segunda-feira, 16 de abril de 2012

O inacreditável Credo Católico (corolário)

Afinal, no Credo Católico, falta um elemento essencial de crença dos fiéis: a crença na Sagrada Eucaristia. E esta falha é tanto mais inconcebível quanto a Eucaristia é a base de todas as celebrações importantes que acontecem nas igrejas, a começar no Vaticano e propagadas por esse mundo fora, onde houver um sacerdote que use os seus supostos poderes de trazer Jesus à Terra, em cada celebração através da consagração do pão e do vinho, dizendo as mágicas palavras: “Abençoai, Senhor Deus, estes dons que para nós se vão transformar no corpo e sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, ele que, na hora em que se entregava, para voluntariamente sofrer a morte, pegou no pão e disse «Tomai e comei, pois isto é o meu corpo entregue por vós.» De igual modo pegando no cálice, disse: «Tomai e bebei pois este é o cálice do meu sangue, o sangue da Nova e eterna aliança, que será derramado por vós e por muitos, em remissão dos pecados... Fazei isto em memória de mim.» E ali, está, por milagre – “Mistério da Fé!”, brada o sacerdote, após se ter ajoelhado diante do suposto corpo e do suposto sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo; ao que os assistentes respondem: “Celebramos, Senhor, a Vossa morte, proclamamos a vossa ressurreição; vinde, Senhor Jesus!” Portanto, mais um mistério! Portanto, mais algo de essencial em que o crente tem de acreditar. Portanto, algo de importante que deveria estar consignado no Credo, por exemplo, antes do “Creio na Igreja una...”. Assim: “Creio no mistério da Sagrada Eucaristia, em que, pela força e poder das palavras do sacerdote, Cristo desce dos Céus à Terra, em cada missa, o pão transformando-se na sua carne e o vinho no seu sangue, renovando-se, assim, perpetuamente, o sacrifício agradável a Deus-Pai do seu Filho que redimiu o Homem do pecado.” “Per omnia secula seculorum” (Pelos séculos dos séculos), poderíamos acrescentar! Para provar a inconsistência dos argumentos apresentados pela Igreja para que a Eucaristia seja algo de Verdade (claro que escuda-se, como sempre faz, nestas coisas que não consegue provar, apenas afirmar, no mistério...), remeto para os sete textos aqui publicados sobre o assunto, em Novembro-Dezembro, 2011. Juntemos apenas que, aquele “Fazei isto em memória de mim”, apenas quis dizer Jesus que, sempre que se reunissem para comer, se lembrassem dele e daquele último banquete facilmente perceptível como último, dados os acontecimentos recentes do Templo: os sumos sacerdotes, escribas e fariseus não lhe iriam perdoar tal afrontamento à autoridade religiosa instituída. Também hoje, a Igreja, com o seu papa à cabeça, não perdoa a teólogos que não alinham nos inconcebíveis dogmas em que faz acreditar os fiéis, excomungando-os, dogmas como os do pecado original e o da imaculada concepção de Maria (portanto concebida, no seio de sua mãe, Sta Ana, sem o terrível pecado original, pecado que, obviamente, é mais um mistério e, por isso, inexplicável, tanto na sua concepção como na sua transmissão de Adão e Eva aos seus descendentes; isto, claro, a fazer fé em outro mistério, o de o Homem ser descendente de tais simpáticos seres, mistério já desvendado, pois todos sabemos, depois de Darwin, que Adão e Eva são pura fantasia bíblica...) Outras crenças importantes fazem-se ainda notar no Credo. Uma das mais notórias é a falta de referência ao Céu, Inferno e Purgatório. Assim, deveria estar consignado: “Creio no Céu onde está sentado Deus-Pai, rodeado de anjos e santos; creio no Inferno, morada eterna dos demónios e dos condenados por terem morrido em pecado mortal; creio no Purgatório para onde vão as almas dos que morreram com pecados veniais e necessitam de se purificar para entrar no Reino dos Céus.” Interessante que uma destas falhas foi colmatada, dando voz a tradições medievais de rezar pelo desagravamento das penas do Purgatório – donde as indulgências e as promessas, em vida, da classe nobre e rica, o que gerou uma tremenda riqueza para a Igreja católica e que levou Lutero a insurgir-se contra tal desregramento, tal roubo, tal mentira... – nas supostas aparições da Virgem em Fátima, 1917, (Vide 12 textos aqui publicados, Jun.-Set., 2011) introduzindo o terço que continua a rezar-se nas nossas igrejas, dizendo-se entre cada mistério evocativo da paixão de JC, e cada dezena de Avé- Marias, o que a Virgem supostamente ensinou às três pobres crianças, supostamente videntes: “Ó meu Jesus, perdoai-nos e livrai-nos do fogo do Inferno e levai as almas todas para o Céu, principalmente as que mais precisarem.” Haverá palavras para avalizar tudo o que fica dito? Não é de bradar a todos os céus, a todos os deuses, nesta nossa era da Ciência, contra tanta (in)verdade em que se faz acreditar os tementes fiéis? Pudera: com tanto terror do Inferno, terror do Juízo Final e com tanto temor do pecado!... Enfim, que cada um ajuíze e se decida pela Fé ou pela Ciência. Mas, de certeza que haverá outros caminhos que não estes da (in)verdade católica para se dignificar e “salvar” o Homem!

