para os Céus”.

Sobre Fátima já foi tudo dito! E o fenómeno, sintetizando, tem de se analisar sob dois prismas: o da emoção e o da razão.

A razão diz-nos que, depois das invenções dos evangelistas sobre os actos de Jesus a quem fizeram de Cristo e Filho de Deus: todos os milagres, desde o nascimento de uma virgem até à sua ressurreição e ascensão aos Céus…, depois destas invenções que deram origem ao cristianismo, as aparições de santos e santas, seus milagres e sobretudo as aparições da Virgem são a invenção que faltava para consolidar o suposto divino em que assenta a religião cristã, baseada nas crenças e crendices dos seres humanos, limitados que estão ao enfrentar as contrariedades da vida, vida que se acaba na indesejada morte.

Mas a emoção comanda a vida de muitos, obviamente a de todos os crentes e de todos os dados a crendices.

E assim se explicam os milhares de peregrinos que se deslocam a Fátima, quase todos para pagar promessas feitas à Virgem, em tempos de aflição.

E compreende-se: perante tamanha dor ou infelicidade, a quem recorrer senão a Deus, à Virgem, aos santinhos da sua devoção para que façam qualquer coisa? É que, ao nível do humano, pouco ou nada já se pode fazer…

E voltamos sempre ao dilema: para viver melhor esta curta vida a que tivemos o privilégio de aceder, por um misterioso destino, será melhor ser crente ou racionalista?

Creio que os racionalistas gostariam, naqueles tempos de aflição e perante a inevitabilidade da morte, de ser crentes. E tudo seria mais fácil… Mas é tão difícil aceitar que ser enganados é bom!...

Fica-se com o desabafo de alguns, depois de terem feito centenas de quilómetros a pé: “É um alívio e um prazer este sentir de paz interior e de dever cumprido, ao chegarmos aqui ao santuário.”

NOTA: Sobre Fátima, leia-se, aqui, a meia-dúzia de textos publicados, de Junho a Setembro de 2012. Uma análise crítica do fenómeno, feita a partir dos documentos que nos são ofertados pelas entidades religiosas. Lê-los ou relê-los, será uma agradável surpresa…

quinta-feira, 7 de outubro de 2021

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 324/?

 

À procura da VERDADE nos Evangelhos 

Evangelho segundo S. JOÃO – 19/?

 – A narrativa da cura do paralítico tem algo de caricato ou… de estranho. Oiçamos: “Existe em Jerusalém (…) uma piscina (…) que tem à volta cinco galerias de colunas. As galerias estavam apinhadas de doentes, cegos, coxos e paralíticos que esperavam o movimento da água. Dizia-se que, de tempos a tempos, um anjo de Deus descia à piscina e agitava a água. O primeiro que entrasse na água depois de agitada pelo anjo, ficaria curado de qualquer doença. Encontrava-se lá um homem que estava doente há trinta e oito anos. Jesus (…) perguntou-lhe: «Queres ficar curado?» O doente respondeu: «Senhor, não tenho ninguém que me lance na piscina quando a água começa a agitar-se. Quando lá chego, já outro entrou na minha frente.» Jesus disse-lhe: «Levanta-te, toma a tua enxerga e vai para casa.” (Jo 5,1-8)

– A situação é realmente estranha e uma avalanche de perguntas nos invade: Porque perguntou Jesus ao doente se queria ficar curado? Não era… evidente? E porque não curou todos os outros se, em outras ocasiões, curara todos os doentes que lhe apresentaram? Porquê só uns e não todos? Onde o… critério? Acaso, se Jesus tivesse feito tal pergunta a todos os outros, algum lhe teria respondido: «Não! Estou aqui para ‘confraternizar’, para ser solidário com estes meus irmãos…»? Afinal, quantos dos que entraram na água, depois de agitada - imaginemos a deprimente correria de coxos, paralíticos, estropiados… - ficaram curados? E deixemos o pormenor dos 38 anos…

– “Ora isto aconteceu em dia de sábado. (…) Os judeus começaram a perseguir Jesus porque Ele curara em dia de sábado. Jesus então disse-lhes: «Meu Pai trabalha continuamente e Eu também trabalho.» Por isso, as autoridades judaicas tinham cada vez mais vontade de matar Jesus porque, além de violar a lei de sábado, chegava até a dizer que Deus era seu Pai, fazendo-Se assim igual a Deus.” (Jo 5,9 e 16-18)

– Já dissemos tudo acerca deste fundamentalismo judaico quanto ao sábado. No A.T. e agora com Jesus. Claro: inaceitável! Aos olhos de Deus e aos olhos dos Homens! A justificação de Jesus com o Pai que “trabalha continuamente” é que… humaniza tanto o seu Deus-Pai que ficamos sem saber que trabalho anda Deus a fazer ou tem Deus de… fazer! Depois, é muito estranho que os judeus, em vez de se admirarem com o milagre e acreditarem, preocuparam-se com a violação da lei, o que nos leva a pôr em causa a veracidade do acontecimento.

