Não pretendendo alongar-nos, vamos iniciar, hoje, uma análise de credibilidade ao Deus que nos é proposto pelas religiões monoteístas, esquecidos que foram os politeísmos das antigas civilizações como a egípcia, a suméria, a mesopotâmica, a caldaica, culminando na panóplia dos numerosos deuses gregos e, mais tarde, nas não menos numerosas divindades romanas.
Sem nos embrenharmos, pois, pelos antigos politeísmos, referindo-nos apenas ao Deus dos três monoteísmos actuais, proporíamos, em síntese, cinco tipos de razões para afirmar que “O Deus das religiões conhecidas não pode existir!”: históricas (1), ontológicas (2), racionais (3), existenciais (4) e psicológicas (5).
1 – Históricas:
O Homem (ou hominídeo cuja consciência de si mesmo desconhecemos completamente) existe há cerca de 7 milhões de anos e o homo sapiens sapiens (de que o Homem actual é o descendente directo) há cerca de 40 mil; as religiões monoteístas existem apenas há cerca de 4 mil anos, (c. 3 mil para os judeus, c. 2 mil para os cristãos, c. 1380 para os muçulmanos) portanto, sem qualquer relevância, importância ou impacto – o mesmo é dizer veracidade! – no tempo. Então, ironicamente, poder-se-ia perguntar: “Acaso andou Deus distraído, esquecendo-se dos Homens que nasceram, viveram, morreram e se condenaram durante 6,993 milhões de anos, ou, digamos para o sapiens sapiens, 36 a 38 mil anos, para só agora vir salvá-los, oferecendo-lhes o Paraíso, se cumprissem os seus mandamentos?” Seria de uma injustiça abissal e, claro, impróprio de um Deus cujos atributos de perfeito, eterno, infinito, omnisciente, todo-poderoso não o permitiriam. Então a conclusão é óbvia: nada do que as religiões nos disseram ou nos dizem acerca do seu Deus é verdadeiro.
2 – Ontológicas:
O ser Deus é simultaneamente de grande e obscura complexidade ou de clara simplicidade. Ou existe como ser independente da matéria, fora do criado e do possível, fora do existente, i. é., fora do Universo visível e invisível – o que se torna incompreensível dada a sua própria natureza de infinito e eterno – ou é Ele próprio – muito mais lógico – todo o existente, todo o possível, toda a realidade em que nos inserimos, embora como seres ontologicamente diferenciados, mas todos fazendo parte dessa mesma realidade. Assim, nós seremos partículas do Deus sempre vivente, infinito e eterno porque se é infinito contém tudo e, se é eterno, nunca poderá deixar de ser e de conter tudo em qualquer momento do tempo. Conclui-se, deste modo, que o Deus das religiões é, ontologicamente, de existência impossível. Conclui-se também que Deus, a existir, será forçosamente um Deus no mais puro conceito de um panteísmo universal: tudo é Deus!
Das razões racionais, existenciais e psicológicas, falaremos no próximo texto. Até lá!