segunda-feira, 9 de abril de 2012

O inacreditável Credo Católico (5/5)

Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai e do Filho; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado: Ele que falou pelos Profetas. Creio na Igreja una, santa, católica e apostólica. Professo um só baptismo para a remissão dos pecados. E espero a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há-de vir. Amen.' O Espírito Santo, juntamente com o Pai e o Filho, era o elemento necessário para formar a trilogia divina, o mistério dos três serem apenas um, imitando, outras trilogias divinas mais antigas, como a hindu, com Brama, Vixnu e Shiva. Mas não deixa de ser uma invenção sofisticada. Mistério, claro! Agora, reparem bem no que se afirma dele: “Senhor que dá a vida”. Então, o Pai e o Filho não são igualmente senhores e não dão igualmente a vida? (Aliás, dar vida a quem? Só aos viventes da Terra ou em qualquer parte do Universo onde haja a possibilidade que houve na Terra da sua existência?) Bem, para ser uno com o Pai e o Filho tem, de algum modo, proceder deles. Como? – Mistério! (Mais um!) Os três são adorados e glorificados. Claro, subentende-se que seja no Céu, pelos anjos e santos, e por alguns crentes na Terra. Ora, como nem Céu, nem anjos nem santos existem (Alguém já teve a mínima prova credível da sua existência?), a Santíssima Trindade não é glorificada nem adorada em parte alguma, a não ser, o que resta de crentes na Terra. E foi o Espírito Santo que falou pelos profetas? Então, e os outros dois – Pai e Filho – que são um só com ele, onde estavam?!!! E, sejamos claros, a avaliar pelo que ele inspirou aos profetas, estava muito mal informado acerca da Vida, do Universo, da Terra, do Homem, fazendo-se a si próprio e à tríade de que faz parte, um Deus ignorante, sanguinolento, vingativo e ciumento, no AT, e um oposto Deus de Misericórdia – embora nem sempre, como acontece na paixão e morte a que os dois, Pai e Espírito Santo, sujeitam o Filho! – no NT. E isto tudo no espaço de um milhar de anos. Um Deus mutante! Então, qual a sua veracidade? Qual a credibilidade deste Espírito Santo? O que vem a seguir e no qual o crente deve fazer Fé é surreal! Quem é que acha que a Igreja é “una” e “santa”? Aliás, qual Igreja? A católica? E a ortodoxa? E a protestante? E as de todas as seitas derivadas destas três?! “Apostólica”, é-o realmente! Continua a pregar, pelo mundo, inverdades, todos sabendo que são inverdades, a começar pelo papa e a acabar no mais humilde – mas inteligente! – sacerdote! A razão é simples: nenhum deles quer perder o seu poder, quer temporal – não ganham bem a vida à custa de pregar estas inverdades? Então para quê dizer que tudo o que pregam é falso? – quer espiritual, sobre as consciências, poder que lhes trouxe muitas riquezas com que se têm banqueteado ao longo da História. E continuam. Veja-se o rico Papa no seu rico Vaticano. Só comparável ao asqueroso bispo brasileiro Macedo – porque é que não se chama papa?!!! – da Igreja Universal do Reino de Deus que se vangloria, escarnecendo dos que nele e na sua igreja acreditam e onde deixam chorudas esmolas, do lautíssimo luxo que ostenta! O baptismo, a remissão dos pecados, passemo-los à frente para nos debruçarmos sobre a crença na ressurreição dos mortos e na vida que há-de vir, logicamente A VIDA ETERNA. Se já provámos que a ressurreição de Jesus foi um mito, a de qualquer outro ser humano também o é. A começar e a acabar nas várias ressurreições que são narradas na Bíblia (duas ou três no AT, quatro ou cinco no NT, se não contabilizarmos aqueles milhares de mortos que, segundo Mateus, se levantaram dos túmulos e passearam pela ruas de Jerusalém, quando Jesus deu o último suspiro na cruz!...). Enfim, da VIDA ETERNA e da sua impossibilidade para o ser humano, já aqui falámos. Remeto para os textos anteriores sobre a “Impossibilidade da imortalidade da alma humana”.(2 textos, Fev. 2012). E, se a imortalidade é impossível, a eternidade também o é! Temos de nos conformar com a nossa dura realidade: somos seres passantes na Terra, seres que, por acaso da Natureza, viemos à vida. De um ponto de vista optimista, foi um privilégio, privilégio negado a biliões de biliões de outros que nunca passaram ou passarão da potência de ser; e, assim, aproveitar este grande momento o melhor possível para não perder pitada de Sol, de prazer legítimo, de sorriso... Se pessimistas, somos um fogo fátuo que mal se acende logo se apaga, dure esse fôlego, oitenta ou cem..., mil anos que fossem. A escolha é nossa! Enquanto temos vida... (Nota: Quem julgar que há algo de revanchismo ou de ataque gratuito às afirmações das religiões, neste caso, do Credo Católico, engana-se. Aqui, só procuramos a Verdade, questionando tudo o que, um dia, nos disseram ser essa Verdade. Em tal análise, constatamos que as lacunas são tantas que de modo algum merece credibilidade o que nos disseram ou o que nos fazem crer. Mas garanto: continuaremos à procura da Verdade da Vida e do Homem, da Verdade de Deus, questionando, até que a nossa inteligência e racionalidade no-lo permitam.)