– “Mais tarde, Jesus encontrou aquele homem no Templo e disse-lhe: «Ficaste curado. Não tornes a pecar para que não te aconteça ainda pior.»” (Jo 5,14)

– Temos vontade-necessidade de perguntar a Jesus: “É a doença resultado do pecado? Quem não peca não adoece? Então, esses justos todos que andam por aí sofrendo e esses pecadores todos que andam respirando saúde?… De que jeito tal lhes acontece?…”

– Última pergunta: A quem aproveitou este milagre? – Aos judeus, não, porque só acirrou neles a vontade de serem o braço de Javé-Deus para fazerem cumprir em Jesus as Escrituras. Aos outros doentes da piscina, também não porque certamente, se souberam, ficaram com inveja e não sem alguma revolta por não terem sido contemplados com a benesse da cura. Outros que por ali estivessem, parece que nem deram pelo prodígio… Então? Deus anda assim a desperdiçar milagres?...

– Só resta dizer que aquele acreditar “cego” na cura das águas agitadas pelo anjo… é pelo menos lamentável e que Jesus deveria ter desmistificado tal crendice que era, com total certeza, invenção de algum “piedoso” judeu, sacerdote ou levi, sabe-se lá se bem pago pelo dono da piscina que lucraria com tais ajuntamentos…

É que era uma questão de intervenção divina. E não tinha sido dado todo o poder divino a Jesus? Como passa Ele por ali sem… “reivindicar” as suas prerrogativas? Sem pôr ordem na “casa” de… Deus?

sábado, 2 de outubro de 2021

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 323/?

 À procura da VERDADE nos Evangelhos 

Evangelho segundo S. JOÃO – 18/?

 – As palavras-enigma-mistério… continuam: “«Eu vou-Me embora. Vós haveis de procurar-Me e morrereis no vosso pecado. Para onde Eu vou, vós não podeis ir. (…) Vós sois cá de baixo. Eu venho lá de cima. Vós sois deste mundo, mas Eu não sou deste mundo. É por isso que Eu digo que vós ireis morrer nos vossos pecados.» Então, as autoridades dos judeus perguntaram-Lhe: «Quem és Tu, afinal?» Respondeu-lhes Jesus: «O que estou a dizer desde o princípio. Eu poderia dizer muitas coisas a vosso respeito e condenar-vos. Mas aquele que Me enviou é verdadeiro e Eu digo ao mundo as coisas que Lhe ouvi.» (…) Quando levantardes o Filho do Homem, então sabereis quem Eu sou e que não faço nada por Mim mesmo, pois digo apenas aquilo que o Pai Me ensinou. Aquele que Me enviou está comigo. Ele não Me deixou sozinho porque faço sempre o que Lhe agrada.»” (Jo 8,21-29)

– Perante tais palavras, muitas delas repetidas, as perguntas saltam-nos da mente como angústias descontroladas!… Pois, quando O havemos de procurar? Porque morreremos no nosso pecado? Que pecado? O de não acreditarmos nele por incapacidade de entendimento dos seus argumentos-sofismas?

Que somos cá de baixo, já nós sabemos. Mas… o que é vir lá de cima? Linguagem popular para indicar o Céu ou desconhecia Jesus que o “lá em cima” simplesmente não existe, pois tudo é apenas espaço interplanetário?

Onde será realmente o Seu mundo, já que não é deste? Como podemos acreditar em tal mundo se apenas sabemos que existe pelas suas afirmações sem provas?

E compreenderam a resposta de Jesus à pergunta “Quem és Tu?”? – Sem dúvida! Desde o princípio, que está dizendo que é o Filho de Deus. Nós é que não entendemos como pode ser o seu testemunho verdadeiro, apesar de todos os seus esforços, de todas as explicações, de todos os seus argumentos do Pai que O enviou e que dá testemunho dele…

E novamente a total dependência do… Pai: “digo as coisas que Lhe ouvi.” Com que ouvidos? Com que olhos Jesus viu ou… vê o Pai? Que coisas Lhe diz o Pai? Afinal, quem é o Pai?