segunda-feira, 2 de abril de 2012

O inacreditável Credo Católico (4/5)

«Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras; e subiu aos Céus, onde está sentado à direita do Pai. De novo há-de vir em sua glória para julgar os vivos e os mortos; e o seu Reino não terá fim.» Antes de falarmos do mito da ressurreição, e para fazermos jus à “Semana Santa” que se inicia com o “Domingo de Ramos” de ontem, refiramos a continuada afirmação da Igreja em chamar a todos aqueles factos de um suposto cariz divino, que ocorreram antes da Páscoa, em Jerusalém, de “mistérios”: “Celebremos os santos mistérios da paixão e morte do Divino Salvador”. É que, como em todos os outros inúmeros mistérios que inundam a religião católica, não se entende como é que Deus Eterno e Omnipotente tem um Filho, o envia à Terra para salvar o Homem e, para cumprir tão fácil missão por quanto Deus com o Pai, necessita que ele morra de uma maneira tão selvática e ignominiosa, como se fora um criminoso aos olhos do poder religioso judaico e do poder político romano. Apenas duas pertinentes perguntas: 1 - Um tal Deus é possível? 2 - Necessitaria que o seu próprio Filho morresse e morresse de tal modo para salvar o Homem da suposta perdição eterna, desagravando-O das muitas ofensas com que o Homem O havia ofendido? A resposta é obviamente “Não!” Tudo invenções, tenebrosas invenções, perversas invenções que fazem de um deus de bondade e de justiça – tal o Deus-Pai de Jesus mitificado em Cristo – um tirano sanguinário, imitando o seu homólogo do AT, Javé! Por isso, celebrem-se estes mistérios, façam-se inflamados sermões, encham-se as igrejas de trajes roxos e de luto, toquem-se matracas e encomendem-se as almas,... mas tudo não passa de encenações, de uma fé sem fundamento, pois as bases não têm qualquer credibilidade. Pelo contrário: são falsas, à luz destes argumentos que provêm da própria essência ontológica de Deus. Há que referir ainda as dramáticas quão bizarras narrativas dos quatro evangelistas, copiando-se, grosso modo, uns aos outros, havendo a destacar Mateus que enche a morte de Jesus com milagres e fenómenos terrestres, milagres que a ninguém passariam despercebidos se tivessem sido verdadeiros: o véu do Templo que se rasgou, a noite que veio em plena tarde de sol, os mortos que saíram dos túmulos e se passearam pela cidade, etc. Grande imaginação a de Mateus! Mas imaginação que deita por terra qualquer credibilidade que os seus escritos pretendessem ter, considerando-se, por isso, e com toda a propriedade, de pseudo-históricos (Aliás, estes mortos ressuscitaram antes de JC? – Inconcebível teologicamente: “a ressurreição de JC é o penhor da nossa própria ressurreição”, afirma-se na missa. Ou ressuscitaram por antecipação? E que lhes aconteceu depois?!!!) Do mito da ressurreição, já nos ocupámos, anteriormente, numa meia dúzia de textos (Vide os quatro textos publicados, aqui, em Abril de 2011). Mas vale a pena resumir as ideias principais: 1 - O mito da ressurreição dos deuses solares que em cada Inverno morriam para ressuscitar em cada Primavera, remonta à antiguidade. Qualquer livro sobre história das religiões menciona o facto. 