Sempre o mesmo mistério divino de Pai e Filho que ora parecem ser Um ora Dois, obedecendo o Filho cegamente ao Pai, o que ontologicamente não é possível aceitar…

E se é mistério… como exigir-nos que o entendamos? Como?…

Enfim, esta constante obsessão pela dupla Pai-Filho, tantas vezes repetida, leva-nos a descrer que tenha sido Jesus o seu autor mas o próprio João, confuso pela sua senilidade, a construir um Jesus utópico, confuso, misterioso e… ignorante, assentando toda a sua teoria no mistério, retirando-lhe assim qualquer credibilidade que quiséssemos ter nele.

– O milagre da cura do filho do funcionário romano “foi o segundo de Jesus”. (Jo 4,54) Esta precisão “segundo” deixa-nos sérias dúvidas… Não tinha já Nicodemos dito “Ninguém pode fazer os milagres que Tu fazes se Deus não estiver com Ele.”? (Jo 3,2) Então este “segundo” foi lapso histórico ou da memória do velho João…

– “E tanto ele como toda a sua família acreditaram em Jesus.” (Jo 4,53) Embora a facilidade de fazer milagres fosse muita, parece ter sido pouco frutífero uma só família acreditar por ter visto o filho do oficial ficar curado. Imaginemos que Jesus vinha cá de novo à Terra… Se tivesse de fazer um milagre em cada família para que toda a família acreditasse… Inconcebível, não?!…

Aliás, ao ouvir o pedido do oficial “Vem depressa comigo antes que o meu filho morra” Jesus queixou-se: “Vós só acreditais quando vedes prodígios e milagres.” Mas lá lhe fez a vontade: “Podes ir, que o teu filho está vivo.” E naquela mesma hora, o rapaz ficou curado.

É realmente espantosa esta capacidade de fazer milagres, mesmo à distância. Tão espantosa que duvidamos seriamente dela, considerando os milagres como “factos” arquitectados pelos evangelistas para divinizarem, junto dos novos adeptos da nova religião, o seu Jesus misterioso…

Não há dúvida de que, para o crente, o mistério e o milagre são os fundamentos da sua Fé

sábado, 25 de setembro de 2021

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 322/?

 

À procura da VERDADE nos Evangelhos 

Evangelho segundo S. JOÃO – 17/?

 – E voltamos ao enigma das palavras! “Eu sou a luz do mundo. Quem me seguir, deixa de andar nas trevas e possuirá a luz da vida. (…) Embora Eu dê testemunho de Mim mesmo, o meu testemunho é válido, porque Eu sei de onde venho e para onde vou. Vós julgais como homens, mas Eu não julgo ninguém. Mesmo que Eu julgue, o meu julgamento é válido, porque não estou sozinho, mas o Pai que Me enviou está comigo. Na vossa Lei está escrito que o testemunho de duas pessoas é válido. Eu dou testemunho de Mim mesmo e o Pai que Me enviou dá testemunho de Mim.” (Jo 8,12-18)

– Fez-se luz no vosso espírito? No nosso, não! Porque é válido o testemunho de Jesus pelo facto de Ele saber de onde vem e para onde vai?… Ora, o seu testemunho deveria ser para que nós O entendêssemos ou aceitássemos e nós não sabemos nem de onde Ele vem nem para onde Ele vai, a não ser pelas suas próprias palavras…

Por outro lado, como pode Jesus argumentar que o testemunho dele é válido porque é o de duas pessoas - Ele e o Pai - se continua a não nos mostrar o Pai, obrigando-nos a acreditar na sua palavra?

Jesus incorre no mesmo “erro” de querer provar aquilo que diz com aquilo que diz. Faz-nos lembrar os sofistas gregos…

– “Perguntaram-Lhe: «Onde está o teu Pai?» Jesus respondeu: «Vós não Me conheceis nem a Mim nem ao meu Pai. Se Me conhecêsseis, também conheceríeis o meu Pai.»” (Jo 8,19)

– A resposta não esclareceu as dúvidas dos doutores da Lei - que continuavam à procura de uma boa oportunidade para o prenderem - nem as nossas! Continua numa espécie de círculo vicioso de Pai desconhecido e Filho e de Filho e o mesmo Pai desconhecido… Aliás, mais à frente, ao pedido de Filipe “Mostra-nos o Pai”, Jesus respondeu “Quem me vê a mim, vê o Pai.” (Jo 14- 8 e 9) Obviamente, uma não-resposta. Inadmissível em alguém que diz possuir a Verdade… Então, ao deixar-nos nas trevas da incompreensão, não se pode arvorar a si mesmo como sendo a Luz do Mundo.