2 – Obviamente, os primeiros criadores do cristianismo, com Paulo à cabeça, não poderiam criar uma religião sem que o seu protagonista principal ressuscitasse dos mortos, tendo, por isso, que nascer, padecer e morrer. 3 – A narrativa da ressurreição que aparece nos quatro evangelhos – ponto fulcral para a religião cristã – é estranhamente díspar quanto, sobretudo, às personagens que a testemunham, sendo a de João a mais simpática, pois dá prioridade nesse testemunho à amada de Jesus, Maria Madalena. (Vide meus textos anteriores). Ora, tal disparidade é inadmissível. Cada narrador, escrevendo depois de Paulo e não lhe saindo da cabeça a célebre frase do “apóstolo dos gentios”: “Se Ele não ressuscitou é vã a nossa fé” (1Cor 15,17), (Paulo escreve pelos anos 55 a 60 dC, enquanto os outros escrevem para lá dos anos 70, 80 e 90, dado importantíssimo nesta análise), inventou o que mais lhe aprouve para que não só houvesse o mínimo de testemunhas iniciais, como, depois, houvesse apenas um número restrito de contemplados com o aparecimento de Jesus ressuscitado. Este facto revela só por si a total falsidade do que se afirma. Então, Jesus ia ressuscitar – repetimos, o facto mais importante da sua missão e base da religião nascente – e não aparecia a multidões para provar que realmente ressuscitou? Ia perder tão soberana ocasião para converter logo ali, milhares que seriam suas testemunhas aquém e além fronteiras de Israel, pelo menos, por todo o Império romano? Inconcebível! Inconcebível para o Homem e muito mais para um Deus que se tinha resolvido a intervir na História do Homem para lhe trazer a salvação eterna!... Seria o cúmulo da estupidez!... 4 – Não deixa de ser caricato o que se segue, convindo citar, na narrativa de João, a cena do incrédulo Tomé, sendo convidado pelo Cristo a meter a mão no lado do peito aberto e o dedo nos buracos dos cravos com que fora pregado na cruz. Mas todos dizem que também comia e bebia e falava. A pergunta – pergunta mais mordaz que ingénua, pergunta a que ninguém dá resposta! – é: “Com que língua falava, com que boca comia, para que estômago iam os alimentos, que corpo tinha para ter peito aberto pela lança e os buracos dos cravos?” Mais disparidade ainda se passa com a narrativa da Ascensão ou subida aos céus. (Seria certamente mais correcto dizer subida para o espaço sideral...) Só aparece, timidamente narrada, em Marcos e Lucas; neste, no Evangelho e nos Actos. Nem Mateus – o campeão da invenção de milagres supostamente realizados por Jesus – nem João referem tal fantástico fenómeno. É mais um argumento para descrer totalmente de que, tanto a Ressurreição como a Ascensão tenham tido realmente lugar: tudo pura invenção! O resto, ainda maior invenção revela: “Cristo sentado” (em que assento?), “à direita do Pai” (o Pai está sentado? E quem está à sua esquerda?), “Há-de vir” (como e quando?), “para julgar” (com que direito?) e “terá um reino” (que reino e sobre quem reinará?)... Ah, como os crentes deveriam questionar tudo isto antes de dizerem a inicial palavra “Creio!” Seria muito mais lógico e racional se dissessem, de início, nem que fosse em voz baixa para não escandalizar ninguém: “Não creio!” E tudo faria sentido! Ficar-se-iam pelo recordar de efabulações...

segunda-feira, 26 de março de 2012

O inacreditável Credo Católico (3/5)

«Por Ele todas as coisas foram feitas. E por nós, homens, e para nossa salvação desceu dos Céus. E encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem. Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado.» Que afirmação é essa? Com que prova se afirma que, por Ele, o Jesus mitificado no Cristo, todas as coisas foram feitas? Se é que alguma coisa foi feita!... Muito mais lógica é a visão da Ciência, já aqui repetida, de que as coisas – neste caso, todos os seres – apenas evoluem e se transformam e não foram feitas, parecendo ter existido desde sempre, em acto ou em potência. Não estava tudo em potência, do átomo às estrelas, às galáxias, ao Universo naquela matéria inicial que, pelo Big Bang, originou tudo o existente? (Isto não quer dizer que a Ciência tenha desvendado o mistério que é o próprio Universo, não se sabendo, por exemplo, se este Universo conhecido e ao qual pertencemos é único ou se há outros e quantos e que configuração têm no Tempo e no Espaço, nem os limites nesse mesmo Tempo nesse mesmo espaço. Infinito? Enterno?!!!) E desceu dos Céus para vir salvar o Homem? Desceu? Mas donde se apenas há espaço infinito? Que concepção tão aceitável aos olhos dos antigos e medievais, mas não mais aos olhos do Homem actual, que desvendou estes poucos mistérios do Universo! Então, porque se mantém essa concepção num Credo de Fé? E salvar o Homem de quê? Ainda se o salvasse da sua selvajaria em que perpetua o seu viver... Aliás, na linha do sábio Jesus que pregou a Fraternidade Universal! Agora, outra salvação para uma suposta eternidade, num suposto Céu, na companhia de um suposto Pai?! – Isso é demais! Tanta fantasia ultrapassa qualquer filme de ficção! O problema é que a Igreja faz acreditar nisto os seus fiéis sob ameaça de excomunhão e de perdição eterna no Inferno... Surge, agora, outro problema da Fé: o Jesus, como Filho de Deus, para tomar a forma de homem, encarnou pelo Espírito Santo no seio de Maria Virgem. Temos mais um Deus: o Espírito Santo, um Deus para perfazer, com o Pai e o Filho, a Santíssima Trindade, dogma-mistério - Deus uno e trino ao mesmo tempo! - que os fiéis têm de aceitar sem questionar! E foi essa 3ª pessoa divina que fecundou a Virgem para que ela gerasse um Jesus que, à partida, era Filho de Deus! É dramático para a razão de qualquer humano que se questiona, como tanta imaginação foi possível! Mais dramático ainda pensar que a Igreja, passados dois mil anos, continua a impor aos seus fiéis, tanta aberração junta ou, se quiserem, tanto mistério junto! E já não falamos na inconcebível virgindade de Maria que, obviamente, não existiu, tendo sido inventada por Lucas, já que o divino que preconizava e queria impor aos primeiros crentes não poderia ser inferior ao dos deuses antigos, pois todos nasciam de virgens... Como, aliás, imitando histórias antigas acerca daqueles deuses, deuses solares, inventou todo aquele cenário do nascimento de Jesus, com gruta, anjos e pastores a cantarem hinos de louvor, perseguições, etc. Para aceitar isto, ou aceitar tudo o que não se entende na religião católica – que é quase tudo, porque quase tudo é milagre ou sai do humano! – os fiéis são convidados, perante a dúvida, a interiorizarem a máxima: “A Deus nada é impossível!”. Que ingénua – ou pérfida? – explicação, Santo Deus de todos os deuses! Da paixão e morte de Jesus, para remissão dos pecados dos Homens apenas dizemos que, já nas religiões antigas, se celebrava o Deus redentor que carregava, qual cordeiro que ia para o matadouro, com as culpas dos Homens, libertando estes da condenação à maldição. Mais uma coincidência interessante quando se constata que as religiões se foram copiando umas às outras, em ritos e crenças, ao longo da História do Homem. As religiões cristãs, isto é, derivadas da mitificação de Jesus em Cristo, não são excepção. Do mistério da Santíssima Trindade, um Deus uno e trino em pessoas: Pai, Filho e Espirito Santo, havemos de falar aqui, em breve.