– É! Jesus queria que O conhecêssemos para assim conhecer o Pai. Ora, partindo do princípio que nós não conseguimos conhecê-Lo e portanto não conseguiremos conhecer o Pai, como quer que aceitemos o seu testemunho como válido se a validade está alicerçada no testemunho dele e do Pai que afinal não conhecemos? Novamente o sofisma a… a atormentar-nos!

Continuamos é a não compreender como é que Jesus, tendo dito que nos vinha salvar, nos diz todas estas coisas que não entendemos nem conseguimos aceitar, parecendo depender de tal compreensão-aceitação, a salvação ou condenação eternas. É que se não houver ninguém que compreenda totalmente tais palavras… ninguém se salvará!

E a missão de um Filho de Deus e do Pai que O enviou será um logro total…

Infelizmente, logro total para um Deus que logo ali deixou de o ser, por ser inadmissível atribuir-lhe qualquer falha… Mas muito mais infelizmente para nós, que ficámos sem nada a que nos agarrarmos como tábua de salvação para alcançar o tal Céu e a tal tão desejada eternidade. Vá-se lá saber porque é assim tão desejada!...

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 321/?

 

À procura da VERDADE nos Evangelhos 

Evangelho segundo S. JOÃO – 16/?

 – Realmente não sabemos quem é o Espírito Santo. Dizê-lo 3ª pessoa da Santíssima Trindade, nada esclarece. Acaso, já alguém O viu ou ouviu? Ou… sentiu?

Só pela Fé em Jesus que o disse e nos seus seguidores que o mencionaram!… Mas só pela Fé, pode ser muito mas é objectivamente muito pouco! Ou… NADA!

Depois, o “medo” de Jesus Se assumir a Si como portador de uma doutrina: esta tem de vir do Pai, não se percebendo a confusa dependência de Pai e Filho e de Filho e Pai…

Depois, a problemática do sábado, imposição bíblica do AT, com Jesus a ter de justificar-Se por ter curado em dia de sábado, pois “o meu Pai trabalha todos os dias…”.

Depois, a sua afirmação sem titubeações de ser o Filho de Deus, de vir de junto dele e de voltar para Ele… Parece tão convincente este Jesus! Que pena que não nos tenha aberto as portas da compreensão do Céu e da tão desejada eternidade!… Que pena! É que nos deixou exactamente à porta! Mais um pouco e teríamos compreendido… Mais um pouco e ter-nos-ia claramente manifestado o Pai que Ele vira porque viera de junto dele e portanto era-Lhe fácil acreditar nele!… Mas a nós, quer - exige! - que acreditemos no Pai só porque nos diz que o Pai existe, que o Pai O enviou, que o Pai é verdadeiro, que o Pai quer isto e mais aquilo!… Não é injustiça a deste Jesus? A nós obriga-nos à Fé! Ele… acreditava porque vira…

Aonde nos levaria tal raciocínio, não de todo falacioso? Aonde?

– Se calhar, à descrença total… Mas, de certeza, que não é isso que nós queremos! Nós queremos acreditar! Não sabemos bem nem em quem nem em quê, mas queremos acreditar que há Deus, que há um Céu, que há uma eternidade, que há mais alguma coisa para além desta vida, objectivamente fadada ao eterno esquecimento…

– A história da mulher adúltera é realmente singular e manifesta a “classe” de Jesus a “lidar” com a malvadez dos fariseus… “«Mestre, esta mulher foi apanhada a cometer adultério. A Lei de Moisés manda apedrejar tais mulheres. E Tu, que dizes?» (…) «Quem de vós não tiver pecado, atire-lhe a primeira pedra.» Ao ouvirem isto, foram saindo um a um, começando pelos mais velhos. (…) E Jesus ficou sozinho. (…) «Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?» Ela respondeu: «Ninguém, Senhor.» E Jesus: «Eu também não te condeno. Vai e não voltes a pecar.»” (Jo 8,4-11)

– É… é de ficarmos com um gostoso sorriso nos lábios! E não sabemos que mais admirar: se a graciosidade da cena, se aquele passar de acusadores a… acusados, se as palavras de não condenação, se o motivo pelo qual aquela mulher cometera adultério… E… mulher apedrejada por se enamorar de outro homem que não o seu marido! Acaso a Lei mandava também apedrejar o homem que tal suposta “perversidade” cometesse?!…

 

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Novo Testamento (NT) - 320/?