segunda-feira, 19 de março de 2012

O inacreditável Credo Católico (2/5)

«Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigénito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; gerado, não criado, consubstancial ao Pai» Ao não admitirmos, por aberração, um Deus-Pai-Criador como o afirmam as religiões, mormente a católica ou as cristãs, mais aberrante se torna a ideia de esse Deus ter tido um Filho, Filho unigénito, nascido dele, Pai (e qual a mãe?!!!) antes de todos os séculos, isto é, antes do Tempo, sendo portanto eterno como o seu Pai. Depois, são, no mínimo, mórbidas, religiosamente falando, as designações de “Deus de Deus, luz de luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro”; ou repetitivas, se quiserem, após se ter dito “unigénito” e “nascido do Pai”. Mais aberrante ainda e mais repetitivo, o “gerado, não criado, consubstancial ao Pai”. Aliás, há alguma razão para se diferenciar “gerado” de “criado”? Objectivamente, nenhuma. Neste sentido, gerar e criar são absolutos sinónimos. Quem gera, cria, dá à luz, faz aparecer. Se é da mesma substância do Pai (consubstancial) também deriva logicamente de ser filho unigénito. Portanto, mais uma repetição que ronda o maquiavélico desta afirmação de Fé. Compreende-se: aqui foi a grande questão levantada no Concílio de Niceia, sendo, aliás, excluídos e excomungados todos os bispos – e eram muitos! – que se opunham à manutenção no Credo de tal consubstancialidade. No conceito do Deus da Harmonia Universal, todos os seres são filhos de Deus. Deus único e eterno ter um Filho é mesmo a invenção religiosa mais prodigiosa que se poderia imaginar. Para que quereria Deus ter um filho? Não lhe basta a sua própria essência de infinito e de eterno? Aliás, por ser infinito e eterno tem de ser único. É a forçosa unicidade de Deus. Foi isso que os judeus, já do séc. XII a.C., “descobriram”, por oposição aos politeísmos reinantes na altura e que ainda se prolongaram por mais um milénio, sendo notórios os greco-romanos com os seus fantásticos Olimpos onde deuses e deusas se divertiam a brincar com os humanos, ora amando-os e defendendo-os (Venus), ora odiando-os e levando-os à guerra (Marte!). Mais aberrante ainda é a afirmação de que esse suposto Filho de Deus é Jesus a quem, para tanto, mitificaram em Cristo e o disseram “Nosso Senhor”. Já explicámos aqui, com argumentos incontestáveis, como é que se deu tal mitificação. (Ver os seis textos publicados com o título “Quem foi Jesus Cristo?”, Out-Nov, 2011). Depois, já se deram conta? Já repararam que este Jesus Cristo, Filho unigénito de Deus, apenas apareceu há dois mil anos, quando o Homem leva de História uns quatro milhões? Isto não prova nada? Não prova à saciedade que Deus – a inteligência por antonomásia! – não se ia lembrar, apenas há dois mil anos, que tinha de intervir na História humana para salvar o Homem da sua perdição eterna, anunciando-lhe ao mesmo tempo a existência de um Céu, um Inferno, um Juízo Final, etc., etc., etc.? Brada a todos os Céus tal invenção! Incompreensível é que haja cerca de mil milhões – haverá?! – de crentes que continuam a recitar, em todas as missas, tal aberração, sem se questionar da sua veracidade ou logicidade. Lógica humana? – Nenhuma! Divina? – Obviamente, que também não!

segunda-feira, 12 de março de 2012

O inacreditável Credo Católico (1/5)

O Credo católico, também chamado Credo niceno ou niceno-constantinopolitano, por ter sido fixado no Concílio de Niceia, em 325, e alterado no de Constantinopla, em 381, apresenta-se actualmente com várias versões. Eis a da Conferência Episcopal Portuguesa: Creio em um só Deus, Pai todo poderoso, Criador do Céu e da Terra, De todas as coisas visíveis e invisíveis. Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigénito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; gerado, não criado, consubstancial ao Pai. Por Ele todas as coisas foram feitas. E por nós, homens, e para nossa salvação desceu dos Céus. E encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria. e se fez homem. Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras; e subiu aos Céus, onde está sentado à direita do Pai. De novo há-de vir em sua glória para julgar os vivos e os mortos; e o seu Reino não terá fim. Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai e do Filho; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado: Ele que falou pelos Profetas. Creio na Igreja una, santa, católica e apostólica. Professo um só baptismo para a remissão dos pecados. E espero a ressurreição dos mortos e vida do mundo que há-de vir. Amém. Dissequemos, então, ponto por ponto, as afirmações em que um crente tem de fazer fé: «Creio em um só Deus, Pai todo poderoso, Criador do Céu e da Terra, De todas as coisas visíveis e invisíveis.» Que tenha de haver um só Deus, já que é infinito e dois infinitos forçosamente se conteriam um ao outro, aceite-se. Agora, porquê “Pai todo poderoso”?, porquê “Criador do Céu e da Terra e de todas as coisas visíveis e invisíveis”? Ainda está por provar – alguém o conseguirá? – que no início dos Tempos – quando? e o que havia antes do início? – houve um Criador que se lembrou – dizem os teófanos, “por amor” – então, por um acto de amor que lhe deu naquele momento (sendo Ele eterno, que incongruência, santo Deus!), de criar Céus e Terra, melhor, o Universo visível e invisível. Aliás, pelo que conhecemos, haverá apenas tempo para os seres que, por evolução, ora vão sendo uma coisa ora outra, ora animal, ora planta, ora pedra... e que tudo seja eterno, nada se perdendo, no rodopiar do Tempo “eterno”, mas tudo continuamente se transformando, do átomo às estrelas, às galáxias, ao próprio Universo; obviamente, passando pelo Homem, nós, cada um de nós, grão de poeira nesta colossal engrenagem! A admitir um Criador, melhor, um transformador, esse teria, terá de ser o próprio TODO em que tudo se move e evolui. Nunca um Deus-Pai... Nunca um ser antropomórfico ou à maneira de Homem ou da sua natureza organizacional, chamando-se de Pai, estando fora do sistema, sentado no seu pedestal num lugar inexistente... Será este TODO que, filosoficamente - e teologicamente também, se quisermos ter uma ideia de Teologia não partidarizada, não inerente a uma determinada religião, mas como o estudo da história religiosa do Homem - nos vai levar à proposta do tal Deus da Harmonia Universal, Deus baseado na Ciência e no Conhecimento, aceitável e compreensível aos olhos da razão – a única capaz de aquilatar da veracidade de tudo o que rodeia o Homem, obviamente também a sua religião – assunto de que nos ocuparemos em breve, aqui. Uma religião que todos compreenderão, pois sem mistérios, sem fundamentalismos ou radicalismos exclusivistas e que, portanto, todos – a humanidade inteira! – poderá e deverá seguir. Grande Religião!

segunda-feira, 5 de março de 2012

Do Inferno e Céu, dos Anjos e Demónios (2/2)