 

À procura da VERDADE nos Evangelhos 

Evangelho segundo S. JOÃO – 15/?

 – É estranho: Jesus parece não se importar com a debandada dos discípulos, discípulos que nada entenderam – tal como nós! – do que Ele dissera. Então não vinha Ele para salvar tudo o que estava perdido?… Como é que agora afasta os que o seguiam com o enigma das suas palavras que nem nós, dois mil anos após tantas exegeses, não compreendemos, e não Se importa nem altera a sua forma de falar? Sendo Deus, não sabia que falando assim, não convencia ninguém, mas afastava toda a gente?… Ficou apenas com os doze, afirmando que um deles era o demónio! Nem mais nem menos: o diabo! Como? Como escolheu o “diabo” para os doze? Há tanto de incongruência nestas afirmações postas por João na boca de Cristo que a nossa já fraca Fé fica ainda mais abalada, definhando… definhando… É: se Jesus fosse Filho de Deus e Deus com Ele (como se diz na teologia cristã), nunca agiria de tal forma: um Jesus falhado na sua suposta missão, ao vir à Terra.

– No entanto, apetece-nos, não dizer mas gritar, como Pedro: «Para quem havemos de ir, Senhor, se só Tu tens palavras de vida eterna?», embora pareça que se tenha expressado de tal modo por nada ter entendido do que ouvira…

Também não entendemos é como Pedro, logo a seguir, pouco ou nada tendo entendido de tais palavras, deduz que Jesus é realmente o Messias, o Enviado de Deus!…

E a temática parece cada vez mais difícil! Por isso voltaríamos a perguntar: “Estaria o velho João com a cabeça suficientemente clara e saudável para ser testemunha fiel de tudo quanto coloca na boca de Jesus, palavras supostamente pronunciadas mais de cinquenta anos antes?…”

– Mas há mais palavras de… vida eterna, embora na mesma linha enigmática e já repetitiva: “A doutrina que Eu ensino não vem de Mim mas daquele que Me enviou. Se alguém está disposto a fazer a vontade de Deus, saberá se a minha doutrina vem de Deus ou se falo por Mim mesmo. Quem fala por si mesmo busca a própria glória, mas aquele que procura a glória de quem O enviou diz a verdade e nele não há falsidade. Não foi Moisés que vos deu a Lei? No entanto, nenhum de vós a cumpre. Então, porque Me quereis matar? (…) Uma pessoa pode receber a circuncisão em dia de sábado sem violar a Lei de Moisés. Então porque é que vos irritais comigo por ter curado um homem ao sábado? (…) Será que de facto Me conheceis e sabeis de onde Eu sou? Eu não vim por Mim mesmo. Quem Me enviou é verdadeiro e vós não O conheceis. Mas Eu conheço-O porque venho de junto dele e foi Ele quem me enviou. (…) Ainda ficarei convosco mais algum tempo. Depois, irei ter com aquele que Me enviou. Ireis procurar-Me mas não Me encontrareis porque não podeis ir para onde Eu vou. (…) Se alguém tem sede, venha ter comigo que Eu lhe darei de beber. Do coração daquele que acredita em Mim, hão-de nascer rios de água viva, como diz a Sagrada Escritura.” (Jo 7,16-38)

– João tenta explicar: “Com estas palavras, Jesus queria dizer que todos os que acreditassem nele, haviam de receber o Espírito Santo. Na verdade, o Espírito Santo ainda não tinha sido enviado, porque Jesus ainda não tinha sido glorificado.” (Jo 7,39)

– Nós não sabemos o que dizer. Simplesmente, se queria falar no Espírito Santo e não na água, porque não foi mais claro? Mas todo o texto anterior é de uma total confusão. É que afirma, afirma, afirma e… provas das suas afirmações, nada! Parece nitidamente que o Jesus de João estava paranoico, pensando ser Filho de Deus e que Deus o tinha enviado à Terra, não se sabe bem para quê: se para salvar o Homem, se para o redimir dos seus pecados, se para lhe prometer a vida eterna… Ora, caro Jesus, nós exigimos provas de que és Filho de Deus, provas de que foste enviado, certezas do objectivo da tua viagem do Céu à Terra, certezas aonde é esse Céu, certezas sobre esse teu Pai. E disso… NADA NOS DÁS! Apenas... PALAVRAS! Logo, não podemos acreditar em TI!