No Céu, o cenário é de gritos! Todos os Paraísos de todas as religiões são fantásticos! Mas todos, concebidos ou imaginados à maneira humana: Deus, de aspecto venerando, certamente sempre com sorriso de felicidade, feito Rei sentado no seu trono, tendo à sua direita os predilectos e os mais santos, e todos os anjos, todos sorrindo de felicidade, entoando hossanas de louvor perene... (Quem estará à sua esquerda?!!! Com que boca sorrirão, com que voz cantarão os da direita?!!! Haverá disputas de lugares?!!!) Não nos esqueçamos que quer o prémio de um Céu, por boas obras, quer o castigo no Inferno, por obras más ou pecados mortais (é que há os veniais, etc...) são prémios ou castigos eternos, portanto a merecer ou a sofrer por toda a eternidade. Esta, a ser Verdade, isto é, se não fosse tudo invenção e uma grande falsidade, seria a maior prova de um Deus injusto – logo impossível! – pois castigava ou premiava por toda a eternidade, actos cometidos no tempo. E que tempo, santo Deus! Quase insignificante face ao tempo universal, vivendo o Homem dele apenas uns 80 ou 90 anos, se é que não morreu pelos caminhos da vida... E, sem nos alongarmos mais, deduzamos conclusões: 1 – Não há nenhuma prova credível de que as almas ou os espíritos prevaleçam para além do corpo que os susteve (numa simbiose indivisível, pois um só existia com o outro, logo, faltando um, o outro deixava de ter sentido). Repito Carl Sagan, de cor, no seu livro “Um Mundo infestado de Demónios”: “Não há fenómeno paranormal que resista à aplicação do método científico”. Portanto, todas as “visões” e falas com os espíritos post mortem de que se arrogam os mediums são puras falsidades ou, mais cientificamente, arquitectações dos seus cérebros, dizendo aquilo que acham que os espíritos lhes diriam. Pese embora alguns casos que parecem mesmo reais... (O mesmo se passa com o aparecimento de seres celestiais ou infernais, como a Virgem, os Santos, os demónios, etc., bem como as chagas de Cristo que apareceram em algumas mãos de indivíduos mais devotos e que foram santificados). Tudo fruto dos cérebros, em parte doentios ou afectados, dos intervenientes em tais fenómenos paranormais. 2 – O Céu e o Inferno só teriam sentido se se provasse o primeiro ponto. E o Homem anda morrendo há pelo menos uns quatro milhões de anos (um tempo insignificante face ao Tempo Universal e a outros eventos conhecidos da Ciência: os dinossauros, há duzentos milhões, o aparecimento da Vida na Terra, há c. de três mil e quinhentos milhões!) ou uns quarenta mil para o sapiens sapiens! Embora fossem lugares “necessários” para se fazer alguma justiça, a divina, já que a humana é tão fraca e tão frágil – e... tão injusta! – não passam de meras quimeras ou efabulações, sem qualquer suporte factual ou documental à sua existência. Logo, sem qualquer credibilidade, custe-nos o que nos custar ter de admitir que os que cometem crimes durante a vida na Terra passam quase sempre incólumes aos castigos que bem mereciam. Única solução: aperfeiçoar o sistema judicial humano. Inventar uma justiça divina não o é, com certeza. 3 – Se Céu e Inferno não existem, também anjos e santos demónios são puras efabulações dos indivíduos que, ao longo da História, se dedicaram a estas invenções, invenções, a maior parte das vezes – sempre?! – com interesses bem mundanos, como a invenção do Purgatório. Os bem intencionados, como o Jesus de Nazaré, quereriam dar sentido futuro às suas vidas post mortem, dando cabimento a este inexplicável desejo de eternidade que avassala o espírito humano sem qualquer explicação racional, além do natural instinto de conservação da vida e da espécie. Mas, por ser inexplicável e profundo e forte, não quer dizer que tenha de ser colmatado em algum lugar inventado, contra todas as evidências, para o efeito. Encontrei um livro que, embora faccioso por querer defender a sua tese espirita, apresenta alguns dados documentais sobre o assunto e, por isso, será interessante folhear. Está todo na Internet. Chama-se “O Céu e o Inferno no Espiritismo”. Acesso: 1 – Net; 2 – Google; 3 – Digitar: Céu e Inferno; 4 – Abrir o site da Wikipedia com o título do livro; 5 – No final do artigo, clicar em «livro».